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Arquivo : seleção argentina

Vídeo mostra que “mago do vôlei” dá show também no futebol
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Sidrônio Henrique

William Arjona (segundo em pé, à direita): confraternização na Argentina (fotos e vídeo: Somos Vóley)

O craque recebe no meio de campo, mata no peito, avança, vê o goleiro adiantado e marca por cobertura. É gol! Golaço!

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Espera aí, o blog não é de vôlei? É sim, mas o artilheiro em questão é um dos maiores talentos em atividade no voleibol mundial. Dá uma olhada no vídeo abaixo. Sim, é o levantador William Arjona, nos seus tempos de Argentina. Apelidado pelos hermanos de El Mago, a ponto de o então técnico da Albiceleste, Javier Weber, ter sugerido que ele se naturalizasse argentino, William esbanjava categoria também no futebol.

O clipe em questão é de uma pelada disputada em 2009, num campinho de aluguel em Buenos Aires, entre 11 atletas do Bolívar, clube de William à época, e seis jornalistas especializados em vôlei, do site Somos Vóley (SV) e do programa semanal de rádio Morgan Lo Hizo. Jogavam cinco de cada lado. As imagens voltaram à tona recentemente no SV porque um clube de futebol, Belgrano de Córdoba, de passagem pela cidade, decidiu treinar no mesmo espaço que a turma do voleibol utilizava com frequência. Foi a deixa para relembrar a habilidade do brasileiro.

Modesto
“Aquilo foi uma brincadeira que fizemos no final da temporada (2008/2009). Eu costumava dizer que era bom jogador. A gente enfrentava os jornalistas, que formavam um grupo bem bacana. Nós sempre íamos ao programa (de rádio) deles. Aquele jogo foi uma comemoração e daí rolaram aqueles lances bem legais”, relembrou, com modéstia, o levantador do Sada Cruzeiro e da seleção brasileira. Observe no vídeo que, antes do gol, William dá uma caneta num desavisado.

Ninguém se machucou durante o jogo entre atletas e jornalistas

“Nós (atletas) acabamos ganhando o jogo, depois fomos para a rádio, eles tinham que terminar de gravar o programa. Eu gosto muito de futebol. Voltei ao Brasil e tenho acompanhado o futebol, como fazia na Argentina. Lá eu gostava do Vélez Sarsfield, por causa de um amigo que jogava comigo (o central Gabriel Arroyo), ele era fanático, me levava aos jogos. Aqui eu torço pelo Cruzeiro, que é o time em que eu jogo, além do Corinthians, que é o meu time de coração”, disse ao SdR o campeão olímpico.

Erros de arbitragem mancham Superliga. O que pode mudar?

Os tempos de jogador de futebol, no entanto, ficaram na Argentina. Por lá, quando não estava marcando gols espetaculares, El Mago colecionava títulos no voleibol. Disputou pelo Bolívar quatro ligas argentinas, de 2006 a 2010, e ganhou todas.

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Ah, o placar da pelada? Ninguém sabe ao certo, apenas que os atletas ganharam. As opções variam entre 1-0, 2-0 e 2-1. Mas isso não tem a menor importância. O que vale mesmo é ver que William Arjona batia um bolão também no futebol.


Quem foram os melhores do vôlei masculino em 2016?
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Sidrônio Henrique

Seleção brasileira, Sada Cruzeiro, Wallace, Argentina e Zaytsev em destaque (fotos: FIVB e FeVA)

O ano que termina será uma boa lembrança para o vôlei masculino do Brasil. Após uma longa espera, a equipe treinada por Bernardinho chegou novamente ao topo do pódio e justamente numa Olimpíada. Melhor que isso, só se fosse em casa. E foi assim.

Já os torcedores do Sada Cruzeiro celebraram ainda mais, pois além do ouro da seleção brasileira na Rio 2016 viram seu clube ganhar a Superliga pela quarta vez e o Mundial de Clubes pela terceira, entre outras conquistas.

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Na lista do Saída de Rede sobre os melhores do ano no vôlei masculino entraram dois opostos: um brasileiro e um italiano.

Para fechar, não dá para deixar de lado a evolução, a organização e o investimento feito pela Argentina. Nossos vizinhos estão levando o voleibol muito a sério.

Confira quem foram os melhores do vôlei masculino em 2016 na avaliação do SdR:

Fim da espera: Brasil foi ouro na Rio 2016 (fotos: FIVB)

SELEÇÃO BRASILEIRA
Lá se iam seis anos sem um grande título, desde o Campeonato Mundial 2010. A conquista da desprestigiada Copa dos Campeões 2013 pouco atenuou a agonia. Foram várias pratas no caminho, que demonstravam a solidez de uma seleção presente na maioria das decisões, mas faltava algo, até que finalmente acabou o jejum. Diante de quase 12 mil torcedores, no que antes era apontado como um fator a mais de pressão, a seleção masculina de vôlei conquistou a medalha de ouro na Olimpíada do Rio, ao bater a Itália por 3-0 na final.

Um título alcançado com sacrifício, com três dos 12 atletas contundidos e uma linha de passe inconsistente, porém com o time superando adversários superiores fisicamente, graças principalmente ao sistema de jogo colocado em prática por Bernardinho. O técnico pôde assim celebrar seu segundo ouro olímpico – ele que havia ganhado três mundiais, duas Copas do Mundo e oito edições da Liga Mundial.

Uma conquista de Wallace, Bruno, Maurício Souza, Lucão, Lucarelli, Lipe, Serginho, Evandro, William, Éder, Maurício Borges e Douglas. Os pontas Lucarelli e Lipe, assim como o central Maurício Souza, jogaram abaixo de sua melhor condição física, mas deram o melhor de si. Lucarelli voltou à quadra mancando nas quartas de final, diante da Argentina.

Foi a Olimpíada da consagração definitiva de Serginho, o veterano líbero que completou 41 anos menos de dois meses após a Rio 2016. Ele foi o MVP da competição. Juntou-se ainda aos ex-atletas Maurício Lima e Giovane Gavio como bicampeão olímpico no vôlei brasileiro, sendo também um dos três jogadores no mundo com quatro medalhas olímpicas (dois ouros e duas pratas) – os outros dois são o russo Sergey Tetyukhin (um ouro, uma prata e dois bronzes) e o italiano Samuele Papi (duas pratas e dois bronzes).

O ouro no Rio de Janeiro foi o terceiro do vôlei masculino do Brasil, que havia subido ao lugar mais alto do pódio em Barcelona 1992 e em Atenas 2004.

Time mineiro não sabe o que é perder desde o returno da Superliga passada

SADA CRUZEIRO
Você sabe quando foi a última derrota do Sada Cruzeiro em partidas oficiais? Foi no returno da Superliga 2015/2016. Este semestre, tendo disputado Campeonato Mineiro, Mundial de Clubes e Supercopa, além do primeiro turno da Superliga 2016/2017, o time comandado pelo argentino Marcelo Mendez terminou invicto. É difícil imaginar que essa equipe deixe de conquistar a Superliga pela quinta vez. Em nível global, já são três títulos mundiais.

O elenco é estelar. O Cruzeiro conta com os campeões olímpicos William e Evandro, o selecionável Isac, um líbero tarimbado como Serginho, uma promessa de alto nível como Rodriguinho revezando-se com um veterano da qualidade de Filipe. Mas vieram de fora os principais nomes da atual equipe: dois cubanos. Um deles, o ponta Leal, naturalizou-se brasileiro e poderá jogar pela seleção a partir de 2018. O outro é o central Simon, capaz de jogar como oposto se for preciso. Quando o Sada Cruzeiro consegue entrar em alta rotação, geralmente resta ao adversário lamentar.

Segundo o Saída de Rede apurou, os gastos do time mineiro podem chegar a R$ 13 milhões por temporada, investimento equivalente ao do tradicional Trentino, da Itália, terceiro colocado no Mundial deste ano e maior vencedor da história do torneio, com quatro títulos. Por outro lado, é menos da metade dos pouco mais de R$ 27 milhões desembolsados na temporada passada pelos russos do Zenit Kazan, derrotado pelo Sada Cruzeiro nas decisões de 2015 e de 2016.

Oposto Wallace de Souza foi o maior pontuador da Rio 2016

WALLACE DE SOUZA
Ninguém duvida que Serginho é um craque, provavelmente o melhor líbero da história. Mas quem acompanhou a trajetória da seleção masculina na Rio 2016 talvez tenha tido a sensação que o prêmio de melhor jogador da competição poderia ter sido dado, por exemplo, ao oposto Wallace de Souza. Escolhas de MVP quase sempre despertam alguma polêmica e o prêmio, afinal, ficou em boas mãos ao ser dado ao veterano líbero. O fato é que Wallace brilhou muito no Maracanãzinho.

Procure lembrar os momentos mais difíceis da seleção na Olimpíada e provavelmente Wallace terá estado presente para ajudar. É dever de ofício de um oposto sair de enrascadas, mas o que chamou a atenção nesse jogador de 29 anos e 1,98m durante a Rio 2016 foi seu grau de maturidade. Se em grandes competições anteriores, como Londres 2012, quando foi elevado à condição de titular após uma contusão de Leandro Vissotto nas quartas de final, ou o Mundial 2014, Wallace havia oscilado em momentos decisivos, no Maracanãzinho ele foi essencial para despachar os oponentes. Terminou a Olimpíada como o maior pontuador da competição e teve o segundo melhor aproveitamento no ataque.

Italiano Ivan Zaytsev tirou os americanos da final no saque

IVAN ZAYTSEV
A Itália mais uma vez bateu na trave, ficou com a prata olímpica pela terceira vez na história – acumula ainda três bronzes. No entanto, se não fosse por ele, a Azzurra não teria chegado tão longe no Rio de Janeiro. Dia 19 de agosto, ginásio do Maracanãzinho, quarto set, o placar apontava 22 a 19 a favor dos Estados Unidos, que lideravam a partida por 2-1 e estavam perto da decisão do ouro. Os italianos conseguem a virada de bola e o oposto Ivan Zaytsev vai para o saque. Ele não saiu mais de lá até o final da parcial. Veio o tie break e a Itália, cheia de moral, liquidou os EUA.

Porém, não foi apenas por uma sequência impressionante no serviço, em uma partida importante que parecia perdida, que esse italiano filho de russos (o pai, Vyacheslav, foi uma lenda soviética no levantamento), 28 anos, 2,02m, merece todo esse destaque. Desde o início do torneio, quando sua seleção desmantelou a favorita França, Zaytsev mostrou a que veio.

Sua versatilidade permite que jogue como ponteiro em seu clube, Perugia, algo que aliás já fazia na própria seleção há algumas temporadas. Ele começou a carreira seguindo os passos do pai e aos 16 anos já era levantador na primeira divisão da forte liga italiana. No final da década passada, virou atacante e o resto é história. Ivan Zaytsev é um daqueles atletas que valem o ingresso, um jogador que abre caminho com uso da força, mas que sabe utilizar a técnica. Na Rio 2016, ele foi um show à parte. Que o digam os americanos…

Fachada do centro de treinamento em Chapadmalal (foto: FeVA)

VÔLEI ARGENTINO
Não, ele ainda não é da elite. Mas se depender de empenho, organização e planejamento, o voleibol masculino da Argentina chega lá em alguns anos. O ano de 2016 foi importante para os nossos vizinhos. OK, a campanha na Rio 2016 repetiu o resultado de Londres 2012, com a eliminação nas quartas de final, mas o desempenho foi bem superior. Os argentinos terminaram em primeiro lugar na sua chave, com uma vitória inédita sobre a Rússia nos Jogos Olímpicos. Nas quartas, exigiram muito do Brasil e quase levaram a partida para o tie break.

O melhor deles este ano veio da base e principalmente de um investimento realizado pela Federação do Voleibol Argentino (FeVA).

No Sul-Americano sub19 masculino, eles venceram quatro das últimas cinco edições. Na mais recente, disputada em outubro, surraram os brasileiros em sets diretos. No sub21, no mesmo mês, marcaram 3-1 de virada sobre uma atônita seleção brasileira. À medida que vem a transição para o adulto, outros fatores se impõem, a começar pela carência que os nossos vizinhos enfrentam em algumas posições, por causa da menor quantidade de jogadores disponíveis. No Sul-Americano sub23, por exemplo, o título ficou com o Brasil. No adulto, ainda precisam de um oposto matador, que pode vir a ser em um futuro próximo o talentoso Bruno Lima – ele esteve na Rio 2016 como titular, apesar de seus 20 anos.

O grande investimento da FeVA, anunciado com pompa mas sem divulgação dos valores pelo seu presidente, Juan Antonio Gutiérrez, é um ambicioso complexo chamado de Centro Internacional de Alto Rendimento de Chapadmalal, na cidade de mesmo nome, a 300 quilômetros de Buenos Aires. O local aproveita a estrutura de um hotel desativado. Inaugurado em novembro, ainda inacabado (deve ser concluído em 2017), o centro já recebeu campeonatos de base. A FeVA quer que seja uma referência mundial, nos moldes de Saquarema. Quando finalizado, contará com um ginásio poliesportivo, hotel com 725 apartamentos, teatro com capacidade para 600 pessoas, restaurante com capacidade para 800, além de dez quadras indoor e mais quatro para o vôlei de praia.

A popularidade do vôlei vem crescendo entre os hermanos. A liga argentina masculina é transmitida ao vivo pela TV e via YouTube. A modalidade já é uma das três mais praticadas nas escolas, segundo a FeVA. Há potencial e a federação local vem trabalhando para aproveitá-lo.


Aclamado no mundo, técnico argentino diz que “ganhar do Brasil é um sonho”
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Sidrônio Henrique

Julio Velasco dá orientações ao ponta Facundo Conte, principal jogador argentino (foto: FIVB)

“Ganhar do Brasil é um sonho, uma meta. Temos os brasileiros como referência para saber o quanto nos aproximamos deles, o quanto melhoramos”. A declaração, que revela um desejo e ao mesmo tempo reflete a realidade, foi feita ao Saída de Rede pelo técnico da seleção masculina da Argentina, Julio Velasco. “Vencer o Brasil é uma aspiração que a Argentina tem e não vamos ceder. Nem eu nem qualquer argentino. Mas sabemos reconhecer a superioridade dos brasileiros. É uma equipe que está na final de todos os torneios, acabou de ganhar as Olimpíadas. Os brasileiros são os melhores do mundo, isso é indiscutível”, completa.

Vôlei argentino ameaça hegemonia do Brasil

Velasco, reconhecido mundialmente por sua trajetória com a seleção da Itália nos anos 1990 e que recentemente colaborou com a ascensão do Irã, entre os anos de 2011 e 2013, assinou nesta terça-feira (22) a renovação do seu contrato com a Federação do Voleibol Argentino (FeVA) até as Olimpíadas de Tóquio, em 2020. A manutenção do trabalho iniciado pelo treinador em 2014 já era conhecida desde maio, como o SdR informou à época, mas somente agora, passada a Rio 2016 e tendo a chance de vir da Itália, onde ele mora com a família, para a Argentina, foi possível formalizar a renovação.

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Esta temporada, a Argentina demonstrou um bom voleibol desde a Liga Mundial, mas foi na Olimpíada que surpreendeu ao terminar a fase de classificação como primeira do seu grupo, à frente de Polônia e Rússia. Teve a má sorte de encarar o Brasil nas quartas de final e, mesmo diante do Maracanãzinho lotado, jogou de igual para igual contra os futuros campeões olímpicos, perdendo por 1-3 em um duelo que quase foi decidido no tie break. Segundo Velasco, na Rio 2016 a Argentina teve o melhor aproveitamento da competição nos ataques com bolas altas, o que causa espanto em razão da baixa média de estatura da equipe e por não ter tanta potência, indicando técnica apurada.

Velasco e o presidente da FeVA, Juan Antonio Gutiérrez (foto: FeVA)

Desafio
“Vamos avançando, mas seguimos perdendo dos brasileiros. No próximo Campeonato Sul-Americano vamos nos medir ante eles mais uma vez”, diz o treinador. Segundo a Confederação Sul-Americana de Vôlei (CSV), o torneio será disputado em agosto, no Brasil. A cidade e as datas ainda serão definidas.

A Argentina não vence a seleção brasileira principal desde o 3-1 nas quartas de final dos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000. Outra vitória memorável para eles foi a que lhes deu o bronze em Seul 1988, quando um Brasil montado às pressas depois de uma crise levou o jogo para o quinto set, mas caiu.

Euforia
No ano passado, nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, os hermanos entraram em êxtase ao conquistar o ouro – com direito a mensagem de parabéns do ex-craque de futebol Diego Maradona pela vitória sobre o Brasil na final –, mas jogaram contra uma seleção brasileira B, cheia de juvenis. A imprensa local, por desconhecimento ou pelo simples prazer de comemorar o “feito”, foi ao delírio.

Para o ciclo olímpico 2017-2020, Julio Velasco quer colocar de vez a sua seleção na elite. “Temos que começar a ganhar mais partidas do que vemos fazendo nas temporadas até aqui. Chegar, por exemplo, às finais da Liga Mundial. Queremos ganhar do Brasil na final do Sul-Americano”, enfatiza. Aliás, derrotar seus maiores rivais numa final do campeonato continental seria algo histórico. Nos 31 Sul-Americanos realizados, o Brasil ficou com o título em 30 edições. No único vencido pela Argentina, em 1964, a seleção brasileira não participou.

Colaborou Sol Didiego, do site argentino Somos Vóley


Falta de dinheiro e preconceito: filho conta o começo de Marcelo Mendez
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Carolina Canossa

Marcelo Mendez começou a carreira de treinador no River Plate (Foto: Montagem Somos Voley)

Marcelo Mendez começou a carreira de treinador no River Plate (Fotomontagem: Somos Voley)

A estreia do Sada Cruzeiro na Superliga masculina 2016/2017 terá um sabor especial para o técnico Marcelo Mendez. Recém-consagrado tricampeão mundial, o argentino vai enfrentar pela primeira vez em um torneio de tamanha importância seu filho, Juan Manuel, líbero da UFJF. O encontro familiar será transmitido em TV aberta, às 14 horas (de Brasília), pela RedeTV!

Apesar das três derrotas acumuladas quando se encontrou com o pai pelo Campeonato Mineiro, Juan Manuel não esconde o orgulho do patriarca. Iniciando sua carreira no esporte, ele escreveu, a convite do site argentino Somos Voley, o depoimento que reproduzimos abaixo. É uma ótima oportunidade para conhecer de perto os percalços daquele que é, hoje, um dos maiores treinadores do voleibol mundial. Confira!

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MARCELO MENDEZ, O CAMPEÃO DE TUDO

Acredite: foi incrível vê-lo triunfar ao longo de todos este anos. Ainda me lembro do ginásio cheio, quando meu pai foi campeão argentino com o River Plate batendo o Club de Amigos na final, lá em 1998. Eu só tinha três anos, mas é inevitável que me venham algumas imagens à cabeça. Tudo conspirava para que o título não viesse: meu irmão Nicolás, que à época tinha seis anos, estava no hospital e, por isso, não pudemos ver as duas primeiras partidas da série melhor de sete. Por sorte, ele melhorou e conseguimos ver os outros jogos. O River virou um 0 a 2 para 4 a 2 e se consagrou pela segunda vez na história campeão da Liga Argentina de Vôlei. Na anterior, meu pai ainda era jogador.

Juan disputa a Superliga pelo UFJF (Foto: Reprodução/Twitter)

Juan disputa a Superliga pelo UFJF (Foto: Reprodução/Twitter)

E como esquecer aquele Super 4 no Luna Park? O River entrou no último suspiro. Ninguém dava um centavo por aquele time. Era o ano de 2001 e, para piorar, um dos melhores jogadores do time, o venezuelano Heriberto Quero, estava lesionado. Mas, por incrível que pareça, o River surpreendeu todo mundo derrotando na semifinal o Rojas Scholem, de Hugo Conte, e na final, diante de 8.000 pessoas, o Bolívar, equipe de (Marcelo) Tinelli que estava cheia de estrelas. O River contava com um tal de Alexis González (atual líbero da seleção argentina), Diego Gutiérrez (atual levantador do River, com 40 anos), Diego Bonini (o desconhecido substituto de Quero que hoje é um dos principais opostos da Liga Argentina), entre tantos outros.

Algo especial deveria ter o técnico do time, não?

Novembro de 2004. Argentina em uma péssima situação. Como era de se esperar, o River também, tanto esportiva como economicamente. Meu pai sempre conta a história de que ia à lanchonete do clube para tomar um café com seus grandes amigos, o preparador físico Fernando Gómez e o assistente Rubén Eiras, e, quando olhava a carteira, não tinha dinheiro para pagar esse simples café. Ele sabia que algo tinha que mudar. O país mal, sete derrotas seguidas na Liga, situação econômica instável, falta de possibilidades… Ele não via perspectivas de crescimento.

Mas tudo a seu tempo. Foi nesse mês que começou a ser construída uma linda história, que me enche de orgulho. Um dia meu pai recebeu um telefonema da Espanha. Era Alexis González, aquele líbero campeão do Super 4, agora jogando no Son Amar Palma. Ele dizia que lhe haviam perguntando se conhecia algum bom técnico e o indicou. Depois de alguns dias, foi a vez de um telefonema de Miguel Ángel Falasca, levantador do time, para falar sobre as condições. Não era um salário muito alto nem nada seguro (somente seis meses de contrato) e seria preciso deixar para trás o trabalho como professor de educação física, além de tantos anos no River. Minha mãe estava no começo da gravidez da minha irmãzinha Pilar. Mas, valente e perseverante, como o sobrenome Mendez manda, meu pai aceitou o desafio. Viu ali a chance de crescer. Ninguém sabe melhor que ele que, se você quer uma mudança de verdade, precisa realizar certos sacrifícios.

Família Mendez passou por dificuldades financeiras antes de a carreira de Marcelo engatar (Foto: Arquivo pessoal)

Família Mendez passou por dificuldades financeiras antes de a carreira de Marcelo engatar (Foto: Arquivo pessoal)

Ah, e fiel ao seu estilo, acabou com a série de sete derrotas seguidas ganhando da constelação do Bolivar. Foi para Palma de Mallorca em 11 de dezembro de 2004. Sozinho.

Ao chegar na Espanha, sofreu muito preconceito por ser um sul-americano no Velho Continente. Apesar das críticas, confiando fortemente em suas capacidades, e com o apoio de sua família à distância, soube calar bocas. Em fevereiro de 2005, ganhou a Copa do Rei. A final foi transmitida pela TVE (a televisão pública espanhola), e eu finalmente pude ver meu pai de alguma maneira depois de dois meses, pois em casa não tínhamos um computador moderno nem telefones celulares.

Foram seis meses sem encontrá-lo pessoalmente, mas realmente valeu a pena. Meu pai voltou para a Argentina, mas não para ficar e sim para nos levar à Espanha e assim continuar escrevendo essa magnífica história.

Ele era o sucessor de Giba, mas o ombro o impediu de chegar lá

O resto, vocês sabem. Três ligas espanholas conquistadas, uma final de Copa CEV, outra de Top Teams Cup (perdida no tie-break por 15-13 contra o Piacenza de Marshall, Grbic, Serginho, entre outros, o dia em que mais chorei na minha vida), e um quinto lugar na Champions League, que até hoje é o melhor resultado de um time espanhol na maior competição europeia de vôlei. Fantástico.

Pelo time passaram jogadores que até hoje admiro, como o próprio Alexis González, o argentino-espanhol Miguel Ángel Falasca, o astro francês Stephane Antiga, e os brasileiros Rodrigo Freitas e Vinicius Mendes.

Nos anos de 2007 e 2008, meu pai teve a difícil tarefa de assumir a seleção espanhola, carente de grandes estrelas, mas com dirigentes muito exigentes, ainda mais porque havia um argentino no comando. Isso não era muito bem visto pelos jornalistas espanhóis. Mas ele não se importou e continuou com a humildade que o caracteriza, fazendo seu trabalho. Para começar, conseguiu um honroso quinto lugar na Copa do Mundo de 2007, no Japão. O objetivo era se classificar para a Olimpíada de Pequim, o que na Europa é extremamente difícil.

Hora do Pré-Olímpico europeu, no qual a Espanha conseguiu grandes vitórias sobre potências como Itália e Polônia. Chegou-se à esperada final contra a temível Sérvia de Ivan Miljkovic. Mas, de novo, o fantasma do 15-13 apareceu. Esse 3 a 2 contra os sérvios, o fato de ser argentino e a não inclusão do ídolo Rafa Pascual foram motivos para críticas. O obtido por uma humilde seleção não foi valorizado naquele momento. Mas o tempo é o senhor da razão.

A última temporada na Espanha, a de 2008/2009, no início da forte crise europeia, foi uma das mais produtivas e divertidas da vida do meu pai. A perda de alguns jogadores por falta de dinheiro significou na oportunidade de meu irmão Nicolás disputar uma liga adulta pela primeira vez, com apenas 16 anos.

Para Giovane, treinar juvenis é uma oportunidade de inspirá-los

Depois de cinco grandes temporadas no Velho Continente, meu pai teve que voltar à Argentina, e incrivelmente foi mais difícil encontrar uma equipe do que pensava. Ainda se perguntando o que teria feito para ninguém lhe chamar, soube ser paciente e esperar.

Em junho de 2009, o agente brasileiro de jogadores Geraldo Maciel se comunicou com meu pai para lhe contar do novo projeto de Montes Claros, o orçamento disponível e que só haviam contratado apenas um jogador, enquanto os demais times já estavam montados.

Ele então assumiu a equipe e começou a dar forma a ele com seus conhecimentos e jogadores brasileiros desconhecidos ou “perdidos” na Europa, mas hoje já reconhecidos, como Tiago Brendle, Rodriguinho, Diogo e Lorena.

Nem tudo foi um mar de rosas. As duas primeiras semanas da pré-temporada tiveram que ser realizadas em uma praça no centro da cidade por falta de instalações. Como consequência, eles não conseguiram jogar bem na primeira fase do Campeonato Mineiro.

Porém, contra todos os prognósticos e as adversidades, ganham a semifinal do Estadual contra o time no qual meu pai faria história posteriormente, o Sada Cruzeiro. Na final, diante do tradicional Minas Tênis Clube, a torcida deles já gritava “é campeão” quando o placar apontava 2-1 e 21-16 no quarto set, mas o Montes Claros conseguiu a virada. Este título mineiro e o do Desafio Globo, vencendo equipes como a Cimed (multicampeã à época), são os únicos conseguidos pelo Montes Claros até hoje. Ambos com Marcelo Mendez no comando.

Líbero jogou no Sada antes de ser emprestado ao UFJF para ganhar experiência (Foto: Arquivo pessoal)

Líbero jogou no Sada antes de ser emprestado ao UFJF para ganhar experiência (Foto: Arquivo pessoal)

O dono do Sada Cruzeiro, Vittorio Medioli, não conseguia entender como um argentino, desconhecido no Brasil, chega do nada e conquista dois campeonatos importantes para eles com um elenco completamente novo e que começou a treinar um mês depois dos rivais.

Foi assim que, antes de começar a Superliga, o mesmíssimo Vittorio, chamou Marcelo e lhe ofereceu o cargo de treinador do Sada Cruzeiro, mostrando-se disposto a pagar qualquer cláusula de rescisão que a equipe do norte de Minas lhe impusesse.

Rigoroso e obcecado por trabalho, Marcelo Mendez se credencia para a seleção brasileira

Com um projeto sério, um profissional competente, capacitado e jogadores comprometidos, se alcançam grandes coisas, como três títulos Sul-americanos, quatro Superligas e o tri mundial, com direito a vitórias sobre os melhores times europeus. E isso em apenas seis anos. São 29 campeonatos, 27 finais e 23 títulos conquistados. Um treinador que não se cansa de vencer.

Para ser o melhor, ou um dos melhores, antes é preciso passar por várias coisas. Você é constantemente testado. Mas como se diz em “Rocky”, o filme favorito do Marcelo: “Não importa o quão forte seja seu soco. O que importa é o quando forte você pode ser golpeado e continuar avançado, o tanto que você pode suportar e continuar em frente”.

É como meu pai sempre diz: “Os começos são difíceis e os finais são tristes, mas o que importa é o meio”. Pois eu tenho certeza de uma coisa: ele está no meio há um tempão…


Brasil, decime qué se siente
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Sidrônio Henrique

Argentina celebrate

A Argentina cresce: com Velasco no comando, eles querem ascender à elite do vôlei (foto: FIVB)

Bicampeão sul-americano no sub19, campeão no sub21, atual vice-campeão mundial nas duas categorias, adversário duro nas quartas de final na Rio 2016… Não é de hoje que o vôlei masculino da Argentina quer deixar o segundo escalão mundial e entrar para a elite, mas agora, mais do que nunca, eles estão perto de conseguir, tornando-se uma ameaça à hegemonia do Brasil na América do Sul.

Mas há mesmo motivos para que os brasileiros se preocupem com uma seleção que é uma velha freguesa? O Saída de Rede conversou com alguns personagens que conhecem bem a realidade argentina e a conclusão é que é melhor acompanhá-los de perto. Para começar, quem determina a linha de atuação dos treinadores desde a base é o técnico Julio Velasco, o homem que alçou a Itália à condição de potência nos anos 1990 e que tornou a seleção do Irã competitiva no início desta década.

Como o Sada Cruzeiro chegou ao topo do mundo em dez anos?

“A evolução do vôlei masculino argentino é muito boa de uma maneira geral, as condições de trabalho que temos são bastante favoráveis. Em um futuro não muito distante esse trabalho da base tem que se refletir na seleção principal”, disse ao SdR Alejandro Grossi, treinador da seleção sub21, que sagrou-se campeã continental domingo passado (23), ao derrotar o Brasil de virada por 3-1, em Bariloche.

Grossi, que foi assistente de Javier Weber na seleção principal, ressalta que essa evolução é fruto de planejamento e continuidade. “É algo que vem ocorrendo há quase dez anos, a partir de um projeto da Federação Argentina (FeVA), que permitiu que as equipes treinassem nas melhores condições e que possam excursionar. Tem a ver com continuidade, seguir um plano. Apesar das mudanças eventuais de treinadores, os resultados vão sendo mantidos ou melhorando. Nos aproximamos do (nível do) Brasil, estamos parelhos na base, estamos buscando a excelência”, comentou.

Brasil perdeu o Sul-Americano sub21 para a Albiceleste (FeVA)

No sub19, eles venceram quatro das últimas cinco edições. Na mais recente, disputada em Lima no início deste mês, surraram os brasileiros em sets diretos. No sub21, a situação não é tão confortável, apesar do inegável talento dos hermanos. À medida que vem a transição para o adulto, outros fatores se impõem, a começar pela carência que os nossos vizinhos enfrentam em algumas posições, por causa da menor quantidade de jogadores disponíveis. No Sul-Americano sub23, por exemplo, o título ficou com o Brasil. Mas o planejamento da FeVA e o olho clínico de Velasco podem suprir essas lacunas.

Atualmente, a Argentina sofre com a ausência de um oposto matador. É de se estranhar, afinal países com muito menos tradição no esporte, como Canadá, Austrália e Bélgica resolveram o problema para essa posição. Na Rio 2016, o titular era o juvenil Bruno Lima, de apenas 20 anos, que ainda apresenta as oscilações típicas da pouca idade, mas é a grande aposta de Julio Velasco. Seu reserva, o veterano José Luis González, 31, chamado de última hora, era um quebra-galho. Até hoje o fã argentino de vôlei guarda na memória seus dois grandes opostos: Raúl Quiroga, uma das estrelas da equipe que foi bronze em Seul 1988 e tio do ponta Rodrigo Quiroga, e mais recentemente Marcos Milinkovic, que brilhou nas duas décadas seguintes e por muitos anos atuou na Superliga.

“Na Argentina não conseguimos ainda encontrar um oposto forte, no mesmo nível de outros países, mas em contrapartida temos grandes levantadores. O vôlei argentino tem tudo para crescer. Faz tempo que os melhores times do país estão com um bom investimento, temos uma liga muito técnica”, afirmou ao blog o técnico Javier Weber, ex-treinador da Albiceleste e atualmente no comando do Bolívar.

Julio Velasco of Argentina

Julio Velasco orienta a equipe durante tempo técnico na Rio 2016 (FIVB)

Chapadmalal es más grande que Saquarema
O próximo passo, anunciado com pompa pelo presidente da FeVA, Juan Antonio Gutiérrez, é um ambicioso complexo chamado de Centro Internacional de Alto Rendimento de Chapadmalal, na cidade de mesmo nome, a 300 quilômetros de Buenos Aires. As obras ainda não começaram e não há data para a abertura do local, que aproveita a estrutura de um hotel desativado, mas a promessa não é pequena. A FeVA quer que esse centro de alto rendimento seja uma referência mundial.

“Teremos um ginásio poliesportivo, hotel com 725 apartamentos, teatro com capacidade para 600 pessoas, restaurante com capacidade para 800. Haverá dez quadras indoor e mais quatro para o vôlei de praia”, informa Gutiérrez numa nota enviada ao blog. Nos bastidores, o presidente da FeVA, que está à frente da entidade desde o final de 2011, já disse mais de uma vez que Chapadmalal será muito melhor do que Saquarema.

Organização e boa estrutura
“A liga argentina tem crescido desde a época em que o William e o Wallace (Martins) jogaram lá (na segunda metade da década passada). Todas as equipes, principalmente a UPCN e o Bolívar, investem muito em estrangeiros e isso faz com que os jogadores argentinos cresçam. Eu pensava que era uma liga desorganizada, mas não é assim, é muito forte”, disse ao SdR o ponteiro Piá, durante sua passagem por Betim (MG) para a disputa do Mundial de Clubes pelo Bolívar.

O ponteiro brasileiro Piá joga pelo Bolívar (FIVB)

O atacante contou que a estrutura oferecida pelo time é excelente. “No nosso clube temos piscina, sauna, hidromassagem, como se fosse o CT de Saquarema. É muito melhor que vários times brasileiros. Uma coisa bem legal é que lá o ginásio é só nosso, a cidade (San Carlos de Bolívar) respira e vive o voleibol. Tanto lá como em San Juan (cidade do rival UPCN) se vive isso 24 horas”.

“Na UPCN a estrutura é muito boa: quadra, academia, parte médica muito parecida com os times tops do Brasil”, contou ao blog durante sua passagem por Betim o central Gustavão, num bate-papo sobre seu novo clube, atual campeão argentino.

O meio de rede destaca alguns pontos sobre o cenário que encontrou no país vizinho. “Eles vêm trabalhando muito, pensando na frente, estão formando comissão de atletas e a Argentina está com um investimento muito bom. É uma liga que antes não era tão boa, mas agora vejo que tem ótimo nível, com cinco times lutando pelo título. Isso é importante, pois no Brasil há três equipes que a gente sabe que vão chegar na ponta, mas lá não, está em aberto”, comentou Gustavão.

Com mais jogos na TV aberta, vai começar a Superliga

O “ótimo nível” soa exagerado quando se pensa em campeonatos como o brasileiro, o italiano e o russo, mas é inegável que a situação melhorou por lá. Nomes conhecidos do voleibol internacional estão na liga argentina, como o veterano levantador italiano Valerio Vermiglio (UPCN) e o oposto australiano Thomas Edgar (Bolívar), entre outros.

Técnicos
Piá chama a atenção para a qualidade dos técnicos argentinos, que são reconhecidos em todo o mundo. “A quantidade de técnicos competentes que há na Argentina me chamou muito a atenção e é fantástico ter isso por trás de cada equipe. Eles fizeram uma Olimpíada fantástica, ganharam da Rússia, já estão em outro nível e não será surpresa estarem no pódio nas próximas competições”, derrete-se o ponta.

O homem que conduziu o Sada Cruzeiro ao status de clube multicampeão foi o argentino Marcelo Mendez, cotado para assumir a seleção brasileira, caso Bernardinho diga não à Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). Mendez era a segunda opção da FeVA, se Velasco não concordasse em dirigir o selecionado argentino em 2014, após a demissão de Javier Weber.

Bronze em Seul 1988 foi a maior conquista argentina (Reprodução/Internet)

Te juró que aunque pasen los años
A Argentina já frequentou o pódio em Campeonato Mundial e Jogos Olímpicos, mas isso em uma época em que o voleibol era menos competitivo, numa década dominada primeiro pela antiga União Soviética e depois pelos Estados Unidos, longe do equilíbrio atual.

Quando a Geração de Prata do Brasil ficou em segundo lugar no Mundial 1982, disputado na Argentina, os anfitriões foram os terceiros. O time teve lugar no top 8 das grandes competições até a Olimpíada de Seul, em 1988, quando conseguiram aquela que é a sua maior glória, sempre relembrada: a medalha de bronze. Para dar mais sabor, a conquista veio numa batalha de cinco sets com o arquirrival. É claro que eles convenientemente omitem que a seleção brasileira trocou de técnico um mês antes dos Jogos, que novos atletas foram chamados e que o oposto titular Xandó se machucou dias antes do início da competição e voltou para casa. Aquela leva de jogadores argentinos nunca mais derrotou o Brasil.

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Doze anos depois, em Sydney 2000, a Argentina bateu a seleção de Radamés Lattari (última vitória sobre o time A do Brasil) nas quartas de final por 3-1, mas terminou em quarto lugar, tendo o oposto Marcos Milinkovic como principal arma. Acertou a trave de novo na Liga Mundial 2011, com mais um quarto lugar, quando se esperava que a equipe do levantador Luciano De Cecco e do ponta Facundo Conte chegasse ao pódio.

Será que conseguirão uma medalha já no Mundial 2018, com Bruno Lima mais experiente e a constante atualização do sistema de jogo pelo meticuloso Julio Velasco? É bom que se diga: os argentinos têm um dos melhores ponteiros do mundo, Facundo Conte, filho do ex-ponta Hugo Conte, único jogador argentino no Salão da Fama. O armador De Cecco, mesmo com visível sobrepeso, é um dos melhores em atividade na posição, um virtuose. Entre os feitos de Velasco está a transformação do então correto central Sebastián Solé em um dos tops na função. O técnico até testou Conte como oposto na temporada 2015, mas viu que ele seria mais útil na entrada de rede. A Argentina tem um sistema defensivo sólido. Se tiver quem coloque a bola no chão, será muito mais perigosa.

Luciano De Cecco é um dos melhores levantadores do mundo (FIVB)

Popularidade
O vôlei não é tão popular na Argentina quanto no Brasil, mas já entra no top 5, diz uma fonte ligada à FeVA. O futebol, obviamente, é a paixão nacional. Em seguida vêm o basquete, o rúgbi e o tênis. Nas escolas o voleibol é bastante praticado, chegando ao top 3, conquistando cada vez mais espaço. As principais partidas da liga masculina são transmitidas pela TV – a decisão é feita em melhor de sete jogos.

Vôlei feminino
O feminino evolui de forma mais lenta, ainda conta com menos apoio, menor número de patrocinadores, mas já é a segunda força sul-americana, tendo deixado para trás o Peru, que de potência mundial nos anos 1980 hoje perde para seleções inexpressivas como o Quênia e a Venezuela.

Las Panteras, como são chamadas as atletas da seleção, pelo menos já migraram para ligas mais competitivas. Todas as 12 que representaram o país na Rio 2016, primeira participação olímpica do vôlei feminino argentino, jogam no exterior, quatro delas em campeonatos fortes como o brasileiro (as que estão na Superliga são Mimi Sosa, Tanya Acosta e Tatiana Rizzo) e o turco (Yas Nizetich), e outras duas jogadoras (Yael Castiglione e Morena Martinez) na ascendente liga polonesa. De qualquer forma, as argentinas estão longe do nível das brasileiras.

Colaboraram Carolina Canossa, que foi a Betim a convite da FIVB, e Sol Didiego, do site argentino Somos Vóley


Contra a Argentina, Brasil só precisa manter a tranquilidade
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Sidrônio Henrique

Argentinas reunidas na quadra antes da estreia no sábado contra as russas: time perplexo (fotos: FIVB)

Na sua segunda partida na Rio 2016, a seleção brasileira feminina de vôlei terá pela frente um adversário que, se teoricamente é melhor do que Camarões, não deve chegar a incomodar. Desta vez, às 22h35 desta segunda-feira (8), o Brasil encara Las Panteras, a seleção argentina, das conhecidas Mimi Sosa (central), Yael Castiglione (levantadora) e Tatiana Rizzo (líbero), que têm a Superliga no currículo. Se no voleibol masculino a Argentina situa-se no pelotão intermediário e até sonha em conseguir uma medalha, ainda que isso seja difícil, do lado feminino a situação é bem mais complicada, com um jogo marcado pela inconstância, muita fragilidade na linha de passe e baixo aproveitamento no ataque.

As argentinas dizem que podem avançar às quartas de final, surpreendendo uma das equipes asiáticas. Isso soa pouco provável, até pela dificuldade que elas têm de enfrentar equipes velozes e que cometem poucos erros não forçados, como Japão e Coreia do Sul. É que o grau de limitação das Panteras se estende para quase todos os fundamentos. Tem a seleção de Camarões aí no pedaço para as argentinas voltarem para casa com pelo menos uma vitória.

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Na estreia, a Rússia passou fácil pela Argentina

Em sua histórica estreia olímpica, no sábado passado (6), a seleção feminina de vôlei da Argentina teve o apoio da maioria dos 5,4 mil torcedores presentes no Maracanãzinho, mas foi massacrada em pouco mais de uma hora pela Rússia, não passando dos 16 pontos em seu melhor set. O nervosismo das sul-americanas era evidente e deve ter contribuído, claro, para uma atuação tão ruim. Afinal, mesmo com toda a superioridade russa, esperava-se mais das argentinas – apenas nos primeiros dez pontos da terceira parcial conseguiram equilibrar a partida. Nesta segunda-feira, diante do Brasil, com o ginásio lotado, é bem provável que as Panteras voltem a cometer erros bobos. E ainda que controlem o nervosismo, a seleção brasileira segue amplamente superior.

Ponto forte
O saque. Não, não é que sejam sacadoras excepcionais, mas têm suas virtudes. Tudo bem que o serviço argentino quase não funcionou contra a Rússia, mas nada deu certo para elas, que pareciam perplexas no Maracanãzinho. Em condições normais, o saque das Panteras pode ajudá-las – o contra-ataque é que não é lá essas coisas, mas isso é outra história. Na última rodada da Copa do Mundo 2015, quando enfrentaram a Sérvia de Tijana Boskovic, Milena Rasic e Brankica Mihajlovic, foi o saque num dia inspirado que as permitiu resistir até o tie break – incluindo duas sequências que resultaram numa virada de 18-22 para 25-23 no quarto set. Mimi Sosa foi a melhor sacadora da Superliga 2014/2015, lembram? As outras duas centrais, a titular Julieta Lazcano e a reserva Florencia Busquets, sacam flutuante e incomodam o oponente. A capitã e melhor ponteira da equipe, Yas Nizetich, é quem tem o serviço mais potente. A levantadora Yael Castiglione também se destaca no fundamento, com um flutuante rasante.

Ponto fraco
O Saída de Rede poderia apontar a recepção ou a quantidade de erros na execução das jogadas. Mas esses dois problemas têm a mesma origem: não há liga, não há química na seleção argentina. É um time que alterna boas jogadas com erros primários. Isso soa estranho porque elas estão juntas há pelo menos dois ciclos olímpicos, mas não conseguem fluir seu jogo. Imagine uma conexão ruim de internet, é mais ou menos como atua a Argentina. Com o material humano que tem à disposição, o técnico Guillermo Orduna deveria ter uma equipe um pouco mais consistente.

Qual a chance de ganhar do Brasil?
Altamente improvável.

Paula Yamila Nizetich of Argentina attacks

Yas Nizetich ataca, observada por Rizzo e Castiglione

Fique de olho
Você aí, leitor, já conhece Sosa, Rizzo e Castiglione. Vamos focar então na capitã Yas Nizetich, uma ponteira que na temporada passada ajudou seu time na Turquia, o Seramiksan, a subir da segunda para a primeira divisão. Em uma equipe com uma linha de passe problemática como a Argentina, ela é quem mais ajuda a eficiente líbero Tatiana Rizzo a minimizar os estragos causados pelo saque adversário. Além de boa sacadora, como foi dito acima, é também uma atacante com recursos técnicos e a mais forte do time. Na estreia, contra as russas, esteve abaixo da crítica, mas vamos dar um desconto devido ao peso de estrear na maior competição esportiva do mundo.

Elenco (em negrito, o provável time titular)

Levantadoras: Yael Castiglione (camisa 18) e Clarisa Sagardia (9)
Opostas: Lucía Fresco (5) e Leticia Boscacci (13)
Centrais: Mimi Sosa (10), Julieta Lazcano (11) e Florencia Busquets (16)
Ponteiras: Yas Nizetich (3), Josefina Fernandez (14), Tanya Acosta (2) e Morena Martinez (19)
Líbero: Tatiana Rizzo (12)

Desempenho no ciclo olímpico
Neste ciclo, após doze anos, Las Panteras voltaram a marcar presença em um Campeonato Mundial. Foi em 2014, na Itália, mas só marcaram presença mesmo, sem sequer passar da primeira fase, ganhando apenas uma partida em cinco jogos – bateram em sets diretos a frágil Tunísia. Contra os demais, derrotas inapeláveis por 0-3 diante de Alemanha e Itália, além de arrancar apenas um set de croatas e dominicanas, rivais contra as quais tinham chance de vitória.

Na Copa do Mundo 2015, terminaram em oitavo entre doze participantes, vencendo os dois representantes da África, além de Peru e Cuba. Seu maior feito no torneio foi perder por 2-3 para a vice-campeã Sérvia, que jogou completa. O time ainda igualou o jogo diante das dominicanas, a quem já venceram em outras oportunidades, mas ali foram derrotadas por 1-3. Tiveram bons sets contra Estados Unidos, China e Coreia do Sul, mas perderam dessas seleções por 0-3.

Aqui na América do Sul, elas têm mantido a superioridade sobre as peruanas, vencendo as arquirrivais quase sempre. Após serem vice-campeãs continentais em 2009, 2011 e 2013, as argentinas terminaram em quarto no Sul-Americano 2015, mas foram representadas por uma equipe B.

O que mais rola no dia?
A rodada deve ter três bons jogos nesta segunda-feira. Logo no primeiro confronto, às 9h30, uma partida de duas seleções que buscam recuperação: China, derrotada na estreia pela Holanda, enfrenta a Itália, que caiu no sábado diante da Sérvia. Às 15h, os Estados Unidos encaram justamente a Holanda. Às 20h30, as russas medem forças diante das sul-coreanas, que lideradas pela ponta Kim Yeon-Koung venceram o Japão na estreia. Completam a segunda rodada da fase de grupos do voleibol feminino na Rio 2016 os jogos entre Japão e Camarões, às 11h35, e Sérvia e Porto Rico, às 17h05.


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Ex-levantador do Brasil Kirin realiza de última hora sonho olímpico
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Sidrônio Henrique

O argentino Demián González jogou pelo Brasil Kirin na temporada 2015/2016 (foto: Brasil Kirin)

Aos 33 anos, o veterano levantador argentino Demián González havia desistido do sonho de disputar uma Olimpíada. Logo após a final da Superliga, quando seu clube, o Brasil Kirin, de Campinas, perdeu para o Sada Cruzeiro, ele dizia ao Saída de Rede que já se conformava ao saber que Luciano De Cecco e Nicolás Uriarte seriam os escolhidos pelo técnico da Albiceleste, Julio Velasco, para a posição. Os dois também haviam sido a escolha do então treinador Javier Weber há quatro anos, para os Jogos de Londres. Um desentendimento entre Velasco e Uriarte há algumas semanas abriu espaço para o veterano González, coroando um dos melhores momentos em sua carreira.

Depois da bem sucedida temporada na Superliga 2015/2016, quando foi um dos principais jogadores do vice-campeão Brasil Kirin e um dos melhores levantadores do torneio, González já havia assinado com o time turco Halkbank Ankara para a próxima temporada quando soube que iria aos Jogos Olímpicos. Sem dúvida, um grande ano para ele.

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Com o Mundial 2010 no currículo e ainda oito edições da Liga Mundial, sempre como segundo ou terceiro levantador, Damién González tinha seu talento reconhecido pelos técnicos do país, mas via a chance de disputar as Olimpíadas esbarrar nas qualidades da dupla De Cecco-Uriarte. “Estar em uma Olimpíada era o meu sonho, muito mais do que em um Campeonato Mundial, era meu grande sonho desde pequeno”, afirmou.

A Argentina está no grupo B, que tem ainda Rússia, Polônia, Irã, Egito e Cuba. Os argentinos estreiam no dia 7, às 22h35, contra os iranianos. Será a sétima participação olímpica do vôlei masculino da Argentina, que conquistou uma medalha de bronze em Seul 1988.

Veja o que disse González sobre alguns temas escolhidos pelo Saída de Rede:

Primeira Olimpíada
Eu estou em um momento incrível. Dois meses atrás, parecia muito difícil, mas agora estou muito feliz. Estar em uma Olimpíada era o meu sonho, muito mais do que em um Campeonato Mundial, era meu grande sonho desde pequeno. Dou graças a Deus, falta pouco para cumprir esse sonho. Sou grato a aqueles que tiveram confiança em mim estes anos, todas as equipes pelas quais passei. Agora é o momento de desfrutar, mas é um tempo de muita responsabilidade também. Tenho muita expectativa de que a seleção vá bem, esta equipe tem grandes jogadores e isso é algo que há muito não acontecia, termos tantos jogadores em alto nível. Espero que possamos refletir na Olimpíada o que fizemos em nossos treinamentos.

Ao lado de De Cecco, na concentração (foto: Somos Vóley)

O que ele pode acrescentar
O Luciano (De Cecco) é um fenômeno, um dos melhores levantadores do mundo. Eu acho que posso contribuir com a minha experiência, precisão, tranquilidade… Eu sou um dos mais antigos da seleção, sou velho (risos), então me parece que a maturidade é a minha grande contribuição. Durante a Liga Mundial vimos, nos momentos difíceis, que podíamos permanecer calmos, jogar bem e fechar sets equilibrados.

Jogar na Superliga
É um campeonato muito competitivo, o voleibol no Brasil está em alto nível há muitos anos, o que faz com que o torneio cresça continuamente. A Superliga foi muito importante na minha carreira, me ajudou muito ter estado ali, jogando pelo Brasil Kirin. Talvez não soe muito humilde, mas eu realmente acho que fiz uma grande temporada, chegamos à final e caímos diante do Sada Cruzeiro, que é campeão mundial. Lutamos muito, cometemos alguns erros nos finais de set. Sem esses erros, talvez, o resultado poderia ter sido diferente. Também foi um desafio para mim deixar o UPCN (clube argentino). Eu fui com a minha família para o Brasil e esse grande desafio felizmente correu bem. Agora, infelizmente, o Brasil enfrenta um momento economicamente difícil e eu não pude continuar na equipe. Queria continuar e eles me queriam. Faço questão de destacar que o clube nos deu liberdade diante da crise econômica para procurarmos o melhor para nós, foram muito profissionais. Tive uma temporada muito boa, vou guardar essa recordação do Brasil, fiquei muito satisfeito com a experiência. E ainda vou guardar para sempre ter tido a chance de conhecer André Heller e Maurício Lima pessoalmente.

Demián González durante a Liga Mundial 2016 (foto: FIVB)

Chances da Argentina na Rio 2016
A equipe está muito bem, está em evolução após uma grande Liga Mundial, que nos serviu para perceber que, se jogarmos bem, podemos encarar os melhores do mundo em condições de igualdade. Provamos isso. Nós temos chances, mas temos que encarar partida a partida, não podemos pensar muito adiante, nos precipitarmos. Estamos em um grupo complicado. Se passarmos de fase, então vamos pensar nas quartas de final. Aí sim, vai ser ainda mais difícil, pois a chance de chegar às semifinais será decidida em um confronto. Estamos tentando encontrar o equilíbrio que nos permita jogar o nosso melhor por um longo tempo. Isso é parte do que conseguimos na Liga Mundial. Nos serviram de lição tanto as vitórias quanto as derrotas porque vimos que com pequenos ajustes poderíamos ter fechado alguns sets.

Colaborou Sergio López, do site argentino Somos Vóley

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Castiglione não esconde ansiedade: “Tenho vontade de jogar contra o Brasil”
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Sidrônio Henrique

“Voltar a um país onde já joguei me deixa muito contente” (fotos: FIVB)

Aos 30 anos, a levantadora titular da Argentina, Yael Castiglione, vai realizar um antigo sonho perto de velhos conhecidos, os torcedores brasileiros. Pela primeira vez o vôlei feminino da Argentina vai participar da uma Olimpíada, justamente no Rio de Janeiro. “Sei como os brasileiros sentem o voleibol e me recordo como fui bem recebida desde o primeiro dia que estive lá. Estou ansiosa para chegar. Tenho muita vontade de jogar contra o Brasil ali, pois o Maracanãzinho é especial”, afirma a atleta de 1,83m, que atua na liga polonesa, mas que de 2013 a 2015 jogou na Superliga, primeiro pelo Maranhão, depois no Rio do Sul.

As Panteras – como são chamadas as atletas da seleção de vôlei no país vizinho – desembarcaram na manhã desta quarta-feira (27), em São Paulo, e de lá seguiram para Campinas, onde ficarão concentradas, treinando no ginásio Taquaral. A equipe fará dois amistosos contra a seleção sub20 do Brasil no local, nesta sexta-feira, às 19h30, e no sábado, às 17h, ambos abertos ao público – os ingressos podem ser trocados no ginásio por alimentos não-perecíveis. No dia 2 de agosto, seguem para o Rio de Janeiro. O time está no grupo A da Olimpíada e terá como adversários, pela ordem, Rússia, Brasil, Coreia do Sul, Camarões e Japão.

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Com a ajuda da jornalista argentina Sol Didiego, do site Somos Vóley, o nosso blog encaminhou três perguntas para Yael Castiglione, na despedida das Panteras, nesta terça-feira (26), no centro de treinamento mantido pelo governo federal, em Buenos Aires.

Saída de Rede – Como você se sente voltando a jogar diante da torcida brasileira, contra o Brasil e ainda mais numa Olimpíada?
Yael Castiglione – Pensar que vou jogar no Brasil me traz muita felicidade, voltar a um país onde já joguei me deixa muito contente. Sei como os brasileiros sentem o voleibol e me recordo como fui bem recebida desde o primeiro dia que estive lá. Estou ansiosa para chegar. Tenho muita vontade de jogar contra o Brasil ali, pois o Maracanãzinho é especial. Não é fácil jogar como equipe da casa, muito menos como visitante naquela atmosfera, mas estou confiante que podemos fazer uma boa partida, ainda que a seleção brasileira seja muito forte.

Yael conversa com sua reserva, Clarisa Sagardia, durante aquecimento

Saída de Rede – Por ser levantadora, te preocupa a fragilidade da linha de passe, evidente na Copa do Mundo 2015 e também este ano, no Grand Prix e na Copa Pan-Americana?
Yael Castiglione – O passe é algo no qual temos trabalhado diariamente. Eu diria que está mais ligado a forma como nos organizamos e nos comunicamos em quadra do que com algum aspecto técnico. Já vi nossa linha de recepção render mais e na Copa Pan-Americana, por exemplo, que foi nosso último torneio, não estivemos muito bem. Da minha parte, tento sempre a melhor solução para compensar, caso receba um passe B ou C. Mas se confiamos em quem está ao nosso lado, tudo flui melhor.

Saída de Rede – Quando entrevistamos a central Mimi Sosa, ela nos disse que vocês têm como objetivo derrotar pelo menos uma das equipes asiáticas no Rio. Um eventual triunfo sobre alguma delas, somado a uma vitória diante de Camarões, provavelmente garantiria a classificação da Argentina para as quartas de final. Ganhar do Japão ou da Coreia do Sul é um sonho ou uma possibilidade?
Yael Castiglione – Não temos muita experiência em enfrentar seleções asiáticas. O jogo rápido praticado por elas faz com que precisemos de um tempo de adaptação até nos acostumarmos ao estilo que elas utilizam. Porém, se formos capazes de colocar em prática nosso jogo, respeitando nossa estrutura tática, o resultado pode ser positivo para a gente. Com certeza, somos capazes de complicar qualquer partida. Acredito que estamos mais próximas do nível do jogo da Coreia do Sul do que daquele apresentado pela seleção do Japão, então acho que podemos fazer uma boa partida contra as sul-coreanas.

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“Baixinha” que encanta brasileiros conduz Argentina ao sonho olímpico
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Sidrônio Henrique

Com apenas 1,77m, a central Mimi Sosa compensa a pouca altura com impulsão e técnica (foto: FIVB)

Ela é a cara de uma seleção que tenta, aos poucos, galgar postos no mundo do vôlei. A argentina Emilce Fabiana Sosa, ou Mimi Sosa, como é chamada, surpreende até seus fãs. Quem poderia supor que essa baixinha, com apenas 1,77m, seria uma central. Mesmo a libero da Albiceleste, Tatiana Rizzo, com seu 1,78m, é mais alta do que ela. Mas foi ali, no meio de rede, que ela achou seu lugar, competindo com jogadoras que são dez ou vinte centímetros mais altas. Por telefone, desde Tucumán, Mimi conversou com o Saída de Rede.

Raízes
Sua história começa em Ibarreta, onde nasceu, uma pequena cidade da província de Formosa, no norte da Argentina, a região mais pobre do país. Ela foi criada a 400 quilômetros dali, numa comunidade de índios wichis na qual seus pais eram professores, na mesma província. Nunca abandonou suas origens. Além de visitar o povoado sempre que pode, ela tem no antebraço direito a tatuagem com a frase, na língua wichi, “Otetsel ta n’am talakis”, que quer dizer “Minhas raízes, minha história”. É o mesmo antebraço que ela ergue e põe sobre a testa cada vez que bloqueia uma adversária. Sua marca registrada.

Com crianças do povoado onde cresceu (arquivo pessoal)

Quando criança ela gostava de jogar futebol com o pai e somente aos 14 anos começou a praticar o esporte que a consagrou. Hoje, aos 28, caminha para a terceira temporada na Superliga brasileira e, mais importante, realizou o sonho da classificação para os Jogos Olímpicos. A Argentina caiu na chave do Brasil, que tem ainda Rússia, Japão, Coreia do Sul e Camarões. “Disputar as Olimpíadas será algo especial, lindo, mas não vamos perder nosso foco por causa da grandiosidade do evento, temos nossas ambições”, diz Mimi, capitã do time.

Fazendo história
Las Panteras, como são chamadas as jogadoras da seleção argentina de vôlei, já fizeram história ao se classificarem pela primeira vez para os Jogos Olímpicos. Uma vez no Rio, onde a jornada começa na noite de 6 agosto, diante da poderosa Rússia, as atletas comandadas pelo técnico Guillermo Orduna querem mais. “Brasileiras e russas estão muito acima da gente, mas acreditamos que é possível ganhar não apenas de Camarões, mas também de Japão e Coreia do Sul”, explica a central. O objetivo é avançar às quartas de final. “Não vamos às Olimpíadas para passear ou tirar fotos, vamos nos sacrificar”, completa.

Mimi posa fazendo seu gesto característico (FeVA)

Você aí, que acompanha o voleibol, deve achar otimismo exagerado, mas ela prossegue: “Para ganhar de japonesas e coreanas devemos estar 100% concentradas, reduzir nossos erros ao máximo, principalmente na recepção, jogar mais rápido e aumentar a eficiência do nosso saque”. Mimi Sosa analisou as duas seleções asiáticas. “Ambas cometem poucos erros. O Japão tem um jogo coletivo mais forte, é mais rápido, tem potencia com a ponta (Saori) Kimura e a oposta (Miyu) Nagaoka. Já a Coreia do Sul gira em torno da Kim (Yeon-Koung), que é fora de série, mas é um time ligeiramente inferior ao Japão”. Nos confrontos mais recentes entre as argentinas e essas duas seleções, na Copa do Mundo 2015, as asiáticas saíram vencedoras em sets diretos. Tarefa complicada para Mimi e sua equipe em agosto. Como quatro das seis seleções avançam, em tese bastaria vencer as camaronesas e uma das asiáticas, desde que alguma das derrotadas não acumule duas vitórias também, pois aí viria a disputa pelo saldo de sets e até de pontos.

Altos e baixos
Não, não é fácil. Mas a Argentina aqui e ali apronta das suas. Já bateu a Alemanha, equipe duas vezes vice-campeã europeia nesta década, além de ter engrossado partidas contra italianas e chinesas em edições do Grand Prix. A façanha mais recente foi levar para o quinto set o jogo contra a forte Sérvia na Copa do Mundo 2015. As sérvias foram vice-campeãs do torneio e conquistaram ali a vaga para a Rio 2016, mas se tivessem perdido para as sul-americanas não teriam conseguido o bilhete naquela competição.

A tatuagem que diz “Minhas raízes, minha história” (FeVA)

Para desespero do treinador Orduna, o time alterna boas exibições com outras repletas de erros. Integrantes da segunda divisão do GP, terminaram a edição deste ano em quinto lugar entre oito participantes, com apenas duas vitórias, ambas sobre o fraco Quênia. Fizeram partidas equilibradas, mas saíram de quadra derrotadas contra República Dominicana, Bulgária, Polônia e Porto Rico. A principal razão para os reveses foi justamente a fragilidade da linha de passe argentina, uma das preocupações de Mimi Sosa. Porém, ainda há tempo para ajustes e o time ganha esta semana a presença de sua melhor ponta, Yas Nizetich, boa atacante, passadora e sacadora, que não disputou o GP devido a uma contusão simples no pé direito.

Reta final
O time volta de Wloclawek, Polônia, local da disputa da sua última etapa do GP, para Buenos Aires, onde permanecerá treinando por quase três semanas. De 2 a 10 de julho disputará, em Santo Domingo, República Dominicana, a Copa Pan-Americana, competição secundária no calendário, mas que servirá para dar ritmo a Las Panteras – elas caíram no grupo de EUA (será representado por um time B), Cuba, Peru, Costa Rica, e Trinidad e Tobago. O Brasil, que geralmente é representado por times B ou juvenis, decidiu não participar este ano. O torneio tem 12 equipes. Na sequência, a Argentina volta para a concentração em Buenos Aires.

Argentina vai pela primeira vez às Olimpíadas (FIVB)

Na Rio 2016, após a estreia diante das russas, elas enfrentarão a seleção brasileira no dia 8, a Coreia do Sul no dia 10, Camarões no dia 12 e finalmente o Japão no dia 14. Como será enfrentar o Brasil, bicampeão olímpico, diante do Maracanãzinho lotado? “Vai ser fantástico. Vamos entrar, tentar fazer o nosso melhor, nos divertir”, diz a meio de rede.

Superliga
Depois de jogar por seis anos na liga argentina, Mimi Sosa passou três temporadas na Romênia. De lá, deu um salto de qualidade na sua carreira e veio parar no Rio do Sul/Equibrasil, time do interior de Santa Catarina pelo qual jogou por dois anos, sempre tendo outra argentina como companheira de time – no primeiro período foi a levantadora Yael Castiglione e no mais recente a líbero Tatiana Rizzo. Agora vai para São Paulo, jogar pelo tradicional Pinheiros/Klar, desta vez sem colegas argentinas. “Para mim é uma honra jogar na Superliga, que é uma das melhores ligas do mundo. Era um sonho. Minha última temporada não foi tão boa por causa de problemas no joelho direito, mas agora estou recuperada. Jogar no Brasil acrescenta muito ao meu jogo e sempre procuro dividir essa experiência quando vou para a seleção”, comenta.

Sonho de ir a uma Olimpíada, sonho de jogar na Superliga… Pouco a pouco essa argentina que compensa a pouca altura com impulsão e técnica vai conseguindo o que quer. Quem sabe, com muito esforço e superação da Albiceleste, o sonho de ir além da primeira fase na Rio 2016 se torne realidade.

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Brasil encara grupo da morte no vôlei masculino da Rio 2016
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Sidrônio Henrique

Brasileiros vão encarar a França, de N’gapeth, na primeira fase (fotos: FIVB)

Terminados os Pré-Olímpicos no Japão e no México (os mexicanos confirmaram vaga nesta madrugada), já são conhecidos os 12 classificados para o torneio de voleibol masculino das Olimpíadas do Rio de Janeiro. A vida da seleção brasileira, como se esperava em razão do ranking da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), não será nada fácil. Veja as chaves:

Grupo A – Brasil, Itália, Estados Unidos, Canadá, França e México
Grupo B – Rússia, Polônia, Argentina, Irã, Cuba e Egito

Sem a realização de sorteio, a distribuição dos times em dois grupos de seis seleções nas Olimpíadas é feita com base no ranking, utilizando o método serpentina. A referência é a lista de outubro de 2015, divulgada após a Copa do Mundo e os campeonatos continentais.

Como país-sede, o Brasil tem o direito de ser o cabeça de chave do grupo A, independentemente da sua classificação no ranqueamento da FIVB (o Brasil é o primeiro). A distribuição das equipes então é feita de duas em duas a partir da outra chave e segue assim até o time de pior ranking – no caso, México. O curioso é que teremos quatro times europeus na disputa e quatro da Norceca. Apenas o Irã, representante da Ásia nesta edição, é estreante em Jogos Olímpicos.

Bernardinho tem motivos de sobra para ficar preocupado

Além do país-sede, os demais classificados garantiram sua presença nos seguintes qualificatórios:
– EUA e Itália como campeão e vice da Copa do Mundo 2015, respectivamente;
– Cuba venceu o Pré-Olímpico da Norceca (Confederação da América do Norte, Central e Caribe);
– Argentina pela América do Sul;
– Rússia no Pré-Olímpico europeu;
– Egito pela África;
– Polônia, Irã, França e Canadá no qualificatório mundial, que englobou ainda o Pré-Olímpico da Ásia;
– México na repescagem entre um representante da Norceca, um da América do Sul e dois da África.

Seis times na briga pelo ouro
O torneio de vôlei masculino da Rio 2016 promete ser o mais equilibrado de todos os tempos, com seis equipes com chances reais de conquistar o ouro. Quatro delas estão na chave A: Brasil, EUA, França e Itália. Do lado de lá, temos Rússia e Polônia. No bloco dos que podem atrapalhar a vida de algum favorito estão Irã, Argentina e Canadá.

Os EUA também estão no caminho do Brasil

Diante dessa igualdade de forças no seu grupo, o Brasil só terá refresco quando enfrentar a modesta seleção mexicana, que aproveitou a inexplicável chance dada pela FIVB a times do terceiro escalão e vem ganhar experiência no Rio de Janeiro. Excetuando-se o México, só pedreiras. O Canadá está abaixo dos favoritos da chave, mas não pode ser subestimado. Já os confrontos contra EUA, França e Itália devem incendiar o Maracanãzinho. O Saída de Rede traz nesta segunda-feira uma análise dos adversários do time de Bernardinho na primeira fase.

Caso avance às quartas de final, o cruzamento é feito da seguinte forma: o primeiro colocado de um grupo enfrenta o quarto do outro, enquanto segundos e terceiros duelam para ver quem vai às semifinais. Se o Brasil for bem na etapa de grupos, terminando em primeiro ou segundo, deve ter uma partida de quartas de final mais tranquila, encarando iranianos ou argentinos, uma vez que russos e poloneses deverão terminar como os dois primeiros da outra chave. Não que sejam favas contadas a vitória diante do Irã ou da Argentina, mas enfrentar uma dessas seleções seria o melhor cenário possível para chegar à semifinal.

A competição de voleibol masculino começa no dia 7 de agosto e termina no dia 21. Os jogos do Brasil na primeira fase e numa eventual ida às quartas de final devem ser o último do dia, às 22h30.

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