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Arquivo : Natália

Rio x Osasco: relembre cinco protagonistas em decisões de Superliga
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João Batista Junior

Mari foi um dos destaques do Osasco (imagem: UOL)

Quando Rexona-Sesc e Vôlei Nestlé entrarem em quadra na manhã do domingo, será a 11ª vez que Rio e Osasco decidem a Superliga feminina. Da temporada 2004/2005 para cá, só em duas ocasiões a final do campeonato nacional não foi disputada entre as duas equipes. A vantagem na contabilidade desse duelo é carioca, com sete títulos contra três das osasquenses.

A dois dias de mais uma final na história do clássico do voleibol brasileiro, o Saída de Rede relembra cinco jogadoras que se destacaram nas partidas decisivas entre Rio e Osasco.

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Mari
Num tempo em que a final do campeonato não era em jogo único, mas em melhor de cinco, Mari foi um dos grandes nomes do Finasa/Osasco na conquista do troféu da temporada 2004/2005. A equipe contava com Carol Albuquerque, Paula Pequeno, Arlene, Valeskinha, Érika e era dirigida por José Roberto Guimarães. A MVP do Grand Prix 2008, que mais tarde migraria para a entrada de rede, ainda atuava como oposta.

No playoff decisivo diante do Rexona – que tinha Fernanda Venturini, Leila, Sassá, Jaqueline, Fabiana –, o time paulista abriu 1 a 0 na série, com uma vitória por 3 a 2 no Rio. No jogo 2, em Osasco, partida que deixou o time da casa muito perto da conquista, Mari protagonizou um lance dos mais polêmicos: com 18 a 17 para as visitantes no tie break, ela atacou para fora uma bola pela entrada de rede. Enquanto o segundo árbitro marcou ponto para o time carioca, o primeiro refutou a anotação de seu colega de arbitragem e deu desvio no bloqueio.

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As reclamações do Rexona, como se supõe, foram veementes, mas o jogo prosseguiu e set acabou com 25-23 para Osasco, com Mari sendo eleita a melhor jogadora em quadra.

A disputa acabou no jogo 3, com uma fácil vitória osasquense por 3 a 0 no Ginásio Caio Martins, em Niterói.

Ao lado de Gabi, Fofão exibe medalha do decacampeonato do Rexona (Alexandre Arruda/CBV)

Fofão
A longeva carreira de Fofão terminou em maio de 2015, com 44 anos de idade, no Mundial feminino de Clubes, em Zurique. Sua despedida das quadras brasileiras, no entanto, ocorreu algumas semanas antes, como campeã da Superliga.

Líder com folga na fase classificatória, tudo levava a crer que o Rexona-AdeS não deixaria escapar o decacampeonato nacional naquele ano. Embora não tivesse encontrado uma oposta confiável em toda a campanha, o time contava com a distribuição de bolas e a qualidade no levantamento de Fofão.

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A decisão em jogo único foi disputada na Arena da Barra (o mesmo palco da final deste domingo, agora rebatizada como “Jeunesse Arena”), no Rio. Além da tradição e rivalidade de cariocas e osasquenses, havia em jogo um duelo particular: pelo segundo ano consecutivo, as levantadoras campeãs olímpicas como titulares da seleção, Fofão (2008) e Dani Lins (2012), se enfrentavam na final. E, assim como em 2014 (ano em que Dani defendia o Sesi), foi a medalhista de ouro de Pequim quem levou a melhor.

O time da casa atropelou o Osasco (então, Molico/Nestlé) e venceu por 3 a 0, em pouco mais de uma hora e meia de partida. E Fofão, capitã da equipe, encerrou sua história nas Superligas levantando o troféu da temporada 2014/2015.

Hooker brilhou no título do Osasco, na temporada 2011/12 (João Pires/Vipcomm)

Destinee Hooker
Principal atacante da Seleção dos EUA em todo o ciclo olímpico para Londres 2012, a oposta Destinee Hooker atuou pelo Osasco (então, Sollys/Nestlé) na temporada 2011/2012 da Superliga. Foi uma passagem rápida e vitoriosa pela equipe paulista.

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Jogadora mais eficiente no ataque em toda a competição, Hooker brilhou na final do campeonato. Em pleno Maracanãzinho, a norte-americana não deu chance à defesa da Unilever e anotou 20 pontos, com mais de 50% de aproveitamento nas cortadas. O jogo durou menos de 1h20 e terminou com 3 a 0 para Osasco. Como curiosidade, vale dizer que esse foi o último jogo de Fernanda Venturini, que jogava no time do Rio, no voleibol.

Sarah Pavan foi bicampeã da Superliga pela Unilever (Reprodução/internet)

Sarah Pavan
Se o Osasco levantou o troféu em 2012 com uma oposta dos Estados Unidos, na temporada 2012/2013, foi a vez de a Unilever buscar reforço na América do Norte. Vinda de uma boa passagem no voleibol italiano, a oposta canadense Sarah Pavan (que disputou as Olimpíadas do Rio 2016 no vôlei de praia) correspondeu às expectativas do torcedor carioca.

A decisão daquele ano, que tinha gosto de revanche para o time comandando por Bernardinho, foi em São Paulo, no Ibirapuera. O Sollys/Nestlé tinha várias jogadoras da seleção campeã de Londres 2012 (Fernanda Garay, Sheilla, Adenizia, Thaisa e Jaqueline) e chegou a abrir 2 a 0. Contudo, uma reação rápida e furiosa devolveu à Unilever o trono do vôlei feminino brasileiro – e, até aqui, não o perdeu mais, conquistando ainda os outros três nacionais disputados desde então.

Terceira pontuadora daquele campeonato, Pavan marcou 22 pontos na partida e brilhou junto com Natália. No ano seguinte, mesmo sem se destacar tanto na final, a canadense se despediu da torcida do Brasil com uma vitória sobre o Sesi e mais um título na conta do clube carioca.

Natália já se destacou pelos dois lados do clássico (divulgação; FIVB)

Natália
Não é estranho encontrar jogadoras no vôlei brasileiro que contabilizem passagens tanto pelo Rio quanto pelo Osasco. Também não é raro notar campeãs pelas duas equipes. Mas destaque, mesmo, em finais pelos dois lados, talvez só Natália.

Jogadora a jogadora, quem leva a melhor no Rexona x Vôlei Nestlé?

Na decisão da temporada 2009/2010, um famoso cartão amarelo no terceiro set despertou uma gigantesca Natália, na partida entre Sollys/Osasco e Unilever, no Ibirapuera. Jogando na saída de rede, a atacante marcou 28 pontos e foi a maior anotadora na vitória osasquense por 3 sets a 2.

Já na final da temporada 2012/2013, a mesma em que Sarah Pavan foi destaque, Natália também assinalou 22 pontos e ajudou a Unilever a levantar o título. Foi sua primeira grande atuação desde as duas cirurgias na perna, em 2011, para retirar um tumor.

Sua recuperação total só se confirmou na temporada 2014/2015, quando foi a principal atacante do Rexona-AdeS no título conquistado sobre o Osasco – confronto que rendeu o último troféu a Fofão. Natália, na ocasião, obteve 16 acertos e foi a pontuadora máxima da peleja.

E em 2017, quem você acha que será protagonista no clássico?


Sem Thaisa, Eczacibasi terá duelo turco nas semifinais da Liga dos Campeões
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João Batista Junior

Eczacibasi passou pelo Fenerbahçe e terá o VakifBank nas semifinais (fotos: CEV)

O Eczacibasi VitrA, da Turquia, montou um timaço, ganhou o Mundial de Clubes, oscilou com o passar dos meses e corria sério risco de eliminação na Liga dos Campeões 2016/2017. Mas, num jogo que tirou a única campeã olímpica de seu elenco pelo resto da temporada, o time se reergueu e está no Final Four da principal competição de clubes da Europa.

A equipe precisava, sob qualquer circunstância, vencer o Fenerbahçe, na terça-feira, para avançar no campeonato ou, ao menos, levar a decisão para o Golden Set, no caso de um 3-2 – justo contra o Fenerbahçe, da craque sul-coreana Kim Yeon Koung e de Natália, que havia vencido os três últimos jogos entre os dois times. Apesar do retrospecto desfavorável, a vitória de virada por 3 sets a 1 (29-31, 25-14, 27-25, 25-23) garantiu as bicampeãs mundiais nas semifinais.

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Natália em ação contra Eczacibasi: 22 pontos no jogo 2

Natália, com 22 acertos no total e 41% de aproveitamento no ataque, foi a maior anotadora do Fenerbahçe, seguida de Kim Yeon, com 20 pontos no geral e 37% nas cortadas. Bons números, mas que não fizeram frente às 27 anotações da jovem oposta sérvia Tijana Boskovic, nem ao placar de 12 a 5 obtido pelo Eczacibasi no bloqueio.

Thaisa, que atuou no sacrifício por causa de uma contusão no joelho esquerdo e fez todo mundo prender a respiração no terceiro set, quando lesionou horrivelmente o tornozel direito, foi a maior bloqueadora da partida, com quatro pontos nesse quesito. Ela também obteve três aces e três pontos no ataque.

A central brasileira não sofreu nenhuma fratura, nem deve passar por cirurgia no local dessa contusão. Mas, como sofreu lesões no ligamento e na cartilagem do tornozelo, deverá ficar em repouso por três semanas, o que inviabiliza sua participação no Final Four – dias 22 e 23 de abril, em Treviso (Itália).

Com show de Naiane, Minas iguala série contra Rexona

Nas semifinais, o Eczacibasi VitrA encara o VakifBank, líder da liga turca. Nos playoffs de 6, nesta quarta-feira, o time da ponteira Ting Zhu venceu, em casa, o Volero Zürich por 3 sets a 1 (22-25, 25-21, 25-16, 25-22), repetindo o placar do primeiro jogo.

Ting Zhu enfrenta bloqueio do Volero Zürich

MVP na Rio 2016, Zhu foi a maior pontuadora do duelo, com 21 pontos. Pelo Volero, que não contou com a levantadora Fabíola – que contundiu o joelho na semana e está fora do restante da temporada de clubes –, a ponteira Mari Paraíba entrou no decorrer dos dois últimos sets para atuar no fundo de quadra em curtas passagens.

A outra semifinal da Champions League feminina será disputada entre o Dínamo Moscou, que eliminou o Liu Jo Nordmeccanica Modena com 3 a 0, em Moscou, nesta quarta, e o pré-classificado Imoco Volley Conegliano, num duelo das atuais campeãs nacionais da Rússia e da Itália

Final da Superliga B terá embate entre Zé Roberto e Pirv

MASCULINO
O ex-levantador da seleção brasileira Marlon está mais longe de chegar ao Final Four masculino. Nesta quarta-feira, pelo jogo de ida dos playoffs de 6, o Belogorie Belgorod visitou o Zenit Kazan e perdeu por 3 a 1 (25-14, 25-17, 23-25, 26-24). O brasileiro atuou nos dois primeiros sets e foi substituído pelo reserva Roman Poroshin.

Belogorie Belgorod, de Marlon, ficou em situação difícil na Champions

Pelo Zenit, que tenta o terceiro título continental seguido, o oposto Mikhaylov fez 20 pontos, o ponteiro León, 17, e o ponta Matt Anderson, 15 – na seleção dos EUA, ele atua na saída de rede. Do lado do Belogorod, o meio de rede Muserkiy obteve 16 acertos.

Seis fatos do vôlei que parecem mentira, mas não são

Nas outras duas partidas da rodada, o Berlin Recycling Volleys venceu o Dínamo Moscou por 3 sets a 2 (23-25, 22-25, 25-19, 25-18, 15-10) – desse duelo sai o adversário do Zenit ou do Belogorod nas semifinais –, enquanto o Civitanova visitou o Azimut Modena e marcou um 3 a 0 (25-23, 25-18, 29-27).

As finais da Champions masculina serão em Roma, entre os dias 29 e 30 deste mês. O Perugia já está classificado a título de representante da cidade sede do Final Four.


Para advogado, briga judicial entre atletas e CBV terá definição em um mês
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Carolina Canossa

Principais jogadoras de vôlei do Brasil estão em confronto aberto contra a CBV (Fotos: Divulgação/FIVB)

Iniciada na última segunda-feira (27), a ação judicial de oito atletas classificadas como “sete pontos” no ranking da edição 2017/2018 da Superliga feminina de vôlei não deve demorar para ter uma definição. Ao menos é o que espera o advogado das jogadoras, Carlos Heitor Pioli Filho.

Em entrevista exclusiva ao Saída de Rede, Pioli Filho explicou quais são os próximos passos do caso. “A juíza recebeu essa ação de mandado de segurança e mandou notificar, através de um oficial de Justiça, a CBV e o presidente da instituição (Walter Pitombo Laranjeiras). A partir da ciência deles, há um prazo de dez dias úteis para eles apresentarem informações à juíza. Com essas informações, que é o exercício do contraditório, pois a outra parte tem que se manifestar, ela decidirá (se o ranking será extinto ou não)“, afirmou.

Atletas da Superliga masculina também cogitam ir à Justiça

Ricardinho vai contra a corrente: “O Brasil ainda necessita do ranking”

Por correr em caráter de urgência, uma vez que o mercado de transferências do vôlei já começa a se aquecer com a proximidade do encerramento da Superliga, essa disputa específica não deve demorar a ter uma resolução. “A gente acredita que, no máximo em um mês, isso aí esteja resolvido. É preciso que isso aconteça o quanto antes para que não haja prejuízo de ambas as partes”, destacou o advogado.

Evidentemente, em um segundo momento tanto as atletas como a CBV podem se utilizar de outros recursos judiciais para defender seus interesses. Porém, segundo Pioli Filho, as melhores jogadoras do Brasil não possuem um “plano B” neste momento. “Quando nos reunimos com as atletas, optamos por um caminho só e ir até o fim dele, acreditando que é o que vai dar certo”, justificou.

Questionado se o fato de os clubes participantes da Superliga serem os responsáveis por decidir pela manutenção do ranking não pode dificultar a ação judicial, que é somente contra a entidade que rege o vôlei brasileiro, o profissional isentou os times de culpa.

Estrelas do vôlei lamentam não poder jogar onde querem por conta do regulamento da Superliga

“Quando o ranking foi criado, na temporada 1992/1993, quem o criou foi a CBV. Essa divisão de responsabilidades que a entidade tenta fazer acontece porque quem vota no ranking são os clubes e a comissão de atletas. A ação visa extinguir o ranking, então não tem nada a ver com os clubes, que, no nosso sentir, não têm absolutamente nada com isso. O problema é entre as atletas e a CBV. Há uma nítida relação de trabalho entre eles e o ranking as está prejudicando. Se a CBV criou o ranking, também tem o “poder” de extingui-lo”, comentou.

Especialista em direito desportivo concorda, mas usaria outro caminho

Procurado pelo SdR para opiniar sobre a briga judicial, o especialista e professor de direito desportivo André Sica concorda que a CBV deve responder sozinha pela decisão da manutenção do ranking da Superliga.

“Os clubes são entes filiados à CBV que, por sua vez, é a entidade de administração do desporto responsável e competente para publicação do regulamento da competição. Portanto, a CBV claramente tem legitimidade para integrar o polo passivo da demanda ajuizada pelas atletas”, afirmou.

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Em um primeiro momento, atletas haviam usado as redes sociais para reclamar (Foto: Reprodução)

Sica também concorda que o caminho a ser traçado pelas jogadoras insatisfeitas é mesmo a judicialização do assunto, mas diz que conduziria o caso de outra maneira. “Não me parece que o mandado de segurança seja o caminho mais seguro para essa discussão, uma vez que não é completamente pacificado o entendimento de que o presidente de uma confederação poderia ser classificado como uma “autoridade coatora”, o que é um requisito para o cabimento do mandado de segurança. Particularmente, entendo que o caminho mais seguro seria o ajuizamento de uma ação declaratória de obrigação de não fazer, com pedido liminar para suspensão imediata do sistema de ranking das atletas”, explicou.

Por fim, ele não acredita que a briga possa prejudicar a realização da próxima Superliga, ocasionando atrasos ou até mesmo a suspensão do torneio. “Em qualquer cenário analisado, seja via mandado de segurança ou ação declaratória, haverá os requisitos para o pedido de liminar para a suspensão do sistema de ranking, e a tendência é que essa liminar seja apreciada de forma bastante célere”, declarou.

Oito das nove atletas classificadas como sete pontos foram à Justiça contra a CBV: Thaisa, Sheilla, Dani Lins, Jaqueline, Natália, Fabiana, Gabi e Fernanda Garay. Apenas Tandara ficou de fora da ação por julgar que era uma medida extrema para o momento, mas a ponteira do Vôlei Nestlé já manifestou publicamente seu apoio às colegas.


Sarah Pavan relembra rivalidade no Brasil: “Adorava enfrentar Osasco”
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Sidrônio Henrique

A atacante canadense foi destaque na equipe carioca: “Eu aprendi tanto jogando no Brasil” (foto: CBV)

Bicampeã da Superliga pela Unilever (hoje Rexona-Sesc), a oposta canadense Sarah Pavan deixou saudade entre os fãs do time carioca. Ao lado da ponteira Natália Zilio, ela liderou o time de Bernardinho numa virada histórica na decisão da Superliga 2012/2013 sobre o arquirrival Osasco (na época Sollys/Nestlé, atual Vôlei Nestlé), depois de estar perdendo por 0-2, em pleno ginásio do Ibirapuera, São Paulo. Sarah terminou aquela final com 22 pontos, mesma quantidade feita por Natália, num jogo que ficou marcado na memória de ambas as torcidas. “Adorava enfrentar Osasco”, contou ao Saída de Rede a veterana atacante de 30 anos.

Bernardinho foi uma referência em sua carreira. “Eu tive a sorte de ter tido a chance de aprender por duas temporadas sob o comando de um dos maiores técnicos de todos os tempos”, disse a oposta canhota, que antes de chegar aqui havia atuado três temporadas na Itália e uma na Coreia do Sul. “Sempre penso em voltar a jogar no Brasil”.

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Ainda ganharia mais um título na Superliga 2013/2014, numa final diante do Sesi. Depois, com foco no vôlei de praia, fechou contratos indoor na Ásia, onde os campeonatos são mais curtos.

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Voltou à Coreia do Sul, jogando pelo Caltex Seoul no período 2014/2015 – ficou em quinto lugar no nacional. Nas duas últimas temporadas defendeu o Shanghai Lansheng, da rica e breve liga chinesa – terminou em terceiro lugar no ano passado e em quinto neste.

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Na praia, o que deveria ser o ápice de uma parceria de quatro anos com Heather Bansley terminou em decepção na arena montada em Copacabana para a Rio 2016, quando foram eliminadas nas quartas de final. “Não há motivo para jogar se não for para vencer. Eu fiquei extremamente chateada. Acho que nós éramos boas o suficiente para conquistar uma medalha no Rio”, lamentou a atleta, uma das principais bloqueadoras do circuito mundial, com seu 1,96m.

Veja a entrevista exclusiva que Sarah Pavan concedeu ao SdR:

Oposta Sarah Pavan jogou duas temporadas na Superliga (CBV)

Saída de Rede – Como tem sido jogar na liga chinesa? Quais as principais diferenças, além da curta duração, em relação à Superliga ou outros campeonatos nos quais você jogou?
Sarah Pavan – Encerrei minha segunda temporada pelo Shanghai e realmente tenho curtido muito jogar lá. A China é uma potência no vôlei feminino, então há várias equipes muito fortes na liga. Tem sido um desafio e tanto, além de ser divertido viver num país e numa cultura únicos. O estilo de vida chinês e o formato da liga deles são muito diferentes de qualquer outro lugar em que eu tenha vivido ou qualquer campeonato que eu tenha disputado. O nível é muito bom. Geralmente, os times jogam com muita velocidade no ataque, apoiados numa defesa sólida.

Parceria de quatro anos com Heather Bansley na praia terminou em decepção na Rio 2016 (FIVB)

Saída de Rede – Depois da eliminação da sua dupla de vôlei de praia na Rio 2016, você escreveu sobre o quanto estava abatida. O que deu errado na Olimpíada?
Sarah Pavan – Para mim, não há motivo para jogar se não for para vencer. Eu fiquei extremamente chateada. Dediquei quatro anos da minha vida me preparando para ganhar uma medalha na Rio 2016 e isso não aconteceu. Ainda penso nisso o tempo todo. Nós (ela e sua antiga parceira, Heather Bansley) enfrentamos a dupla (Laura) Ludwig/(Kira) Walkenhorst (alemãs que as eliminaram nas quartas de final e seguiram rumo ao ouro) tantas vezes durante quatro anos e só havíamos perdido uma vez para elas antes desse confronto na Olimpíada. Nós tínhamos a expectativa de jogar bem, conhecíamos as adversárias, mas infelizmente naquele dia jogamos abaixo do nosso nível habitual (perderam por um duplo 14-21). Eu realmente acho que nós éramos boas o suficiente para conquistar uma medalha no Rio.

Saída de Rede – Você decidiu mudar de parceira depois da Rio 2016 e agora vai jogar com Melissa Humana-Paredes. Por quê? Quais os seus planos no vôlei de praia?
Sarah Pavan – Decidi mudar de parceira depois do Rio porque senti que Heather e eu havíamos esgotado nosso potencial juntas e eu já não nos via fazendo progresso, se desenvolvendo. Eu jogo para vencer e nós nunca havíamos vencido um torneio juntas, apesar de estarmos no top 5 do ranking mundial. Eu senti que recomeçar, ter ao lado uma pessoa nova, era a melhor opção para o meu futuro na praia. Eu planejo jogar na areia por pelo menos mais quatro anos e, se tudo der certo, representar o Canadá em Tóquio 2020.

Sarah foi a melhor bloqueadora do circuito mundial de vôlei de praia em 2015 (FIVB)

Saída de Rede – O vôlei de praia continua sendo sua prioridade?
Sarah Pavan – Não diria que o vôlei de praia é a minha prioridade. Veja, eu tenho fechado contratos nas principais ligas no voleibol indoor e encaro meu trabalho na quadra com muita seriedade. Eu me empenho nas duas modalidades e vou continuar sendo assim.

Saída de Rede – Você chegou a disputar o Mundial 2010 pela seleção canadense. Quais suas melhores lembranças do indoor jogando na seleção?
Sarah Pavan – A melhor lembrança que eu tenho da seleção canadense foi ter podido jogar com a minha irmã (Rebecca Pavan, central, que este ano migrou para o vôlei de praia). Ela é quatro anos mais nova do que eu e nós nunca havíamos jogado juntas. Então, em 2012, nós estávamos juntas na seleção. Foi muito legal poder dividir aquele momento com ela.

A atacante foi só elogios ao técnico Bernardinho (CBV)

Saída de Rede – Aqui no Brasil você deixou muitos fãs, especialmente, claro, na torcida do Rexona, seu ex-clube (na época Unilever). Já teve alguma proposta para voltar a jogar na Superliga?
Sarah Pavan – Eu sempre penso em voltar a jogar no Brasil, gostei demais das duas temporadas que passei aí, tenho imenso respeito e admiração pela Superliga e pelas jogadoras brasileiras. Os fãs eram simplesmente maravilhosos, eu me sentia em casa. Infelizmente, não recebi ofertas do Brasil desde que saí do Rio de Janeiro. Como eu estava focada na Olimpíada, eu queria contratos mais curtos para poder treinar um pouco mais na praia, então ir para a Ásia foi a melhor opção para mim naquele momento.

Saída de Rede – O que você aprendeu nas duas temporadas que jogou no Brasil? Como foi ser treinada pelo Bernardinho?
Sarah Pavan – Eu aprendi tanto jogando no Brasil. Eu adorava a atmosfera que o Bernardinho criava durante os treinamentos, me vi forçada a crescer como jogadora, tanto física quanto mentalmente, para poder competir entre as atletas de alto nível que a Superliga tem. Outro ponto importante é que, com o Bernardinho, eu aprendi muito no processo de preparação para uma partida. Ele faz uma análise tão minuciosa, tão inteligente, era fantástico ter a possibilidade de aprender detalhes muito específicos de um planejamento sendo atleta dele. Eu tive a sorte de ter tido a chance de aprender treinando por duas temporadas sob o comando de um dos maiores técnicos de todos os tempos.

“Osasco lutava, era fantástico jogar contra elas” (CBV)

Saída de Rede – E a rivalidade com o time de Osasco, como você encarava os confrontos com o arquirrival da sua equipe brasileira?
Sarah Pavan – Eu adorava enfrentar Osasco, gosto muito de uma grande rivalidade. Aquela atmosfera envolvendo os confrontos entre Rio e Osasco mobilizava as jogadoras, os técnicos… Os fãs ficavam super animados. É sempre muito bom ver duas equipes fortes se enfrentando, as partidas entre esses dois times quase sempre iam para o tie break. Osasco lutava muito, era fantástico jogar contra elas.


Champions League: Fenerbahçe, de Natália, complica a vida do time de Thaisa
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João Batista Junior

Fenerbahçe comemora vitória em jogo duro contra Eczacibasi (foto: Fenerbahçe)

O Fenerbahçe largou em vantagem contra o Eczacibasi VitrA, nos playoffs de 6 da Liga dos Campeões feminina. Nesta quinta-feira, em Istambul, o time da ponteira Natália venceu atuais campeãs mundiais por 3 sets a 2 (16-25, 25-22, 25-19, 21-25, 15-12) e está a uma vitória por qualquer placar, no jogo 2, para garantir presença no Final Four. À equipe da central Thaisa, restam duas possibilidades: conquistar uma vitória de três pontos (por 3 a 0 ou 3 a 1) para ficar com a vaga nas semifinais ou devolver a derrota por 3 a 2 e levar a disputa para o Golden Set.

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Foi o quarto jogo entre as duas equipes na temporada e a terceira vitória consecutiva do Fenerbahçe – que também levou a melhor nas semifinais da Copa da Turquia e no duelo returno da liga turca.

O Eczacibasi não precisa de malabarismo matemático para voltar às finais da Champions League – campeão em 2015, foi eliminado pelo VakifBank no ano passado, ainda nos playoffs de 12. Mas, predicados do Fenerbahçe à parte, será decepcionante se um clube com um elenco como esse (com Thaisa, Rachael Adams, Jordan Larson, Kosheleva, Boskovic, Ognjenovic) cair tão cedo na competição continental, ainda mais colecionando derrotas para equipes conterrâneas (perdeu duas vezes para o VakifBank na fase de grupos).

“Tem sido difícil, mas era o certo”, diz Bernardinho sobre saída da seleção

Thaisa (6) e Kosheleva no bloqueio, Natália no ataque: vantagem da ponteira do Fenerbahçe (CEV)

Com 22 pontos, Natália empatou com a craque sul-coreana Kim Yeon Koung como maior anotadora do Fenerbahçe. A pontuadora máxima do jogo, apesar do revés no placar, foi a oposta sérvia Tijana Boskovic, com 24 acertos – e 51% de aproveitamento no ataque. A meio de rede Thaisa, com oito pontos no total, teve atuação apagada no ataque: em 12 tentativas, a brasileira pontuou três vezes, errou quatro e sofreu um ponto de bloqueio.

O jogo da volta será no próximo dia 4, também em Istambul. Quem vencer essa série encara, nas semifinais, o ganhador do confronto entre Volero Zürich e VakifBank, que também se enfrentaram nesta quinta-feira, na Suíça.

O time da casa até saiu na frente do marcador, mas sucumbiu diante de uma ótima atuação da oposta holandesa Lonneke Slöetjes e perdeu por 3 sets a 1 (15-25, 25-20, 25-17, 25-21).

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Zivkovic enfrentou o VakifBank no lugar de Fabíola (CEV)

A oposta ucraniana do time suíço, Olesia Rykhliuk, teve uma pontuação elevada (24 anotações), mas não superou os 26 pontos de Slöetjes, que teve ainda 62% de aproveitamento nas cortadas. A ponteira brasileira Mari Paraíba, do Volero, entrou no decorrer do terceiro e quarto sets para sacar e ficar no fundo de quadra – saiu sem pontos marcados. Fabíola, levantadora titular da equipe de Zurique, lesionou o joelho antes da partida e não atuou no confronto – a sérvia Zivkovic jogou em seu lugar.

O jogo 2, em Istambul, será no dia 5 de abril e bastam dois sets ao VakifBank, atual vice-campeão europeu, para chegar ao Final Four.

No outro duelo dessa fase, o Dínamo Moscou venceu o Liu Jo Nordmeccanica Modena, na Itália, por 3 a 0 (25-22, 25-13, 25-13) e está, matematicamente, na mesma situação do VakifBank para o jogo da volta, dia 5, na Rússia.

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Muserskiy no bloqueio contra o Zaksa: classificação russa

MASCULINO
O Belogorie Belgorod, da Rússia, repetiu nesta semana o placar de 3 a 1 (parciais de 25-22, 20-25, 26-24, 25-21) sobre o Zaksa Kedzierzyn-Kozle e se classificou aos playoffs de 6 da Champions League masculina. O levantador brasileiro Marlon, contundido, desfalcou o Belgorod.

O resultado está longe de ser considerado “zebra”, dada a tradição do tricampeão europeu Belgorod, mas chama a atenção a facilidade com que o quarto colocado da liga russa eliminou o líder da PlusLiga (o campeonato polonês). O central Dmitry Muserskiy foi o maior anotador da equipe visitante, com 14 acertos e 67% de aproveitamento no ataque.

Enquanto Osasco espera adversário, Rio x Minas é promessa de jogão

Na próxima fase, o Belogorie Belgorod faz um duelo russo com o Zenit Kazan. Os atuais bicampeões europeus venceram o Arkas Spor Izmir, dos ponteiros brasileiros Mauricio Borges e João Paulo Bravo, por 3 a 0 nas duas partidas. O jogo 1 ainda não tem data marcada, mas será entre os dias 4 e 6 de abril.


Companheiras na seleção, Thaisa e Natália se enfrentam na Liga dos Campeões
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João Batista Junior

Thaisa (6) e Natália (12) pela seleção: lados opostos na Champions (foto: FIVB)

Quando a temporada de clubes começou, o Eczacibasi VitrA, da central Thaisa, conquistou o título mundial de clubes nas Filipinas com um elenco recém-montado, que bem poderia fazer frente às principais seleções em atividade no vôlei feminino. O Fenerbahçe, da ponteira Natália, também havia se reforçado e manteve no plantel a craque sul-coreana Kim Yeon Koung, mas parecia que ia ter dificuldade para acompanhar o VakifBank e o próprio Eczacibasi.

Campeão mundial, Eczacibasi tem oscilado na temporada (CEV)

Contudo, as duas brasileiras – que disputaram Olimpíadas e Mundiais pela seleção e já atuaram tanto no Osasco quanto no Rexona – vão se encontrar na quinta-feira, pela primeira rodada dos playoffs de 6 da Liga dos Campeões feminina, numa situação bem diferente daquela de alguns meses atrás.

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De um lado, o time de Thaisa têm tido problemas na liga turca (muito por conta do regulamento, que só permite a uma equipe utilizar até três estrangeiras por vez na partida) e, na Champions League, foi batido duas vezes pelo VakifBank.

Kim (10) observa ataque de Natália (CEV)

Do outro lado, o sexteto de Natália, que só perdeu um set no torneio continental, conquistou a Copa da Turquia vencendo o VakifBank na decisão e tem se dado bem contra o Eczacibasi: depois de perder o primeiro duelo, na longínqua terceira rodada do nacional, o Fenerbahçe superou o rival nos outros dois encontros – em janeiro, nas semifinais da copa do país, e em fevereiro, no returno da liga.

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É claro que quando a bola subir, histórico e retrospecto ficarão à parte, e uma equipe com Thaisa, Kosheleva, Jordan Larson, Boskovic, Rachael Adams e Ognjenovic deve ser respeitada – senão, temida. Mas, pelo crescimento no decorrer da temporada, o Fenerbahçe, de Natália e Kim Yeon Koung, parece estar em ligeira vantagem. O site Laola.tv transmite a partida ao vivo.

FABÍOLA E MARI PARAÍBA
Líder na liga turca, o VakifBank, da MVP olímpica Ting Zhu, vai ter pela frente, também na quinta-feira, pelos playoffs de 6 da Champions League, o Volero Zürich, das brasileiras Fabíola, levantadora titular, e Mari Paraíba, ponteira reserva. A partida também será transmitida pelo Laola. Embora a equipe da Turquia seja favorita, não dá para dizer que o time suíço seja perdedor de véspera.

Fabíola no levantamento contra o VakifBank, no Mundial de Clubes (FIVB)

Os dois se enfrentaram duas vezes na temporada, ambas no Mundial de Clubes, em outubro, com uma vitória para cada lado: a do Zürich, na primeira fase, e a do VakifBank, na disputa da medalha de bronze. Na fase de grupos do europeu, as turcas venceram todas as partidas que disputaram e as suíças perderam duas vezes – a ressalva é que os reveses foram em tie breaks, contra o Dínamo Moscou, dono da melhor campanha da superliga russa.

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Além de Zhu, o elenco do VakiBank conta com a oposta holandesa Lonneke Slöetjes, a central sérvia Milena Rasic, a ponta norte-americana Kimberly Hill. Já no time das brasileiras, jogam a cubana Kenia Carceses, ex-Osasco, a meio de rede norte-americana Foluke Akinradewo, a oposta ucraniana Olesia Rykhliuk, a ponta azeri Mammadova. A exemplo do confronto entre Eczacibasi VitrA e Fenerbahçe, trata-se de um duelo de duas legiões estrangeiras e nenhum resultado – embora haja um favorito – pode ser considerado zebra.

Os playoffs de 6 da Liga dos Campeões feminina começam na quarta-feira, com uma partida entre Liu Jo Nordmeccanica Modena e Dínamo Moscou, na Itália. Os jogos da volta serão disputados nos dias 4 e 5 de abril. As três equipes vencedoras das séries se juntarão ao Imoco Volley Conegliano, nos dias 22 e 23 de abril, para a disputa do Final Four da competição, em Treviso (Itália).


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Memória: cinco jogos inesquecíveis no sessentão Ibirapuera
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João Batista Junior

Um dos grandes palcos do vôlei brasileiro, o Ibirapuera completa 60 anos (foto: FIVB)

Um dos grandes palcos do vôlei brasileiro, o Ibirapuera completa 60 anos (foto: FIVB)

Se a cidade de São Paulo completa 463 anos nesta quarta-feira, o Ginásio Estadual Geraldo José de Almeida também faz aniversário. Inaugurado em 25 de janeiro de 1957, o Ginásio do Ibirapuera, como é mais conhecido, completa 60 anos, tendo no histórico uma respeitável lista de grandes eventos esportivos. Foi um dos locais de competição dos Jogos Pan-Americanos de 1963, abrigou nada menos que três decisões de mundiais femininos de basquete (1971, 1983 e 2006), foi a sede principal do único campeonato mundial adulto de handebol já disputado no continente americano (o feminino de 2011).

A história do voleibol brasileiro também passa pelo Ibirapuera, e o Saída de Rede relembra cinco grandes jogos disputados no ginásio.

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Isabel foi um dos destaques da seleção brasileira no Mundialito de 1982

Isabel foi um dos destaques da seleção brasileira no Mundialito de 1982

Mundialito de 1982: Brasil vs. Coreia do Sul

Quinto set, a seleção feminina da Coreia do Sul vencia o Brasil por 14-8… Mesmo numa época em que ainda havia a vantagem, ou seja, era preciso ter o saque para marcar um ponto, parecia que a partida, válida pelo Mundialito, estava definida em favor das asiáticas. Numa reação incrível, que levou à loucura os mais de 20 mil torcedores presentes ao ginásio do Ibirapuera, o Brasil marcou oito pontos seguidos, fechou o set em 16-14 e a partida por 3-2, numa atuação memorável da ponteira Isabel Salgado, então com 22 anos.

Era o final de agosto de 1982 e dali a duas semanas teria início o Mundial feminino, no Peru. Como ocorre na preparação para grandes torneios, as seleções faziam seus últimos ajustes antes da principal competição da temporada. Foi no ginásio do Ibirapuera que Brasil, Japão, União Soviética, Coreia do Sul, Argentina e um combinado paulista (substituindo o México) participaram do Mundialito, competição amistosa transmitida pela TV Record, com narração de Luciano do Valle, que catapultou à fama Isabel, Vera Mossa e Jacqueline.

Londres 2012: Brasil não pode reivindicar medalha antes de punição à Rússia

O Brasil terminou o torneio em segundo lugar, atrás do Japão. Aliás, a vitória sobre a URSS, de virada, por 3-2, foi outro jogo memorável. Pena que no Mundial o time tenha ficado apenas em um modesto oitavo lugar, mas aquelas partidas no Ibirapuera até hoje são lembradas por quem viveu a época.

Nove vezes campeã da Liga Mundial, a seleção brasileira levantou seu primeiro título no Ibirapuera, em 1993 (foto: reprodução/internet)

Nove vezes campeã da Liga Mundial, a seleção brasileira levantou seu primeiro título no Ibirapuera, em 1993 (foto: reprodução/internet)

Liga Mundial de 1993: Brasil vs. Itália

Quando Brasil e Itália se enfrentaram em 1993, no Ibirapuera, pelas semifinais da Liga Mundial, o jogo tinha um interesse incomum para as edições atuais do torneio. Para a seleção brasileira, a partida tinha sabor de revanche, já que a Itália, de Giani, Gardini, Tofoli, Zorzi, Cantagalli, Luchetta, havia sido campeã mundial no Rio, em 1990, eliminando o time verde e amarelo também nas semifinais. Para a Azzurra, do outro lado da rede, o duelo era um tira-teima, pois, em Barcelona 1992, a equipe caíra para a Holanda nas quartas de final e não pôde evitar que o ouro ficasse com a seleção comandada por José Roberto Guimarães.

Quando a bola subiu, na tarde daquela sexta-feira, 30 de julho, prevaleceu o voleibol de quem tinha a torcida a seu favor, de quem só havia perdido um set em dez jogos disputados em casa na competição, de quem desfrutava das combinações de ataque orquestradas pelo levantador Maurício.

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Com um inapelável 3 a 0 (15-11, 15-11, 15-9), o Brasil se credenciou para jogar a final e decretou que o troféu daquela Liga Mundial não iria para a coleção italiana – aliás, entre 1990 e 1995, foi a única edição do torneio não conquistada pela Itália. Na decisão, no dia seguinte, o Brasil emplacou um novo 3 a 0 – dessa vez, sobre a Rússia – e manteve a aura campeã daquele time.

Cuba, de Mireya Luis, frustrou a torcida brasileira no Mundial de 1994 (foto: reprodução/internet)

Cuba, de Mireya Luis, frustrou a torcida brasileira no Mundial de 1994 (foto: reprodução/internet)

Campeonato Mundial feminino de 1994: Brasil vs. Cuba

A década de 1990 mudou radicalmente o patamar da seleção brasileira feminina de vôlei. Quem antes sonhava superar o Peru nas competições continentais passou a frequentar o pódio dos principais torneios mundo afora, com força o bastante para bater potências como EUA, Rússia, Japão e China, e com argumento suficiente para tentar contestar a hegemonia cubana. O ponto chave dessa virada foi em 1994.

Naquele ano, o primeiro sob o comando de Bernardinho, o time de Ana Moser, Márcia Fú, Hilma, Fernanda Venturini se sagrou vencedor do Grand Prix e passou a acreditar que, sim, era possível conquistar, em casa, um título mundial.

Depois de uma campanha invicta e uma semifinal infartante contra a Rússia, o Brasil tinha Cuba pela frente. Mais do que a final do campeonato mundial de 1994, estava em quadra uma rivalidade que marcaria a década.

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As cubanas, como lembrariam mais tarde as jogadoras brasileiras, entraram para aquecer no Ibirapuera com bobes no cabelo, dando a impressão de que a partida era apenas um compromisso a mais antes da festa. E, no jogo, foi exatamente o que aconteceu.

Um tanto nervoso pela final inédita, um tanto cansado pelos cinco sets disputados na véspera, o time da casa não ofereceu resistência à equipe de Carvajal, Mireya Luis, Regla Torres. O público paulistano viu Cuba aplicar um sonoro 3 a 0 (15-2, 15-10, 15-5) e levantar o título sem perder um set, sequer, em todo o campeonato.

Natália: 28 pontos pelo Osasco, na final da Superliga 2009/10 (divulgação)

Natália: 28 pontos pelo Osasco, na final da Superliga 2009/10 (divulgação)

Superliga feminina 2009/2010 – Sollys/Osasco vs. Unilever

A final da Superliga em jogo único foi Instituída na temporada 2007/2008, mas só em 2010 o Ibirapuera recebeu a primeira decisão nesses moldes. O jogo era um óbvio Sollys/Osasco vs. Unilever. Àquela altura, era a sexta final consecutiva entre as duas equipes e as cariocas buscavam o quinto título seguido.

Depois de uma apertada vitória na primeira parcial, as osasquenses viram as visitantes virarem para 2 a 1. Contudo, depois de um começo meio devagar, Natália, que jogava de oposta no clube e ponteira na seleção, levou um (célebre) cartão amarelo na reta final do terceiro set e, subitamente, cresceu no jogo e mudou o rumo da final.

Jaqueline acabou eleita a melhor jogadora da partida, mas os 28 pontos assinalados por Natália, na vitória do Osasco sacramentada em 3 a 2 (25-23, 18-25, 19-25, 25-13, 15-12), se tornaram uma marca ainda não igualada nas decisões de Superliga feminina que se seguiram.

Unilever comemora título nacional da temporada 2012/13 (Alexandre Arruda/CBV)

Unilever comemora título nacional da temporada 2012/13 (Alexandre Arruda/CBV)

Superliga feminina 2012/2013 – Unilever vs. Sollys/Osasco

Havia dois bons motivos para que a nona final consecutiva de Superliga feminina entre Unilever e Sollys/Osasco tivesse gosto de revanche para as cariocas. Não bastasse a partida final da temporada 2012/2013 ser no mesmo Ibirapuera da decisão de três anos antes, as osasquenses haviam sido campeãs, em 2012, com um acachapante 3 a 0 dentro do Maracanãzinho!

Na manhã daquele domingo, 7 de abril de 2013, parecia que as atletas da Unilver haviam perdido a hora. O time visitante demorou para acordar no jogo e quando deu por si, o placar marcava 2 a 0 para as paulistas. Contudo, com a canadense Sarah Pavan na saída de rede, Natália na entrada e Fofão no levantamento, a equipe dirigida pelo técnico Bernardinho tinha meios para reverter a situação e assim o fez.

A Unilever venceu por 3 sets a 2 (22-25, 19-25, 25-20, 25-15, 15-9) e levantou o troféu da Superliga pela oitava vez.

Depois desse jogo, o time do Rio de Janeiro permaneceu assíduo frequentador das decisões nacionais e venceu todas elas, ao passo que a equipe de Osasco só chegou à partida final uma vez – em 2015 (o Sesi foi o vice-campeão em 2014 e o Praia, em 2016). E desde então, o Ibirapuera não recebeu nenhuma outra final de Superliga feminina ou masculina.

Colaborou Sidrônio Henrique


Pupilo de Bernardinho, Anderson mira semifinal com o Brasília Vôlei
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Sidrônio Henrique

Anderson encara primeira temporada como técnico na Superliga (foto: Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV)

O time, diz ele, foi montado para ficar ali pelo quinto ou sexto lugar. Porém, dependendo dos resultados da última rodada do primeiro turno da Superliga 2016/2017, pode terminar esta fase até em terceiro – já esteve na vice-liderança. Anderson Rodrigues, 42 anos, encara sua primeira temporada como técnico na competição mais importante do vôlei brasileiro à frente do Terracap/BRB/Brasília Vôlei. Depois de quatro anos como assistente no Camponesa/Minas, revezando-se como treinador da seleção brasileira militar feminina, o ex-oposto diz que está “quebrando a cabeça”, mas sente que está preparado.

O bom desempenho da equipe, mesmo com algumas oscilações, o leva a pensar no voo mais alto da história de um clube novo, com orçamento bem abaixo dos favoritos, que fez sua estreia na Superliga há quatro anos e que ainda não passou das quartas de final. “Queremos ir o mais longe possível, chegar à semifinal seria muito importante”, afirma. O próximo desafio, fechando o primeiro turno, será nesta quarta-feira (21), em casa, às 20 horas (horário de Brasília), diante do São Cristóvão Saúde/São Caetano, décimo colocado entre os doze participantes.

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Consta também no currículo de Anderson a participação na comissão técnica da seleção masculina nas duas últimas temporadas, sob o comando de Bernardinho – o que inclui, claro, o ouro na Rio 2016. “Ele (Bernardo) acompanhava meu trabalho com a seleção militar feminina. Eu quis fazer um estágio com ele, depois ele me convidou para continuar. Trabalhar com o melhor é muito bom. Queria ter ao menos metade da competência dele”, comenta sobre o técnico bicampeão olímpico e tri mundial, a quem trata como um mentor. “Fico pensando no quê ele não me influenciou”.

O treinador do Brasília Vôlei ficou conhecido na década passada por ter feito parte da geração mais vitoriosa do Brasil – entre suas conquistas como jogador estão um ouro e uma prata olímpicas, dois títulos do Campeonato Mundial e dois da Copa do Mundo. A transição para a função de técnico representou um desafio. “A maior dificuldade que se enfrenta quando se deixa de ser atleta para virar treinador é fazer com que os atletas passem a te enxergar de outra forma, não te vejam como um ex-jogador. Hoje eu acredito que elas me veem como o Anderson técnico, não o jogador”.

Confira a entrevista que Anderson Rodrigues concedeu ao SdR:

Saída de Rede – Como avalia sua primeira experiência como técnico na Superliga, depois de ter treinado a seleção militar feminina e de ter sido assistente no Camponesa/Minas?
Anderson Rodrigues – Acho que tive uma boa base como assistente por quatro anos no Minas e também como técnico da seleção militar feminina. Cara, está sendo show… Tô quebrando a cabeça, mas faz parte. Me preparei para isso durante quatro anos.

Saída de Rede – Qual o maior desafio nessa transição da função de assistente para técnico, passando a ter o controle sobre uma equipe?
Anderson Rodrigues – A maior dificuldade que se enfrenta quando se deixa de ser atleta para virar treinador é fazer com que os atletas passem a te enxergar de outra forma, não te vejam como um ex-jogador. Esse é o maior desafio. Hoje eu acredito que elas me veem como o Anderson técnico, não o jogador. O meu trabalho com a seleção militar, como assistente no Minas ajudou nisso.

Brasília pode terminar o turno em terceiro lugar (foto: Ricardo Botelho/Inovafoto/CBV)

Saída de Rede – Qual o seu objetivo com a equipe do Brasília Vôlei?
Anderson Rodrigues – Queremos ir o mais longe possível, chegar à semifinal seria muito importante. Se você for olhar no papel, esse time foi montado para ser quinto ou sexto colocado, mas podemos ficar entre os quatro primeiros. Gostaria muito de manter essa campanha no returno, para, se chegarmos à semifinal, termos um adversário mais acessível.

Saída de Rede – Você pensa em ir além do quarto lugar para não ter, talvez, que cruzar com o Rexona-Sesc numa eventual semifinal?
Anderson Rodrigues – Isso. Mas a semifinal já seria muito difícil, seja lá quem for o adversário. Aliás, acho a tensão que envolve a semifinal, por ser em melhor de cinco jogos, maior do que a final, que é disputada em jogo único, onde entraríamos como franco-atiradores. Se numa final o saque entra bem, temos uma chance… A semifinal é bem mais complicada, temos que manter o nível em alta por mais tempo.

Saída de Rede – O Brasília Vôlei teve uma boa sequência de vitórias, inclusive sobre o Vôlei Nestlé e o Dentil/Praia Clube, mas perdeu para o Rio do Sul no início do torneio e mais recentemente para o Genter Vôlei Bauru. Ainda que o Bauru tenha uma equipe forte e em ascensão, vocês foram mal na partida. O time ainda está oscilando. Qual a maior limitação do Brasília Vôlei?
Anderson Rodrigues – Temos que melhorar na parte física, pois mexemos muito pouco no time, utilizamos quase sempre as mesmas jogadoras. Estamos chegando agora ao final do primeiro turno, mesmo esta Superliga sendo mais espaçada, com intervalos maiores entre as partidas, e estamos sofrendo um pouco na parte física.

Saída de Rede – Você está falando do desgaste das titulares. Mas e as reservas, falta experiência a elas?
Anderson Rodrigues – A maioria é inexperiente. Temos a Mari Helen (ponta), que tem experiência, mas está contundida. A Sabrina (ponta) está se recuperando do ombro, está voltando agora. Essas são jogadoras que vão compor ali, pois as outras são muito jovens.

Anderson orienta o time durante pedido de tempo (foto: Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV)

Saída de Rede – Na saída de rede, a Andreia poderia render mais, na sua avaliação? Qual era a sua expectativa em relação a ela quando montou o time?
Anderson Rodrigues – As pessoas falam muito da Andreia, mas meio que lembrando apenas dos dois últimos jogos. Nos primeiros, lá atrás, que ela pontuou, o que ela fez ficou esquecido. É lógico que hoje em dia num time uma oposta faz muita falta, mas ela está suprindo essa necessidade de outra maneira, com maturidade, ela é uma líder dentro de quadra. A Andreia é uma menina que nos dá muito volume, bloqueio, saca muito bem. Não tem pontuado tanto no ataque, mas tem feito a diferença em outros aspectos.

Saída de Rede – Ela compensaria a pontuação baixa também com poucos erros? Há casos de atacantes com pouca visão de jogo que marcam muito, mas erram bastante também, às vezes deixando a quadra com saldo negativo. Você vê a Andreia como uma jogadora equilibrada?
Anderson Rodrigues – Sim, ela joga numa linha tênue que pra gente é interessante, mas teria que pontuar um pouco mais. Vamos crescer dentro da competição, é uma coisa que vai acontecer.

Saída de Rede – Você considera a Macris uma levantadora arrojada, que arrisca bastante?
Anderson Rodrigues – Arrisca bastante, em certos momentos até demais. (risos)

Saída de Rede – Você é conservador nesse sentido?
Anderson Rodrigues – Em algumas coisas, sim. Não posso ser voltado o tempo todo para o risco. Olha, mesmo em outras situações precisamos ter cuidado.

Saída de Rede – Por exemplo?
Anderson Rodrigues – Bolas altas. Não tenho alguém que defina o tempo todo com bolas altas. Eu tenho a Paula, mas ela não é essa jogadora que define o tempo todo. Se deu algum problema, joga a bola na ponta que ela vai se virar, não é assim… O Rexona fazia isso no ano passado. O Bernardinho colocava o time para arriscar. Acelerava, acelerava… Não deu? Era bolão pra Natália na ponta, ela vinha com tudo. Nós temos que jogar acelerado, mas um jogo bem coeso, fazendo as centrais jogarem mais. Trabalhar a bola com a Andreia na saída. Bola acelerada na ponta com a Amanda e a Paula.

Ao lado de Bernardinho, na seleção (foto: Alexandre Arruda/CBV)

Saída de Rede – A Superliga chegou à última rodada do primeiro turno e só falta vocês enfrentarem o São Caetano. O que você está achando do nível do torneio?
Anderson Rodrigues – Eu acho que os times que, no papel, são candidatos ao título ainda estão errando muito.

Saída de Rede – Você quer dizer os três favoritos: Rexona, Vôlei Nestlé e Praia Clube?
Anderson Rodrigues – Sim, nessa etapa do campeonato eu acreditava que eles estariam um pouco mais distantes na tabela. Pode ser que seja por causa de lesões, não vou entrar nesse mérito porque não vivo o dia a dia deles, mas pelo número de erros que vemos nas sessões de vídeo, ainda erram muito.

Saída de Rede – No caso do Rexona, a equipe chegou a 28 pontos de 30 possíveis. Isso não é muito?
Anderson Rodrigues – Mas ainda continua errando demais. É um time que errava menos.

Saída de Rede – Como é que tem sido trabalhar como um dos assistentes do Bernardinho nesses últimos dois anos? Como foi que ele te chamou para integrar a comissão técnica?
Anderson Rodrigues – Ele acompanhava meu trabalho com a seleção militar feminina. Eu quis fazer um estágio com ele, fiquei lá um tempo, depois ele me convidou para continuar. Cara, trabalhar com o melhor é muito bom, né. Na minha opinião, ele é o melhor.

Saída de Rede – O quanto ele te influenciou na carreira de técnico?
Anderson Rodrigues – Fico pensando no quê ele não me influenciou… Só não quero ser é extremamente nervoso como ele. (risos) Queria ter ao menos metade da competência dele.


Liga dos campeões começa bem para as brasileiras
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João Batista Junior

Fabíola (centro) se deu bem no duelo contra seu ex-clube (fotos: CEV)

Fabíola (centro) se deu bem no duelo contra seu ex-clube (fotos: CEV)

Com 16 clubes em ação, a fase de grupos da Liga dos Campeões feminina da Europa começou esta semana. Das quatro equipes que contam com brasileiras na competição, três terminaram a rodada com vitória. O destaque foi a vitória do Volero Zürich, da levantadora Fabíola e da ponta Mari Paraíba, na Rússia, contra o Dínamo Krasnodar.

Atual campeão da Copa CEV (segundo mais importante torneio europeu de clubes), o time russo perdeu diante de sua torcida para o Volero por 3 sets a 1 (25-15, 25-21, 25-27, 25-18). A oposta ucraniana Olesia Rykhliuk marcou 23 pontos e foi a maior anotadora da equipe suíça e da partida.

Fabíola atuou no Dínamo Krasnodar na temporada 2014/15. Por conta de uma crise financeira no clube, ela deixou o vôlei russo no começo da temporada passada e foi para o Volero Zürich. Titular, a levantadora marcou dois pontos – um no ataque, outro de bloqueio. A outra brasileira do Volero, a ponteira Mari Paraíba, não atuou.

Samara (4): 13 pontos na derrota em Moscou

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VOLEI ALBA-BLAJ
Além de Dínamo Krasnodar e Volero Zürich, estão no grupo B da competição o Dínamo Moscou e o Volei Alba-Blaj, da Romênia, time em que joga a ponteira Samara – que defendeu o Camponesa/Minas na última Superliga. A equipe romena até assustou no começo, mas, para as campeãs russas, que têm a oposta Nataliya Goncharova, a virada não tardou.

Em Moscou, o Dínamo venceu por 3 a 1 (23-25, 25-19, 25-21, 25-14). Goncharova anotou 29 pontos e foi a maior pontuadora da rodada, não só da partida. Apesar do revés, Samara teve uma boa performance no jogo. Com 13 pontos obtidos, ela foi a segunda anotadora de sua equipe, atrás apenas da meio de rede Nneka Onyejekwe, com 17. De acordo com as estatísticas da CEV, a ponteira brasileira foi a jogadora do time romeno mais visada pelo saque moscovita, efetuando 46 recepções.

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Na Copa dos Campeões, Eczacibasi pode usar força máxima

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ECZACIBASI VITRA
Vindas das fases preliminares da competição, as campeãs mundiais tiveram uma estreia bem confortável na Liga dos Campeões. Pelo grupo D, em Dresden, na Alemanha, o Eczacibasi VitrA, da central Thaisa, atropelou solenemente o Dresdner numa vitória por 3 sets a 0 (25-17 25-11, 25-21).

Como a liga turca não permite que cada equipe tenha mais do que três jogadoras estrangeiras por vez em quadra, o torneio continental é a oportunidade que o clube tem para escalar toda a sua “seleção”.

Thaisa marcou dez pontos, sendo cinco de bloqueio – o que a classificou como quinta melhor jogadora neste fundamento em toda a rodada. A maior pontuadora do Eczacibasi e da partida foi a outra meio de rede do time, a norte-americana Rachael Adams, com 15 acertos.

Natália, Thaisa e Joycinha brilham em rodada do vôlei turco

Natália em ação contra o St. Raphaël

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FENERBAHÇE
Mantendo a craque sul-coreana Kim Yeon Koung no banco (ela chegou a perder três rodadas da liga turca por contusão e só voltou à quadra no último fim de semana), o Fenerbahçe contou com 14 pontos de Natália para bater o St. Raphaël, na França, por 3 sets a 0 (25-23, 25-21, 25-19), pelo grupo C. O detalhe é que a equipe da casa levou larga vantagem nos pontos de bloqueio (10 a 2), mas sofreu 52 de ataque – e só marcou 32 nesse quesito.

Jogando na entrada de rede, a atacante brasileira foi a maior pontuadora da partida e teve aproveitamento de 46% no ataque.