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Arquivo : Somos Voley

Vídeo mostra que “mago do vôlei” dá show também no futebol
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Sidrônio Henrique

William Arjona (segundo em pé, à direita): confraternização na Argentina (fotos e vídeo: Somos Vóley)

O craque recebe no meio de campo, mata no peito, avança, vê o goleiro adiantado e marca por cobertura. É gol! Golaço!

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Espera aí, o blog não é de vôlei? É sim, mas o artilheiro em questão é um dos maiores talentos em atividade no voleibol mundial. Dá uma olhada no vídeo abaixo. Sim, é o levantador William Arjona, nos seus tempos de Argentina. Apelidado pelos hermanos de El Mago, a ponto de o então técnico da Albiceleste, Javier Weber, ter sugerido que ele se naturalizasse argentino, William esbanjava categoria também no futebol.

O clipe em questão é de uma pelada disputada em 2009, num campinho de aluguel em Buenos Aires, entre 11 atletas do Bolívar, clube de William à época, e seis jornalistas especializados em vôlei, do site Somos Vóley (SV) e do programa semanal de rádio Morgan Lo Hizo. Jogavam cinco de cada lado. As imagens voltaram à tona recentemente no SV porque um clube de futebol, Belgrano de Córdoba, de passagem pela cidade, decidiu treinar no mesmo espaço que a turma do voleibol utilizava com frequência. Foi a deixa para relembrar a habilidade do brasileiro.

Modesto
“Aquilo foi uma brincadeira que fizemos no final da temporada (2008/2009). Eu costumava dizer que era bom jogador. A gente enfrentava os jornalistas, que formavam um grupo bem bacana. Nós sempre íamos ao programa (de rádio) deles. Aquele jogo foi uma comemoração e daí rolaram aqueles lances bem legais”, relembrou, com modéstia, o levantador do Sada Cruzeiro e da seleção brasileira. Observe no vídeo que, antes do gol, William dá uma caneta num desavisado.

Ninguém se machucou durante o jogo entre atletas e jornalistas

“Nós (atletas) acabamos ganhando o jogo, depois fomos para a rádio, eles tinham que terminar de gravar o programa. Eu gosto muito de futebol. Voltei ao Brasil e tenho acompanhado o futebol, como fazia na Argentina. Lá eu gostava do Vélez Sarsfield, por causa de um amigo que jogava comigo (o central Gabriel Arroyo), ele era fanático, me levava aos jogos. Aqui eu torço pelo Cruzeiro, que é o time em que eu jogo, além do Corinthians, que é o meu time de coração”, disse ao SdR o campeão olímpico.

Erros de arbitragem mancham Superliga. O que pode mudar?

Os tempos de jogador de futebol, no entanto, ficaram na Argentina. Por lá, quando não estava marcando gols espetaculares, El Mago colecionava títulos no voleibol. Disputou pelo Bolívar quatro ligas argentinas, de 2006 a 2010, e ganhou todas.

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Ah, o placar da pelada? Ninguém sabe ao certo, apenas que os atletas ganharam. As opções variam entre 1-0, 2-0 e 2-1. Mas isso não tem a menor importância. O que vale mesmo é ver que William Arjona batia um bolão também no futebol.


Falta de dinheiro e preconceito: filho conta o começo de Marcelo Mendez
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Carolina Canossa

Marcelo Mendez começou a carreira de treinador no River Plate (Foto: Montagem Somos Voley)

Marcelo Mendez começou a carreira de treinador no River Plate (Fotomontagem: Somos Voley)

A estreia do Sada Cruzeiro na Superliga masculina 2016/2017 terá um sabor especial para o técnico Marcelo Mendez. Recém-consagrado tricampeão mundial, o argentino vai enfrentar pela primeira vez em um torneio de tamanha importância seu filho, Juan Manuel, líbero da UFJF. O encontro familiar será transmitido em TV aberta, às 14 horas (de Brasília), pela RedeTV!

Apesar das três derrotas acumuladas quando se encontrou com o pai pelo Campeonato Mineiro, Juan Manuel não esconde o orgulho do patriarca. Iniciando sua carreira no esporte, ele escreveu, a convite do site argentino Somos Voley, o depoimento que reproduzimos abaixo. É uma ótima oportunidade para conhecer de perto os percalços daquele que é, hoje, um dos maiores treinadores do voleibol mundial. Confira!

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MARCELO MENDEZ, O CAMPEÃO DE TUDO

Acredite: foi incrível vê-lo triunfar ao longo de todos este anos. Ainda me lembro do ginásio cheio, quando meu pai foi campeão argentino com o River Plate batendo o Club de Amigos na final, lá em 1998. Eu só tinha três anos, mas é inevitável que me venham algumas imagens à cabeça. Tudo conspirava para que o título não viesse: meu irmão Nicolás, que à época tinha seis anos, estava no hospital e, por isso, não pudemos ver as duas primeiras partidas da série melhor de sete. Por sorte, ele melhorou e conseguimos ver os outros jogos. O River virou um 0 a 2 para 4 a 2 e se consagrou pela segunda vez na história campeão da Liga Argentina de Vôlei. Na anterior, meu pai ainda era jogador.

Juan disputa a Superliga pelo UFJF (Foto: Reprodução/Twitter)

Juan disputa a Superliga pelo UFJF (Foto: Reprodução/Twitter)

E como esquecer aquele Super 4 no Luna Park? O River entrou no último suspiro. Ninguém dava um centavo por aquele time. Era o ano de 2001 e, para piorar, um dos melhores jogadores do time, o venezuelano Heriberto Quero, estava lesionado. Mas, por incrível que pareça, o River surpreendeu todo mundo derrotando na semifinal o Rojas Scholem, de Hugo Conte, e na final, diante de 8.000 pessoas, o Bolívar, equipe de (Marcelo) Tinelli que estava cheia de estrelas. O River contava com um tal de Alexis González (atual líbero da seleção argentina), Diego Gutiérrez (atual levantador do River, com 40 anos), Diego Bonini (o desconhecido substituto de Quero que hoje é um dos principais opostos da Liga Argentina), entre tantos outros.

Algo especial deveria ter o técnico do time, não?

Novembro de 2004. Argentina em uma péssima situação. Como era de se esperar, o River também, tanto esportiva como economicamente. Meu pai sempre conta a história de que ia à lanchonete do clube para tomar um café com seus grandes amigos, o preparador físico Fernando Gómez e o assistente Rubén Eiras, e, quando olhava a carteira, não tinha dinheiro para pagar esse simples café. Ele sabia que algo tinha que mudar. O país mal, sete derrotas seguidas na Liga, situação econômica instável, falta de possibilidades… Ele não via perspectivas de crescimento.

Mas tudo a seu tempo. Foi nesse mês que começou a ser construída uma linda história, que me enche de orgulho. Um dia meu pai recebeu um telefonema da Espanha. Era Alexis González, aquele líbero campeão do Super 4, agora jogando no Son Amar Palma. Ele dizia que lhe haviam perguntando se conhecia algum bom técnico e o indicou. Depois de alguns dias, foi a vez de um telefonema de Miguel Ángel Falasca, levantador do time, para falar sobre as condições. Não era um salário muito alto nem nada seguro (somente seis meses de contrato) e seria preciso deixar para trás o trabalho como professor de educação física, além de tantos anos no River. Minha mãe estava no começo da gravidez da minha irmãzinha Pilar. Mas, valente e perseverante, como o sobrenome Mendez manda, meu pai aceitou o desafio. Viu ali a chance de crescer. Ninguém sabe melhor que ele que, se você quer uma mudança de verdade, precisa realizar certos sacrifícios.

Família Mendez passou por dificuldades financeiras antes de a carreira de Marcelo engatar (Foto: Arquivo pessoal)

Família Mendez passou por dificuldades financeiras antes de a carreira de Marcelo engatar (Foto: Arquivo pessoal)

Ah, e fiel ao seu estilo, acabou com a série de sete derrotas seguidas ganhando da constelação do Bolivar. Foi para Palma de Mallorca em 11 de dezembro de 2004. Sozinho.

Ao chegar na Espanha, sofreu muito preconceito por ser um sul-americano no Velho Continente. Apesar das críticas, confiando fortemente em suas capacidades, e com o apoio de sua família à distância, soube calar bocas. Em fevereiro de 2005, ganhou a Copa do Rei. A final foi transmitida pela TVE (a televisão pública espanhola), e eu finalmente pude ver meu pai de alguma maneira depois de dois meses, pois em casa não tínhamos um computador moderno nem telefones celulares.

Foram seis meses sem encontrá-lo pessoalmente, mas realmente valeu a pena. Meu pai voltou para a Argentina, mas não para ficar e sim para nos levar à Espanha e assim continuar escrevendo essa magnífica história.

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O resto, vocês sabem. Três ligas espanholas conquistadas, uma final de Copa CEV, outra de Top Teams Cup (perdida no tie-break por 15-13 contra o Piacenza de Marshall, Grbic, Serginho, entre outros, o dia em que mais chorei na minha vida), e um quinto lugar na Champions League, que até hoje é o melhor resultado de um time espanhol na maior competição europeia de vôlei. Fantástico.

Pelo time passaram jogadores que até hoje admiro, como o próprio Alexis González, o argentino-espanhol Miguel Ángel Falasca, o astro francês Stephane Antiga, e os brasileiros Rodrigo Freitas e Vinicius Mendes.

Nos anos de 2007 e 2008, meu pai teve a difícil tarefa de assumir a seleção espanhola, carente de grandes estrelas, mas com dirigentes muito exigentes, ainda mais porque havia um argentino no comando. Isso não era muito bem visto pelos jornalistas espanhóis. Mas ele não se importou e continuou com a humildade que o caracteriza, fazendo seu trabalho. Para começar, conseguiu um honroso quinto lugar na Copa do Mundo de 2007, no Japão. O objetivo era se classificar para a Olimpíada de Pequim, o que na Europa é extremamente difícil.

Hora do Pré-Olímpico europeu, no qual a Espanha conseguiu grandes vitórias sobre potências como Itália e Polônia. Chegou-se à esperada final contra a temível Sérvia de Ivan Miljkovic. Mas, de novo, o fantasma do 15-13 apareceu. Esse 3 a 2 contra os sérvios, o fato de ser argentino e a não inclusão do ídolo Rafa Pascual foram motivos para críticas. O obtido por uma humilde seleção não foi valorizado naquele momento. Mas o tempo é o senhor da razão.

A última temporada na Espanha, a de 2008/2009, no início da forte crise europeia, foi uma das mais produtivas e divertidas da vida do meu pai. A perda de alguns jogadores por falta de dinheiro significou na oportunidade de meu irmão Nicolás disputar uma liga adulta pela primeira vez, com apenas 16 anos.

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Depois de cinco grandes temporadas no Velho Continente, meu pai teve que voltar à Argentina, e incrivelmente foi mais difícil encontrar uma equipe do que pensava. Ainda se perguntando o que teria feito para ninguém lhe chamar, soube ser paciente e esperar.

Em junho de 2009, o agente brasileiro de jogadores Geraldo Maciel se comunicou com meu pai para lhe contar do novo projeto de Montes Claros, o orçamento disponível e que só haviam contratado apenas um jogador, enquanto os demais times já estavam montados.

Ele então assumiu a equipe e começou a dar forma a ele com seus conhecimentos e jogadores brasileiros desconhecidos ou “perdidos” na Europa, mas hoje já reconhecidos, como Tiago Brendle, Rodriguinho, Diogo e Lorena.

Nem tudo foi um mar de rosas. As duas primeiras semanas da pré-temporada tiveram que ser realizadas em uma praça no centro da cidade por falta de instalações. Como consequência, eles não conseguiram jogar bem na primeira fase do Campeonato Mineiro.

Porém, contra todos os prognósticos e as adversidades, ganham a semifinal do Estadual contra o time no qual meu pai faria história posteriormente, o Sada Cruzeiro. Na final, diante do tradicional Minas Tênis Clube, a torcida deles já gritava “é campeão” quando o placar apontava 2-1 e 21-16 no quarto set, mas o Montes Claros conseguiu a virada. Este título mineiro e o do Desafio Globo, vencendo equipes como a Cimed (multicampeã à época), são os únicos conseguidos pelo Montes Claros até hoje. Ambos com Marcelo Mendez no comando.

Líbero jogou no Sada antes de ser emprestado ao UFJF para ganhar experiência (Foto: Arquivo pessoal)

Líbero jogou no Sada antes de ser emprestado ao UFJF para ganhar experiência (Foto: Arquivo pessoal)

O dono do Sada Cruzeiro, Vittorio Medioli, não conseguia entender como um argentino, desconhecido no Brasil, chega do nada e conquista dois campeonatos importantes para eles com um elenco completamente novo e que começou a treinar um mês depois dos rivais.

Foi assim que, antes de começar a Superliga, o mesmíssimo Vittorio, chamou Marcelo e lhe ofereceu o cargo de treinador do Sada Cruzeiro, mostrando-se disposto a pagar qualquer cláusula de rescisão que a equipe do norte de Minas lhe impusesse.

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Com um projeto sério, um profissional competente, capacitado e jogadores comprometidos, se alcançam grandes coisas, como três títulos Sul-americanos, quatro Superligas e o tri mundial, com direito a vitórias sobre os melhores times europeus. E isso em apenas seis anos. São 29 campeonatos, 27 finais e 23 títulos conquistados. Um treinador que não se cansa de vencer.

Para ser o melhor, ou um dos melhores, antes é preciso passar por várias coisas. Você é constantemente testado. Mas como se diz em “Rocky”, o filme favorito do Marcelo: “Não importa o quão forte seja seu soco. O que importa é o quando forte você pode ser golpeado e continuar avançado, o tanto que você pode suportar e continuar em frente”.

É como meu pai sempre diz: “Os começos são difíceis e os finais são tristes, mas o que importa é o meio”. Pois eu tenho certeza de uma coisa: ele está no meio há um tempão…


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