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Arquivo : Mundial

Confirmado: Vôlei Nestlé estará no Mundial de clubes
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Carolina Canossa

Anúncio oficial foi feito em um restaurante japonês e contou com parte do elenco de Osasco (Foto: João Pires/Fotojump)

Se no fim de semana houve um “meio anúncio”, agora ele é completo: nesta quarta-feira (15), o Vôlei Nestlé confirmou que estará na disputa do Mundial de clubes femininos, programado para entre 8 a 14 de maio no Japão.

Campeão do torneio em 2012, o time brasileiro foi um dos quatro agraciados pelos convites distribuídos pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB) – o nome dos demais contemplados ainda não foi divulgado.

“Estou honrado pelo reconhecimento. A nossa história na disputa do Mundial nos credencia a ter esse convite. São quatro participações, com três finais e um terceiro lugar com uma equipe que disputou a competição desfalcada das jogadoras da seleção brasileira. É uma enorme satisfação mais uma vez poder participar de uma competição tão importante como essa com as cores do Vôlei Nestlé e representando a cidade de Osasco”, afirmou o técnico Luizomar de Moura.

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Para a disputa do Mundial, o clube paulista contará com o aporte financeiro de um novo patrocinador, o Grupo Baumgart, através da Vedacit, cuja marca estará presente nas camisas usadas pela comissão técnica do Vôlei Nestlé, e através também do shopping Center Norte, que vai promover atividades relacionadas ao vôlei.

Presente em todas as participações de Osasco no Mundial, a líbero Camila Brait está empolgada. “Jogar o Mundial é sempre difícil porque lá estão os melhores times do mundo. Sabemos que precisamos seguir crescendo nesta fase final da Superliga pensando em executar um bom papel no Mundial. É muito importante ganhar uma medalha e não importa a cor. Claro que nosso objetivo será o ouro, mas além do título de 2012 já conseguimos duas pratas e um bronze”, afirmou a atleta.

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Destaque do time nesta temporada, a ponteira Tandara comemorou o desafio inédito na carreira. “Estou muito feliz porque nunca joguei um Mundial. É uma oportunidade única, pois não sei quando terei essa chance novamente. São os melhores times do mundo e o Vôlei Nestlé está entre eles. Será uma experiência singular e estou encarando de uma maneira positiva. O clube faz um trabalho de excelência, sempre mantendo o alto nível, e uma boa sequência na Superliga ajudará na preparação para o Mundial”, afirmou.

Além do Vôlei Nestlé, somente outros dois times brasileiros já foram campeões mundiais: o Sadia (1991) e o Leite Moça (1994). Na edição de 2017, o Brasil também será representado pelo Rexona-Sesc.


Vídeo que sugere ida ao Mundial alvoroça torcida do Vôlei Nestlé
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Carolina Canossa

Osasco ganhou o Mundial de clubes em 2012 (Foto: Reprodução/Facebook)

“Para bom entendedor, meio anúncio vale”. Basta uma pequena modificação no popular ditado para resumir o alvoroço causado entre os torcedores do Vôlei Nestlé causado por um vídeo de 21 segundos postado na página do time neste domingo (12).

Nas imagens, é possível ver a frase “Nós somos Osasco” seguido de vários caracteres em japonês – vale lembrar que o próximo Mundial de clubes feminino será realizado justamente no Japão, mais precisamente na cidade de Kobe. O torneio ocorre entre 9 e 14 de maio.

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Como se não bastasse, a trilha sonora do vídeo é um canto da torcida bastante comum nas partidas realizadas no ginásio José Liberatti: “Nós somos Osasco/ Campeão mundial/ Nada mais interessa / Nós fazemos a festa”. Quer mais? O título da postagem é “Esse rolê vai longe…”, uma clara referência à distância do país asiático e à mais recente campanha de marketing do time.

Desta forma, não se pode presumir outra coisa senão o fato de que a negociação para um dos convites distribuídos pela FIVB para a disputa tenha sido concedido à equipe paulista, que já estava em tratativas com a entidade há algumas semanas. Aliás, o aparecimento de um novo patrocinador (Vedacit) no fim do vídeo é mais um sinal do que deve ser anunciado em breve.

O Brasil já tem confirmado um participante no Mundial de clubes: trata-se do Rexona-Sesc, que garantiu sua vaga ao vencer o Sul-Americano de clubes no último mês de fevereiro.


Polônia quer reviver a magia e lotar estádio de futebol mais uma vez
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Sidrônio Henrique

Opening ceremony

Recorde mundial em partidas oficiais de vôlei: 62 mil fãs no Estádio Nacional de Varsóvia (fotos: FIVB)

Não há como negar, quando o assunto é promover o vôlei, os poloneses sabem dar o tom. É claro que você, fã da modalidade, não esqueceu a abertura do Mundial masculino 2014, realizada em um estádio de futebol, em Varsóvia, capital da Polônia. O país volta a ser sede de um grande torneio, desta vez o Campeonato Europeu masculino 2017, e mais uma vez o Estádio Nacional de Varsóvia será palco da abertura – de novo o adversário será a Sérvia. A partida está marcada para o dia 24 de agosto, às 20h30 (hora local). O torneio, com a participação de 16 países, segue até 3 de setembro.

Com o aval da Confederação Europeia de Voleibol (CEV), a Federação Polonesa de Vôlei (PZPS) confirmou na semana passada a realização do jogo inicial naquela arena de futebol. No dia 30 de agosto de 2014, 62 mil pessoas lotaram o local para ver a Polônia derrotar a Sérvia por 3-0, no pontapé inicial de uma campanha que culminou com um título mundial que tentavam repetir havia 40 anos. Desta vez, para a abertura do Europeu, a PZPS quer atrair 70 mil pessoas. Para isso serão colocadas mais cadeiras no tablado sobre o gramado.

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O público de 62 mil pessoas é o recorde mundial em uma partida oficial de voleibol. Se levarmos em consideração amistosos, a maior marca é a de 95 mil torcedores no Maracanã, em 26 de julho de 1983, para ver Brasil 3-1 União Soviética – desafio que inspirou os poloneses.

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Fãs poloneses durante a abertura do Campeonato Mundial 2014

In loco
Tive a oportunidade de cobrir o Mundial masculino 2014, inclusive a abertura em Varsóvia, tendo chegado dias antes para acompanhar os preparativos finais para uma partida que fez a Polônia parar quando chegou a tão aguardada data e que, segundo a Federação Internacional de Vôlei (FIVB), foi transmitida para mais de 160 países, nos cinco continentes.

Ao contrário do que se pensa no Brasil, a modalidade não é o esporte número um da Polônia – numa ida a qualquer sports bar nas principais cidades polonesas ou num bate-papo com jornalistas e fãs isso fica evidente. No entanto, embora segundo na preferência, tem um status mais elevado do que aqui, ainda que o artilheiro Robert Lewandowski acumule mais prestígio do que os maiores astros do voleibol juntos.

Giba e Bernardinho
Era comum ver torcedores com a camisa da seleção polonesa mesmo nos dias em que não havia partidas no torneio. A mais popular na época era a do ponta Michal Winiarski. Havia quem vestisse a da seleção brasileira também. Giba, mesmo longe da seleção, seguia (e segue) sendo um semideus na Polônia – sua autobiografia, lançada em 2015, não demorou muito a ser traduzida por lá. Eles reverenciam o técnico Bernardinho, que é bastante famoso no país.

PlayboyPolonia

Mesa redonda sobre vôlei na TV? Lá tem, seja para alguma competição internacional ou para a liga local. Espaço generoso na mídia impressa? Também. Mesmo onde menos se espera. A capa da Playboy polonesa de setembro de 2014 estampou seis cheerleaders e uma bola de voleibol, numa referência ao Mundial. Internamente, além do ensaio fotográfico tendo a modalidade como mote, uma reportagem de 12 páginas sobre os principais técnicos do torneio. Na mesma edição, uma entrevista com o veterano levantador Pawel Zagumny, que fazia parte da seleção. Vai gostar de vôlei assim lá na Polônia…

Pequenos problemas
Três dias antes da abertura, quando cheguei a Varsóvia, o teto retrátil do estádio estava sendo fechado. É que o presidente da FIVB, Ary Graça, não queria correr o risco de ver o espetáculo ser estragado. Em outubro de 2012, uma chuva torrencial impediu a realização de uma partida entre Polônia e Inglaterra pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de Futebol 2014. Nada do teto retrátil funcionar. Para evitar contratempos, a FIVB pediu que fosse acionado antes, reduzindo também a incidência do vento. De qualquer forma, aquele 30 de agosto foi um dia bonito na capital polonesa, com tempo bom e temperatura agradável.

O estádio foi construído para a Eurocopa 2012, principal competição entre seleções de futebol daquele continente. Oficialmente, havia sido entregue em novembro de 2011, mas no dia da abertura do torneio, em junho de 2012, as emissoras de TV flagraram operários concluindo a calçada e houve várias reclamações sobre problemas de acabamento na parte interna.

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Dois anos depois, às vésperas da abertura do Campeonato Mundial de Voleibol, havia elevadores que não funcionavam e alguns assentos apresentavam problemas, mas nada que estragasse a festa polonesa.

Cinco horas antes da partida havia um engarrafamento monstruoso nas imediações do estádio, mas o acesso foi relativamente tranquilo. A imprensa já havia feito um tour na arena dois dias antes, então o bate-cabeça dos voluntários não atrapalhou quem estava ali para trabalhar.

Emoção
O hino nacional polonês cantado à capela (veja clipe acima) no Estádio Nacional de Varsóvia foi um dos momentos mais emocionantes do torneio. Não que o hino executado daquela forma fosse novidade entre os poloneses, é uma tradição da torcida. Mas daquela vez, devido às dimensões do local do jogo, em um esporte geralmente confinado a espaços com capacidade para 15 mil pessoas ou menos, foi marcante. A multidão, vestida de vermelho e branco (as cores do país), quase fez desaparecer a equipe sérvia, que ofereceu pouca resistência na partida logo em seguida.

De técnico novo, o italiano Ferdinando De Giorgi, anunciado há 10 dias, a Polônia tem lá suas chances no Europeu 2017, mas o cenário é outro. Em 2014, sob o comando do então novato treinador francês Stéphane Antiga, a Polônia levou o título do Mundial. Contou com inúmeras contusões de brasileiros e russos, favoritos à época, além de manobras de bastidores e o providencial empurrão dos seus apaixonados fãs.

O presidente da PZPS, Jacek Kasprzyk, ao lado do técnico Ferdinando De Giorgi (foto: PZPS)

Caminho difícil
Desta vez, se tudo ocorrer em condições normais de temperatura e pressão, a Polônia deverá ter problemas ao longo do caminho, caso encontre, por exemplo, italianos, franceses e russos. No Europeu 2015, a equipe foi eliminada nas quartas de final pela surpreendente Eslovênia, que acabaria como vice-campeã, atrás da França.

Até mesmo a abertura, descontado o espetáculo, deverá ter outra toada. Claro que a atmosfera favorece amplamente ao time da casa, mas a Sérvia do técnico Nikola Grbic é mais ajustada e forte ofensivamente do que o time armado por Igor Kolakovic em agosto de 2014. É óbvio que é preciso esperar para ver o que o novo treinador da Polônia tem a oferecer.

Em entrevista na sede da PZPS, na semana passada, De Giorgi disse que pretende utilizar a Liga Mundial 2017 como preparação, com foco no Europeu. Com quatro grupos distribuídos em quatro cidades, além da abertura em Varsóvia, o torneio terá suas finais na Tauron Arena, em Cracóvia, que recebeu a fase decisiva da Liga Mundial 2016 com um público decepcionante. Num ginásio com capacidade para 15 mil pessoas, a média de público ficou em torno de 4 mil na reta final da competição. Vale ressaltar, porém, que o preço dos ingressos para a final podia chegar a 1.000 zloty, o equivalente a R$ 820 pela cotação da época, valor que já seria absurdo aqui, mais ainda para os padrões poloneses. A PZPS afirmou que os preços serão acessíveis no Europeu 2017.

Fan zone in front of Spodek hall before Final match

Fan Zone na final do Mundial 2014: 50 mil torcedores reunidos

Campeões na promoção do vôlei
Desde já, os poloneses são vitoriosos em um aspecto: na promoção do vôlei. Tendo tido a chance de cobrir eventos em países onde o voleibol desperta paixão, como a China e o Peru, não vi nada que se compare a devoção dos poloneses. Há tropeços, como a já citada Liga Mundial 2016, mas quase sempre torneios de vôlei são um sucesso por lá. Imagine 50 mil pessoas concentradas numa fan zone, ao lado da Spodek Arena, em Katowice, acompanhando a final do Mundial 2014, enquanto outros 12 mil enchiam o velho ginásio. Na primeira fase, o espaço para os fãs na cidade de Breslávia chegou a contar com a presença de 70 mil torcedores no dia da vitória polonesa em sets diretos sobre os argentinos.

Durante o Campeonato Mundial, o técnico dos EUA, John Speraw, admitiu que a empolgação da torcida polonesa foi capaz de, pela primeira vez em sua carreira, quebrar sua concentração, fazê-lo parar de prestar atenção na partida e observar o público, mesmo que por alguns instantes. Ele definiu a atmosfera nos ginásios como “uma experiência única”. O diretor executivo da USA Volleyball, Doug Beal, disse no mesmo evento que nada no mundo se comparava ao que a Polônia faz para promover o esporte.

Até os sorteios dos grupos, tanto do Mundial quanto do Campeonato Europeu, foram eventos de gala, dando ao vôlei uma grandiosidade rara de se ver. Sim, os poloneses amam o vôlei e fazem dele algo relevante. Que isso sirva de exemplo.

(No vídeo abaixo, torcedores poloneses imitam o árbitro principal durante uma partida da Liga Mundial 2016.)


Ricardinho exalta seleção campeã de 2006: “Ganhava já no aquecimento”
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Sidrônio Henrique

No topo do mundo: Ricardinho celebra o bicampeonato mundial, conquistado no Japão (fotos: FIVB)

Naquela constelação brasileira que encantou o mundo na década passada, e que provavelmente chegou a seu ápice em 2006, sobravam estrelas. São poucos os que se arriscam a dizer quem era o melhor ali – sempre que era perguntado a respeito, o técnico Bernardinho insistia que havia 12 titulares. Mas para Doug Beal, treinador americano que revolucionou o vôlei ao introduzir a especialização nos anos 1980 e que desde 2005 comanda a USA Volleyball, organização que administra a modalidade nos EUA, alguém brilhava mais forte numa equipe com pesos-pesados como Giba e Dante, entre outros: era o levantador Ricardo Garcia. “O Brasil tem um time excepcional, mas Ricardo faz a diferença. Ele consegue sempre, mais do que qualquer outro levantador no mundo, deixar o time em condição de matar a jogada, distribui a bola como ninguém, numa velocidade incrível”, afirmava o americano há dez anos.

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Para diversos técnicos ao redor do mundo, Ricardinho foi o maior levantador de todos os tempos. Sorte a do Brasil, que contou ainda com virtuoses na posição como William Carvalho e Maurício Lima, ter tido alguém como ele. Dez anos depois da conquista do bicampeonato mundial pela seleção brasileira, o capitão da equipe lembra-se de detalhes e exalta o conjunto: “Aquela geração estava voando realmente no Mundial 2006, parecia uma máquina”, diz Ricardo ao Saída de Rede.

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O nível de excelência do time realmente impressionava. “Os jogadores já não precisavam mais se olhar em quadra para saber o que fazer”, conta Ricardinho. Ele destaca que o Brasil fazia os adversários tremerem, sentirem o peso da camisa verde-amarela. “A gente se impunha, ganhava já no aquecimento”, afirma o veterano, hoje com 41 anos, acumulando funções na quadra e nos bastidores do esporte. Atualmente, ele é capitão e também presidente do Copel Telecom Maringá Vôlei.

Neste sábado (3), o SdR relembrou os dez anos da conquista. Agora é a vez de trazer uma entrevista com Ricardinho sobre a seleção naquele torneio. Confira:

O capitão do Brasil ergue o troféu de campeão mundial

Saída de Rede – Você considera que, pelo nível de entrosamento dos atletas no final daquela temporada e pelo grau de sofisticação do jogo apresentado, a seleção brasileira que venceu o Mundial 2006 foi a melhor equipe que você viu?
Ricardo Garcia – Sem dúvida alguma, em 2006 a minha geração chegou a um nível de excelência absurdo. Os jogadores já não precisavam mais se olhar em quadra para saber o que fazer. Mesmo se viesse um passe ruim, eu já sabia onde estariam os caras, onde cada um se posicionava em diferentes situações. Acredito que naquele ano o time estava no seu melhor momento. Teve Atenas 2004 obviamente, a gente continuou crescendo até 2006, quando o time chegou a um nível em que a gente brincava em quadra. Claro que não vou comparar com outras gerações, isso aí fica a critério de quem acompanhou todas elas. Mas aquela geração estava voando realmente no Mundial 2006, parecia uma máquina.

Saída de Rede – Quais eram as principais características daquele time?
Ricardo Garcia – Muita velocidade. Não jogava tanto para pontuar no bloqueio ou no saque, mas sim numa virada de bola muito rápida e em contra-ataques também rapidíssimos. Nós contra-atacávamos praticamente na mesma velocidade do sideout.

Saída de Rede – De 0 a 10, que nota você daria para aquela seleção brasileira?
Ricardo Garcia – Sem dúvida alguma, nota 10. Se pudesse, dava 11. (risos)

O levantador no massacre sobre a seleção polonesa na final

Saída de Rede – Dando ao time a nota máxima, ainda é possível apontar alguma deficiência naquela equipe?
Ricardo Garcia – Havia uma luta constante por causa da nossa altura. Não éramos um time alto, tínhamos dificuldade contra algumas equipes no nosso bloqueio. E o Gustavo (Endres), que na época era quem comandava o time nesse aspecto dentro de quadra, às vezes me escondia. Havia tática diferente para cada jogo, para cada situação. Havia um responsável pelo treinamento da parte de bloqueio, na época era o Chico dos Santos, que comandava e articulava tudo isso aí, para a gente tentar brigar de igual para igual contra os gigantes. Era uma deficiência que nós tínhamos e que conseguimos suprir graças a um trabalho duríssimo do nosso treinador de bloqueio, o Chico dos Santos.

Saída de Rede – Quando o Brasil perdeu para a França na primeira fase por 1-3, você temeu que a conquista do torneio não fosse mais possível?
Ricardo Garcia – Esse jogo ficou marcado na minha memória porque era 19 de novembro, dia do meu aniversário. Lembro que antes do jogo eu havia chamado todo mundo para ir comemorar a data em um restaurante. A galera inteira foi para lá, a gente celebrou. Era como se tivesse sido uma vitória, mas era o meu aniversário. Aquilo ficou marcado, é até engraçado. Mas a equipe estava confiante. Em momento algum a gente achou que estava mal, tanto é que todos os jogadores foram ao restaurante. Em nenhum momento a gente sentiu que poderia perder o campeonato. Aquela foi uma daquelas derrotas que o grupo sabia assimilar muito bem, a gente acreditava muito no nosso potencial. Não era arrogância, não, tá. Tínhamos os pés no chão. Sabíamos que havia times que ofereciam perigo, sim, enfrentávamos isso com muita naturalidade, mas também com uma determinação muito grande.

Ricardo e o oposto André Nascimento celebram um ponto

Saída de Rede – A final contra a Polônia (um rápido 3-0) foi a partida mais perfeita que você viu a seleção fazer?
Ricardo Garcia – Aquele Mundial a gente jogava com os olhos fechados. A Polônia entrou para a final já derrotada… Tem uma situação que me lembro muito bem, antes do aquecimento o Serginho fazendo aquelas palhaçadas dele com a bola, jogando futebol. Nosso grupo estava bem tranquilo. Aliás, era característica daquele time, todo mundo era muito brincalhão. Cada um tinha um jeito de reagir, não havia um padrão e tudo isso era muito respeitado pela comissão técnica. Então a gente entrou para a quadra de aquecimento, antes da final, todo mundo chutando bola, brincando… Foi quando entrou a seleção polonesa já sentindo que não dava para eles, todos tensos, de cabeça baixa, enfileirados, um atrás do outro, em silêncio. A gente aproveitava esse momento, antes do jogo, e entrava forte contra os adversários, fazendo barulho para eles sentirem o peso da nossa camisa. A gente se impunha até mesmo antes, ganhava já no aquecimento. Você vai me perguntando as coisas e eu vou me lembrando de algumas situações… Mas foi realmente uma partida perfeita, uma das melhores que fizemos, assim como a final olímpica em 2004 contra a Itália, a semifinal olímpica diante dos Estados Unidos. A final do Mundial 2006 foi um momento em que a equipe estava muito tranquila, nem parecia uma final. Jogamos de uma forma muito sólida e conquistamos mais um título.

Saída de Rede – Aquele levantamento em velocidade para o oposto André Nascimento, feito após a linha de fundo, no quarto set da partida semifinal contra a Sérvia, foi o lance mais ousado que você já executou entre tantos na sua carreira?
Ricardo Garcia – Desde que eu comecei sempre tive essa característica de ousar, isso vem dos tempos de infantojuvenil. Agora brincam, dizem “ah, é gênio”, mas antes eu era considerado maluco. Quando eu tinha 14 anos ninguém falava que eu era gênio, todo mundo dizia que era maluquice o que eu fazia. Eu sempre gostei de forçar o jogo. Aquela bola já havia sido treinada e ocorreram vários erros durante os treinos. A diferença foi fazer num jogo como aquele, numa semifinal do Campeonato Mundial. O André Nascimento já esperava aquela bola, sabia que ia receber o levantamento. Fiz coisas assim depois, por exemplo, quando joguei pelo Vôlei Futuro… Quem gosta de mim fala que é genialidade, quem não gosta diz que é loucura, pois é uma bola forçada demais. (risos) É gostoso fazer aquilo, é uma característica minha, não vou mudar. Sem dúvida foi um dos lances mais impressionantes da minha carreira.


Bernardinho recusa convite para dirigir a seleção do Irã
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Sidrônio Henrique

Técnico Bernardo Rezende está no comando da seleção brasileira masculina desde 2001 (fotos: FIVB)

O técnico Bernardinho continua sendo o sonho de consumo de diversas seleções mundo afora. Desta vez foi o Irã quem tentou levar o treinador para comandar sua ascendente seleção masculina, mas ouviu não como resposta. “Jamais deixaria a seleção brasileira por outra”, disse ao Saída de Rede o bicampeão olímpico e tricampeão mundial. Bernardinho confirmou que a Federação Iraniana de Vôlei procurou pessoas ligadas a ele para sondá-lo, mas negou qualquer interesse em sair do Brasil.

Técnico argentino diz que “ganhar do Brasil é um sonho”

O blog recebeu a informação de que Mohammad Reza Davarzani, presidente da Federação Iraniana, tinha interesse em contratar Bernardinho. Não é a primeira vez. Em 2011, antes de assinar com o argentino Julio Velasco, os iranianos procuraram o brasileiro, que não se interessou pela proposta. Na Rio 2016, o Irã, eliminado nas quartas de final, foi treinado pelo argentino Raul Lozano, cujo contrato terminou no final de agosto.

“Amigos indo lá para fora”
Em setembro deste ano, após a partida de despedida do líbero Serginho da seleção, em Brasília, Bernardinho havia afirmado: “Eu vejo amigos indo lá para fora e isso me incomoda muito. Muitas pessoas bacanas e do bem que podem contribuir estão indo embora. Se todos começarem a ir embora, vão entregar as chaves para pessoas que não deveriam tomar conta da nossa casa”.

Seleção iraniana chegou às quartas de final da Rio 2016

Antes da Rio 2016, o treinador carioca havia sido sondado pela Federação Japonesa para dirigir sua seleção masculina. Mais tarde, ele confirmou que havia recebido uma proposta do Japão e também de outros países, sem revelar quais, mas enfatizou que não quer sair do Brasil. “Houve uma sondagem e algumas propostas formais, me querem no exterior, mas não tenho nenhuma vontade de sair daqui”.

CBV aguarda
A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) aguarda resposta de Bernardinho sobre sua continuidade ou não à frente da seleção masculina, que dirige desde 2001. Nesse período, ele levou o time ao pódio 39 vezes em 42 competições, a maioria delas no primeiro lugar. Sob o comando dele, o Brasil foi finalista nas últimas quatro Olimpíadas e quatro Mundiais, conseguindo cinco ouros e três pratas. Conquistou ainda oito títulos da Liga Mundial, dois da Copa do Mundo e três da Copa dos Campeões.

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Bernardinho enfrenta oposição da família para seguir no cargo, segundo ele mesmo conta. A mulher, a ex-levantadora Fernanda Venturini, e as duas filhas gostariam que ele passasse mais tempo com elas. Além da seleção, Bernardinho é também o treinador do time feminino Rexona-Sesc, do Rio de Janeiro, 11 vezes campeão da Superliga e líder da atual temporada.

Na seleção feminina já foi feita a renovação do contrato de José Roberto Guimarães, que está no cargo desde 2003 e comandará o time rumo a Tóquio 2020.


Manutenção do apoio ao esporte preocupa medalhista do vôlei de praia
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Sidrônio Henrique

Ágatha Bednarczuk foi medalha de prata ao lado de Bárbara Seixas na Rio 2016 (foto: FIVB)

Vice-campeã olímpica na Rio 2016, Ágatha Bednarczuk, 33 anos, enfrenta uma mudança e tem uma preocupação. O que deixa a jogadora de vôlei de praia apreensiva é a expectativa pela manutenção do apoio estatal ao esporte, que se fez presente durante todo o ciclo passado em razão do Brasil ser a sede dos Jogos Olímpicos. “O governo apoiou os atletas rumo ao Rio. Será que vamos poder contar com isso durante todo o caminho até Tóquio ou só virá um ano antes?”, indaga a paranaense Ágatha.

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Ressaca olímpica: crise econômica não poupa medalhistas de ouro na praia

Já a mudança, conhecida após a prata olímpica, vem ocorrendo na parceria. Dias depois do final da Rio 2016, sua então companheira nas areias, Bárbara Seixas, anunciou o fim da dupla. A partir de janeiro, entra em cena a sergipana Duda Lisboa, 18 anos, uma das maiores revelações da modalidade, campeã mundial sub21 esta temporada e especialista na defesa. Até lá, Ágatha disputa as etapas do circuito brasileiro ao lado de Carol Solberg, irmã dos também atletas de vôlei de praia Pedro e Maria Clara, além de filha de Isabel Salgado, um dos maiores nomes do voleibol indoor no país no século passado.

Duda Lisboa é uma das grandes revelações mundiais da modalidade (foto: COB)

Mas é com Duda que a experiente Ágatha, MVP do último Mundial, disputado em 2015 e no qual conquistou o título ao lado de Bárbara, quer ir mais longe do que chegou nos Jogos Olímpicos do Rio. Ela sabe que a combinação do talento de ambas, com o desenvolvimento e ganho de mais experiência por parte de Duda, pode ser a chave para chegar ao alto do pódio em Tóquio 2020. A nova dupla contará com duas técnicas, anunciadas desde setembro: a mãe de Duda, a ex-jogadora Cida, e com ninguém menos do que Jackie Silva, ouro na praia em Atlanta 1996, quando jogava com Sandra Pires.

Picciani afirma que apoio será mantido (foto: Ministério do Esporte)

Ministério do Esporte
O blog procurou o ministro do Esporte, Leonardo Picciani, para perguntar sobre a manutenção do apoio aos atletas ao longo do próximo ciclo olímpico. “A Bolsa Atleta será mantida e haverá um aprimoramento da Bolsa Pódio para torná-la mais eficiente. Estamos fazendo um raio-X em atletas e modalidades, a partir dos resultados dos Jogos Rio 2016”, afirmou Picciani ao SdR.

Dos 465 atletas brasileiros que disputaram os Jogos Olímpicos deste ano, 358 receberam subsídios do Governo Federal, somando um investimento total de R$ 18 milhões. Se a Bolsa Pódio fosse extinta, por exemplo, 220 esportistas de alto rendimento deixariam de receber entre R$ 5 mil e R$ 15 mil mensais. A Bolsa Pódio é a mais alta categoria da Bolsa Atleta.


Para Giovane, treinar os juvenis é uma oportunidade de inspirá-los
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Sidrônio Henrique

Giovane Gávio fez história como ponta na seleção (foto: CBV)

Bicampeão olímpico e campeão mundial como ponteiro da seleção brasileira, Giovane Gávio vive um momento diferente em sua carreira. Está de volta à seleção, mas desta vez como treinador da equipe masculina sub21, cargo para o qual foi escolhido em meados deste ano. No primeiro torneio, o Sul-Americano da categoria, disputado este mês em Bariloche, Argentina, uma prata, com derrota na final por 1-3 para os anfitriões. Mas foi só o começo. “Vejo essa chance de treinar os juvenis como uma oportunidade de poder inspirá-los, fazer com que cresçam, entendendo a importância do que é a seleção brasileira, assim como foi pra mim”, afirma o técnico, campeão da Superliga 2010/2011 no comando do Sesi, clube onde trabalhou de 2009 a 2013.

Vôlei argentino ameaça hegemonia do Brasil

Não é uma tarefa simples trabalhar com a base em um país que é uma das maiores potências do mundo na modalidade, dono de três títulos olímpicos e mundiais, e Giovane está ciente disso. “Quero mostrar para eles que o Brasil só conseguiu chegar aonde chegou trabalhando muito, se dedicando muito e buscando sempre o melhor”, diz.

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Indagado sobre qual seria o seu maior desafio com os juvenis, ele aponta para a continuidade. “O grande desafio é manter os resultados ao longo dos anos, com gerações que precisam substituir gerações vitoriosas. É difícil manter isso, a expectativa é grande, a cobrança é grande. Esse é o maior desafio de todos em minha opinião. O mundo está se preparando mais e melhor, o cenário internacional está cada vez mais competitivo”, comenta o treinador.

Seleção sub21 foi prata no Sul-Americano disputado em outubro (foto: FeVA)

Mundial sub21
Como apenas o vencedor do Sul-Americano conquistava uma vaga para o Mundial sub21, que será disputado em junho e julho de 2017, na República Tcheca, a seleção brasileira terá que brigar pela classificação na Copa Pan-Americana da categoria, que será realizada em maio, no Canadá.

Será a 19ª edição do Campeonato Mundial, torneio que o Brasil venceu quatro vezes, além de acumular seis pratas e três bronzes. Na edição mais recente, em 2015, no México, os brasileiros ficaram em quarto lugar. O título mais recente do Brasil foi em 2009, na Índia, quando o ponta Maurício Borges foi escolhido o MVP da competição.


Sada Cruzeiro atropela Zenit Kazan e chega ao tricampeonato mundial
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Sidrônio Henrique

Leal decola: ponteiro cubano naturalizado brasileiro foi um dos destaques do torneio (fotos: FIVB)

O Sada Cruzeiro é tricampeão mundial. Jogando em casa a exemplo dos dois títulos anteriores, o time mineiro chegou a sua terceira conquista. São quatro finais em cinco anos. Assim como no ano passado, o adversário na decisão foi o clube russo Zenit Kazan, derrotado desta vez por 3-0 (25-21, 25-23, 25-15), com direito a massacre no terceiro set. Festa para os 6,5 mil torcedores que lotaram o ginásio Divino Braga, em Betim (MG). Nos três títulos, sempre o treinador argentino Marcelo Mendez no comando.

“Estou muito feliz. Fizemos 3-0 sobre o Zenit Kazan, que é o campeão da Europa, onde supostamente se joga o melhor voleibol do mundo”, comentou Mendez, que está no clube desde 2009.

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Na melhor partida do Sada Cruzeiro no torneio, o oposto Evandro, maior pontuador na decisão, e o ponta cubano naturalizado brasileiro Leal foram os destaques ofensivos da equipe, com 14 e 13 pontos, respectivamente. O levantador William Arjona foi escolhido o melhor jogador do campeonato. O ponta Rodriguinho, que virou titular após uma contusão de Filipe na panturrilha durante a primeira rodada, deu segurança à linha de passe ao lado do líbero Serginho.

“No começo foi um susto, mas fui ganhando confiança e deu tudo certo. O Marcelo (Mendez), assim como todo o pessoal mais velho, me apoiou muito. O Filipe é um exemplo, sempre do meu lado”, disse Rodriguinho.

Para o MVP William, mais forte do que o cansaço foi a gana de vencer. “Temos essa vontade de continuar vencendo, conquistando títulos para essa torcida maravilhosa, que sempre lota o ginásio, seja no frio ou no calor, em qualquer tempo”.

A superioridade cruzeirense ficou evidente no placar e nos demais números, como foi o caso do ataque: 38 a 26, a favor do time brasileiro.

Time de Thaisa, Eczacibasi é bicampeão mundial

O técnico campeão olímpico Vladimir Alekno, que dirige o Zenit Kazan, tentou quase tudo. Para mudar o ritmo, trocou o levantador titular Butko pelo suplente Kobzar. Na tática de saque, optou pelo flutuante no primeiro set, sem sucesso. Depois pediu para o time forçar, mas o índice de erros na execução do serviço e a boa recepção do clube mineiro não permitiram que o Zenit fosse adiante.

Mais um título mundial para o técnico argentino Marcelo Mendez

Do trio de estrelas da equipe russa, o ponta cubano naturalizado polonês Wilfredo León foi quem mais se destacou, com 13 pontos, melhor desempenho da equipe, apesar de ter oscilado bastante na terceira parcial. O veterano oposto Maxim Mikhaylov marcou 10 pontos. Já o ponta/oposto americano Matt Anderson teve uma atuação sofrível, fazendo apenas cinco pontos.

Na preliminar, o italiano Trentino ficou com o bronze, depois de uma batalha de cinco sets diante do argentino Bolívar. É a sexta medalha do clube italiano, que agora tem quatro ouros e dois bronzes. O Bolívar repete seu melhor resultado, um quarto lugar, já obtido em 2010.

Seleção do campeonato:
Pontas – Leal (Sada Cruzeiro) e León (Zenit Kazan)
Oposto – Evandro (Sada Cruzeiro)
Centrais – Volvich (Zenit Kazan) e Crer (Bolívar)
Levantador – Giannelli (Trentino)
Líbero – Serginho (Sada Cruzeiro)
MVP – William (Sada Cruzeiro)

Colaborou Carolina Canossa, que está em Betim a convite da FIVB


Para agradar TV, FIVB estuda partidas com duração máxima de 90 minutos
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Sidrônio Henrique

O 35º Congresso Mundial da FIVB foi realizado de 4 a 6 de outubro em Buenos Aires (fotos: FIVB)

A Federação Internacional de Vôlei (FIVB) discute a possibilidade de adotar o limite de tempo nas partidas, com uma hora e meia como teto, para tornar a modalidade mais atrativa para a televisão. O tema foi o ponto alto do último dia do 35º Congresso Mundial da entidade, encerrado nesta quinta-feira (6), em Buenos Aires, Argentina. O tempo máximo de 90 minutos foi apenas debatido, porém mostra a preocupação da entidade em adequar seu produto às exigências do mercado. O terceiro e último dia do evento foi fechado à imprensa, mas o Saída de Rede teve acesso ao conteúdo dos painéis.

Embora a FIVB tenha a preocupação de se adaptar à televisão, ainda falta muito para um consenso quanto a mudanças que não afetem a dinâmica do voleibol. Na época em que as equipes precisavam ter a vantagem para marcar um ponto, era comum ver jogos com mais de três horas de duração, algo que sempre assustou as emissoras de TV – a final masculina da Olimpíada de Montreal, em 1976, vencida pela Polônia diante da antiga União Soviética por 3-2, por exemplo, demorou quatro horas e meia.

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Mundial de clubles de 2017 é mais uma prova da ”nipodependência” da FIVB

A adoção de pontos corridos a partir de 1999 e o consequente fim da vantagem foi a maior alteração já feita no vôlei a fim de diminuir a duração das partidas. Os sets passaram de 15 para 25 pontos, exceto no tie break, que permaneceu com 15 – mantida a diferença mínima de dois pontos em todas as parciais. Mesmo assim, muitos confrontos ainda ultrapassam as duas horas, atormentando os canais de televisão. Diante do dilema de ampliar o valor de mercado do produto voleibol sem comprometer o jogo, os dirigentes quebram a cabeça.

Tentativa de popularização
Variações da modalidade, de forma recreativa, como o snow volley (vôlei na neve) e o street volley (vôlei de rua), foram apresentadas durante o congresso como meios de ampliar a popularidade do esporte. A primeira é praticada em países de inverno rigoroso, com sets de 15 pontos. Já o street volley é uma carona numa variedade do basquete, popularizada nos Estados Unidos e que ganhou adeptos ao redor do mundo.

Mundiais 2018
Também foi mostrada em Buenos Aires a fórmula dos Campeonatos Mundiais masculino e feminino 2018, que será a mesma utilizada em 2014: 24 seleções em quatro grupos de seis equipes, com 16 avançando à segunda fase, seis na terceira, para então termos as semifinais e a decisão do bronze e do ouro.

Graça comemora reeleição, enquanto recebe de Cristóbal Marte, presidente da Norceca, um tapinha nas costas

O torneio masculino, como já se sabia desde o ano passado, terá sua primeira edição compartilhada por dois países-sede, Itália e Bulgária. A partir da terceira fase, a Itália segue sozinha com a organização da competição. A FIVB avalia a possibilidade da final ser realizada na Arena de Verona, um anfiteatro ao ar livre, construído no século I e famoso por receber grandes produções de ópera, com capacidade para 15 mil espectadores. A ideia é ambiciosa e pode esbarrar em questões estruturais, como a adequação do local histórico a um evento esportivo, além da interferência do vento e outros fatores externos em um jogo de tamanha importância.

O Mundial 2018 feminino, como havia sido definido em 2014, será realizado no Japão – pela quarta vez se observarmos apenas as seis edições mais recentes. A diferença em relação ao torneio disputado há dois anos na Itália é a divisão do número de participantes por confederações continentais: oito da Europa, sete da Norceca (Américas do Norte, Central e Caribe), cinco da Ásia, dois da América do Sul e dois da África. Em 2014 foram dez da Europa, seis da Norceca, quatro da Ásia, dois da América do Sul e dois da África.

A Europa, continente do país-sede do torneio feminino há dois anos, perdeu duas vagas. Uma, compreensivelmente, foi para a Ásia, uma vez que o Japão será o anfitrião em 2018. A outra foi parar nas mãos da Norceca, presidida pelo dominicano Cristóbal Marte, fiel escudeiro do presidente da FIVB, Ary Graça, ex-mandatário da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). Graça era candidato único ao comando da FIVB e vai continuar à frente da entidade por mais oito anos – ele está na presidência desde 2012. O Congresso Mundial é realizado a cada dois anos.


Procura-se Kurek desesperadamente
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Sidrônio Henrique

O atacante polonês Bartosz Kurek assinou contrato com o clube japonês JT Thunders (fotos: FIVB)

Era para ser a grande transferência da temporada, pelo menos para os poloneses. Ainda pode ser, quem sabe… O oposto Bartosz Kurek, 28 anos, 2,05m, havia assinado um contrato de um ano com o clube japonês JT Thunders Hiroshima e a mídia da Polônia estimava que o salário poderia superar os 500 mil euros pela temporada, o que o tornaria o jogador de voleibol mais bem pago do seu país em todos os tempos. Mas ele sumiu, deixou a equipe japonesa no meio de uma excursão pelo norte polonês, na qual foi apresentado como o grande reforço do time, e não embarcou para o Japão na data prevista. A imprensa da Polônia pergunta: onde está Kurek?

Dos diversos sites e blogs dedicados exclusivamente ao vôlei a portais de notícias em geral daquele país, como o respeitado Dziennik Lodzki, a dúvida sobre o futuro da principal estrela da seleção ganhou corpo. Segundo o DL, Bartosz Kurek não atendeu telefonemas ou respondeu mensagens via SMS ou WhatsApp. Chegaram a procurá-lo na casa de parentes, no sul do país, mas ele não foi encontrado.

Especulações
Houve também especulação de que ele estaria apenas descansando, mas o atleta tirou férias após a Rio 2016 e havia se comprometido a jogar todas as partidas amistosas que seu novo time fazia em seu país de origem, o que não ocorreu – sua presença em uma nova equipe estrangeira seria, em tese, garantia de ginásio cheio. Além disso, a temporada está apenas começando, o que torna estranha a hipótese de descanso. Sites de fofoca entraram em cena e publicaram que o motivo para Kurek voltar atrás é um possível namoro com a também jogadora de vôlei Anna Grejman, 23 anos, atleta da seleção polonesa – o boato surgiu a partir de uma foto publicada no Instagram dela há poucos dias, na qual os dois aparecem abraçados. Porém, casais de namorados jogando em países diferentes são comuns no esporte.

Quando partiu de Gdansk, onde fez os últimos amistosos, rumo a Hiroshima, a comissão técnica do JT Thunders não deu explicações sobre a situação do oposto. Esse é o mesmo clube pelo qual o brasileiro Leandro Vissotto jogou na temporada 2014-2015.

A imprensa polonesa aguarda algumas respostas: qual o paradeiro de Kurek? Desistiu ou apenas pediu um tempo? Se tiver rescindido o contrato, para onde vai?

O oposto ataca durante uma partida na Rio 2016

Histórico
Destaque desde os tempos de juvenil, quando ainda era ponteiro, Bartosz Kurek chegou à seleção adulta no final da década passada e passou a ser um dos grandes nomes do esporte na Polônia, apesar da sua irregularidade. Ele jogou nas importantes ligas russa e italiana, mas esteve longe de impressionar em ambas.

Na temporada passada virou oposto e voltou ao país natal. Era o principal reforço do Resovia Rzeszow, mas decepcionou tanto nas finais da liga polonesa, quando seu clube terminou em segundo lugar, quanto na Liga dos Campeões da Europa, competição em que o Resovia ficou em quarto, com Kurek abusando dos erros na semifinal e na disputa do bronze. Suas oscilações não o impediram de ser titular na seleção nem de atrair a atenção dos japoneses, que este ano também assinaram, mas por duas temporadas, com outro polonês: o ponta Michal Kubiak – vai jogar no Panasonic Panthers.

Pela seleção, Kurek disputou duas Olimpíadas, Londres 2012 e Rio 2016, sem ter sentido o gosto de chegar às semifinais. Foi surpreendentemente cortado pelo técnico Stephane Antiga dias antes da abertura do Mundial 2014, torneio disputado na Polônia e no qual a equipe local sagrou-se campeã. Ironicamente, seu rosto estampava os cartazes que promoviam a competição espalhados pelo país. O único título global que tem pela seleção é o da esvaziada Liga Mundial 2012. Foi ainda campeão europeu em 2009.