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Arquivo : Paula Borgo

Veterana e novata levam Rexona ao 12º título na Superliga
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João Batista Junior

O Rexona precisou de cinco sets conquitar a Superliga (fotos: Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV)

Melhor campanha da fase classificatória e sobrevivente de uma semifinal enfartante contra o Minas, o Rexona-Sesc levantou a Superliga feminina, neste domingo, com a força de seu trabalho coletivo – fator característico da equipe durante toda a competição. Mas, na vitória sobre o Vôlei Nestlé, neste domingo, no Rio, por 3 sets a 2 (25-19, 22-25, 25-22, 18-25, 15-6), além da boa relação bloqueio e defesa, da distribuição de bolas no ataque e da paciência para esperar pelo erro adversário, virtudes que acompanharam as cariocas por todo o campeonato, registrem-se também atuação da ponteira Drussyla e da central Juciely. De quebra, foi o décimo título nacional para a líbero Fabi e a ponteira reserva Regiane.

Osasco, há cinco anos sem conquistar a Superliga, valorizou a vitória do Rio e, por consequência, o clássico. O time paulista oscilou bastante durante a fase classificatória, mas cresceu no mata-matas e levou a partida final até o quinto set, quando não suportou a pressão do voleibol do Rio.

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Juciely (primeiro plano) foi o nome do jogo no tie break

Se Gabi foi a principal jogadora do Rexona na campanha e nos playoffs, Drussyla foi a mão mais segura do ataque carioca na decisão. A mais jovem das titulares em quadra, a ponteira começou a partida caçada pelo saque osasquense, mas permaneceu no jogo e mostrou coragem e eficiência nas cortadas. Quando a vitória carioca no tie break estava estabelecida, com 12-5 no placar, errou um passe mas definiu no ataque contra um triplo. Ela e Monique foram o desafogo de Roberta nas horas mais difíceis da partida.

Vale salientar a importância de Drussyla não apenas no duelo deste domingo, mas também nas semifinais, quando assumiu a titularidade no lugar da holandesa Anne Buijs e ajudou a equipe naquela difícil empreitada contra o Camponesa/Minas, marcando 38 pontos na soma das duas últimas partidas.

Juciely, de 36 anos, numa partida de cinco sets, foi bem nas primeiras parciais e destruidora no tie break. Quando o placar do quinto set apontava 9 a 3, a meio de rede havia assinalado nada menos que seis pontos só na parcial.

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Tandara encara bloqueio do Rexona

Tandara, como se esperava, foi a melhor atacante do Vôlei Nestlé, mas o sistema defensivo do Rexona tratou diminuir o estrago que ela poderia provocar e ainda anulou as demais opções de ataque do Osasco: as sérvias Malesevic e Bjelica começaram a partida como titulares, mas deram lugar a Gabi e Paula Borgo, enquanto o passe quebrado não deu muita chance para Dani Lins jogar com o meio.

Osasco completa cinco anos sem conquistar a Superliga. A Unilever, por outro lado, se despede da Superliga com mais um troféu: a parceria da multinacional com o Rio durou 20 anos, rendeu 12 títulos nacionais e chegará ao fim daqui a três semanas, no Mundial de Clubes de Kobe.

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Arbitragem
É desagradável gastar tempo falando sobre arbitragem, mas, mais uma vez, é necessário. Como se já não houvesse provas suficientes para defender a adoção do vídeo check na Superliga, os árbitros cometeram dois erros importantes que influenciaram na definição das duas primeiras parciais –
ainda apareceram no quarto set.

No primeiro set, com 15 a 15 no marcador, não foi anotado um desvio no bloqueio carioca num ataque de Bia. A partir dali, a rede do Osasco encalhou e o Rexona-Sesc abriu margem decisiva no placar da parcial.

Já na segunda etapa, com 22 a 22, Gabi, do Vôlei Nestlé, não conseguiu explorar o bloqueio adversário, mas o ponto foi anotado a seu favor mesmo assim. Houve alguma polêmica sobre ter havido um toque do Rexona na rede ou não, mas a anotação foi, mesmo, o de desvio no bloqueio.

Um otimista talvez prefira dizer que o árbitro não influenciou no resultado, o que não deixa de ser verdade. Mas é preciso acentuar que, numa temporada em que houve tanto clamor pela revisão de vídeo nos jogos, a final feminina não fugiu à regra das queixas contra as decisões dos árbitros.


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Consistência do Rexona é decisiva novamente, mas Borgo anima o Vôlei Nestlé
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Carolina Canossa

Bloqueio rendeu 20 pontos ao Rexona (Foto: Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV)

No reencontro com o único time que o superou na atual edição da Superliga feminina de vôlei, o Rexona-Sesc mostrou uma de suas principais qualidades para superar o Vôlei Nestlé na noite desta sexta-feira (3): a consistência. Sem grandes oscilações ao longo da partida, o time carioca garantiu a liderança na fase de classificação com duas rodadas de antecedência ao fazer 3 sets a 1 (25-20, 21-25, 25-21 e 25-15) sobre seus maiores rivais.

Depois de três sets equilibrados, o Rexona simplesmente passeou na etapa decisiva. A diferença de rendimento entre os dois lados da quadra era evidente no sistema defensivo, que anulou Paula Borgo e Tandara, as duas principais opções de ataque à disposição de Dani Lins. No fundo de quadra, a sérvia Malesevic passou a errar passes que até então vinha entregando na mão da levantadora e, se não fosse por uma boa passagem de Nati Martins com um flutuante no saque, o placar seria ainda mais elástico.

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Demora nas contratações complica Camponesa/Minas na reta final da Superliga

Descobrir como o Rexona consegue se manter tão fiel ao plano de jogo é o grande segredo para quem quer que deseje desbancar as favoritas ao título da Superliga. A sensação é que, enquanto o time de Bernardinho entra em quadra para jogar cinco sets, os rivais estão preparados apenas para três. Quanto mais um jogo se alonga, melhor para as representantes do Rio de Janeiro. E olha que o time joga basicamente o tempo inteiro com as mesmas sete jogadoras, com pouquíssimas alterações.

Paula entrou no meio do 1º set e foi a maior pontuadora da partida (Foto: João Pires/Fotojump)

Apesar da derrota, o Vôlei Nestlé volta pra casa com um grande ponto positivo: a boa atuação de Paula Borgo, que substituiu Ana Bjelica ainda na metade do primeiro set. Considerada um dos grandes nomes da nova geração do voleibol brasileiro, a oposta mostrou variedade de golpes para superar um bloqueio quase sempre bem postado e foi o destaque individual da partida.

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Como ponto negativo, a precisão de ambas as levantadoras: em todos os sets, vimos um festival de bolas coladas à rede que, na melhor das hipóteses, exigia um malabarismo das atacantes em quadra. Dani, inclusive, cometeu um dois toques em um momento crucial do terceiro set, fazendo com que um contra-ataque que poderia colocar o placar em 22-23 virasse o set point das donas da casa, posteriormente convertido.

Agora, cabe ao Vôlei Nestlé confirmar o favoritismo diante do Renata Valinhos / Country e Genter Vôlei Bauru para assegurar a segunda posição na tabela, fazendo com que um novo encontro com o Rexona só ocorra em uma eventual final. Já o Rexona deve aproveitar os jogos contra Camponesa/Minas e Dentil/Praia Clube para testar algumas variações táticas e observar os rivais, já visando o mata-mata que se aproxima.


Antigos rivais, Vôlei Nestlé e Sesi agora têm abismo entre si
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Sidrônio Henrique

São Paulo - Sesi Vila Leopoldina - 12/11/16, Partida entre SESI (SP)x Vôlei Nestlé (SP), pela SUPERLIGA FEMININA 2016/2017. Foto: Gabriel Inamine / Fotojump

Em apenas uma hora e 23 minutos o Vôlei Nestlé superou o Sesi (Foto: Gabriel Inamine / Fotojump)

A partida entre Vôlei Nestlé e Sesi, disputada na noite deste sábado (12) em São Paulo, pela terceira rodada do primeiro turno da Superliga 2016/2017, mostrou o abismo que há hoje entre dois times que até recentemente se enfrentavam em igualdade de condições ou quase. O que se viu no ginásio da Vila Leopoldina foi uma equipe montada para disputar o título contra um time recheado de juvenis pensando em sobreviver ao rebaixamento. O resultado, previsível, foi a vitória do time de Osasco por 3-0 (25-9, 25-23, 25-15), numa partida de baixo nível técnico.

As limitações do adversário não permitiram avaliar muito o Vôlei Nestlé, pouco exigido. A equipe de Osasco teve a partida nas mãos o tempo todo – o Sesi encostava quando o Vôlei Nestlé errava, a exemplo da segunda parcial. Chamou a atenção a falta de sintonia entre a levantadora Dani Lins e a ponteira Tandara na pipe, mas nada que não possa ser corrigido em breve, sem maiores preocupações para o técnico Luizomar de Moura. O que deve deixá-lo apreensivo, pelo menos na hora de encarar times de ponta como Rexona-Sesc e Dentil/Praia Clube, são as oscilações na sua linha de passe e a atuação irregular do bloqueio.

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A ponteira sérvia Tijana Malesevic, prata na Rio 2016 com a sua seleção e uma das principais contratações do Vôlei Nestlé para a temporada, foi considerada a melhor da partida na votação via internet e ficou com o troféu Viva Vôlei. Mas a maior pontuadora foi a também ponteira do Osasco Tandara Caixeta, que marcou 13 vezes (12 de ataque e uma no bloqueio), seguida da oposta Lorenne Geraldo (Sesi), com 12, e da oposta Paula Borgo (Osasco), 10 pontos.

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Foi a quarta vitória consecutiva da equipe do treinador Luizomar de Moura, que está invicta e havia antecipado o confronto da quarta rodada com o Rio do Sul. O Vôlei Nestlé voltará à quadra somente na terça-feira da próxima semana (22), às 20h, contra o Brasília Vôlei, como visitante. Já o Sesi, que perdeu as três partidas que disputou na Superliga, tenta a reabilitação contra o Camponesa/Minas nesta sexta-feira (18), às 20h, na Arena Minas, em Belo Horizonte.

A oposta juvenil Lorenne Geraldo é destaque do Sesi (Foto: Sesi-SP)

Futuro
A oposta juvenil Lorenne Geraldo, 20 anos, 1,85m, principal nome do Sesi, tem bastante potencial, mas precisa ser lapidada. Até a temporada passada, ela estava sob o comando de Bernardinho, no Rexona. Um dos destaques do Mundial sub20 disputado no ano passado na República Dominicana, quando o Brasil perdeu a decisão para o time da casa, Lorenne tem braço pesado, mas ainda poucos recursos. Neste sábado, em 35 ataques, colocou apenas 11 bolas no chão. Mas há que se dar um desconto: além da pouca experiência da oposta, uma em cada três bolas levantadas por Giovana Gasparini, a armadora titular do Sesi, foi para Lorenne, o que fez com que ela atacasse quase sempre bem marcada. Do outro lado, além de ter mais cancha, a eficiente oposta Paula Borgo recebeu menos bolas de Dani Lins e tinha a ajuda de Tandara e Malesevic pela entrada de rede – Tandara foi a atacante mais acionada do Vôlei Nestlé, 28 vezes.

O Sesi, que já esteve entre os melhores do país, reduziu consideravelmente seu investimento para a equipe feminina nesta temporada. Sob o comando do técnico Giuliano Ribas, o Juba, um dos assistentes de Bernardinho na seleção masculina, o time é, sem dúvida, um meio de dar rodagem a atletas jovens, mas deixa a desejar quando se pensa na competitividade da primeira divisão da Superliga. Até aqui, ao lado do Renata Valinhos e do São Caetano, integra o bloco das equipes mais frágeis da competição. Os dois últimos colocados entre os doze participantes são rebaixados à Superliga B na temporada seguinte.


Gangorra da Superliga tem favoritos em alta e público pequeno no Rio
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João Batista Junior

Wallace: 23 pontos contra Maringá (foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

Wallace: 23 pontos contra Maringá (foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

Se não apresentou grandes novidades, a segunda rodada da Superliga trouxe algumas constatações: os favoritos aos troféus em disputa ainda não correram nenhum sério risco de derrota no campeonato, o vôlei masculino do Paraná e o feminino de São Paulo precisam melhorar na competição e o torcedor carioca ainda não se animou com a temporada.

Veja os principais destaques da segunda rodada do nacional:

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SOBE

FAVORITAS E FAVORITOS
Nes
te início de Superliga, os principais candidatos ao título nos dois naipes passaram incólumes pelas duas primeiras rodadas. No feminino, Rexona-Sesc, Dentil/Praia Clube e Vôlei Nestlé (já com três partidas disputadas), não perderam ponto para ninguém. O mesmo vale para Taubaté Funvic, Sesi e Sada Cruzeiro, que só estreou no último sábado, no masculino.

GABRIEL E RENAN
Embora seus times ainda não tenham vencido nenhuma vez, o ponteiro Gabriel, do Lebes/Gedore/Canoas, e o oposto Renan, do JF Vôlei, começaram bem a competição – pelo menos, em termos individuais – e deixaram boa impressão nesta rodada.

Contra o Sesi, Gabriel teve 69% de aproveitamento nas cortadas e acabou complicando a vida do time da Vila Leopoldina no terceiro set.

Já Renan liderou o time de Juiz de Fora contra o Sada Cruzeiro, que estava desfalcado do ponteiro Leal e do central Simón. Apesar do placar de 3-0 para os cruzeirenses, foi graças em muito à eficiência do oposto, vice-campeão mundial em 2014 com a seleção brasileira, que o JF Vôlei só perdeu as duas primeiras parciais por contagem mínima.

Suelle fala sobre desentendimento no Pinheiros e futuro na carreira

Paula Borgo comemora contra o Pinheiros (João Neto/Fotojump)

Paula Borgo comemora contra o Pinheiros (João Neto/Fotojump)

PAULA BORGO E TANDARA
A dupla do Vôlei Nestlé foi arrasadora contra o Pinheiros. Perdendo por 1 set a 0 a reedição da decisão estadual, as duas conduziram o time de Osasco à virada: Paula, com 25 pontos, foi a maior anotadora do jogo e Tandara, com 19, ganhou o troféu VivaVôlei. As duas tiveram mais de 60% de aproveitamento no ataque.

BRASÍLIA
Vindo de São Paulo com uma importante vitória sobre o Pinheiros na bagagem, o Terracap/BRB/Brasília não aliviou a barra do jovem time do Sesi e emplacou,
no sábado, mais um 3 a 0 na Superliga. Comandada pela ponteira campeã olímpica Paula, a equipe brasiliense não permitiu que as visitantes ultrapassassem os 18 pontos em nenhuma das parciais. Aliás, só a oposta Lorenne, com 15 acertos, obteve mais do que cinco pontos pelo lado sesista.

MONTES CLAROS
Se Brasília larga bem no feminino, Montes Claros faz o mesmo no campeonato masculino. A equipe do norte de Minas jogou duas partidas em casa e tem 100% de aproveitamento. Nesta segunda rodada, a vítima foi o Minas Tênis Clube
: com direito a oito pontos de bloqueio do central Robinho, o time da casa bateu a equipe da capital por 3 sets a 1.

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DESCE

PÚBLICO NO RIO
Mesmo com o Rexona-Sesc defendendo o título nacional e o Fluminense voltando à divisão principal do voleibol brasileiro, o torcedor carioca não parece muito empolgado. Pelo menos, não o bastante para ir ao ginásio.

Na quinta-feira, no Tijuca Tênis Clube, 416 espectadores assistiram à fácil vitória do time comandado pelo técnico Bernardinho sobre o Renata Valinhos/Country. Na sexta, 390 torcedores foram ao Clube Hebraica para ver o Fluminense bater o Rio do Sul em sets diretos. Foram os dois menores públicos registrados até aqui na Superliga feminina 2016/17.

(Na competição masculina, o menor público é do jogo entre Juiz de Fora e Brasil Kirin, na abertura da competição, que teve presença de 358 pessoas na arquibancada.)

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Minas não teve dificuldade para superar São Caetano (Orlando Bento)

Minas não teve dificuldade para superar São Caetano (Orlando Bento)

PAULISTAS
A rodada da Superliga feminina foi especialmente complicada para as equipes do estado com maior número de representantes na competição. Dos sete times paulistas no campeonato das mulheres, só o Vôlei Nestlé venceu – ainda assim, contra o Pinheiros, que é de São Paulo e entra também na conta dos vencidos.

O Renata Valinhos/Country caiu para o Rexona-Sesc, no Rio, sem marcar mais do que 15 pontos em nenhum set. Em Belo Horizonte, o Camponesa/Minas bateu o São Cristóvão Saúde/São Caetano em sets diretos, assim como o Dentil/Praia Clube, em Uberlândia, encontrou pouca resistência no Genter Vôlei Bauru. E o Sesi, em Brasília, não teve melhor sorte nem muita chance diante do time da casa.

PARANAENSES
Derrotados na primeira rodada, os times do Paraná voltaram a perder no último sábado.

No interior paulista, o Copel Telecom Maringá até conseguiu equilibrar as parciais, mas perdeu por 3 sets a 1 para o Taubaté Funvic. Aos 21 pontos marcados pelo oposto Marcílio, o time da casa respondeu com 23 anotações de Wallace e um placar de 8 a 2 em aces.

Já em Campinas, o novato Caramuru Vôlei/Castro enfrentou o Brasil Kirin. Numa jornada inspirada do ponteiro Diogo, com 20 pontos no total e 70% de aproveitamento no ataque, o time campineiro venceu em sets diretos.

Ressalte-se, no entanto, que a tabela não deu refresco aos paranaenses nesse início de campeonato: na terceira rodada, Maringá vai receber o Brasil Kirin, enquanto Caramuru/Castro terá a visita do Sada Cruzeiro.


Possível substituta de Sheilla tem história de superação e já soma fãs
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Carolina Canossa

Paula Borgo quer melhorar variação dos ataques (Foto: João Pires/Fotojump)

Paula Borgo quer melhorar variação dos ataques (Foto: João Pires/Fotojump)

O assédio dos fãs e os pedidos de entrevistas ainda são algo novo para Paula Borgo. Mas é melhor se acostumar à nova rotina. Dona de um tom de voz calmo, a tímida oposta fez uma Superliga tão boa pelo Pinheiros na última temporada que viu sua convocação para a seleção brasileira ser pedida por parte da torcida. O técnico José Roberto Guimarães não ouviu os apelos, mas é muito provável que o nome dela seja cada vez mais falado no ciclo olímpico que se inicia, especialmente após a decisão de Sheilla em não vestir mais a camisa amarela.

A ausência de uma oposta reserva de ofício durante a Olimpíada, aliada à eliminação ainda nas quartas de final, fez os apelos pró-Paula aumentarem e chegarem ao conhecimento da jogadora. Por meio das redes sociais, muitos fãs enviaram mensagens a ela, que reagiu com humildade. “Me sinto honrada. A gente trabalha e o reconhecimento do público é muito legal, dá uma motivação a mais”, conta a jogadora, que completará 23 anos no mês que vem. “Quero agradecer a galera pelo carinho e que eles continuem torcendo por mim, pois estou trabalhando para um dia estar lá”, completa.

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Na seleção, Paula teve apenas uma “chance”. As aspas não estão aí por acaso, já que a convocação dela foi para a edição 2016 do Montreux Volley Masters, torneio amistoso em que o Brasil participou com uma seleção B, enquanto as titulares se preparavam para o Grand Prix e a Olimpíada. A eliminação na primeira fase, com apenas uma vitória em três jogos, esteve longe de ser o resultado ideal, mas ainda assim Paula se destacou individualmente. Ela, porém, faz questão de deixar claro que ainda possui um longo caminho a percorrer.

“Sou uma atacante de força, então tenho que melhorar mais em habilidade, na defesa e no saque. Vou focar bastante nisso nessa temporada”, comenta a atleta, que se transferiu para o Vôlei Nestlé, de Osasco, na última janela do mercado. “Os técnicos aqui têm me ajudado bastante a aprender a largar e variar mais os golpes, como diagonal e fazer uma paralela bem definida”, destaca.

Paula foi destaque individual na má campanha do Brasil no Montreux Volley Masters (Foto: Divulgação)

Paula foi destaque individual apesar da má campanha do Brasil no Montreux Volley Masters (Foto: Divulgação)

História de superação
Virar uma estrela do voleibol brasileiro certamente é um grande desafio para Paula Borgo, mas nada comparado ao que ela já viveu. Quando era bebê, a jogadora foi diagnosticada com uma displasia do quadril e a expectativa era de que não poderia caminhar normalmente. “Atleta então, muito menos”, relembra. Mas, no que define como um milagre, fruto da fé da família, cresceu como uma criança comum sem nunca ter se submetido a qualquer tratamento médico: “Hoje eu sou uma jogadora de alto nível, de seleção. Há 20 anos, isso não seria possível. Tenho que agradecer a Deus por toda minha vida”.

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Na adolescência, outro desafio: dando seus primeiros passos na carreira, aos 16 anos rompeu os ligamentos do joelho durante a final do Campeonato Paulista, quando defendia a equipe de São Caetano. Precisou ficar dez meses afastada das quadras, período em que só não desistiu do esporte por conta da insistência dos pais, Debora e Antonio Carlos.”Foi um baque, um momento de muitos conflitos dentro de mim. Mas recuperação foi muito boa, hoje meu joelho é normal. Ainda bem que eu não parei naquela época”, brinca.

Hoje a oposta usa o passado como motivação. “Quando eu passo por um momento de dificuldade, de não estar bem em um jogo ou sentir alguma dor, lembro que talvez hoje eu fosse uma pessoa com deficiência ou parasse de jogar aos 16 anos. Isso me fortalece para vencer as guerras do dia a dia”, afirma.

Questionada sobre seus planos a longo prazo, a resposta é rápida: “Com certeza Tóquio 2020 é o objetivo”.


Qual a melhor opção na saída de rede na seleção feminina?
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João Batista Junior

Sheilla ainda não mostrou, neste Grand Prix, seu melhor voleibol (fotos: FIVB)

Sheilla ainda não mostrou, neste Grand Prix, seu melhor voleibol (fotos: FIVB)

O Saída de Rede já falou, en passant, do problema da seleção feminina na saída de rede. A matemática do vôlei diz que, com o passe estourado, a levantadora perde a opção de jogar com as centrais ou com velocidade e tem de empinar a bola para as pontas. E é aí que as opostas brasileiras – pelo menos, até agora – têm sido calo.

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Seja por ter atuado pouco na temporada do VakifBank, seja pelos 33 anos que completa no próximo dia 1º, Sheilla tem recebido menos bolas do que se espera de uma jogadora sem obrigações na recepção. Os números das duas primeiras semanas do Grand Prix depõem contra a dupla que ela tem feito com Dani Lins.

Sheilla foi titular em todas as seis partidas e 22 sets que o Brasil disputou, mas só em dois desses compromissos ela foi a jogadora que mais levantamentos recebeu – contra a Bélgica, atacou 36 vezes (Gabi, a segunda mais acionada, recebeu 27 bolas), e no 3-0 sobre as reservas da Sérvia, no Rio, efetuou uma cortada a mais do que Natália (26 a 25).

Três partidas ilustram bem a situação: na derrota para a Sérvia, ela foi menos acionada do que Fernanda Garay e do que Natália, contra a China, atacou o mesmo número de vezes que Jaqueline, que começou na reserva, e menos que Garay, a brasileira mais visada pelo saque adversário, e contra o Japão, recebeu menos bolas do que as duas ponteiras e do que Thaisa.

Outro aspecto é o aproveitamento de Sheilla no ataque. Ela fez 55 pontos nesse fundamento (média de 2,5 pontos por set) e teve eficiência de 36,9%. Esse percentual faz dela a 12ª melhor atacante da primeira divisão do Grand Prix e a segunda do Brasil – Natália é a melhor do time. Para comparar com atacantes de outras seleções olímpicas, a chinesa Ting Zhu tem 40,1%, a russa Goncharova, 44,3%, a norte-americana Karsta Lowe, 44,55%, a italiana Paola Egonu, 44,8%, e a holandesa Lonneke Slöetjes, primeira colocada nesse quesito, titular do VakifBank, pontuou em 45,8% das ocaisões que atacou.

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O problema na diagonal da levantadora não tem sido resolvido por Tandara. O técnico Zé Roberto Guimarães a colocou em quadra em cada uma das partidas da seleção, mas o rendimento dela foi de um único ponto (contra a Bélgica) em 23 ataques no GP.

Reserva imediata de Sheilla, Tandara marcou um ponto em seis jogos no GP

Reserva imediata de Sheilla, Tandara marcou um ponto em seis jogos no GP

O curioso é que, apesar de só ter estreado na temporada em dezembro passado (deu à luz três meses antes), Tandara atuou mais pelo Camponesa/Minas do que Sheilla no VakifBank, mas parece estar com muito menos ritmo do que a bicampeã olímpica.

Isso até poderia abrir a disputa por uma das vagas de oposta do time, se Monique, que fez uma boa Superliga, não houvesse pedido dispensa da seleção há três semanas. Ou se Rosamaria tivesse tido uma temporada melhor no clube. Ou se Paula Borgo, que foi bem com a seleção B em Montreux, tivesse mais oportunidades – só para citar as que estiveram em Saquarema, este ano.

Do plantel que está disputando o GP, o Brasil deslocou duas atletas para testá-las como opostas. A central Adenízia, nas partidas no Rio, saiu do banco para atuar numa ou noutra passagem pela saída de rede, mas nada que entusiasmasse muito – fato que recorda Fabiana, nas finais do GP de 2008, atuando mais como oposta reserva de Sheilla do que como substituta de Walewska ou Thaisa. Já contra a China, sim, uma aposta que pode ganhar vulto: Natália.

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Em clubes, como no Osasco, há alguns anos, ou numa experiência de Bernardinho, ano passado, no Rexona-AdeS, Natália já foi escalada como oposta, mas, na seleção, isso é tão raro que, honestamente, não vou recordar nenhuma ocasião relevante em que ela tenha sido titular na saída de rede.

Ponteira, Natália jogou meio set contra a China como oposta

Ponteira, Natália jogou meio set contra a China como oposta

No duelo contra a China, ela foi escalada como ponteira passadora e deu lugar a Jaqueline, ainda no primeiro set. Depois de assistir a toda a segunda parcial do banco de reservas, Natália entrou em quadra na metade do terceiro set para substituir Sheilla. Na curta passagem que teve no domingo como oposta, assinalou quatro pontos de ataque. Parece pouco, mas foi o dobro do que a titular conseguiu na partida.

Ressalte-se que Natália foi uma das melhores jogadoras das duas últimas Superligas compondo a linha de passe do time do Rio e atacando pela entrada de rede – Bernardinho não demorou muito para trazê-la de volta à função original, no ano passado. E observe-se, também, que a entrada dela na partida, sem os devidos ajustes na recepção brasileira, não foi suficiente para que a seleção ameaçasse a fácil vitória da China.

No entanto, se o GP deve servir, também, como preparação para os Jogos Olímpicos, se Sheilla ainda não apresentou um voleibol à altura de sua história e qualidade, se Tandara tem menos de 5% de aproveitamento no ataque, não seria uma boa testar Natália outras vezes como oposta?

A seleção brasileira joga, neste fim de semana, pelo Grand Prix, em Ancara, na Turquia. Às 8h30 da manhã de sexta, pelo horário de Brasília, enfrenta a Itália. Sábado, no mesmo horário, encara a Bélgica, e encerra sua participação na primeira fase a partir das 11h30 do domingo, contra a Turquia.

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