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Champions League: Fenerbahçe, de Natália, complica a vida do time de Thaisa
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João Batista Junior

Fenerbahçe comemora vitória em jogo duro contra Eczacibasi (foto: Fenerbahçe)

O Fenerbahçe largou em vantagem contra o Eczacibasi VitrA, nos playoffs de 6 da Liga dos Campeões feminina. Nesta quinta-feira, em Istambul, o time da ponteira Natália venceu atuais campeãs mundiais por 3 sets a 2 (16-25, 25-22, 25-19, 21-25, 15-12) e está a uma vitória por qualquer placar, no jogo 2, para garantir presença no Final Four. À equipe da central Thaisa, restam duas possibilidades: conquistar uma vitória de três pontos (por 3 a 0 ou 3 a 1) para ficar com a vaga nas semifinais ou devolver a derrota por 3 a 2 e levar a disputa para o Golden Set.

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Foi o quarto jogo entre as duas equipes na temporada e a terceira vitória consecutiva do Fenerbahçe – que também levou a melhor nas semifinais da Copa da Turquia e no duelo returno da liga turca.

O Eczacibasi não precisa de malabarismo matemático para voltar às finais da Champions League – campeão em 2015, foi eliminado pelo VakifBank no ano passado, ainda nos playoffs de 12. Mas, predicados do Fenerbahçe à parte, será decepcionante se um clube com um elenco como esse (com Thaisa, Rachael Adams, Jordan Larson, Kosheleva, Boskovic, Ognjenovic) cair tão cedo na competição continental, ainda mais colecionando derrotas para equipes conterrâneas (perdeu duas vezes para o VakifBank na fase de grupos).

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Thaisa (6) e Kosheleva no bloqueio, Natália no ataque: vantagem da ponteira do Fenerbahçe (CEV)

Com 22 pontos, Natália empatou com a craque sul-coreana Kim Yeon Koung como maior anotadora do Fenerbahçe. A pontuadora máxima do jogo, apesar do revés no placar, foi a oposta sérvia Tijana Boskovic, com 24 acertos – e 51% de aproveitamento no ataque. A meio de rede Thaisa, com oito pontos no total, teve atuação apagada no ataque: em 12 tentativas, a brasileira pontuou três vezes, errou quatro e sofreu um ponto de bloqueio.

O jogo da volta será no próximo dia 4, também em Istambul. Quem vencer essa série encara, nas semifinais, o ganhador do confronto entre Volero Zürich e VakifBank, que também se enfrentaram nesta quinta-feira, na Suíça.

O time da casa até saiu na frente do marcador, mas sucumbiu diante de uma ótima atuação da oposta holandesa Lonneke Slöetjes e perdeu por 3 sets a 1 (15-25, 25-20, 25-17, 25-21).

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Zivkovic enfrentou o VakifBank no lugar de Fabíola (CEV)

A oposta ucraniana do time suíço, Olesia Rykhliuk, teve uma pontuação elevada (24 anotações), mas não superou os 26 pontos de Slöetjes, que teve ainda 62% de aproveitamento nas cortadas. A ponteira brasileira Mari Paraíba, do Volero, entrou no decorrer do terceiro e quarto sets para sacar e ficar no fundo de quadra – saiu sem pontos marcados. Fabíola, levantadora titular da equipe de Zurique, lesionou o joelho antes da partida e não atuou no confronto – a sérvia Zivkovic jogou em seu lugar.

O jogo 2, em Istambul, será no dia 5 de abril e bastam dois sets ao VakifBank, atual vice-campeão europeu, para chegar ao Final Four.

No outro duelo dessa fase, o Dínamo Moscou venceu o Liu Jo Nordmeccanica Modena, na Itália, por 3 a 0 (25-22, 25-13, 25-13) e está, matematicamente, na mesma situação do VakifBank para o jogo da volta, dia 5, na Rússia.

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Muserskiy no bloqueio contra o Zaksa: classificação russa

MASCULINO
O Belogorie Belgorod, da Rússia, repetiu nesta semana o placar de 3 a 1 (parciais de 25-22, 20-25, 26-24, 25-21) sobre o Zaksa Kedzierzyn-Kozle e se classificou aos playoffs de 6 da Champions League masculina. O levantador brasileiro Marlon, contundido, desfalcou o Belgorod.

O resultado está longe de ser considerado “zebra”, dada a tradição do tricampeão europeu Belgorod, mas chama a atenção a facilidade com que o quarto colocado da liga russa eliminou o líder da PlusLiga (o campeonato polonês). O central Dmitry Muserskiy foi o maior anotador da equipe visitante, com 14 acertos e 67% de aproveitamento no ataque.

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Na próxima fase, o Belogorie Belgorod faz um duelo russo com o Zenit Kazan. Os atuais bicampeões europeus venceram o Arkas Spor Izmir, dos ponteiros brasileiros Mauricio Borges e João Paulo Bravo, por 3 a 0 nas duas partidas. O jogo 1 ainda não tem data marcada, mas será entre os dias 4 e 6 de abril.


Companheiras na seleção, Thaisa e Natália se enfrentam na Liga dos Campeões
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João Batista Junior

Thaisa (6) e Natália (12) pela seleção: lados opostos na Champions (foto: FIVB)

Quando a temporada de clubes começou, o Eczacibasi VitrA, da central Thaisa, conquistou o título mundial de clubes nas Filipinas com um elenco recém-montado, que bem poderia fazer frente às principais seleções em atividade no vôlei feminino. O Fenerbahçe, da ponteira Natália, também havia se reforçado e manteve no plantel a craque sul-coreana Kim Yeon Koung, mas parecia que ia ter dificuldade para acompanhar o VakifBank e o próprio Eczacibasi.

Campeão mundial, Eczacibasi tem oscilado na temporada (CEV)

Contudo, as duas brasileiras – que disputaram Olimpíadas e Mundiais pela seleção e já atuaram tanto no Osasco quanto no Rexona – vão se encontrar na quinta-feira, pela primeira rodada dos playoffs de 6 da Liga dos Campeões feminina, numa situação bem diferente daquela de alguns meses atrás.

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De um lado, o time de Thaisa têm tido problemas na liga turca (muito por conta do regulamento, que só permite a uma equipe utilizar até três estrangeiras por vez na partida) e, na Champions League, foi batido duas vezes pelo VakifBank.

Kim (10) observa ataque de Natália (CEV)

Do outro lado, o sexteto de Natália, que só perdeu um set no torneio continental, conquistou a Copa da Turquia vencendo o VakifBank na decisão e tem se dado bem contra o Eczacibasi: depois de perder o primeiro duelo, na longínqua terceira rodada do nacional, o Fenerbahçe superou o rival nos outros dois encontros – em janeiro, nas semifinais da copa do país, e em fevereiro, no returno da liga.

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É claro que quando a bola subir, histórico e retrospecto ficarão à parte, e uma equipe com Thaisa, Kosheleva, Jordan Larson, Boskovic, Rachael Adams e Ognjenovic deve ser respeitada – senão, temida. Mas, pelo crescimento no decorrer da temporada, o Fenerbahçe, de Natália e Kim Yeon Koung, parece estar em ligeira vantagem. O site Laola.tv transmite a partida ao vivo.

FABÍOLA E MARI PARAÍBA
Líder na liga turca, o VakifBank, da MVP olímpica Ting Zhu, vai ter pela frente, também na quinta-feira, pelos playoffs de 6 da Champions League, o Volero Zürich, das brasileiras Fabíola, levantadora titular, e Mari Paraíba, ponteira reserva. A partida também será transmitida pelo Laola. Embora a equipe da Turquia seja favorita, não dá para dizer que o time suíço seja perdedor de véspera.

Fabíola no levantamento contra o VakifBank, no Mundial de Clubes (FIVB)

Os dois se enfrentaram duas vezes na temporada, ambas no Mundial de Clubes, em outubro, com uma vitória para cada lado: a do Zürich, na primeira fase, e a do VakifBank, na disputa da medalha de bronze. Na fase de grupos do europeu, as turcas venceram todas as partidas que disputaram e as suíças perderam duas vezes – a ressalva é que os reveses foram em tie breaks, contra o Dínamo Moscou, dono da melhor campanha da superliga russa.

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Além de Zhu, o elenco do VakiBank conta com a oposta holandesa Lonneke Slöetjes, a central sérvia Milena Rasic, a ponta norte-americana Kimberly Hill. Já no time das brasileiras, jogam a cubana Kenia Carceses, ex-Osasco, a meio de rede norte-americana Foluke Akinradewo, a oposta ucraniana Olesia Rykhliuk, a ponta azeri Mammadova. A exemplo do confronto entre Eczacibasi VitrA e Fenerbahçe, trata-se de um duelo de duas legiões estrangeiras e nenhum resultado – embora haja um favorito – pode ser considerado zebra.

Os playoffs de 6 da Liga dos Campeões feminina começam na quarta-feira, com uma partida entre Liu Jo Nordmeccanica Modena e Dínamo Moscou, na Itália. Os jogos da volta serão disputados nos dias 4 e 5 de abril. As três equipes vencedoras das séries se juntarão ao Imoco Volley Conegliano, nos dias 22 e 23 de abril, para a disputa do Final Four da competição, em Treviso (Itália).


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Memória: cinco jogos inesquecíveis no sessentão Ibirapuera
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João Batista Junior

Um dos grandes palcos do vôlei brasileiro, o Ibirapuera completa 60 anos (foto: FIVB)

Um dos grandes palcos do vôlei brasileiro, o Ibirapuera completa 60 anos (foto: FIVB)

Se a cidade de São Paulo completa 463 anos nesta quarta-feira, o Ginásio Estadual Geraldo José de Almeida também faz aniversário. Inaugurado em 25 de janeiro de 1957, o Ginásio do Ibirapuera, como é mais conhecido, completa 60 anos, tendo no histórico uma respeitável lista de grandes eventos esportivos. Foi um dos locais de competição dos Jogos Pan-Americanos de 1963, abrigou nada menos que três decisões de mundiais femininos de basquete (1971, 1983 e 2006), foi a sede principal do único campeonato mundial adulto de handebol já disputado no continente americano (o feminino de 2011).

A história do voleibol brasileiro também passa pelo Ibirapuera, e o Saída de Rede relembra cinco grandes jogos disputados no ginásio.

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Isabel foi um dos destaques da seleção brasileira no Mundialito de 1982

Isabel foi um dos destaques da seleção brasileira no Mundialito de 1982

Mundialito de 1982: Brasil vs. Coreia do Sul

Quinto set, a seleção feminina da Coreia do Sul vencia o Brasil por 14-8… Mesmo numa época em que ainda havia a vantagem, ou seja, era preciso ter o saque para marcar um ponto, parecia que a partida, válida pelo Mundialito, estava definida em favor das asiáticas. Numa reação incrível, que levou à loucura os mais de 20 mil torcedores presentes ao ginásio do Ibirapuera, o Brasil marcou oito pontos seguidos, fechou o set em 16-14 e a partida por 3-2, numa atuação memorável da ponteira Isabel Salgado, então com 22 anos.

Era o final de agosto de 1982 e dali a duas semanas teria início o Mundial feminino, no Peru. Como ocorre na preparação para grandes torneios, as seleções faziam seus últimos ajustes antes da principal competição da temporada. Foi no ginásio do Ibirapuera que Brasil, Japão, União Soviética, Coreia do Sul, Argentina e um combinado paulista (substituindo o México) participaram do Mundialito, competição amistosa transmitida pela TV Record, com narração de Luciano do Valle, que catapultou à fama Isabel, Vera Mossa e Jacqueline.

Londres 2012: Brasil não pode reivindicar medalha antes de punição à Rússia

O Brasil terminou o torneio em segundo lugar, atrás do Japão. Aliás, a vitória sobre a URSS, de virada, por 3-2, foi outro jogo memorável. Pena que no Mundial o time tenha ficado apenas em um modesto oitavo lugar, mas aquelas partidas no Ibirapuera até hoje são lembradas por quem viveu a época.

Nove vezes campeã da Liga Mundial, a seleção brasileira levantou seu primeiro título no Ibirapuera, em 1993 (foto: reprodução/internet)

Nove vezes campeã da Liga Mundial, a seleção brasileira levantou seu primeiro título no Ibirapuera, em 1993 (foto: reprodução/internet)

Liga Mundial de 1993: Brasil vs. Itália

Quando Brasil e Itália se enfrentaram em 1993, no Ibirapuera, pelas semifinais da Liga Mundial, o jogo tinha um interesse incomum para as edições atuais do torneio. Para a seleção brasileira, a partida tinha sabor de revanche, já que a Itália, de Giani, Gardini, Tofoli, Zorzi, Cantagalli, Luchetta, havia sido campeã mundial no Rio, em 1990, eliminando o time verde e amarelo também nas semifinais. Para a Azzurra, do outro lado da rede, o duelo era um tira-teima, pois, em Barcelona 1992, a equipe caíra para a Holanda nas quartas de final e não pôde evitar que o ouro ficasse com a seleção comandada por José Roberto Guimarães.

Quando a bola subiu, na tarde daquela sexta-feira, 30 de julho, prevaleceu o voleibol de quem tinha a torcida a seu favor, de quem só havia perdido um set em dez jogos disputados em casa na competição, de quem desfrutava das combinações de ataque orquestradas pelo levantador Maurício.

Luizomar: “Aceitei o convite da seleção peruana pelo sonho da Olimpíada”

Com um inapelável 3 a 0 (15-11, 15-11, 15-9), o Brasil se credenciou para jogar a final e decretou que o troféu daquela Liga Mundial não iria para a coleção italiana – aliás, entre 1990 e 1995, foi a única edição do torneio não conquistada pela Itália. Na decisão, no dia seguinte, o Brasil emplacou um novo 3 a 0 – dessa vez, sobre a Rússia – e manteve a aura campeã daquele time.

Cuba, de Mireya Luis, frustrou a torcida brasileira no Mundial de 1994 (foto: reprodução/internet)

Cuba, de Mireya Luis, frustrou a torcida brasileira no Mundial de 1994 (foto: reprodução/internet)

Campeonato Mundial feminino de 1994: Brasil vs. Cuba

A década de 1990 mudou radicalmente o patamar da seleção brasileira feminina de vôlei. Quem antes sonhava superar o Peru nas competições continentais passou a frequentar o pódio dos principais torneios mundo afora, com força o bastante para bater potências como EUA, Rússia, Japão e China, e com argumento suficiente para tentar contestar a hegemonia cubana. O ponto chave dessa virada foi em 1994.

Naquele ano, o primeiro sob o comando de Bernardinho, o time de Ana Moser, Márcia Fú, Hilma, Fernanda Venturini se sagrou vencedor do Grand Prix e passou a acreditar que, sim, era possível conquistar, em casa, um título mundial.

Depois de uma campanha invicta e uma semifinal infartante contra a Rússia, o Brasil tinha Cuba pela frente. Mais do que a final do campeonato mundial de 1994, estava em quadra uma rivalidade que marcaria a década.

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As cubanas, como lembrariam mais tarde as jogadoras brasileiras, entraram para aquecer no Ibirapuera com bobes no cabelo, dando a impressão de que a partida era apenas um compromisso a mais antes da festa. E, no jogo, foi exatamente o que aconteceu.

Um tanto nervoso pela final inédita, um tanto cansado pelos cinco sets disputados na véspera, o time da casa não ofereceu resistência à equipe de Carvajal, Mireya Luis, Regla Torres. O público paulistano viu Cuba aplicar um sonoro 3 a 0 (15-2, 15-10, 15-5) e levantar o título sem perder um set, sequer, em todo o campeonato.

Natália: 28 pontos pelo Osasco, na final da Superliga 2009/10 (divulgação)

Natália: 28 pontos pelo Osasco, na final da Superliga 2009/10 (divulgação)

Superliga feminina 2009/2010 – Sollys/Osasco vs. Unilever

A final da Superliga em jogo único foi Instituída na temporada 2007/2008, mas só em 2010 o Ibirapuera recebeu a primeira decisão nesses moldes. O jogo era um óbvio Sollys/Osasco vs. Unilever. Àquela altura, era a sexta final consecutiva entre as duas equipes e as cariocas buscavam o quinto título seguido.

Depois de uma apertada vitória na primeira parcial, as osasquenses viram as visitantes virarem para 2 a 1. Contudo, depois de um começo meio devagar, Natália, que jogava de oposta no clube e ponteira na seleção, levou um (célebre) cartão amarelo na reta final do terceiro set e, subitamente, cresceu no jogo e mudou o rumo da final.

Jaqueline acabou eleita a melhor jogadora da partida, mas os 28 pontos assinalados por Natália, na vitória do Osasco sacramentada em 3 a 2 (25-23, 18-25, 19-25, 25-13, 15-12), se tornaram uma marca ainda não igualada nas decisões de Superliga feminina que se seguiram.

Unilever comemora título nacional da temporada 2012/13 (Alexandre Arruda/CBV)

Unilever comemora título nacional da temporada 2012/13 (Alexandre Arruda/CBV)

Superliga feminina 2012/2013 – Unilever vs. Sollys/Osasco

Havia dois bons motivos para que a nona final consecutiva de Superliga feminina entre Unilever e Sollys/Osasco tivesse gosto de revanche para as cariocas. Não bastasse a partida final da temporada 2012/2013 ser no mesmo Ibirapuera da decisão de três anos antes, as osasquenses haviam sido campeãs, em 2012, com um acachapante 3 a 0 dentro do Maracanãzinho!

Na manhã daquele domingo, 7 de abril de 2013, parecia que as atletas da Unilver haviam perdido a hora. O time visitante demorou para acordar no jogo e quando deu por si, o placar marcava 2 a 0 para as paulistas. Contudo, com a canadense Sarah Pavan na saída de rede, Natália na entrada e Fofão no levantamento, a equipe dirigida pelo técnico Bernardinho tinha meios para reverter a situação e assim o fez.

A Unilever venceu por 3 sets a 2 (22-25, 19-25, 25-20, 25-15, 15-9) e levantou o troféu da Superliga pela oitava vez.

Depois desse jogo, o time do Rio de Janeiro permaneceu assíduo frequentador das decisões nacionais e venceu todas elas, ao passo que a equipe de Osasco só chegou à partida final uma vez – em 2015 (o Sesi foi o vice-campeão em 2014 e o Praia, em 2016). E desde então, o Ibirapuera não recebeu nenhuma outra final de Superliga feminina ou masculina.

Colaborou Sidrônio Henrique


Pupilo de Bernardinho, Anderson mira semifinal com o Brasília Vôlei
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Sidrônio Henrique

Anderson encara primeira temporada como técnico na Superliga (foto: Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV)

O time, diz ele, foi montado para ficar ali pelo quinto ou sexto lugar. Porém, dependendo dos resultados da última rodada do primeiro turno da Superliga 2016/2017, pode terminar esta fase até em terceiro – já esteve na vice-liderança. Anderson Rodrigues, 42 anos, encara sua primeira temporada como técnico na competição mais importante do vôlei brasileiro à frente do Terracap/BRB/Brasília Vôlei. Depois de quatro anos como assistente no Camponesa/Minas, revezando-se como treinador da seleção brasileira militar feminina, o ex-oposto diz que está “quebrando a cabeça”, mas sente que está preparado.

O bom desempenho da equipe, mesmo com algumas oscilações, o leva a pensar no voo mais alto da história de um clube novo, com orçamento bem abaixo dos favoritos, que fez sua estreia na Superliga há quatro anos e que ainda não passou das quartas de final. “Queremos ir o mais longe possível, chegar à semifinal seria muito importante”, afirma. O próximo desafio, fechando o primeiro turno, será nesta quarta-feira (21), em casa, às 20 horas (horário de Brasília), diante do São Cristóvão Saúde/São Caetano, décimo colocado entre os doze participantes.

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Consta também no currículo de Anderson a participação na comissão técnica da seleção masculina nas duas últimas temporadas, sob o comando de Bernardinho – o que inclui, claro, o ouro na Rio 2016. “Ele (Bernardo) acompanhava meu trabalho com a seleção militar feminina. Eu quis fazer um estágio com ele, depois ele me convidou para continuar. Trabalhar com o melhor é muito bom. Queria ter ao menos metade da competência dele”, comenta sobre o técnico bicampeão olímpico e tri mundial, a quem trata como um mentor. “Fico pensando no quê ele não me influenciou”.

O treinador do Brasília Vôlei ficou conhecido na década passada por ter feito parte da geração mais vitoriosa do Brasil – entre suas conquistas como jogador estão um ouro e uma prata olímpicas, dois títulos do Campeonato Mundial e dois da Copa do Mundo. A transição para a função de técnico representou um desafio. “A maior dificuldade que se enfrenta quando se deixa de ser atleta para virar treinador é fazer com que os atletas passem a te enxergar de outra forma, não te vejam como um ex-jogador. Hoje eu acredito que elas me veem como o Anderson técnico, não o jogador”.

Confira a entrevista que Anderson Rodrigues concedeu ao SdR:

Saída de Rede – Como avalia sua primeira experiência como técnico na Superliga, depois de ter treinado a seleção militar feminina e de ter sido assistente no Camponesa/Minas?
Anderson Rodrigues – Acho que tive uma boa base como assistente por quatro anos no Minas e também como técnico da seleção militar feminina. Cara, está sendo show… Tô quebrando a cabeça, mas faz parte. Me preparei para isso durante quatro anos.

Saída de Rede – Qual o maior desafio nessa transição da função de assistente para técnico, passando a ter o controle sobre uma equipe?
Anderson Rodrigues – A maior dificuldade que se enfrenta quando se deixa de ser atleta para virar treinador é fazer com que os atletas passem a te enxergar de outra forma, não te vejam como um ex-jogador. Esse é o maior desafio. Hoje eu acredito que elas me veem como o Anderson técnico, não o jogador. O meu trabalho com a seleção militar, como assistente no Minas ajudou nisso.

Brasília pode terminar o turno em terceiro lugar (foto: Ricardo Botelho/Inovafoto/CBV)

Saída de Rede – Qual o seu objetivo com a equipe do Brasília Vôlei?
Anderson Rodrigues – Queremos ir o mais longe possível, chegar à semifinal seria muito importante. Se você for olhar no papel, esse time foi montado para ser quinto ou sexto colocado, mas podemos ficar entre os quatro primeiros. Gostaria muito de manter essa campanha no returno, para, se chegarmos à semifinal, termos um adversário mais acessível.

Saída de Rede – Você pensa em ir além do quarto lugar para não ter, talvez, que cruzar com o Rexona-Sesc numa eventual semifinal?
Anderson Rodrigues – Isso. Mas a semifinal já seria muito difícil, seja lá quem for o adversário. Aliás, acho a tensão que envolve a semifinal, por ser em melhor de cinco jogos, maior do que a final, que é disputada em jogo único, onde entraríamos como franco-atiradores. Se numa final o saque entra bem, temos uma chance… A semifinal é bem mais complicada, temos que manter o nível em alta por mais tempo.

Saída de Rede – O Brasília Vôlei teve uma boa sequência de vitórias, inclusive sobre o Vôlei Nestlé e o Dentil/Praia Clube, mas perdeu para o Rio do Sul no início do torneio e mais recentemente para o Genter Vôlei Bauru. Ainda que o Bauru tenha uma equipe forte e em ascensão, vocês foram mal na partida. O time ainda está oscilando. Qual a maior limitação do Brasília Vôlei?
Anderson Rodrigues – Temos que melhorar na parte física, pois mexemos muito pouco no time, utilizamos quase sempre as mesmas jogadoras. Estamos chegando agora ao final do primeiro turno, mesmo esta Superliga sendo mais espaçada, com intervalos maiores entre as partidas, e estamos sofrendo um pouco na parte física.

Saída de Rede – Você está falando do desgaste das titulares. Mas e as reservas, falta experiência a elas?
Anderson Rodrigues – A maioria é inexperiente. Temos a Mari Helen (ponta), que tem experiência, mas está contundida. A Sabrina (ponta) está se recuperando do ombro, está voltando agora. Essas são jogadoras que vão compor ali, pois as outras são muito jovens.

Anderson orienta o time durante pedido de tempo (foto: Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV)

Saída de Rede – Na saída de rede, a Andreia poderia render mais, na sua avaliação? Qual era a sua expectativa em relação a ela quando montou o time?
Anderson Rodrigues – As pessoas falam muito da Andreia, mas meio que lembrando apenas dos dois últimos jogos. Nos primeiros, lá atrás, que ela pontuou, o que ela fez ficou esquecido. É lógico que hoje em dia num time uma oposta faz muita falta, mas ela está suprindo essa necessidade de outra maneira, com maturidade, ela é uma líder dentro de quadra. A Andreia é uma menina que nos dá muito volume, bloqueio, saca muito bem. Não tem pontuado tanto no ataque, mas tem feito a diferença em outros aspectos.

Saída de Rede – Ela compensaria a pontuação baixa também com poucos erros? Há casos de atacantes com pouca visão de jogo que marcam muito, mas erram bastante também, às vezes deixando a quadra com saldo negativo. Você vê a Andreia como uma jogadora equilibrada?
Anderson Rodrigues – Sim, ela joga numa linha tênue que pra gente é interessante, mas teria que pontuar um pouco mais. Vamos crescer dentro da competição, é uma coisa que vai acontecer.

Saída de Rede – Você considera a Macris uma levantadora arrojada, que arrisca bastante?
Anderson Rodrigues – Arrisca bastante, em certos momentos até demais. (risos)

Saída de Rede – Você é conservador nesse sentido?
Anderson Rodrigues – Em algumas coisas, sim. Não posso ser voltado o tempo todo para o risco. Olha, mesmo em outras situações precisamos ter cuidado.

Saída de Rede – Por exemplo?
Anderson Rodrigues – Bolas altas. Não tenho alguém que defina o tempo todo com bolas altas. Eu tenho a Paula, mas ela não é essa jogadora que define o tempo todo. Se deu algum problema, joga a bola na ponta que ela vai se virar, não é assim… O Rexona fazia isso no ano passado. O Bernardinho colocava o time para arriscar. Acelerava, acelerava… Não deu? Era bolão pra Natália na ponta, ela vinha com tudo. Nós temos que jogar acelerado, mas um jogo bem coeso, fazendo as centrais jogarem mais. Trabalhar a bola com a Andreia na saída. Bola acelerada na ponta com a Amanda e a Paula.

Ao lado de Bernardinho, na seleção (foto: Alexandre Arruda/CBV)

Saída de Rede – A Superliga chegou à última rodada do primeiro turno e só falta vocês enfrentarem o São Caetano. O que você está achando do nível do torneio?
Anderson Rodrigues – Eu acho que os times que, no papel, são candidatos ao título ainda estão errando muito.

Saída de Rede – Você quer dizer os três favoritos: Rexona, Vôlei Nestlé e Praia Clube?
Anderson Rodrigues – Sim, nessa etapa do campeonato eu acreditava que eles estariam um pouco mais distantes na tabela. Pode ser que seja por causa de lesões, não vou entrar nesse mérito porque não vivo o dia a dia deles, mas pelo número de erros que vemos nas sessões de vídeo, ainda erram muito.

Saída de Rede – No caso do Rexona, a equipe chegou a 28 pontos de 30 possíveis. Isso não é muito?
Anderson Rodrigues – Mas ainda continua errando demais. É um time que errava menos.

Saída de Rede – Como é que tem sido trabalhar como um dos assistentes do Bernardinho nesses últimos dois anos? Como foi que ele te chamou para integrar a comissão técnica?
Anderson Rodrigues – Ele acompanhava meu trabalho com a seleção militar feminina. Eu quis fazer um estágio com ele, fiquei lá um tempo, depois ele me convidou para continuar. Cara, trabalhar com o melhor é muito bom, né. Na minha opinião, ele é o melhor.

Saída de Rede – O quanto ele te influenciou na carreira de técnico?
Anderson Rodrigues – Fico pensando no quê ele não me influenciou… Só não quero ser é extremamente nervoso como ele. (risos) Queria ter ao menos metade da competência dele.


Liga dos campeões começa bem para as brasileiras
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João Batista Junior

Fabíola (centro) se deu bem no duelo contra seu ex-clube (fotos: CEV)

Fabíola (centro) se deu bem no duelo contra seu ex-clube (fotos: CEV)

Com 16 clubes em ação, a fase de grupos da Liga dos Campeões feminina da Europa começou esta semana. Das quatro equipes que contam com brasileiras na competição, três terminaram a rodada com vitória. O destaque foi a vitória do Volero Zürich, da levantadora Fabíola e da ponta Mari Paraíba, na Rússia, contra o Dínamo Krasnodar.

Atual campeão da Copa CEV (segundo mais importante torneio europeu de clubes), o time russo perdeu diante de sua torcida para o Volero por 3 sets a 1 (25-15, 25-21, 25-27, 25-18). A oposta ucraniana Olesia Rykhliuk marcou 23 pontos e foi a maior anotadora da equipe suíça e da partida.

Fabíola atuou no Dínamo Krasnodar na temporada 2014/15. Por conta de uma crise financeira no clube, ela deixou o vôlei russo no começo da temporada passada e foi para o Volero Zürich. Titular, a levantadora marcou dois pontos – um no ataque, outro de bloqueio. A outra brasileira do Volero, a ponteira Mari Paraíba, não atuou.

Samara (4): 13 pontos na derrota em Moscou

Samara (4): 13 pontos na derrota em Moscou

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VOLEI ALBA-BLAJ
Além de Dínamo Krasnodar e Volero Zürich, estão no grupo B da competição o Dínamo Moscou e o Volei Alba-Blaj, da Romênia, time em que joga a ponteira Samara – que defendeu o Camponesa/Minas na última Superliga. A equipe romena até assustou no começo, mas, para as campeãs russas, que têm a oposta Nataliya Goncharova, a virada não tardou.

Em Moscou, o Dínamo venceu por 3 a 1 (23-25, 25-19, 25-21, 25-14). Goncharova anotou 29 pontos e foi a maior pontuadora da rodada, não só da partida. Apesar do revés, Samara teve uma boa performance no jogo. Com 13 pontos obtidos, ela foi a segunda anotadora de sua equipe, atrás apenas da meio de rede Nneka Onyejekwe, com 17. De acordo com as estatísticas da CEV, a ponteira brasileira foi a jogadora do time romeno mais visada pelo saque moscovita, efetuando 46 recepções.

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Na Copa dos Campeões, Eczacibasi pode usar força máxima

Na Copa dos Campeões, Eczacibasi pode usar força máxima

ECZACIBASI VITRA
Vindas das fases preliminares da competição, as campeãs mundiais tiveram uma estreia bem confortável na Liga dos Campeões. Pelo grupo D, em Dresden, na Alemanha, o Eczacibasi VitrA, da central Thaisa, atropelou solenemente o Dresdner numa vitória por 3 sets a 0 (25-17 25-11, 25-21).

Como a liga turca não permite que cada equipe tenha mais do que três jogadoras estrangeiras por vez em quadra, o torneio continental é a oportunidade que o clube tem para escalar toda a sua “seleção”.

Thaisa marcou dez pontos, sendo cinco de bloqueio – o que a classificou como quinta melhor jogadora neste fundamento em toda a rodada. A maior pontuadora do Eczacibasi e da partida foi a outra meio de rede do time, a norte-americana Rachael Adams, com 15 acertos.

Natália, Thaisa e Joycinha brilham em rodada do vôlei turco

Natália em ação contra o St. Raphaël

Natália em ação contra o St. Raphaël

FENERBAHÇE
Mantendo a craque sul-coreana Kim Yeon Koung no banco (ela chegou a perder três rodadas da liga turca por contusão e só voltou à quadra no último fim de semana), o Fenerbahçe contou com 14 pontos de Natália para bater o St. Raphaël, na França, por 3 sets a 0 (25-23, 25-21, 25-19), pelo grupo C. O detalhe é que a equipe da casa levou larga vantagem nos pontos de bloqueio (10 a 2), mas sofreu 52 de ataque – e só marcou 32 nesse quesito.

Jogando na entrada de rede, a atacante brasileira foi a maior pontuadora da partida e teve aproveitamento de 46% no ataque.


Natália, Thaísa e Joycinha brilham em rodada do voleibol turco
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Carolina Canossa

Natália foi fundamental para evitar que o jogo do Fenerbahce fosse para o tie-break (Foto: Divulgação)

Natália foi fundamental para evitar que o jogo do Fenerbahce fosse para o tie-break (Foto: Divulgação)

A mais recente rodada do Campeonato Turco foi altamente positiva para as três selecionáveis brasileiras que atuam no país: Natália, Thaísa e Joycinha não só estiveram em quadra como foram fundamentais para a vitória de suas equipes na competição.

Impulsionada pelo retorno de Kim Yeon-Koung, que se recuperou mais cedo que o imaginado de uma lesão no músculo abdominal, Natália fez uma bela dupla de ataque com a sul-coreana no duelo em que sua equipe, o Fenerbahce, derrotou o arquirrival Galatasaray por 3 sets a 1, parciais de 25-23, 25-22, 20-25 e 26-24. Com um bom passe, a ponteira brasileira também marcou 11 pontos e chamou a responsabilidade no fim do quarto set, impedindo que a partida fosse para o tie-break.

Destaque da última Superliga, Natália vive começo instável na Turquia

Tie-break que foi inevitável para o Eczacibasi, de Thaísa. Escalada para jogar desta vez – segundo as regras do voleibol turco, somente três das seis estrangeiras da equipe podem estar em quadra ao mesmo tempo -, a central bicampeã olímpica mostrou ao técnico Massimo Barbolini que está em excelente forma, com 24 pontos da vitória de sua equipe sobre o Nilüfer Belediye por 3 a 2 (24-26, 24-26, 25-15, 25-19 e 15-10).

Ainda assim, Thaísa não saiu totalmente satisfeita de quadra. “Estou feliz por ter conseguido ajudar a equipe nos momentos de dificuldade e feliz também por ter tido a oportunidade de atuar durante todo o jogo. Acho que não foi a minha melhor partida porque vencemos por 3 a 2. Como penso como time, teria sido melhor se a vitória fosse por 3 a 0”, comentou a atleta.

Thaísa aproveitou bem a oportunidade dada no rodízio do Eczacibasi (Foto: Reprodução/Instagram)

Thaísa aproveitou bem a oportunidade dada no rodízio do Eczacibasi (Foto: Reprodução/Instagram)

Thaísa, que fez seu quinto jogo entre os nove já disputados pelo Eczacibasi na disputa, ainda falou sobre sua preparação para não deixar o rodízio lhe abater: “Estar entre as 12, 14 jogadoras em uma partida e ter a oportunidade de ajudar quando acionada já é uma grande felicidade. Muito pior é saber que você está 100%, treinando bem, forte fisicamente, totalmente preparada, e ficar de fora por opção do técnico. Isso acaba com qualquer jogador que não tenha uma cabeça preparada e forte. Por isso, personalidade, cabeça no lugar, e saber da sua história e do seu potencial, são sempre extremamente importantes”.

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E o que dizer de Joycinha? Sem alarde, a oposta (que ficou de fora da Olimpíada do Rio) colocou 25 bolas na quadra do Halkbank na vitória do Bursa por 3 sets a 1, parciais de 25-12, 20-25, 29-27 e 25-21. A atacante paulista é a maior pontuadora da competição, com média de 5,24 pontos por set.

Decorridas nove rodadas do Campeonato Turco, a liderança é do Vakifbank. Único invicto na competição, o ex-time de Sheilla é seguido pelo surpreendente Bursa, que, por sua vez, vê o Eczacibasi na terceira colocação. O Fenerbahce está em quarto lugar.

Veja os melhores momentos de Natália contra o Galatasaray:


Destaque da última Superliga, Natália vive começo instável na Turquia
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Carolina Canossa

Natália tem sofrido com a ausência da sul-coreana Kim (Fotos: Divulgação/Fenerbahce)

Natália tem sofrido com a ausência da sul-coreana Kim (Fotos: Divulgação/Fenerbahce)

As ótimas atuações de Natália ao longo da última Superliga fizeram os turcos abrirem o bolso: por mais que o Rexona-Sesc se esforçasse, não houve como competir contra os euros do Fenerbahce, um dos times mais ricos dos mundo. Julgando ser a hora de viver um novo desafio na carreira, a atacante aceitou, aos 27 anos, o convite para jogar pela primeira vez por um clube estrangeiro.

O começo, porém, não tem sido tão bom quanto se imaginava. Decorridas oito rodadas do Campeonato Turco, o Fenerbahce ocupa apenas a quinta posição na tabela, atrás dos grandes rivais Vakifbank e Eczacibasi e de clubes com investimento bem menor, o Bursa e o Çanakkale.

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Das três derrotas sofridas até o momento, duas foram justamente em casa e em confrontos contra os adversários que, em teoria, o Fener brigaria pelo título: 1-3 (25-22, 18-25, 25-23 e 25-22) diante do Eczacibasi em 9 de novembro e 0-3 (25-21, 25-19 e 25-18) contra o Vakifbank no último domingo (4). Sobre este último jogo, faça-se justiça: o time inteiro foi mal e, mesmo com parcos nove pontos, Natália foi a maior pontuadora da equipe. Bem marcada, porém, ela só fez 6/21 nas ações ofensivas.

Escalada para todas as partidas realizadas até agora, Natália soma um total de 101 pontos (média de 12,6 por partida) e aproveitamento de 41,1% na recepção. Não são números ruins, mas a atacante brasileira já mostrou que pode atuar além disso. Erros de recepção e passes B também estão ocorrendo em uma frequência maior que a desejada: no 2-3 diante do Çanakkale, por exemplo, foram seis pontos cedidos desta forma.

Brasileira chegou à Turquia com status de estrela

Brasileira chegou à Turquia com status de estrela

Curiosamente, o melhor jogo de Natália na Turquia até o momento se deu quando a brasileira jogou de oposta: foi no 3 a 0 fora de casa diante do Halkbank, ocasião em que ela colocou 20 bolas no chão somando. Deslocar Natália para a saída de rede foi uma das principais possibilidades não usadas pelo técnico José Roberto Guimarães nas quartas-de-final da Olimpíada do Rio, quando o Brasil acabou eliminado pela China.

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A lesão no músculo abdominal de Kim Yeon-Koung está colocando ainda mais pressão na brasileira, que possivelmente irá conviver com a situação por pelo menos mais uma rodada do Turco e na estreia da Champions League – fora há três partidas, a estrela sul-coreana tem previsão para jogar novamente somente entre 15 e 20 de dezembro. Resta saber como o técnico italiano Marcello Abbondanza vai trabalhar Natália até lá e o quanto ela corresponderá em quadra.

Demais brasileiras

Também contratada com o status da estrela que é pelo voleibol turco, Thaísa tem sofrido com a regra local e só permitir três estrangeiras juntas ao mesmo tempo no campeonato local. Depois de jogar pouco contra o Galatasaray, a central nem foi relacionada na surpreendente derrota do Eczacibasi por 3 a 2 (25-20, 25-19, 24-26, 12-25 e 15-13) diante do Seramiksan.

Joycinha, por sua vez, deu outra prova que é a melhor brasileira em atividade no país neste momento. Fora de casa, neste domingo (4), ela comandou a vitória do Bursa sobre Sariyer por 3 a 0 (25-17, 25-16 e 27-25) ao fazer 20 pontos.

Por fim, na Itália, Adenízia teve outra boa atuação e marcou 15 pontos na vitória do Savino del Bene Scandicci sobre o Sudtirol Bolzano por 3 a 2 (21–25, 25–21, 25-17, 27-29 e 15-10). O time é o quarto colocado na classificação geral.


Do banco, Thaisa vê time campeão mundial levar virada incrível na Turquia
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João Batista Junior

Thaisa pouco pôde fazer na derrota do Eczacibasi VitrA para o VakifBank (foto: Eczacibasi VitrA)

Thaisa pouco pôde fazer na derrota do Eczacibasi VitrA para o VakifBank (foto: Eczacibasi VitrA)

O fim de semana dos brasileiros na Turquia teve atuação marcante de Joycinha e derrotas em tie break para duas das titulares da seleção brasileira – Thaisa e Natália. Na Itália, Adenizia foi bem, mas não conseguiu levar o time à vitória, enquanto time de Suelen lidera o campeonato, e Kadu, na superliga masculina, ajudou sua equipe a chegar ao G8.

Veja um resumo:

TURQUIA
Na revanche da semifinal do Mundial feminino de Clubes deste ano, o VakifBank se vingou da derrota sofrida para o Eczacibasi VitrA. E com requintes de crueldade! Sábado, pela liga turca feminina, depois de abrirem 2 sets a 0 e terem vantagem de 20-10 na terceira parcial, as atuais campeãs do mundo sofreram um revés inacreditável e perderam por 3 a 2 (27-29, 17-25, 25-22, 25-21, 15-10). A ponteira chinesa do Vakif, Ting Zhu, MVP na Rio 2016, marcou 28 pontos.

Por conta do regulamento na Turquia, que só permite que uma equipe tenha três estrangeiras em quadra por vez, a central Thaisa ficou no banco de reservas, só entrando esporadicamente na partida – quase sempre em alguma substituição dupla que envolvesse a saída da ponteira russa Kosheleva. A brasileira marcou apenas dois pontos.

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Natália (12) tenta bloquear o ataque de Mia Jerkov (Fenerbahçe)

Natália (12) tenta bloquear o ataque de Mia Jerkov (Fenerbahçe)

No domingo, o Fenerbahçe, da ponteira Natália, perdeu por 3 a 2 para o Çanakkale (22-25, 25-22, 25-18, 19-25, 15-6). Com atuação discreta, a atacante brasileira, que foi titular nos quatro primeiros sets e entrou no decorrer do tie break, marcou oito pontos na partida e teve apenas 25% de aproveitamento no ataque.

Quem foi, de fato, muito bem na rodada foi a oposta Joycinha. A atacante do Bursa Sehíd marcou 31 pontos na vitória de sua equipe por 3 a 1 sobre o Nílüfer (25-21, 25-16, 18-25, 25-18), e teve um ótimo aproveitamento de 71% no ataque.

O Bursa aparece na terceira colocação na liga turca feminina, atrás do líder VakifBank e do Eczacibasi VitrA. O Fenerbahçe é apenas o quinto colocado.

Na liga masculina, Lipe foi o maior pontuador do Halkbank no 3 a 1 aplicado sobre o Zíraat Bankasi (18-25, 25-21, 29-27, 25-22). O ponteiro brasileiro obteve três pontos de bloqueio, três aces e 61% de aproveitamento no ataque. Seu time ocupa a quarta posição do campeonato.

Já o líder da liga turca masculina, o Arkas Spor, dos ponteiros brasileiros Maurício Borges e João Paulo Bravo, bateu o Tokat Belediye Plevne também por 3 sets a 1 (41-43, 25-22, 25-22, 25-16). Campeão olímpico este ano, Borges começou como titular, mas terminou zerado no primeiro set – nenhum ponto assinalado em seis tentativas no ataque – e foi substituído por J. P. Bravo, que marcou 13 pontos.

Vibo Valentia comemora vitória sobre Ravenna (Reprodução: Facebook/Vibo Valentia)

Vibo Valentia comemora vitória sobre Ravenna (Reprodução: Facebook/Vibo Valentia)

ITÁLIA
Depois de um mau início no campeonato, o time “mais brasileiro” da Superliga Italiana masculina de Vôlei entrou na zona de classificação para os playoffs. Pela 12ª rodada da competição, o Tonno Calippo Calabria Vibo Valentia bateu o Bunge Ravenna por 3 a 1 (25-22, 28-26, 20-25, 28-26) e tomou a oitava posição do rival.

Titular, o ponteiro Kadu assinalou 15 pontos e foi o segundo pontuador do Vibo Valentia. O também ponteiro Thiago Alves, que marcou oito pontos, entrou em quadra a partir do segundo set. O central Deivid, titular na última parcial, obteve quatro acertos, todos no ataque.

Já o Exprivia Molfetta, do ponteiro João Rafael e do levantador Thiaguinho, não foi páreo contra o líder Cucine Lube Civitanova e perdeu por 3 a 1 (25-15, 22-25, 25-20, 25-17). Os dois brasileiros foram titulares: o atacante terminou a partida com 12 anotações e o armador, duas. O Molfetta é apenas o 12º colocado entre 14 times participantes na superliga.

Ele ainda não ganhou nenhum jogo, mas é destaque na Superliga

Suelen em ação contra Monza (Filippo Rubin/LVF)

Suelen em ação contra Monza (Filippo Rubin/LVF)

Pelo feminino, o Foppapedretti Bergamo, da líbero Suelen, venceu o Saugella Team Monza por 3 sets a 1 (25-10, 20-25, 25-22, 31-29), com 25 pontos da oposta polonesa Skowronska. O resultado manteve a equipe na liderança da competição com 18 pontos e seis vitórias em sete jogos, um ponto a mais que o Pomì Casalmaggiore.

Quarto colocado, o Savino Del Bene Scandicci, da central Adenizia, perdeu para o Busto Arsizio de virada por 3 a 2 (20-25, 18-25, 25-22, 25-20, 15-11). A meio de rede brasileira marcou 18 pontos, sendo cinco de bloqueio, mas seu time não conseguiu parar Valentina Diouf, que assinalou 30 pontos para levar sua equipe ao terceiro lugar da tabela.

Sesi e Brasília: opostos na tabela e na grade de programação

OUTRAS LIGAS
Na rotina de vitórias na liga feminina da Suíça, o Volero Zürich, da levantadora Fabíola e da ponta Mari Paraíba, venceu o Köniz, no domingo, por 3 a 0 (25-10, 25-14, 25-12). O time lidera com 26 pontos e invicto, após nove rodadas.

Na PlusLiga, a liga masculina de vôlei da Polônia, o oposto brasileiro Rafael Araújo marcou nove vezes no placar na vitória do MKS Bedzin por 3 a 0 sobre o lanterna Bielsko-Biala (25-12, 25-19, 25-13). Sua equipe ocupa a décima posição do campeonato.


Joycinha brilha em confronto direto, mas quem leva a vitória é Natália
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Carolina Canossa

Sem ritmo, Natália entrou no fim do jogo e fez apenas dois pontos (Foto: Reprodução/Facebook)

Sem ritmo, Natália entrou no fim do jogo e fez apenas dois pontos (Foto: Reprodução/Facebook Fenerbahce)

A rodada do fim de semana do Campeonato Turco feminino foi especialmente interessante para os fãs brasileiros de vôlei. De um lado, Joycinha, destaque do Bursa na última e na atual temporada. Do outro, Natália, recém-chegada ao badalado Fenerbahce. No fim, a ponteira acabou se dando melhor, por 3 sets a 1 (25-23, 25-19, 23-25 e 25-23), mas a oposta tem muitos motivos a comemorar após outra boa atuação individual.

Com 14 pontos de ataque, quatro de bloqueios e um ace, Joycinha foi a atleta que mais pontuou para o Bursa no confronto – com o jogo bastante centrado em si, ela conseguiu uma efetividade de 39% do ataque. Natália, por sua vez, esteve apagada: sem ritmo após ficar no banco durante todo o primeiro e o segundo set, ela jogou em apenas alguns lances das duas últimas parciais e somou dois pontos às estatísticas, alcançando a baixa efetividade de 13% na virada de bola.

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O resultado negativo representou o primeiro revés do Bursa, agora quarto colocado no Campeonato Turco. O Fenerbahce, por sua vez, subiu para o segundo lugar. Ambas as equipes, porém, ainda podem ser ultrapassadas pelo Eczacibasi, de Thaísa, que completa a rodada somente nesta terça (22) porque teve compromissos pela Liga dos Campeões.

Thaísa marcou nove pontos na Champions League (Foto: CEV)

Thaísa marcou nove pontos na Champions League (Foto: CEV)

No torneio continental, aliás, as campeãs mundiais tomaram um pequeno susto, mas garantiram uma vaga na fase de grupos ao passarem pelo Minchanka Minsk, da Bielorrússia, por 25-14, 28-26 e 25-19 – na partida de ida, a equipe turca já havia feito 3 a 1. A central brasileira conseguiu nove pontos, sendo seis no ataque, dois no bloqueio e um de saque.

CAMPEONATO TURCO MASCULINO

Responsável pelo último ponto da conquista da medalha de ouro na Rio 2016, Lipe não vem tendo tantas alegrias em seu clube, o Halkbank. Neste fim de semana, por exemplo, o time dele chegou à terceira derrota em sete jogos pela competição ao cair diante do Istanbul BBSK por 3 a 2, parciais de 27-25, 21-25, 25-23, 22-25 e 15-9. Titular, o ponteiro brasileiro marcou 12 pontos.

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Outros dois compatriotas de Lipe na Liga Turca, Maurício Borges e João Paulo Bravo também tiveram uma folga na liga nacional para se dedicar à Champions League. E eles não decepcionaram a camisa do Arkas Spor, ajudando o time a se classificar para a fase de grupos com um 3 a 0 sobre o Crvena Zvezda Beograd, da Sérvia, parciais de 25-21, 25-22 e 25-21. Enquanto Borges marcou dez pontos, Bravo se revezou na posição de líbero com o turco Ahmet Karatas.

João Paulo Bravo e Maurício Borges (nas pontas) foram importantes para a recepção do Arkas (Foto: CEV)

João Paulo Bravo e Maurício Borges (nas pontas) foram importantes para a recepção do Arkas (Foto: CEV)

ITÁLIA

Em um dos países mais tradicionais do voleibol, o Savino del Bene, de Adenízia, deu prosseguimento à boa fase ao marcar 25-23, 25-9 e 25-16 sobre o Club Italia, fora de casa. Com nove pontos no jogo, a central brasileira valorizou o quinto triunfo em seis duelos. “Eu gostei muito da partida, todas jogaram muito bem, fora o começo do primeiro set. Depois focamos mais e fizemos um jogo muito bom. O caminho é longo, mas estamos indo certo”, destacou a atleta.

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Com 14 pontos, o Savino divide a liderança da competição com o Unet Yamamay Futura Volley Busto Arsizio e o Pomì Volleyball Casalmaggiore, que também venceram cinco de seis confrontos. Por critério, o Unet Yamamay aparece na frente do Scandicci na classificação.

No masculino, os dois times que contam com brasileiros em seus elencos não conseguiram repetir as vitórias da semana passada: enquanto o Exprivia Molfetta (do ponta João Rafael e do levantador Thiaguinho) caiu diante do  Gi Group Monza por 3 a 1, o Tonno Callipo Calabria Vibo Valentia (dos ponteiros Kadu e Thiago Alves e do central Deivid) perdeu no tie-break para o Biosi Indexa Sora. Os times são, respectivamente, 11º e nono colocado na classificação.

SUÍÇA

Por fim, o Volero Zurich da levantadora Fabíola e da ponteira Mari Paraíba seguiu a rotina de vitórias na Liga Suíça ao fazer 25-20, 25-22 e 25-12 sobre o VBC Cheseaux. Invicta, a equipe ocupa a primeira colocação da tabela.