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Arquivo : Vakifbank

Juciely desafia o tempo e segue como referência no esporte
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Sidrônio Henrique

Juciely conquistou mais uma Superliga este ano (foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

Com velocidade e tempo de bloqueio impressionantes, eficiente no ataque, Juciely Barreto é, aos 36 anos, referência entre as meios de rede brasileiras. Não se surpreenda se o técnico José Roberto Guimarães convocá-la para a seleção neste ciclo. Juciely desafia o tempo. Terá 39 anos em Tóquio 2020. Mesma idade que a também central americana Danielle Scott tinha em Londres 2012. “Eu penso nela, viu”, diz ao Saída de Rede a mineira da cidade de João Monlevade, admitindo que a estrangeira duas vezes vice-campeã olímpica é um exemplo. “Quando reflito sobre quanto chão teremos até lá, pergunto a mim mesma: ‘será que dá?’ Hoje em dia a resposta é ‘não sei’, mas até bem pouco tempo era ‘não’. Se o Zé Roberto me chamar, vamos conversar”.

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Quem acompanhou a decisão da Superliga 2016/2017, domingo passado, com a vitória do Rexona-Sesc por 3-2 sobre o Vôlei Nestlé, a viu fazer a diferença na reta final da partida. Só no tie break foram seis pontos, o último deles marcado quando sua equipe chegou a nove no placar e ela foi para o saque. Ao longo do torneio, a veterana esbanjou regularidade e muitas vezes foi o desafogo da levantadora Roberta Ratzke. “Eu peço bola mesmo, quero ajudar. Ali no tie break era a nossa temporada resumida em 15 pontos”, relembra.

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Jucy sabe que a renovação deve ser a tônica na seleção, mas sem deixar de lado a experiência de algumas peças, numa mescla que possa garantir sucesso. Contra si, além do tempo que ela insiste em desafiar, a exigência constante de esforço extra diante dos ataques e bloqueios mais altos no cenário internacional. Se a convocação não vier, segue a vida no clube. Já são sete temporadas no atual Rexona-Sesc – venceu seis Superligas com o time carioca (já havia ganhado uma com o Minas Tênis Clube) e deve permanecer. Parar não está em seus planos.

Vôlei entrou tarde em sua vida
Ser apontada como uma das principais centrais do País parece estranho para alguém com um minguado 1,84m e que descobriu o voleibol tão tarde. Tinha 18 anos quando, em 1999, começou no Usipa, clube de Ipatinga (MG), a pouco mais de 100 quilômetros de João Monlevade, onde vivia com os pais, que moram lá até hoje. “Eu brincava de vôlei na escola, gostava, mas não pensava em ser jogadora. Até que alguém me viu e fui parar no Usipa, achavam que eu tinha que ser central”, conta a atleta.

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Em 2000 foi para o Macaé. Chamou a atenção do Minas Tênis Clube e no ano seguinte seguiu para a tradicional equipe de Belo Horizonte – um timaço onde jogavam, entre outras, Fofão, Cristina Pirv, Ângela Moraes, Érika, Elisângela e Ana Maria Volponi, além das juvenis Fabiana e Sheilla, sob o comando do treinador Antônio Rizola. Ganharam a Superliga derrotando o BCN Osasco de José Roberto Guimarães na final.

Ângela Moraes lidera volta olímpica em 2002 no Mineirinho: ídolo de Juciely (foto: CBV)

Pouco experiente, estando apenas na sua terceira temporada na modalidade, treinava mais do que jogava. Encontrou naquele time, na época MRV Minas, seu grande ídolo no vôlei: a central Ângela Moraes, de 1,81m. “Eu parava só para ficar olhando ela treinar. A Ângela me influenciou de todas as formas, eu ficava tentando fazer tudo igualzinho a ela, que atacava uma china linda, incrível na velocidade de perna e de braço. Ela tinha também uma bola de dois tempos que era única: ela quicava no tempo frente e atacava uma chutada. Essa eu tentei fazer muitas vezes e nunca consegui”, conta Juciely.

Oposta?
No segundo ano no MRV Minas não jogou, apenas treinava. “Queriam me transformar em oposta, diziam que eu era baixa demais para ser meio de rede, mas eu não levava jeito para atacar na saída. Tenho todos os cacoetes de atacante de meio, tinha que ser central, apesar de pequena”. A baixa estatura é compensada com velocidade e impulsão. Aliás, a jogadora do Rexona-Sesc diz que não sabe o quanto salta. “Não sei qual é a minha impulsão ou o meu alcance, mas sei que salto bastante”. Os dados no site da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) estão longe da realidade.

Fique por dentro do mercado do vôlei

Passou uma temporada em Osasco, depois foram duas no Brasil Telecom, de Brasília. Voltou ao Minas para mais um ano. Então, no período seguinte, 2008/2009, novamente no Brasil Telecom, desta vez em Brusque (SC), ela acredita que explodiu de vez. “A partir daquela temporada em Brusque, comecei a jogar bem mesmo”. A equipe contava com jogadoras como Fabíola e Elisângela. Ao lado de Nati Martins, atualmente no Vôlei Nestlé, Juciely formava a dupla de centrais titulares.

Com o troféu da Superliga 2016/2017 (foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

Despertando o interesse de Bernardinho
O Brasil Telecom quase foi responsável por uma das maiores zebras da história da Superliga. Após eliminar o Pinheiros nas quartas de final, o time de Brusque encarou simplesmente na série melhor de três partidas da semifinal a equipe de Bernardinho, na época Rexona-Ades. O primeiro jogo, em Santa Catarina, foi vencido pelo Brasil Telecom por 3-2. No seguinte, em pleno Tijuca Tênis Clube, no Rio, a equipe visitante abriu 2-0, para desespero do técnico multicampeão. O Rexona viraria a partida e venceria o jogo seguinte, mas o adversário impôs respeito. Jucy chamou tanto a atenção que recebeu um convite de Bernardinho para jogar no Rio de Janeiro.

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“Minha pontuação no ranking das atletas não me ajudou e eu não me encaixava no Rexona. Fui jogar na temporada seguinte no São Caetano/Blausiegel, que tinha também a Fofão, a Sheilla, a Mari”, recorda a central.

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Porém, no período 2010/2011, finalmente pôde jogar no Rexona. “Aquele time patrocinado pela Blausiegel acabou e fomos Sheilla, Mari e eu jogar no Rio, treinadas pelo Bernardinho”. Começava para Juciely uma história que segue até hoje. Várias atletas entraram e saíram da equipe, mas a meio de rede mineira segue firme.

Recebendo prêmio de melhor central no GP 2015 (foto: FIVB)

Primeira convocação e cortes
Após sua temporada inicial no Rexona, veio também sua primeira convocação para a seleção adulta – jamais havia sido chamada nas categorias de base. “Com o Bernardo cresci a ponto de me tornar uma atleta da seleção brasileira. O Zé Roberto apontou muitos caminhos, me deu soluções quando comecei a disputar jogos internacionais, onde a realidade é completamente diferente. São grandes técnicos”, elogia Jucy, sem esquecer de afagar os dois.

Dos cortes sofridos na seleção, ela fala com resignação. “É algo doloroso, é um sonho que fica para trás, mas é um risco com o qual o atleta convive”.

Ficar fora da Olimpíada de Londres, em 2012, “doeu demais”, admite a atleta, que no entanto ressalta: “Apesar de ter sofrido, tinha consciência que a Adenízia estava melhor, ela vinha jogando muito bem”. O corte da lista de jogadoras que foi ao Mundial 2014 era esperado, pois Juciely sofria com uma lesão no joelho esquerdo.

Alegria e tristeza na Rio 2016
A participação na Rio 2016, apesar do desfecho triste, com a queda diante da China nas quartas de final, é lembrada com carinho por ser a única em Jogos Olímpicos. “Quando você entra na vila olímpica, percebe que aquele sonho se realizou”. A presença dos pais e dos amigos no Maracanãzinho foi extremamente importante para ela.

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Questionada se a chave muito tranquila da primeira fase na Olimpíada havia preparado suficientemente o time para o duelo nas quartas, ela rebate: “Tínhamos consciência de que o mata-mata seria muito difícil. A (ponteira) Ting Zhu saiu do passe no segundo set, a (técnica) Lang Ping fez umas mudanças e a gente não conseguiu mais acompanhar o ritmo delas”.

Juciely comemora um ponto durante a Rio 2016 (foto: FIVB)

Saque perdido
A central fica com a voz embargada quando relembra o saque desperdiçado no final do tie break diante da China. O Brasil perdia por 11-12 das orientais e Juciely, no serviço, buscou uma paralela, mas a bola foi para fora – a oposta Sheilla Castro erraria outro no rodízio seguinte.

“O meu erro ainda me revolta. Como pude errar aquele saque? Não dormi aquela noite, chorei muito. Nos dias seguintes, sempre que alguém me abordava, falando do jogo, eu caía no choro. Fui pro interior do Rio, um lugar onde ninguém me conhecia, depois fui pra Minas, ficar com meus pais. Nós todas (jogadoras) procuramos respostas para aquela derrota contra a China e não temos. As chinesas jogaram demais”, afirma Jucy.

Mundial de Clubes
O foco agora é o Mundial de Clubes, de 9 a 14 de maio, em Kobe, no Japão. A chave, com o VakifBank da Turquia e o Dínamo Moscou, é complicada, mas ela se mantém otimista, mesmo sabendo o quanto é difícil enfrentar bloqueios mais elevados ou tentar conter atacantes mais altas. “É outro nível, muito puxado, tenho que me desdobrar. No Grand Prix 2015 ganhei o prêmio de melhor central e fiquei me perguntando como poderia ter sido a melhor no meio de tanta mulher alta”. Às vezes não é preciso ser alta para ser grande.


Espaço do leitor: como é ver o Final Four da Champions League de vôlei?
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Carolina Canossa

Americana Kimberly Hill atendeu os fãs muito bem (Fotos: Arquivo pessoal)

Enquanto os fãs brasileiros de vôlei estavam ligadíssimos na decisão da Superliga feminina de vôlei, Fernando Rodrigues (@ferciccone) desfrutava de uma experiência especial. Aproveitando as férias na Europa, ele decidiu acompanhar de perto as partidas decisivas da Champions League, o principal torneio de clubes da Europa. Sortudo, ficou em um lugar próximo ao da técnica campeã olímpica Lang Ping e teve a oportunidade de conversar com José Roberto Guimarães, dono de três ouros olímpicos e atual treinador da seleção brasileira.

Como foi a experiência? A estrutura é boa? Que jogadoras foram simpáticas ou antipáticas com os fãs? No relato abaixo, escrito especialmente para o Saída de Rede, Fernando conta tudo:

“Quando marquei minhas férias, fiquei um pouco triste: iria perder a final da Superliga feminina! Moro no Rio de Janeiro e com certeza iria assistir o jogo. Foi então que descobri que o Final Four da Champions League feminina seria em Treviso (Itália), a um “pulo” da Suíça, meu destino principal – seis horas de trem é um “pulo” para nós, brasileiros, né?

Fique por dentro do mercado do vôlei!

Os ingressos estavam quase esgotados, mas consegui comprar um pacote especial que dava direito a todos os quatro jogos! Terra do tiramisu e da Benetton, a região de Treviso tem um clube de vôlei, o Imoco Conegliano. Desde que cheguei, achei as pessoas bem empolgadas com as chances da “Panteras”, apelido carinhoso dada ao time, apesar do cansaço da disputa do Campeonato Italiano. O ginásio PalaVerde, que fica em Villorba (25 minutos de ônibus partindo do centro de Treviso), é bom, mas de porte médio: não devem caber ali mais do que cinco mil pessoas.

Na entrada, os torcedores turcos eram os mais animados, tanto do Eczacibasi quanto do Vakifbank. Muita cantoria e fotos, tudo em um clima bem amigável! Conversei com alguns torcedores do Eczacibasi, que lamentavam e comentavam ainda com bastante choque da lesão da brasileira Thaisa. Já os torcedores do Vakif só falavam um nome: Zhu! Eram vários chineses na torcida turca, com as bandeiras dos dois países convivendo lado a lado na arquibancada.

Zé Roberto e Lang Ping estavam presentes no ginásio italiano

Ao entrar fui premiado com um lugar bem perto dos técnicos José Roberto Guimarães e Lang Ping. Conversamos um pouco. Fiquei impressionado com a educação e simpatia do Zé! Perguntei a ele qual seu palpite para a final da Superliga que iria acontecer no dia seguinte e ele chutou bem que o Rexona levaria de novo. Quis saber quem seria nossa oposta no próximo ciclo. Ele não disse nomes, mas se mostrou animado e avisou que vem coisa boa por aí. Sobre a possibilidade de a Hooker  jogar na seleção brasileira, ele lembrou que ela precisa se naturalizar e atuar dois anos no Brasil! Será que dá tempo de jogar Tóquio-2020? Ele só riu…

O primeiro dia foi muito animado com as torcidas turcas e italiana empurrando os times o tempo todo. O evento estava bem organizado, com lojinha pra quem queria comprar coisas do Conegliano. Como fiquei na torcida do Vakif, me deram uma camisa deles pra torcer também. Foi incrível ver aquelas seleções do mundo jogando tão de perto, a quadra era muito próxima da arquibancada. No geral, as jogadoras me pareceram bem cansadas. O Eczacibasi mesmo se arrastou. Como muitos parentes e amigos das jogadoras também estavam na torcida, elas subiam até lá depois das partidas para falar com eles.

O feito de Lang Ping e a necessidade de valorizar as mulheres no vôlei

A torcida local ficou louca com a ida do Conegliano à final e, assim, o ginásio ficou ainda mais cheio para o segundo dia de competições. Conversei com alguns torcedores de lá e muitos tinham a camisa da seleção americana por causa da central Rachael Adams, que jogou dois anos na cidade. Mas a rainha da torcida deles era a holandesa Robin de Kruijf! Na final, o time italiano bem que tentou fazer um jogo duro contra o Vakif, mas sem chance: Zhu estava inspiradíssima e pegando muito forte na bola. A cerimônia de premiação foi rápida e bem animada, com um clima bem amistoso também entre as jogadoras. Enfim, foi uma festa muito linda! Que venha o Mundial de clubes com partidas emocionantes!

Holandesa Robin de Kruijf era a mais assediada pelos torcedores

Pontos negativos:

– Mesmo quem comprou pela internet tinha que levar a entrada impressa, o que deu bastante confusão entre os torcedores estrangeiros que não sabiam disso…
– Não houve transporte público para voltar ao centro de Treviso ao término dos jogos do primeiro dia, por volta de um sábado às 22h30
– Algumas jogadoras me pareceram bem antipáticas com os fãs. Maja Poljak e Nataliya Goncharova, do Dínamo de Moscou, se negaram a bater fotos, por exemplo. A Maja, aliás, estava bem brava por perder pro Conegliano.
– Já a Zhu atendeu somente os chineses…

Pontos positivos:

– Mesmo com o problema dos ingressos não impressos, a organização do evento resolveu tudo na hora de forma bem atenciosa
– A maioria das pessoas do staff falava inglês. Fico me perguntando: como seria para um estrangeiro assistir a final da nossa Superliga?
– A lojinha de produtos e as comidinhas da lanchonete do ginásio eram boas, variadas e baratas. Havia até champanhe!
– Algumas jogadoras foram muito queridas com o público, caso da Kimberly Hill, Rachael Adams, Serena Ortolani, Naz Aydemir, Monica De Gennaro… Mas a mais simpática de todas era a a turca Gözde Kırdar Sonsirma”

Se você também quer relatar alguma experiência bacana com o vôlei, entre em contato conosco através do nosso Facebook.


Melhor do mundo, Ting Zhu conquista a Europa com o VakifBank
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João Batista Junior

Gigante na seleção da China,Ting Zhu (5) se firma no VakifBank (fotos CEV)

Se já não bastasse conquistar a medalha de ouro na Rio 2016 como MVP do torneio olímpico feminino de vôlei, igualando seu feito da Copa do Mundo 2015, Ting Zhu repetiu a dose com o VakifBank na Liga dos Campeões feminina 2016/2017.

No domingo, em Treviso (Itália), em sua primeira temporada no voleibol europeu, a ponteira chinesa, de 22 anos de idade, conduziu a equipe turca ao terceiro título continental de sua história e ganhou o prêmio de melhor jogadora das finais – honraria que já coube, noutras temporadas, a jogadoras do naipe da italiana Francesca Piccinini, da sul-coreana Kim Yeon Koung e da russa Ekaterina Gamova.

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Depois de passar pelo Eczacibasi VitrA, sábado, nas semifinais, por 3 a 0, o VakifBank venceu o Imoco Volley Conegliano na final da Champions League também em sets diretos (parciais de 25-19, 25-13, 25-23), fechando uma campanha invicta de dez vitórias no torneio.

Optando jogar pelas pontas, a levantadora Naz Aydemir só acionou nove vezes as centrais Kübra Akman e Milena Rasic em toda a partida – total inferior a 10% do número de cortadas VakifBank na decisão. Mas o ataque da equipe turca não sentiu falta da primeira bola.

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Protegida na recepção pela líbero Örge e pela ponta norte-americana Kim Hill, Zhu jogou à vontade no ataque, assinalando 22 pontos contra o Conegliano, dez deles apenas no duro terceiro set.

Carrasco do Brasil nas Olimpíadas, Zhu computou 46 acertos nesse fim de semana do Final Four, sete a mais que a segunda pontuadora, Nataliya Goncharova, oposta do Dínamo Moscou. A MVP marcou 7,67 pontos por set, sendo a única atleta com média superior a cinco anotações por parcial nas finais, e teve um aproveitamento de 57% no ataque.

No jogo de bolas altas, melhor para o VakifBank, de Lonneke Slöetjes

Além de Zhu, as outras duas atacantes das extremidades da rede destacaram-se pelo VakifBank: a oposta Lonneke Slöetjes teve 48% de rendimento no ataque, assinalando 14 pontos no total, enquanto Hill, pela entrada, marcou 11 pontos, sendo nove em cortadas.

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Atual campeão italiano, o Imoco Volley se classificou direto da fase de grupos direto para o Final Four, com o carimbo de “representante da cidade sede” a viagem de trem entre Conegliano e Treviso dura menos de 20 minutos, informa o Google. Na disputa contra o VakifBank, o sistema defensivo anfitrião perdeu a batalha contra as atacantes rivais, e o passe, por sua vez, também não ajudou muito a levantadora polonesa Skorupa.

Só no terceiro set, quando Ortolani foi para a saída de rede e Carolina Costagrande começou a parcial em quadra – atuando como ponteira – foi que o Conegliano conseguiu  equilibrar as ações e ameaçou estender a partida. Mas, na reta final, o time falhou no contra-ataque e teve de se contentar com o vice-campeonato.

Bruno e Lucão: a caminho da Itália ou do Sesc

O terceiro lugar da competição ficou com o Eczacibasi VitrA, que não pôde contar com Thaisa, afastada do restante da temporada por lesão. As campeãs mundiais do ano passado bateram o Dínamo Moscou por 3 sets a 1 (25-19, 19-25, 25-23, 25-22).


Companheiras na seleção, Thaisa e Natália se enfrentam na Liga dos Campeões
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João Batista Junior

Thaisa (6) e Natália (12) pela seleção: lados opostos na Champions (foto: FIVB)

Quando a temporada de clubes começou, o Eczacibasi VitrA, da central Thaisa, conquistou o título mundial de clubes nas Filipinas com um elenco recém-montado, que bem poderia fazer frente às principais seleções em atividade no vôlei feminino. O Fenerbahçe, da ponteira Natália, também havia se reforçado e manteve no plantel a craque sul-coreana Kim Yeon Koung, mas parecia que ia ter dificuldade para acompanhar o VakifBank e o próprio Eczacibasi.

Campeão mundial, Eczacibasi tem oscilado na temporada (CEV)

Contudo, as duas brasileiras – que disputaram Olimpíadas e Mundiais pela seleção e já atuaram tanto no Osasco quanto no Rexona – vão se encontrar na quinta-feira, pela primeira rodada dos playoffs de 6 da Liga dos Campeões feminina, numa situação bem diferente daquela de alguns meses atrás.

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De um lado, o time de Thaisa têm tido problemas na liga turca (muito por conta do regulamento, que só permite a uma equipe utilizar até três estrangeiras por vez na partida) e, na Champions League, foi batido duas vezes pelo VakifBank.

Kim (10) observa ataque de Natália (CEV)

Do outro lado, o sexteto de Natália, que só perdeu um set no torneio continental, conquistou a Copa da Turquia vencendo o VakifBank na decisão e tem se dado bem contra o Eczacibasi: depois de perder o primeiro duelo, na longínqua terceira rodada do nacional, o Fenerbahçe superou o rival nos outros dois encontros – em janeiro, nas semifinais da copa do país, e em fevereiro, no returno da liga.

Maluco beleza do vôlei oferece dinheiro para árbitro apitar direito

É claro que quando a bola subir, histórico e retrospecto ficarão à parte, e uma equipe com Thaisa, Kosheleva, Jordan Larson, Boskovic, Rachael Adams e Ognjenovic deve ser respeitada – senão, temida. Mas, pelo crescimento no decorrer da temporada, o Fenerbahçe, de Natália e Kim Yeon Koung, parece estar em ligeira vantagem. O site Laola.tv transmite a partida ao vivo.

FABÍOLA E MARI PARAÍBA
Líder na liga turca, o VakifBank, da MVP olímpica Ting Zhu, vai ter pela frente, também na quinta-feira, pelos playoffs de 6 da Champions League, o Volero Zürich, das brasileiras Fabíola, levantadora titular, e Mari Paraíba, ponteira reserva. A partida também será transmitida pelo Laola. Embora a equipe da Turquia seja favorita, não dá para dizer que o time suíço seja perdedor de véspera.

Fabíola no levantamento contra o VakifBank, no Mundial de Clubes (FIVB)

Os dois se enfrentaram duas vezes na temporada, ambas no Mundial de Clubes, em outubro, com uma vitória para cada lado: a do Zürich, na primeira fase, e a do VakifBank, na disputa da medalha de bronze. Na fase de grupos do europeu, as turcas venceram todas as partidas que disputaram e as suíças perderam duas vezes – a ressalva é que os reveses foram em tie breaks, contra o Dínamo Moscou, dono da melhor campanha da superliga russa.

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Além de Zhu, o elenco do VakiBank conta com a oposta holandesa Lonneke Slöetjes, a central sérvia Milena Rasic, a ponta norte-americana Kimberly Hill. Já no time das brasileiras, jogam a cubana Kenia Carceses, ex-Osasco, a meio de rede norte-americana Foluke Akinradewo, a oposta ucraniana Olesia Rykhliuk, a ponta azeri Mammadova. A exemplo do confronto entre Eczacibasi VitrA e Fenerbahçe, trata-se de um duelo de duas legiões estrangeiras e nenhum resultado – embora haja um favorito – pode ser considerado zebra.

Os playoffs de 6 da Liga dos Campeões feminina começam na quarta-feira, com uma partida entre Liu Jo Nordmeccanica Modena e Dínamo Moscou, na Itália. Os jogos da volta serão disputados nos dias 4 e 5 de abril. As três equipes vencedoras das séries se juntarão ao Imoco Volley Conegliano, nos dias 22 e 23 de abril, para a disputa do Final Four da competição, em Treviso (Itália).


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Seleção masculina perde mais uma peça-chave após saída de Bernardinho

Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Holandesa do Rexona quer aproveitar Superliga para ser “jogadora completa”
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Sidrônio Henrique

Anne Buijs: “Substituir a Natália é uma honra para mim” (foto: Alexandre Loureiro/CBV)

A ponteira holandesa Anne Buijs queria muito jogar no Brasil, ser treinada por Bernardinho, como o Saída de Rede contou para você em maio do ano passado, semanas antes que o Rexona-Sesc anunciasse a contratação da jogadora. O sonho se realizou e agora a atacante de 25 anos, 1,91m, que tem oscilado na Superliga, quer se aperfeiçoar. “O vôlei brasileiro é mais técnico do que o europeu, com mais defesas, ralis mais longos. Está sendo muito interessante jogar aqui, é diferente. Quero aprender cada vez mais e me tornar uma jogadora completa”, disse Buijs ao SdR, ela que aponta o passe e a defesa como suas maiores deficiências.

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“Fiquei muito orgulhosa quando soube que o Rexona me queria. Substituir uma jogadora do nível da Natália é uma grande responsabilidade e ao mesmo tempo uma honra para mim”, afirmou. Antes mesmo de chegar ao Brasil, ela tratou de conhecer a história do clube, onze vezes campeão da Superliga. “Eu quero evoluir, mas isso não basta, pretendo ganhar a Superliga também”, avisou Buijs.

Ela queria ser treinada por Bernardinho (foto: Marcelo Piu/Sesc)

Conhecendo Bernardinho
Para a ponteira holandesa, que em maio de 2016 apontava Bernardinho como um dos melhores técnicos do mundo ao dizer que gostaria de trabalhar com ele, as expectativas quanto ao treinamento têm sido atendidas. “Bernardinho é exigente e isso é importante para mim, pois só assim posso melhorar”. O curioso é que, apesar de toda a vontade de ser treinada pelo técnico multicampeão, ela só veio a conhecê-lo no dia do seu primeiro treino com a equipe, no início de outubro.

A adaptação ao ritmo carioca não tem sido problema. “Fui muito bem recebida pelas colegas de time. Nem todo mundo fala inglês, mas mesmo quem não fala, tenta. Eu também tenho tentado aprender português. O estilo de vida que tenho aqui no Brasil é muito bom, a atmosfera do Rio é relaxada, algo muito gostoso”, comentou.

Colega de Sheilla na Europa e destaque na seleção
No período 2015/2016 ela foi campeã da liga turca e vice da Champions League (Liga dos Campeões da Europa) com o VakifBank, era colega de time da oposta brasileira Sheilla Castro. A ponteira acabou dispensada ao final da temporada. Antes de jogar na Turquia, havia passado pelo Lokomotiv Baku, do Azerbaijão, e o Busto Arsizio, da Itália, entre outros clubes europeus.

Anne Buijs é titular da seleção holandesa (fotos: FIVB)

Anne Buijs fez sua estreia na seleção holandesa adulta muito jovem, com apenas 16 anos, mas ficou de fora em várias temporadas desde então por causa de contusões. Foi titular no Mundial 2014, embora tenha ficado a maior parte do tempo entre as reservas na derrota por 3-1 para o Brasil. Em 2015, foi escolhida a melhor ponteira do Montreux Volley Masters e também do Campeonato Europeu. Na Rio 2016, a ponta destacou-se na honrosa campanha da Holanda, que ficou na quarta colocação. Ela terminou a competição no Maracanãzinho como a quinta maior pontuadora, a oitava mais eficiente no ataque e ainda como terceira melhor sacadora.

Surpresa em dose dupla com a Holanda em 2016
Buijs se disse surpresa não apenas com o quarto lugar na Rio 2016, mas até mesmo com a classificação para os Jogos Olímpicos. “Foi demais para a gente, pois fazia 20 anos que a Holanda não participava do torneio de vôlei feminino numa Olimpíada. Isso foi surpreendente, uma conquista. Depois tivemos outra surpresa quando ficamos em quarto no Brasil”.

Buijs consola Schoot após a derrota para os EUA na disputa do bronze na Rio 2016

A derrota na semifinal para a China e depois outra para os Estados Unidos na disputa da medalha de bronze já foram superadas. “Inicialmente nós ficamos devastadas em não conquistar uma medalha, porém mais tarde vimos como foi importante a quarta colocação e temos orgulho da nossa campanha no Rio”, afirmou.

Apesar de destacar o resultado da equipe, Anne Buijs acredita que poderiam ter ido mais longe. “Havíamos ganhado das chinesas e perdido numa partida de cinco sets contra os EUA na primeira fase. Na semifinal, contra a China, fomos derrotadas por 3-1, mas o jogo foi equilibrado”.

Guidetti e a jornada interrompida
Ela definiu a recente saída de Giovanni Guidetti do cargo de técnico da seleção holandesa (ele assinou logo em seguida com a Turquia) como “uma jornada interrompida”, mas ponderou que isso não vai atrapalhar o time. “Foi um choque, eu não imaginava que ele fosse sair. Fiquei triste porque tínhamos um relacionamento muito bom com o Guidetti, crescemos como conjunto, melhoramos, demos passos importantes. Agora a federação tem que encontrar um novo treinador e nós vamos seguir em frente”, disse Anne Buijs.


Turquia atrai jogadoras estrangeiras e vira “eldorado” do vôlei
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João Batista Junior

 

Fenerbahçe, VakifBank e Eczacibasi: trio de ferro do vôlei turco (Fotos: Divulgação)

Fenerbahçe, VakifBank e Eczacibasi: trio de ferro do vôlei turco (Fotos: Divulgação)

O Uralochka Ekaterinburg é um dos clubes mais tradicionais do vôlei feminino da Rússia, e sua luta diante do VakifBank, de Lonneke Slöetjes, Kimberly Hill, Milena Rasic e, sobretudo, Ting Zhu, resultou numa derrota em quatro sets. As francesas do St. Raphaël bem que tentaram, mas o Fenerbahçe, com Natália, Nootsara Tomkom e Maret Grothues, nem precisou tirar Kim Yeon Koung do banco de reservas para sair de quadra com uma vitória em sets diretos. O Eczacibasi VitrA, com Thaisa, Rachael Adams, Ognjenovic, Boskovic, Kosheleva e Jordan Larson, também não deu muita esperança de bom resultado ao Dresdner, da Alemanha, e voltou para casa com previsíveis três pontos na conta.

O resumo da estreia das equipes turcas na fase de grupos da Liga dos Campeões feminina da Europa, no mês passado, parece uma releitura da repisada batalha entre Davi e Golias. Nesse conto de vôlei, porém, os gigantes – moldados por contratações e investimentos vultosos – saem vencedores.

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Em meio à crise financeira mundial, que tem fustigado a economia europeia e a brasileira, a Turquia, quando se trata de investir no vôlei, tem remado na direção contrária. Para tomar exemplos recentes, enquanto três clubes brasileiros desistiram de disputar a Superliga nesta temporada (São José e Voleisul, no masculino, Araraquara, no feminino), o Dínamo Krasnodar, da Rússia, perdeu jogadoras por atraso no pagamento de salários no ano retrasado e o Modena, mesmo com status de campeão italiano, quase fechou as portas, o voleibol turco deixou de ser apenas um mercado promissor para ter uma das ligas mais importantes do mundo.

Dentro dessa perspectiva, é justo dizer que o campeonato masculino do país tem crescido e não é exagerado afirmar, sem susto, que a liga feminina, com três supertimes na disputa, seja a melhor das competições nacionais do vôlei atual – ainda mais com a vinda, nesta temporada, de Ting Zhu, Kosheleva, Natália, Thaisa…

Gamova atuou uma temporada pelo Fenerbahçe

Gamova atuou uma temporada pelo Fenerbahçe

ASTROS E TROFÉUS

O processo migratório de craques para o vôlei turco não é exatamente um fenômeno novo. Do início da década passada para cá, nomes como as russas Sokolova e Gamova, a norte-americana Logan Tom e as brasileiras Fofão, Fabiana e, mais recentemente, Sheilla atuaram em algum dos times de peso do país. A diferença agora é o grande número de estrelas da contestação – ou, noutras palavras, a grande quantidade reunida de jogadoras de reconhecida qualidade.

Para não ficar só no exemplo dos clubes mencionados no primeiro parágrafo, podemos citar atletas estrangeiras famosas no mundo do vôlei: o Besiktas tem a oposta belga Lise van Hecke, que passou por Osasco na temporada passada, o Sariyer conta com as norte-americanas Nicole Fawcett (campeã mundial com a seleção de seu país em 2014) e a central Alexis Crimes, e o Galatasaray tem a central trinitina Sinead Jack e a oposta italiana Nadia Centoni. Não se pode esquecer, ainda, de que a ponteira cubana Wilma Salas, do Halkbank, e a oposta brasileira Joycinha, do Bursa Sehíd, têm as maiores médias de pontuação da edição 2016/2017 da liga (5,12 pontos por set cada uma).

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Tamanho investimento, como se poderia prever, tem trazido troféus de competições internacionais para as estantes turcas.

Na Liga dos Campeões, desde a temporada 2008/2009, sempre ao menos um turco no Final Four. Já desde 2009/2010, a Turquia tem sempre um representante na decisão e, nesse período, quatro títulos continentais ficaram com algum clube do país – duas vezes o VakifBank, uma vez o Fenerbahçe e outra o Eczacibasi. No mesmo período, o trio também conquistou quatro títulos mundiais – aí, o bicampeonato é do Eczacibasi.

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João Paulo Bravo e Maurício Borges (nas pontas) foram importantes para a recepção do Arkas (Foto: CEV)

João Paulo Bravo e Maurício Borges (nas pontas) defendem o Arkas Spor (CEV)

Indo além da competição feminina, vê-se que a liga masculina também possui jogadores de relevo, como os brasileiros Lipe (Halkbank), Maurício Borges e João Paulo Bravo (estes, do Arkas Spor). Mas, em geral, num caminho ainda diferente do percorrido no vôlei das mulheres, o campeonato tem posto em quadra jogadores veteranos, como o oposto sérvio Ivan Miljkovic (companheiro de Lipe), o italiano Cristian Savani, o holandês Kay van Dijk e o central norte-americano David Lee (estes, no Ziraat Bankasi), e o oposto recentemente aposentado da seleção francesa Antonin Rouzier – que joga com os compatriotas Nicolas Marechal e Le Goff no Istanbul BBSK.

Quando saem para jogar pela Europa afora, os times masculino não repetem os resultados das equipes femininas. O vice-campeonato continental do Halkbank na temporada 2013/2014, com um time que tinha o ponta ítalo-cubano Osmany Juantorena e o levantador brasileiro Raphael, foi a melhor campanha de um clube do país na Liga dos Campeões. Digna de registro também foi a campanha do Arkas Spor em 2011/2012: com João Paulo Bravo na entrada de rede e o colombiano Agamez na saída, a equipe eliminou o Lokomotiv Novosobirsk e terminou no quarto lugar.

E PARA QUEM É DE CASA?

Com passos mais lentos, as seleções turcas têm tentado acompanhar o crescimento vertiginoso das equipes femininas do campeonato local. Em 2015, por exemplo, a Turquia foi vice-campeã mundial sub-23 tanto no masculino quanto no feminino, ao que, em 2011, as turcas levantaram a taça no sub-18.

Nas seleções adultas, porém, a fonte ainda é bastante escassa. Os homens quase nunca vão a campeonatos mundiais e jamais disputaram uma olimpíada. As mulheres, por outro lado, tem evoluído de fato nos últimos anos, com três participações consecutivas em mundiais, uma medalha de bronze no Grand Prix de 2012 e uma honrosa participação nas Olimpíadas de Londres, quando quase conseguiu eliminar o Brasil na primeira fase do torneio.

Giovanni Guidetti deixa seleção holandesa e assina com Turquia

Turca Gödze Kirdar: com ou sem cota, titular do VakifBank

Turca Gödze Kirdar: com ou sem cota, titular do VakifBank

Nesse aspecto, pensando no desenvolvimento das seleções, a antipática medida de proibir os times de utilizarem mais do que três estrangeiras em quadra por vez acaba sendo necessária. Assim, Eczacibasi VitrA, Fenerbahçe e VakifBank só conseguem de fato usar o máximo da força que têm na Liga dos Campeões e se veem obrigados a dar vez a atletas turcas na liga nacional.

Imagine que a oposta Neslihan Demir, 33 anos, maior pontuadora dos mundiais de 2006 e 2010, só tem chance de atuar no Eczacibasi VitrA quando a revelação sérvia Tijana Boskovic é barrada pela matemática do regulamento!

Há, evidentemente, turcas que têm se destacado independentemente da cota de atletas locais. A oposta Polen Uslupehlivan tem sido titular do Fenerbahçe, assim como a central Eda Erdem. O mesmo vale para a levantadora Naz Aydemir e a ponta Gözde Kirdar, no VakifBank. No entanto, num mercado importador como esse, é inegável que as estrelas da festa falam outra língua.

Não se trata de pintar a Turquia como um oásis do esporte e do vôlei ou de dizer que o momento político do país não seja dos mais delicados, já que houve a tentativa de um golpe de estado no ano passado, um recente atrito diplomático com a Rússia e, o pior, frequentes atentados terroristas – o último deles, no primeiro domingo de 2017.

Também não se trata de fechar os olhos para problemas causados pelas torcidas nos ginásios, como a briga transportada do futebol entre torcedores do Fenerbahçe e do Galatasaray, que interrompeu por mais de uma hora uma partida entre as duas equipes nas finais da liga passada, ou as hostilidades sofridas pelas jogadoras do Dínamo Krasnodar, em Istambul, na decisão da Copa CEV, contra o Galatasaray, em março deste ano.

Mas o fato é que, apesar da pouca tradição das seleções turcas, os investimentos no voleibol fizeram do país um novo eldorado da modalidade – ainda mais, no feminino.


Técnico que levou Holanda à semifinal da Rio 2016 assina com a Turquia
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Sidrônio Henrique

Guidetti se tornou mais conhecido dos brasileiros ao deixar Sheilla no banco no VakifBank (fotos: FIVB)

O mundo do vôlei tomou um susto nesta segunda-feira (26) pós-natalina. O italiano Giovanni Guidetti, 44, anunciou que deixava o comando da seleção feminina da Holanda, com a qual tinha contrato até Tóquio 2020. Houve lamentos, atletas desapontadas, mas no final do dia, outra surpresa: ele vai treinar a seleção feminina da Turquia, cujo técnico, Ferhat Akbas, foi comunicado da sua demissão na semana passada – a saída dele foi oficializada hoje. Guidetti é também técnico do clube turco VakifBank.

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Recentemente, na Rio 2016, Giovanni Guidetti levou as holandesas a um honroso quarto lugar, derrotando as eventuais campeãs chinesas e as vice-campeãs sérvias na primeira fase, oferecendo resistência à China na semifinal, perdendo o bronze para os EUA.

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As informações sobre o pedido de demissão de Guidetti, que alegou precisar de mais tempo para a família, foram veiculadas na mídia holandesa e publicadas mais tarde pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB). “Esta foi a decisão mais difícil que já tive de tomar”, afirmou. A própria FIVB já dizia em seu site que o italiano estaria prestes a fechar na sequência com a federação turca, notícia confirmada mais tarde por sites locais.

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O treinador é casado com a central turca Bahar Toksoy. A primeira filha do casal, Alisonnasceu em setembro deste ano. No comando da seleção da Turquia, Guidetti poderá ficar perto da mulher e da filha durante o período de concentração da equipe, a exemplo do que ocorre no VakifBank, antes das viagens para a disputa de competições. A família vive em Istambul, cidade do seu clube e também do centro de treinamento da seleção.

O técnico italiano passará a comandar a seleção turca

Polêmica
Técnico do VakifBank desde 2008, Giovanni Guidetti viu seu nome se tornar mais conhecido pelos torcedores brasileiros na temporada passada ao escalar a oposta holandesa Lonneke Slöetjes como titular, deixando a bicampeã olímpica Sheilla Castro no banco. Em que pese as atuações consistentes de Slöetjes, fãs e parte da imprensa especializada do Brasil viram na escolha dele um possível favorecimento à holandesa, que joga pela seleção do seu país. Entre outros prêmios individuais, Slöetjes foi a melhor oposta do Campeonato Europeu 2015, da liga turca 2015/2016, além de ter sido a maior pontuadora e ter o melhor aproveitamento no ataque no Pré-Olímpico Mundial. Na Rio 2016, ela foi a segunda maior pontuadora e teve o terceiro melhor aproveitamento no ataque.

Guidetti iniciou sua carreira de treinador nos anos 1990, mas ganhou notoriedade na década seguinte, quando assumiu a seleção feminina da Alemanha, em 2006, que sob seu comando conseguiu um quarto lugar (2009) e dois vice-campeonatos (2011 e 2013) europeus, além de bronze no Grand Prix 2009. No ano passado, ele deixou de treinar as alemãs e passou ser o técnico das holandesas, que foram vice-campeãs da Europa e repetiram a dose no Pré-Olímpico continental, classificando-se para o qualificatório mundial, onde novamente terminaram na segunda colocação, conquistando a vaga para a Rio 2016, após vinte anos de ausência das Olimpíadas. A Holanda foi ainda bronze no GP 2016.

Slöetjes (ao lado de Buijs): “Fiquei chocada e desapontada”

Atletas lamentam
O site europeu World of Volley reproduziu a reação de duas das principais jogadoras holandesas à decisão de Giovanni Guidetti, antes da notícia de que ele assumiria a seleção da Turquia.

“Eu fui uma das poucas pessoas a quem ele contou sobre seu pedido de demissão. Agora ele tem uma família, e sua família vem em primeiro lugar. Ele quer passar mais tempo com a família em Istambul, especialmente no verão. Não tenho filhos, então não posso avaliar sua decisão. Eu respeito, mas ainda assim fiquei chocada e também desapontada”, disse Lonneke Slöetjes, que segue sendo treinada por ele no VakifBank.

“Não percebi nada, não houve nenhum sinal. Estou chocada e desapontada. Poderia ter sido uma bela jornada (com a seleção). Eu entendo sua opção por ficar com a família. Desejo a ele muito amor e felicidade”, afirmou a ponteira Anne Buijs, atualmente no Rexona-Sesc.


Quem foram os melhores do vôlei feminino em 2016?
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João Batista Junior

2016 foi o ano de Ting Zhu, de grandes investimentos na Turquia e persistentes no Brasil (fotos: FIVB e Vitor Ricci/Ford Sports)

Ano olímpico do vôlei teve destaques de várias vertentes (fotos: FIVB e Vitor Ricci/Ford Sports)

Uma lista de melhores do esporte em 2016 tem de começar ou passar, obrigatoriamente, pelas Olimpíadas do Rio. Isso não quer dizer, no entanto, que essa lista precise se ater apenas ao evento.

Entre os melhores do ano no vôlei feminino, o leitor poderá/deverá discordar, mas foram excluídos times e seleções. A razão foi simples: ninguém foi dominante nas quadras este ano. Nem o Rexona, campeão da Superliga pela 11ª vez, mas quinto no Mundial de Clubes, nem o Eczacibasi VitrA, bicampeão mundial, mas precocemente eliminado no Europeu e entrando como convidado para jogar nas Filipinas, nem a seleção brasileira, campeã do GP, mas quinta no Rio, nem a seleção chinesa, ouro no Rio e desinteressada na reta final do GP.

Enumeramos, por outro lado, duas jogadoras, uma treinadora, uma liga e um sinal positivo para o esporte como destaques de 2016. A lista não tem ordem de preferência ou de importância, a sequência dos nomes foi determinada pelo alfabeto. Dê uma olhada:

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Boskovic no GP: 30 pontos contra o Brasil na vitória por 3 a 2

Boskovic no GP: 30 pontos contra o Brasil na vitória por 3 a 2

BOSKOVIC
A oposta Tijana Boskovic surgiu na seleção sérvia adulta colocando no banco ninguém menos que a veterana Jovana Brakocevic, no Mundial da Itália 2014. A partir dali, ela não perdeu mais a titularidade da saída de rede do time dirigido por Zora Terzic.

No Grand Prix deste ano, conseguiu destacar-se nas poucas vezes em que a Sérvia mandou para a quadra o time titular. Na virada de 3 a 2 sobre o Brasil, pela segunda semana do torneio, ela marcou nada menos que 30 pontos – quase o dobro das maiores pontuadoras adversárias naquele dia, Natália e Fabiana, com 16.

Quando foi a vez da competição máxima do esporte, Boskovic não decepcionou. Maior pontuadora da Sérvia na Rio 2016 – terceira no geral –, a atacante de 19 anos foi uma das chaves para que sua seleção chegasse à inédita medalha olímpica de prata.

O ano de ouro da oposta até poderia acabar por aí, mas, no Mundial de Clubes das Filipinas, ela foi a terceira maior pontuadora do torneio, a segunda melhor atacante e ainda conquistou o título com o Eczacibasi VitrA.

Chinesas comemoram o ouro na Rio 2016

Chinesas comemoram o ouro na Rio 2016

LANG PING
Observe a foto ao lado. A China acabara de se sagrar tricampeã olímpica. As jogadoras orientais pulam, gritam, correm, se multiplicam numa alegria que não cabe em si. Meio absorta, talvez olhando para o alto da arquibancada ou para o telão ou para o teto do Maracanãzinho ou para um vazio impossível, Lang Ping, com uma mão para trás e um sorriso indisfarçável, é a pessoa mais feliz do Rio de Janeiro naquela noite de sábado.

O “Martelo de Ferro”, como era chamada quando jogava, havia chegado perto duas vezes de repetir, como treinadora, o título que conquistou com a China em Los Angeles/1984: dirigiu a seleção chinesa vice-campeã olímpica em Atlanta 1996 e os EUA em Pequim 2008.

Mas, em 2016, apesar da juventude da equipe que comandava e dos resultados fracos na primeira fase, ela se tornou a primeira personalidade do voleibol mundial a conquistar a medalha olímpica de ouro como jogadora e também como treinadora.

De quebra, Lang Ping, que não sabe se continuará à frente da seleção chinesa, ainda mostrou, por duas vezes, que o torneio anual da FIVB precisa de ajustes. Ou, do contrário, servirá como certame meramente preparatório. Tanto no ano passado quanto neste, ela levou as principais jogadoras da seleção chinesa para disputar a fase classificatória do GP, mas mandou um time B para as finais. Coincidência ou não, a tática deu resultado em ambas ocasiões: se a China venceu o torneio olímpico em agosto passado, venceu também a Copa do Mundo 2015, duas conquistas que o voleibol chinês há um bom tempo não tinha.

A volta de Jaqueline ao Minas foi uma das grandes contratações da temporada no vôlei brasileiro (Orlando Bento/MTC)

A volta de Jaqueline ao Minas foi uma das grandes contratações da temporada no vôlei brasileiro (Orlando Bento/MTC)

PERSISTENTES
N
ão é segredo para ninguém que o esporte brasileiro no período pós-olímpico foi abalroado pela crise financeira, e o vôlei não foi exceção. O São José desistiu de disputar a Superliga masculina e a Voleisul/Paquetá, sem grana, não pôde aceitar o convite de substituir os paulistas. No feminino, a equipe de Araraquara até foi socorrida depois de perder o patrocinador na temporada passada, mas, neste ano, não conseguiu colocar o time em quadra e acabou abrindo mão da Superliga feminina. O Sesi, como se sabe, diminuiu drasticamente o investimento no vôlei feminino, o que tem feito a equipe cumprir uma campanha terrível no nacional. Mas nem tudo é crise: há os persistentes.

Contra a maré, o Dentil/Praia Clube não só manteve as principais jogadoras do vice-campeonato da Superliga 2015/2016 como também contratou uma das melhores centrais do mundo, Fabiana. O Camponesa/Minas, para não deixar por menos, trouxe a ponteira Jaqueline e a oposta norte-americana Destinee Hooker, duas jogadoras que, sem maiores delongas, são estrelas do vôlei mundial. E o Genter Vôlei Bauru repatriou a campeã olímpica Mari e contratou duas jogadoras da seleção dominicana, a ponteira Prisila Rivera e a líbero Brenda Castillo – talvez a melhor do mundo na posição.

Além disso, a edição 2017 da Superliga B tem tudo para, de fato, atrair a atenção do fã do voleibol: se José Roberto Guimarães vai comandar o Hinode/GRB/Barueri, com jogadoras como as ponteiras Érika Coimbra e Suelle, a central Fê Ísis e a levantadora Ana Cristina, a ex-jogadora Cristina Pirv vai gerir o BRH-Sulflex/Curitibano, que terá na atacante campeã olímpica Valeskinha sua maior estrela.

Ting Zhu foi a grande jogadora do ciclo olímpico para a Rio 2016

Ting Zhu foi a grande jogadora do ciclo olímpico para a Rio 2016

TING ZHU
Com 22 anos completados em novembro, Ting Zhu foi a grande jogadora do ciclo olímpico que acabou. A ponteira chinesa foi campeã e eleita melhor jogadora da Copa do Mundo 2015, repetindo a dobradinha na Rio 2016. Se a China titubeou na primeira fase, passou aos mata-matas com três derrotas na conta, ela tratou de conduzir o time para uma medalha de ouro que, em certo momento, parecia improvável.

Maior pontuadora nas Olimpíadas, Ting Zhu não se apequenou diante de uma seleção brasileira empurrada por 12 mil torcedores no Maracanãzinho. Ela fez 28 pontos na partida que se tornou uma mais dolorosas derrotas do esporte brasileiro nos Jogos. Nas semifinais, marcou 33 pontos contra a Holanda, num jogo de quatro sets decididos por contagem mínima. E na decisão, comandou a virada contra a Sérvia com 25 pontos.

Finda a temporada da seleção, apresentou-se a seu novo clube, o VakifBank, da Turquia, e continua brilhando: ela é o grande destaque do time, que lidera invicto a liga turca.

VÔLEI TURCO
Pouca gente vai discordar que o voleibol italiano, historicamente, seja o “eldorado” da modalidade, possua a liga mais competitiva, os clubes mais bem estruturados etc. Contudo, é inegável que o crescimento do vôlei turco nos últimos dois ciclos olímpicos tenha ampliado os horizontes dos profissionais do esporte, a tal ponto que, hoje, o campeonato local rivalize com o da Itália – e talvez, até, o supere em importância e qualidade. A montagem de elenco dos grandes clubes nesta temporada é um exemplo de o quanto se tem investido em voleibol na Turquia.

Natália trocou o vôlei brasileiro pelo turco, nesta temporada (Divulgação/Fenerbahçe)

Natália trocou o vôlei brasileiro pelo turco, nesta temporada (Divulgação/Fenerbahçe)

Três das quatro principais equipes do país (o Galatasaray é a exceção) foram turbinadas por contratações de grande relevo para esta temporada. O Fenerbahçe, que já contava com a craque sul-coreana Kim Yeon Koung, tem a levantadora tailandesa Nootsara Tomkom e a ponteira da seleção brasileira Natália. O VakifBank, atual campeão nacional, contratou a ponta chinesa Ting Zhu, além de manter no elenco a norte-americana Kimberly Hill (MVP do Mundial de 2014), a central sérvia Milena Rasic e a oposta holandesa Lonneke Slöetjes. E o Eczacibasi VitrA, que montou uma “seleção mundial”, manteve Boskovic e a norte-americana Jordan Larson no elenco e trouxe gente do gabarito das centrais Rachael Adams (norte-americana) e Thaisa, da ponteira russa Tatiana Kosheleva.

Como a liga turca só permite que cada time utilize até três estrangeiras em quadra por vez, só na Liga dos Campeões é possível vê-las todas em ação. Mas isso não diminui o interesse pelo campeonato nacional, que tem, inclusive, destaques noutras equipes, como a brasileira Joycinha, no Bursa Sehíd, e a belga Lise Van Hecke, com passagem pelo Vôlei Nestlé na temporada passada, atuando agora no Besiktas.


Do banco, Thaisa vê time campeão mundial levar virada incrível na Turquia
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João Batista Junior

Thaisa pouco pôde fazer na derrota do Eczacibasi VitrA para o VakifBank (foto: Eczacibasi VitrA)

Thaisa pouco pôde fazer na derrota do Eczacibasi VitrA para o VakifBank (foto: Eczacibasi VitrA)

O fim de semana dos brasileiros na Turquia teve atuação marcante de Joycinha e derrotas em tie break para duas das titulares da seleção brasileira – Thaisa e Natália. Na Itália, Adenizia foi bem, mas não conseguiu levar o time à vitória, enquanto time de Suelen lidera o campeonato, e Kadu, na superliga masculina, ajudou sua equipe a chegar ao G8.

Veja um resumo:

TURQUIA
Na revanche da semifinal do Mundial feminino de Clubes deste ano, o VakifBank se vingou da derrota sofrida para o Eczacibasi VitrA. E com requintes de crueldade! Sábado, pela liga turca feminina, depois de abrirem 2 sets a 0 e terem vantagem de 20-10 na terceira parcial, as atuais campeãs do mundo sofreram um revés inacreditável e perderam por 3 a 2 (27-29, 17-25, 25-22, 25-21, 15-10). A ponteira chinesa do Vakif, Ting Zhu, MVP na Rio 2016, marcou 28 pontos.

Por conta do regulamento na Turquia, que só permite que uma equipe tenha três estrangeiras em quadra por vez, a central Thaisa ficou no banco de reservas, só entrando esporadicamente na partida – quase sempre em alguma substituição dupla que envolvesse a saída da ponteira russa Kosheleva. A brasileira marcou apenas dois pontos.

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Natália (12) tenta bloquear o ataque de Mia Jerkov (Fenerbahçe)

Natália (12) tenta bloquear o ataque de Mia Jerkov (Fenerbahçe)

No domingo, o Fenerbahçe, da ponteira Natália, perdeu por 3 a 2 para o Çanakkale (22-25, 25-22, 25-18, 19-25, 15-6). Com atuação discreta, a atacante brasileira, que foi titular nos quatro primeiros sets e entrou no decorrer do tie break, marcou oito pontos na partida e teve apenas 25% de aproveitamento no ataque.

Quem foi, de fato, muito bem na rodada foi a oposta Joycinha. A atacante do Bursa Sehíd marcou 31 pontos na vitória de sua equipe por 3 a 1 sobre o Nílüfer (25-21, 25-16, 18-25, 25-18), e teve um ótimo aproveitamento de 71% no ataque.

O Bursa aparece na terceira colocação na liga turca feminina, atrás do líder VakifBank e do Eczacibasi VitrA. O Fenerbahçe é apenas o quinto colocado.

Na liga masculina, Lipe foi o maior pontuador do Halkbank no 3 a 1 aplicado sobre o Zíraat Bankasi (18-25, 25-21, 29-27, 25-22). O ponteiro brasileiro obteve três pontos de bloqueio, três aces e 61% de aproveitamento no ataque. Seu time ocupa a quarta posição do campeonato.

Já o líder da liga turca masculina, o Arkas Spor, dos ponteiros brasileiros Maurício Borges e João Paulo Bravo, bateu o Tokat Belediye Plevne também por 3 sets a 1 (41-43, 25-22, 25-22, 25-16). Campeão olímpico este ano, Borges começou como titular, mas terminou zerado no primeiro set – nenhum ponto assinalado em seis tentativas no ataque – e foi substituído por J. P. Bravo, que marcou 13 pontos.

Vibo Valentia comemora vitória sobre Ravenna (Reprodução: Facebook/Vibo Valentia)

Vibo Valentia comemora vitória sobre Ravenna (Reprodução: Facebook/Vibo Valentia)

ITÁLIA
Depois de um mau início no campeonato, o time “mais brasileiro” da Superliga Italiana masculina de Vôlei entrou na zona de classificação para os playoffs. Pela 12ª rodada da competição, o Tonno Calippo Calabria Vibo Valentia bateu o Bunge Ravenna por 3 a 1 (25-22, 28-26, 20-25, 28-26) e tomou a oitava posição do rival.

Titular, o ponteiro Kadu assinalou 15 pontos e foi o segundo pontuador do Vibo Valentia. O também ponteiro Thiago Alves, que marcou oito pontos, entrou em quadra a partir do segundo set. O central Deivid, titular na última parcial, obteve quatro acertos, todos no ataque.

Já o Exprivia Molfetta, do ponteiro João Rafael e do levantador Thiaguinho, não foi páreo contra o líder Cucine Lube Civitanova e perdeu por 3 a 1 (25-15, 22-25, 25-20, 25-17). Os dois brasileiros foram titulares: o atacante terminou a partida com 12 anotações e o armador, duas. O Molfetta é apenas o 12º colocado entre 14 times participantes na superliga.

Ele ainda não ganhou nenhum jogo, mas é destaque na Superliga

Suelen em ação contra Monza (Filippo Rubin/LVF)

Suelen em ação contra Monza (Filippo Rubin/LVF)

Pelo feminino, o Foppapedretti Bergamo, da líbero Suelen, venceu o Saugella Team Monza por 3 sets a 1 (25-10, 20-25, 25-22, 31-29), com 25 pontos da oposta polonesa Skowronska. O resultado manteve a equipe na liderança da competição com 18 pontos e seis vitórias em sete jogos, um ponto a mais que o Pomì Casalmaggiore.

Quarto colocado, o Savino Del Bene Scandicci, da central Adenizia, perdeu para o Busto Arsizio de virada por 3 a 2 (20-25, 18-25, 25-22, 25-20, 15-11). A meio de rede brasileira marcou 18 pontos, sendo cinco de bloqueio, mas seu time não conseguiu parar Valentina Diouf, que assinalou 30 pontos para levar sua equipe ao terceiro lugar da tabela.

Sesi e Brasília: opostos na tabela e na grade de programação

OUTRAS LIGAS
Na rotina de vitórias na liga feminina da Suíça, o Volero Zürich, da levantadora Fabíola e da ponta Mari Paraíba, venceu o Köniz, no domingo, por 3 a 0 (25-10, 25-14, 25-12). O time lidera com 26 pontos e invicto, após nove rodadas.

Na PlusLiga, a liga masculina de vôlei da Polônia, o oposto brasileiro Rafael Araújo marcou nove vezes no placar na vitória do MKS Bedzin por 3 a 0 sobre o lanterna Bielsko-Biala (25-12, 25-19, 25-13). Sua equipe ocupa a décima posição do campeonato.