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Arquivo : Sul-Americano

William pede dispensa da seleção, mas quer voltar ainda este ano
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Sidrônio Henrique

Levantador do Sada Cruzeiro, William Arjona foi campeão olímpico na Rio 2016 (fotos: CBV)

William Arjona pediu dispensa da seleção. O levantador do Sada Cruzeiro, campeão olímpico na Rio 2016, contou ao Saída de Rede que pediu ao técnico da seleção, Renan Dal Zotto, para ficar com a família após o encerramento da Superliga 2016/2017. A final do torneio, para a qual o time mineiro está classificado, aguardando a definição do adversário, será no dia 7 de maio, no ginásio Mineirinho, em Belo Horizonte.

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“O Renan falou comigo, disse que queria contar com os campeões olímpicos, mas expliquei a ele que estou há quatro anos sem tirar férias, que preciso de um tempo para ficar com minha família. Eu havia dito a minha mulher (Bruna) que se eles (a família) segurassem a barra de ficar todo aquele período de preparação para a Rio 2016 sem mim, eu compensaria no ano seguinte”, comentou William. O atleta tem dois filhos pequenos: Nina, 3 anos, e Cauã, 2.

Arena da Baixada, em Curitiba, receberá as finais da Liga Mundial 2017

À disposição no segundo semestre
O levantador ressaltou que seu pedido de dispensa foi somente para a convocação para a Liga Mundial. A competição será disputada de 2 de junho a 8 de julho, com as finais na Arena da Baixada (de 4/7 a 8/7), estádio de futebol localizado em Curitiba. “No segundo semestre teremos a Copa dos Campeões e o Sul-Americano, e eu estarei à disposição”, completou.

A ausência do nome do armador do Sada Cruzeiro chamou a atenção numa lista que veio a público na sexta-feira (21), no hotsite da Liga Mundial 2017. Naquela mesma data, o SdR divulgou a informação. Os levantadores na relação de jogadores são Bruno Rezende, do Sesi, Raphael Oliveira, do Funvic Taubaté, e Murilo Radke, do Montes Claros.

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Bruno, na seleção desde meados da década passada, foi campeão mundial em 2010 e olímpico em 2016. Rapha fez seu nome nos tempos áureos do Trentino, da Itália, e foi reserva de Bruno na campanha que culminou com a prata no Mundial 2014. Radke, o menos experiente dos três, vinha sendo chamado pelo ex-treinador Bernardinho e foi titular na seleção B que ficou com a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos 2015, sob o comando de Rubinho.

Renan Dal Zotto foi anunciado como novo técnico da seleção pela CBV em janeiro

“Nem todos serão convocados”
O Saída de Rede questionou a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) se a lista no site da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) corresponde aos convocados para a temporada ou se são apenas inscritos – já houve divergência entre a lista apresentada no site em anos anteriores e a convocação anunciada posteriormente. O supervisor da seleção masculina, Fernando Maroni, informou que a relação “é de pré-inscritos” e que “nem todos serão convocados”. Na noite desta segunda-feira (24), o técnico Renan Dal Zotto confirmou os nomes do central Maurício Souza e do líbero Tiago Brendle, ambos do Brasil Kirin, equipe eliminada na semifinal da Superliga no sábado passado.

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Há poucas caras novas na lista do site da Liga Mundial. Dos 21 relacionados, apenas quatro nunca passaram pela seleção A: o ponta Rodriguinho, do Sada Cruzeiro, o líbero Thales, do Lebes/Gedore/Canoas, o central Otávio, do Funvic Taubaté, e o oposto Rafael Araújo, destaque da liga polonesa pelo MKS Bedzin – os dois últimos foram da seleção B do Pan 2015. Entre os veteranos, um velho conhecido que esteve ausente em convocações recentes, o líbero Mário Júnior, do Taubaté, campeão mundial em 2010 e vice em 2014, que segundo o SdR apurou foi bem avaliado pela comissão técnica. No entanto, o preferido é Tiago Brendle, que desde o final do ciclo passado despontava como sucessor de Serginho, decano da posição que se retirou da seleção após o ouro na Rio 2016, quando foi escolhido MVP.

O nome do líbero Mário Júnior está na lista da Liga Mundial

Quase todos os campeões na Rio 2016 mantidos
Dez dos 12 campeões olímpicos no Rio de Janeiro estão na lista dos 21 pré-inscritos para a Liga Mundial. Somente Serginho e William Arjona não aparecem. Como sede das finais do torneio, o Brasil já está assegurado entre os seis finalistas, ou seja, poderia utilizar a fase de classificação para dar experiência aos mais novos. A cada etapa da Liga Mundial, 14 jogadores podem ser inscritos. Se os dez da Rio 2016 confirmarem presença e forem sempre relacionados, sobra pouco espaço para eventuais novidades.

Os doze atletas convidados por Renan Dal Zotto no dia 10 de abril para treinar em Saquarema (RJ), no centro de treinamento da CBV, estão lá desde domingo (23). Desses, quatro estão na relação do hotsite da Liga Mundial 2017: o levantador Murilo Radke, o líbero Thales e os opostos Rafael Araújo e Renan Buiatti – este último do JF Vôlei.


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Claudinha se vê mais marcada e faz autocrítica: “Tenho muito a evoluir”
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Sidrônio Henrique

Claudinha durante treino: “No dia em que o passe sai fica difícil para o adversário” (fotos: CBV)

Aos 29 anos, Cláudia Bueno está na segunda temporada consecutiva no Dentil/Praia Clube, de Uberlândia (MG), depois de passar por equipes como o tradicional Minas Tênis Clube, o extinto Amil Campinas, o Sesi, além do próprio Praia ainda na década passada. Mas se no ano passado seu time fez uma campanha muito boa na Superliga e terminou com o vice-campeonato, no período 2016/2017, apesar do terceiro lugar na tabela, tem sido instável, atrapalhado por contusões e com uma linha de passe que não vem facilitando o trabalho de Claudinha. “Um aspecto importante é que estou cada vez mais marcada, mas isso até que é bom, funciona como um desafio para mim. Ainda tenho muito a evoluir”, disse ao Saída de Rede a levantadora de 1,81m.

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Claudinha, que completará 30 anos em setembro, cobra não apenas de si mesma, mas da equipe. “Com o elenco que nós temos, no dia em que o passe realmente sai fica difícil para o adversário. Claro que eu preciso fazer a minha parte e mandar uma bola perfeita para as atacantes”. Porém o clube tem sofrido na recepção. Na rodada mais recente, a oitava do returno, foi a Osasco encarar o Vôlei Nestlé, numa partida que valia a vice-liderança da Superliga, e caiu em sets diretos, com a cubana Daymi Ramirez sendo massacrada no passe.

A levantadora está na segunda temporada com o Dentil/Praia Clube

Com mais três jogos até o final do segundo turno, o Praia recebe neste sábado (4) o ascendente Camponesa/Minas – às 14h10, com transmissão da RedeTV. Depois, ainda em casa, pega o Fluminense. No encerramento do returno vai ao Rio para enfrentar o líder Rexona-Sesc, time que nunca venceu em 22 confrontos oficiais, incluindo a final da Superliga passada, disputada em local neutro, e do recente Sul-Americano de Clubes, no qual o Praia foi anfitrião.

Após 19 rodadas, o Rexona-Sesc soma 53 pontos na classificação, seguido pelo Vôlei Nestlé com 45. O Dentil/Praia Clube tem 43. O Camponesa/Minas está em quarto com 39 e o Genter Vôlei Bauru vem em quinto com 37.

Seleção e Zé Roberto
Com passagem pela seleção brasileira principal em 2013, quando foi reserva, Claudinha jamais voltou a ser convocada. Na temporada 2013/2014 era do Amil Campinas, equipe do treinador da seleção, José Roberto Guimarães, quando a insatisfação dele com seu jogo foi exposta em rede nacional durante um pedido de tempo. No dia 12 de abril de 2014, no terceiro set de uma partida da fase semifinal da Superliga contra o Rexona, no Maracanãzinho, Zé Roberto levou Claudinha para um canto e reclamou do seu desempenho. No áudio captado pela TV, ele aparece chamando a atleta de burra. “Eu tô assumindo a responsabilidade, você não tem força pra isso. Larga de ser burra”, foi a frase do técnico.

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Ela, no entanto, minimiza o ocorrido e afirma que ainda sonha em servir à seleção. “Seria uma consequência do meu trabalho, se o treinador achar que mereço uma chance. Aquele episódio no Amil ocorreu no calor da partida, já aconteceu com vários atletas e vai continuar acontecendo, coisa de jogo mesmo. Hoje compreendo o que ele me pedia naquele momento, algo que não entendia por ser mais nova, por estar pela primeira vez num time grande”, comentou.


Sem forçar, Sada Cruzeiro sobra e chega ao tetracampeonato sul-americano
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Sidrônio Henrique

Time mineiro se impôs por meio do saque, bloqueio e defesa (fotos: Ana Flávia Goulart/Sada Cruzeiro)

Logo que o Campeonato Sul-Americano Masculino de Clubes começou, o colega João Batista Junior, aqui do Saída de Rede, lembrava: ganhar o torneio é quase obrigação dos brasileiros. Mesmo sem colocar muita pressão sobre os adversários ao longo da competição, o Sada Cruzeiro, tricampeão mundial e tetra na Superliga, fez o esperado, conquistou seu quarto título continental e carimbou o passaporte para a disputa do Mundial 2017, em dezembro, na Polônia. Na final, disputada na tarde deste sábado (25), em Montes Claros (MG), a equipe mineira superou o argentino Bolívar por 3-0 (26-24, 25-23, 25-23). As parciais apertadas podem levar a crer num confronto equilibrado, mas o time de Leal, Simon e William Arjona foi nitidamente superior.

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A verdade é que o multicampeão Sada Cruzeiro sobrou, ganhou como e quando quis. Sem jogar na rotação máxima, a equipe brasileira sequer parecia estar numa final. Quando desacelerava, o adversário encostava. No entanto, em várias passagens, o saque dos pontas Leal e Rodriguinho e do central Isac levava os argentinos de volta à realidade. Aliás, foi um ace do ponteiro Filipe que encerrou a partida. O Cruzeiro se impôs por meio da relação entre saque, bloqueio e defesa. Venceu a competição sem perder nenhum set.

Piá, do Bolívar, tem seu ataque amortecido pelo Sada Cruzeiro

O Bolívar, vencedor do torneio em 2010, seis vezes campeão nacional e que fechou a fase de classificação da liga argentina na liderança, tentou complicar a vida do time comandado por Marcelo Mendez variando o saque. Curto, longo, forçado, entre os passadores, na paralela… O serviço argentino incomodou a linha de passe cruzeirense e consequentemente dificultou o trabalho do levantador William em diversos momentos do jogo, mas a superioridade técnica do Sada colocou as coisas nos eixos.

Vindo de uma inesperada batalha em cinco sets diante do anfitrião Montes Claros na semifinal, o Bolívar teve no oposto Thomas Edgar, que foi a Londres 2012, Mundial 2014 e Copa do Mundo 2015 com a seleção da Austrália, sua principal arma. O líbero Alexis González foi outro com atuação destacada. O time, que tem o ponta brasileiro Piá, conta com jogadores com participação em Jogos Olímpicos, como o levantador Demian González, o central Pablo Crer e o líbero Alexis González. O central Max Gauna e o ponta Lucas Ocampo também já atuaram pela seleção argentina. O veterano ponteiro búlgaro Todor Aleksiev foi a Pequim 2008 e Londres 2012 (nesta última a seleção do seu país terminou em quarto lugar), além de participar dos Mundiais 2010 e 2014.

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Leal e Edgar foram os maiores pontuadores da decisão, com 15 pontos cada um. Rodriguinho marcou 11 pontos. Leal, ponta cubano naturalizado brasileiro, foi escolhido o melhor jogador da competição, que teve a participação de sete equipes.

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Na disputa do bronze, o argentino UPCN superou os donos da casa por 3-0 (25-22, 25-19, 25-23). A nota negativa do dia ficou por conta do baixo público no ginásio Tancredo Neves, que tem capacidade para 5 mil pessoas, mas recebeu apenas 1,4 mil para a final, com ingresso a R$ 40 num sábado de Carnaval.

Foi o 26º título brasileiro em 31 edições do Sul-Americano de Clubes. As outras cinco conquistas ficaram com os argentinos.


Favorito, Sada Cruzeiro passeia na semifinal e vê rival se desgastar
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João Batista Junior

Sada Cruzeiro vai tentar, no sábado, o quarto título sul-americano (foto: Léo Fontes/O Tempo)

Se, por questões técnicas, o Sada Cruzeiro já era favorito ao título sul-americano, depois da sexta-feira, pelas semifinais do torneio, essa condição se impõe também na questão física. Enquanto o time celeste cumpriu seu dever, batendo a UPCN/San Juan, da Argentina, por 3 sets a 0 (25-21, 25-19, 25-23), logo no começo da noite, o Bolivar, também argentino, precisou suar a camisa para evitar um vexame diante do Montes Claros e vencer por 3 a 2 (28-26, 25-21, 23-25, 24-26, 15-10).

A partida entre Sada Cruzeiro, que busca o quarto título, e Bolívar, que quer o segundo troféu continental, será disputada neste sábado, a partir das 17h30 (horário de Brasília) e terá transmissão do SporTV. Um atrativo a mais é que as duas equipes lideram a competição nacional de seus respectivos países.

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SADA CRUZEIRO VS. UPCN
Nem William, levantador do Cruzeiro, nem Brajkovic, da UPCN, se deram bem com as bolas rápidas na partida que abriu as semifinais do Sul-Americano. A diferença é que, enquanto o armador argentino só podia socorrer-se com o oposto búlgaro Nikolay Uchikov, o brasileiro tinha Evandro e, principalmente, Leal para trabalhar o ataque com bolas altas. Com efeito, os atacantes cruzeirenses anotaram 46 pontos contra 34 dos adversários.

A UPCN conseguia equilibrar a partida sempre que seu saque diminuía a velocidade do ataque mineiro. Ou, como no segundo set, quando o Cruzeiro pareceu mais interessado em ganhar nas provocações do que na bola. No mais, a técnica dos atuais campeões mundiais prevaleceu.

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O bloqueio do Cruzeiro não obteve mais pontos do que do adversário (6 a 5), mas foi fundamental na reta final da segunda etapa – especificamente, numa rede com Leal, Simón e Alan (oposto que entrou na inversão), a partir da qual o time deslanchou no placar.

A vitória veio num set em que o time comandado por Marcelo Mendez abriu boa margem, mas permitiu uma reação adversária. Foi decisivo, naquele instante, o banco de reservas: o central Éder Levi entrou no jogo e atrapalhou a vida do líbero Garrocq com seu saque.

Líder na Argentina, o Bolivar sofreu para bater Montes Claros, quinto na Superliga (reprodução: Facebook/Bolivar Voley)

MONTES CLAROS VS. BOLIVAR
Contra o favorito Bolivar, que conta com a qualidade e a força do oposto australiano Thomas Edgar, o Montes Claros precisava, a qualquer custo, dificultar o passe do adversário e o trabalho do levantador Demián González (vice-campeão brasileiro na temporada passada com o Brasil Kirin e reserva da seleção argentina nas Olimpíadas do Rio).

Só que, além de Edgar, o líder da liga argentina tem nomes como o ponta Aleksiev, quarto colocado em Londres com a seleção búlgara, e os centrais Pablo Crer e Max Gauna, ambos com experiência na seleção argentina, sendo, pois, uma equipe com reserva técnica para sair de situações complicadas. Ao menos, teoricamente.

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Quando a bola subiu, González dispôs do atacante australiano pela saída de rede e dos pontas Aleksiev e Piá (brasileiro), sem dar muita chance ao bloqueio e à defesa do Montes Claros – foram 16 pontos do ataque do Bolivar na primeira parcial contra apenas 12 dos brasileiros.

A linha de passe do time anfitrião não viveu uma boa jornada e também não melhorou com a entrada do ponta Alê no lugar de Bob Dvoranen. O que deu vida ao Pequi Atômico foram as falhas cometidas pelo adversário, especialmente no terceiro e no quarto sets: em duas parciais decididas além do 25º ponto, os argentinos concederam muito mais pontos em erros do que os brasileiros (11 a 6 no terceiro set, 10 a 6 no quarto).

No quinto set, no auge do esgotamento físico dos dois times, o técnico Marcelinho Ramos manteve em quadra o sexteto que vencera a parcial anterior, com o levantador Índio e o oposto Wanderson, que haviam entrado no lugar de Murilo Radke e Luan Weber numa inversão. O Bolivar, apesar dos reveses nas parciais anteriores, fez uma leitura melhor da partida, percebeu que o ideal era esperar o erro do adversário ou acreditar num ponto de bloqueio em vez de apostar na virada de bola ou rifar o saque. E foi isso o que deu certo.


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João Batista Junior

Montes Claros e Cruzeiro: peso do favoritismo brasileiro no Sul-Americano (foto: Fredson Souza/MCV)

Disputado desde 1970, o Campeonato Sul-Americano masculino de Clubes, a exemplo da versão feminina, sofreu um longo hiato entre 1993 e 2008. Contudo, diferentemente do torneio das mulheres, em que a queda vertiginosa do vôlei peruano tornou a competição uma mera burocracia para o Brasil preencher o nome de seu representante no Mundial de Clubes da FIVB, a competição entre os homens sempre promete alguma disputa entre brasileiros e argentinos.

Noutras palavras, com Sada Cruzeiro e Montes Claros, pelo Brasil, UPCN e Bolivar, pela Argentina, o título continental deste ano irá para o currículo de um dos quatro – Bohemios (Uruguai), San Martin (Bolívia) e Unilever (Peru) são meros coadjuvantes, verão as semifinais da arquibancada.

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UPCN comemora sul-americano de 2013: única vitória argentina no Brasil (foto: UPCN)

Das 30 edições já realizadas do sul-americano masculino, cinco foram levantadas por equipes argentinas e três dessas conquistas datam de 2009 para cá, na fase, digamos, moderna da competição. O Bolívar foi campeão em 2010, enquanto a UPCN/San Juan venceu em 2013 e 2015 – o primeiro de seus títulos, inclusive, foi conquistado em Belo Horizonte, na única vez em que um time argentino venceu a competição em solo brasileiro.

Antes deles, só o Gimnasia y Esgrima Buenos Aires (não confundir com o de La Plata), em 1974, e o Ferro Carril Oeste, em 1987, haviam levado o troféu para a Argentina. Todos os outros 25 vieram para o Brasil.

DOMÍNIO BRASILEIRO
O primeiro campeão continental foi o Randi Esporte Clube, em 1970, em Assunção. Primeiro clube-empresa do voleibol nacional, o time de Santo André chegou a contar com Antônio Carlos Moreno e foi também a primeira equipe adulta em que jogou o ex-levantador José Roberto Guimarães. O Randi foi um dos precursores da Pirelli, uma das grandes equipes do Brasil da década seguinte.

Jornal do Brasil noticia título da Atlântica e festeja Bernard: “estrela do jogo” (reprodução: Jornal do Brasil)

Ao título do Randi, seguiram-se dois do Botafogo, que ainda venceria mais uma vez, em 1977. O clube carioca tinha no elenco nomes como Carlos Arthur Nuzman e Bebeto de Freitas, e foi quem mais jogadores cedeu à seleção brasileira que disputou os Jogos de Munique 1972.

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Porém, o dominou da primeira década do sul-americano masculino coube, mesmo, ao Club Athletico Paulistano. Entre 1973 e 1980, o clube conquistou cinco títulos e ainda hoje é um dos maiores vencedores da história do torneio – empata com o Banespa.

Na década de 1980, o período mais importante para a popularização do vôlei no Brasil, três equipes de três estados distintos disputavam a supremacia continental: a Pirelli, de São Paulo, foi campeã em 1981 e 1983. O Minas venceu em 1984 e 1985. E a Atlântica, do Rio, conquistou os troféus de 1982 e 1987.

Água mole em pedra dura…

O primeiro título da Atlântica, aliás, foi na única vez que o Rio de Janeiro recebeu o sul-americano. Era uma época, diga-se, em que o vôlei até gozava de boa cobertura da imprensa escrita, e a conquista mereceu uma página inteira do caderno de Esportes do Jornal do Brasil da edição do dia 6 de junho de 1982.

Diante de 2,5 mil espectadores no Maracanãzinho, a Atlântica-Boavista venceu a Pirelli por 3 a 0, com folgadas parciais de 15-6, 15-6, 15-5. O time da casa tinha Bernardinho, Renan Dal Zotto, Marcus Vinícius Freire, Bernard Rajzman (saudado pelo Jornal do Brasil como “a estrela do jogo”, graças ao êxito de seu saque “Jornada nas Estrelas”). Os paulistas tinham William, então levantador titular da seleção, Montanaro.

Bernard e Renan estavam num dia muito inspirado”, reconheceu José Carlos Brunoro, técnico da Pirelli, logo depois da partida.

Com elenco de estrelas, Banespa dominou o vôlei brasileiro no início dos anos 1990 (reprodução: E.C.Banespa)

Depois do período de equilíbrio de forças no Sul-Americano, eis que surgiu o Banespa para conquistar todos os troféus continentais entre 1988 e 1992 – e igualar-se ao Paulistano como maior vencedor da competição. O clube, em 1991. ano em que se sagrou campeão continental batendo a Associação Atlética Frangosul (RS), chegou a reunir nomes como jogadores como Marcelo Negrão, Tande, Maurício, Giovane, Amauri e Montanaro, como se vê na foto do livro “80 anos de história – Esporte Clube Banespa”.

O RETORNO
Com a volta do Mundial de Clubes da FIVB, em 2009, a Confederação Sul-Americana de Vôlei animou-se, novamente, a promover seu torneio. Assim, em outubro daquele ano, Santa Catarina recebeu a competição continental, e o título foi para o time da casa, a Cimed, que dominava o vôlei nacional naquele tempo, com Bruno, Lucão, Éder, Thiago Alves, que entre a temporada 2005/2006 e 2009/2010, conquistou também quatro Superligas.

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Cimed comemora o título sul-americano de 2009 (Guto Kuerten)

Depois da vitória do Bolivar em 2010, foi a vez de o Sesi levantar o troféu, em 2011. Com Wallace Martins, Serginho, Murilo e Rodrigão, o time da Vila Leopoldina venceu o torneio pentagonal que valeu o título sul-americano, batendo a argentina UPCN na última rodada, sem chegar a sofrer 20 pontos em nenhum set na competição.

A partir daí, entre 2012 e 2016, o troféu continental passou a alternar-se entre a estante do Sada Cruzeiro, em 2012, 2014 e 2016, e da UPCN/San Juan, em 2013 e 2015. A notável diferença é que o time cruzeirense, com William, Leal, Wallace, Éder, Isac, Filipe, Serginho, conseguiu, em 2013, um título que jamais havia pertencido a qualquer clube do vôlei masculino sul-americano, o de campeão mundial. Repetiu a dose em 2015 e, já com Simón e Evandro no lugar de Éder e Wallace, conquistou o terceiro título mundial em 2016.


Rexona confirma favoritismo e conquista quarto título sul-americano
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João Batista Junior

Num jogo de muitos erros, prevaleceu a experiência do Rexona (foto: Tulio Calegari/Dentil Praia)

A vitória do Rexona-Sesc sobre o Dentil/Praia Clube, por 3 a 1 (25-19, 20-25, 25-19, 25-10), neste sábado, em Uberlândia, na final do Campeonato Sul-Americano feminino de Clubes 2017, premiou tanto o componente técnico quanto emocional da equipe carioca. Contou muito a experiência do time dirigido pelo técnico Bernardinho, que, mesmo depois de uma parcial muito ruim, como a segunda, conseguiu manter-se no jogo, aguardando a vez de as adversárias oscilarem.

Foi o terceiro título sul-americano seguido para o clube do Rio de Janeiro, que já venceu a competição quatro vezes e garantiu vaga na disputa do Mundial feminino de Clubes, em maio, no Japão. E foi também a 22ª vitória carioca em 22 jogos nesse confronto, um tabu incômodo para que tanto tem investido na formação de um elenco, como o Praia tem feito.

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O JOGO
Os erros foram uma constante na partida. No set de abertura, o diferencial a favor do time visitante é que ficou mais evidenciada a dificuldade do Praia no passe e de Claudinha para armar contra-ataques. O Rexona, por outro lado, com uma partida correta de Monique e bons momentos da ponteira Anne Buijs, ajustou-se no fim da primeira parcial e saiu em vantagem no marcador.

A situação mudou no segundo set, quando Fabiana cresceu na partida e o bloqueio praiano subiu junto ela, ora efetuando pontos diretos, ora colaborando com o sistema defensivo amortecendo bolas. Enquanto Roberta, pelo lado carioca, ficou sem opções para o levantamento, com Carol bem marcada no meio e as ponteiras pressionadas, as anfitriãs tinham Alix Klineman para atacar bolas altas com eficiência e empatar a partida.

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Com o jogo empatado e o terceiro set indefinido, o lado emocional do Praia foi testado: a arbitragem deixou passar um lance de dois toques de Carol e, de quebra, a reclamação exacerbada das praianas ainda rendeu mais um ponto ao Rexona. Seria injusto, no entanto, colocar na conta do apito a vitória das cariocas nessa parcial, já que o time da casa retomou o equilíbrio no placar e até foi beneficiado por um erro dos árbitros, que não perceberam um desvio no bloqueio de Claudinha num ataque que se perdeu pela linha de fundo.

O mais correto é atribuir a vitória no set que desempatou a partida à melhora na qualidade do saque e da defesa do Rexona. As cariocas tanto diminuíram a velocidade da armação de jogadas do time de Uberlândia, quanto obrigaram as adversárias a atacarem sempre uma bola a mais. Foi desse modo, num momento crucial, que Gabi pontuou num contra-ataque improvável e que Fabiana, na bola seguinte, cometeu um erro numa bola rápida.

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Uma passagem de Anne Buijs no saque, no quarto set, que foi para o serviço com 3-3 no marcador e deixou em placar em 9-3, mostrou para que estante iria o troféu. Enquanto Fabi parecia multiplicar-se na defesa, Gabi e Monique conseguiam sucesso nas largadas atrás do forte bloqueio praiano. Do outro lado da rede, a equipe da casa estava grogue, nas cordas, vacilante na defesa e sem ataque para responder, e acabou nocauteada pelo melhor time do voleibol feminino do Brasil.


Semis reforçam favoritismo do Rexona contra o Praia no Sul-americano
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Carolina Canossa

Argentinas sofreram com o “paredão” do Rexona (Foto: Neto Talmeli/Divulgação)

A zebra não deu as caras: conforme o esperado, a final do Sul-americano feminino de vôlei contará com os dois representantes brasileiros na competição, o Rexona-Sesc e o Dentil/Praia Clube. Neste sábado (18), às 19 horas (de Brasília), as duas equipes decidirão em Uberlândia quem será o representante do continente no Mundial de clubes, programado para maio, no Japão.

Em sua semi, o Rexona mal tomou conhecimento do Villa Dora, da Argentina, despachado em menos de uma hora de jogo por 25-10, 25-06 e 25-17. O Praia, por sua vez, chegou a flertar com o perigo diante do San Martín, do Peru, mas também triunfou em parciais diretas: 25-18, 25-23 e 25-13.

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Em que pese terem enfrentado somente adversários muito inferiores tecnicamente no torneio, o que dificulta a análise, é possível jogar o favoritismo (de novo) para a equipe carioca: muito mais consistente, o Rexona em nenhum momento ameaçou se complicar neste Sul-americano. Contra o próprio San Martin na primeira fase, por exemplo, as parciais foram de 25-16, 25-11 e 25-16. Vale lembrar ainda que o time comandado pelo técnico Bernardinho jamais perdeu para o Praia nos 21 jogos oficiais já realizados.

Com um saque pouco agressivo, as mineiras tiveram dificuldades para marcar o San Martin e só passaram pelo primeiro set com relativa tranquilidade porque as experientes centrais Walewska e Fabiana fizeram tudo o que desejaram na defesa peruana. Na segunda etapa, porém, a levantadora Claudinha não teve a bola na mão, o que dificultou as ações ofensivas do Praia, que chegou a estar atrás por 13-17. O comando do placar só foi retomado com a passagem da ponteira Michelle pelo saque. No terceiro set, foi preciso recorrer novamente ao talento de Fabiana para se assegurar na decisão.

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Se não comprometeram nesta sexta, as falhas apresentadas pelo Praia não podem se repetir na grande decisão caso o time queira ter alguma chance contra o Rexona, que ainda contou com a vantagem de conseguir descansar suas titulares na metade final do duelo contra o Villa Dora. Depois de entrar na semi com força máxima, a equipe carioca contou com a fragilidade da recepção argentina para abrir vantagem nos dois primeiros sets abusando do combo saque-bloqueio. Estava tão fácil que quem fechou a segunda etapa foi Fabi: ao passar de toque uma bola para o outro lado da quadra, a líbero viu as argentinas se atrapalharem e não conseguirem devolver a bola.

Foi apenas com o time praticamente todo reserva em quadra, já no terceiro set, que as cariocas deram uma vacilada e, após cometerem muitos erros, até permitiram ao Villa Dora abrir dois pontos de vantagem. Nada, porém, que não fosse rapidamente corrigido e comprometesse a classificação (e o descanso das titulares) para mais uma final continental.

Transmissão online

Internautas protestaram contra o SporTV porque queriam a transmissão de Camponesa/Minas x Vôlei Nestlé (Foto: Reprodução Facebook)Diante da defasagem de nível técnico e o consequente resultado previsível nas duas semis do Sul-Americano, o “SporTv” optou por passar os jogos apenas pela internet. Não sem protestos, é claro: desde durante a tarde, fãs de vôlei usaram as redes sociais do canal para reclamarem da não-transmissão da vitória do Camponesa/Minas sobre o Vôlei Nestlé, em duelo da Superliga também realizado esta noite, por 25-20, 25-19 e 25-22 – um resultado “decepcionante” para quem esperava outro jogo cardíaco como o ocorrido na Copa Brasil.

Apesar disso, o narrador e comentaristas do Sul-americano não ignoraram o jogo em BH e, inclusive, informaram os internautas sobre o resultado das parciais. Mesmo que com apenas uma câmera, o SporTv provou ser possível usar o streaming para mostrar decentemente partidas que, por qualquer motivo, não tenham entrado na grade de programação da TV. Tomara que a experiência se repita em outras oportunidades.


Para Giovane, treinar os juvenis é uma oportunidade de inspirá-los
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Sidrônio Henrique

Giovane Gávio fez história como ponta na seleção (foto: CBV)

Bicampeão olímpico e campeão mundial como ponteiro da seleção brasileira, Giovane Gávio vive um momento diferente em sua carreira. Está de volta à seleção, mas desta vez como treinador da equipe masculina sub21, cargo para o qual foi escolhido em meados deste ano. No primeiro torneio, o Sul-Americano da categoria, disputado este mês em Bariloche, Argentina, uma prata, com derrota na final por 1-3 para os anfitriões. Mas foi só o começo. “Vejo essa chance de treinar os juvenis como uma oportunidade de poder inspirá-los, fazer com que cresçam, entendendo a importância do que é a seleção brasileira, assim como foi pra mim”, afirma o técnico, campeão da Superliga 2010/2011 no comando do Sesi, clube onde trabalhou de 2009 a 2013.

Vôlei argentino ameaça hegemonia do Brasil

Não é uma tarefa simples trabalhar com a base em um país que é uma das maiores potências do mundo na modalidade, dono de três títulos olímpicos e mundiais, e Giovane está ciente disso. “Quero mostrar para eles que o Brasil só conseguiu chegar aonde chegou trabalhando muito, se dedicando muito e buscando sempre o melhor”, diz.

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Indagado sobre qual seria o seu maior desafio com os juvenis, ele aponta para a continuidade. “O grande desafio é manter os resultados ao longo dos anos, com gerações que precisam substituir gerações vitoriosas. É difícil manter isso, a expectativa é grande, a cobrança é grande. Esse é o maior desafio de todos em minha opinião. O mundo está se preparando mais e melhor, o cenário internacional está cada vez mais competitivo”, comenta o treinador.

Seleção sub21 foi prata no Sul-Americano disputado em outubro (foto: FeVA)

Mundial sub21
Como apenas o vencedor do Sul-Americano conquistava uma vaga para o Mundial sub21, que será disputado em junho e julho de 2017, na República Tcheca, a seleção brasileira terá que brigar pela classificação na Copa Pan-Americana da categoria, que será realizada em maio, no Canadá.

Será a 19ª edição do Campeonato Mundial, torneio que o Brasil venceu quatro vezes, além de acumular seis pratas e três bronzes. Na edição mais recente, em 2015, no México, os brasileiros ficaram em quarto lugar. O título mais recente do Brasil foi em 2009, na Índia, quando o ponta Maurício Borges foi escolhido o MVP da competição.


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