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Arquivo : Vakifbank

Companheiras na seleção, Thaisa e Natália se enfrentam na Liga dos Campeões
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João Batista Junior

Thaisa (6) e Natália (12) pela seleção: lados opostos na Champions (foto: FIVB)

Quando a temporada de clubes começou, o Eczacibasi VitrA, da central Thaisa, conquistou o título mundial de clubes nas Filipinas com um elenco recém-montado, que bem poderia fazer frente às principais seleções em atividade no vôlei feminino. O Fenerbahçe, da ponteira Natália, também havia se reforçado e manteve no plantel a craque sul-coreana Kim Yeon Koung, mas parecia que ia ter dificuldade para acompanhar o VakifBank e o próprio Eczacibasi.

Campeão mundial, Eczacibasi tem oscilado na temporada (CEV)

Contudo, as duas brasileiras – que disputaram Olimpíadas e Mundiais pela seleção e já atuaram tanto no Osasco quanto no Rexona – vão se encontrar na quinta-feira, pela primeira rodada dos playoffs de 6 da Liga dos Campeões feminina, numa situação bem diferente daquela de alguns meses atrás.

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De um lado, o time de Thaisa têm tido problemas na liga turca (muito por conta do regulamento, que só permite a uma equipe utilizar até três estrangeiras por vez na partida) e, na Champions League, foi batido duas vezes pelo VakifBank.

Kim (10) observa ataque de Natália (CEV)

Do outro lado, o sexteto de Natália, que só perdeu um set no torneio continental, conquistou a Copa da Turquia vencendo o VakifBank na decisão e tem se dado bem contra o Eczacibasi: depois de perder o primeiro duelo, na longínqua terceira rodada do nacional, o Fenerbahçe superou o rival nos outros dois encontros – em janeiro, nas semifinais da copa do país, e em fevereiro, no returno da liga.

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É claro que quando a bola subir, histórico e retrospecto ficarão à parte, e uma equipe com Thaisa, Kosheleva, Jordan Larson, Boskovic, Rachael Adams e Ognjenovic deve ser respeitada – senão, temida. Mas, pelo crescimento no decorrer da temporada, o Fenerbahçe, de Natália e Kim Yeon Koung, parece estar em ligeira vantagem. O site Laola.tv transmite a partida ao vivo.

FABÍOLA E MARI PARAÍBA
Líder na liga turca, o VakifBank, da MVP olímpica Ting Zhu, vai ter pela frente, também na quinta-feira, pelos playoffs de 6 da Champions League, o Volero Zürich, das brasileiras Fabíola, levantadora titular, e Mari Paraíba, ponteira reserva. A partida também será transmitida pelo Laola. Embora a equipe da Turquia seja favorita, não dá para dizer que o time suíço seja perdedor de véspera.

Fabíola no levantamento contra o VakifBank, no Mundial de Clubes (FIVB)

Os dois se enfrentaram duas vezes na temporada, ambas no Mundial de Clubes, em outubro, com uma vitória para cada lado: a do Zürich, na primeira fase, e a do VakifBank, na disputa da medalha de bronze. Na fase de grupos do europeu, as turcas venceram todas as partidas que disputaram e as suíças perderam duas vezes – a ressalva é que os reveses foram em tie breaks, contra o Dínamo Moscou, dono da melhor campanha da superliga russa.

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Além de Zhu, o elenco do VakiBank conta com a oposta holandesa Lonneke Slöetjes, a central sérvia Milena Rasic, a ponta norte-americana Kimberly Hill. Já no time das brasileiras, jogam a cubana Kenia Carceses, ex-Osasco, a meio de rede norte-americana Foluke Akinradewo, a oposta ucraniana Olesia Rykhliuk, a ponta azeri Mammadova. A exemplo do confronto entre Eczacibasi VitrA e Fenerbahçe, trata-se de um duelo de duas legiões estrangeiras e nenhum resultado – embora haja um favorito – pode ser considerado zebra.

Os playoffs de 6 da Liga dos Campeões feminina começam na quarta-feira, com uma partida entre Liu Jo Nordmeccanica Modena e Dínamo Moscou, na Itália. Os jogos da volta serão disputados nos dias 4 e 5 de abril. As três equipes vencedoras das séries se juntarão ao Imoco Volley Conegliano, nos dias 22 e 23 de abril, para a disputa do Final Four da competição, em Treviso (Itália).


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Holandesa do Rexona quer aproveitar Superliga para ser “jogadora completa”
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Sidrônio Henrique

Anne Buijs: “Substituir a Natália é uma honra para mim” (foto: Alexandre Loureiro/CBV)

A ponteira holandesa Anne Buijs queria muito jogar no Brasil, ser treinada por Bernardinho, como o Saída de Rede contou para você em maio do ano passado, semanas antes que o Rexona-Sesc anunciasse a contratação da jogadora. O sonho se realizou e agora a atacante de 25 anos, 1,91m, que tem oscilado na Superliga, quer se aperfeiçoar. “O vôlei brasileiro é mais técnico do que o europeu, com mais defesas, ralis mais longos. Está sendo muito interessante jogar aqui, é diferente. Quero aprender cada vez mais e me tornar uma jogadora completa”, disse Buijs ao SdR, ela que aponta o passe e a defesa como suas maiores deficiências.

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“Fiquei muito orgulhosa quando soube que o Rexona me queria. Substituir uma jogadora do nível da Natália é uma grande responsabilidade e ao mesmo tempo uma honra para mim”, afirmou. Antes mesmo de chegar ao Brasil, ela tratou de conhecer a história do clube, onze vezes campeão da Superliga. “Eu quero evoluir, mas isso não basta, pretendo ganhar a Superliga também”, avisou Buijs.

Ela queria ser treinada por Bernardinho (foto: Marcelo Piu/Sesc)

Conhecendo Bernardinho
Para a ponteira holandesa, que em maio de 2016 apontava Bernardinho como um dos melhores técnicos do mundo ao dizer que gostaria de trabalhar com ele, as expectativas quanto ao treinamento têm sido atendidas. “Bernardinho é exigente e isso é importante para mim, pois só assim posso melhorar”. O curioso é que, apesar de toda a vontade de ser treinada pelo técnico multicampeão, ela só veio a conhecê-lo no dia do seu primeiro treino com a equipe, no início de outubro.

A adaptação ao ritmo carioca não tem sido problema. “Fui muito bem recebida pelas colegas de time. Nem todo mundo fala inglês, mas mesmo quem não fala, tenta. Eu também tenho tentado aprender português. O estilo de vida que tenho aqui no Brasil é muito bom, a atmosfera do Rio é relaxada, algo muito gostoso”, comentou.

Colega de Sheilla na Europa e destaque na seleção
No período 2015/2016 ela foi campeã da liga turca e vice da Champions League (Liga dos Campeões da Europa) com o VakifBank, era colega de time da oposta brasileira Sheilla Castro. A ponteira acabou dispensada ao final da temporada. Antes de jogar na Turquia, havia passado pelo Lokomotiv Baku, do Azerbaijão, e o Busto Arsizio, da Itália, entre outros clubes europeus.

Anne Buijs é titular da seleção holandesa (fotos: FIVB)

Anne Buijs fez sua estreia na seleção holandesa adulta muito jovem, com apenas 16 anos, mas ficou de fora em várias temporadas desde então por causa de contusões. Foi titular no Mundial 2014, embora tenha ficado a maior parte do tempo entre as reservas na derrota por 3-1 para o Brasil. Em 2015, foi escolhida a melhor ponteira do Montreux Volley Masters e também do Campeonato Europeu. Na Rio 2016, a ponta destacou-se na honrosa campanha da Holanda, que ficou na quarta colocação. Ela terminou a competição no Maracanãzinho como a quinta maior pontuadora, a oitava mais eficiente no ataque e ainda como terceira melhor sacadora.

Surpresa em dose dupla com a Holanda em 2016
Buijs se disse surpresa não apenas com o quarto lugar na Rio 2016, mas até mesmo com a classificação para os Jogos Olímpicos. “Foi demais para a gente, pois fazia 20 anos que a Holanda não participava do torneio de vôlei feminino numa Olimpíada. Isso foi surpreendente, uma conquista. Depois tivemos outra surpresa quando ficamos em quarto no Brasil”.

Buijs consola Schoot após a derrota para os EUA na disputa do bronze na Rio 2016

A derrota na semifinal para a China e depois outra para os Estados Unidos na disputa da medalha de bronze já foram superadas. “Inicialmente nós ficamos devastadas em não conquistar uma medalha, porém mais tarde vimos como foi importante a quarta colocação e temos orgulho da nossa campanha no Rio”, afirmou.

Apesar de destacar o resultado da equipe, Anne Buijs acredita que poderiam ter ido mais longe. “Havíamos ganhado das chinesas e perdido numa partida de cinco sets contra os EUA na primeira fase. Na semifinal, contra a China, fomos derrotadas por 3-1, mas o jogo foi equilibrado”.

Guidetti e a jornada interrompida
Ela definiu a recente saída de Giovanni Guidetti do cargo de técnico da seleção holandesa (ele assinou logo em seguida com a Turquia) como “uma jornada interrompida”, mas ponderou que isso não vai atrapalhar o time. “Foi um choque, eu não imaginava que ele fosse sair. Fiquei triste porque tínhamos um relacionamento muito bom com o Guidetti, crescemos como conjunto, melhoramos, demos passos importantes. Agora a federação tem que encontrar um novo treinador e nós vamos seguir em frente”, disse Anne Buijs.


Turquia atrai jogadoras estrangeiras e vira “eldorado” do vôlei
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João Batista Junior

 

Fenerbahçe, VakifBank e Eczacibasi: trio de ferro do vôlei turco (Fotos: Divulgação)

Fenerbahçe, VakifBank e Eczacibasi: trio de ferro do vôlei turco (Fotos: Divulgação)

O Uralochka Ekaterinburg é um dos clubes mais tradicionais do vôlei feminino da Rússia, e sua luta diante do VakifBank, de Lonneke Slöetjes, Kimberly Hill, Milena Rasic e, sobretudo, Ting Zhu, resultou numa derrota em quatro sets. As francesas do St. Raphaël bem que tentaram, mas o Fenerbahçe, com Natália, Nootsara Tomkom e Maret Grothues, nem precisou tirar Kim Yeon Koung do banco de reservas para sair de quadra com uma vitória em sets diretos. O Eczacibasi VitrA, com Thaisa, Rachael Adams, Ognjenovic, Boskovic, Kosheleva e Jordan Larson, também não deu muita esperança de bom resultado ao Dresdner, da Alemanha, e voltou para casa com previsíveis três pontos na conta.

O resumo da estreia das equipes turcas na fase de grupos da Liga dos Campeões feminina da Europa, no mês passado, parece uma releitura da repisada batalha entre Davi e Golias. Nesse conto de vôlei, porém, os gigantes – moldados por contratações e investimentos vultosos – saem vencedores.

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Em meio à crise financeira mundial, que tem fustigado a economia europeia e a brasileira, a Turquia, quando se trata de investir no vôlei, tem remado na direção contrária. Para tomar exemplos recentes, enquanto três clubes brasileiros desistiram de disputar a Superliga nesta temporada (São José e Voleisul, no masculino, Araraquara, no feminino), o Dínamo Krasnodar, da Rússia, perdeu jogadoras por atraso no pagamento de salários no ano retrasado e o Modena, mesmo com status de campeão italiano, quase fechou as portas, o voleibol turco deixou de ser apenas um mercado promissor para ter uma das ligas mais importantes do mundo.

Dentro dessa perspectiva, é justo dizer que o campeonato masculino do país tem crescido e não é exagerado afirmar, sem susto, que a liga feminina, com três supertimes na disputa, seja a melhor das competições nacionais do vôlei atual – ainda mais com a vinda, nesta temporada, de Ting Zhu, Kosheleva, Natália, Thaisa…

Gamova atuou uma temporada pelo Fenerbahçe

Gamova atuou uma temporada pelo Fenerbahçe

ASTROS E TROFÉUS

O processo migratório de craques para o vôlei turco não é exatamente um fenômeno novo. Do início da década passada para cá, nomes como as russas Sokolova e Gamova, a norte-americana Logan Tom e as brasileiras Fofão, Fabiana e, mais recentemente, Sheilla atuaram em algum dos times de peso do país. A diferença agora é o grande número de estrelas da contestação – ou, noutras palavras, a grande quantidade reunida de jogadoras de reconhecida qualidade.

Para não ficar só no exemplo dos clubes mencionados no primeiro parágrafo, podemos citar atletas estrangeiras famosas no mundo do vôlei: o Besiktas tem a oposta belga Lise van Hecke, que passou por Osasco na temporada passada, o Sariyer conta com as norte-americanas Nicole Fawcett (campeã mundial com a seleção de seu país em 2014) e a central Alexis Crimes, e o Galatasaray tem a central trinitina Sinead Jack e a oposta italiana Nadia Centoni. Não se pode esquecer, ainda, de que a ponteira cubana Wilma Salas, do Halkbank, e a oposta brasileira Joycinha, do Bursa Sehíd, têm as maiores médias de pontuação da edição 2016/2017 da liga (5,12 pontos por set cada uma).

Ao sair de cena, lenda do vôlei fala de rivalidade com o Brasil

Tamanho investimento, como se poderia prever, tem trazido troféus de competições internacionais para as estantes turcas.

Na Liga dos Campeões, desde a temporada 2008/2009, sempre ao menos um turco no Final Four. Já desde 2009/2010, a Turquia tem sempre um representante na decisão e, nesse período, quatro títulos continentais ficaram com algum clube do país – duas vezes o VakifBank, uma vez o Fenerbahçe e outra o Eczacibasi. No mesmo período, o trio também conquistou quatro títulos mundiais – aí, o bicampeonato é do Eczacibasi.

Vôlei Nestlé trabalha por convite no Mundial feminino de Clubes

João Paulo Bravo e Maurício Borges (nas pontas) foram importantes para a recepção do Arkas (Foto: CEV)

João Paulo Bravo e Maurício Borges (nas pontas) defendem o Arkas Spor (CEV)

Indo além da competição feminina, vê-se que a liga masculina também possui jogadores de relevo, como os brasileiros Lipe (Halkbank), Maurício Borges e João Paulo Bravo (estes, do Arkas Spor). Mas, em geral, num caminho ainda diferente do percorrido no vôlei das mulheres, o campeonato tem posto em quadra jogadores veteranos, como o oposto sérvio Ivan Miljkovic (companheiro de Lipe), o italiano Cristian Savani, o holandês Kay van Dijk e o central norte-americano David Lee (estes, no Ziraat Bankasi), e o oposto recentemente aposentado da seleção francesa Antonin Rouzier – que joga com os compatriotas Nicolas Marechal e Le Goff no Istanbul BBSK.

Quando saem para jogar pela Europa afora, os times masculino não repetem os resultados das equipes femininas. O vice-campeonato continental do Halkbank na temporada 2013/2014, com um time que tinha o ponta ítalo-cubano Osmany Juantorena e o levantador brasileiro Raphael, foi a melhor campanha de um clube do país na Liga dos Campeões. Digna de registro também foi a campanha do Arkas Spor em 2011/2012: com João Paulo Bravo na entrada de rede e o colombiano Agamez na saída, a equipe eliminou o Lokomotiv Novosobirsk e terminou no quarto lugar.

E PARA QUEM É DE CASA?

Com passos mais lentos, as seleções turcas têm tentado acompanhar o crescimento vertiginoso das equipes femininas do campeonato local. Em 2015, por exemplo, a Turquia foi vice-campeã mundial sub-23 tanto no masculino quanto no feminino, ao que, em 2011, as turcas levantaram a taça no sub-18.

Nas seleções adultas, porém, a fonte ainda é bastante escassa. Os homens quase nunca vão a campeonatos mundiais e jamais disputaram uma olimpíada. As mulheres, por outro lado, tem evoluído de fato nos últimos anos, com três participações consecutivas em mundiais, uma medalha de bronze no Grand Prix de 2012 e uma honrosa participação nas Olimpíadas de Londres, quando quase conseguiu eliminar o Brasil na primeira fase do torneio.

Giovanni Guidetti deixa seleção holandesa e assina com Turquia

Turca Gödze Kirdar: com ou sem cota, titular do VakifBank

Turca Gödze Kirdar: com ou sem cota, titular do VakifBank

Nesse aspecto, pensando no desenvolvimento das seleções, a antipática medida de proibir os times de utilizarem mais do que três estrangeiras em quadra por vez acaba sendo necessária. Assim, Eczacibasi VitrA, Fenerbahçe e VakifBank só conseguem de fato usar o máximo da força que têm na Liga dos Campeões e se veem obrigados a dar vez a atletas turcas na liga nacional.

Imagine que a oposta Neslihan Demir, 33 anos, maior pontuadora dos mundiais de 2006 e 2010, só tem chance de atuar no Eczacibasi VitrA quando a revelação sérvia Tijana Boskovic é barrada pela matemática do regulamento!

Há, evidentemente, turcas que têm se destacado independentemente da cota de atletas locais. A oposta Polen Uslupehlivan tem sido titular do Fenerbahçe, assim como a central Eda Erdem. O mesmo vale para a levantadora Naz Aydemir e a ponta Gözde Kirdar, no VakifBank. No entanto, num mercado importador como esse, é inegável que as estrelas da festa falam outra língua.

Não se trata de pintar a Turquia como um oásis do esporte e do vôlei ou de dizer que o momento político do país não seja dos mais delicados, já que houve a tentativa de um golpe de estado no ano passado, um recente atrito diplomático com a Rússia e, o pior, frequentes atentados terroristas – o último deles, no primeiro domingo de 2017.

Também não se trata de fechar os olhos para problemas causados pelas torcidas nos ginásios, como a briga transportada do futebol entre torcedores do Fenerbahçe e do Galatasaray, que interrompeu por mais de uma hora uma partida entre as duas equipes nas finais da liga passada, ou as hostilidades sofridas pelas jogadoras do Dínamo Krasnodar, em Istambul, na decisão da Copa CEV, contra o Galatasaray, em março deste ano.

Mas o fato é que, apesar da pouca tradição das seleções turcas, os investimentos no voleibol fizeram do país um novo eldorado da modalidade – ainda mais, no feminino.


Técnico que levou Holanda à semifinal da Rio 2016 assina com a Turquia
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Sidrônio Henrique

Guidetti se tornou mais conhecido dos brasileiros ao deixar Sheilla no banco no VakifBank (fotos: FIVB)

O mundo do vôlei tomou um susto nesta segunda-feira (26) pós-natalina. O italiano Giovanni Guidetti, 44, anunciou que deixava o comando da seleção feminina da Holanda, com a qual tinha contrato até Tóquio 2020. Houve lamentos, atletas desapontadas, mas no final do dia, outra surpresa: ele vai treinar a seleção feminina da Turquia, cujo técnico, Ferhat Akbas, foi comunicado da sua demissão na semana passada – a saída dele foi oficializada hoje. Guidetti é também técnico do clube turco VakifBank.

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Recentemente, na Rio 2016, Giovanni Guidetti levou as holandesas a um honroso quarto lugar, derrotando as eventuais campeãs chinesas e as vice-campeãs sérvias na primeira fase, oferecendo resistência à China na semifinal, perdendo o bronze para os EUA.

Veja quem foram os melhores do vôlei feminino em 2016

As informações sobre o pedido de demissão de Guidetti, que alegou precisar de mais tempo para a família, foram veiculadas na mídia holandesa e publicadas mais tarde pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB). “Esta foi a decisão mais difícil que já tive de tomar”, afirmou. A própria FIVB já dizia em seu site que o italiano estaria prestes a fechar na sequência com a federação turca, notícia confirmada mais tarde por sites locais.

Com patrocínio forte, Pirv entra na Superliga B para desafiar Zé Roberto

O treinador é casado com a central turca Bahar Toksoy. A primeira filha do casal, Alisonnasceu em setembro deste ano. No comando da seleção da Turquia, Guidetti poderá ficar perto da mulher e da filha durante o período de concentração da equipe, a exemplo do que ocorre no VakifBank, antes das viagens para a disputa de competições. A família vive em Istambul, cidade do seu clube e também do centro de treinamento da seleção.

O técnico italiano passará a comandar a seleção turca

Polêmica
Técnico do VakifBank desde 2008, Giovanni Guidetti viu seu nome se tornar mais conhecido pelos torcedores brasileiros na temporada passada ao escalar a oposta holandesa Lonneke Slöetjes como titular, deixando a bicampeã olímpica Sheilla Castro no banco. Em que pese as atuações consistentes de Slöetjes, fãs e parte da imprensa especializada do Brasil viram na escolha dele um possível favorecimento à holandesa, que joga pela seleção do seu país. Entre outros prêmios individuais, Slöetjes foi a melhor oposta do Campeonato Europeu 2015, da liga turca 2015/2016, além de ter sido a maior pontuadora e ter o melhor aproveitamento no ataque no Pré-Olímpico Mundial. Na Rio 2016, ela foi a segunda maior pontuadora e teve o terceiro melhor aproveitamento no ataque.

Guidetti iniciou sua carreira de treinador nos anos 1990, mas ganhou notoriedade na década seguinte, quando assumiu a seleção feminina da Alemanha, em 2006, que sob seu comando conseguiu um quarto lugar (2009) e dois vice-campeonatos (2011 e 2013) europeus, além de bronze no Grand Prix 2009. No ano passado, ele deixou de treinar as alemãs e passou ser o técnico das holandesas, que foram vice-campeãs da Europa e repetiram a dose no Pré-Olímpico continental, classificando-se para o qualificatório mundial, onde novamente terminaram na segunda colocação, conquistando a vaga para a Rio 2016, após vinte anos de ausência das Olimpíadas. A Holanda foi ainda bronze no GP 2016.

Slöetjes (ao lado de Buijs): “Fiquei chocada e desapontada”

Atletas lamentam
O site europeu World of Volley reproduziu a reação de duas das principais jogadoras holandesas à decisão de Giovanni Guidetti, antes da notícia de que ele assumiria a seleção da Turquia.

“Eu fui uma das poucas pessoas a quem ele contou sobre seu pedido de demissão. Agora ele tem uma família, e sua família vem em primeiro lugar. Ele quer passar mais tempo com a família em Istambul, especialmente no verão. Não tenho filhos, então não posso avaliar sua decisão. Eu respeito, mas ainda assim fiquei chocada e também desapontada”, disse Lonneke Slöetjes, que segue sendo treinada por ele no VakifBank.

“Não percebi nada, não houve nenhum sinal. Estou chocada e desapontada. Poderia ter sido uma bela jornada (com a seleção). Eu entendo sua opção por ficar com a família. Desejo a ele muito amor e felicidade”, afirmou a ponteira Anne Buijs, atualmente no Rexona-Sesc.


Quem foram os melhores do vôlei feminino em 2016?
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João Batista Junior

2016 foi o ano de Ting Zhu, de grandes investimentos na Turquia e persistentes no Brasil (fotos: FIVB e Vitor Ricci/Ford Sports)

Ano olímpico do vôlei teve destaques de várias vertentes (fotos: FIVB e Vitor Ricci/Ford Sports)

Uma lista de melhores do esporte em 2016 tem de começar ou passar, obrigatoriamente, pelas Olimpíadas do Rio. Isso não quer dizer, no entanto, que essa lista precise se ater apenas ao evento.

Entre os melhores do ano no vôlei feminino, o leitor poderá/deverá discordar, mas foram excluídos times e seleções. A razão foi simples: ninguém foi dominante nas quadras este ano. Nem o Rexona, campeão da Superliga pela 11ª vez, mas quinto no Mundial de Clubes, nem o Eczacibasi VitrA, bicampeão mundial, mas precocemente eliminado no Europeu e entrando como convidado para jogar nas Filipinas, nem a seleção brasileira, campeã do GP, mas quinta no Rio, nem a seleção chinesa, ouro no Rio e desinteressada na reta final do GP.

Enumeramos, por outro lado, duas jogadoras, uma treinadora, uma liga e um sinal positivo para o esporte como destaques de 2016. A lista não tem ordem de preferência ou de importância, a sequência dos nomes foi determinada pelo alfabeto. Dê uma olhada:

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Boskovic no GP: 30 pontos contra o Brasil na vitória por 3 a 2

Boskovic no GP: 30 pontos contra o Brasil na vitória por 3 a 2

BOSKOVIC
A oposta Tijana Boskovic surgiu na seleção sérvia adulta colocando no banco ninguém menos que a veterana Jovana Brakocevic, no Mundial da Itália 2014. A partir dali, ela não perdeu mais a titularidade da saída de rede do time dirigido por Zora Terzic.

No Grand Prix deste ano, conseguiu destacar-se nas poucas vezes em que a Sérvia mandou para a quadra o time titular. Na virada de 3 a 2 sobre o Brasil, pela segunda semana do torneio, ela marcou nada menos que 30 pontos – quase o dobro das maiores pontuadoras adversárias naquele dia, Natália e Fabiana, com 16.

Quando foi a vez da competição máxima do esporte, Boskovic não decepcionou. Maior pontuadora da Sérvia na Rio 2016 – terceira no geral –, a atacante de 19 anos foi uma das chaves para que sua seleção chegasse à inédita medalha olímpica de prata.

O ano de ouro da oposta até poderia acabar por aí, mas, no Mundial de Clubes das Filipinas, ela foi a terceira maior pontuadora do torneio, a segunda melhor atacante e ainda conquistou o título com o Eczacibasi VitrA.

Chinesas comemoram o ouro na Rio 2016

Chinesas comemoram o ouro na Rio 2016

LANG PING
Observe a foto ao lado. A China acabara de se sagrar tricampeã olímpica. As jogadoras orientais pulam, gritam, correm, se multiplicam numa alegria que não cabe em si. Meio absorta, talvez olhando para o alto da arquibancada ou para o telão ou para o teto do Maracanãzinho ou para um vazio impossível, Lang Ping, com uma mão para trás e um sorriso indisfarçável, é a pessoa mais feliz do Rio de Janeiro naquela noite de sábado.

O “Martelo de Ferro”, como era chamada quando jogava, havia chegado perto duas vezes de repetir, como treinadora, o título que conquistou com a China em Los Angeles/1984: dirigiu a seleção chinesa vice-campeã olímpica em Atlanta 1996 e os EUA em Pequim 2008.

Mas, em 2016, apesar da juventude da equipe que comandava e dos resultados fracos na primeira fase, ela se tornou a primeira personalidade do voleibol mundial a conquistar a medalha olímpica de ouro como jogadora e também como treinadora.

De quebra, Lang Ping, que não sabe se continuará à frente da seleção chinesa, ainda mostrou, por duas vezes, que o torneio anual da FIVB precisa de ajustes. Ou, do contrário, servirá como certame meramente preparatório. Tanto no ano passado quanto neste, ela levou as principais jogadoras da seleção chinesa para disputar a fase classificatória do GP, mas mandou um time B para as finais. Coincidência ou não, a tática deu resultado em ambas ocasiões: se a China venceu o torneio olímpico em agosto passado, venceu também a Copa do Mundo 2015, duas conquistas que o voleibol chinês há um bom tempo não tinha.

A volta de Jaqueline ao Minas foi uma das grandes contratações da temporada no vôlei brasileiro (Orlando Bento/MTC)

A volta de Jaqueline ao Minas foi uma das grandes contratações da temporada no vôlei brasileiro (Orlando Bento/MTC)

PERSISTENTES
N
ão é segredo para ninguém que o esporte brasileiro no período pós-olímpico foi abalroado pela crise financeira, e o vôlei não foi exceção. O São José desistiu de disputar a Superliga masculina e a Voleisul/Paquetá, sem grana, não pôde aceitar o convite de substituir os paulistas. No feminino, a equipe de Araraquara até foi socorrida depois de perder o patrocinador na temporada passada, mas, neste ano, não conseguiu colocar o time em quadra e acabou abrindo mão da Superliga feminina. O Sesi, como se sabe, diminuiu drasticamente o investimento no vôlei feminino, o que tem feito a equipe cumprir uma campanha terrível no nacional. Mas nem tudo é crise: há os persistentes.

Contra a maré, o Dentil/Praia Clube não só manteve as principais jogadoras do vice-campeonato da Superliga 2015/2016 como também contratou uma das melhores centrais do mundo, Fabiana. O Camponesa/Minas, para não deixar por menos, trouxe a ponteira Jaqueline e a oposta norte-americana Destinee Hooker, duas jogadoras que, sem maiores delongas, são estrelas do vôlei mundial. E o Genter Vôlei Bauru repatriou a campeã olímpica Mari e contratou duas jogadoras da seleção dominicana, a ponteira Prisila Rivera e a líbero Brenda Castillo – talvez a melhor do mundo na posição.

Além disso, a edição 2017 da Superliga B tem tudo para, de fato, atrair a atenção do fã do voleibol: se José Roberto Guimarães vai comandar o Hinode/GRB/Barueri, com jogadoras como as ponteiras Érika Coimbra e Suelle, a central Fê Ísis e a levantadora Ana Cristina, a ex-jogadora Cristina Pirv vai gerir o BRH-Sulflex/Curitibano, que terá na atacante campeã olímpica Valeskinha sua maior estrela.

Ting Zhu foi a grande jogadora do ciclo olímpico para a Rio 2016

Ting Zhu foi a grande jogadora do ciclo olímpico para a Rio 2016

TING ZHU
Com 22 anos completados em novembro, Ting Zhu foi a grande jogadora do ciclo olímpico que acabou. A ponteira chinesa foi campeã e eleita melhor jogadora da Copa do Mundo 2015, repetindo a dobradinha na Rio 2016. Se a China titubeou na primeira fase, passou aos mata-matas com três derrotas na conta, ela tratou de conduzir o time para uma medalha de ouro que, em certo momento, parecia improvável.

Maior pontuadora nas Olimpíadas, Ting Zhu não se apequenou diante de uma seleção brasileira empurrada por 12 mil torcedores no Maracanãzinho. Ela fez 28 pontos na partida que se tornou uma mais dolorosas derrotas do esporte brasileiro nos Jogos. Nas semifinais, marcou 33 pontos contra a Holanda, num jogo de quatro sets decididos por contagem mínima. E na decisão, comandou a virada contra a Sérvia com 25 pontos.

Finda a temporada da seleção, apresentou-se a seu novo clube, o VakifBank, da Turquia, e continua brilhando: ela é o grande destaque do time, que lidera invicto a liga turca.

VÔLEI TURCO
Pouca gente vai discordar que o voleibol italiano, historicamente, seja o “eldorado” da modalidade, possua a liga mais competitiva, os clubes mais bem estruturados etc. Contudo, é inegável que o crescimento do vôlei turco nos últimos dois ciclos olímpicos tenha ampliado os horizontes dos profissionais do esporte, a tal ponto que, hoje, o campeonato local rivalize com o da Itália – e talvez, até, o supere em importância e qualidade. A montagem de elenco dos grandes clubes nesta temporada é um exemplo de o quanto se tem investido em voleibol na Turquia.

Natália trocou o vôlei brasileiro pelo turco, nesta temporada (Divulgação/Fenerbahçe)

Natália trocou o vôlei brasileiro pelo turco, nesta temporada (Divulgação/Fenerbahçe)

Três das quatro principais equipes do país (o Galatasaray é a exceção) foram turbinadas por contratações de grande relevo para esta temporada. O Fenerbahçe, que já contava com a craque sul-coreana Kim Yeon Koung, tem a levantadora tailandesa Nootsara Tomkom e a ponteira da seleção brasileira Natália. O VakifBank, atual campeão nacional, contratou a ponta chinesa Ting Zhu, além de manter no elenco a norte-americana Kimberly Hill (MVP do Mundial de 2014), a central sérvia Milena Rasic e a oposta holandesa Lonneke Slöetjes. E o Eczacibasi VitrA, que montou uma “seleção mundial”, manteve Boskovic e a norte-americana Jordan Larson no elenco e trouxe gente do gabarito das centrais Rachael Adams (norte-americana) e Thaisa, da ponteira russa Tatiana Kosheleva.

Como a liga turca só permite que cada time utilize até três estrangeiras em quadra por vez, só na Liga dos Campeões é possível vê-las todas em ação. Mas isso não diminui o interesse pelo campeonato nacional, que tem, inclusive, destaques noutras equipes, como a brasileira Joycinha, no Bursa Sehíd, e a belga Lise Van Hecke, com passagem pelo Vôlei Nestlé na temporada passada, atuando agora no Besiktas.


Do banco, Thaisa vê time campeão mundial levar virada incrível na Turquia
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João Batista Junior

Thaisa pouco pôde fazer na derrota do Eczacibasi VitrA para o VakifBank (foto: Eczacibasi VitrA)

Thaisa pouco pôde fazer na derrota do Eczacibasi VitrA para o VakifBank (foto: Eczacibasi VitrA)

O fim de semana dos brasileiros na Turquia teve atuação marcante de Joycinha e derrotas em tie break para duas das titulares da seleção brasileira – Thaisa e Natália. Na Itália, Adenizia foi bem, mas não conseguiu levar o time à vitória, enquanto time de Suelen lidera o campeonato, e Kadu, na superliga masculina, ajudou sua equipe a chegar ao G8.

Veja um resumo:

TURQUIA
Na revanche da semifinal do Mundial feminino de Clubes deste ano, o VakifBank se vingou da derrota sofrida para o Eczacibasi VitrA. E com requintes de crueldade! Sábado, pela liga turca feminina, depois de abrirem 2 sets a 0 e terem vantagem de 20-10 na terceira parcial, as atuais campeãs do mundo sofreram um revés inacreditável e perderam por 3 a 2 (27-29, 17-25, 25-22, 25-21, 15-10). A ponteira chinesa do Vakif, Ting Zhu, MVP na Rio 2016, marcou 28 pontos.

Por conta do regulamento na Turquia, que só permite que uma equipe tenha três estrangeiras em quadra por vez, a central Thaisa ficou no banco de reservas, só entrando esporadicamente na partida – quase sempre em alguma substituição dupla que envolvesse a saída da ponteira russa Kosheleva. A brasileira marcou apenas dois pontos.

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Natália (12) tenta bloquear o ataque de Mia Jerkov (Fenerbahçe)

Natália (12) tenta bloquear o ataque de Mia Jerkov (Fenerbahçe)

No domingo, o Fenerbahçe, da ponteira Natália, perdeu por 3 a 2 para o Çanakkale (22-25, 25-22, 25-18, 19-25, 15-6). Com atuação discreta, a atacante brasileira, que foi titular nos quatro primeiros sets e entrou no decorrer do tie break, marcou oito pontos na partida e teve apenas 25% de aproveitamento no ataque.

Quem foi, de fato, muito bem na rodada foi a oposta Joycinha. A atacante do Bursa Sehíd marcou 31 pontos na vitória de sua equipe por 3 a 1 sobre o Nílüfer (25-21, 25-16, 18-25, 25-18), e teve um ótimo aproveitamento de 71% no ataque.

O Bursa aparece na terceira colocação na liga turca feminina, atrás do líder VakifBank e do Eczacibasi VitrA. O Fenerbahçe é apenas o quinto colocado.

Na liga masculina, Lipe foi o maior pontuador do Halkbank no 3 a 1 aplicado sobre o Zíraat Bankasi (18-25, 25-21, 29-27, 25-22). O ponteiro brasileiro obteve três pontos de bloqueio, três aces e 61% de aproveitamento no ataque. Seu time ocupa a quarta posição do campeonato.

Já o líder da liga turca masculina, o Arkas Spor, dos ponteiros brasileiros Maurício Borges e João Paulo Bravo, bateu o Tokat Belediye Plevne também por 3 sets a 1 (41-43, 25-22, 25-22, 25-16). Campeão olímpico este ano, Borges começou como titular, mas terminou zerado no primeiro set – nenhum ponto assinalado em seis tentativas no ataque – e foi substituído por J. P. Bravo, que marcou 13 pontos.

Vibo Valentia comemora vitória sobre Ravenna (Reprodução: Facebook/Vibo Valentia)

Vibo Valentia comemora vitória sobre Ravenna (Reprodução: Facebook/Vibo Valentia)

ITÁLIA
Depois de um mau início no campeonato, o time “mais brasileiro” da Superliga Italiana masculina de Vôlei entrou na zona de classificação para os playoffs. Pela 12ª rodada da competição, o Tonno Calippo Calabria Vibo Valentia bateu o Bunge Ravenna por 3 a 1 (25-22, 28-26, 20-25, 28-26) e tomou a oitava posição do rival.

Titular, o ponteiro Kadu assinalou 15 pontos e foi o segundo pontuador do Vibo Valentia. O também ponteiro Thiago Alves, que marcou oito pontos, entrou em quadra a partir do segundo set. O central Deivid, titular na última parcial, obteve quatro acertos, todos no ataque.

Já o Exprivia Molfetta, do ponteiro João Rafael e do levantador Thiaguinho, não foi páreo contra o líder Cucine Lube Civitanova e perdeu por 3 a 1 (25-15, 22-25, 25-20, 25-17). Os dois brasileiros foram titulares: o atacante terminou a partida com 12 anotações e o armador, duas. O Molfetta é apenas o 12º colocado entre 14 times participantes na superliga.

Ele ainda não ganhou nenhum jogo, mas é destaque na Superliga

Suelen em ação contra Monza (Filippo Rubin/LVF)

Suelen em ação contra Monza (Filippo Rubin/LVF)

Pelo feminino, o Foppapedretti Bergamo, da líbero Suelen, venceu o Saugella Team Monza por 3 sets a 1 (25-10, 20-25, 25-22, 31-29), com 25 pontos da oposta polonesa Skowronska. O resultado manteve a equipe na liderança da competição com 18 pontos e seis vitórias em sete jogos, um ponto a mais que o Pomì Casalmaggiore.

Quarto colocado, o Savino Del Bene Scandicci, da central Adenizia, perdeu para o Busto Arsizio de virada por 3 a 2 (20-25, 18-25, 25-22, 25-20, 15-11). A meio de rede brasileira marcou 18 pontos, sendo cinco de bloqueio, mas seu time não conseguiu parar Valentina Diouf, que assinalou 30 pontos para levar sua equipe ao terceiro lugar da tabela.

Sesi e Brasília: opostos na tabela e na grade de programação

OUTRAS LIGAS
Na rotina de vitórias na liga feminina da Suíça, o Volero Zürich, da levantadora Fabíola e da ponta Mari Paraíba, venceu o Köniz, no domingo, por 3 a 0 (25-10, 25-14, 25-12). O time lidera com 26 pontos e invicto, após nove rodadas.

Na PlusLiga, a liga masculina de vôlei da Polônia, o oposto brasileiro Rafael Araújo marcou nove vezes no placar na vitória do MKS Bedzin por 3 a 0 sobre o lanterna Bielsko-Biala (25-12, 25-19, 25-13). Sua equipe ocupa a décima posição do campeonato.


Mundial de Clubes começa na terça e dura missão do Rexona-Sesc também
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João Batista Junior

Rexona-Sesc sonha com semifinal no Mundial de Clubes (foto: Célio Messias/Inovafoto/CBV)

Rexona-Sesc sonha com semifinal no Mundial de Clubes (fotos: Célio Messias/Inovafoto/CBV)

A bola sobe para o Campeonato Mundial feminino de Clubes na madrugada desta terça-feira, em Manila, nas Filipinas. O SporTV deve transmitir ao vivo na primeira fase os três jogos do Rexona-Sesc – pelo menos, é o que consta na grade de programação do canal.

O torneio tem oito participantes, sendo quatro da Europa, três da Ásia e um da América do Sul, divididos em dois grupos. Os dois primeiros colocados de cada chave passam às semifinais, que serão disputadas no sábado. A decisão será no domingo.

Anne Bujis foi o grande reforço do Rexona para a temporada

Anne Bujis foi o grande reforço do Rexona para a temporada

Rexona-Sesc
Antes mesmo do primeiro apito do árbitro em Manila, o Rexona-Sesc – representante do Brasil e da América do Sul – sabe que a tarefa de chegar às semifinais é das mais complicadas. O próprio técnico Bernardinho admite que a conquista do título foge de suas previsões e que, para ir além da fase de grupos, adotará uma “tática suicida”, como ele mesmo definiu.

O time carioca manteve grande parte do elenco da temporada passada, o que significa que o entrosamento é um aspecto positivo para as brasileiras. Das titulares na reta final da Superliga 2015/16, apenas a ponteira Natália, que se transferiu para o Fenerbahçe (Turquia) não está mais no time, e para seu lugar veio a holandesa Anne Bujis. A equipe conta com a central Juciely e a ponteira Gabi, que jogaram na Rio 2016, com a líbero bicampeã olímpica Fabi, com a levantadora Roberta, que esteve prestes a integrar o time olímpico do Brasil, com a oposta Monique, que chegou a ser convocada para a seleção este ano e pediu dispensa ainda antes do Grand Prix.

Não que o Rexona seja um time fraco – o título da Supercopa, diante do Dentil/Praia Clube, mostra que a equipe tem tudo para lutar por mais um troféu da Superliga. Mas a cautela do treinador tem motivo: suas atletas terão pela frente adversários gabaritados, com plantéis que bem poderiam fazer frente a seleções do primeiro escalão do voleibol mundial.

Duro caminho das brasileiras
A equipe carioca está no grupo A e estreia na manhã da terça-feira, às 9h30, pelo horário de Brasília, contra o time pretensamente mais fraco de todo o torneio, o PSL – F2 Logisitcs Manila – que, na verdade, nem é um clube.

O representante das Filipinas é uma espécie time das estrelas do campeonato local turbinado por algumas jogadoras estrangeiras. Na pré-lista da FIVB estão, por exemplo, a central porto-riquenha Lynda Morales, que atuou nos Jogos Olímpicos, e a também meio de rede Ekaterina Krivets, da Rússia, que jogou no Dínamo Krasnodar na temporada passada. Mesmo com os reforços e com o fator casa, é um adversário com quem o Rexona-Sesc nem pode pensar em ter problemas.

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Na quarta-feira, também às 9h30 da manhã, as brasileiras encontrarão do outro lado da rede o Pomì Casalmaggiore, da Itália, campeão europeu. Essa, sim, parece ser a partida mais importante para as comandadas de Bernardinho na primeira fase.

A equipe de Casalmaggiore tem na oposta croata Samanta Faris sua principal atacante. Com nomes como as norte-americanas Carli Lloyd (levantadora) e Lauren Gibbemeyer (meio de rede), a central sérvia Jovana Stevanovic e as ponteiras italianas Anastasia Guerra e Lucia Bosetti, o time tem tudo para almejar o pódio.

Contudo, vindas de uma suada vitória por 3 a 2 na semana passada sobre o Club Italia – equipe que alberga jogadoras das categorias de base da seleção italiana e que tem em Paola Egonu sua maior estrela –, fica a impressão de que, mesmo favoritas diante das brasileiras, as italianas ainda não estão no melhor da forma neste início de temporada e podem sucumbir. O porém nesse caso é que o Rexona-Sesc também está em começo de trabalho e, em que pese haver levantado o troféu da Supercopa, foi derrotado na final do Carioca pelo Fluminense há três semanas.

Jaqueline nega acerto com o Minas

Thaisa chegou ao Eczacibasi depois das Olimpíadas (FIVB)

Thaisa chegou ao Eczacibasi depois das Olimpíadas (FIVB)

O terceiro rival do time brasileiro no torneio – quinta-feira, às 3h – será um dos favoritos ao título. Campeão mundial em 2015, o Eczacibasi VitrA, da Turquia, montou o que talvez seja a melhor equipe feminina do voleibol mundial.

Com as sérvias Maja Ognjenovic (levantadora) e Tijana Boskovic (oposta), as norte-americanas Jordan Larson (ponteira) e Rachael Adams (central), a ponteira russa Tatiana Kosheleva e a meio de rede brasileira Thaisa, o time chega a Manila com inegável status de favorito. Não é exagero dizer que, a princípio, os maiores rivais da equipe são o desentrosamento, já que muitas das jogadoras foram contratadas recentemente, e o VakifBank, que está na outra chave.

Europa vs. Ásia
Se avançar às semifinais, é provável que o Rexona-Sesc tenha um rival europeu pela frente. No grupo B, VakifBank (Turquia) e Volero Zürich (Suíça) são, em teoria, favoritos contra Hisamitsu Springs Kobe (Japão) e Bangkok Glass (Tailândia).

Anfitrião no Mundial de Clubes de 2017, o time de Kobe tem na pré-lista jogadoras como a oposta Nagaoka e a ponteira Yuki Ishii, que estiveram com a seleção japonesa no Rio, e Shinnabe, bronze pelo Japão em Londres 2012. Já a equipe tailandesa, que tem as experientes Pleumjit Thinkaow (meio de rede) e Wilavan Apinyapong (ponteira), tem apenas duas estrangeiras: a oposta norte-americana Ashley Frazier e a central vietnamita Thi Ngoc Hoa Ngunyen. É difícil pensar que alguma dessas equipes faça mais do que opor resistência às europeias da chave.

Americana mostra que é possível jogar vôlei sem uma das mãos

Com duas brasileiras no elenco – a levantadora Fabíola, que, por conta da gravidez, pouco jogou na temporada passada, e a ponteira Mari Paraíba, contratada recentemente –, o Volero Zürich tem um conjunto dos mais entrosados.

As sérvias Silvija Popovic (líbero) e Bojana Zivkovic (levantadora), a ponta búlgara Dobrina Rabadzhieva, a atacante azeri Nataliya Mammadova e oposta ucraniana Olesia Rykhliuk são remanescentes de outras temporadas. A central norte-americana Foluke Akinradewo chegou a Zurique na temporada passada e a atacante cubana Kenia Carcaces, com passagem pelo Vôlei Nestlé, voltou este ano. Trata-se, sem dúvida, de uma equipe que sonha com o pódio e, quem sabe, com o título.

Vice-campeão europeu, o VakifBank é forte candidato ao título mundial (CEV)

Vice-campeão europeu, o VakifBank é forte candidato ao título mundial (CEV)

Já o VakifBank, vice-campeão europeu, com certeza pensa no troféu da competição. Ex-clube da oposta Sheilla e de Anne Bujis, o time manteve boa parte do elenco campeão turco. Permaneceram na equipe a oposta holandesa Lonneke Slöetjes, uma das principais jogadoras das últimas olimpíadas, as turcas Naz Aydemir (levantadora), Gözde Kirdar (ponteira) e Kubra Akman (central), a ponta norte-americana Kimberly Hill, melhor jogadora do Mundial de seleções de 2014, e a meio de rede sérvia Milena Rasic. Ainda por cima, foi contratada a melhor jogadora da Rio 2016, a ponteira campeã olímpica Ting Zhu.

Pensando no Volero ou no VakifBank, o Rexona-Sesc não deve esperar, numa hipotética semifinal, uma missão mais fácil do que a tarefa de passar de fase: as quatro representantes do continente europeu estão num nível acima. Pelo menos, no papel.

Para ver a tabela completa do Mundial feminino de Clubes, clique aqui.


Bernardinho: “Ganhar esse Mundial não é factível para nós”
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Carolina Canossa

Com foco na Superliga, Rexona usará tática "kamikaze" no Mundial (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX)

Com foco na Superliga, Rexona usará tática “kamikaze” no Mundial (Fotos: Marcio Rodrigues/MPIX)

Mal acabou a Olimpíada e Bernardinho já tem outro enorme desafio pela frente: o Mundial de clubes. Entre os dias 18 e 23 de outubro, nas Filipinas, o treinador vai comandar o Rexona-Sesc na tentativa de um título inédito para o time que dirige desde 1997, quando o projeto ainda era sediado no Paraná.

Mas repetir a medalha de ouro da Rio 2016 será difícil. Quem diz isso é o próprio treinador, ciente de que enfrentará adversários de grande poder econômico, caso dos turcos Eczacibasi e Vakifbank. “Vai ser uma pedreira, um grande desafio. Temos que ter em mente que ganhar esse Mundial não é factível para nós”, comentou o treinador, que já traçou um plano para a competição. “Quem sabe chegamos entre os quatro, sabendo que mesmo isso será difícil. Adotaremos uma tática suicida e, se der certo, podemos estourar no colo de alguém, tipo kamikaze”, afirmou.

Mundial de clubles de 2017 é mais uma prova da “nipodependência” da FIVB
Choro e camisa aposentada: a emocionante despedida de Gamova

Bernardinho definiu os rivais da Turquia como “verdadeiras seleções”. De fato, é isso mesmo: o Eczacibasi, por exemplo, conta com a brasileira Thaísa, a russa Tatiana Kosheleva, as americanas Rachael Adams e Jordan Larson, além das sérvias Maja Ognjenovic e Tijana Boskovic, todas titulares durante a Olimpíada. Já o Vakifbank trouxe para esta temporada a ponteira chinesa Ting Zhu, MVP da Olimpíada 2016 e da Copa do Mundo 2015, além de ter mantido a holandesa Lonneke Sloetjes, a sérvia Milena Rasic e a americana Kimberly Hill.

Bernardinho aposta no jogo coletivo para ganhar o 12º título da Superliga

Bernardinho aposta no jogo coletivo para ganhar o 12º título da Superliga

No papel, ao menos, fica difícil competir: apesar de contar com Fabi, uma lenda viva na posição de líbero, o elenco do Rexona é composto basicamente por jogadoras que ainda buscam se firmar entre as grandes estrelas ou que são boas peças de reposição no cenário internacional. “Nosso time é bom para o padrão brasileiro, temos algumas jogadoras de seleção, mas nenhuma titular efetiva. A Anne é titular na Holanda, mas esses times têm uma legião de estrangeiras. Se treinarem e jogarem a Olimpíada, ganham”, avalia o treinador.

Foco na Superliga
De olho não só no Mundial de clubes, mas também na Supercopa brasileira, que disputa nesta sexta (7) contra o Dentil/Praia Clube, o Rexona trabalha forte. O próprio Bernardinho, porém, admite que a meta dos próximos meses é manter a hegemonia de taças no principal torneio brasileiro de clubes.

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“O objetivo da temporada é a Superliga, conquistar o 12º título. Mas nós sabemos que também vai ser difícil. É uma equipe renovada, rejuvenescida, com poucas jogadoras de muita experiência. Acreditamos no sistema, no trabalho, no time funcionando como tal. Aí, teremos chance na Superliga. Se essa química não funcionar, vai ser difícil”, explicou o técnico, que aposta no jogo coletivo. “Temos nossas deficiências e precisamos detectar para chegar ao patamar de nossos adversários. Vamos correr atrás. Temos uma jogadora com a história da Fabi, mas não temos uma jogadora que vá resolver. O time vai resolver”, afirmou.


Começo da temporada de brasileiras no exterior já teve até título
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Carolina Canossa

Fabíola foi eleita a melhor levantadora da Yeltsin Cup (Foto: Divulgação)

Fabíola foi eleita a melhor levantadora da Yeltsin Cup (Foto: Divulgação)

Passado o descanso pós-Olimpíada, é hora de as jogadoras de vôlei começarem a se dedicar aos clubes. E, mesmo com o pouco tempo de trabalho, cinco brasileiras já iniciaram bem a temporada 2016/2017. Já teve, inclusive, quem levantasse uma taça de campeão.

Foi o caso da levantadora Fabíola e da ponteira Mari Paraíba. Atletas do Volero Zurich, as duas se sagraram, na semana passada, vencedoras da Yeltsin Cup, um torneio amistoso disputado na Rússia. Diante de duas equipes russas, o Uralochka e o Dinamo Krasnodar, além da seleção sub-23 da Turquia, o time suíço venceu todos os três jogos que fez por 3 a 0. Fabíola ainda foi eleita a melhor levantadora da competição.

Rivalidade? Thaísa e a russa Kosheleva viraram amigas na Turquia (Foto: Instagram)

Rivalidade? Thaísa e a russa Kosheleva viraram amigas na Turquia (Foto: Instagram)

Na Turquia, Thaísa é quem tem se dado melhor. Ao lado de outras estrelas do voleibol em uma verdadeira “seleção do mundo” chamada Eczacibasi, a central venceu dois amistosos: 3 a 1 (21-25, 25-15, 25-19 e 25-15) no Galatasaray e 3 a 1 (25-18, 25-14, 22-25 e 25-17) no Fenerbahce, de Natália – nesse último caso, com direito a ser a maior pontuadora em quadra, com 19 pontos. Contra o Vakifbank, da holandesa Sloetjes e da chinesa Zhu Ting, derrota por 23-25, 25-20, 25-22, 20-25 e 15-10.

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Apesar do mau resultado contra o rival local, Natália também sentiu o gostinho da vitória com sua nova camisa: 3 a 1 (25-20, 16-25, 25-16 e 25-22) diante de um Vakifbank que não contou com suas atletas estrangeiras. Vale destacar também que, nos dois jogos citados, o Fenerbahce também não pôde contar com sua principal estrela, a sul-coreana Kim Yeon-Koung, poupada.

Já Adenízia saiu derrotada de quadra, mas teve uma excelente atuação individual nos 3 a 1 (23-25, 25-18, 25-23 e 25-23) que seu time, o Savino Del Bene Volley tomou do campeão europeu Pomi Casalmaggiore, marcando 22 pontos. Antes, a equipe havia batido o Mycicero Pesaro com parciais de 25-14, 25-22, 25-17 e 10-15 em outro amistoso, com a central brasileira colocando 11 bolas no chão.

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Entre os dias 18 e 23 de outubro, o Volero, o Eczacibasi, o Vakifbank e o Casalmaggiore estarão na disputa do Mundial de clubes, disputa que também contará com a participação do Rexona-Sesc, do Rio de Janeiro. O torneio será realizado nas Filipinas.