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Arquivo : Superliga feminina

Ellen ressuscita Praia Clube e leva o time à semifinal da Superliga
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Sidrônio Henrique

Ellen Braga marcou 17 pontos. Sua entrada mudou o rumo do jogo (Divulgação/Praia Clube)

O Dentil/Praia Clube está na semifinal da Superliga 2016/2017. Numa noite em que a ponteira Ellen Braga veio do banco e deu equilíbrio a um time que parecia perdido no terceiro e decisivo jogo das quartas de final, a equipe de Uberlândia venceu de virada, em casa, o Terracap/BRB/Brasília Vôlei por 3-1 (22-25, 25-17, 25-20, 25-14). O Praia Clube fez 2-1 na série e agora vai enfrentar o Vôlei Nestlé.

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O time do Planalto Central, no quarto ano do projeto, mais uma vez parou nas quartas de final – resultado honroso para a equipe da capitã Paula Pequeno e do técnico Anderson Rodrigues. Vindo de uma vitória em sets diretos na segunda partida, como anfitrião, o Brasília começou o confronto na noite deste sábado (25) dando sinais de que finalmente chegaria à semifinal da Superliga. Aproveitou-se de um problema crônico do Praia Clube, a fragilidade da linha de passe, e com um saque eficiente, combinado com uma boa relação bloqueio-defesa, venceu a primeira parcial.

Novo rumo
Porém, logo no início do segundo set, a partida teve uma mudança de rumo. O técnico do Praia, Ricardo Picinin, sacou a ponta Michelle Pavão e colocou em quadra Ellen Braga, que havia feito uma rápida passagem no primeiro set. A substituta já havia tido boas atuações no torneio – ganhou ontem seu quarto troféu Viva Vôlei da temporada. Na decisão da vaga para a semifinal, foi efetiva no ataque, atenta na cobertura na defesa e deu alguma contribuição na recepção. Mais do que isso, animou uma equipe que estava abatida.

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A levantadora Claudinha, do Praia Clube, percebendo o bom momento de Ellen, a acionou constantemente no ataque logo que ela entrou, desafogando a outra ponteira, a americana Alix Klineman, que esteve apática na primeira parcial. Quando voltou a receber bolas de forma mais constante, Alix era outra jogadora. A americana foi a maior pontuadora da partida, com 19, enquanto Ellen, com menos tempo em quadra, veio em seguida com 17. No ataque, ambas marcaram 15 pontos. A diferença é que Alix recebeu 35 levantamentos e Ellen, 25. Você confere aqui as estatísticas do jogo fornecidas pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). A central Fabiana Claudino, do Praia, que na última rodada do returno sofreu um estiramento na planta do pé (fascite plantar), segue fazendo tratamento.

Depois de perder a parcial inicial, a exemplo do primeiro jogo, o Praia Clube virou a partida (Túlio Calegari/Praia Clube)

Adversário acuado
É bom que se diga, além da mudança de ritmo no lado mineiro com a entrada de Ellen, o Brasília Vôlei encolheu o braço. Ao final da partida, numa entrevista ao SporTV, a veterana ponteira Paula Pequeno lamentou a falta de consistência. De fato, a partir do segundo set, quase nada funcionou na equipe da capital federal – a última parcial foi melancólica. O saque, arma fundamental no início, foi quase inofensivo no restante do jogo. Com isso, dificultou a vida do sistema defensivo do Brasília. Para complicar ainda mais, o time desperdiçou muitos contra-ataques.

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Outro problema foi o baixo aproveitamento na saída de rede, algo que se repetiu várias vezes ao longo desta edição da Superliga. Em quatro sets, a oposta Andreia Sforzin recebeu apenas 18 levantamentos, colocando oito bolas no chão – terminou a partida com nove pontos. Isso sobrecarregou a entrada, com Paula e Amanda. Não, a levantadora Macris não esqueceu sua oposta. Andreia é que não vem rendendo, o que dificultou o desempenho da equipe. Para efeito de comparação, na noite deste sábado, Paula foi acionada 39 vezes, mais que o dobro daquela que deveria ser a referência do time no ataque.

O Camponesa/Minas, de Destinee Hooker, enfrenta o Rexona-Sesc na semifinal (Orlando Bento/MTC)

Semifinais
Os confrontos das semifinais serão entre o onze vezes campeão Rexona-Sesc, do técnico Bernardinho e da ponta Gabi, e o Camponesa/Minas, da oposta Destinee Hooker e da ponteira Jaqueline Carvalho, enquanto na outra série se enfrentarão Praia Clube e Vôlei Nestlé, time da levantadora Dani Lins e da ponta Tandara.

O Minas perdeu do Rexona nas três vezes em que se enfrentaram esta temporada e terá uma tarefa difícil, ainda que Bernardinho politicamente empurre o favoritismo para o tradicional time de Belo Horizonte. Praia Clube e Vôlei Nestlé tiveram uma vitória cada nas duas partidas na Superliga 2016/2017. A equipe de Osasco vem apresentando maior regularidade desde o returno e tem ligeiro favoritismo – no confronto mais recente, o clube paulista venceu por 3-0, minando com sucesso a cubana Daymi Ramirez no passe.

A primeira rodada da série semifinal, disputada em melhor de cinco jogos, será esta semana. O Saída de Rede recebeu a informação que falta apenas a CBV definir se uma partida será na noite de quinta-feira (30) e a outra no dia seguinte, ou se ambas serão na sexta-feira (31). A Confederação decidirá nesta segunda-feira (27).


Mesmo derrotados, Pinheiros e Bauru se destacam na abertura dos playoffs
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Carolina Canossa

Bárbara deu muito trabalho para as jogadoras do Rexona (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

Atual campeão, o Rexona-Sesc é favoritíssimo para conquistar um lugar na semifinal da Superliga feminina de vôlei. O mesmo acontece com o Camponesa/Minas, que investiu alto nesta temporada para voltar a uma decisão que não disputa desde 2004. Ambos os times, porém, por pouco não foram surpreendidos respectivamente por Pinheiros e Genter Vôlei Bauru na primeira rodada dos playoffs das quartas de final da disputa.

Mas por que não tivemos duas zebras logo no primeiro mata-mata do torneio? Em poucas palavras, faltou tranquilidade e resistência à pressão por parte das atletas dos times paulistas. Pinheiros e Bauru viveram noites inspiradas, de suas melhores na competição diante de adversários que jogaram abaixo do que sabem, mas cometeram erros individuais em excesso e/ou quando não podiam. Pagaram caro por isso.

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Técnico de Bauru, Marcos Kwiek reage a jogada em BH (Foto: Orlando Bento/MTC)

O caso do Bauru é o mais emblemático: foram 35 pontos cedidos ao Minas, cujas ponteiras estiveram mal tanto no ataque quanto no passe – sendo assim, as centrais Carol Gattaz e Mara foram pouco acionadas em ações ofensivas e o Minas perdeu uma de suas principais armas. A virada e o placar de 3 a 2 tiveram que ser construídos em cima do talento de Destinee Hooker. A americana atacou de todas as posições e terminou o duelo com incríveis 32 pontos, beirando os 50% de eficiência no ataque em um jogo no qual foi muito marcada. A oposta foi a maior beneficiada pela saída de Naiane e a entrada da levantadora reserva Karine, com quem joga muito melhor. Reflexo dos tempos em que ambas estiveram juntas em Osasco?

E, quando Hooker está inspirada, não se pode vacilar. Apesar do bom sistema defensivo comandado pela dominicana Brenda Castillo, Bauru ainda peca demais com falhas individuais, o que minou as pretensões da equipe em Belo Horizonte e ajudou a consagrar Mara, um monstro nos bloqueios. Será dura a tarefa de esquecer a enorme chance desperdiçada e focar em melhorar até terça (21) à noite, quando o ginásio Panela de Pressão, no interior paulista, recebe o segundo jogo da série melhor-de-três.

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Hooker jogou muito após a entrada de Karine em quadra (Foto: Orlando Vento/MTC)

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O Pinheiros, por sua vez, não esteve tanto perto da vitória quanto Bauru. Ainda assim, dentro das limitações que possui, fez uma de suas melhores partidas nos últimos meses. Apostando em uma estratégia agressiva de saque viagem, colocou até mesmo a experiente líbero Fabi em apuros. O problema, no caso, nem foram os erros individuais em si, mas quando eles ocorreram: na reta final de três das quatro parciais disputadas, algo fatal diante de um time tão consistente como o Rexona. Não se engane pelo 3 a 1: se fosse contra algum outro adversário, é muito possível que o time paulistano tivesse vencido o jogo.

Resta saber se as paulistanas conseguirão manter o nível de atuação no primeiro jogo fora de casa, na segunda-feira (20), nem que seja para sair da Superliga deixando uma boa impressão. O primeiro passo para isso é manter a levantadora Bruninha e a ponteira Lana entre as titulares ao lado de Barbara e Vanessa.

E os demais duelos?

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Protagonistas de diversos altos e baixos ao longo da fase classificatória, Vôlei Nestlé e Dentil/Praia Clube superaram com relativa tranquilidade os desafios que tiveram nesta primeira rodada. Com a dupla formada por Dani Lins e Tandara afinada, o time de Osasco fez do ataque sua principal arma contra o Fluminense, que é um time perigoso, mas extremamente dependente de Renatinha. Nati Martins e Bjelica foram outras boas opções para a levantadora. As equipes voltam a se encontrar já nesta segunda (20).

Fluminense depende demais de Renatinha no ataque (Foto: William Lucas/Inovafoto/CBV)

Já o Praia brincou com o fogo diante do Terracap/Brasília, que fez um excelente primeiro set e mandou 25-20 logo de cara. Acontece que é difícil ir longe sem uma jogadora de definição: a oposta Andreia, por exemplo, marcou apenas dois pontos em três sets. Apesar de ainda se virar bem no ataque, Paula Pequeno não é mais aquela “matadora” de outros tempos, e Amanda faz o que está ao seu alcance. É uma situação bem diferente da equipe de Uberlândia, que tem nomes como Alix Klineman, Ramirez, Michelle e Walewska, apesar de muitas vezes não jogar como um conjunto. Agora, o time mineiro terá a chance de matar a série já na terça-feira (21).

Resultados da 1ª rodada dos playoffs da Superliga feminina:

Vôlei Nestlé 3 x 0 Fluminense (25-23, 25-23 e 25-14)
Pinheiros 1 x 3 Rexona-Sesc (25-21, 25-20, 16-25 e 25-23)
Dentil/Praia Clube 3 x 1 Terracap/BRB/Brasília (20-25, 25-19, 25-20 e 25-15)
Camponesa/Minas 3 x 2 Genter Vôlei Bauru (23-25, 21-25, 25-16, 25-22 e 15-10)


Mari: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”
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Sidrônio Henrique

A oposta do Bauru diz que está super tranquila (foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

A silhueta esguia surge no corredor que dá acesso à quadra e os fãs que aguardam a loira de 1,90m se agitam ao vê-la de longe, chegando para o treino. Quase cinco anos depois de ter vestido a camisa da seleção brasileira pela última vez, a ponta/oposta Marianne Steinbrecher, 33 anos, ainda causa frisson entre os aficionados por voleibol. É quase impossível ignorá-la, seja por sua simples presença, seja por sua história representando o Brasil.

Foi do céu ao inferno mais de uma vez. Muito jovem, 21 anos recém-completados, marcou 37 pontos na tragédia de Atenas, em 2004, a semifinal olímpica em que o Brasil desperdiçou sete match points e viu a Rússia avançar à final. Começava ali um calvário que acabaria quatro anos depois, na sua maior conquista, o ouro olímpico em Pequim. Calou seus detratores como titular absoluta em uma equipe esférica, beirando à perfeição. Contusões, cirurgias, o corte antes de Londres 2012… Uma carreira atribulada, mas Mari sempre ressurge.

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A forma atual, ela admite, não é a ideal, mas segue se esforçando, lutando contra as limitações físicas. “Eu tive lesões sérias que afetaram minha forma de jogar. Hoje em dia eu tenho que me arrumar muito mais para atacar uma bola, pensar muito mais para saltar, para cair. Em alto nível, qualquer diferença é muito grande”, disse ao Saída de Rede.

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O modo como o voleibol feminino é jogado atualmente não a agrada muito. “Eu acho o vôlei um esporte muito bonito, muito técnico. O vôlei feminino era pra ser muito mais assim e não está sendo”. Sobre a renovação na seleção, Mari torce pelo sucesso do time, mas foi taxativa: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”.

Atualmente revezando-se com Bruna Honório na saída de rede, ela tenta ajudar o Genter Vôlei Bauru, clube que passou a integrar em novembro do ano passado, a chegar à semifinal da Superliga, na segunda temporada da equipe na primeira divisão. Logo mais, às 20h30, em Belo Horizonte, o Bauru entra em quadra como visitante contra o Camponesa/Minas para a primeira partida da série melhor de três das quartas de final.

Veja a entrevista que Marianne Steinbrecher concedeu ao SdR:

Saída de Rede – Os fãs ficam muito agitados quando te veem. Faz tempo que você não joga pela seleção, mas segue sendo assunto nas redes sociais e chama muita atenção nos ginásios. A que você atribui isso?
Mari – Acho que simpatizam comigo porque sou uma jogadora diferente. Mas sou mais séria na quadra, fora dela sou completamente diferente do que quando estou jogando. As pessoas não sabem, acham que sou assim o tempo todo e não é verdade, sou brincalhona. Quem me conhece, sabe. Então eu acho que esse jeito diferente, aparentemente mais frio, causa essa curiosidade, né. Também o fato de eu não ser uma brasileira típica. Essas coisas me deixam bem diferente da maioria das jogadoras.

Mari na semifinal de Atenas 2004: bloqueando Gamova e no chão após a derrota (fotos: FIVB)

Saída de Rede – Como avalia seu atual momento na carreira? Está jogando do jeito que gostaria? Como vê sua participação no Bauru?
Mari – Tô voltando numa situação atípica, fiquei muito tempo parada depois da morte do meu pai (1º de abril de 2016). Eu vim num esquema diferente delas (aponta para as colegas de time, na quadra). Eu tenho alguns, não digo privilégios, mas algumas coisas que eu resolvo com o Marcos (Kwiek, treinador do Bauru). Eu tenho que ver minha mãe, que agora é uma senhora paraplégica que mora sozinha (vive em Rolândia-PR, cidade onde a paulistana Mari foi criada), eu tenho todo um esquema um pouco diferente. Mas eu não deixo de treinar, eu treino igual a todo mundo. Eu vim depois, né. Cheguei ao time em novembro, então até eu entrar em ritmo de novo… Até hoje eu não peguei ritmo de jogo. Eu vinha jogando, mas aí eu machuquei o abdome, fiquei um bom tempo parada. Agora tô voltando a treinar. Ainda não estou como eu gostaria, por não ter ritmo de jogo e ter tido também essa lesão no abdome, que me deixou um tempo afastada.

Redenção em Pequim 2008: ouro (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você teve muitas lesões ao longo da carreira. O quanto elas te atrapalharam? Te fizeram mudar a forma de jogar?
Mari – Eu tive lesões sérias que afetaram minha forma de jogar. Eu tive uma lesão na perna esquerda (joelho esquerdo, em 2013) que eu nunca mais pude cair me apoiando nela como fazia antes, isso me deixou muito travada. Hoje em dia eu tenho que me arrumar muito mais para atacar uma bola, pensar muito mais para saltar, pensar muito mais para cair. Em alto nível, qualquer diferença é muito grande. Então foi toda uma adaptação, levou pelo menos dois anos para hoje estar um movimento mais natural. Eu tive vários problemas que a maioria das jogadoras não teve. Tive uma cirurgia no ombro direito ainda muito nova, depois demorou a recuperar. Em 2008 eu já estava OK, mas você tem que ficar sempre cuidando. Teve a cirurgia no joelho direito em 2010, que me tirou do Mundial. Leva sempre um ano (de recuperação) para você estar bem. E nunca mais você fica 100%, você volta bem, mas nunca mais é o joelho como a gente nasceu. Foram várias coisas… Eu aprendi muito a ter superação diante desses problemas. Isso me fez crescer muito como atleta, como pessoa.

Saída de Rede – A temporada anterior, parte na Itália, depois na Indonésia, onde o nível é mais baixo, te atrapalhou de alguma forma?
Mari – Não, foi ótima. O nível delas (jogadoras indonésias) não é o nosso nível, mas o das estrangeiras que vão para lá é muito bom. Tinha as chinesas, jogadoras da seleção delas, que disputaram duas Olimpíadas, e jogaram lá também. A Logan Tom (ponta americana), que estava no meu time, ela estava muito bem. As estrangeiras são diferenciadas, a cobrança em cima da gente na Indonésia era muito grande. Lá a gente atacava 80, 90 bolas por jogo. Se fizéssemos menos de 30 pontos, eles achavam que a gente jogou mal. É um outro tipo de pressão, então fisicamente você tem que estar o tempo inteiro bem. Treinava e jogava sexta, sábado e domingo, não tinha folga… Eles são assim, um pouco fora do normal. (Risos)

No ataque: lesões mudaram sua forma de jogar (fotos: Neide Carlos/Genter Vôlei Bauru)

Saída de Rede – Você ficou decepcionada por não ter sido lembrada na convocação da seleção no ano passado?
Mari – Não chegou a ser decepção porque não esperava nada, não espero nada, mas eu acho que poderia ter sido lembrada pela fase em que eu estava. Eu vinha bem, fisicamente muito bem. Fui pra Indonésia por falta de pagamento (na Itália), não por opção minha. Naquele período não tinha um time pra eu poder me encaixar. Até havia outros times, mas financeiramente não estava valendo a pena em comparação com o que a Indonésia me ofereceu. E eu estava vindo de uma situação sem receber, então não podia pensar só onde jogar, mas na parte financeira também. Eu fiquei mais de cinco meses sem salário na Itália, tendo despesas em euro, e o euro estava quatro e pouco em relação ao real… Tive que optar pela situação financeira que a Indonésia estava oferecendo.

Saída de Rede – O Bolzano (clube italiano pelo qual ela jogou metade da temporada passada) pagou tudo o que te devia?
Mari – Não, não…

Saída de Rede – Eles propuseram algum acordo?
Mari – Eles tão pagando muito picado, sabe. Já tem mais de um ano e até hoje eles me ligam e falam “vamos pagar um pouquinho aqui”. Eu já entendi que eu nunca vou ver a cor do dinheiro realmente.

(Nesse momento, Paula Pequeno, do Terracap/BRB/Brasília Vôlei, que havia treinado e se alongava noutro canto do ginásio do Sesi, em Taguatinga (DF), chega e dá um abraço e um beijo na ex-colega de seleção. As duas foram as ponteiras titulares em Pequim 2008, quando o Brasil conquistou seu primeiro ouro olímpico no vôlei feminino, numa campanha invicta, com oito vitórias e apenas um set perdido.)

Batendo papo com as colegas de time durante intervalo do treino

Saída de Rede – Você já pensou em parar ou faz planos de jogar até uma determinada idade?
Mari – Hoje em dia não tô mais pensando muito nisso, não. Eu acho que fisicamente, apesar dos contratempos, ainda tô super tranquila pra jogar. Tudo depende mais da cabeça hoje em dia, né… Eu vou fazer 34 anos e o que pesa mais não é a parte física, mas sim a cabeça. Sabe, você estar querendo fazer outras coisas, estar descobrindo outras coisas e o vôlei passa a não ser mais o principal foco… Mas eu ainda não cheguei nesse ponto. Quando chegar nesse ponto, vai ser o momento em que vou falar “não quero mais”.

Saída de Rede – Seu contrato com o Bauru vai até o final desta temporada. Onde você se vê na próxima? Pensa em renovação com o clube?
Mari – Eu espero continuar.

Saída de Rede – O que acha da renovação na seleção feminina, das novas jogadoras que substituirão a sua geração?
Mari – Eu acho que o vôlei, comparando a nossa geração com essa de hoje, virou um voleibol masculino: só força, porrada, você não vê mais jogada, você não vê mais jogadoras habilidosas, não vê levantadoras como Fofão e Fernanda Venturini. Pra mim, o vôlei feminino virou um vôlei, digamos, um pouco mais feio. Mais forte, porém mais feio. Modo de dizer, não que seja um vôlei feio. (Risos)

Durante aquecimento na Superliga, ela aguarda sua vez de atacar

Saída de Rede – Com mais potência, com ênfase na parte física?
Mari – Exatamente. Eu acho o vôlei um esporte muito bonito, muito técnico. O vôlei feminino era pra ser muito mais assim e não está sendo. Então nossa renovação está… No mundo, né, no geral tá sendo muito isso.

Saída de Rede – Você acha que as jogadoras jovens cotadas para a seleção podem ajudar a manter o Brasil em alta?
Mari – Ai, prefiro não opinar porque a gente não sabe o que pode acontecer… Assim como minha geração foi um pouco desacreditada, de 2005 até ganhar o ouro olímpico em 2008… Depois na Olimpíada seguinte elas ganharam outro ouro, sabe, esse grupo em que ninguém acreditava, que era chamado de geração amarelona e tal. Isso pode acontecer com essa geração nova. Eu torço pra que isso aconteça, que vençam. Porém, acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração. É pouco provável ter tantas atletas naquele nível nessa geração que está chegando.


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Erros em excesso minam força do Minas na reta final da fase classificatória
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Carolina Canossa

Minas não passou em dois dos três grandes testes neste returno (Foto: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

Foram dois “banhos de água fria”: depois de um fim de 2016 e um começo de 2017 formidáveis, o Camponesa/Minas perdeu ritmo e não conseguiu se consolidar como o mais forte candidato a derrubar a hegemonia do Rexona-Sesc na Superliga nacional. Depois de cair contra o Dentil/Praia Clube no fim de semana, o time do técnico Paulo Coco perdeu para a equipe carioca na noite desta terça (7) por 3 sets a 1, parciais de 25-27, 25-20, 27-25 e 25-21.

Em comum, ambas as partidas foram marcadas por um número excessivo de erros do Minas. Contra-ataques infrutíferos e falhas ao melhor estilo “deixa-que-eu-deixo” na defesa pouco a pouco estão minando as atuações do time e a confiança das jogadoras. No Rio de Janeiro, por exemplo, o Minas chegou a liderar a terceira parcial por 20-14, mas entregou o set de bandeja para as adversárias. Na quarta etapa, a vantagem chegou a ser de 9-6 antes da virada.

Assistente de Zé Roberto fala em renovação drástica e pede paciência

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Em números: somando-se as duas últimas partidas da equipe, foram 57 pontos cedidos em erros, quase 30% do total. É muita coisa para um time que já mostrou ter potencial para ser campeão. Para isso, porém, será preciso jogar em alto nível o tempo inteiro, o que não aconteceu em dois dos três grandes testes deste returno (a exceção ficou por conta do duelo contra o Vôlei Nestlé).

O problema, claro, não se resume aos pontos perdidos. A levantadora Naiane, por exemplo, claramente está com dificuldades para acionar a oposta Destinee Hooker de maneira eficiente. Já as ponteiras Jaqueline, Pri Daroit e Rosamaria não conseguem formar uma dupla titular de confiança: quando uma está bem, duas se apresentam mal. Atualmente, somente a famosa china de Carol Gattaz pode ser considerada uma bola de confiança.

Os recentes reveses colocam em risco até mesmo a quarta posição na tabela, algo que parecia inimaginável há pouquíssimo tempo, no Carnaval. Por sorte, a próxima partida da equipe será contra o lanterninha Renata Valinhos/Country, enquanto o Genter Vôlei Bauru, quarto colocado no momento, terá um difícil confronto contra o Vôlei Nestlé.

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Drussyla (camisa 17) e Monique foram os destaques do Rexona (Foto: Alexandre Arruda)

Rexona

Não se pode, é claro, tirar os méritos do Rexona na partida realizada na Arena Jeunesse. De Hooker bem marcada a Monique inspirada, o time mais uma vez deixa claro que fez a lição de casa mostrando uma linearidade que não existe nos demais adversários. E ainda houve um bônus: a jovem Drussyla, que substituiu Gabi a partir do terceiro set e segurou muito bem os bons saques mineiros.

Transmissão web

Diante da falta de interesse do SporTv em transmitir a partida entre Rexona e Minas, a CBV proporcionou aos interessados as imagens do duelo através de sua página no Facebook. Em que pese ainda não haver narradores, comentaristas e replays, o trabalho tem sido bem feito, com sinal constante (ao menos no computador em que eu estava assistindo, houve pequenos cortes somente no início do duelo).

Uma pena apenas que, depois de um furor inicial, o público parece ter desanimado: o jogo desta terça, por exemplo, começou com 2800 espectadores online, número que foi caindo ao longo da transmissão. No último ponto, somente cerca de 370 pessoas estavam acompanhando.


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Sidrônio Henrique

Zé Roberto e Coco: parceria iniciada em 1996 e que se mantém na seleção desde 2003 (fotos: FIVB)

Quando José Roberto Guimarães assumiu a seleção feminina em agosto de 2003, Paulo Coco foi junto como seu principal assistente. Braço direito de um dos técnicos mais vitoriosos da história da modalidade, numa parceria que começou ainda antes, em 1996, Coco está atualmente no comando do Camponesa/Minas, quinto colocado até aqui na Superliga 2016/2017. Ele se mantém ligado em cada um dos adversários não somente pelo futuro da sua equipe, mas também como subsídio para a próxima convocação da seleção brasileira, que este ano disputará o Grand Prix, a Copa dos Campeões e o Campeonato Sul-Americano.

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“A gente teve uma geração vitoriosa, que durou muito. Apesar de terem entrado jogadoras novas ao longo desse processo, a gente manteve uma base muito grande por um bom tempo. A renovação vai ser mais drástica agora. Em algumas das principais seleções do mundo isso já ocorreu. Nesse primeiro momento, nós vamos sofrer um pouco com essa transição”, disse Paulo Coco ao Saída de Rede. Ele pediu um tempo antes das inevitáveis cobranças. “Quanto antes isso aconteça e dê resultado, melhor pra gente, mas temos que ter paciência”, afirmou.

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Ele comentou sobre a mudança de posição de Rosamaria Montibeller, atacante que, sob seu comando no Minas, migrou da saída para a entrada de rede esta temporada. O treinador vê o deslocamento como algo positivo para a atleta e para o voleibol brasileiro.

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A insistência do seu chefe em querer neste ciclo olímpico jogadoras que deram adeus à seleção, como a central Fabiana Claudino e a oposta Sheilla Castro, é vista com naturalidade, apesar do discurso calcado na renovação. “Seriam opções, mas elas não querem. Nível de jogo elas teriam”.

Confira a entrevista que Paulo Coco concedeu ao SdR:

O técnico está contente com o rendimento de Rosamaria na ponta (foto: Orlando Brito/MTC)

Saída de Rede – Como você avalia o rendimento da Rosamaria na entrada de rede, numa mudança feita na metade do primeiro turno da Superliga?
Paulo Coco – Tem sido bastante proveitoso. Ela vem mostrando uma versatilidade muito grande. Antes de ela mudar para a ponta, eu conversei com ela, obviamente. A Rosa tem os objetivos dela de seleção. Como oposta, a altura dela não ajuda no nível internacional (a jogadora tem 1,85m). Então essa mudança abre um leque importante de possibilidades na carreira dela. Isso em virtude da capacidade e do empenho que ela tem. Temos que ter em mente que ela nunca foi uma ponteira passadora, temos que ser pacientes, mas ela vem desempenhando esse papel muito bem.

Saída de Rede – Como tem sido a evolução da Rosamaria como ponteira?
Paulo Coco – Ela vem melhorando seu jogo de rede, seu nível no bloqueio, pois está jogando em outra função. Eu tô pegando no pé para ela melhorar o volume de jogo, o fundo de quadra. Quando se é uma boa atacante, a menina tende a se concentrar na sua atuação ofensiva, mas a função dela é muito importante para o volume de jogo, para fazer o time jogar em função da sua recepção. Ela vem evoluindo nesse aspecto também, o que é muito importante não só para o Minas, mas para a seleção, que assim pode ter mais opções na posição 4, que é a grande carência no voleibol mundial. Estamos fazendo esse investimento.

Saída de Rede – Como você vê o nível dessas jogadoras mais jovens que deverão chegar à seleção neste ciclo? Como seria a renovação? Obviamente combinada com a presença de algumas veteranas.
Paulo Coco – A gente já vem ao longo dos anos trabalhando com uma seleção de jovens, isso desde 2008/2009, com várias jogadoras que vêm ganhando experiência, como a própria Rosamaria, Gabi, Carol… Acho que o Brasil vai estar bem, a gente vai sofrer um pouco no início… Vão pintar nomes, que prefiro não citar para não cometer uma injustiça e esquecer alguém. Mas temos muita gente de talento que, com trabalho, vai ajudar a manter o Brasil entre as principais forças do mundo.

Gabi é um dos jovens talentos que já faz parte da seleção

Saída de Rede – A Superliga propicia rodagem às mais jovens, mas há uma diferença muito grande entre o nível do torneio e o que se vê nas competições entre as principais seleções. Como a Superliga pode ajudar a formar essas atletas?
Paulo Coco – A Superliga permite que elas assumam responsabilidade, assim elas podem chegar à seleção mais preparadas, apesar de que há uma diferença muito grande entre o nível do voleibol nacional e o internacional. Mas de qualquer forma é uma preparação, aqui elas estão em ação e nos jogos internacionais ganham cancha, experiência e assim conseguem chegar num nível que nos permita jogar de igual pra igual com as principais seleções.

Saída de Rede – Além de sair atrás no processo de renovação, quais seriam as outras desvantagens do Brasil?
Paulo Coco – A principal mesmo é a nossa renovação. A gente teve uma geração vitoriosa, que durou muito. Apesar de terem entrado jogadoras novas ao longo desse processo, a gente manteve uma base muito grande por um bom tempo. A renovação vai ser mais drástica agora. Em algumas das principais seleções do mundo isso já ocorreu. Pega o exemplo da China, que foi campeã olímpica na Rio 2016 e fez sua renovação depois de Londres 2012. Você pega a Sérvia, que tem uma equipe muito jovem e é uma das potências mundiais. Há os Estados Unidos, que mudam o time de um ano para o outro e mesmo assim se mantêm em alta. E não podemos esquecer países como Holanda, Turquia, Rússia… Nesse primeiro momento, nós vamos sofrer um pouco com essa transição.

Saída de Rede – Então foi um erro segurar demais a geração anterior? Ficaram mais tempo do que o necessário?
Paulo Coco – Não, você quer sempre as melhores. Você não vai abrir mão das melhores porque são jogadoras mais velhas. O que norteia a gente é o rendimento. Se uma atleta, seja lá qual for a idade, rende bem, então é chamada. Se você tem duas jogadoras com o mesmo rendimento, você tem que escolher entre experiência ou juventude e ver o que vai ser mais proveitoso para o seu time. Idade hoje não quer dizer nada. Temos várias jogadoras com trinta e poucos anos jogando no mais alto nível.

Coco no comando da seleção nas finais do GP 2015

Saída de Rede – Quando a CBV anunciou que Zé Roberto teria seu contrato renovado até Tóquio 2020, ele enfatizou a necessidade de renovação, mas ao mesmo tempo disse que gostaria de contar com jogadoras que haviam se despedido da seleção após a Rio 2016, caso de Fabiana e Sheilla. Não seria um erro? Temos aí uma contradição.
Paulo Coco – Fabiana e Sheilla ainda seriam opções, mas elas não querem. Nível de jogo elas teriam. A Fabiana é um dos destaques da Superliga, com uma saúde incrível. Talvez para a Sheilla fosse mais difícil em virtude da função, que exige muito do físico, pede uma definidora, mas tecnicamente não se discute.

Saída de Rede – Você acha que os resultados da seleção vão cair neste ciclo olímpico?
Paulo Coco – Não sei, precisamos de um tempo para que se mature uma equipe, para que essas jogadoras sintam o que é jogar no nível internacional, que é diferente de jogar aqui dentro do Brasil. Bloqueios diferentes, aquelas europeias muito altas, é outra realidade.

Saída de Rede – Que avaliação você faz do material humano à disposição da seleção, considerando aquelas que deverão fazer parte da equipe principal?
Paulo Coco – Não é muito extenso ou volumoso, mas temos algumas jogadoras interessantes, que já vem sendo trabalhadas e que podem, caso cresçam, se desenvolvam, render bastante. Acho que é esse o processo de transição… Quanto antes isso aconteça e dê resultado, melhor pra gente, mas temos que ter paciência.


Atropelamento na última rodada embala Vôlei Nestlé para clássico no Rio
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Carolina Canossa

No Rio, Tandara espera um novo jogo de cinco sets (Foto: João Pires/Fotojump)

Até o momento, apenas um time foi capaz de derrotar o Rexona-Sesc na Superliga feminina de vôlei: o Vôlei Nestlé, em partida realizada no dia 13 de dezembro em Osasco. Mas não é exatamente naquele duelo que a equipe do técnico Luizomar de Moura se baseia para conseguir um novo resultado positivo contra as cariocas nesta sexta-feira (3), a partir das 21h30, na Jeunesse Arena (antiga HSBC Arena/Arena da Barra)…

A empolgação com que o time paulista chega ao Rio de Janeiro se deve mesmo ao atropelamento contra o Dentil/Praia Clube na última rodada. A despeito da expectativa por um confronto equilibrado, o Vôlei Nestlé mal tomou conhecimento do adversário e não precisou nem de 1h30 de jogo para fazer 3 sets a 0 sobre as atuais vice-campeãs brasileiras.

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Técnico nega problema psicológico no Praia Clube

“Temos que aproveitar o que construímos aí e levar para o Rio”, comentou a atacante Tandara, destaque de Osasco na atual temporada. “Vamos para o próximo jogo com essa mesma coragem. Se mantivermos esse espírito, o jogo será bom, acirrado e que vença quem conseguir aproveitar melhor as oportunidades”, destacou.

A levantadora Dani Lins, eleita a melhor em quadra contra o Praia, reforçou o discurso. “A gente chega para o jogo com o Rio com mais autoestima. Está todo mundo bem, os treinos têm sido muito bons e queremos manter essa crescente”, avisou a atleta, que deixou claro: o 0 a 3 sofrido em Belo Horizonte diante do Camponesa/Minas na rodada anterior já é coisa do passado. “Acho que meio que curamos a nossa raiva do jogo péssimo que fizemos em Minas. O time jogando unido é outra coisa, todo mundo dando o seu melhor”, complementou.

Dani Lins: “A gente chega pra esse jogo com mais autoestima”

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Mas Tandara ressalta que o discurso confiante não deve ser visto como um otimismo excessivo. Para ela, o clássico tem altas possibilidades de ser novamente encerrado em um 3 a 2. “Fizemos um jogo muito difícil contra elas aqui e vencemos, mas o time de lá não deu brecha pra ser fácil. Então, essa nova partida também vai ser muito difícil, quem sabe com cinco sets novamente. Espero que a consequência seja a nossa vitória. Estamos trabalhando muito”, afirmou.

A jogadora, inclusive, reconhece que provavelmente será bombardeada pelas adversárias no saque. “Eu tenho a consciência de que sempre serei o alvo no passe, pois não sou uma ponteira passadora. A minha preocupação é colocar a bola para cima e definir no ataque, que é o meu melhor fundamento. Tenho que me manter calma, pois, se eu sair do passe, não consigo rodar a bola. Sei que vou errar no passe, mas tenho que ter tranquilidade para aceitar quando isso acontecer”, analisou.


Picinin nega problema psicológico e aponta solução para a retomada do Praia
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Carolina Canossa

Técnico acredita que seu time está oscilando demais em quadra (Fotos: Divulgação/CBV)

A torcida do Dentil/Praia Clube está preocupada (e com razão). O grande elenco montado para a temporada 2016/2017 do voleibol brasileiro não tem conseguido jogar no nível que se espera e, como consequência, o time foi completamente dominado nas duas últimas partidas que fez, contra o Rexona-Sesc, pela final do Sul-Americano, e diante de Vôlei Nestlé, na Superliga feminina.

Ao término da partida em Osasco, o técnico Ricardo Picinin reuniu suas jogadoras no centro da quadra em um círculo e tentou passar palavras de incentivo para as rodadas finais da fase classificatória da competição nacional, essenciais para o planejamento de um clube que investiu alto em busca de seu primeiro título de relevância.

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Mesmo com a frustração com o resultado ainda visível em seu rosto, o treinador atendeu ao Saída de Rede com serenidade antes de ir ao vestiário. Questionado se o motivo para o rendimento abaixo do esperado poderia estar em fatores psicológicos, ele negou. “Não chega a ser um problema de cabeça. É que, durante os jogos, temos que buscar mais a regularidade. A gente sabe que no feminino existem oscilações, mas precisamos minimizar isso para fazer um jogo de alto nível do início do fim”, analisou.

Elenco do Praia ainda não rendeu o esperado

Apesar da declaração, o próprio Picinin admitiu que o 22º resultado negativo (terceiro apenas na atual temporada) nos 22 jogos que fazem a história de Praia e Rexona teve um efeito negativo sobre suas comandadas. “Essa derrota em casa para o Rio abateu um pouco o time e agora oscilamos bastante. Mas é essa irregularidade que precisa ser melhorada”, apontou.

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No José Liberatti, Picinin ficou especialmente incomodado com a derrota no segundo set: o 20 a 16 que o Praia sustentava acabou se convertendo em um 22 a 25. “Demos uma bobeada e permitimos que Osasco virasse. Em um jogo de duas grandes equipes, tudo pode acontecer”, comentou o treinador.

E é bom que a equipe de Uberlândia desperte logo: neste sábado (4), o time volta à ativa diante do ascendente Camponesa/Minas, em briga direta pela terceira posição – e o consequente direito de só encarar o Rexona em uma eventual final – na tabela. “Temos que pensar jogo a jogo. Independente de qualquer coisa, é treinar, tentar continuar evoluindo e melhorar para chegarmos bem aos playoffs, pois isso é o importante”, afirmou.


Claudinha se vê mais marcada e faz autocrítica: “Tenho muito a evoluir”
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Sidrônio Henrique

Claudinha durante treino: “No dia em que o passe sai fica difícil para o adversário” (fotos: CBV)

Aos 29 anos, Cláudia Bueno está na segunda temporada consecutiva no Dentil/Praia Clube, de Uberlândia (MG), depois de passar por equipes como o tradicional Minas Tênis Clube, o extinto Amil Campinas, o Sesi, além do próprio Praia ainda na década passada. Mas se no ano passado seu time fez uma campanha muito boa na Superliga e terminou com o vice-campeonato, no período 2016/2017, apesar do terceiro lugar na tabela, tem sido instável, atrapalhado por contusões e com uma linha de passe que não vem facilitando o trabalho de Claudinha. “Um aspecto importante é que estou cada vez mais marcada, mas isso até que é bom, funciona como um desafio para mim. Ainda tenho muito a evoluir”, disse ao Saída de Rede a levantadora de 1,81m.

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Claudinha, que completará 30 anos em setembro, cobra não apenas de si mesma, mas da equipe. “Com o elenco que nós temos, no dia em que o passe realmente sai fica difícil para o adversário. Claro que eu preciso fazer a minha parte e mandar uma bola perfeita para as atacantes”. Porém o clube tem sofrido na recepção. Na rodada mais recente, a oitava do returno, foi a Osasco encarar o Vôlei Nestlé, numa partida que valia a vice-liderança da Superliga, e caiu em sets diretos, com a cubana Daymi Ramirez sendo massacrada no passe.

A levantadora está na segunda temporada com o Dentil/Praia Clube

Com mais três jogos até o final do segundo turno, o Praia recebe neste sábado (4) o ascendente Camponesa/Minas – às 14h10, com transmissão da RedeTV. Depois, ainda em casa, pega o Fluminense. No encerramento do returno vai ao Rio para enfrentar o líder Rexona-Sesc, time que nunca venceu em 22 confrontos oficiais, incluindo a final da Superliga passada, disputada em local neutro, e do recente Sul-Americano de Clubes, no qual o Praia foi anfitrião.

Após 19 rodadas, o Rexona-Sesc soma 53 pontos na classificação, seguido pelo Vôlei Nestlé com 45. O Dentil/Praia Clube tem 43. O Camponesa/Minas está em quarto com 39 e o Genter Vôlei Bauru vem em quinto com 37.

Seleção e Zé Roberto
Com passagem pela seleção brasileira principal em 2013, quando foi reserva, Claudinha jamais voltou a ser convocada. Na temporada 2013/2014 era do Amil Campinas, equipe do treinador da seleção, José Roberto Guimarães, quando a insatisfação dele com seu jogo foi exposta em rede nacional durante um pedido de tempo. No dia 12 de abril de 2014, no terceiro set de uma partida da fase semifinal da Superliga contra o Rexona, no Maracanãzinho, Zé Roberto levou Claudinha para um canto e reclamou do seu desempenho. No áudio captado pela TV, ele aparece chamando a atleta de burra. “Eu tô assumindo a responsabilidade, você não tem força pra isso. Larga de ser burra”, foi a frase do técnico.

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Ela, no entanto, minimiza o ocorrido e afirma que ainda sonha em servir à seleção. “Seria uma consequência do meu trabalho, se o treinador achar que mereço uma chance. Aquele episódio no Amil ocorreu no calor da partida, já aconteceu com vários atletas e vai continuar acontecendo, coisa de jogo mesmo. Hoje compreendo o que ele me pedia naquele momento, algo que não entendia por ser mais nova, por estar pela primeira vez num time grande”, comentou.


Vôlei Nestlé “castiga” Ramirez e recupera moral na Superliga
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Carolina Canossa

Bia e Tandara foram os destaques individuais do Vôlei Nestlé (Foto: Marcello Zambrana / Fotojump)

As achapantes derrotas sofridas na semana passada respectivamente contra Camponesa/Minas e Rexona-Sesc colocavam o Vôlei Nestlé e o Dentil/Praia Clube em uma situação bastante peculiar no duelo disputado na noite desta quinta (23), em Osasco: ao vencedor, um respiro e a segunda colocação na tabela da Superliga feminina de vôlei. Ao perdedor, uma nova queda no ânimo e mais motivos de preocupação nesta reta final de fase classificatória.

O que poucos esperavam é que a partida durasse três sets: com um saque consistente e a dupla Tandara e Bia inspirada, o Vôlei Nestlé passou pelo rival com autoridade e parciais de 25-15, 25-22 e 25-22.

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Se não teve nenhuma inovação, a principal arma utilizada pelo time paulista primou pela eficiência: pressionar Daymi Ramirez no saque. Sofrendo até mesmo com o flutuante, a cubana teve uma noite para esquecer e dificultou bastante a vida da levantadora Claudinha. Sem o passe na mão, a armadora usou pouco uma de suas principais armas, as jogadas rápidas com as centrais Fabiana e Walewska.

Ao longo da partida, o técnico Ricardo Picinin até tentou minimizar os erros, colocando a ponta Alix Klineman na linha de passe – geralmente ela fica fora, com a oposta Ramirez compondo a recepção do time ao lado da ponteira Michelle e da líbero Tássia. A estratégia de utilizar quatro passadoras se mostrou relativamente eficiente na segunda parcial, na qual o time se manteve à frente no placar até Tandara brilhar. A atacante brasileira, aliás, fez justamente o que se esperava de Ramirez quando foi o alvo do saque rival: colocou a bola pra cima e virou ataques importantes, mesmo quando precisou encarar um bloqueio montado pela frente.

Ramirez teve noite pra esquecer em Osasco (Foto: Alexandre Arruda/CBV)

Cada vez mais à vontade em Osasco, Tandara ainda foi a responsável por quatro dos dez bloqueios do time e, a cada vez que parava uma atacante rival, saia pulando e gesticulando como se dissesse: “Aqui não!”. É preciso ainda registrar que o time inteiro do Praia fez somente três pontos neste fundamento, exemplificando a queda de nível pela qual a equipe de Uberlândia passa na atualidade.

No terceiro set, muito da sobrevivência do Praia pode ser creditada a Alix Klineman. Foi, aliás, nesta parcial que Ramirez deixou definitivamente a quadra – substituída por Carla, a cubana transpareceu a insatisfação com o próprio desempenho fora de quadra: ao sair do ginásio José Liberatti em direção ao ônibus da equipe, ignorou os pedidos dos torcedores para uma foto e acabou tomando uma sonora vaia.

Por outro lado, era olhar a expressão das jogadoras de Osasco para visualizar o alívio sentido após o bom resultado. Ainda há um longo caminho a ser percorrido para a equipe sonhar em repetir tal vitória diante de um Rexona ou Minas: os erros individuais se acumulam em uma quantidade maior que a aceitável e falta uma oposta mais consistente – nem Ana Bjelica, que vem jogando, nem a reserva Paula Borgo conseguiram convencer até o momento. De qualquer maneira, o 3 a 0 desta quinta dá um gás daqueles em uma equipe que corre por fora em busca de um título que não vem desde 2012.

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Transmissão online atraiu um bom público (Foto: Reprodução)

Transmissões online

O duelo entre Vôlei Nestlé e Dentil/Praia Clube foi o primeiro da atual temporada a contar com transmissão online através do Facebook da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei). A novidade foi uma iniciativa de última hora tomada pela entidade em resposta a diversos protestos feitos por torcedores, dirigentes e atletas, todos insatisfeitos com o número de jogos que eram disponibilizados pela TV.

Ainda sem narração, a tentativa teve boa qualidade. Os torcedores, que puderam contar com três câmeras para acompanhar a partida e placar em tempo real, também responderam positivamente: durante o terceiro set, mais de 5500 pessoas estiveram online ao mesmo tempo.

Quem estava ligado ainda pôde acompanhar o jogo entre Camponesa/Minas e Fluminense, mostrado ao vivo através do YouTube. Com uma estrutura menor, o jogo contou com apenas uma câmera, teve problemas de atualização no placar e sofreu com uma queda no link, rapidamente corrigida. No momento em que atraiu mais interesse, cerca de 4 mil torcedores acompanhavam o que rolava em quadra. Nada mal para uma primeira experiência, que, esperamos, tem tudo para se repetir e ficar cada vez mais popular.