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De volta ao vôlei, Cimed faz investimento de R$ 10 mi e parceria com a CBV
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Carolina Canossa

Hoje técnico da seleção masculina, Renan comandou o projeto da Cimed em Florianópolis (Foto: Luiz Pires/Vipcomm/Divulgação)

Numa época em que as vacas emagreceram bastante no esporte olímpico brasileiro, e que atletas e entidades se queixam da queda brusca de investimentos, o voleibol nacional encontrou um parceiro de peso na iniciativa privada. Ou melhor, reencontrou.

Trata-se do Grupo Cimed, que até as Olimpíadas de Tóquio, em 2020, pretende investir R$ 10 milhões na modalidade. O montante inclui também o valor que a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) receberá da empresa do ramo farmacêutico em uma parceria que substitui a recém-encerrada união com a Nivea.

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“A Cimed é um parceiro que vai fornecer toda a parte de suplementos e remédios para todas as seleções em Saquarema, da base ao adulto”, afirma o diretor comercial e de marketing da CBV, Douglas Jorge. “A gente está fechado com eles para todos os eventos de quadra e acertando para a praia. Assim, eles vão pegar o guarda-chuva completo”, explicou o dirigente.

Entre as temporadas 2005/2006 e 2011/2012, a Cimed patrocinou a equipe mais premiada do vôlei masculino do Brasil naquele período. O time de Florianópolis, que na primeira metade do projeto teve como técnico e dirigente Renan Dal Zotto (treinador da seleção masculina desde janeiro), conquistou quatro Superligas e o Sul-Americano de Clubes de 2009. Dentre os atletas que passaram por aquela equipe estão os campeões olímpicos Bruno e Lucão, além dos medalhistas de prata Sidão e Thiago Alves.

Afastada da modalidade desde então, a empresa já havia dado sinais de que estaria novamente interessada no vôlei em fevereiro, quando fechou um acordo para estampar sua marca nas camisas de líbero, backdrops e placas de quadra do Sada Cruzeiro, atual campeão brasileiro e tricampeão mundial. Para a CBV, o retorno ajuda a minimizar parte da perda do aporte financeiro oriundo de seu maior patrocinador, o Banco do Brasil.

Levantador Bruno engrenou na carreira jogando pela Cimed (Foto: Divulgação/CBV)

“Com relação aos nossos patrocínios, apesar de sofrermos uma redução de valores com nosso principal apoiador (o Banco do Brasil), conseguimos manter um plano até Tóquio 2020. Não diria que estamos em uma posição confortável, mas realmente vamos conseguir ter um projeto para brigar por medalhas”, garantiu Douglas Jorge, obedecendo à política da CBV, não diz o valor injetado na confederação pelos patrocinadores.

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Além da Cimed, a CBV terá como parceiros, até 2020, Gatorade, Mikasa, Asics e, apesar da redução dos valores, o Banco do Brasil. A Gol tem contrato com a entidade até 2018. Já a Delta e a Sky, cujos contratos vencem neste ano, podem renová-los com a confederação até 2019. E o rol dos patrocinadores não deve parar por aí.

“Ainda temos uma cota livre, que são os ‘naming rights’ da Superliga, algo que conseguimos retomar agora e que antes não podíamos usar devido a contratos com TV”, afirmou Douglas Jorge. “Assim que vendermos, vamos fazer várias benfeitorias na Superliga”, prometeu o dirigente.

* Colaborou João Batista Jr.


Renan Buiatti: “Não ter ido pra Rio 2016 foi um incentivo para melhorar”
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Carolina Canossa

Renan se diz um jogador menos ansioso agora (Foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

Altura é importante, mas não fundamental no vôlei. Se fosse, Renan Buiatti estaria tranquilo: com 2,17 m, ele é o jogador mais alto em atividade no Brasil e possui uma das maiores estaturas do mundo. Ainda assim, passou por momentos difíceis nas últimas duas temporadas e só está se recuperando agora que voltou a atuar no voleibol brasileiro.

Vestindo a camisa do JF Vôlei, Renan é o grande destaque individual da Superliga masculina de vôlei. Além de ter terminado a fase classificatória como o maior pontuador da competição, ele figura como o melhor bloqueio e chegou a estar entre os dez melhores sacadores. O retorno à seleção brasileira, por onde já teve passagens durante o último ciclo olímpico, parece questão de tempo para o jogador de 27 anos.

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Em entrevista exclusiva ao Saída de Rede,  Renan falou sobre esta nova fase de sua carreira, que ele próprio define como a melhor desde que começou a jogar vôlei. Também foram assunto as contusões que minaram seu desempenho nas duas temporadas que passou na Itália, onde jogou no CMC Ravenna e Gi Group Monza, e a decepção por sequer ter integrado a pré-lista de convocados para a Olimpíada do Rio de Janeiro, assim como a boa campanha do JF Vôlei, que se classificou para os playoffs da Superliga com tranquilidade mesmo sem contar com um elenco recheado de estrelas.

Bloqueio do oposto é uma das armas do JF Vôlei nesta Superliga (Foto: Divulgação)

Confira nosso bate-papo com Renan abaixo:

Saída de Rede – A que você atribui um desempenho individual tão bom nesta Superliga?
Renan – O nosso time, em geral, conseguiu jogar muito bem junto. Estamos muito entrosados. Nesta equipe, eu só tinha jogado com o Ricardo (ponteiro) antes. Com os outros, só contra. Tivemos pouco tempo de preparação,  foram somente umas três ou quatro semanas de treino antes do Campeonato Mineiro, mas já ali tivemos uma evolução e começamos a Superliga muito melhor do que estávamos um mês antes. O entrosamento saiu fácil, a gente conseguiu se adaptar um com a bola do outro… Que bom que foi desse jeito! Fizemos uma boa temporada, estávamos em sexto lugar até a penúltima rodada da Superliga. Esse resultado veio com muito comprometimento e trabalho.

Saída de Rede – Você é um jogador que já teve oportunidades na seleção brasileira e, inclusive, foi chamado para jogar o Mundial de 2014. Porém, não conseguiu se firmar. Por que acha que isso aconteceu e o que melhorou desde então para, quem sabe, jogar a Olimpíada de Tóquio?
Renan – A seleção é a consequência do que você fez no último ano, então a próxima convocação será reflexo do que fizemos nesta temporada. E, nas duas últimas duas, quando eu estava na Itália, não fui muito regular. Em uma, eu precisei fazer uma cirurgia na mão, enquanto no ano passado não joguei as finais porque tive um edema no pé. Não consegui voltar muito bem nesses dois anos que eu tive lesão. Faltou regularidade: você não pode jogar bem em uma partida e ir mal em três. Isso me faltou muito nos últimos anos. No ano da Olimpíada, eu não fui nem pré-convocado, mas isso foi um incentivo pra eu melhorar cada vez.

Saída de Rede – O fato de não ter ido para a Rio 2016 ficou pesando na sua consciência?
Renan – No dia que saiu a convocação, eu estava ansioso, mas fui olhar e meu nome não estava lá. Fiquei meio mal nos primeiros dias, pois tinha a esperança de estar naquela lista. Depois, acompanhei os jogos e torci pelos meninos. Voltei a pensar no Campeonato Italiano e falei: “Bom, falta muito tempo para sair a outra convocação, então nem adianta ficar pensando muito nisso, é esquecer e ir para o próximo passo”.

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Saída de Rede – O que mais você aprendeu neste período em que jogou fora do país?
Renan – Foram muitas coisas, mas acho que principalmente eu evolui na parte mental. Eu era muito ansioso e ficava mais ainda quando começava a errar. Aí, não conseguia jogar bem, ficava pensando no próximo jogo, achava que seria difícil se não jogasse bem… Estou muito menos ansioso este ano, só penso no jogo na hora em que entramos em quadra. É um passo por vez. E também aprendi a me adaptar às adversidades, pois fui pra lá sem saber falar italiano, sem conhecer ninguém, tive que começar tudo de novo. Foram muitas as coisas que eu tive que aprender na marra.

Altos e baixos na Itália acabaram com a chance de Renan ir à Rio 2016 (Foto: Reprodução/Instagram)

Saída de Rede – E por que você decidiu voltar ao vôlei brasileiro agora?
Renan – Pela oportunidade. Já tinham me chamado aqui em Juiz de Fora e também havia uma outra proposta na Itália, mas, como eu já não estava muito bem, decidi voltar para “dar um reset”. Fiquei um tempão de férias, uns quatro meses parado, depois que machuquei o pé. Só fui voltar a treinar em setembro e tive uma preparação física muito boa, malhei bastante… Eu estava precisando desta folga. Meu ombro sempre doeu, mas acho que esse é o primeiro ano que o sinto bem desde 2009. Me atrapalhava muito treinar todo dia com dor. Essas férias antes de começar a temporada me ajudaram muito.

Saída de Rede – O JF Vôlei não estava entre os principais aspirantes ao título da Superliga. Não houve a chance de assinar com alguma equipe mais bem cotada, já que você é um jogador conhecido dentro do vôlei?
Renan – O mercado não estava muito bom este ano. Me chamaram pra cá e eu sabia que aqui estaria o Henrique (Furtado, técnico), que era do Sada… nunca tinha trabalhado com ele, mas o conhecia. E eu acreditei no trabalho que eles poderiam fazer aqui. Pensei que neste time eu me encaixaria bem

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Saída de Rede – Depois desse período de férias, você esperava que fosse atuar tão bem?
Renan – No começo, foi difícil. Tentei não ficar ansioso e pensar lá no final, sobre como seria esse ano… Houve um pouco de receio, mas as coisas começaram a dar certo e fui jogando bem. Aí, continuei e a confiança vai lá em cima. Jogar bem um jogo é fácil, mas ficar entre os tops da estatística o campeonato todo é difícil

Renan se adaptou muito bem ao JF Vôlei, que disputa as quartas da Superliga contra o Taubaté (Foto: Reprodução/Instagram)

Saída de Rede – E você acredita que esta evolução é o suficiente para jogar em alto nível entre as grandes seleções?
Renan – Com certeza. Acho que melhorei bastante no ataque, em trabalhar mais a bola, em saber errar… Estou errando bem menos do que nos últimos anos.  Puxa, eu fui o melhor bloqueador da fase classificatória, então eu também consegui fazer isso muito bem, de ler bastante o jogo, que o nosso técnico falava. Que bom que eu consegui juntar tudo isso, a tática com a técnica!

Saída de Rede – E no que precisa melhorar?
Renan – Acho que o saque. Comecei sacando bem, mas no finalzinho (da fase classificatória) comecei a variar muito. Voltei a sacar flutuado porque nosso técnico pediu, mas tenho feito uma força maior pra melhorar o saque.

Saída de Rede – Você pretende continuar jogando no Brasil na próxima temporada?
Renan – Depende de muitas coisas. Eu gostaria muito de continuar aqui no Brasil pelo menos no próximo ano. Falar a sua língua e estar no seu país, querendo ou não, ajuda um pouco e isso foi difícil lá fora.


Sada favorito e promessa de emoção: os playoffs da Superliga masculina
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Carolina Canossa

Cruzeiro: somente uma derrota, que veio quando titulares descansaram (Foto: Divulgação)

Se ontem já falamos do equilíbrio de forças dos playoffs da Superliga feminina de vôlei, agora é a vez dos homens. Apesar do imenso favoritismo do Sada Cruzeiro, que só perdeu um jogo até agora (no qual atuou com reservas), não dá pra dizer que é barbada apontar os quatro semifinalistas da competição. Exceto justamente a disputa do time mineiro contra o Lebes Gedore Canoas, os demais confrontos prometem jogos equilibrados e interessantes disputas individuais.

Inclusive, não se surpreenda se algum time badalado for eliminado logo nesta primeira rodada de mata-mata, que será disputada em cinco partidas. Os duelos começam na noite desta sexta, às 19 horas, com Sada x Canoas, seguem com dois jogos na tarde de sábado (14h10 e 15h30) e se encerram no domingo às 15 h. O SporTV transmite todos, exceto Sesi x Minas, que ficará por conta da RedeTV!.

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Abaixo, você confere o que esperar das quartas de final do principal torneio de clubes do Brasil:

Assistente da seleção, Fronckowiak tem missão quase impossível nos playoffs (Foto: Matheus Beck/Canoas)

Sada Cruzeiro (1º) x Lebes Gedore Canoas (8º)

Olhando individualmente, é possível encontrar alguns bons valores na equipe gaúcha: o ponteiro Gabriel, por exemplo, fez um primeiro turno formidável, enquanto o central o central Ialisson chamou a atenção durante o returno. Os grandes craques do time, porém, estão fora da quadra: campeão olímpico e bi mundial com a seleção
brasileira, Gustavo Endres é o supervisor, enquanto Marcelo Fronckowiak se sagrou campeão da Superliga com o RJX em 2012/2013 e recentemente assumiu o posto de assistente técnico de Renan Dal Zotto na seleção brasileira.

Mas, se há quatro anos Fronckowiak conseguiu o feito de bater justamente o Sada Cruzeiro na decisão, a missão agora será bem mais dura. Além do elenco inferior, Canoas não tem um sistema defensivo consistente, algo essencial para enfrentar um time com o poder de saque e ataque que os mineiros possuem. Para complicar, o Sada passou por poucas modificações em seu elenco nos últimos anos e provou sua força ganhando seus três títulos mundiais desde então. Sendo o único time que entra nos playoffs com mais derrotas que vitórias (14 a 8), Canoas já terá feito bem o seu papel se vencer um dos cinco duelos programados pras quartas.

Funvic Taubaté (2º) x JF Vôlei (7º)

Taí um confronto que vai ser interessante de assistir: apesar de contar com um elenco experiente, com três campeões olímpicos e jogadores que passaram pela seleção brasileira, Taubaté só adquiriu mais consistência após a virada do ano, quando passou a se adaptar melhor aos problemas físicos de Ricardo Lucarelli, que provocaram muitas ausências. Juiz de Fora, por sua vez, encarna o perfeito penetra que só está esperando uma oportunidade para aprontar uma ainda maior. Potencial ali existe e os paulistas puderam aprender isso com um 3 a 2 sofrido na última rodada da fase classificatória.

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Minas precisa melhorar o saque para passar pelo Sesi (Foto: Divulgação)

Olho vivo em um confronto particular entre opostos: de um lado, Wallace, que se consagrou perante o público em geral como “macho-alfa”, a bola de segurança, da vitoriosa campanha brasileira na Rio 2016. Somente um jogador fez mais pontos que ele nesta Superliga e é justamente Renan Buiatti. Com 2,17 m, o atacante de saída de rede do JF Vôlei vive a melhor fase de sua carreira após um passagem de altos e baixos, além de lesões, pelo voleibol italiano.

Sesi (3º) x Minas (6º)

Mais um confronto no qual não devemos nos enganar pelos nomes que vemos no papel: nos dois jogos realizados até agora, a badalada equipe paulista e o tradicional time mineiro jogaram os dez sets possíveis, com uma vitória para cada lado. Ou seja: a possibilidade de novos duelos longos é bastante alta.

Diria hoje que há um leve favoritismo para o Sesi, uma vez que o Minas tem apresentado claras dificuldades no saque ao longo da competição. A equipe de Belo Horizonte aumentará bastante suas chances se seus bons atacantes forem mais consistentes e deixarem tantos altos e baixos para trás. Nesta série, o aspecto físico certamente será um fator com mais importância que o normal.

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Brasil Kirin fez um bom time após correr o risco de acabar (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

Vôlei Brasil Kirin (4º) x Montes Claros (5º)

Depois de sofrer uma ameaça de sequer participar desta Superliga devido a um corte de verbas causado pela crise econômica, os atuais vice-campeões do torneio montaram um elenco razoável para a atual temporada. Perderam Lucas Loh, Piá e Wallace Martins, é verdade, mas conseguiram manter o central Maurício Souza e o líbero Tiago Brendle, dois dos destaques da campanha anterior. Ainda que o Brasil Kirin não tenha conseguido bater de frente com o trio de favoritos (Sada, Taubaté e Sesi) em número de pontos, chegou a derrotar a equipe paulistana em uma oportunidade e fez uma boa campanha com times de investimento igual ou inferior, sem grandes sustos.

Peraí, eu escrevi “sem grandes sustos”? Neste caso, exclua da lista justamente o Montes Claros. Isso porque o time mineiro bateu o de Campinas por 3 a 1 no primeiro turno e vendeu caro a derrota na volta, no tie-break. Montes Claros conta com Luan Weber como destaque, além de um saque capaz de fazer estragos em muitas recepções por aí – alguns deles são feitos pelo levantador Murilo Radke, que também tem cumprido sua função principal com competência. Aos 28 anos, o armador gaúcho será essencial para escapar do bem postado bloqueio paulista.

E na sua opinião, quem passa para a próxima fase? Deixe seus palpites na caixa de comentários abaixo.


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Carolina Canossa

Apoio do Rexona será encerrado com o Mundial de clubes, em maio (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX)

A bomba solta por Fernanda Venturini na segunda (13) teve sua confirmação oficial no fim da tarde desta quarta (14): depois de 20 anos, a Unilever decidiu sair do vitorioso projeto iniciado em Curitiba e amadurecido no Rio de Janeiro. O ponto final da parceria será dado no Mundial de Clubes, programado para maio, no Japão.

Claro que a chegada de uma notícia como esta jamais será boa. Diante das dificuldades cada vez maiores neste período de ressaca olímpica, perder um apoiador de tal porte pode significar a saída de atletas de alto nível do país, sem contar com o menor incentivo na formação de jogadoras. Porém, não deve ser tratado como o fim do mundo. Explico as razões:

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– A saída não foi repentina. Boatos de uma possível mudança de estratégia no marketing da Unilever já estavam ocorrendo há pelo menos um ano e meio. A empresa, por exemplo, teve a sensibilidade de fazer uma transição adequada com o Sesc para não deixar profissionais sem trabalho de uma hora para outra, diferente do que já aconteceu em outras rupturas. Para quem não se lembra, em 2014 a Amil chegou a anunciar a substituição do técnico José Roberto Guimarães por Paulo Coco apenas uma semana antes de retirar o investimento, pegando as próprias atletas de surpresa;

– Apesar de ainda não estar claro qual será o nível de investimento do Sesc na próxima temporada, o time continuará na ativa. Mesmo que o orçamento seja menor, há a esperança de ao menos jovens atletas terem uma oportunidade de despontar em alto nível. Vale destacar que o Sesc já apoia um time masculino no Rio, comandado por Giovane Gávio, com um dinheiro razoável para a disputa da Superliga B;

Projeto começou no Paraná, onde ficou até 2003 (Fotos: Divulgação)

– O Rexona não é o primeiro e, infelizmente, não será a última equipe a passar por isso no vôlei nacional. Mas, ainda assim, o esporte continua. Pouco após a conquista do primeiro ouro olímpico no feminino, em Pequim 2008, o Bradesco decidiu romper o apoio dado a Osasco através da Finasa. Houve um certo pânico da época, mas o time está na ativa até hoje ao lado de um novo patrocinador, a Nestlé, que em 2011/2012 praticamente repetiu a escalação da seleção brasileira na equipe.

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A situação do vôlei brasileiro de clubes é perfeita? Longe disto. Há muita coisa a ser feita ainda. Aumentar a visibilidade dos patrocinadores, inclusive com a menção dos nomes deles pela Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão, é essencial. Mas, culpar apenas isso e a crise econômica vivida pelo Brasil pela saída da Unilever do vôlei, é analisar a situação de forma rasa.

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Isso porque crises econômicas não são exatamente uma novidade no país, que já viveu outros momentos de finanças em baixa desde 1997, data do início do apoio da Unilever ao time de Bernardinho. Além disso, nunca a Globo se dispôs a falar os nomes reais das equipes em quadra, sempre apelando para denominação de clubes ou das cidades nas quais são sediados. Ainda assim, a empresa permaneceu no jogo durante 20 anos e, quem conhece um mínimo de marketing e ambiente corporativo, sabe que isso não aconteceu por solidariedade. Se não desse retorno, eles certamente não teriam ficado tanto tempo no projeto. O mesmo acontece com outros times e grandes empresas que investem no esporte: ninguém colocaria dinheiro (que não é pouco) no vôlei se o produto não fosse bom.

Ciclos acabam e estratégias mudam. É da vida. Ao invés de se lamentar e promover uma “caça às bruxas”, quem gosta de vôlei precisa trabalhar (ou cobrar) mudanças no que não está bom. Só assim o Brasil continuará a crescer na modalidade.


Assistente de Zé Roberto fala em renovação drástica e pede paciência
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Sidrônio Henrique

Zé Roberto e Coco: parceria iniciada em 1996 e que se mantém na seleção desde 2003 (fotos: FIVB)

Quando José Roberto Guimarães assumiu a seleção feminina em agosto de 2003, Paulo Coco foi junto como seu principal assistente. Braço direito de um dos técnicos mais vitoriosos da história da modalidade, numa parceria que começou ainda antes, em 1996, Coco está atualmente no comando do Camponesa/Minas, quinto colocado até aqui na Superliga 2016/2017. Ele se mantém ligado em cada um dos adversários não somente pelo futuro da sua equipe, mas também como subsídio para a próxima convocação da seleção brasileira, que este ano disputará o Grand Prix, a Copa dos Campeões e o Campeonato Sul-Americano.

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“A gente teve uma geração vitoriosa, que durou muito. Apesar de terem entrado jogadoras novas ao longo desse processo, a gente manteve uma base muito grande por um bom tempo. A renovação vai ser mais drástica agora. Em algumas das principais seleções do mundo isso já ocorreu. Nesse primeiro momento, nós vamos sofrer um pouco com essa transição”, disse Paulo Coco ao Saída de Rede. Ele pediu um tempo antes das inevitáveis cobranças. “Quanto antes isso aconteça e dê resultado, melhor pra gente, mas temos que ter paciência”, afirmou.

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Ele comentou sobre a mudança de posição de Rosamaria Montibeller, atacante que, sob seu comando no Minas, migrou da saída para a entrada de rede esta temporada. O treinador vê o deslocamento como algo positivo para a atleta e para o voleibol brasileiro.

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A insistência do seu chefe em querer neste ciclo olímpico jogadoras que deram adeus à seleção, como a central Fabiana Claudino e a oposta Sheilla Castro, é vista com naturalidade, apesar do discurso calcado na renovação. “Seriam opções, mas elas não querem. Nível de jogo elas teriam”.

Confira a entrevista que Paulo Coco concedeu ao SdR:

O técnico está contente com o rendimento de Rosamaria na ponta (foto: Orlando Brito/MTC)

Saída de Rede – Como você avalia o rendimento da Rosamaria na entrada de rede, numa mudança feita na metade do primeiro turno da Superliga?
Paulo Coco – Tem sido bastante proveitoso. Ela vem mostrando uma versatilidade muito grande. Antes de ela mudar para a ponta, eu conversei com ela, obviamente. A Rosa tem os objetivos dela de seleção. Como oposta, a altura dela não ajuda no nível internacional (a jogadora tem 1,85m). Então essa mudança abre um leque importante de possibilidades na carreira dela. Isso em virtude da capacidade e do empenho que ela tem. Temos que ter em mente que ela nunca foi uma ponteira passadora, temos que ser pacientes, mas ela vem desempenhando esse papel muito bem.

Saída de Rede – Como tem sido a evolução da Rosamaria como ponteira?
Paulo Coco – Ela vem melhorando seu jogo de rede, seu nível no bloqueio, pois está jogando em outra função. Eu tô pegando no pé para ela melhorar o volume de jogo, o fundo de quadra. Quando se é uma boa atacante, a menina tende a se concentrar na sua atuação ofensiva, mas a função dela é muito importante para o volume de jogo, para fazer o time jogar em função da sua recepção. Ela vem evoluindo nesse aspecto também, o que é muito importante não só para o Minas, mas para a seleção, que assim pode ter mais opções na posição 4, que é a grande carência no voleibol mundial. Estamos fazendo esse investimento.

Saída de Rede – Como você vê o nível dessas jogadoras mais jovens que deverão chegar à seleção neste ciclo? Como seria a renovação? Obviamente combinada com a presença de algumas veteranas.
Paulo Coco – A gente já vem ao longo dos anos trabalhando com uma seleção de jovens, isso desde 2008/2009, com várias jogadoras que vêm ganhando experiência, como a própria Rosamaria, Gabi, Carol… Acho que o Brasil vai estar bem, a gente vai sofrer um pouco no início… Vão pintar nomes, que prefiro não citar para não cometer uma injustiça e esquecer alguém. Mas temos muita gente de talento que, com trabalho, vai ajudar a manter o Brasil entre as principais forças do mundo.

Gabi é um dos jovens talentos que já faz parte da seleção

Saída de Rede – A Superliga propicia rodagem às mais jovens, mas há uma diferença muito grande entre o nível do torneio e o que se vê nas competições entre as principais seleções. Como a Superliga pode ajudar a formar essas atletas?
Paulo Coco – A Superliga permite que elas assumam responsabilidade, assim elas podem chegar à seleção mais preparadas, apesar de que há uma diferença muito grande entre o nível do voleibol nacional e o internacional. Mas de qualquer forma é uma preparação, aqui elas estão em ação e nos jogos internacionais ganham cancha, experiência e assim conseguem chegar num nível que nos permita jogar de igual pra igual com as principais seleções.

Saída de Rede – Além de sair atrás no processo de renovação, quais seriam as outras desvantagens do Brasil?
Paulo Coco – A principal mesmo é a nossa renovação. A gente teve uma geração vitoriosa, que durou muito. Apesar de terem entrado jogadoras novas ao longo desse processo, a gente manteve uma base muito grande por um bom tempo. A renovação vai ser mais drástica agora. Em algumas das principais seleções do mundo isso já ocorreu. Pega o exemplo da China, que foi campeã olímpica na Rio 2016 e fez sua renovação depois de Londres 2012. Você pega a Sérvia, que tem uma equipe muito jovem e é uma das potências mundiais. Há os Estados Unidos, que mudam o time de um ano para o outro e mesmo assim se mantêm em alta. E não podemos esquecer países como Holanda, Turquia, Rússia… Nesse primeiro momento, nós vamos sofrer um pouco com essa transição.

Saída de Rede – Então foi um erro segurar demais a geração anterior? Ficaram mais tempo do que o necessário?
Paulo Coco – Não, você quer sempre as melhores. Você não vai abrir mão das melhores porque são jogadoras mais velhas. O que norteia a gente é o rendimento. Se uma atleta, seja lá qual for a idade, rende bem, então é chamada. Se você tem duas jogadoras com o mesmo rendimento, você tem que escolher entre experiência ou juventude e ver o que vai ser mais proveitoso para o seu time. Idade hoje não quer dizer nada. Temos várias jogadoras com trinta e poucos anos jogando no mais alto nível.

Coco no comando da seleção nas finais do GP 2015

Saída de Rede – Quando a CBV anunciou que Zé Roberto teria seu contrato renovado até Tóquio 2020, ele enfatizou a necessidade de renovação, mas ao mesmo tempo disse que gostaria de contar com jogadoras que haviam se despedido da seleção após a Rio 2016, caso de Fabiana e Sheilla. Não seria um erro? Temos aí uma contradição.
Paulo Coco – Fabiana e Sheilla ainda seriam opções, mas elas não querem. Nível de jogo elas teriam. A Fabiana é um dos destaques da Superliga, com uma saúde incrível. Talvez para a Sheilla fosse mais difícil em virtude da função, que exige muito do físico, pede uma definidora, mas tecnicamente não se discute.

Saída de Rede – Você acha que os resultados da seleção vão cair neste ciclo olímpico?
Paulo Coco – Não sei, precisamos de um tempo para que se mature uma equipe, para que essas jogadoras sintam o que é jogar no nível internacional, que é diferente de jogar aqui dentro do Brasil. Bloqueios diferentes, aquelas europeias muito altas, é outra realidade.

Saída de Rede – Que avaliação você faz do material humano à disposição da seleção, considerando aquelas que deverão fazer parte da equipe principal?
Paulo Coco – Não é muito extenso ou volumoso, mas temos algumas jogadoras interessantes, que já vem sendo trabalhadas e que podem, caso cresçam, se desenvolvam, render bastante. Acho que é esse o processo de transição… Quanto antes isso aconteça e dê resultado, melhor pra gente, mas temos que ter paciência.


Estreia da 1ª trans no vôlei brasileiro tem nervosismo, curiosidade e apoio
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Carolina Canossa

Isabelle recebei todo o apoio dos organizadores e de sua equipe (Foto: Divulgação)

Enquanto a maioria dos atletas de vôlei do Brasil aproveitava o domingo de folga da Superliga, mais um capítulo da história da modalidade estava sendo escrito em um torneio amador em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba.  Era início da tarde quando Isabelle Neris, 25 anos, se tornou a primeira jogadora transexual a atuar em uma torneio feminino no país, defendendo a equipe do Voleiras na Taça Dia Internacional da Mulher.

Sete jogos, o quarto lugar na classificação e muito cansaço depois, a central se disse satisfeita com a experiência. “Foi bem legal, fui muito bem recebida por todo mundo e fiquei muito feliz”, comentou Isabelle, em entrevista exclusiva ao Saída de Rede. “Acho que defendi bem meu time”, destacou.

Transexual brasileira faz história e joga entre as mulheres na Itália

Estudos e norma do COI garantem trans brasileira no vôlei profissional da Itália

Como não houve um scout oficial, Isabelle reluta quando pedimos para ela falar sobre seus números, mas estima que tenha feito cerca de dez pontos por partida. Mais importante foi o apoio recebido por todos, a começar pela organização que confeccionou camisetas com a hashtag #SomosTodosIsabelle. “Alguns técnicos de outros times ficaram um pouco receosos, mas não tive nenhum problema em relação a preconceito”, afirmou.

O fato de o caso de Isabelle ter aparecido na mídia ao longo dos últimos dias atraiu muitos curiosos para o torneio.  Tal atenção se converteu em nervosismo, mas a jogadora diz logo ter se sentido à vontade novamente.

“Muita gente foi lá pra ver se eu realmente eu tenho vantagem em relação a altura, força e desempenho, mas quando  viram que meu nível de competição era igual ao de outras atletas, a grande maioria me aceitou”, contou Isabelle, que, com 1,75 m, era a central mais baixa do torneio. “Houve alguns olhares e comentários, mas isso eu já enfrento em todos os lugares e dias, então já estou acostumada”, complementou.

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Central aguarda nova liberação da Federação para jogar Taça Curitiba, de 20 a 24 de março

Time de vôlei é representado oficialmente em parada LGBT

Profissionalismo é sonho distante

Aos 25 anos, Isabelle vê o vôlei como um hobby – o sustento dela, de fato, está no trabalho como cabeleireira. Ainda assim, ela se diz satisfeita com o que vem conquistando no esporte.

“Todo atleta tem o sonho de participar de times profissionais, mas sei que isso é algo distante devido a minha idade avançada para o esporte. Sou pé no chão em relação a isso. O que quero hoje é participar de campeonatos regionais aqui no Paraná ou até em inter estaduais”, explicou.

O envolvimento com o esporte começou quando ela tinha dez anos. À época, Isabelle fez parte de um programa social comandado pelo Rexona, do técnico Bernardinho – o time se mudou de Curitiba para o Rio de Janeiro em 2004. Com o pioneirismo, ela espera inspirar outras pessoas que também mudaram de sexo.

“Há uma triste realidade no Brasil: somos o país onde mais se matam mulheres trans. Estamos acostumadas a receber notícias trágicas. É bacana quando uma ou outra destoa desta situação, pois mostramos pra essas meninas que não existe só um caminho pra quem é trans. Somos cidadãs como todos, temos direitos e deveres e devemos correr atrás dos nossos sonhos, independente de qual ele seja”, encerrou.

O próximo compromisso de Isabelle deve acontecer entre 20 e 24 de março, na Taça Curitiba. A atleta, porém, ainda precisa acertar detalhes burocráticos com a Federação Paranaense de Vôlei para confirmar sua participação na disputa.


Time de vôlei inova e representa oficialmente clube em parada LGBT
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Sidrônio Henrique

O Lakkapaa Rovaniemi disputa a primeira divisão da liga finlandesa (fotos: arquivo pessoal/Chris Voth)

A participação e o apoio isolado de atletas às paradas do orgulho LGBT mundo afora são cada vez mais comuns. Porém, pela primeira vez, um time de voleibol vai a um evento do gênero, representando oficialmente um clube. No próximo sábado (4), o Lakkapaa Rovaniemi, da Finlândia, desfila na Arctic Pride 2017, com a presença de todos os atletas e da comissão técnica.

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A iniciativa partiu do ponteiro canadense Chris Voth, 26 anos, militante da causa LGBT e que estreou na equipe finlandesa esta temporada. O Saída de Rede contou para você, em dezembro passado, a história do Chris.

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Após duas temporadas no Lycurgus Groningen, time holandês, o atacante de 1,97m ia mudar de clube e de país, mas sequer chegou a assinar o contrato. O motivo: os dirigentes alegaram em agosto que não poderiam se responsabilizar pelas atitudes dos adversários ou mesmo pela conduta das pessoas da equipe, bem como dos torcedores, em razão da orientação sexual dele. Foi dispensado por ser homossexual. Em novembro ele assinou com o Lakkapaa, da primeira divisão finlandesa, depois de três meses mantendo a forma no centro de treinamento da seleção do Canadá, em Gatineau, Quebec. Chris já jogou pela seleção B canadense. Ele mantém em segredo o nome do clube e o país onde foi rejeitado.

Uma das imagens utilizadas na promoção do evento, com os jogadores do time de vôlei

Igualdade e respeito
O site da equipe finlandesa anuncia a presença do time no evento, que tem duração de cinco dias, de 1º a 5 de março, na cidade de Rovaniemi. “É a principal parada do orgulho gay no norte da Europa”, informou Chris Voth ao SdR. A participação do clube, como já dissemos, será no dia 4. O Lakkapaa desfilará por uma hora, das 12h30 às 13h30. Como é inverno no hemisfério norte e eles estão apenas 10 quilômetros abaixo do Círculo Polar Ártico, a boa notícia é que a previsão do tempo para o horário no próximo sábado é de céu claro e suaves 4 graus negativos, algo ameno para aquela região do mundo neste período – as temperaturas mínimas ali registradas beiram os 50 graus negativos. Após o desfile, Chris fará um discurso, “com ênfase na igualdade e respeito”. O Arctic Pride é organizado desde 2013.

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Chris Voth nos disse que ele é o único gay do Lakkapaa Rovaniemi e se sente orgulhoso por ter levado o time a participar do evento. “Eu fui o primeiro homem abertamente homossexual que muitos da equipe conheceram e é importante ver essa aceitação”, completou o ponteiro.

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Localizada no norte do país, Rovaniemi tem 60 mil habitantes, é a capital e o principal centro comercial da Lapônia finlandesa – a região se estende por outros três países. Rovaniemi é conhecida como a cidade do Papai Noel.


Murilo fala da paixão por NFL e “cobra” promessa de Gisele Bündchen
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Carolina Canossa

Murilo até levou uma bola de futebol americano para se divertir entre os treinos da seleção nos últimos dois anos (Foto: Carolina Canossa/Facebook)

Murilo até levou uma bola de futebol americano para se divertir entre os treinos da seleção nos últimos dois anos (Foto: Carolina Canossa/Saída de Rede)

Não é preciso conhecer Murilo pessoalmente para saber o que provavelmente ele está fazendo em qualquer noite de domingo entre os meses de setembro e fevereiro: assistindo a uma partida de futebol americano na TV. Com popularidade crescente no Brasil, a NFL tem no jogador de vôlei um de seus mais famosos fãs por aqui e, atenta ao marketing, chegou a convidá-lo no último mês de janeiro para palpitar sobre os resultados dos playoffs da atual temporada.

Atento aos detalhes, o atleta do Sesi não fez feio: acertou o vencedor de cinco dos sete jogos em que apostou. Os dois erros só aconteceram por conta de um prognóstico ousado, de que o Pittsburgh Steelers passaria pelo favorito New England Patriots na final da Conferência Americana. “Achei que eles iriam se sobressair, mas depois que ganharam do Kansas City Chiefs só fazendo field goals e ainda teve a polêmica do Antonio Brown fazendo vídeo ao vivo enquanto o técnico falava, pensei: ‘Acho que já era…’. Quando acontecem esses problemas, você já vê que não vai dá certo'”, contou Murilo, em entrevista exclusiva ao Saída de Rede.

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Às vésperas do Super Bowl 51, a decisão da campeonato de futebol americano que reunirá na noite deste domingo (5) os Patriots contra o Atlanta Falcons, Murilo diz que não consegue se decidir sobre um vencedor. “Sei lá: tanto um quanto outro podem atropelar que não será surpresa. Está todo mundo rezando para que o Super Bowl reserve um jogo cheio de emoções, chegue equilibrado até o último quarto, pois os playoffs até agora quase não tiveram aquele drama. Só no jogo do Green Bay Packers contra o New York Giants, mas ainda assim Green Bay estava ganhando bem até que sofreu a reação”, lembrou.

Jogador acertou cinco dos sete jogos em que apostou o resultado (Foto: Reprodução/Twitter)

Jogador acertou cinco dos sete jogos em que apostou o resultado (Foto: Reprodução/Twitter)

Sem declarar torcida pra nenhum dos lados, o ponteiro revelou uma leve tendência a apoiar os Falcons. “Não tem nem o que falar dos Patriots: é impressionante como, ano após ano, conseguem manter o mesmo padrão. Falar que eles não são os favoritos seria um absurdo. Penso também um pouco pelo lado emocional, já que o Falcons nunca ganharam um Super Bowl. Então, se tivesse que torcer, seria por eles por causa disto. O (Tom) Brady   (quarterback dos Patriots) já é o maior jogador de todos os tempos, com quatro títulos e três MVPs, enquanto tem franquia que nunca chegou. De repente, seria legal ver o (Matt) Ryan (quarterback de Atlanta) ganhar um anel de campeão…”.

Paixão acidental levada à seleção

O interesse de Murilo pela NFL surgiu tão por acaso que nem ele mesmo se lembra ao certo. “Acho que foi de 2012 pra 2013, quando estava mudando de canal em casa à procura de algo de esporte para ver. Os jogos de futebol americano acabaram me chamando a atenção e passei a acompanhar cada vez mais, tentando entender bastante do jogo”, contou. O maior entrave passou a ser o fuso horário, já que não é raro uma partida avançar até 2 horas da manhã: “Aí é complicado porque tenho treino no dia seguinte de manhã, mas acompanho os resultados, sei quem tem chances, etc”.

O que deve mudar na seleção com Renan Dal Zotto?

Apesar de o vôlei ser um esporte que demanda cada vez mais estudo e análises, algo comum na NFL, Murilo acredita que o futebol americano ainda está muito à frente. “A gente melhorou muito nesta parte desde que eu comecei a jogar, mas nem se compara com o absurdo que eles têm de informação”, afirma o atleta, bicampeão mundial e dono de duas medalhas olímpicas de prata.

Ponteiro começou a ver os jogos da NFL "sem querer", quando buscava algo de esporte na TV

Ponteiro começou a ver os jogos da NFL “sem querer”, quando buscava algo de esporte na TV

“O que eu fico mais impressionado é com o número de jogadas deles. Inventar algo novo no vôlei hoje é praticamente impossível. Temos as combinações de primeira bola com fundo meio, as jogadas do meio com a ponta, de meio com a saída, mas não dá pra sair muito disso. Não vejo espaço físico pra inventarmos muita coisa. O quarterback é como se fosse o levantador, ambos precisam distribuir a bola e achar o melhor recebedor, qual é a melhor estratégia pro momento… É preciso analisar a defesa, que seriam os bloqueadores. É um xadrez, um jogo de gato e rato onde você tenta tirar vantagem em cima da fraqueza do outro”, complementa.

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A curiosidade sobre o esporte fez Murilo comprar uma bola oval, que, inclusive, foi levada para o Centro de Treinamento da seleção brasileira nas duas últimas temporadas e serviu de entretenimento entre um treino e outro. “Lá em Saquarema tem um gramado grande e a gente ficava brincando direto. Tentamos armar umas jogadas, mas não deu muito certo (risos)“, conta.

“Cobrança” para Gisele Bündchen

Dividindo em menor escala a paixão por NFL com o marido (“Antes ela prestava atenção, agora fica mais no celular”, revela Murilo), a também jogadora de vôlei Jaqueline protagonizou a mais divertida história do casal relacionada a futebol americano.

Em 2012, ao fazer um comercial junto de Gisele Bündchen (esposa de Tom Brady), ela deu uma camisa de presente para a super modelo. Em troca, recebeu a promessa de que uma camisa de Brady seria enviada a Murilo. “Agora eu fico brincando com a Jaque: e sua amiga? Cadê a camisa que não chegou até hoje?”, sorri o atleta. “Quem sabe a Gisele não lê isso e se lembra…”, brinca.


Como era o mundo na última vez que Bernardinho não foi técnico de seleção?
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Carolina Canossa

Em XX de outubro de 1993, Bernardinho deu sua primeira entrevista como técnico da seleção feminina (Foto: Reprodução/YouTube)

Em 3 de novembro de 1993, Bernardinho deu sua primeira entrevista como técnico da seleção feminina (Fotos: Reprodução/YouTube)

Bernardinho e seleção. Seleção e Bernardinho. Quando, em 29 de outubro de 1993, a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) distribuiu um comunicado anunciando que o ex-levantador carioca assumiria o lugar de Wadson Lima no comando da seleção brasileira feminina da modalidade, ninguém poderia imaginar que a união entre essas duas palavras seria tão longa. No total, ele permaneceu 8476 dias no cargo (inicialmente com as mulheres, desde 2001 no masculino), período suficiente para que muita coisa mudasse não só no esporte, mas no mundo de maneira geral.

As transformações começaram pelo próprio vôlei: há pouco mais de 23 anos, o esporte que consagrou o treinador tinha outra dinâmica e até mesmo outras regras. Relembre estas e outras curiosidades que marcam o período entre início e o fim de uma das eras mais vitoriosas já vistas pelos brasileiros:

– Em 1993, a bola cair no chão não significava necessariamente ponto para uma das duas equipes em quadra. É que, à época, o vôlei ainda trabalhava com o sistema de vantagem, no qual somente o time que havia sacado poderia pontuar na jogada em andamento. A regra só foi alterada no começo de 1999 a pedido das TVs, interessadas em diminuir a duração das partidas;

O que deve mudar na seleção com Renan Dal Zotto?

– A mesma alteração também afetou o número de pontos necessários para se vencer os quatro primeiros sets de um jogo, de 15 para 25 pontos. Antes, algumas alternativas foram testadas, como limitação das parciais por tempo, mas ficou bem confuso. Na Superliga de 1997, por exemplo, se nenhum dos times tivesse feito 15 pontos jogando com vantagem até o 25º minuto, iniciava-se uma disputa na qual era possível pontuar mesmo sem ter sido a última equipe a sacar;

Seleção feminina vivia crise por problemas de relacionamento de Wadson Lima com as atletas

Seleção feminina vivia crise por problemas de relacionamento de Wadson Lima com as atletas

– Um dos nomes que mais brilharam com Bernardinho na seleção brasileira foi Serginho – prestes a completar 41 anos, o líbero, inclusive, aproveitou a conquista da medalha de ouro na Rio 2016 em agosto para anunciar sua despedida do time nacional. Pois quando Bernardinho virou técnico de seleção, lá em 1993, a posição dele sequer existia: o especialista em defesa foi testado em 1996, mas surgiu oficialmente apenas em 1998, popularizando-se na temporada seguinte;

– A bola também mudou: até o fim dos anos 1990, o principal instrumento de trabalho dos jogadores era totalmente branco, o que dificultava a visualização nas transmissões da TV. Somente a partir do ano 2000, o modelo amarelo e azul passou a ser obrigatório;

Substituto de Bernardinho a partir de agora, Renan Dal Zotto iniciava sua carreira como técnico tendo um dos melhores elencos à disposição no país, o Palmeiras/Parmalat. Contando com nomes como Jorge Édson, Martinez, Pampa, Gílson e Talmo, o ex-jogador ficou com o vice-campeonato paulista e a segunda posição na Liga Nacional, torneio que fazia as vezes da atual Superliga;

– Mesmo tendo conquistado o quarto lugar na Olimpíada de Barcelona (melhor resultado da história até então), a seleção brasileira feminina estava afundada em uma enorme crise. Devido a desavenças com o técnico Wadson Lima, jogadoras como Ana Moser, Cilene e Tina se recusaram a defender a equipe verde-amarela em 1993. Isso, aliado a problemas físicos de nomes como Ida e à altitude da cidade de Cusco, fez com que o Brasil perdesse a final do Sul-Americano daquele ano para o Peru por 3 sets a 1, parciais de 16-14, 5-15, 15-1 e 15-10. Não, nós não erramos a digitação: o terceiro set, de fato, terminou 15-1 para as peruanas;

Ainda tri, seleção de futebol foi salva por Romário nas Eliminatórias (Foto: Folha Imagem)

Ainda tri, seleção de futebol foi salva por Romário nas Eliminatórias (Foto: Folha Imagem)

– Enquanto isso, a seleção masculina seguia a boa fase iniciada com o surpreendente ouro conquistado em Barcelona 1992. Em julho de 1993, sob o comando de José Roberto Guimarães, o país conquistava a Liga Mundial pela primeira vez ao bater a Rússia por 3 sets a 0 (15-12, 15-13 e 15-9) diante de um Ibirapuera lotado. Era o auge da fama daqueles jogadores, alvos de muita tietagem vinda das arquibancadas, especialmente o MVP da competição, Giovane Gávio;

Fofão dá risada sobre os boatos de sua volta às quadras

– Uma das peças mais importantes da seleção de Bernardinho no ciclo recém-encerrado, Ricardo Lucarelli era apenas uma criança de dois anos e meio. Já o mais jovem dos campeões no Rio de Janeiro, Douglas Souza, nem havia nascido;

– No futebol, o Brasil respirava aliviado: cerca de um mês antes da promoção de Bernardinho, em 19 de setembro de 1993, Romário voltava à seleção para assegurar o time na Copa do Mundo dos Estados Unidos ao marcar dois gols contra o Uruguai no Maracanã – uma derrota ali significaria o fim das pretensões do contestado grupo comandado por Carlos Alberto Parreira em tentar o tetracampeonato;

Mike Tyson estava preso acusado de estupro (Foto: Reprodução)

Mike Tyson estava preso acusado de estupro (Foto: Reprodução)

– O maior ídolo nacional, na ocasião, era Ayrton Senna. O piloto de Fórmula 1, porém, morreria tragicamente antes mesmo que Bernardinho pudesse disputar seu primeiro grande torneio com a seleção, em um acidente durante o GP de San Marino em 1º de maio de 1994;

– No esporte internacional, destaque para Mike Tyson. À época, o famoso boxeador estava na cadeia por ter estuprado Desiree Washington, de 18 anos. Depois de cumprir metade da pena à qual foi condenado, ele foi solto em 25 de março de 1995;

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– Politicamente, na última vez em que Bernardinho não foi técnico de uma seleção, o Brasil vivia o governo de transição de Itamar Franco após o impeachment de Fernando Collor. O então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, ainda trabalhava nas bases do que seria o Plano Real;

– Bill Clinton estava em seus primeiros meses de mandato como presidente dos Estados Unidos, enquanto Nelson Mandela tinha acabado de ganhar o Prêmio Nobel da Paz. Ele seria eleito presidente da África do Sul no ano seguinte;

– Entre as celebridades que eram vivas, podemos citar Mussum, Tom Jobim e Kurt Cobain. Os três morreram em 1994;

– Por fim, a internet: o meio que te permite agora ler o Saída de Rede ainda engatinhava e era restrito a pouquíssimas pessoas que dependiam de uma lenta conexão discada. O próprio UOL só seria criado em 1996, dois anos antes do Google.

* Atualizado às 18h de 16/01


Literatura sobre vôlei: a fraca difusão do conhecimento
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Sidrônio Henrique

Com uma metodologia particular, a escola brasileira de vôlei coleciona títulos (foto: FIVB)

Apesar de ter suas seleções de vôlei entre as mais respeitadas do mundo, sendo o país com o maior número de conquistas neste século, a literatura sobre a modalidade ainda é pobre no Brasil. O cenário não é muito diferente lá fora, com exceção da produção acadêmica nos Estados Unidos. O lançamento de um livro em inglês, Volleyball Coaching Wizards (“Magos dos Treinos de Vôlei”, numa tradução livre), contendo entrevistas sobre o trabalho desenvolvido por oito técnicos de renome internacional, motivou o Saída de Rede a abrir espaço para um debate: qual o nível do conhecimento difundido no país ou no exterior relacionado ao voleibol? Há uma literatura consistente relacionada a aspectos técnicos desse esporte? O SdR procurou diversos treinadores consagrados e discutiu essas questões.

Lebedew é técnico do clube Jastrzebski Wegiel (foto: arquivo pessoal)

Falta de intercâmbio
“A modalidade como um todo é afetada no longo prazo quando não compartilhamos conhecimento”, disse ao blog o australiano Mark Lebedew, que em parceria com o americano John Forman escreveu Volleyball Coaching Wizards e pensa em lançar um segundo volume. “Eu acho que a literatura dedicada ao vôlei é muito pobre em todas as áreas. Quando se pensa na metodologia e na filosofia de treino não há muito, especialmente devido à falta de intercâmbio. Eu diria que praticamente nenhum treinador dos países de língua inglesa conhece o trabalho do Bernardo Rezende ou do Julio Velasco, sabem mais sobre a fama deles. O mesmo ocorre na maior parte do mundo em relação a técnicos americanos como Doug Beal e Carl McGown”, completa Lebedew, que é treinador do clube polonês Jastrzebski Wegiel, atualmente quarto colocado na liga daquele país. Ele já foi assistente técnico das seleções da Austrália e da Alemanha, além de ter conquistado três vezes consecutivas a liga alemã com o Berlin Recycling Volleys.

Bernardinho aposta no jogo coletivo para ganhar o 12º título da Superliga

Técnico Bernardo Rezende (foto: CBV)

Pouca coisa no Brasil
Com a palavra, o multicampeão Bernardo Rezende, autor de Transformando Suor em Ouro, best seller brasileiro, com mais de 400 mil exemplares vendidos. “Há pouca coisa escrita sobre voleibol. No Brasil, muito pouco. Nos EUA há uma bibliografia mais ampla e interessante, em alguns países da Europa também encontramos alguns títulos com bom material. Creio que essa ausência de uma literatura mais ampla no Brasil se deva ao fato de se escrever pouco, se dar pouca importância a relatos muito ricos e interessantes. Há alguns livros técnicos, mas ainda pobres diante de tanta história e conteúdo que o voleibol brasileiro construiu. Tenho uma farta biblioteca de livros de esportes, mas praticamente todos no idioma inglês e referentes a temas ligados ao esporte e personagens norte-americanos”, contou ao Saída de Rede. O próprio livro de Bernardinho fala sobre métodos de gestão, mesclando ainda passagens de sua história como jogador e treinador, além do aspecto motivacional.

Marcelo Fronckowiak, treinador do Canoas (foto: arquivo pessoal)

Escola brasileira de vôlei
“Eu me sinto responsável por não produzir. Há que se falar de algo: a escola brasileira de vôlei. Nós temos um voleibol que é admirado e estudado no mundo inteiro, mas não difundimos o conhecimento entre nós mesmos. Temos uma metodologia muito particular, que vem evoluindo e que dá frutos desde os anos 1980. Antes, éramos uma cópia. Até meados dos anos 1970 copiávamos os japoneses, os soviéticos, os tchecos. Víamos algo legal e pensávamos: ‘Vamos copiar’. Depois passamos a criar, com o trabalho de gente como Bebeto de Freitas, Josenildo Carvalho, Jorge de Barros e Célio Cordeiro, entre outros”, relembrou o técnico do Lebes Gedore Canoas, Marcelo Fronckowiak, que tem três títulos da Superliga como jogador e dois no comando de outros clubes – foi o último a derrotar o Sada Cruzeiro numa final de Superliga, com o extinto RJX na temporada 2012/2013. Reconhecido na Europa, Fronckowiak trabalhou seis anos como treinador na França e por seis meses na Rússia.

CBV
A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) admite que poderia haver mais registros, mas vê um cenário positivo. “A literatura sobre o vôlei é muito extensa, só menor do que a do futebol. E a produção acadêmica é a mais significativa entre todos os esportes, o que contribui para o desenvolvimento do voleibol. Mas ainda temos espaço para mais relatos, descrições, análises táticas e técnicas das grandes estrelas do voleibol e seus resultados”, afirmou Marcia Albergaria, doutora em Educação Física e consultora da Universidade Corporativa do Voleibol, da CBV.

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É evidente que numa pesquisa rápida na internet você vai encontrar diversos títulos dedicados à modalidade no Brasil, mas a maioria foi lançada no século passado e não teve novas edições, caindo no velho problema da defasagem de conhecimentos. Há um grande número de biografias, mas essas cumprem um outro papel importante: aproximam o fã do ídolo, ao contar a trajetória deste, ajudando a popularizar o vôlei. Também relevante na divulgação do esporte é o nicho dos relatos de grandes conquistas, que obviamente não alcançam a parte técnica nem se propõem a isso.

Marcelo Mendez é o grande nome do vôlei de clubes brasileiro (Foto: Vipcomm)

Marcelo Mendez é o técnico do Sada Cruzeiro (foto: Vipcomm)

Aspecto psicológico
O argentino Marcelo Mendez, técnico tricampeão mundial e tetracampeão da Superliga com o Sada Cruzeiro, vai pelo caminho dos seus colegas. “A literatura (do vôlei) é muito pobre, especialmente quando se pensa sob o prisma da técnica e da tática. O voleibol é muito diferente de outras modalidades, tem um componente psicológico relevante, é um esporte coletivo sem contato com o adversário. Uma literatura mais rica acrescentaria muito, seria importante para desenvolver o esporte. Englobando também preparação física, aspectos psicológicos e pedagógicos”.

Tempo escasso
Seu compatriota Guillermo Orduna, que levou a seleção feminina da Argentina à primeira participação nos Jogos Olímpicos na Rio 2016, fez uma reflexão importante ao SdR: “Entre os treinadores que chegam ao alto nível e acumulam experiência são poucos os que colocam seu conhecimento em livros, no máximo escrevem um artigo ou ministram clínicas. No meu caso, eu gostaria em algum momento de escrever um livro voltado para o vôlei feminino, mas o tempo é escasso”.

Por que a Superliga ainda não empolgou na TV aberta?

A frase de Orduna logo acima é uma deixa para uma declaração do técnico sueco Anders Kristiansson, citando Julio Velasco. O europeu destaca uma observação feita pelo argentino, responsável por transformar a Itália em potência nos anos 1990, segundo a qual “técnicos de verdade não escrevem livros porque eles estão muito ocupados pensando no treino”. Kristiansson, à frente do clube japonês Toyoda Gosei desde 2013, foi quem fez da sua Suécia natal uma seleção emergente no masculino no final dos anos 1980 e início da década seguinte – quarto lugar no Europeu 1987, prata no de 1989 e participações honrosas na Olimpíada de Seul 1988 e Mundial 1990.

Kiraly treina a seleção feminina dos EUA (foto: FIVB)

Cenário bom nos EUA
Nos EUA, como informamos no início do post, a situação muda. “Aqui temos o conhecimento técnico difundido nas escolas e universidades, além das publicações da Associação Americana de Treinadores de Vôlei (AVCA, na sigla em inglês). Fora do país não vejo muita coisa”, disse ao Saída de Rede o técnico da seleção feminina dos EUA, Karch Kiraly, campeão mundial em 2014, bronze na Copa do Mundo 2015 e na Rio 2016. Ele ressaltou ainda ter como referência publicações de outros esportes, que tenta adaptar ao voleibol.

Diálogo
O treinador da seleção masculina americana, John Speraw, campeão da Liga Mundial 2014 e da Copa do Mundo 2015, bronze na Rio 2016, nos contou que jamais leu livro algum sobre a modalidade, mas que gosta de consultar artigos, blogs, além de ouvir podcasts. “Temos sorte nos Estados Unidos porque a AVCA e a USA Volleyball (organização que administra o esporte no país) fazem um bom trabalho tentando disseminar informação. Eu diria que é importante para o vôlei que haja sempre diálogo a respeito do jogo e da metodologia de treino, isso é fundamental”.

Laurent Tillie coach of France

Tillie é técnico do time masculino da França (foto: FIVB)

Preparação física
Laurent Tillie, técnico da seleção masculina da França, campeão europeu e da Liga Mundial em 2015, enfatizou ao blog a importância da preparação física e que deve haver publicações com foco também nesse aspecto. “A técnica acompanha a evolução física do atleta. Sem isso, não há desenvolvimento. Voleibol é um esporte que demanda muita técnica e surpreendentemente não temos tantos livros que contemplem aspectos físicos e técnicos voltados à modalidade”.

Baixo grau de profissionalismo
Há quem bata mais forte e enxergue outra razão para o problema. “A literatura do vôlei é pobre e isso é um espelho do baixo grau de profissionalismo do nosso esporte. Se você pensar, por exemplo, no número de ligas de clubes que tenham alto nível ao redor do mundo, isso fica claro. Se compararmos com o futebol e com o basquete, puxa vida, será um massacre. Há muita gente jogando vôlei no mundo todo, mas não existe muita estrutura profissional e isso, claro, se reflete na difusão do conhecimento”, ponderou o italiano Roberto Santilli, que no ciclo olímpico passado treinou a seleção masculina da Austrália, depois de construir sua carreira dirigindo clubes da Itália, da Polônia e da Rússia.

Nikola Grbic, atual campeão da Liga Mundial (foto: FIVB)

Transformar teoria em prática
Independentemente da profusão ou não de publicações enfocando aspectos táticos e técnicos, o sérvio Nikola Grbic apontou para a necessidade de preparar os novos treinadores para o uso dessas ferramentas. “Temos que nos preocupar com a formação de quem assume as equipes, para que sejam capazes de transformar esse conhecimento em algo prático”, comentou Grbic ao SdR. Este ano o treinador levou a Sérvia ao inédito título da Liga Mundial, depois do vice-campeonato em 2015.

Volleypedia
“O conhecimento deveria ser mais acessível, de fato não há muita coisa publicada sobre voleibol em termos técnicos e táticos. Seria formidável seguir a direção que o mundo vem tomando e ter uma plataforma com informações armazenadas por gente de todas as partes, com critérios de edição, alguém capacitado que administrasse, para que o conteúdo pudesse ajudar na formação de um modo amplo, uma espécie de wikipedia do vôlei, a volleypedia”, sugeriu ao blog Mauro Berruto, que no período 2006-2010 colocou a seleção masculina da Finlândia no mapa do vôlei e no 2011-2015 comandou a equipe italiana, tendo conquistado bronze em Londres 2012, além de duas pratas nos Europeus 2011 e 2013. A ideia dele soa utópica.

Impacto
“A literatura em qualquer esporte deve nos mostrar o que foi feito, desenvolvido, o que podemos alcançar trilhando certos caminhos. Por isso é tão importante criar uma literatura forte, que possa ter impacto no voleibol”, disse John Forman, parceiro de Mark Lebedew no projeto Volleyball Coaching Wizards e técnico no concorrido mercado universitário americano – ele treina a equipe masculina da Midwestern State University, no Texas.

Coverofthebook

O próprio Lebedew, há dois anos, com a ajuda de seu irmão e de seu pai, fez a primeira tradução do russo para o inglês do livro sobre tática e técnica do lendário treinador soviético Viatcheslav Platonov (My Profession – The Game). Porém, a publicação acaba sendo mais curiosa do que útil, uma vez que as informações refletem o jogo praticado pelos soviéticos nos anos 1970 e 1980. Platonov foi treinador da URSS no período 1977-1985, quando conquistou um ouro olímpico, dois títulos mundiais e duas Copas do Mundo. Mais tarde, nos anos 1990, ele treinaria a Rússia outras duas vezes, mas sem o mesmo sucesso.

Excelência brasileira
“O Brasil certamente tem muito a contribuir na expansão do conhecimento relacionado ao voleibol. Vocês têm técnicos como Bernardinho, Zé Roberto, Bebeto de Freitas e vários outros, que tiveram impacto na modalidade ao redor do mundo, em alto nível. Infelizmente, seus métodos de trabalho são desconhecidos pela maioria da comunidade internacional do vôlei”, concluiu Mark Lebedew.