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Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


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Carolina Canossa

Apoio do Rexona será encerrado com o Mundial de clubes, em maio (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX)

A bomba solta por Fernanda Venturini na segunda (13) teve sua confirmação oficial no fim da tarde desta quarta (14): depois de 20 anos, a Unilever decidiu sair do vitorioso projeto iniciado em Curitiba e amadurecido no Rio de Janeiro. O ponto final da parceria será dado no Mundial de Clubes, programado para maio, no Japão.

Claro que a chegada de uma notícia como esta jamais será boa. Diante das dificuldades cada vez maiores neste período de ressaca olímpica, perder um apoiador de tal porte pode significar a saída de atletas de alto nível do país, sem contar com o menor incentivo na formação de jogadoras. Porém, não deve ser tratado como o fim do mundo. Explico as razões:

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– A saída não foi repentina. Boatos de uma possível mudança de estratégia no marketing da Unilever já estavam ocorrendo há pelo menos um ano e meio. A empresa, por exemplo, teve a sensibilidade de fazer uma transição adequada com o Sesc para não deixar profissionais sem trabalho de uma hora para outra, diferente do que já aconteceu em outras rupturas. Para quem não se lembra, em 2014 a Amil chegou a anunciar a substituição do técnico José Roberto Guimarães por Paulo Coco apenas uma semana antes de retirar o investimento, pegando as próprias atletas de surpresa;

– Apesar de ainda não estar claro qual será o nível de investimento do Sesc na próxima temporada, o time continuará na ativa. Mesmo que o orçamento seja menor, há a esperança de ao menos jovens atletas terem uma oportunidade de despontar em alto nível. Vale destacar que o Sesc já apoia um time masculino no Rio, comandado por Giovane Gávio, com um dinheiro razoável para a disputa da Superliga B;

Projeto começou no Paraná, onde ficou até 2003 (Fotos: Divulgação)

– O Rexona não é o primeiro e, infelizmente, não será a última equipe a passar por isso no vôlei nacional. Mas, ainda assim, o esporte continua. Pouco após a conquista do primeiro ouro olímpico no feminino, em Pequim 2008, o Bradesco decidiu romper o apoio dado a Osasco através da Finasa. Houve um certo pânico da época, mas o time está na ativa até hoje ao lado de um novo patrocinador, a Nestlé, que em 2011/2012 praticamente repetiu a escalação da seleção brasileira na equipe.

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A situação do vôlei brasileiro de clubes é perfeita? Longe disto. Há muita coisa a ser feita ainda. Aumentar a visibilidade dos patrocinadores, inclusive com a menção dos nomes deles pela Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão, é essencial. Mas, culpar apenas isso e a crise econômica vivida pelo Brasil pela saída da Unilever do vôlei, é analisar a situação de forma rasa.

Amil encerrou o projeto no vôlei uma semana após anunciar troca de técnicos

Isso porque crises econômicas não são exatamente uma novidade no país, que já viveu outros momentos de finanças em baixa desde 1997, data do início do apoio da Unilever ao time de Bernardinho. Além disso, nunca a Globo se dispôs a falar os nomes reais das equipes em quadra, sempre apelando para denominação de clubes ou das cidades nas quais são sediados. Ainda assim, a empresa permaneceu no jogo durante 20 anos e, quem conhece um mínimo de marketing e ambiente corporativo, sabe que isso não aconteceu por solidariedade. Se não desse retorno, eles certamente não teriam ficado tanto tempo no projeto. O mesmo acontece com outros times e grandes empresas que investem no esporte: ninguém colocaria dinheiro (que não é pouco) no vôlei se o produto não fosse bom.

Ciclos acabam e estratégias mudam. É da vida. Ao invés de se lamentar e promover uma “caça às bruxas”, quem gosta de vôlei precisa trabalhar (ou cobrar) mudanças no que não está bom. Só assim o Brasil continuará a crescer na modalidade.


Fernanda Venturini revela: Unilever vai deixar o vôlei
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João Batista Junior

Venturini lamenta o fim do apoio de 20 anos: “No Brasil, o esporte não é muito estimulado” (Foto: Reprodução/Facebook)

Em entrevista transmitida online pela Revista Veja, no final da tarde desta segunda-feira (13), a ex-levantadora Fernanda Venturini trouxe uma bomba para o mundo do voleibol: esta será a última Superliga da Unilever. “Depois de 20 anos, a Unilever, Rexona-Sesc este ano, está saindo, é uma pena. Foram 20 anos sensacionais, uma empresa fantástica”, acentuou.

Esposa do técnico Bernardinho, treinador do Rexona, Venturini ressaltou que “no Brasil, o esporte não é muito estimulado”, e comparou a situação daqui com a da maior potência esportiva do mundo, os Estados Unidos.

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Você vê: nos EUA, são 300 universidades onde jogam vôlei. É surreal olhar lá fora e querer comparar aqui. Então, a gente não tem nenhum incentivo. Lá, você bota uma menina pra jogar vôlei numa escolinha, você paga uma grana, mas sabe que ela vai pra uma universidade de graça. Então, o vôlei lá vale ouro. Como futebol americano, beisebol e basquete pegam muita bolsa masculina, no feminino, sobra muito para o vôlei”, explicou Venturini. “Hoje, no Brasil, não tem incentivo do governo, da prefeitura. A gente incentiva quando? Quando vai ter uma Olimpíada, um Mundial, coisa assim pontual”, comparou.

Time de Bernardinho é o maior campeão brasileiro, com 11 títulos (Foto: Alexandre Arruda)

Participando da Superliga desde 1997, quando a sede do projeto ainda era em Curitiba, a Unilever conquistou 11 títulos nacionais e quatro sul-americanos. A equipe, que joga nesta temporada como Rexona-Sesc, venceu a Copa Brasil e a Supercopa, foi quinta colocada no Mundial de Clubes e terminou a fase classificatória do nacional na liderança – pega o Pinheiros nas quartas de final.

Entre os dias 8 e 14 de maio, o time sediado no Rio de Janeiro ainda joga o Mundial de Clubes de Kobe, no Japão. A competição terá a participação também do Vôlei Nestlé, que jogará como uma das quatro equipes convidadas pela FIVB.


Memória: cinco jogos inesquecíveis no sessentão Ibirapuera
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João Batista Junior

Um dos grandes palcos do vôlei brasileiro, o Ibirapuera completa 60 anos (foto: FIVB)

Um dos grandes palcos do vôlei brasileiro, o Ibirapuera completa 60 anos (foto: FIVB)

Se a cidade de São Paulo completa 463 anos nesta quarta-feira, o Ginásio Estadual Geraldo José de Almeida também faz aniversário. Inaugurado em 25 de janeiro de 1957, o Ginásio do Ibirapuera, como é mais conhecido, completa 60 anos, tendo no histórico uma respeitável lista de grandes eventos esportivos. Foi um dos locais de competição dos Jogos Pan-Americanos de 1963, abrigou nada menos que três decisões de mundiais femininos de basquete (1971, 1983 e 2006), foi a sede principal do único campeonato mundial adulto de handebol já disputado no continente americano (o feminino de 2011).

A história do voleibol brasileiro também passa pelo Ibirapuera, e o Saída de Rede relembra cinco grandes jogos disputados no ginásio.

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Isabel foi um dos destaques da seleção brasileira no Mundialito de 1982

Isabel foi um dos destaques da seleção brasileira no Mundialito de 1982

Mundialito de 1982: Brasil vs. Coreia do Sul

Quinto set, a seleção feminina da Coreia do Sul vencia o Brasil por 14-8… Mesmo numa época em que ainda havia a vantagem, ou seja, era preciso ter o saque para marcar um ponto, parecia que a partida, válida pelo Mundialito, estava definida em favor das asiáticas. Numa reação incrível, que levou à loucura os mais de 20 mil torcedores presentes ao ginásio do Ibirapuera, o Brasil marcou oito pontos seguidos, fechou o set em 16-14 e a partida por 3-2, numa atuação memorável da ponteira Isabel Salgado, então com 22 anos.

Era o final de agosto de 1982 e dali a duas semanas teria início o Mundial feminino, no Peru. Como ocorre na preparação para grandes torneios, as seleções faziam seus últimos ajustes antes da principal competição da temporada. Foi no ginásio do Ibirapuera que Brasil, Japão, União Soviética, Coreia do Sul, Argentina e um combinado paulista (substituindo o México) participaram do Mundialito, competição amistosa transmitida pela TV Record, com narração de Luciano do Valle, que catapultou à fama Isabel, Vera Mossa e Jacqueline.

Londres 2012: Brasil não pode reivindicar medalha antes de punição à Rússia

O Brasil terminou o torneio em segundo lugar, atrás do Japão. Aliás, a vitória sobre a URSS, de virada, por 3-2, foi outro jogo memorável. Pena que no Mundial o time tenha ficado apenas em um modesto oitavo lugar, mas aquelas partidas no Ibirapuera até hoje são lembradas por quem viveu a época.

Nove vezes campeã da Liga Mundial, a seleção brasileira levantou seu primeiro título no Ibirapuera, em 1993 (foto: reprodução/internet)

Nove vezes campeã da Liga Mundial, a seleção brasileira levantou seu primeiro título no Ibirapuera, em 1993 (foto: reprodução/internet)

Liga Mundial de 1993: Brasil vs. Itália

Quando Brasil e Itália se enfrentaram em 1993, no Ibirapuera, pelas semifinais da Liga Mundial, o jogo tinha um interesse incomum para as edições atuais do torneio. Para a seleção brasileira, a partida tinha sabor de revanche, já que a Itália, de Giani, Gardini, Tofoli, Zorzi, Cantagalli, Luchetta, havia sido campeã mundial no Rio, em 1990, eliminando o time verde e amarelo também nas semifinais. Para a Azzurra, do outro lado da rede, o duelo era um tira-teima, pois, em Barcelona 1992, a equipe caíra para a Holanda nas quartas de final e não pôde evitar que o ouro ficasse com a seleção comandada por José Roberto Guimarães.

Quando a bola subiu, na tarde daquela sexta-feira, 30 de julho, prevaleceu o voleibol de quem tinha a torcida a seu favor, de quem só havia perdido um set em dez jogos disputados em casa na competição, de quem desfrutava das combinações de ataque orquestradas pelo levantador Maurício.

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Com um inapelável 3 a 0 (15-11, 15-11, 15-9), o Brasil se credenciou para jogar a final e decretou que o troféu daquela Liga Mundial não iria para a coleção italiana – aliás, entre 1990 e 1995, foi a única edição do torneio não conquistada pela Itália. Na decisão, no dia seguinte, o Brasil emplacou um novo 3 a 0 – dessa vez, sobre a Rússia – e manteve a aura campeã daquele time.

Cuba, de Mireya Luis, frustrou a torcida brasileira no Mundial de 1994 (foto: reprodução/internet)

Cuba, de Mireya Luis, frustrou a torcida brasileira no Mundial de 1994 (foto: reprodução/internet)

Campeonato Mundial feminino de 1994: Brasil vs. Cuba

A década de 1990 mudou radicalmente o patamar da seleção brasileira feminina de vôlei. Quem antes sonhava superar o Peru nas competições continentais passou a frequentar o pódio dos principais torneios mundo afora, com força o bastante para bater potências como EUA, Rússia, Japão e China, e com argumento suficiente para tentar contestar a hegemonia cubana. O ponto chave dessa virada foi em 1994.

Naquele ano, o primeiro sob o comando de Bernardinho, o time de Ana Moser, Márcia Fú, Hilma, Fernanda Venturini se sagrou vencedor do Grand Prix e passou a acreditar que, sim, era possível conquistar, em casa, um título mundial.

Depois de uma campanha invicta e uma semifinal infartante contra a Rússia, o Brasil tinha Cuba pela frente. Mais do que a final do campeonato mundial de 1994, estava em quadra uma rivalidade que marcaria a década.

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As cubanas, como lembrariam mais tarde as jogadoras brasileiras, entraram para aquecer no Ibirapuera com bobes no cabelo, dando a impressão de que a partida era apenas um compromisso a mais antes da festa. E, no jogo, foi exatamente o que aconteceu.

Um tanto nervoso pela final inédita, um tanto cansado pelos cinco sets disputados na véspera, o time da casa não ofereceu resistência à equipe de Carvajal, Mireya Luis, Regla Torres. O público paulistano viu Cuba aplicar um sonoro 3 a 0 (15-2, 15-10, 15-5) e levantar o título sem perder um set, sequer, em todo o campeonato.

Natália: 28 pontos pelo Osasco, na final da Superliga 2009/10 (divulgação)

Natália: 28 pontos pelo Osasco, na final da Superliga 2009/10 (divulgação)

Superliga feminina 2009/2010 – Sollys/Osasco vs. Unilever

A final da Superliga em jogo único foi Instituída na temporada 2007/2008, mas só em 2010 o Ibirapuera recebeu a primeira decisão nesses moldes. O jogo era um óbvio Sollys/Osasco vs. Unilever. Àquela altura, era a sexta final consecutiva entre as duas equipes e as cariocas buscavam o quinto título seguido.

Depois de uma apertada vitória na primeira parcial, as osasquenses viram as visitantes virarem para 2 a 1. Contudo, depois de um começo meio devagar, Natália, que jogava de oposta no clube e ponteira na seleção, levou um (célebre) cartão amarelo na reta final do terceiro set e, subitamente, cresceu no jogo e mudou o rumo da final.

Jaqueline acabou eleita a melhor jogadora da partida, mas os 28 pontos assinalados por Natália, na vitória do Osasco sacramentada em 3 a 2 (25-23, 18-25, 19-25, 25-13, 15-12), se tornaram uma marca ainda não igualada nas decisões de Superliga feminina que se seguiram.

Unilever comemora título nacional da temporada 2012/13 (Alexandre Arruda/CBV)

Unilever comemora título nacional da temporada 2012/13 (Alexandre Arruda/CBV)

Superliga feminina 2012/2013 – Unilever vs. Sollys/Osasco

Havia dois bons motivos para que a nona final consecutiva de Superliga feminina entre Unilever e Sollys/Osasco tivesse gosto de revanche para as cariocas. Não bastasse a partida final da temporada 2012/2013 ser no mesmo Ibirapuera da decisão de três anos antes, as osasquenses haviam sido campeãs, em 2012, com um acachapante 3 a 0 dentro do Maracanãzinho!

Na manhã daquele domingo, 7 de abril de 2013, parecia que as atletas da Unilver haviam perdido a hora. O time visitante demorou para acordar no jogo e quando deu por si, o placar marcava 2 a 0 para as paulistas. Contudo, com a canadense Sarah Pavan na saída de rede, Natália na entrada e Fofão no levantamento, a equipe dirigida pelo técnico Bernardinho tinha meios para reverter a situação e assim o fez.

A Unilever venceu por 3 sets a 2 (22-25, 19-25, 25-20, 25-15, 15-9) e levantou o troféu da Superliga pela oitava vez.

Depois desse jogo, o time do Rio de Janeiro permaneceu assíduo frequentador das decisões nacionais e venceu todas elas, ao passo que a equipe de Osasco só chegou à partida final uma vez – em 2015 (o Sesi foi o vice-campeão em 2014 e o Praia, em 2016). E desde então, o Ibirapuera não recebeu nenhuma outra final de Superliga feminina ou masculina.

Colaborou Sidrônio Henrique


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