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Arquivo : Naiane

Osasco quer manter Dani Lins, enquanto Minas procura Macris
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Sidrônio Henrique

Dani Lins poderá disputar a quarta temporada seguida no Vôlei Nestlé (foto: João Neto/Fotojump)

Na primeira semana pós-Superliga, os nomes de algumas das principais levantadoras do País têm chamado a atenção nos bastidores. O Vôlei Nestlé quer manter Dani Lins para a próxima temporada. Macris está dividida entre seu atual clube, o Terracap/BRB/Brasília Vôlei, e uma proposta do Camponesa/Minas. Já Naiane pode ir parar no Hinode/Barueri ou até no time da capital federal.

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Dani Lins
O Vôlei Nestlé não pretende abrir mão da campeã olímpica, titular da seleção brasileira. Se topar a renovação para o período 2017/2018, Dani Lins, 32 anos, 1,83m, jogará sua quarta temporada consecutiva no time de Osasco, a nona no total – ela havia defendido a equipe de 2000 a 2005. O Saída de Rede falou com Lins. Ela nos disse que só vai negociar com o Vôlei Nestlé após o Mundial de Clubes, que será disputado de 9 a 14 de maio, em Kobe, no Japão. Há a expectativa de que Dani Lins se retire temporariamente das quadras este ano para engravidar, mas sua saída ainda é incerta.

Macris jogou as duas últimas temporadas no Brasília (CBV)

Macris
Escolhida a melhor levantadora das quatro últimas edições da Superliga, elogiada por diversos treinadores, Macris Carneiro, 28 anos, 1,78m, chegou a receber proposta do Vôlei Nestlé, como o SdR havia informado, mas a possibilidade de ser apenas a reserva de Dani Lins a fez recuar. Macris, que nas duas últimas temporadas jogou pelo Brasília Vôlei, aguarda proposta do seu atual time, que já manifestou interesse na renovação do contrato. A atleta recusou sondagens do Barueri e do Fluminense, mas esta semana recebeu oferta do Minas, que está sendo avaliada.

Naiane: técnico Zé Roberto a quer (Orlando Bento/MTC)

Naiane
Considerada uma das maiores promessas do Brasil no levantamento, tendo treinado com a seleção principal no ano passado, Naiane Rios, 22 anos, 1,80m, vem jogando pelo Camponesa/Minas desde 2014, mas pode ir parar no Hinode/Barueri, do técnico José Roberto Guimarães. A segunda opção no horizonte da jovem levantadora é justamente o Brasília Vôlei. A possível ida de Naiane para a equipe do treinador da seleção brasileira ou para o time do Planalto Central depende da decisão de Macris sobre ir ou não para o Minas.


Pressionado, Bernardinho mostra sua força novamente e semi vai ao 5º jogo
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Carolina Canossa

Assim como aconteceu com Roberta no ano passado, entrada de Drussyla foi fundamental para sobrevivência do Rexona (Foto: Divulgação/CBV)

O roteiro parecia aquele visto na Rio 2016: surpreendido por duas derrotas em casa, Bernardinho coloca em quadra sua equipe diante de um adversário fortíssimo para uma partida de vida ou morte. E, tal qual aconteceu com a seleção brasileira na Olimpíada, o Rexona-Sesc saiu da Arena Minas vivo, após uma vitória consistente por 3 sets a 1. Desta vez, as parciais foram de 25-12, 25-18, 27-29 e 25-23.

Para alegria dos fãs de vôlei, a série melhor de cinco que decide o segundo finalista da edição 2016/2017 da Superliga feminina de vôlei vai ao quinto jogo. Mesmo com altos e baixos ao longo de todo o confronto, Rexona e Camponesa/Minas estão fazendo um duelo de bom nível técnico, com emoções à vontade para os torcedores de ambos os lados. Na sexta (14), às 19h30 na Jeunesse Arena (antiga Arena da Barra, no Rio), veremos quem será o sobrevivente desta batalha.

Veja nossa análise do jogo 3 da série entre Rexona e Minas

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Pressionado pelas duas derrotas sofridas em casa na série, Bernardinho chegou a Belo Horizonte com duas estratégias. A primeira foi apostar em Drussyla, 20 anos, para o lugar da holandesa Anne Buijs no time titular. A segunda foi jogar com extrema agressividade desde o início do jogo, algo que acuou o Minas e levou o placar do primeiro set a impressionantes 13-01. Assustado, o time da casa errava demais e virou presa fácil do ótimo sistema defensivo rival. A etapa inicial foi perdida em um piscar de olhos.

Ainda que não de maneira tão aguda, o segundo set foi um replay da parcial anterior. O Rexona era claramente superior e, com um saque que obrigava a recepção adversária a mandar bolas muito altas para a levantadora rival (primeiro Naiane e depois Karine), chegou à vitória sem ser ameaçado. Parecia que o 3 a 0 viria com tranquilidade, como no primeiro jogo da série. Peças-chave nas boas atuações do Minas nesta temporada, as centrais Carol Gattaz e Mara só faziam número em quadra.

Termômetro do Minas, centrais demoraram a entrar no jogo 4 (Foto: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

O time de Paulo Coco só foi entrar de vez no jogo a partir do terceiro set. O nível do saque do Rexona caiu e Karine pôde começar a usar suas centrais, especialmente Gattaz. Hooker, por sua vez, iniciou um belíssimo duelo com Gabi para ver quem dava a cortada mais bonita – as duas eventualmente foram auxiliadas por Jaqueline e Drussyla. A boa atuação das atacantes fez com que tivéssemos nesta terça o menor número de bloqueios por set em toda a série. O erro de Gabi no lance decisivo foi um daqueles pecados que só o vôlei proporciona, pois, se havia alguém que não merecia aquela falha, era ela.

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Vislumbrando a final novamente no radar, o Minas entrou com tudo no quarto set. Mais confiante, Rosamaria se consolidou como outra opção de ataque e o tie-break se tornou uma possibilidade real. Só que, ao contrário das partidas 2 e 3, o Rexona desta vez contava com uma definidora, Gabi, que contou com a boa atuação da jovem Drussyla para ter liberdade no ataque e levar o time à vitória. A ponteira, aliás, não só se destacou no ataque como fez defesas importantes ao longo do confronto.

A entrada de Drussyla lembra o ocorrido na semifinal do ano passado: quando o Vôlei Nestlé era melhor na série, Bernardinho não hesitou em tirar a experiente americana Courtney Thompson para colocar Roberta como levantadora. A alteração surtiu efeito, ela não saiu mais do time e o Rexona sagrou-se campeão da Superliga. Será que a história se repetirá ou o Minas mostrará a força de seu elenco mais uma vez? Na sexta à noite, saberemos a resposta.

Enquanto o jogo 5 não chega, deixe sua opinião na caixa de comentários: quem vai à final: Rexona ou Camponesa/Minas?


Enquanto Minas coloca hegemonia do Rexona em xeque, Tandara sepulta Praia
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João Batista Junior

Tandara brilhou nas semifinais contra o Praia (fotos: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

O Vôlei Nestlé oscilou na fase classificatória da Superliga feminina de Vôlei: o time perdeu cinco jogos e só conseguiu garantir a segunda posição da tabela – tradução: a vantagem do fator casa nos mata-matas – na última rodada. No entanto, a equipe cresceu nos playoffs, passou pelo Fluminense sem conceder nenhum set, nas quartas, e superou o Dentil/Praia Clube, nas semifinais, sem perder nenhuma partida. Agora, pode assistir de camarote à definição de seu adversário na decisão do campeonato nacional.

É claro que, nos três duelos semifinais contra o Praia, o Vôlei Nestlé contou com atuações sólidas da central Bia – a melhor meio de rede da competição – e teve na oposta sérvia Ana Bjelica uma pontuadora consistente, que assinalou 14 pontos em cada um dos dois jogos em casa e 13 no jogo 2, em Uberlândia. Mas seria injusto não intitular Tandara como a protagonista do sexteto e da série.

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Na vitória por 3 sets a 1 dessa sexta-feira (25-18, 23-25, 26-24, 25-11), em Osasco, Tandara foi, pela terceira vez nos três confrontos do playoff, a maior anotadora em quadra. Com os 27 pontos que assinalou na partida, ela chegou à marca de 74 acertos na série, o que lhe rendeu a ótima média de 6,72 pontos por set e aproveitamento de 47% no ataque. São números que coroam o ótimo campeonato que a atacante tem feito e que deixam o torcedor osasquense com esperança de reconquistar um título que não levanta há cinco anos.

Do outro lado da rede, é preciso dizer que, no jogo em que foram eliminadas, as atuais vice-campeãs da Superliga lutaram com as armas como puderam, mas foram assombradas por dois fantasmas que as perseguiram pela temporada toda: as lesões e a instabilidade emocional.

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Voltando de uma contusão no pé, a central Fabiana entrou em quadra a partir do segundo set e não saiu mais. Fez o que pôde, mas era nítido que não estava no ideal da forma física – marcou quatro pontos, um no ataque e três de bloqueio. A oposta reserva Malu, de acordo a reportagem do SporTV, deixou a área de jogo logo após o primeiro set no que parecia ser uma crise alérgica. A líbero Tássia chegou a passar mal durante a partida, reclamando de queda de pressão. A oposta Ramirez, antes do início de uma das parciais, precisou de socorro do fisioterapeuta.

Claudinha observa ponto adversário: nada deu certo contra Osasco (João Pires/Fotojump)

Em suma: mais uma vez, o Dentil/Praia Clube não pôde extrair o melhor de seu elenco devido à parte física.

Quando o time de Uberlândia conseguiu aproveitar-se de erros do Vôlei Nestlé e venceu uma parcial, suas chances de reação, no entanto, pararam na dura derrota sofrida no terceiro set, quando teve vantagem de 24-22. O revés cobriu de desânimo uma equipe já combalida. O quarto set, contra um adversário cabisbaixo e exaurido, virou mero protocolo para Osasco.

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Na final, o Vôlei Nestlé enfrenta quem vencer, ou melhor, quem sobreviver ao embate entre Camponesa/Minas e Rexona-Sesc.

A acirrada disputa entre mineiras e cariocas, que só terminará na semana que vem, seja na terça-feira, no jogo 4, em Belo Horizonte, seja no hipotético jogo 5, sexta-feira, no Rio, traz uma questão para Osasco: é bom descansar duas semanas para uma final em partida única, que será dia 23 deste mês, ou faz mal chegar a uma decisão com menos ritmo de jogo do que a equipe rival?

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Minas comemora: vaga na final está a uma vitória de distância (Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV)

VIRADA DO MINAS
Eis que “de repente, não mais que de repente”, o Rexona-Sesc, de apenas uma derrota na fase de classificação e de vitória fora de casa na abertura das semifinais, se vê a um passo de cair para o Camponesa/Minas nos playoffs. Se as atuais campeãs pareciam fadadas ao quinto triunfo consecutivo pela campanha até aqui, sua supremacia tem sido vigorosamente contestada pelas minastenistas nesta série.

A vitória das visitantes no jogo 3, no Rio, por 3 sets a 2 (25-21, 13-25, 21-25, 25-23, 15-8) ajuda a explicar por que o time de Belo Horizonte virou o placar do confronto para 2 a 1.

Destinee Hooker, que já disse, em entrevista ao blog, ter voltado para o vôlei brasileiro para ser campeã, é a mão pesada do sexteto, e por isso não espanta que tenha anotado 20 pontos e tenha sido a maior pontuadora da partida. Contudo, a matemática revela que a virada na série passou por uma mudança de postura e estratégia na distribuição da levantadora Naiane.

Já falamos a respeito disso no comentário sobre a segunda rodada das semifinais: tanto nas duas partidas contra o Genter Bauru, pelas quartas, quanto na derrota sofrida na primeira partida desta série, em Minas, a armadora acionou a oposta em mais de 40% dos levantamentos. Por outro lado, no jogo seguinte, o índice caiu para 33% e, nesse último, para 30%.

Com a maior participação das demais atacantes (a ponta Rosamaria, por exemplo, voltou a definir bolas importantes no ataque, assim como a central Carol Gattaz), o jogo do Minas tem fluído mais e o bloqueio carioca, pontuado menos. Se, no 3 a 0 do jogo 1, o Rexona-Sesc alcançou a média de 4,33 pontos por set nesse quesito, esse número caiu 3,5 na partida da terça-feira e 2,0 no duelo da sexta-feira.

Em jogo repleto de erros, arbitragem confusa ofusca vitória do Taubaté

Rosamaria enfrenta bloqueio de Monique e Juciely (Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV)

Outros dois fatores importantes para a virada das quartas colocadas na fase classificatória foram o serviço e o passe. Percebendo que tanto Naiane quanto Roberta, levantadora do Rexona-Sesc, precisariam ter o passe na mão, as duas equipes forçaram bastante no saque, e a marcha do placar no terceiro jogo foi reflexo disso.

Vendo que o Minas sacava melhor na primeira etapa e criava problemas para o passe de sua equipe, Bernardinho tirou a ponteira Anne Buijs e pôs Drussyla para compor a linha de recepção junto com Gabi e Fabi. Quando o Rexona melhorou no saque, as visitantes optaram por proteger Rosamaria no passe, mas deixaram um latifúndio para a líbero Léia tomar conta, e nisso as anfitriãs assumiram a dianteira no marcador.

A situação mudou novamente quando a recepção carioca caiu de rendimento e, mais uma vez, ficou nítida a carência do time de atacante de força. Nisso, o Camponesa/Minas, com boa relação bloqueio e defesa e tendo Hooker e Rosamaria para pontuar no contra-ataque, definiu a partida e deixou o Rexona-Sesc na inusitada situação de precisar vencer o próximo compromisso a qualquer custo para levar a série ao jogo desempate.


Com show de Naiane, Minas iguala série contra Rexona
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João Batista Junior

Minas comemora: playoff contra Rexona está empatado (fotos: Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV)

Se o jogo em Belo Horizonte deu a entender que o Rexona-Sesc não teria muito trabalho para chegar a mais uma decisão de Superliga, a segunda partida da série semifinal, disputada no Rio, trouxe à luz o melhor voleibol do Camponesa/Minas.

Com uma atuação consistente, as minastenistas venceram por 3 sets a 1, na noite da terça-feira, com parciais de 25-22, 25-21, 21-25, 25-19, e determinaram que a disputa entre as duas equipes precisará de pelo menos quatro partidas para se definir.

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O nome do Minas e do jogo foi Naiane. Mal na primeira partida, a levantadora tem oscilado em todo o campeonato e, nos mata-matas, vinha sendo substituída por Karine com certa frequência. Dessa vez, no entanto, ela encontrou a dose certa para equilibrar o ataque de seu sexteto.

Bem na distribuição de jogadas, Naiane foi a melhor em quadra

Com o passe na mão a maior parte do tempo, Naiane tratou de não sobrecarregar a oposta Destinee Hooker. Se, nos playoffs a norte-americana, atacava mais de 40% das bolas do time, desta vez ela só precisou efetuar 33% das cortadas do Minas. O meio de rede, com Mara e Carol Gattaz, foi bastante (e bem) utilizado pela armadora, que contou também com uma atuação segura da ponteira Rosamaria.

O resultado da boa distribuição da levantadora é que as minastenistas venceram o duelo contra o sistema defensivo contrário e obtiveram 57 pontos no ataque – 16 a mais do que as anfitriãs.

A isso, somem-se a pressão exercida pelo saque mineiro sobre a linha de passe adversária e a tranquilidade da equipe para superar dois momentos adversos: a derrota no terceiro set, depois de começar bem a parcial, e a saída de Jaqueline, que deixou a quadra no quarto set com uma lesão na região lombar.

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Bem marcada na partida, Gabi investe contra bloqueio duplo do Minas

Pelo lado do Rio, que conheceu a segunda derrota nesta Superliga, a primeira em seu reduto, fez muita falta não ter uma definidora de jogadas por excelência – como o Minas tem em Hooker, por exemplo. Num dia em que o passe quebrou, faltou uma atacante de força para consertar a situação, alguém com potência e alcance suficientes para vencer um bloqueio bem montado.

Gabi faz um bom campeonato e tem sido o destaque da equipe nos playoffs, mas a ponteira foi bastante castigada pelas bloqueadoras adversárias. A oposta Monique, maior anotadora do Rexona na competição, também não foi a bola de segurança de Roberta na partida. A melhor atacante de que dispôs a levantadora anfitriã foi a central Juciely, mas a bola de meio sem um bom passe vira exceção – e assim foi de fato.

VITÓRIA DO OSASCO
Num duelo tecnicamente fraco, em que os ralis se caracterizavam mais por erros do que por defesas, o Vôlei Nestlé venceu o Dentil/Praia Clube pela terceira vez na temporada, a primeira em Uberlândia.

As anfitriãs terão razão se reclamarem de dois ou três erros visíveis da arbitragem, mas nenhum deles coloca em xeque a vitória das visitantes: as osasquenses se aproveitaram da persistente instabilidade das adversárias e impuseram um placar de 3 sets a 0 (25-19, 25-22, 25-22).

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Tandara foi a bola de segurança do Osasco contra o Praia (Célio Messias/Inovafoto/CBV)

O time paulista não precisou ser brilhante para chegar à segunda vitória na série. Aliada à boa presença do bloqueio de sua equipe, que marcou dez pontos – cinco da meio de rede Bia –, a pragmática estratégia de Dani Lins deu resultado.

Depois de ficar fora do primeiro jogo por conta de problemas particulares, a levantadora voltou ao time e não hesitou em acionar Tandara: no total, a ponteira efetuou 46 cortadas e fez 20 pontos nesse quesito. A título de comparação, a oposta Bjelica efetuou 26 ataques e obteve dez pontos no fundamento.

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O Praia, com problemas no passe e na virada de bola, chegou a colocar Carla no lugar de Ramirez, pela saída, e tentou três formações distintas na entrada de rede – primeiro com Alix Klineman e Michelle, depois com Ellen no lugar da norte-americana e finalmente com Alix de volta à quadra no lugar de Michelle.

As mudanças tiveram efeito positivo em alguns momentos pontuais do segundo e terceiro sets, mas o time esbarrou na dificuldade para armar contra-ataques.

Assim, mesmo sobrecarregando Tandara, o sexteto de Osasco obteve 44 a 32 em anotações de ataque – uma larga vantagem. Ou: juntas, Tandara e Bjelica marcaram apenas dois pontos a menos em cortadas do que toda a soma do time praiano.

A terceira rodada das semifinais será disputada na sexta-feira. Vôlei Nestlé e Dentil/Praia Clube se enfrentam em Osasco, a partir das 19h. Já Rexona-Sesc e Camponesa/Minas, no Rio, entram em ação às 21h30.


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Seleção masculina perde mais uma peça-chave após saída de Bernardinho

Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Erros em excesso minam força do Minas na reta final da fase classificatória
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Carolina Canossa

Minas não passou em dois dos três grandes testes neste returno (Foto: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

Foram dois “banhos de água fria”: depois de um fim de 2016 e um começo de 2017 formidáveis, o Camponesa/Minas perdeu ritmo e não conseguiu se consolidar como o mais forte candidato a derrubar a hegemonia do Rexona-Sesc na Superliga nacional. Depois de cair contra o Dentil/Praia Clube no fim de semana, o time do técnico Paulo Coco perdeu para a equipe carioca na noite desta terça (7) por 3 sets a 1, parciais de 25-27, 25-20, 27-25 e 25-21.

Em comum, ambas as partidas foram marcadas por um número excessivo de erros do Minas. Contra-ataques infrutíferos e falhas ao melhor estilo “deixa-que-eu-deixo” na defesa pouco a pouco estão minando as atuações do time e a confiança das jogadoras. No Rio de Janeiro, por exemplo, o Minas chegou a liderar a terceira parcial por 20-14, mas entregou o set de bandeja para as adversárias. Na quarta etapa, a vantagem chegou a ser de 9-6 antes da virada.

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Em números: somando-se as duas últimas partidas da equipe, foram 57 pontos cedidos em erros, quase 30% do total. É muita coisa para um time que já mostrou ter potencial para ser campeão. Para isso, porém, será preciso jogar em alto nível o tempo inteiro, o que não aconteceu em dois dos três grandes testes deste returno (a exceção ficou por conta do duelo contra o Vôlei Nestlé).

O problema, claro, não se resume aos pontos perdidos. A levantadora Naiane, por exemplo, claramente está com dificuldades para acionar a oposta Destinee Hooker de maneira eficiente. Já as ponteiras Jaqueline, Pri Daroit e Rosamaria não conseguem formar uma dupla titular de confiança: quando uma está bem, duas se apresentam mal. Atualmente, somente a famosa china de Carol Gattaz pode ser considerada uma bola de confiança.

Os recentes reveses colocam em risco até mesmo a quarta posição na tabela, algo que parecia inimaginável há pouquíssimo tempo, no Carnaval. Por sorte, a próxima partida da equipe será contra o lanterninha Renata Valinhos/Country, enquanto o Genter Vôlei Bauru, quarto colocado no momento, terá um difícil confronto contra o Vôlei Nestlé.

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Drussyla (camisa 17) e Monique foram os destaques do Rexona (Foto: Alexandre Arruda)

Rexona

Não se pode, é claro, tirar os méritos do Rexona na partida realizada na Arena Jeunesse. De Hooker bem marcada a Monique inspirada, o time mais uma vez deixa claro que fez a lição de casa mostrando uma linearidade que não existe nos demais adversários. E ainda houve um bônus: a jovem Drussyla, que substituiu Gabi a partir do terceiro set e segurou muito bem os bons saques mineiros.

Transmissão web

Diante da falta de interesse do SporTv em transmitir a partida entre Rexona e Minas, a CBV proporcionou aos interessados as imagens do duelo através de sua página no Facebook. Em que pese ainda não haver narradores, comentaristas e replays, o trabalho tem sido bem feito, com sinal constante (ao menos no computador em que eu estava assistindo, houve pequenos cortes somente no início do duelo).

Uma pena apenas que, depois de um furor inicial, o público parece ter desanimado: o jogo desta terça, por exemplo, começou com 2800 espectadores online, número que foi caindo ao longo da transmissão. No último ponto, somente cerca de 370 pessoas estavam acompanhando.


“Sempre estarei à disposição”, diz Jaqueline sobre seleção brasileira
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Sidrônio Henrique

“Se eu não for convocada, OK. Se eu for, vamos lá” (fotos: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

Ela voltou. Ainda longe da forma ideal, como fez questão de ressaltar, mas o suficiente para ser titular no ascendente Camponesa/Minas e disposta a continuar a servir à seleção. “Sempre estarei à disposição. Se eu não for convocada, OK. Se eu for, vamos lá”, disse ao Saída de Rede a ponteira bicampeã olímpica Jaqueline Carvalho Endres. Nem cogite a possibilidade de ela se afastar voluntariamente da seleção. “Vocês querem me aposentar, né?”, brincou com o SdR. Imagina, Jaqueline, a gente sabe que você ainda tem o que oferecer. Que o diga o Minas. Após um primeiro turno opaco na Superliga 2016/2017, está invicto no returno, com a presença da ponta veterana no sexteto principal nas três últimas partidas, além da oposta americana Destinee Hooker disparando mísseis.

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“Faz só um mês que eu estou treinando, é pouco tempo. As meninas estão aí há quatro meses num ritmo bom. O que importa é ajudar a equipe, estou ganhando ritmo aos poucos. Todo mundo me ajudando sempre, eu só tenho a agradecer às meninas. Minha função aqui nem é pontuar, é dar volume de jogo porque o time tem grandes atacantes pra botar a bola no chão. Então tenho plena noção do que vim fazer aqui. Aos pouquinhos a gente vai incomodar, estamos em quarto lugar, estamos evoluindo”, analisou Jaqueline.

Ao lado da líbero Léia, ela tem organizado a linha de passe do Camponesa/Minas

Passe na mão
De fato, embora tenha contribuído pouco no ataque nas três partidas em que foi titular, a ponta de 33 anos foi decisiva no passe. Ao lado da líbero Léia, ela tem coberto a outra ponteira, Rosamaria Montibeller, na linha de recepção. Sobra pouco espaço para Rosamaria, que até bem pouco era oposta, passar – ela migrou da saída para a entrada depois da chegada de Hooker na metade do primeiro turno. Com o duo Jaqueline e Léia, a levantadora Naiane tem conseguido trabalhar com o passe na mão a maior parte do tempo. Assim, acionar as centrais Carol Gattaz e Mara ou ainda as atacantes de extremidade como Rosamaria e Hooker tem sido mais simples.

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Não que Hooker, por exemplo, não seja capaz de se desvencilhar de um paredão triplo, mas é sempre melhor enfrentar um bloqueio quebrado. Eis uma das grandes contribuições de Jaqueline, que se destaca também na defesa, além do bom desempenho no saque e no bloqueio.

Jaqueline chora após eliminação da seleção na Rio 2016 (foto: FIVB)

Título possível
Jaqueline está confiante na equipe, diz que o título é possível. Atualmente, após 18 rodadas de um total de 22, o Minas está em quarto lugar com 36 pontos, seis a menos do que o Vôlei Nestlé, terceiro colocado. Há duas temporadas ela também se juntou ao Minas com a competição em andamento, porém mais cedo, e ajudou o time a chegar às semifinais. “Acredito muito na minha equipe e a gente vai em busca do título. Vamos melhorando, crescendo. A gente vai beliscando adversários contra quem no primeiro turno a gente não foi muito bem”.

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A última vítima foi justamente o Vôlei Nestlé, time de maior orçamento da Superliga feminina. Jogando em Belo Horizonte, diante de 3,2 mil torcedores, o Camponesa/Minas chamou a equipe de Osasco para um rolê e lhe aplicou um 3-0.

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Este ano, em dez partidas, a única derrota da tradicional equipe mineira foi na final da Copa Brasil para o Rexona-Sesc, onze vezes campeão da Superliga e líder desta edição. O time de Bernardinho, que neste sábado (18) conquistou pela quarta vez o Sul-Americano de Clubes, é o favorito para vencer o principal torneio nacional mais uma vez.

A veterana ponteira passou a ser titular na partida contra o Rio do Sul no returno

Ponto fora da curva
Foi o próprio treinador multicampeão quem destacou a importância de Jaqueline, numa entrevista concedida ao SdR em 2016: “No cenário internacional, a Jaqueline é um ponto fora da curva, ela é a principal passadora do voleibol mundial”. Palavras de Bernardo Rezende.

O ano passado não foi dos mais fáceis para a veterana ponteira. Logo após a conquista do 11º título do Grand Prix, menos de um mês antes da Rio 2016, o técnico José Roberto Guimarães informou que Jaqueline não estava totalmente recuperada fisicamente – foi reserva na Olimpíada. Na temporada de clubes 2015/2016 ela havia apresentado alguns problemas físicos e no início da preparação da seleção sofreu uma entorse no joelho esquerdo. Tudo isso, ela garantiu, ficou para trás. “Estou me sentindo muito bem”.

Durante aquecimento, na Arena Minas, em Belo Horizonte

Deixa a vida me levar…
Em relação à seleção, Jaqueline enfatizou que está relaxada. “Eu estou deixando a vida me levar, não pensei em me aposentar da seleção. Quero deixar as coisas acontecerem naturalmente, sem ninguém me incomodar”.

Ela acompanhou ainda a manifestação do marido, Murilo Endres (ponta do Sesi), sobre as restrições para a exibição dos jogos da Superliga em outros meios além da TV. “Acho certo o que o Murilo colocou no Twitter, seria bacana para os patrocinadores essa maior visibilidade. Muitos fãs não podem pagar pela TV fechada, querem acompanhar os jogos e não têm condições. Acho super importante o que ele fez, a forma como se manifestou. A CBV não gostou, mas há outras equipes aderindo a isso. O mais importante é a gente fazer um espetáculo para os fãs assistirem e os patrocinadores terem mais visibilidade”, arrematou Jaqueline.


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