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Rexona x Vôlei Nestlé: o que pode decidir a “final de sempre” da Superliga?
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Carolina Canossa

Rexona e Vôlei Nestlé se encontram na final pela 11ª vez (Fotos: Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV e João Pires/Fotojump)

Rio e Osasco, Osasco e Rio. Sob o nome de Rexona-Sesc e Vôlei Nestlé, dois dos projetos mais longevos e vitoriosos da história do voleibol brasileiro estarão frente a frente neste domingo (23), às 10 horas, para decidir o título da Superliga pela 11ª vez. Líder da fase classificatória, a equipe carioca quer aumentar seu recorde de taças da disputa para 12 na despedida de seu patrocinador de 20 anos, a Unilever, enquanto as paulistas pretendem dar um fim a um histórico recente de derrotas em decisão para as maiores rivais.

Antes de qualquer coisa, é preciso ressaltar um ponto: por mais que a final deste domingo seja “repetida”, neste caso específico não dá para culpar o polêmico ranking de atletas. Isso porque os dois eliminados da semi, Dentil/Praia Clube e Camponesa/Minas, conseguiram investir tanto ou até mais que ambos os finalistas. Frise-se, portanto, a competência dos técnicos Bernardinho e Luizomar de Moura nesta temporada.

Dito isto, quais serão os pontos-chave que determinarão se a taça permanece no Rio ou volta a Osasco após quatro temporadas? Jogadora a jogadora, ambos os elencos praticamente se equivalem, mas considero dois fatores fundamentais nesta decisão:

1) Tandara – Candidata a MVP (melhor jogadora da competição), a ponteira do Vôlei Nestlé mostrou ao longo da temporada um altíssimo nível técnico. Em excelente forma física, soube transformar a frustração por não ter ido à Rio 2016 em motivação e se transformou na bola de segurança de Dani Lins, ao mesmo tempo em que alcançou um nível de recepção razoável – apesar de a função ser majoritariamente dividida entre a segunda ponteira (a sérvia Tijana Malesevic ou Gabi) e a líbero Camila Brait, é Tandara quem os adversários miram na hora de sacar. Certamente o Rexona preparou uma marcação especial para cima de brasiliense, mas, se ela mantiver a eficiência na virada de bola, a equipe paulista terá dado um passo razoável rumo ao título contra um rival que se destaca pelo volume de jogo.

Tandara é a principal opção ofensiva de Dani Lins (Foto: João Pires/Fotojump)

Rio x Osasco: relembre cinco protagonistas em decisões de Superliga

2) Saque – Nem Rexona e nem Vôlei Nestlé se mostraram especialmente confiáveis no primeiro toque nesta Superliga. Justamente por isso, sacar bem será uma arma importantíssima na Jeunesse Arena não só para fazer pontos diretos, mas também para aproveitar a efetividade as centrais, em especial Bia e Juciely, no bloqueio. Teoricamente, a equipe de Luizomar de Moura leva vantagem neste aspecto, sendo esta a melhor forma de impedir que a levantadora Roberta use o maior número de opções ofensivas disponível no time carioca.

Como sempre, o discurso de ambos os lados é de cautela.

“Osasco chega com muita confiança, passou pela semifinal jogando muito bem. É difícil dizer quem estará melhor. Nós estamos com mais ritmo, mas elas estão mais descansadas, então vai ser jogo duro e de muito equilíbrio. Não vejo vantagem para nenhum lado. É um time que cresceu muito durante a temporada, em vários aspectos. Mas é uma final, que se tornou um clássico do vôlei brasileiro. Claro que gera uma tensão pela importância da partida, mas nós estamos focados em jogar bem e fazer o nosso melhor”, comentou o técnico Bernardinho.

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“Pedradas” de sérvia viram arma para Vôlei Nestlé chegar ao título

A levantadora Dani Lins acredita que controlar o aspecto emocional terá enorme importância. “Sabemos que em uma final tem ansiedade e nervosismo. Logicamente que temos que entrar com vontade de ganhar, mas é importante também saber que em etapas do jogo, dependendo de como estiver o placar, é fundamental ter lucidez, paciência e tranquilidade de fazer nosso melhor, evitando os erros. O excesso de vontade pode atrapalhar e às vezes é difícil encontrar esse equilíbrio. Sinto o Vôlei Nestlé bem consciente quanto a isso”, comentou a atleta, que cogita tirar um período sabático após a final para tentar ter o primeiro filho.

Drussyla foi essencial pra virada do Rexona na semifinal (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

Olho nela – Alçada à posição de titular no quarto jogo da intensa série semifinal contra o Minas, a ponteira Drussyla, 20 anos, reequilibrou o Rexona e terá a chance de brilhar novamente ao longo da final. Vale a pena ver se ela conseguirá suportar a pressão no jogo que pode dar o 12º título de Superliga ao Rio e colocá-la em um novo patamar na carreira. No banco, a holandesa Anne Buijs, quarta colocada na Rio 2016, estará de olho na vaga para deixar uma boa impressão no último jogo da temporada nacional.

A grande final da Superliga feminina será disputada em jogo único às 10 horas deste domingo (23), na Jeunesse Arena (Rio de Janeiro), com transmissão ao vivo de TV Globo, site da RedeTV! e SporTv. Nós aqui do Saída de Rede estaremos de olho em tudo para trazermos análises e informações para vocês, inclusive com uma live no Facebook no início da noite.

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Curiosidades em números:

– Enquanto o Rexona possui 11 títulos, o Vôlei Nestlé tem cinco – se o time paulista, porém, contar as conquistas do patrocinador atual nos anos 90 como Leite Moça, este número sobe para oito;
– Como até a temporada 2007/2008 a final da Superliga era disputada em cinco partidas, Rio e Osasco já se enfrentaram 24 vezes em partidas válidas pela decisão do torneio. O retrospecto é favorável ao Rexona: 14 a 10;
– Ao todo, as duas equipes já se enfrentaram 82 vezes pela Superliga, com 47 vitórias das comandadas pelo técnico Bernardinho e 35 das paulistas.
– Na atual temporada, os clubes se encontraram apenas duas vezes, com uma vitória para cada lado. No José Liberatti, a equipe comandada por Luizomar venceu por 3 sets a 2 (23-25, 26-24, 20-25, 25-23 e 15-13), enquanto no returno, na mesma Jeunesse Arena da final, o Rio deu o troco com um 3 a 1 (25-20, 21-25, 25-21 e 25-15);
– O Rexona terminou a fase classificatória em primeiro lugar, com apenas uma derrota em 22 jogos. Nos playoffs, porém, o time caiu duas vezes em sete partidas
– Já o Vôlei Nestlé ficou em segundo (17 vitórias e cinco derrotas) antes da definição dos playoffs, mas passou invicto pelas cinco partidas que fez pelo mata-mata

Para você, quem será o campeão? Deixe seu palpite na caixa de comentários!


“Pedradas” de sérvia no saque viram arma do Vôlei Nestlé para a final
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Carolina Canossa

Bjelica: pedidos de Luizomar para “respirar” e não sacar tão forte (Foto: Luiz Pires/Fotojump)

Se no ataque a oposta Ana Bjelica não tem conseguido ser a bola de segurança do Vôlei Nestlé, a sérvia deu outro jeito de se destacar na reta final da Superliga feminina de vôlei: graças um saque classificado como “pedrada” pela comissão técnica da equipe, a atacante aparece uma importante arma a ser utilizada na final da disputa contra o Rexona-Sesc neste domingo (23) às 10 horas.

“Ela é uma jogadora que lança muito bem a bola, em projeção, com uma batida já quase dentro da quadra. Além disso, é grande, tem quase 1,90 m de altura, e pega a bola com o braço estendido no ponto mais alto”, analisou o técnico Luizomar de Moura, lembrando que a atleta também erra pouco no fundamento. “Essa regularidade lhe dá confiança para continuar forçando”, complementou.

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Por ter alternado a titularidade ao longo da Superliga com Ana Paula Borgo, Bjelica acumulou menos tentativas de saque que outras atletas e, por isso, não aparece no top 10 do fundamento como a companheira Tandara. Mas os 23 aces e as diversas linhas de passe quebradas em 184 saques realizados acendem um sinal de alerta no Rexona. “Me preocupa muito o saque da Bjelica, que tem mostrado o poder de complicar os ataques adversários, associado a uma capacidade de bloqueio muito grande”, afirmou o técnico Bernardinho.

Um exemplo recente de tal capacidade ocorreu no terceiro set do terceiro jogo da semifinal contra o Dentil/Praia Clube. Graças a três bons saques de Bjelica, o Vôlei Nestlé conseguiu reverter um 23-24 para um 26-24, acabando de vez que o ânimo do time mineiro, que pouco ofereceu resistência na parcial seguinte e acabou eliminado da disputa.

Bloqueio da sérvia também chama a atenção de Bernardinho (Foto: João Pires/Fotojump)

“Eu já tinha um bom saque antes e essa melhora é apenas fruto de treino. Treinamos muito aqui e focamos muito neste fundamento, pois sabemos que no vôlei o saque é uma das coisas mais importantes do jogo”, comenta a simpática estrangeira.

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Os treinos aos quais se refere Bjelica tiveram um propósito em especial: fazer com que ela não se empolgasse tanto com os acertos. Luizomar explica: “No começo, ela era meio “doidinha”. A cada ponto, colocava mais força na bola, que ia quase na placa de publicidade. Hoje, eu falo ‘Calma, respira’, para ela dar uma segurada”. A oposta admite que realmente precisava deste conselho: “Eu realmente tenho um saque muito forte (risos) e às vezes perco o controle da força. Mas tenho um ótimo relacionamento com o Luizomar, então ele pode falar o que for necessário que eu farei”.

Questionada se pode sacar ainda melhor, Bjelica deu uma resposta sucinta: “Claro: na final!”. Resta saber se a sérvia conseguirá cumprir a promessa.


Sem descanso, Rubinho faz “maratona” na preparação para voltar ao mercado
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Carolina Canossa

Rubinho comandou o Brasil em duas edições do Pan e no início da Liga Mundial de 2015 (Foto: Wander Roberto/CBV)

Rubinho comandou o Brasil em duas edições do Pan e no início da Liga Mundial de 2015 (Fotos: Divulgação/CBV)

Oito dias após o anúncio oficial de que estava fora da seleção masculina de vôlei, o assistente técnico Rubinho ainda não se permitiu um descanso. Apontado publicamente pelo próprio Bernardinho como a melhor opção para substitui-lo no cargo, o treinador tomou a decisão de deixar o emprego após ser preterido pela cúpula da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) em prol de Renan Dal Zotto, ex-jogador de sucesso, mas que há oito anos não trabalha na função. Desde então, concedeu várias entrevistas expondo sua frustração com a escolha (ainda que elegantemente tenha tomado o cuidado de não ofender o colega de trabalho) e passou a se dedicar ao aprimoramento de suas capacidades visando o convite de algum clube na próxima temporada.

Em bate-papo exclusivo com o Saída de Rede, Rubinho contou que assiste a pelo menos um jogo diariamente. É um trabalho que não difere muito do que realizava com Bernardinho, mas “sem relatórios tão longos e específicos”, brinca. Dividido entre as transmissões na TV e na internet, ele ainda tenta aprimorar o inglês e o italiano de olho em uma eventual proposta do exterior. “Quero estar preparado para qualquer possibilidade”, destaca.

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Cativado pela “Geração de Prata” ainda na adolescência, nos anos 80, o curitibano Rubinho bem que tentou ser jogador. Ao perceber, em suas próprias palavras, “que não tinha muito como ascender como atleta”, entrou pra faculdade de Educação Física já com o intuito de virar técnico de vôlei. Formou-se aos 20 anos e não parou de trabalhar desde então, com passagens pelo clube Curitibano, Cocamar (atual Maringá) e seleção juvenil antes de receber o convite de Bernardinho para integrar a seleção adulta, em 2006. Entre 2007 e 2013 ainda alternou o trabalho como treinador do São Bernardo, onde conseguiu chegar a quatro playoffs de Superliga mesmo tendo que lidar com um orçamento bastante limitado. Com a confiança do titular, comandou o Brasil nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara e Toronto (um ouro e uma prata) e no início da Liga Mundial de 2015.

Profundo conhecedor de vôlei, Rubinho também explicou ao SdR alguns aspectos importantes para que se entenda a evolução da modalidade nas últimas décadas, como o aumento da força física, da agressividade no saque e a importância da internet. Sim, isso mesmo: a internet é, segundo ele, um fator extremamente relevante para que se explique como a competitividade cresceu no cenário internacional desde Londres-2012. “Você mostra uma fragilidade numa semifinal e, no outro dia, já é alvejado naquele ponto de forma impressionante. Há dez anos, isso não acontecia”, afirma. E, na visão de Rubinho, os torcedores que se preparem para emoções ainda mais fortes: “Acho que o próximo ciclo vai ser até mais equilibrado do que o que se encerrou em 2016”.

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Confira a conversa abaixo:

Saída de Rede: Você está aproveitando esses primeiros dias após a saída da seleção para descansar ou tem visto jogos, fazendo análises…?

Rubinho: Eu não parei, tenho que continuar acompanhando, pois preciso estar pronto para o mercado. Geralmente acompanho a Superliga, a Champions League, o Campeonato Russo e o Italiano. Assisto a pelo menos um jogo por dia. Obviamente não vou dar nenhum passo nesse momento porque o mercado está parado por ser meio de temporada do vôlei, mas estou trabalhando em algumas coisas. Quero estar preparado para qualquer possibilidade quando a temporada acabar.

Parceria de Rubinho e Bernardinho durou dez anos na seleção

Parceria de Rubinho e Bernardinho durou dez anos na seleção

Acompanhar jogos e jogadores era uma de suas principais tarefas na seleção, já que o Bernardinho se dedicava ao (time feminino do) Rexona-Sesc na temporada de clubes. Mudou muito a sua rotina agora?

Não, é mais ou menos a mesma coisa. Só que agora não preciso mais fazer relatórios tão longos e específicos como eu fazia (risos)… Tem uma característica bem próxima ao trabalho anterior, que é o observar como os técnicos e os atletas estão se comportando neste pós-Olimpíada. Geralmente a Olimpíada traz muitas inovações e os clubes adaptam algumas coisas. Antes, eu tinha que perceber quais eram as nuances novas para pra seleção: o que um jogador pode fazer em determinada situação, um determinado sistema…

Seu trabalho tem se limitado à parte técnica ou você já abriu negociações com alguém?

Recebi alguns contatos, mas não pretendo fechar nada tão antecipado pra sentir qual vai ser a movimentação do mercado e decidir o que fazer com as propostas que aparecerem

Focado, desconfiado e polêmico: como Bernardinho virou referência

A ideia é ficar no Brasil?

Depende do que aconteça por aqui. Nesse momento, eu não posso fechar portas. Estudo inglês e estou fazendo um trabalho até mais intensivo no italiano para estar preparado para possibilidades fora do Brasil. Com esses dois idiomas, eu tenho mais chances em qualquer parte do mundo

Sua carreira é construída no vôlei masculino, mas o universo das mulheres não é algo tão distante para você, que tem três filhas. Treinar time feminino é uma possibilidade?

Nunca pensei, mas não fecho as portas. A priori, eu teria que fazer um bom estudo. Em um primeiro momento, o foco é o masculino

Lucão e Vissotto: tentativa de aumentar a altura da seleção

Lucão e Vissotto: tentativa de aumentar a altura na seleção brasileira

Houve muitas mudanças no vôlei desde que você começou a trabalhar com a modalidade, em 1988, até hoje. Qual foi a mais impactante na maneira de jogar desde então?

O vôlei hoje é muito forte e a questão física é um componente muito pesado. Não dá pra fazer comparativos com o voleibol daquela época justamente por isso. Há muitos comentários de que perdemos em técnica, mas, mesmo no masculino, vejo um crescimento interessante hoje em dia na capacidade de defesa das equipes, o que proporciona um peso de ataque muito grande. O vôlei foi se moldando nesta faceta física, mas continua crescendo tecnicamente.

Cresceu também a questão da avaliação. Atualmente, as equipes se conhecem absurdamente e os efeitos deste estudo são muito rápidos na quadra: antes, demorava-se um pouco para perceber o que adversário estava fazendo, mas, agora, você mostra uma fragilidade numa semifinal e, no outro dia, já é alvejado naquele ponto de forma impressionante. Há dez anos, isso não acontecia.

Um grande exemplo disso é a seleção masculina da França, não? Saíram da segunda divisão da Liga Mundial para o título em 2015 e surpreenderam os fãs de vôlei, mas na Olimpíada a equipe foi muito visada e acabou eliminada na primeira fase…

Vou dar um panorama geral: no ciclo de 2004, tivemos somente três países ganharam as oito principais competições (Olimpíada, Mundial, Copa dos Campeões, Copa do Mundo e quatro Ligas Mundiais), que foram Brasil (6), Rússia (1) e Cuba (1). No de 2008, o Brasil ganhou seis e os Estados Unidos, duas. No de 2012, a gente ganhou quatro, a Rússia ganhou três e a Polônia um. Nesse último ciclo, foram seis campeões para oito competições diferentes (Brasil (2), Estados Unidos (2), França, Polônia, Rússia e Sérvia). Isso mostra que muitas equipes chegaram: começamos o ciclo brigando pesadamente com a Rússia, que praticamente desapareceu em 2016. A Sérvia era um time que eu imaginava como umas das maiores forças pra Olimpíada, mas nem conseguiu se classificar. As equipes estão extremamente competitivas e próximas, pois eu ainda colocaria neste grupo Argentina, Alemanha, Eslovênia… São tantas frentes que você pode ficar em primeiro ou sexto. Pra mim, a França era time pra final olímpica, mas terminou em nono. Isso porque um time que não tem tanto potencial pra ficar à frente, caso do Canadá, modificou a estrutura da nossa chave no Rio quando ganhou os Estados Unidos. E acho que o próximo ciclo vai ser até mais equilibrado do que o que se encerrou em 2016, pois as equipes que eram jovens estarão mais experientes.

Lucarelli e Wallace: preparados para serem protagonistas da seleção (Foto: FIVB)

Lucarelli e Wallace: preparados para serem protagonistas da seleção (Foto: FIVB)

Apesar de você ter mencionado o aumento da importância da força no vôlei, essa nunca foi uma característica grande das seleções do Bernardinho. Os brasileiros não eram os mais fortes ou os mais altos. O time se manteve entre os primeiros pela parte tática?

Mudou um pouco. O começo do ciclo do Bernardo era um time de talento, com quatro jogadores muito acima da média mundial: Serginho, Ricardinho, Giba e Gustavo. Ninguém tem isso hoje. Por exemplo: o (Earvin) Ngapeth é um jogador acima da média e, se a França tivesse outros quatro como ele, ninguém os venceria. Tivemos que mudar um pouco isso e procuramos jogadores mais altos, caso do Lucão (2,09 m), do Leandro Vissotto (2,14 m) e do Ricardo Lucarelli (1,95 m), que é um ponteiro mais alto. Hoje, se você não tiver este peso, não compete. Nós e a França sempre vamos estar um pouco abaixo neste quesito, então temos que equilibrar com a técnica. A Sérvia talvez seja a equipe que melhor una força e técnica atualmente.

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Claro que a técnica sempre será fundamental, mas houve um aumento da preponderância da força. No saque, por exemplo, a mudança foi absurda. Saímos de muitos saques no chão para times que jogam com seis viagens. Foi tanto que houve até outra mudança, com times que alternam de forma inteligente o viagem com o flutuado mais agressivo, que fez muito sucesso nos últimos dois anos. As equipes também começaram a passar com um passador de elite, o líbero e um ponteiro de força, que consegue se virar maior numa pancadaria. O flutuante já exige maior qualidade técnica, de movimentação. De qualquer forma, a tendência no mundo é de saques agressivos. Os bloqueios também estão mais altos, então os jogadores conseguem cobrir distâncias maiores com menos passadas. Avalie o Muserskiy bloqueando: sempre acompanha a primeira bola e, se o levantador inverte e o atacante manda muito na diagonal, ele toca na bola porque é um cara muito grande. Estes detalhes são importantes no jogo de hoje.

Fiz essa observação me referindo também ao último ciclo porque o Brasil ganhou ouro na Olimpíada jogando com três ponteiros mais técnicos do que de força: o Lucarelli, o Maurício Borges e o Lipe.

O Borges tem um perfil mais clássico de ponteiro de habilidade, mas, apesar de ter crescido muito nos últimos anos, o Lipe era um ponteiro de força na nossa hierarquia, ao lado do Lucarelli. Tentamos equilibrar eles com o Murilo, que é mais técnico, mas a partir de 2015 começamos a testar formações de força com força (Lucarelli e Lipe), que foi por acaso a que venceu a Olimpíada. Isso foi coisa de muito trabalho e de mudar um pouco o perfil dos dois, para eles suportarem jogar passando com qualquer tipo de saque.

Em outros anos, foi comum ouvir jogadores brasileiros que atuam na Superliga falarem da diferença entre o nível de saque que estavam acostumados no torneio com o que enfrentavam em nível internacional. Você realmente acha que o saque na Superliga está um pouco abaixo dos estrangeiros?

Eu diria que não está um pouco e sim muito (risos). Mas minha avaliação pessoal é que, nesta temporada, demos um passo à frente, talvez influência da seleção. Até 2015, a discrepância era muito alta: temos um fluxo muito grande de flutuantes nos campeonatos aqui e um volume de erro alto nos viagens. Esta era uma preocupação importante nossa e foi uma das coisas que mais tivemos crescimento técnico pra Olimpíada. Fizemos muito feedback de velocidade, trabalhos com objetivos…

O Sada Cruzeiro trabalha com radar há muito tempo e, por isso, era referência de saque no Brasil. Até troquei informações com eles. A Funvic/Taubaté passou a usar um pouco mais na temporada passada e o Sesi tem feito um trabalho muito interessante. Por isso, cresceram muito no fundamento. Mas, apesar desse crescimento, ainda ficamos abaixo do exterior. Lá, tem jogo com menos de dois saques perdidos pra cada ponto, um índice que é muito bom e buscávamos na seleção. Um saque pode modificar a história de um jogo. Nossos jogadores ainda não têm agressividade com consistência.

Como era o mundo na última vez que Bernardinho não foi técnico de uma seleção?

Você terá uma mudança importante no modo de trabalho: na seleção, podia “escolher” qualquer brasileiro pro seu time, mas agora terá uma limitação orçamentária e até de pontuação, caso assuma um time na Superliga. Como será?

O meu trabalho agora será com o mesmo conceitual adaptado às peças que terei. Precisarei de mais tempo pros jogadores aprenderem algumas coisas, mas o mais importante é ter o conceito. Esta será sem dúvida a minha grande diferença: trabalhava com a elite da elite e, mesmo que agora vá pra uma equipe de ponta, não será a mesma coisa. Mas não tenho dúvidas que dá pra crescer nesse aspecto: na própria seleção adulta, aconteceu muita coisa que eu testava na seleção sub-23 e na seleção B. Marcávamos alguns jogadores da seleção B, que eram mantidos ainda que não jogassem tão bem porque queríamos transformá-los em protagonistas. Isso aconteceu em 2011 com o Wallace, com o Lucarelli em 2013 e o Douglas Souza em 2015. É um trabalho que tem que ser feito, mas não está nos holofotes da imprensa.

Tecnologia aumentou a competitividade do vôlei, afirma o técnico (Foto: Luiz Pires/Vipcomm)

Tecnologia aumentou a competitividade do vôlei, afirma o técnico (Foto: Luiz Pires/Vipcomm)

O Maurício Souza também: foi impressionante o que ele evoluiu de 2015 para 2016, não?

Sem dúvida. Isso foi muito bacana. Trabalhei com ele no clube, em São Bernardo, e sempre foi um cara muito determinado. Desde jovem, também era um bloqueador muito forte: lá, já chamava a atenção de todas as equipes. Ele conjugou uma boa temporada na seleção em 2015 com uma boa temporada no clube e isso o jogou em um nível muito alto. O mesmo aconteceu com o Douglas Souza, que só escolhemos para o lugar do Murilo, lesionado, porque se mostrou em condições de estar na Olimpíada. O desenvolvimento de novos jogadores passa por essa sequência de trabalho bom em seleções e clubes, protagonismo, o tempo todo tendo que decidir… O ideal de uma seleção é ter 14 caras que decidem o tempo todo, mas o atleta precisa ser trabalhado para isso. E esse foi um dos pontos positivos dos ciclos do Bernardo como técnico.

O que você recomenda para um fã de vôlei que quer se aprofundar no esporte e ter uma visão mais técnica?

O maravilhoso hoje é que você tem internet, então você acessa jogos do mundo inteiro. A internet, na verdade, é o que faz com que os jogos sejam tão equilibrados hoje, pois todo mundo sabe o que os outros estão fazendo. O próprio jogo é um referencial espetacular, mas também há muita informação de vídeos de técnica, estratégia e comentários. A literatura no Brasil é muito pobre, mas até por influência do Bernardo aprendi a buscar isso lá fora, principalmente a questão dos técnicos nos Estados Unidos. A gente procura isso na NFL, NBA, no futebol… na Europa, por exemplo, há técnicos muito qualificados no sentido do estudo. Já li livros de uns cinco ou seis caras do futebol, tais como o Guardiola e o Mourinho, e agora comprei uma sequência de bons caras argentinos, como o Simeone. É isso: tem que fuçar o tempo todo. Hoje, o desenvolvimento depende muito mais de você, pois todo mundo tem o acesso. Se você for o cara que vai mais a fundo, naturalmente vai se desenvolver. É algo que no Brasil ainda podemos melhorar muito. Tenho visto muitas pessoas interessadas e acho que isso vai fazer a diferença pra gente em um futuro próximo.


Como um time mineiro dominou o mundo do vôlei em dez anos?
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Carolina Canossa

Sada (Fotos: Divulgação/FIVB)

Desde 2010, Sada ganhou 23 de 29 títulos disputados (Fotos: Divulgação/FIVB)

Betim (MG) – Quando o empresário italiano radicado no Brasil Vittorio Medioli decidiu investir parte de sua fortuna no vôlei, em 2006, a maior intenção era usar o esporte como ferramenta de transformação social para jovens carentes de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. A opção pelo vôlei remeteu à infância dele e do irmão, Alberto, que acompanharam de perto a criação e ascensão do Parma, time que soma oito títulos italianos e um Mundial, o de 1989.

Torcida do futebol abraçou a equipe de vôlei

Torcida do futebol abraçou a equipe de vôlei

Passados dez anos, o projeto chegou a um patamar nunca antes alcançado no voleibol brasileiro: o tricampeonato mundial (2013, 2015 e 2016). Em que pese as inúmeras conquistas das seleções masculina e feminina, o país sempre teve dificuldades em repetir o sucesso entre os clubes. A questão econômica, que dificulta a contratação dos principais astros do vôlei, é o maior entrave. Como, então, o Sada conseguiu mudar essa história e se tornar o clube mais vitorioso do mundo na atualidade, com participação em quatro das últimas cinco finais do Campeonato Mundial? Os fatores abaixo ajudam a explicar:

Investimento alto e bem aproveitado

Apesar de nunca ter apostado na tática de contratar jogadores de elite a peso de ouro para ganhar campeonatos e chamar a atenção da mídia, não dá para dizer que o Sada investe pouco no vôlei: segundo o que o Saída de Rede apurou, os gastos do time mineiro giram em torno de R$ 10 a 13 milhões por temporada. Trata-se de um investimento equivalente ao do tradicional Trentino, da Itália, terceiro colocado no Mundial e maior vencedor da história do torneio. Por outro lado, é a metade dos cerca de R$ 27 milhões gastos pelos russos do Zenit Kazan, arrasados na final deste domingo (23), uma prova da boa administração dos recursos disponíveis.

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Marcelo Mendez

Chegada de Marcelo Mendez levou o Sada a outro patamar

Associação com o futebol

Depois de passar as duas primeiras temporadas de sua existência na zona intermediária do vôlei nacional, o Sada ganhou um impulso com a parceira com o Cruzeiro, em 2009. Ainda que a associação entre futebol e esporte olímpico às vezes resulte em episódios deploráveis, no caso mineiro serviu para trazer um público desacostumado de vôlei para o lado do time, o que se reflete em ginásios cheios e grande apoio do lado azul do Estado. Atualmente, a equipe comandada pelo técnico Marcelo Mendez usa a estrutura do CT do Barro Preto, em Belo Horizonte, mas as duas partes existem de forma independente. Ou seja: se por algum acaso o Cruzeiro quiser deixar a parceria, o time de vôlei continuará existindo. Ao menos por enquanto, porém, a união tem trazido benefícios para ambos os lados.

Marcelo Mendez

A associação com o Cruzeiro também culminou com a chegada do argentino Marcelo Mendez. Com passagens por times de sua terra-natal e da Itália, além da seleção espanhola, o treinador chegou à equipe de Betim em 2009 depois de uma temporada em Montes Claros. Estudioso, o treinador pôde se desenvolver no time e foi fundamental para a ascensão do Sada. Construiu as bases do projeto apostando em bons nomes, mas pouco badalados até então, caso do levantador William, do líbero Serginho e do ponteiro Filipe. Possui também a capacidade para desenvolver jovens talentos e foi o maior responsável por sacramentar ídolos como Wallace e o cubano Yoandry Leal na elite do vôlei. Tem ainda um bom olho para captar jogadores nas categorias de base do Sada, caso do ponteiro Rodriguinho, que virou titular durante o Mundial devido a lesão na panturrilha de Filipe e correspondeu em quadra. Resultado: desde 2010, são 29 torneios disputados, com 23 títulos.

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Estabilidade

Dinheiro é importante, mas não é tudo no caso do Sada. Apesar do investimento que garante ao projeto uma situação financeiramente confortável, o sucesso do time faz com quem suas principais estrelas sejam constantemente assediadas por rivais do Brasil e do exterior. Ainda assim, a maioria dos contratados opta por permanecer em Minas Gerais graças à estabilidade da iniciativa – nem mesmo a comissão técnica e o staff interno da equipe passaram por grandes mudanças nos últimos anos. A pressão existe, é claro, mas não significa uma cobrança desenfreada em fases ruins, ao contrário do que ocorre com times que injetam uma grana muito alta no vôlei por uma ou duas temporadas. Dos principais jogadores no título mundial em 2013, saíram apenas o oposto Wallace e o central Éder, obrigados a deixar o clube devido ao ranking da CBV, e Douglas Cordeiro, aposentado.

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Contratações pontuais

Bem sucedido e com dinheiro em caixa, o Sada conseguiu trazer excelentes nomes quando precisou ir ao mercado. Na última janela de contratações, por exemplo, fechou com o oposto Evandro, reserva da seleção campeã olímpica na Rio 2016, e com o central cubano Simón – este último, tinha propostas até mais vantajosas financeiramente, mas aceitou o convite do Cruzeiro convencido pelo amigo e compatriota Leal. Ambos tiveram participação fundamental na campanha do tri.

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Linha de passe

Surpreendido na final do Mundial do ano passado pelo saque flutuante dos brasileiros, o Zenit apostou na mesma fórmula este ano em Betim. A tática, porém, não deu certo, já que a recepção formada por Serginho, Rodriguinho e Leal conseguiu constantemente entregar passes “A” para o levantador William, que, assim, pôde usar todo o potencial de ataque à sua disposição. Nem quando os russos voltaram a apostar no viagem, seu ponto forte, o trio sucumbiu.

Saque

O saque, aliás, foi um grande aliado do Sada neste Mundial. Apesar de ter conquistado o mesmo número de aces que o Zenit na final (cinco para cada), o time mineiro conseguiu impedir que os levantadores Butko e Kobzar jogassem com os centrais e complicaram os ataques do astro americano Matthew Anderson, quase sempre perseguido pelo bloqueio. Dos seis sacadores constantes do Cruzeiro, quatro tiverem excelente desempenho no quesito: Leal, Evandro, Rodriguinho e Simón. É muita coisa.

A repórter Carolina Canossa viajou a Betim para a cobertura do Mundial de clubes a convite de Federação Internacional de Vôlei (FIVB)


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Carolina Canossa

Contra a Rússia, taque do Brasil deu uma aula no Maracanãzinho (Foto: FIVB)

Contra a Rússia, taque do Brasil deu uma aula no Maracanãzinho (Foto: FIVB)

Era o grande teste que faltava nessa Olimpíada: enfrentar uma das seleções da elite do voleibol mundial. E a seleção brasileira feminina de vôlei passou com louvor: 3 sets a 0, parciais de 25-23, 25-21 e 25-21, diante da Rússia. Se alguém ainda duvidava, o recado agora está claro: esse time tem toda a condição de chegar novamente o título olímpico, o terceiro consecutivo.

O que se viu essa noite no Maracanãzinho foi uma verdadeira aula de ataque dada pelas comandadas de José Roberto Guimarães. Sheilla, Natália e Fernanda Garay foram as professoras. A entrada de Jaqueline, ainda no segundo set, deu estabilidade ao passe, permitindo que Dani Lins passasse a jogar com Thaísa e Fabiana. Um verdadeiro arsenal composto de ataques potentes, largadas, exploradas no bloqueio… Teve para todos os gostos!

O santo milagreiro do vôlei brasileiro terá que agir na seleção masculina

O bloqueio brasileiro, que começou chegando atrasado, demorou um set para se acertar. Quando conseguiu pegar o tempo de bola das russas, tirou Kosheleva e, principalmente, Goncharova do jogo. Detalhe é que muitos dos pontos nesse fundamento não foram feitos por Thaísa ou Fabiana, a quem, em teoria, cabe essa função – na verdade, as centrais fizeram um trabalho tão importante quanto, mas mais discreto, que foi segurar as meios russas. Trata-se de um claro sinal da qualidade da tática proposta pelas donas da casa.

O saque também foi evoluindo ao longo da partida – Sheilla, que vinha sendo (justamente) criticada pelo excesso de vezes em que pisava na linha, dessa vez não cometeu nenhuma falha. Ela nem sequer sacou na rede e ainda conseguiu três aces. Dani Lins e Fabiana também incomodaram demais a recepção russa. O “único” porém da seleção fica por conta do nível de concentração, que caiu no fim do segundo e do terceiro set e só não colocou o 3 a 0 em perigo porque a vantagem aberta já era grande em ambas as etapas.

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Mas não há tempo para comemorar: nas quartas, o duelo é contra a perigosíssima China, uma das cotadas à medalha de ouro, na terça, às 22h15. É verdade que as asiáticas são uma das decepções do torneio de vôlei feminino da Rio 2016 até agora, mas o próprio Brasil provou em Londres 2012 que nunca se deve dar brechas para uma seleção de alto nível. Time para ganhar as chinesas têm, ainda mais em um jogo único, mas não há dúvidas que as brasileiras chegam como favoritas, com a moral lá em cima. Estão jogando para ser tricampeãs. Basta não se enrolar.

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Se a Coreia tem Kim, o Brasil tem um conjunto
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Carolina Canossa

Exceção feita ao fim do terceiro set, Brasil fez sua melhor apresentação na Rio 2016 (Fotos: FIVB)

Exceção feita ao fim do terceiro set, Brasil fez sua melhor apresentação na Rio 2016 (Fotos: FIVB)

Quem só costuma acompanhar vôlei em época de Olimpíada, deve ter pensado: “Sério que a camisa 10 da Coreia é essa jogadoraça que tanto falam?”. Então já me adianto: sim, caro leitor, a Kim Yeon-Koung é uma craque de bola. Juro. De verdade. O fato de ela ter ido parar no banco na metade do segundo set foi uma exceção em sua carreira e deve ser creditado ao brilhante trabalho de marcação montado pela comissão técnica da seleção brasileira feminina de vôlei na noite desta sexta-feira (12).

No 3 sets a 0 (25-17, 25-13 e 27-25) visto na sessão “balada” do Maracanãzinho, o único momento que Kim brilhou foi no começo do jogo, quando fez os quatro primeiros pontos sul-coreanos. Depois, sobrecarregada, ela começou a derrubar cada vez menos bolas no chão, a ponto de o técnico ter optado por poupá-la quando percebeu que a surra aplicada pelo Brasil já estava grande demais. Essa é a diferença entre os times: enquanto Zé Roberto tem um conjunto em mãos, a Coreia tem Kim e mais um apanhado de jogadoras não mais que comuns.

É bem verdade que os asiáticos estão evoluindo nesse aspecto: como mencionamos no post anterior ao jogo, a oposta Kim Hee-Jin e a central Yang Hyojin estavam indo razoavelmente bem nessa Olimpíada – tanto é que, após a saída de Kim, elas começaram a pontuar. Talvez se a variação de jogo fosse maior desde o início do jogo, as ações ficassem mais equilibradas. Mas isso não aconteceu e, com um bom saque e muito volume de jogo, a vitória veio com tranquilidade para as donas da casa.

Kim teve uma rara partida no banco de reservas

Kim teve uma rara partida no banco de reservas

Só não foi mais rápido porque Zé decidiu dar rodagem a quem estava no banco na metade final do terceiro set e as jogadoras que tiveram chance (Jaqueline, Gabi e Fabíola) não conseguiram manter o mesmo ritmo. Ainda assim, me pareceu mais uma questão pontual do que um problema propriamente dito, diferente dos erros de recepção de Natália e Fernanda Garay, que voltaram a acontecer e podem comprometer em um jogo decisivo.

Dada a qualidade do adversário, considero este o melhor jogo da seleção feminina até agora na Rio 2016. No domingo (14), a missão será contra a Rússia em busca da primeira colocação no grupo – curiosamente, porém, essa vitória pode nem ser tão desejável, visto que a forte China tem tropeçado e aparece com uma possibilidade razoável de ficar com a quarta posição na outra chave.

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EUA usam “veneno sérvio” para ressuscitar contra o Brasil
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Carolina Canossa

Ace dos Estados Unidos: cena se repetiu nove vezes na noite desta quinta (11) (Fotos: FIVB)

Ace dos Estados Unidos: cena se repetiu nove vezes na noite desta quinta (11) (Fotos: FIVB)

Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que foi um grande jogo. Dos melhores da Rio 2016 até agora. Em um duelo de alto nível, com muitos ralis, a seleção americana masculina de vôlei ressuscitou na Rio 2016 ao bater o Brasil por 3 sets a 1, parciais de 25-20, 25-23, 20-25 e 25-20. Independentemente do resultado, valeu ficar acordado até tarde para ver a partida.

O principal motivo de lamentação é a chance desperdiçada de praticamente eliminar uma das seleções favoritas à medalha de ouro. Batido por Canadá e Itália nas duas primeiras rodadas, os Estados Unidos estariam em situação muito complicada em caso de nova derrota. Diante de uma pressão enorme feita pela torcida que lotou o Maracanãzinho, a equipe do técnico John Speraw jogou muito e saiu de quadra merecidamente com a vitória. Veremos no Rio uma história de redenção semelhante à das meninas de Zé Roberto em Londres 2012?

Conheça mais a seleção dos Estados Unidos

Apesar de falhas, seleção feminina avança com tranquilidade às quartas

Dois motivos foram fundamentais para a vitória americana: um excelente saque e Matt Anderson espetacular. Pode-se dizer que o primeiro fator tem inspirações sérvias, já que foi assim que o time do leste europeu bateu os brasileiros duas vezes na Liga Mundial. Ao todo, foram nove aces, com destaque para o levantador Micah Christenson. Bruninho precisou correr muito para levantar uma série de passes quebrados.

Principal alvo do serviço adversário, Lucarelli rendeu menos no ataque e isso não foi compensado pelos demais jogadores do time. Já do outro lado, havia um matador: Anderson, que terminou o duelo com 24 pontos, sendo 23 em cortadas. O oposto, que vinha apagado nesta temporada de seleções, resolveu jogar tudo o que sabe e
foi praticamente imparável.

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Oposto Anderson foi o terror do sistema defensivo do Brasil

Oposto Anderson foi o terror do sistema defensivo do Brasil

O banco de reservas brasileiro também não foi capaz de mudar o jogo. O oposto Evandro, por exemplo, tomou dois bloqueios no pé no fim do segundo set – os lances foram ainda mais dolorosos porque permitiram a permanência de Christenson no saque e a consequente virada. Já Lipe ameaçou dar um fôlego no time após um horrível começo coletivo de quarto set, mas não conseguiu liderar a reação.

Vale destacar que mesmo nas vitórias contra México e Canadá, a seleção masculina não mostrou seu melhor vôlei. Agora, com dois adversários fortíssimos pela frente (Itália e França), o time precisará se recompor rápido para não se complicar na Olimpíada.

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Apesar de falhas, seleção feminina avança com tranquilidade às quartas
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Carolina Canossa

Fê Garay e Natália ainda estão hesitantes na recepção. Situação complica quando a bola vem entre elas... (Fotos: FIVB)

Fê Garay e Natália ainda estão hesitantes na recepção. Situação complica quando a bola vem entre elas… (Fotos: FIVB)

Três vitórias em três jogos. Nove sets vencidos em nove disputados. Numericamente, a campanha da seleção brasileira feminina de vôlei está perfeita. Favoritismo confirmado contra as equipes mais fracas do grupo e classificação às quartas de final garantida. O 25-18, 25-18 e 25-22 aplicado contra o Japão, porém, deve servir como alerta de que esse time ainda precisa melhorar se não quiser correr riscos nos próximos dias.

Diante das nipônicas, a seleção apresentou duas grandes falhas que incomodaram: recepção hesitante e precisão deficiente na armação das jogadas. Natália e Fernanda Garay ainda estão com dificuldades acima do normal na hora de receber o saque, o que tem gerado pontos para os adversários. Por enquanto, não foi o suficiente para prejudicar o time de fato, mas convém Jaqueline estar sempre a postos no banco de reservas.

Elevador do vôlei: o que houve de melhor e pior na segunda rodada?

Diante de rival perigoso, seleção masculina mostra poder de reação

Já em termos ofensivos, Dani Lins precisa aumentar um pouco a altura das bolas até para não ofuscar a excelente distribuição que tem feito. Nesta quarta (10), por exemplo, as atacantes brasileiras foram excessivamente bloqueadas por um time baixo, muitas vezes no um contra um. Individualmente falando, Sheilla também precisa urgentemente trabalhar o movimento de saque, pois somente contra o Japão pisou na linha duas vezes, um erro constante nas últimas semanas.

Saque tem sido um dos pontos positivos do Brasil

Saque tem sido um dos pontos positivos do Brasil

Pelo lado positivo, elogios ao saque verde-amarelo, que vem entrando muito bem, variado e através de quase todas as jogadoras. Preocupação recorrente do técnico José Roberto Guimarães, o sistema de bloqueio/defesa está se ajustando: contra o Japão, por exemplo, o corredor quase sempre esteve fechado e o reflexo disso é o fato de as ponteiras terem sido as brasileiras que mais obtiveram pontos de bloqueio. Foi bom ainda ver Thaísa voltando a jogar depois de um problema na panturrilha que a fez temer um corte.

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Já classificado, o Brasil ainda encara Coreia do Sul e Rússia na fase classificatória em busca do primeiro lugar do grupo A, uma forma de tentar garantir um confronto teoricamente mais tranquilo nas quartas de final.

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Antigo problema, saque vira aliado na estreia tranquila do Brasil
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Carolina Canossa

Lucarelli fez três dos dez aces do Brasil e ainda foi decisivo no fim do jogo (Fotos: Divulgação/FIVB)

Lucarelli fez três dos dez aces do Brasil e ainda foi decisivo no fim do jogo (Fotos: Divulgação/FIVB)

A exemplo do que já havia ocorrido com as mulheres na semana passada, a seleção brasileira masculina de vôlei mostrou, nesta quinta-feira (16), um desempenho pra lá de convincente na Arena Carioca 1. Na estreia da Liga Mundial 2016, o time comandando por Bernardinho venceu o perigoso Irã em sets diretos, com parciais de 25-19, 25-16 e 28-26.

Repararam que Bernardinho manteve-se calmo praticamente o tempo inteiro? Não, não foi nenhuma mudança na postura do agitado treinador: com um voleibol redondo, o Brasil realmente não deu motivos para ele reclamar. E, ao contrário do que aconteceu com o time feminino, os homens não tiveram a facilidade de jogar contra um time sem suas principais estrelas, pois os ótimos Marouf e Mousavi (Seyed na camisa) estavam em quadra e foram bem anulados.

Bruno e Lucão: derrota em 2015 “acordou” o Brasil

Destaque para o saque brasileiro: forçado, flutuante, curto… enfim, uma enorme variedade pôde ser vista durante o confronto, para desespero da linha de passe persa. Em três sets, foram dez aces verde-amarelos (quatro de Lucão, três de Bruno e três de Lucarelli). Sem a bola na mão, Marouf não conseguiu acelerar o jogo, que ficou menos difícil.

Mousavi foi bem anulado pelo time brasileiro

Mousavi foi bem anulado pelo time brasileiro e só fez quatro pontos

Considerando-se que as dificuldades no saque foram um empecilho para o time nos últimos anos, esse dado é animador. Resta saber se esse alto nível será mantido nas próximas partidas, uma vez que o próprio técnico acredita que as deficiências no fundamento sejam um problema cultural (leia mais sobre o assunto aqui e aqui). É aguardar pra ver.

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Aproveitando-se do entrosamento adquirido há anos e reforçado esta temporada no Modena, Bruno usou e abusou das jogadas de ataque com Lucão, que terminou o jogo como o maior pontuador após colocar 17 bolas no chão. O levantador foi o melhor em quadra, com a curiosidade de ter feito mais pontos que Murilo e Maurício Souza – e olha que o ponteiro e o central tiveram atuações bastante razoáveis. Lucarelli também foi bem: além dos 16 pontos, chamou a responsabilidade no fim do terceiro set, quando fez três pontos seguidos e fechou o jogo. É para isso que ele está ali.

Em tese, o jogo contra a Argentina nesta sexta (17) será mais tranquilo. A ver como o Brasil se porta contra um time que toca muito na bola antes do grande desafio da semana, os Estados Unidos, na noite de sábado (18).
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