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Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Time de Thaisa, Eczacibasi é bicampeão mundial
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João Batista Junior

O Eczacibasi montou um timaço e se tornou bicampeão mundial (fotos: FIVB)

O Eczacibasi montou um timaço e se tornou bicampeão mundial (fotos: FIVB)

Convidado para jogar o Mundial feminino de Clubes, o Eczacibasi VitrA se sagrou bicampeão. O clube turco montou uma verdadeira seleção para esta temporada e bateu o Pomì Casalmaggiore, da Itália, por 3 sets a 2 (25-19, 20-25, 25-19, 22-25, 15-11), na manhã deste domingo, em Manila, nas Filipinas. Diferentemente do duelo na primeira fase, quando as italianas perderam sem oferecer resistência, o Eczacibasi suou o uniforme para conquistar a vitória, e ainda teve de virar um placar de 10-8 no tie break.

Foi também o segundo título mundial da central brasileira Thaisa, uma das recém-contratadas pelo Eczacibasi. Campeã em 2012 com o Osasco, a jogadora de meio de rede assinalou dez pontos neste domingo, sendo cinco no ataque, três no bloqueio e dois no saque.

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O jogo
Sem uma ponteira definidora por excelência, o Casalmaggiore conseguiu equilibrar as ações graças à oposta Samanta Fabris, que obteve 22 pontos e à eficiência do bloqueio, que anotou 14 vezes no placar (cinco pontos para Jovana Stevanovic neste fundamento e quatro para Lauren Gibbemeyer).

Também merece destaque a atuação da ponteira titular Lucia Bosetti: ela foi para o banco depois de um primeiro set muito ruim e voltou à quadra na quarta parcial para infernizar a vida das adversárias pela entrada de rede e não sair mais. Contudo, acabou sobrecarregada pela levantadora Carli Lloyd na reta final do tie-break e, numa passagem em que Fabris estava no fundo de quadra, virou presa fácil para o sistema defensivo rival.

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Boskovic teve muita dificuldade quando atacou pela entrada de rede

Boskovic teve muita dificuldade quando atacou pela entrada de rede

O Eczacibasi teve dificuldade no passe e, com isso, a levantadora Maja Ognjenovic pouco utilizou as centrais – somadas, Thaísa e a Rachael Adams atacaram apenas 20 bolas em toda a partida. Esse problema se agravava nas passagens em que a oposta Boskovic atacava pela entrada de rede e a ponteira Larson, pela saída. Foi numa posição dessas no rodízio que uma sequência de Gibbemeyer no saque, no início do segundo set, deixou o placar em 7 a 0 para o Casalmaggiore.

A equipe turca, contudo, tinha um desafogo. Quando mais precisou, o Eczaciibasi VitrA teve Tatiana Kosheleva em jornada inspirada. Contratada há poucos meses e ainda em fase de entrosamento com Ognjenovic, a ponteira russa cresceu no decorrer da competição e fez, neste domingo, sua melhor partida no torneio. Com 23 pontos assinalados (quatro de saque, um de bloqueio, 18 de ataque, sendo um de cabeça), ela foi a maior pontuadora do jogo. A atacante teve aproveitamento de 58% nas cortadas e ainda marcou dois pontos cruciais no tie break: um ataque que raspou no bloqueio e só o video check viu e o ace que fechou o jogo.

Juciely foi destaque do Rexona contra Hisamitsu Kobe

Juciely foi destaque do Rexona contra Hisamitsu Kobe

Quinto lugar
Com uma vitória por 3 sets a 2 sobre o Hisamitsu Springs Kobe (20-25, 25-22, 25-15, 30-32, 15-7), o Rexona-Sesc terminou o Mundial na quinta colocação. Destaque para o bloqueio carioca, que obteve 21 pontos, sendo 16 com as centrais – nove de Juciey, sete de Gabi.

Mesmo com a tradição do voleibol brasileiro e com os títulos que a equipe já conquistou no cenário nacional e continental, não dá para falar em decepção, já que as cariocas jogaram perderam para as equipes que decidiram o título apenas no quinto set.

A medalha de bronze do torneio ficou com o VakifBank, da Turquia, que superou o Volero Zürich, na madrugada deste domingo, com o placar de 3 a 1 (25-14, 21-25, 25-22, 25-11).


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Carolina Canossa

Monique terá que jogar bem melhor para o Rexona bater o Eczacibasi (Fotos: Divulgação/FIVB)

Monique terá que jogar bem melhor para o Rexona bater o Eczacibasi (Fotos: Divulgação/FIVB)

No jogo chave para suas pretensões no Mundial de clubes, o Rexona-Sesc falhou: diante do campeão europeu Pomi Casalmaggiore, da Itália, o time brasileiro acabou derrotado por 3 sets a 2 e viu sua situação no torneio se complicar bastante. As parciais foram de 17-25, 25-20, 25-20, 19-25 e 18-16.

Para avançar às semifinais e seguir na luta pelo inédito título, a equipe comandada pelo técnico Bernardinho terá que bater o fortíssimo Eczacibasi, da Turquia, nesta quinta-feira (20), às 3 horas da manhã (horário de Brasília) – em teoria, é até possível avançar com um resultado negativo, mas essa possibilidade depende de uma improvável derrota do Casalmaggiore para o time local, o PSL – F2 Logistics Manila no duelo das 9h30.

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Pode-se dizer que o Rexona perdeu para si mesmo nesta quarta-feira (19): quando conseguiram jogar o seu máximo, caso do primeiro set, as brasileiras foram amplamente superiores. Arriscando um saque viagem, as jogadoras do time carioca quebraram a recepção adversária e ainda contaram com Roberta inspirada na distribuição das jogadas. Mas, pouco a pouco, tanto o bom serviço quanto a levantadora foram saindo do jogo.

O Casalmaggiore aproveitou para reagir principalmente através da croata Samanta Fabris. Com o time acuado, até a consagrada Fabi passou a errar na recepção e a vitória da equipe italiana virou questão de tempo. Foi então que, com 3-8 no quarto set, a ponteira Gabi chamou a responsabilidade e, após uma sequência de ótimos saques, conseguiu ressuscitar o time. A vantagem no placar foi mantida após a ousada de inversão de Bernardinho, que promoveu Camila Adão e Helô ao time titular.

Gabi chamou a responsabilidade a partir do quarto set, mas não foi suficiente

Gabi chamou a responsabilidade a partir do quarto set, mas não foi suficiente

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Gabi seguiu brilhando no tie-break, mas faltou alguém para dividir a responsabilidade da decisão com ela. Depois de desperdiçar três match points, o Rexona viu o Casalmaggiore fechar o jogo na primeira oportunidade. “Perdemos a confiança, começamos a errar e a sacar muito mal”, lamentou o técnico Bernardinho, que viu sua oposta titular, Monique, fazer uma partida fraca: apenas oito pontos em cinco sets.

Diante de um time que conta com nomes como Thaísa, Kosheleva e Boskovic, entre outras estrelas, será preciso que a oposta faça bem mais que isso – caso contrário, as chances de vitória ficam ainda mais reduzidas. “Vamos fazer nosso melhor contra o Eczacibasi, temos que tentar”, complementou o treinador, que certamente não gostaria de estar fazendo seu segundo duelo de vida ou morte ainda na primeira fase do Mundial de clubes.

Nas outra partida do dia nas Filipinas, o Volero Zurich, das brasileiras Fabíola e Mari Paraíba, assegurou um lugar na próxima fase ao bater o Hisamitsu Springs Kobe, do Japão, por 25-19, 25-15 e 25-17. Titular, a levantadora conseguiu um ponto e acionou bastante a ucraniana Olesia Rykhliuk, maior pontuadora do duelo com 19 bolas no chão. Já a ponteira atuou apenas em parte do terceiro set e também fez um ponto na única bola que recebeu.


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João Batista Junior

Carol (15) foi a principal bloqueadora da rodada de abertura do Mundial (fotos: FIVB)

Carol (15) foi a principal bloqueadora da rodada de abertura do Mundial (fotos: FIVB)

A primeira rodada do Campeonato Mundial feminino de Clubes, nesta terça-feira, em Manila (Filipinas), mostrou que o Rexona-Sesc, se chegou bastante desacreditado para a competição, pode de fato sonhar com um lugar nas semifinais. Não se trata de dizer que a equipe carioca jogou um voleibol irretocável diante do PSL F2 Logistics Manila, mas de perceber que o Pomì Casalmaggiore, adversário das brasileiras na quarta-feira (às 9h30, pelo horário de Brasília), não está tão acima das sul-americanas como o título europeu fazia supor.

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O Rexona-Sesc venceu o time da casa por 3 sets a 0, com parciais de 25-15, 25-13, 25-20, diante de um público de 3 mil espectadores. Depois de dois sets tranquilos para as visitantes, o PSL abriu 14 a 7 na terceira parcial, mas o susto se desfez rapidamente e logo o placar marcava 15 a 15. A partir daí, as cariocas marcharam para o 3 a 0.

O destaque da partida (e um dos destaques de toda a rodada) foi a central Carol, que obteve nada menos do que dez pontos no bloqueio! No total, ela marcou 13 pontos e empatou com a ponta Anne Buijs como maior anotadora da equipe na partida – a ponteira Stephanie Niemer, do PSL, também assinalou 13 pontos.

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Ressalte-se que, nesse jogo de estreia, os números mostram que as ponteiras Buijs e Gabi dividiram as obrigações no passe – enquanto a brasileira recepcionou 19 saques adversários, a holandesa, 15. Além disso, ambas foram mais acionadas no ataque por Roberta do que a oposta Monique (Gabi recebeu 24 levantamentos, Buijs atacou 17 vezes e Monique, 16).

Boskovic comandou a vitória do Eczacibasi sobre o Casalmaggiore

Boskovic comandou a vitória do Eczacibasi sobre o Casalmaggiore

É claro que não seria apenas uma vitória contra o time filipino que daria ao Rexona motivo para crer na classificação à próxima fase. A razão se deve também ao outro jogo do grupo A na rodada. Porque, se o Eczacibasi VitrA justificou, no duelo europeu, seu favoritismo ao título, o Pomì Casalmaggiore mostrou que ainda está longe do bom voleibol neste início de temporada.

Semana passada, o campeão europeu sofreu para vencer na estreia da superliga italiana o Club Italia, uma equipe formada por jogadoras com idade para jogar na base. Já nesta terça, o time foi abalroado pelo Eczacibasi VitrA. Registre-se: foi atropelado por um timaço, mas que ainda busca entrosamento.

Para fazer 3 a 0 (25-17 25-18, 25-15), a equipe turca nem teve de dispor de todo o poderio ofensivo que possui: a meio de rede Thaisa marcou nove pontos, a ponteira Kosheleva, oito, as norte-americanas Rachael Adams e Jordan Larson, sete. O time só precisou, mesmo, do brilho da oposta Tijana Boskovic, que assinalou 18 pontos.

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No Casalmaggiore, a maior pontuadora foi a oposta croata Samanta Fabris, com apenas sete pontos (mesmo número obtido por Boskovic na soma de seus pontos de bloqueio e de saque na partida). O time foi superado pelas rivais em todos os fundamentos de pontuação, sendo gritante a diferença no bloqueio (12 a 3).

As japonesas não conseguiram parar o VakifBank

As japonesas não conseguiram parar o VakifBank

Grupo B
Na outra chave, dois confrontos entre Europa e Ásia, duas vitórias das europeias e um show da MVP dos Jogos Olímpicos.

Com 28 pontos, sendo nove só em bloqueios, a recém-contratada ponteira Ting Zhu comandou a vitória do VakifBank sobre o Hisamitsu Springs Kobe por 3 a 1 (25-15, 25-15, 29-31, 25-18). Vacilo no terceiro set à parte, quando desperdiçou match points e permitiu que o jogo se prolongasse por mais um set, a partida mostrou que o Vakif de Zhu pode ser bem diferente do que foi na temporada passada.

Tendo a norte-americana Kimberly Hill e a chinesa Zhu na entrada de rede, a oposta Lonneke Slöetjes foi consideravelmente menos acionada por Naz Aydemir: enquanto cada uma das passadoras recebeu 41 levantamentos, a holandesa recebeu 29. A título de comparação, na semifinal e na final da Liga dos Campeões, em abril deste ano, a jogadora da saída de rede foi quem mais bolas recebeu para atacar pelo VakifBank.

Rykhliuk em ação contra o Bangkok Glass

Rykhliuk em ação contra o Bangkok Glass

No outro jogo da rodada, o Volero Zürich, das brasileiras Fabíola (levantadora) e Mari Paraíba (ponteira) venceu o Bangkok Glass por 3 sets a 0 (25-21, 25-19, 25-23), com 20 pontos anotados para a oposta ucraniana Olesia Rykhliuk.

Fabíola atuou como titular da equipe e Mari Paraíba, com passagens no segundo e terceiro sets, anotou dois pontos.

Duas partidas movimentam a quarta-feira do Mundial feminino de Clubes. Veja a programação, com horário de Brasília:

6h30 – grupo B – Volero Zürich x Hisamitsu Springs Kobe (transmissão pelo canal da FIVB no YouTube)
9h30 – grupo A – Rexona-Sesc x Pomì Casalmaggiore (transmissão pelo SporTV)


Mundial de Clubes começa na terça e dura missão do Rexona-Sesc também
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João Batista Junior

Rexona-Sesc sonha com semifinal no Mundial de Clubes (foto: Célio Messias/Inovafoto/CBV)

Rexona-Sesc sonha com semifinal no Mundial de Clubes (fotos: Célio Messias/Inovafoto/CBV)

A bola sobe para o Campeonato Mundial feminino de Clubes na madrugada desta terça-feira, em Manila, nas Filipinas. O SporTV deve transmitir ao vivo na primeira fase os três jogos do Rexona-Sesc – pelo menos, é o que consta na grade de programação do canal.

O torneio tem oito participantes, sendo quatro da Europa, três da Ásia e um da América do Sul, divididos em dois grupos. Os dois primeiros colocados de cada chave passam às semifinais, que serão disputadas no sábado. A decisão será no domingo.

Anne Bujis foi o grande reforço do Rexona para a temporada

Anne Bujis foi o grande reforço do Rexona para a temporada

Rexona-Sesc
Antes mesmo do primeiro apito do árbitro em Manila, o Rexona-Sesc – representante do Brasil e da América do Sul – sabe que a tarefa de chegar às semifinais é das mais complicadas. O próprio técnico Bernardinho admite que a conquista do título foge de suas previsões e que, para ir além da fase de grupos, adotará uma “tática suicida”, como ele mesmo definiu.

O time carioca manteve grande parte do elenco da temporada passada, o que significa que o entrosamento é um aspecto positivo para as brasileiras. Das titulares na reta final da Superliga 2015/16, apenas a ponteira Natália, que se transferiu para o Fenerbahçe (Turquia) não está mais no time, e para seu lugar veio a holandesa Anne Bujis. A equipe conta com a central Juciely e a ponteira Gabi, que jogaram na Rio 2016, com a líbero bicampeã olímpica Fabi, com a levantadora Roberta, que esteve prestes a integrar o time olímpico do Brasil, com a oposta Monique, que chegou a ser convocada para a seleção este ano e pediu dispensa ainda antes do Grand Prix.

Não que o Rexona seja um time fraco – o título da Supercopa, diante do Dentil/Praia Clube, mostra que a equipe tem tudo para lutar por mais um troféu da Superliga. Mas a cautela do treinador tem motivo: suas atletas terão pela frente adversários gabaritados, com plantéis que bem poderiam fazer frente a seleções do primeiro escalão do voleibol mundial.

Duro caminho das brasileiras
A equipe carioca está no grupo A e estreia na manhã da terça-feira, às 9h30, pelo horário de Brasília, contra o time pretensamente mais fraco de todo o torneio, o PSL – F2 Logisitcs Manila – que, na verdade, nem é um clube.

O representante das Filipinas é uma espécie time das estrelas do campeonato local turbinado por algumas jogadoras estrangeiras. Na pré-lista da FIVB estão, por exemplo, a central porto-riquenha Lynda Morales, que atuou nos Jogos Olímpicos, e a também meio de rede Ekaterina Krivets, da Rússia, que jogou no Dínamo Krasnodar na temporada passada. Mesmo com os reforços e com o fator casa, é um adversário com quem o Rexona-Sesc nem pode pensar em ter problemas.

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Na quarta-feira, também às 9h30 da manhã, as brasileiras encontrarão do outro lado da rede o Pomì Casalmaggiore, da Itália, campeão europeu. Essa, sim, parece ser a partida mais importante para as comandadas de Bernardinho na primeira fase.

A equipe de Casalmaggiore tem na oposta croata Samanta Faris sua principal atacante. Com nomes como as norte-americanas Carli Lloyd (levantadora) e Lauren Gibbemeyer (meio de rede), a central sérvia Jovana Stevanovic e as ponteiras italianas Anastasia Guerra e Lucia Bosetti, o time tem tudo para almejar o pódio.

Contudo, vindas de uma suada vitória por 3 a 2 na semana passada sobre o Club Italia – equipe que alberga jogadoras das categorias de base da seleção italiana e que tem em Paola Egonu sua maior estrela –, fica a impressão de que, mesmo favoritas diante das brasileiras, as italianas ainda não estão no melhor da forma neste início de temporada e podem sucumbir. O porém nesse caso é que o Rexona-Sesc também está em começo de trabalho e, em que pese haver levantado o troféu da Supercopa, foi derrotado na final do Carioca pelo Fluminense há três semanas.

Jaqueline nega acerto com o Minas

Thaisa chegou ao Eczacibasi depois das Olimpíadas (FIVB)

Thaisa chegou ao Eczacibasi depois das Olimpíadas (FIVB)

O terceiro rival do time brasileiro no torneio – quinta-feira, às 3h – será um dos favoritos ao título. Campeão mundial em 2015, o Eczacibasi VitrA, da Turquia, montou o que talvez seja a melhor equipe feminina do voleibol mundial.

Com as sérvias Maja Ognjenovic (levantadora) e Tijana Boskovic (oposta), as norte-americanas Jordan Larson (ponteira) e Rachael Adams (central), a ponteira russa Tatiana Kosheleva e a meio de rede brasileira Thaisa, o time chega a Manila com inegável status de favorito. Não é exagero dizer que, a princípio, os maiores rivais da equipe são o desentrosamento, já que muitas das jogadoras foram contratadas recentemente, e o VakifBank, que está na outra chave.

Europa vs. Ásia
Se avançar às semifinais, é provável que o Rexona-Sesc tenha um rival europeu pela frente. No grupo B, VakifBank (Turquia) e Volero Zürich (Suíça) são, em teoria, favoritos contra Hisamitsu Springs Kobe (Japão) e Bangkok Glass (Tailândia).

Anfitrião no Mundial de Clubes de 2017, o time de Kobe tem na pré-lista jogadoras como a oposta Nagaoka e a ponteira Yuki Ishii, que estiveram com a seleção japonesa no Rio, e Shinnabe, bronze pelo Japão em Londres 2012. Já a equipe tailandesa, que tem as experientes Pleumjit Thinkaow (meio de rede) e Wilavan Apinyapong (ponteira), tem apenas duas estrangeiras: a oposta norte-americana Ashley Frazier e a central vietnamita Thi Ngoc Hoa Ngunyen. É difícil pensar que alguma dessas equipes faça mais do que opor resistência às europeias da chave.

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Com duas brasileiras no elenco – a levantadora Fabíola, que, por conta da gravidez, pouco jogou na temporada passada, e a ponteira Mari Paraíba, contratada recentemente –, o Volero Zürich tem um conjunto dos mais entrosados.

As sérvias Silvija Popovic (líbero) e Bojana Zivkovic (levantadora), a ponta búlgara Dobrina Rabadzhieva, a atacante azeri Nataliya Mammadova e oposta ucraniana Olesia Rykhliuk são remanescentes de outras temporadas. A central norte-americana Foluke Akinradewo chegou a Zurique na temporada passada e a atacante cubana Kenia Carcaces, com passagem pelo Vôlei Nestlé, voltou este ano. Trata-se, sem dúvida, de uma equipe que sonha com o pódio e, quem sabe, com o título.

Vice-campeão europeu, o VakifBank é forte candidato ao título mundial (CEV)

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Já o VakifBank, vice-campeão europeu, com certeza pensa no troféu da competição. Ex-clube da oposta Sheilla e de Anne Bujis, o time manteve boa parte do elenco campeão turco. Permaneceram na equipe a oposta holandesa Lonneke Slöetjes, uma das principais jogadoras das últimas olimpíadas, as turcas Naz Aydemir (levantadora), Gözde Kirdar (ponteira) e Kubra Akman (central), a ponta norte-americana Kimberly Hill, melhor jogadora do Mundial de seleções de 2014, e a meio de rede sérvia Milena Rasic. Ainda por cima, foi contratada a melhor jogadora da Rio 2016, a ponteira campeã olímpica Ting Zhu.

Pensando no Volero ou no VakifBank, o Rexona-Sesc não deve esperar, numa hipotética semifinal, uma missão mais fácil do que a tarefa de passar de fase: as quatro representantes do continente europeu estão num nível acima. Pelo menos, no papel.

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