Blog Saída de Rede

Arquivo : Maurício Souza

William pede dispensa da seleção, mas quer voltar ainda este ano
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

Levantador do Sada Cruzeiro, William Arjona foi campeão olímpico na Rio 2016 (fotos: CBV)

William Arjona pediu dispensa da seleção. O levantador do Sada Cruzeiro, campeão olímpico na Rio 2016, contou ao Saída de Rede que pediu ao técnico da seleção, Renan Dal Zotto, para ficar com a família após o encerramento da Superliga 2016/2017. A final do torneio, para a qual o time mineiro está classificado, aguardando a definição do adversário, será no dia 7 de maio, no ginásio Mineirinho, em Belo Horizonte.

Siga @saidaderede no Twitter
Curta o Saída de Rede no Facebook

“O Renan falou comigo, disse que queria contar com os campeões olímpicos, mas expliquei a ele que estou há quatro anos sem tirar férias, que preciso de um tempo para ficar com minha família. Eu havia dito a minha mulher (Bruna) que se eles (a família) segurassem a barra de ficar todo aquele período de preparação para a Rio 2016 sem mim, eu compensaria no ano seguinte”, comentou William. O atleta tem dois filhos pequenos: Nina, 3 anos, e Cauã, 2.

Arena da Baixada, em Curitiba, receberá as finais da Liga Mundial 2017

À disposição no segundo semestre
O levantador ressaltou que seu pedido de dispensa foi somente para a convocação para a Liga Mundial. A competição será disputada de 2 de junho a 8 de julho, com as finais na Arena da Baixada (de 4/7 a 8/7), estádio de futebol localizado em Curitiba. “No segundo semestre teremos a Copa dos Campeões e o Sul-Americano, e eu estarei à disposição”, completou.

A ausência do nome do armador do Sada Cruzeiro chamou a atenção numa lista que veio a público na sexta-feira (21), no hotsite da Liga Mundial 2017. Naquela mesma data, o SdR divulgou a informação. Os levantadores na relação de jogadores são Bruno Rezende, do Sesi, Raphael Oliveira, do Funvic Taubaté, e Murilo Radke, do Montes Claros.

Veterana e novata levam Rexona ao 12º título da Superliga
Melhor do mundo, Ting Zhu conquista a Europa com o VakifBank

Bruno, na seleção desde meados da década passada, foi campeão mundial em 2010 e olímpico em 2016. Rapha fez seu nome nos tempos áureos do Trentino, da Itália, e foi reserva de Bruno na campanha que culminou com a prata no Mundial 2014. Radke, o menos experiente dos três, vinha sendo chamado pelo ex-treinador Bernardinho e foi titular na seleção B que ficou com a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos 2015, sob o comando de Rubinho.

Renan Dal Zotto foi anunciado como novo técnico da seleção pela CBV em janeiro

“Nem todos serão convocados”
O Saída de Rede questionou a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) se a lista no site da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) corresponde aos convocados para a temporada ou se são apenas inscritos – já houve divergência entre a lista apresentada no site em anos anteriores e a convocação anunciada posteriormente. O supervisor da seleção masculina, Fernando Maroni, informou que a relação “é de pré-inscritos” e que “nem todos serão convocados”. Na noite desta segunda-feira (24), o técnico Renan Dal Zotto confirmou os nomes do central Maurício Souza e do líbero Tiago Brendle, ambos do Brasil Kirin, equipe eliminada na semifinal da Superliga no sábado passado.

Drussyla agradece a chance: “Sempre sonhei com essa oportunidade”
Confira nossa seleção da Superliga feminina 2016/2017

Há poucas caras novas na lista do site da Liga Mundial. Dos 21 relacionados, apenas quatro nunca passaram pela seleção A: o ponta Rodriguinho, do Sada Cruzeiro, o líbero Thales, do Lebes/Gedore/Canoas, o central Otávio, do Funvic Taubaté, e o oposto Rafael Araújo, destaque da liga polonesa pelo MKS Bedzin – os dois últimos foram da seleção B do Pan 2015. Entre os veteranos, um velho conhecido que esteve ausente em convocações recentes, o líbero Mário Júnior, do Taubaté, campeão mundial em 2010 e vice em 2014, que segundo o SdR apurou foi bem avaliado pela comissão técnica. No entanto, o preferido é Tiago Brendle, que desde o final do ciclo passado despontava como sucessor de Serginho, decano da posição que se retirou da seleção após o ouro na Rio 2016, quando foi escolhido MVP.

O nome do líbero Mário Júnior está na lista da Liga Mundial

Quase todos os campeões na Rio 2016 mantidos
Dez dos 12 campeões olímpicos no Rio de Janeiro estão na lista dos 21 pré-inscritos para a Liga Mundial. Somente Serginho e William Arjona não aparecem. Como sede das finais do torneio, o Brasil já está assegurado entre os seis finalistas, ou seja, poderia utilizar a fase de classificação para dar experiência aos mais novos. A cada etapa da Liga Mundial, 14 jogadores podem ser inscritos. Se os dez da Rio 2016 confirmarem presença e forem sempre relacionados, sobra pouco espaço para eventuais novidades.

Os doze atletas convidados por Renan Dal Zotto no dia 10 de abril para treinar em Saquarema (RJ), no centro de treinamento da CBV, estão lá desde domingo (23). Desses, quatro estão na relação do hotsite da Liga Mundial 2017: o levantador Murilo Radke, o líbero Thales e os opostos Rafael Araújo e Renan Buiatti – este último do JF Vôlei.


Destruidor no saque, Sada está na 7ª final consecutiva de Superliga
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

As duas equipes se cumprimentam na rede antes da partida (foto: Washington Alves/Inovafoto/CBV)

O Sada Cruzeiro mostrou, na noite deste sábado (22), porque é o favorito ao título da Superliga 2016/2017. Depois de duas partidas razoavelmente equilibradas diante do Brasil Kirin nos dois primeiros confrontos da série melhor de cinco da semifinal, o time mineiro desmantelou o adversário de Campinas (SP) em sets diretos (25-12, 25-18, 26-24), diante de 2,1 mil torcedores, no ginásio do Riacho, em Contagem (MG). Com isso, a equipe tricampeã mundial e que busca o penta na Superliga alcança sua sétima final consecutiva no torneio mais importante do País, tendo vencido as três últimas.

Siga @saidaderede no Twitter
Curta o Saída de Rede no Facebook

Foi um massacre nos dois primeiros sets. Demolidor no saque – foram sete pontos diretos na partida e vários outros em decorrência do passe quebrado do adversário –, o time comandado pelo argentino Marcelo Mendez não deixou o Brasil Kirin jogar. O serviço cruzeirense facilitou, consequentemente, as ações do seu bloqueio e de sua defesa. Já o saque campineiro, eficiente nas duas primeiras partidas, quase não surtiu efeito e a equipe de Leal, Simon e William foi imparável na virada de bola. O Brasil Kirin até ensaiou uma reação na terceira parcial, após relaxamento dos anfitriões, mas o Sada retomou o controle da partida. O time de Campinas ainda empatou o set depois de estar perdendo por 21-24, mas aí o Cruzeiro acabou com o jogo.

Rio x Osasco: relembre cinco protagonistas em decisões de Superliga

O veterano ponteiro Filipe, presente em todas as finais de Superliga pela equipe, ficou com o troféu Viva Vôlei. Destaque também para o levantador William, outro que esteve em todas as decisões do torneio pelo Cruzeiro, que fez uma excelente distribuição. O ponta cubano naturalizado brasileiro Leal foi o maior pontuador da partida, com 15, seguido pelo oposto Evandro, que marcou 14. Pelo Brasil Kirin, o experiente ponteiro Diogo foi quem mais fez pontos, somando 11.

Erros infantis
A diferença técnica entre os dois times neste sábado foi tão grande que sequer parecia um duelo entre o primeiro e o quarto colocado da fase de classificação. O Brasil Kirin estava perdido em quadra, até mesmo o competente líbero Tiago Brendle cometeu erros infantis. Já o Sada chegou a sua 27ª vitória em 28 jogos na competição, com apenas 13 sets perdidos – a única derrota foi com os reservas em quadra, no final da fase classificatória, com a liderança assegurada, diante do Taubaté.

Rexona x Vôlei Nestlé: o que pode decidir a Superliga?

O Sada Cruzeiro aguarda a definição da outra série semifinal, entre Sesi e Taubaté, liderada por este último por dois jogos a um. A final será no ginásio Mineirinho, em Belo Horizonte, no dia 7 de maio, às 10h, com transmissão da Rede Globo e do SporTV.

Bernardinho x Luizomar: respeito mútuo no 9º duelo na final

Embora o Brasil Kirin tenha deixado a competição uma etapa antes da edição anterior, quando foi finalista, está de parabéns. Para quem não se lembra, a equipe atualmente dirigida pelo também argentino Horacio Dileo esteve ameaçado de desmanche antes do início da temporada e perdeu atletas importantes, que ajudaram o time a chegar ao vice-campeonato no ano passado, como o ponta Lucas Lóh e o levantador argentino Demián González. O patrocinador segurou o central Maurício Souza e o líbero Tiago Brendle, entre outros, e apesar das oscilações a equipe terminou a fase de classificação em quarto lugar.


Bruno e Lucão: a caminho da Itália ou do Sesc
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

Lucão e Bruno na apresentação do central no Modena em outubro de 2015 (foto: Modena Volley)

Campeões olímpicos e mundiais, juntos eles têm mostrado algumas das combinações de ataque mais eficientes do voleibol – na seleção ou em clubes. Após uma temporada no Sesi, a dupla formada pelo levantador Bruno Rezende e o central Lucas Saatkamp pode desembarcar novamente no Modena, da Itália. Caso as negociações com o clube europeu não deem certo, o destino do duo deve ser o Sesc, que acaba de vencer a Superliga B e, na temporada 2017/2018, disputará a primeira divisão do voleibol brasileiro, apoiado em um dos maiores investimentos da modalidade.

Siga @saidaderede no Twitter
Curta o Saída de Rede no Facebook

Os dois são velhos conhecidos do Modena. Ganharam o título italiano pelo clube na temporada 2015/2016. Uma crise que culminou na perda do principal patrocinador forçou a volta de Bruno e Lucão ao Brasil. A decisão foi tomada levando em conta tanto o lado financeiro quanto o pessoal – o levantador estava há duas temporadas fora do Brasil e o central aguardava o nascimento do primeiro filho. Bruno jogou o final do período 2011/2012 no clube europeu e depois retornou para duas temporadas, de 2014 a 2016. Lucão disputou a última. Além do Modena e do Sesi, os dois jogaram juntos nas extintas equipes Cimed e RJX.

Ponta João Rafael reforçará o Sesc (foto: CBV)

O interesse do Modena na dupla já havia sido abordado pela imprensa italiana, mas as negociações só começaram recentemente. O Sesc, do técnico Giovane Gavio, entra como plano B.

Segundo o Saída de Rede apurou, na próxima Superliga o time carioca terá um orçamento inferior apenas ao do Sada Cruzeiro, equipe tricampeã mundial e que busca o pentacampeonato nacional. O clube mineiro investe aproximadamente R$ 13 milhões por temporada.

Alternativa
Caso Bruno e Lucão voltem ao voleibol italiano, o Sesc teria interesse no levantador Thiaguinho, atualmente no Molfetta, da Itália, e no central campeão olímpico Maurício Souza, do Brasil Kirin. Essa seria a alternativa da equipe carioca se não puder contar com os dois que estão no Sesi.

Ponteiro Maurício Borges interessa ao clube carioca (foto: FIVB)

Quem já acertou com o Sesc, faltando apenas assinar o contrato, é o ponteiro João Rafael, também do Molfetta. Ao lado de Thiaguinho e de Maurício Souza, o ponta fez parte da seleção brasileira B que conquistou a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos 2015, em Toronto, Canadá. Tanto o levantador, na sua primeira temporada na Itália, quanto João Rafael, em seu segundo ano como um dos destaques do Molfetta, estão na lista inicial de 12 atletas convocados pelo técnico Renan Dal Zotto.

Praia Clube quer Destinee Hooker para a próxima temporada
Erros de arbitragem mancham Superliga. O que pode mudar?

Outro ponteiro que despertou o interesse do time do Rio de Janeiro foi mais um integrante daquela seleção B do Pan 2015. É o campeão olímpico Maurício Borges, que está há duas temporadas no Arkas Izmir, da Turquia, sob o comando do técnico canadense Glenn Hoag. Como o treinador quer manter Borges na equipe, ainda não há definição se o ponta fica na Europa ou se volta ao Brasil para o período 2017/2018.

Rosamaria renova com Minas e Macris é disputada no mercado
Vídeo mostra que mago do vôlei dá show também no futebol

O Sesc renovou com três atletas que conquistaram a Superliga B: o central Tiago Barth, o oposto Paulo Victor e o levantador Everaldo.


No vôlei por acaso, central sonha com seleção e é elogiado por Renan
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

Flávio Gualberto, destaque do Minas, chega a 3,65m no ataque (foto: Orlando Bento/MTC)

O voleibol entrou na vida dele por acaso, mas o mineiro Flávio Gualberto foi aproveitando as oportunidades na modalidade e, quem sabe, pode ganhar uma chance na seleção principal. Seu desempenho tem agradado. “O Flávio já teve uma passagem em 2015 numa seleção B (nos Jogos Pan-Americanos), é um meio de rede rápido, um bom jogador. Ele é um cara que fez uma bela Superliga, jogou de igual para igual com todo mundo, muitas vezes fazendo a diferença”. Quem diz é Renan Dal Zotto, técnico da seleção masculina, numa conversa com o Saída de Rede. É claro que ele não vai divulgar qualquer nome da lista de convocados antes do dia 8 de maio, data do anúncio, mas não resta dúvida que o central do Minas Tênis Clube lhe causou boa impressão.

Siga @saidaderede no Twitter
Curta o Saída de Rede no Facebook

Como tantos adolescentes Brasil afora, Flávio gostava mesmo era de futebol. Não era tão alto e, ele garante, jogava bem. Era o maior passatempo na sua cidade natal, a pequena Pimenta, município com pouco menos de 10 mil habitantes, no sudoeste de Minas Gerais, a cerca de 240 quilômetros de Belo Horizonte. Até que, quando tinha 14 anos, faltou um jogador para completar o time de vôlei da escola, para a disputa de um torneio intercolegial. Flávio topou participar. Começava assim sua relação com a modalidade que o levaria para uma das principais equipes do país, que o conduziu às seleções brasileiras nas categorias de base e que hoje o projeta como um nome a ser considerado para a principal.

Renan: “Flávio jogou de igual para igual com todo mundo, muitas vezes fazendo a diferença” (foto: CBV)

“Foi dando tudo certo, eu fui gostando e no final daquele ano o técnico do time levou a mim e a um amigo da escola para uma peneira no Minas Tênis Clube”, conta Flávio ao SdR. Terminava 2007 e, dos 120 meninos testados, somente ele e o amigo, que deixaria o esporte anos depois por causa dos estudos, foram aprovados. Era o início da sua vida em um dos clubes mais tradicionais do Brasil. Em março de 2008 mudou-se para BH, ainda não tinha 15 anos, mas para ajudá-lo havia crescido 12 centímetros no ano anterior. Os técnicos trataram de treiná-lo para ser um meio de rede. No mês passado, completou nove anos de Minas Tênis. “Sou cria do MTC”, afirma com orgulho, ele que encerrou sua terceira temporada como titular.

Destaque
O time fez uma campanha irregular na fase de classificação da Superliga 2016/2017, terminando em sexto lugar na tabela. Nas quartas de final, encarou o Sesi, de Bruno, Lucão, Murilo e Serginho, jogadores consagrados. O Minas teve a primeira partida da série melhor de cinco nas mãos, em plena São Paulo, ao abrir 2-0, mas sucumbiu à pressão. Perdeu as duas seguintes sem oferecer muita resistência e disse adeus à competição. No entanto, independentemente das críticas que possam ser feitas à equipe, jovem na sua maioria, Flávio está entre os nomes que chamaram a atenção.

Após confusão em 2015, Bia está pronta para servir à seleção: “Irei feliz”
Seis fatos do vôlei que parecem mentira, mas não são

O central completa 24 anos este mês e é praticamente unanimidade entre os técnicos da Superliga. É comum ouvir que Flávio é um bloqueador nato, tem bom ataque e que ressaltem sua postura de líder em quadra, impressionante pela idade – é o capitão do Minas. Outro ponto de destaque é sua regularidade: repete boas atuações, se mantém constante.

Flávio é o capitão do Minas (foto: Orlando Bento/MTC)

Timing
A pouca altura para a posição, apenas 2m, é compensada com muita impulsão e timing, no caso do bloqueio – ele raramente queima, quase sempre trabalhando com uma leitura apurada. “Você vê um jogador relativamente baixo como ele parar caras experientes e que sobem bastante como Lucão e Riad, então é porque ele também vai alto e, além disso, tem um tempo de bloqueio muito bom”, observa Nery Tambeiro, técnico do Minas Tênis Clube.

Brasil Kirin resiste, mas Sada Cruzeiro faz a lógica prevalecer
Minas coloca hegemonia do Rexona em xeque e Tandara sepulta Praia

Eficiente no ataque, Flávio é quem joga na rede de dois, próximo ao levantador, quando este tem menos opções na linha de frente. “Como atacante, ele é muito ágil”, aponta Tambeiro. Há centrais na Superliga que se valem de um ou dois tipos de bola para virar, mas no caso dele o repertório é mais amplo, beneficiado por seu alcance, que conforme o MTC é de 3,65m no ataque, e pela velocidade.

Dani Lins fala sobre briga com a CBV: “Só recebemos apoio até agora”
Ricardinho vai contra a corrente: ”O Brasil ainda precisa do ranking”

O saque, ele admite, é o seu pior fundamento. “Não evoluí no viagem e o meu flutuante poderia ser mais agressivo”. Quem já o viu sacar viagem sabe que não há ali a potência de centrais como Lucão, Éder ou Isac. No flutuante, ele não impõe dificuldade para a linha de passe como Maurício Souza, que tem hoje um dos melhores serviços do país. Mas Flávio vem treinando para melhorar nesse aspecto.

Primeiro à direita na fila do meio, Flávio com a seleção sub23 que venceu a Copa Pan-Americana 2015, disputada nos EUA, quando ele foi o melhor bloqueador do torneio (foto: CBV)

Seleção adulta
Sua única passagem pela seleção adulta foi na equipe B que, sob o comando de Rubinho, representou o Brasil nos Jogos Pan-Americanos de 2015, em Toronto, Canadá. Menos experiente, Flávio era reserva em um time que tinha Maurício Souza e Otávio como titulares. “Ir ao Pan foi o máximo, uma tremenda honra representar o país numa competição daquelas”. O Brasil ficou com a medalha de prata, perdendo na final por 2-3 para a equipe A da Argentina. Antes de chegar a esse momento, ele acumulou rodagem, jogando desde o infantojuvenil ao sub23.

Novo astro do vôlei alcança 80 cm acima do aro de basquete

Com o país bem servido de centrais, Flávio Gualberto sabe que precisa ter paciência para chegar à seleção principal. Mesmo com 2m, ele acredita que possa ter uma chance – os dois menores meios de rede do Brasil na Rio 2016, Maurício Souza e Éder, têm 2,05m. “É o sonho de qualquer atleta profissional jogar pela seleção. Eu acho que é uma questão de tempo, mas não fico ansioso esperando a convocação”. Falta menos de um mês para ele descobrir se o sonho se tornará realidade.

ATUALIZAÇÃO ÀS 18H15 – No final da tarde desta segunda-feira (10), o central Flávio e outros 11 atletas foram chamados pelo técnico Renan Dal Zotto para treinar no Centro de Desenvolvimento do Voleibol (CDV), em Saquarema (RJ). O grupo se reunirá no dia 23 de abril. A lista final dos convocados, como informado neste texto, será divulgada no dia 8 de maio – um dia após o encerramento da Superliga masculina.


Brasil Kirin resiste, mas Sada Cruzeiro faz a lógica prevalecer
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

Sada Cruzeiro venceu a primeira partida da semifinal por 3-1 (foto: Renato Araújo/Sada Cruzeiro)

O Brasil Kirin fez o que estava ao seu alcance, resistiu o quanto pôde, jogou uma de suas melhores partidas esta temporada, mas do outro lado da quadra estava simplesmente o time tetracampeão nacional e tri mundial, Sada Cruzeiro, uma máquina de jogar voleibol comandada pelo argentino Marcelo Mendez. Vitória mineira por 3-1 (25-20, 18-25, 25-22, 25-21) na primeira partida de uma das séries semifinais da Superliga 2016/2017, em Contagem (MG), na noite deste sábado (8). Foi apenas o 12º set perdido pelo Sada em 26 jogos disputados nesta edição.

Em jogo repleto de erros, arbitragem confusa ofusca vitória do Taubaté
Siga @saidaderede no Twitter
Curta o Saída de Rede no Facebook

Reedição da final da última Superliga, a partida no ginásio do Riacho teve quase duas horas de duração e o grande número de erros pode ser creditado a agressividade das equipes no saque. As falhas, embora muitas, não ocorreram em uma proporção tão elevada quanto a de quinta-feira (6), pela outra série, em que o Taubaté venceu o Sesi por 3-0 no primeiro confronto.

Leal marcou 17 pontos diante do Brasil Kirin neste sábado (foto: Washington Alves/Inovafoto/CBV)

O serviço foi arma essencial para o Brasil Kirin tentar equilibrar o duelo diante de um adversário do porte do Sada. O time comandado pelo também argentino Horacio Dileo sabia que teria de forçar o erro da recepção cruzeirense para que a bola ficasse longe das mãos do habilidoso levantador William Arjona. Conseguiu ótimas passagens no saque, principalmente com o veterano ponta Diogo e com o central campeão olímpico Maurício Souza – este fechou o segundo set com uma sequência de três aces.

O problema para a equipe de Campinas (SP) é que manter o saque em um nível tão alto por um período longo é missão quase impossível e, além disso, teria de contar com o relaxamento do oponente. É que o Sada havia vencido a primeira parcial com relativa facilidade, apesar de ter cometido 11 erros – foram 35 no jogo. Escaldado após a derrota no segundo set, o time multicampeão tratou de acelerar a partir do terceiro. Não que o Brasil Kirin tenha desistido da partida, pelo contrário, continuou lutando, mas a superioridade cruzeirense era nítida.

Ponta Filipe cresceu na quarta e última parcial (foto: Renato Araújo/Sada Cruzeiro)

Destaques
O oposto Evandro e o ponta cubano naturalizado brasileiro Leal, que recebeu o troféu Viva Vôlei, foram os maiores pontuadores do Sada Cruzeiro e do jogo, tendo marcado 21 e 17 vezes, respectivamente. Evandro virou 18 de 27 tentativas no ataque (66,6%). Pelo adversário, o oposto Rivaldo foi quem mais pontos fez, somando 14. Segundo a assessoria de imprensa do Sada, o ponteiro Filipe teve 71% de aproveitamento no ataque, fundamento no qual marcou 10 pontos – fez ainda dois de bloqueio e um de saque. A estatística na página da competição, fornecida pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), infelizmente não traz informações mais detalhadas.

Minas coloca hegemonia do Rexona em xeque e Tandara sepulta Praia

É difícil imaginar que o time de Dileo possa tirar o Sada Cruzeiro de mais uma final, mas está de parabéns, mesmo se deixar a competição uma etapa antes da edição anterior. Para quem não se lembra, o Brasil Kirin esteve ameaçado de desmanche e perdeu atletas importantes, que ajudaram o time a chegar ao vice-campeonato no ano passado, como o ponta Lucas Lóh e o levantador argentino Demián González. O patrocinador segurou Maurício Souza e o líbero Tiago Brendle, entre outros, e apesar das oscilações a equipe terminou a fase de classificação em quarto lugar.

Favoritismo
O fato de a final ser em jogo único – marcado para o ginásio Mineirinho, em Belo Horizonte, no dia 7 de maio – parece ser o maior problema para o pentacampeonato do Sada. É que em um dia ruim o time poderia (veja bem, “poderia”) cair diante de Sesi ou Taubaté, que duelam na outra semifinal. Em condições normais de temperatura e pressão, o título vai para o Cruzeiro de Evandro, William, Leal, Filipe, Simon, Isac e Serginho. Esta temporada, a equipe sofreu apenas duas derrotas – 2-3 para o Sesi na semifinal da Copa Brasil e 0-3, com os reservas em quadra, para o Taubaté na décima rodada do returno da Superliga.

Dani Lins fala sobre a briga com a CBV: “Só recebemos apoio até agora”

Brasil Kirin e Sada Cruzeiro fazem a segunda partida da melhor de cinco nesta quinta-feira (13), às 22h, no ginásio Taquaral, em Campinas, com transmissão da RedeTV e do SporTV. No sábado (15), às 21h30, no ginásio Lauro Gomes, em São Caetano (SP), com SporTV, Sesi e Taubaté se enfrentam pela segunda vez na série – o jogo não será na quadra do time da capital paulista, na Vila Leopoldina, porque o local conta apenas com 800 assentos, quando a competição exige número mínimo de 2 mil lugares a partir das semifinais.

SUPERLIGA FEMININA B

Campeã olímpica, Valeskinha defende o Curitibano (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

O SporTV confirmou a transmissão da final da Superliga B feminina nesta segunda-feira (10), às 20h. A decisão será entre Hinode/Barueri, equipe treinada pelo tricampeão olímpico José Roberto Guimarães, e o BRH-Sulflex/Curitibano, que tem como técnico Jorge Edson, ex-central campeão olímpico em Barcelona 1992 sob o comando daquele que agora é seu adversário. O time de Zé Roberto, que teve a melhor campanha na fase de classificação, jogará em casa, no ginásio José Corrêa. A equipe paranaense tem como dirigente a ex-ponta romena naturalizada brasileira Cristina Pirv.

A campanha dos finalistas não poderia ser mais distinta. Enquanto o Barueri está invicto no torneio, o Curitibano precisou de superação: depois de perder os primeiros seis jogos, ganhou as quatro partidas do mata-mata e chegou à final.


O que deve mudar na convocação da seleção masculina com Renan Dal Zotto?
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

Renan Dal Zotto: “Não existe mudança de rumo” (foto: Marlon Falcão/Inovafoto/CBV)

A seleção masculina de vôlei trocou de comando e o torcedor provavelmente se pergunta: que alterações veremos na lista de convocados? “O voleibol brasileiro está num caminho tão bacana que não existe mudança de rumo. A rota é aquela e vamos tentar dar continuidade”. A frase do novo técnico da equipe, Renan Dal Zotto, dita durante sua apresentação no cargo, revela muito sobre o que vem por aí.

Como Bernardinho se tornou uma referência

Sai o multicampeão Bernardinho, entra o dirigente Renan, que há oito anos não treina uma equipe. O primeiro será coordenador técnico e a extensão do seu papel ainda é uma incógnita. O treinador recém-nomeado é figura próxima do anterior, numa amizade cultivada desde o final dos anos 1970. Renan pretende ainda manter a comissão técnica que conquistou o ouro olímpico na Rio 2016. Diante disso, a resposta à pergunta acima é: muito pouco. Exceto pela renovação natural que aconteceria em alguns casos, a seleção deverá, em tese, ter a cara daquela do ciclo anterior. Se vai jogar no mesmo nível, é outra história.

Renan deve ter começo difícil como técnico da seleção

O Brasil subiu ao ponto mais alto do pódio em agosto no Maracanãzinho com os opostos Wallace e Evandro, os levantadores Bruno e William, os ponteiros Lucarelli, Lipe, Maurício Borges e Douglas Souza, os centrais Lucão, Maurício Souza e Éder, além do líbero Serginho. Este último, que tem 41 anos, já se despediu da seleção.

Bernardinho será coordenador técnico (foto: FIVB)

Renovação branda
Evandro Guerra e Éder Carbonera entram neste ciclo olímpico com idade avançada para atacantes nas seleções de ponta. O oposto tem 35 anos e o central, 33 – some-se a isso o tempo até Tóquio 2020. O leitor pode lembrar do russo Sergey Tetyukhin e do americano Reid Priddy, ponteiros que disputaram a Rio 2016 com 40 e 38 anos, respectivamente. Mas eles são exceções, não a regra. Aos 37 anos, o levantador William Arjona tem boas chances de seguir sendo chamado, seja pela menor exigência física da função ou pela maturidade que enriquece seu repertório. Os demais campeões olímpicos no Rio de Janeiro têm muito chão pela frente.

A princípio, entre os titulares, a equipe certamente terá caras conhecidas, com protagonismo de jogadores que cresceram ao longo do ciclo 2013-2016, como o ponta Lucarelli, o oposto Wallace ou o central Maurício Souza. Sem o líbero Serginho, os mais experientes passam a ser o levantador Bruno e o central Lucão.

Na reposição do líbero, o favorito é Tiago Brendle, 31 anos, que fez parte do time em 2015 e 2016, tem a maturidade necessária para uma função tão crítica, apresentou bom rendimento, tinha voleibol inclusive para estar na Olimpíada e arrancou elogios de Bernardinho.

Curta o Saída de Rede no Facebook

Entre os centrais, um destaque do ciclo passado deve voltar à seleção: Isac, 26 anos, que ficou fora do Mundial 2014 e da Rio 2016 por problemas físicos – em forma, deverá ser nome certo na lista de Renan Dal Zotto. Fique atento a Leandro Aracaju, 24 anos, que vem treinando com a seleção principal desde 2015 e deve ser convocado.

O que esperar do início da caminhada do vôlei para Tóquio 2020?

Na saída de rede, Wallace de Souza, 29, segue firme, mas novamente surge a dúvida sobre o seu reserva. O gigante Renan Buiatti, de 2,17m, 27 anos, convocado desde o final do ciclo 2009-2012, até agora não decolou. Tem feito uma excelente Superliga, mas o cenário internacional é mais exigente. O ano pós-olímpico, com torneios de menor envergadura, é propício para testes, representando mais uma chance para Buiatti se firmar na seleção.

Na entrada, Douglas Souza, 21, que foi o quarto ponteiro na Rio 2016 e quase não jogou, deve obter mais espaço neste ciclo. Ainda sem passagem pela seleção adulta, mas tendo destaque recente no papa-títulos Sada Cruzeiro, o ponta Rodriguinho, 20 anos, dificilmente deixará de ser chamado. O grande reforço na ponta virá mesmo a partir de 2018, quando finalmente o cubano naturalizado brasileiro Yoandry Leal, atualmente com 28 anos, poderá ser convocado.

Bruno será essencial para aproximar Renan do time (foto: FIVB)

Ponto de apoio
Um importante ponto de apoio para o novo treinador será o levantador Bruno Rezende, capitão na Rio 2016 e que exerce liderança sobre o grupo. A ponte que o armador de 30 anos e veterano de três Olimpíadas deve estabelecer entre o técnico e a equipe será fundamental para o eventual sucesso de Renan.

Os dois se conhecem bem. Em 2005, na extinta Cimed, de Florianópolis, o treinador Renan abriu espaço para o então juvenil Bruno no time titular. Mas que isso não induza o leitor a pensar em favorecimento ao seu ex-atleta. Há muito o levantador campeão mundial e olímpico provou ocupar o posto de titular da seleção por mérito. Teve que aturar insinuações de que era beneficiado pelo pai, Bernardinho, e certamente vai lidar com a mesma cantilena em relação a Renan.

Bruno Rezende não é um virtuose como Ricardo Garcia ou Maurício Lima, mas serve ao grupo em alto nível. Seus levantamentos longos, especialmente para a posição 4, não têm a precisão das bolas mais curtas. No entanto, ele dá ao time um padrão de jogo consistente e muitas vezes difícil de ser marcado, como já foi dito por gente alheia às diatribes brasileiras. Não tem a habilidade do seu reserva na Rio 2016, William Arjona, mas compensa na distribuição, além das qualidades em outros fundamentos.

Defasagem
O último trabalho de Renan como técnico de uma equipe foi em 2008, à frente do Sisley Treviso, na Itália. Desde então, tem estado longe da função. Ele começou a carreira de treinador em 1993, com o time do Palmeiras. Essa quebra na sequência deverá, ao menos a princípio, dificultar a vida do ex-craque, que foi sinônimo de excelência quando jogava. Orientando equipes, sua carreira foi mais modesta, com destaque para os títulos de campeão da Superliga 2005/2006 com a Cimed e da Supercoppa italiana 2007 com o Sisley Treviso.

O voleibol praticado atualmente é diferente daquele da década passada. Não que Renan não possa recuperar o tempo perdido. Para isso, deve contar com o coordenador técnico, Bernardinho, e ainda com o suporte de Rubinho, principal assistente a partir de 2006.

Renan Dal Zotto terá um trabalho árduo e as cobranças serão pesadas. A continuidade da linha anterior, incluindo a convocação da maior parte dos campeões da Rio 2016, e o apoio do antecessor e seus auxiliares podem amenizar o impacto de assumir o comando da seleção número um do ranking mundial, um time acostumado ao pódio.


Quem foram os melhores do vôlei masculino em 2016?
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

Seleção brasileira, Sada Cruzeiro, Wallace, Argentina e Zaytsev em destaque (fotos: FIVB e FeVA)

O ano que termina será uma boa lembrança para o vôlei masculino do Brasil. Após uma longa espera, a equipe treinada por Bernardinho chegou novamente ao topo do pódio e justamente numa Olimpíada. Melhor que isso, só se fosse em casa. E foi assim.

Já os torcedores do Sada Cruzeiro celebraram ainda mais, pois além do ouro da seleção brasileira na Rio 2016 viram seu clube ganhar a Superliga pela quarta vez e o Mundial de Clubes pela terceira, entre outras conquistas.

Curta o Saída de Rede no Facebook
Veja quem foram os melhores do vôlei feminino em 2016
Técnico que levou Holanda à semifinal da Rio 2016 assina com a Turquia

Na lista do Saída de Rede sobre os melhores do ano no vôlei masculino entraram dois opostos: um brasileiro e um italiano.

Para fechar, não dá para deixar de lado a evolução, a organização e o investimento feito pela Argentina. Nossos vizinhos estão levando o voleibol muito a sério.

Confira quem foram os melhores do vôlei masculino em 2016 na avaliação do SdR:

Fim da espera: Brasil foi ouro na Rio 2016 (fotos: FIVB)

SELEÇÃO BRASILEIRA
Lá se iam seis anos sem um grande título, desde o Campeonato Mundial 2010. A conquista da desprestigiada Copa dos Campeões 2013 pouco atenuou a agonia. Foram várias pratas no caminho, que demonstravam a solidez de uma seleção presente na maioria das decisões, mas faltava algo, até que finalmente acabou o jejum. Diante de quase 12 mil torcedores, no que antes era apontado como um fator a mais de pressão, a seleção masculina de vôlei conquistou a medalha de ouro na Olimpíada do Rio, ao bater a Itália por 3-0 na final.

Um título alcançado com sacrifício, com três dos 12 atletas contundidos e uma linha de passe inconsistente, porém com o time superando adversários superiores fisicamente, graças principalmente ao sistema de jogo colocado em prática por Bernardinho. O técnico pôde assim celebrar seu segundo ouro olímpico – ele que havia ganhado três mundiais, duas Copas do Mundo e oito edições da Liga Mundial.

Uma conquista de Wallace, Bruno, Maurício Souza, Lucão, Lucarelli, Lipe, Serginho, Evandro, William, Éder, Maurício Borges e Douglas. Os pontas Lucarelli e Lipe, assim como o central Maurício Souza, jogaram abaixo de sua melhor condição física, mas deram o melhor de si. Lucarelli voltou à quadra mancando nas quartas de final, diante da Argentina.

Foi a Olimpíada da consagração definitiva de Serginho, o veterano líbero que completou 41 anos menos de dois meses após a Rio 2016. Ele foi o MVP da competição. Juntou-se ainda aos ex-atletas Maurício Lima e Giovane Gavio como bicampeão olímpico no vôlei brasileiro, sendo também um dos três jogadores no mundo com quatro medalhas olímpicas (dois ouros e duas pratas) – os outros dois são o russo Sergey Tetyukhin (um ouro, uma prata e dois bronzes) e o italiano Samuele Papi (duas pratas e dois bronzes).

O ouro no Rio de Janeiro foi o terceiro do vôlei masculino do Brasil, que havia subido ao lugar mais alto do pódio em Barcelona 1992 e em Atenas 2004.

Time mineiro não sabe o que é perder desde o returno da Superliga passada

SADA CRUZEIRO
Você sabe quando foi a última derrota do Sada Cruzeiro em partidas oficiais? Foi no returno da Superliga 2015/2016. Este semestre, tendo disputado Campeonato Mineiro, Mundial de Clubes e Supercopa, além do primeiro turno da Superliga 2016/2017, o time comandado pelo argentino Marcelo Mendez terminou invicto. É difícil imaginar que essa equipe deixe de conquistar a Superliga pela quinta vez. Em nível global, já são três títulos mundiais.

O elenco é estelar. O Cruzeiro conta com os campeões olímpicos William e Evandro, o selecionável Isac, um líbero tarimbado como Serginho, uma promessa de alto nível como Rodriguinho revezando-se com um veterano da qualidade de Filipe. Mas vieram de fora os principais nomes da atual equipe: dois cubanos. Um deles, o ponta Leal, naturalizou-se brasileiro e poderá jogar pela seleção a partir de 2018. O outro é o central Simon, capaz de jogar como oposto se for preciso. Quando o Sada Cruzeiro consegue entrar em alta rotação, geralmente resta ao adversário lamentar.

Segundo o Saída de Rede apurou, os gastos do time mineiro podem chegar a R$ 13 milhões por temporada, investimento equivalente ao do tradicional Trentino, da Itália, terceiro colocado no Mundial deste ano e maior vencedor da história do torneio, com quatro títulos. Por outro lado, é menos da metade dos pouco mais de R$ 27 milhões desembolsados na temporada passada pelos russos do Zenit Kazan, derrotado pelo Sada Cruzeiro nas decisões de 2015 e de 2016.

Oposto Wallace de Souza foi o maior pontuador da Rio 2016

WALLACE DE SOUZA
Ninguém duvida que Serginho é um craque, provavelmente o melhor líbero da história. Mas quem acompanhou a trajetória da seleção masculina na Rio 2016 talvez tenha tido a sensação que o prêmio de melhor jogador da competição poderia ter sido dado, por exemplo, ao oposto Wallace de Souza. Escolhas de MVP quase sempre despertam alguma polêmica e o prêmio, afinal, ficou em boas mãos ao ser dado ao veterano líbero. O fato é que Wallace brilhou muito no Maracanãzinho.

Procure lembrar os momentos mais difíceis da seleção na Olimpíada e provavelmente Wallace terá estado presente para ajudar. É dever de ofício de um oposto sair de enrascadas, mas o que chamou a atenção nesse jogador de 29 anos e 1,98m durante a Rio 2016 foi seu grau de maturidade. Se em grandes competições anteriores, como Londres 2012, quando foi elevado à condição de titular após uma contusão de Leandro Vissotto nas quartas de final, ou o Mundial 2014, Wallace havia oscilado em momentos decisivos, no Maracanãzinho ele foi essencial para despachar os oponentes. Terminou a Olimpíada como o maior pontuador da competição e teve o segundo melhor aproveitamento no ataque.

Italiano Ivan Zaytsev tirou os americanos da final no saque

IVAN ZAYTSEV
A Itália mais uma vez bateu na trave, ficou com a prata olímpica pela terceira vez na história – acumula ainda três bronzes. No entanto, se não fosse por ele, a Azzurra não teria chegado tão longe no Rio de Janeiro. Dia 19 de agosto, ginásio do Maracanãzinho, quarto set, o placar apontava 22 a 19 a favor dos Estados Unidos, que lideravam a partida por 2-1 e estavam perto da decisão do ouro. Os italianos conseguem a virada de bola e o oposto Ivan Zaytsev vai para o saque. Ele não saiu mais de lá até o final da parcial. Veio o tie break e a Itália, cheia de moral, liquidou os EUA.

Porém, não foi apenas por uma sequência impressionante no serviço, em uma partida importante que parecia perdida, que esse italiano filho de russos (o pai, Vyacheslav, foi uma lenda soviética no levantamento), 28 anos, 2,02m, merece todo esse destaque. Desde o início do torneio, quando sua seleção desmantelou a favorita França, Zaytsev mostrou a que veio.

Sua versatilidade permite que jogue como ponteiro em seu clube, Perugia, algo que aliás já fazia na própria seleção há algumas temporadas. Ele começou a carreira seguindo os passos do pai e aos 16 anos já era levantador na primeira divisão da forte liga italiana. No final da década passada, virou atacante e o resto é história. Ivan Zaytsev é um daqueles atletas que valem o ingresso, um jogador que abre caminho com uso da força, mas que sabe utilizar a técnica. Na Rio 2016, ele foi um show à parte. Que o digam os americanos…

Fachada do centro de treinamento em Chapadmalal (foto: FeVA)

VÔLEI ARGENTINO
Não, ele ainda não é da elite. Mas se depender de empenho, organização e planejamento, o voleibol masculino da Argentina chega lá em alguns anos. O ano de 2016 foi importante para os nossos vizinhos. OK, a campanha na Rio 2016 repetiu o resultado de Londres 2012, com a eliminação nas quartas de final, mas o desempenho foi bem superior. Os argentinos terminaram em primeiro lugar na sua chave, com uma vitória inédita sobre a Rússia nos Jogos Olímpicos. Nas quartas, exigiram muito do Brasil e quase levaram a partida para o tie break.

O melhor deles este ano veio da base e principalmente de um investimento realizado pela Federação do Voleibol Argentino (FeVA).

No Sul-Americano sub19 masculino, eles venceram quatro das últimas cinco edições. Na mais recente, disputada em outubro, surraram os brasileiros em sets diretos. No sub21, no mesmo mês, marcaram 3-1 de virada sobre uma atônita seleção brasileira. À medida que vem a transição para o adulto, outros fatores se impõem, a começar pela carência que os nossos vizinhos enfrentam em algumas posições, por causa da menor quantidade de jogadores disponíveis. No Sul-Americano sub23, por exemplo, o título ficou com o Brasil. No adulto, ainda precisam de um oposto matador, que pode vir a ser em um futuro próximo o talentoso Bruno Lima – ele esteve na Rio 2016 como titular, apesar de seus 20 anos.

O grande investimento da FeVA, anunciado com pompa mas sem divulgação dos valores pelo seu presidente, Juan Antonio Gutiérrez, é um ambicioso complexo chamado de Centro Internacional de Alto Rendimento de Chapadmalal, na cidade de mesmo nome, a 300 quilômetros de Buenos Aires. O local aproveita a estrutura de um hotel desativado. Inaugurado em novembro, ainda inacabado (deve ser concluído em 2017), o centro já recebeu campeonatos de base. A FeVA quer que seja uma referência mundial, nos moldes de Saquarema. Quando finalizado, contará com um ginásio poliesportivo, hotel com 725 apartamentos, teatro com capacidade para 600 pessoas, restaurante com capacidade para 800, além de dez quadras indoor e mais quatro para o vôlei de praia.

A popularidade do vôlei vem crescendo entre os hermanos. A liga argentina masculina é transmitida ao vivo pela TV e via YouTube. A modalidade já é uma das três mais praticadas nas escolas, segundo a FeVA. Há potencial e a federação local vem trabalhando para aproveitá-lo.


Central da seleção em alta e Ibope baixo no sobe e desce da Superliga
Comentários Comente

João Batista Junior

Mauricio Souza (ao centro): nove pontos de bloqueio contra Canoas (foto: Vôlei Brasil Kirin)

Mauricio Souza (ao centro): nove pontos de bloqueio contra Canoas (foto: Vôlei Brasil Kirin)

Numa rodada em que o Sada Cruzeiro teve jogo de pouca audiência na TV, mas seguiu soberano em quadra, o Brasil Kirin se valeu da força de um meio de rede da seleção para vencer de virada. Já na Superliga feminina, Mari era a grande atração do Genter Bauru, mas quem se destacou foi outra atacante da equipe. Veja o sobe e desce da Superliga:

Curta o Saída de Rede no Facebook

SOBE

Maurício Souza

Jogador que mais pontos anotou em bloqueios até aqui nesta Superliga, o central Mauricio Souza foi o grande nome da vitória do Brasil Kirin sobre o Lebes/Gedore/Canoas, sábado, em Campinas.

O time da casa perdia por 2 a 0, mas chegou à virada e manteve a invencibilidade no campeonato com nada menos que nove pontos do meio de rede campeão olímpico no bloqueio. Nove! Não à toa, Mauricio Souza foi escolhido o melhor jogador da partida.

Thaisinha

A campeã olímpica Mari começou no banco, sexta-feira, entrou no decorrer do primeiro set, permaneceu em quadra e terminou com dez pontos anotados. No entanto, quem brilhou, mesmo, na vitória do Genter Bauru sobre o Renata Valinhos/Country por 3 a 1 foi a ponteira Thaisinha: com nada menos que 30 pontos, sendo 28 em cortadas, a jogadora teve aproveitamento de 57% no ataque.

Thaisinha tem 1,74m, estatura considerada baixa para os padrões atuais do vôlei, mas é a sexta melhor atacante do campeonato pelos critérios da CBV e a segunda maior pontuadora nesse fundamento – só perde para a oposta Rosamaria, do Camponesa/Minas.

Sada Cruzeiro

Para o atual campeão brasileiro e mundial, os resultados obtidos nessas primeiras rodadas da Superliga, contra equipes que não deverão lutar pelo título da temporada, podem ser tomados como obrigatórios. No entanto, não se deve menosprezar a sequência de jogos e deslocamentos que a equipe celeste disputou na semana passada.

Domingo, o time venceu o Caramuru Vôlei/Castro, no Paraná, por 3 a 0. Na terça-feira, em jogo da quarta rodada, bateu o Copel Telecom Maringá, também fora de casa, por 3 a 0. E na quinta-feira, de passagem por São Bernardo do Campo, bateu o time anfitrião em jogo atrasado da primeira rodada em sets diretos.

Vale ressaltar que, nessa sequência de partidas, o técnico Marcelo Mendez tem conseguido dar boa rodagem ao elenco: jogadores como os centrais Éder Levi e Pedrão, o oposto Alan, o líbero Vanderson e o levantador Fernando Cachopa, que não costumam ter muitas chances no time titular, tiveram oportunidade de jogar durante a semana passada e mantiveram a equipe na liderança da competição – e sem nenhum set perdido.

Vitória cruzeirense em São Bernardo teve pouca audiência na TV (foto: July Stanzione)

Vitória cruzeirense em São Bernardo teve pouca audiência na TV (foto: July Stanzione)

DESCE

Audiência na TV aberta

Foi até matéria do Notícias da TV, do UOL: a audiência da RedeTV!, com a exibição de São Bernardo vs. Sada Cruzeiro, na última quinta-feira, dia 17, teve 0,2 ponto de média e oscilou, nos últimos 45 minutos de exibição da partida, entre 0,1 e 0,0 (dados colhidos pelo Ibope na Grande São Paulo).

Chama a atenção, ainda, o fato de o vôlei ter sido, junto com o programa Master Game, a menor audiência da RedeTV! naquela data.

Competitividade no masculino

Se a briga pelo título masculino deve ser boa, com o Sada Cruzeiro lutando para manter a supremacia, e Funvic Taubaté, Sesi e Brasil Kirin em perseguição, o mesmo não se diz da briga por uma vaga nos playoffs. Pelo menos, não nesse início de Superliga.

O campeonato mal começou e já se nota um vão entre os oito primeiros colocados da Superliga masculina e os quatro últimos. Se cada uma das equipes dentro da zona de classificação para os playoffs já venceu, ao menos, dois jogos, entre os quatro piores colocados (Lebes/Gedore/Canoas, São Bernardo, Copel Telecom Maringá e Caramuru/Castro), ninguém sabe ainda o que é vencer.

É evidente que isso é resultado da grande diferença de investimento entre as equipes, mas traria mais graça à competição uma tabela que, por exemplo, não colocasse o Maringá em rota de colisão com os quatro principais clubes do campeonato nas quatro primeiras rodadas.

(Aliás, já falamos sobre o pouco cuidado que a CBV teve na confecção da tabela – clique aqui.)

Sesi ainda não venceu nesta Superliga feminina (foto: Orlando Bento/MTC)

Sesi ainda não venceu nesta Superliga feminina (foto: Orlando Bento/MTC)

Paulistas

Segue o drama das paulistas na Superliga feminina: com a derrota do Sesi para Camponesa/Minas (3 a 1), do São Cristóvão Saúde/São Caetano para o Rexona-Sesc (3 a 0) e do Pinheiros para o Dentil/Praia Clube (3 a 0) – além do 3 a 0 sofrido por Valinhos diante do Bauru –, as quatro últimas posições do campeonato são ocupadas por times de São Paulo.

Noutras palavras: se os playoffs da competição entre mulheres começassem amanhã, apenas o Vôlei Nestlé e o Genter Bauru, equipes de investimento dos mais elevados nesta temporada, representariam São Paulo, enquanto Pinheiros, Valinhos, Sesi e São Caetano estariam eliminados. Há perspectiva de mudança nesse quadro?


O que esperar em termos de renovação na seleção masculina no próximo ciclo?
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

Alguns dos jogadores campeões olímpicos na Rio 2016 deverão ser substituídos (fotos: FIVB)

A seleção masculina de vôlei encara um novo ciclo a partir de maio do próximo ano, começando com a Liga Mundial 2017 e terminando nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Boa parte dos atletas que passaram pela equipe no período 2013-2016 deverá continuar servindo ao time, que foi renovado em algumas posições, mas há a clara necessidade de reposição de certas peças, em razão do fator idade. A incerteza da continuidade do trabalho de Bernardo Rezende como treinador também deve ser considerada quando se pensa em alterações na equipe, afinal uma eventual mudança no comando implica na possibilidade de novos rostos em posições nas quais já havia referências.

Curta a página do Saída de Rede no Facebook

Uma renovação certa é na posição de líbero após a despedida de Serginho. O líbero bicampeão olímpico e mundial, MVP da Rio 2016, disse adeus à seleção. A escolha óbvia recai sobre Tiago Brendle, 30 anos, que fez parte do time em 2015 e 2016, tem a maturidade necessária para uma função tão crítica, apresentou bom rendimento, tinha voleibol inclusive para estar na Olimpíada e arrancou elogios de Bernardinho. Um nome no qual a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) está de olho é Felipe, 26, que foi um dos dois líberos que foram ao Mundial 2014. Ex-atleta de Rubinho, assistente de Bernardinho, o jogador continua em alta na visão do atual comando. Outro em observação, mas que tem como entrave a uma ascensão imediata a pouca experiência, é Rogerinho, 21 anos. Destaque nas categorias de base, na qual acumulou vários prêmios, ele integra a seleção sub23.

Nas finais do circuito mundial, festa dos campeões olímpicos da praia

No meio de rede, Sidão e Éder, que frequentaram a seleção nos últimos dois ciclos, devem provavelmente abrir espaço para os mais novos. Por problemas físicos, Sidão, 34 anos, titular de 2011 a 2014, ficou fora da Rio 2016. Éder, que ascendeu no ciclo passado, completa 33 em outubro. Lucão esteve no sexteto inicial nas últimas oito temporadas, tem 30 anos e físico para continuar – é uma das referências de Bernardinho na equipe. Surpresa da temporada, melhor central da Liga Mundial 2016 e atualmente um dos melhores bloqueadores do mundo, Maurício Souza, que disputou a Olimpíada longe da sua melhor condição física por causa de uma contratura muscular, completa 28 anos daqui a uma semana e é uma das grandes armas da seleção brasileira. Outro destaque do ciclo passado foi Isac, 25 anos, que ficou fora do Mundial 2014 e da Rio 2016 por problemas físicos – em forma, é nome certo na seleção. Fique atento a Leandro Aracaju, 23 anos, que vem treinando com a seleção principal desde 2015 e que deve ser convocado.

Tiago Brendle despontou no ciclo passado como sucessor de Serginho

Na saída de rede, Wallace, 29 anos, segue firme, mas novamente surge a dúvida sobre o seu reserva. Vários jogadores foram testados, especialmente Evandro, 35, Leandro Vissotto, 33, e Théo, 33. Os três já não são exatamente jovens para encarar mais um ciclo. O gigante Renan, de 2,17m, 26 anos, convocado desde o final do ciclo 2009-2012, até agora não decolou. Este ano, o oposto Franco, também de 26 anos, treinou com a seleção em Saquarema. Resta saber se Bernardinho o vê com perfil para jogar pela seleção, caso o técnico permaneça na função.

Entre os levantadores, Bruno Rezende, na equipe desde meados da década passada, atualmente com 30 anos, ainda tem muita estrada pela frente e está disposto a continuar com a equipe. O segundo armador é que passa a ser um problema, uma vez que os dois substitutos imediatos, William Arjona e Raphael Oliveira, têm 37 anos. Será que continuarão sendo chamados? Ainda que, em tese, Bruno consiga jogar mais dois ciclos olímpicos, é necessário encontrar outros jogadores da posição com nível para jogar na seleção, até porque o provável titular não está imune a uma contusão, por exemplo. Na seleção sub23, citada pelo próprio Bruno como natural referência na renovação, o titular é Fernando Cachopa, 20 anos, reserva no Sada Cruzeiro. Habilidoso, já foi elogiado por Bernardinho, treinou com a seleção B, mas tem como obstáculos o pouco tempo de quadra, uma vez que é o substituto de Arjona no clube, e também a baixa estatura, 1,85m – fator que certamente impediu voos mais altos de William Arjona.

Bruno e Lucarelli devem ser nomes certos nas próximas convocações

Na entrada a situação é menos crítica, com ressalvas ao nível da recepção dos remanescentes. Depois que Murilo Endres, um dos principais passadores do voleibol mundial, despediu-se da seleção na sequência do seu corte dias antes da Rio 2016, Ricardo Lucarelli passou a ser a principal referência na ponta, mas carece de bom passe, apesar do talento incontestável no ataque. Na Olimpíada carioca, Maurício Borges começou como titular e ao longo do torneio deu lugar a Lipe, que chegaria a Tóquio 2020 com 36 anos, ou seja, é bom provável que não esteja no próximo ciclo. Já Borges, que alterna momentos brilhantes e erros em sequência, parece nome certo, principalmente se polir seu jogo. Uma das apostas para o futuro é Douglas Souza, campeão olímpico, que teve atuação discreta no Rio de Janeiro (entrou em apenas uma partida), mas que desponta como um dos grandes talentos brasileiros. Entre os mais novos, Gabriel Vaccari, que completa 20 anos em dezembro e joga pela seleção sub23, vinha treinando com a principal e pode ser testado a partir de 2017. Mas a grande expectativa do torcedor é para a provável convocação do cubano naturalizado brasileiro Yoandry Leal, que poderá integrar o time a partir de 2018. Maior estrela do multicampeão Sada Cruzeiro, Leal seria uma arma importante na estratégia de ataque e de saque da seleção.

A princípio, entre os titulares, a equipe certamente manterá caras conhecidas, com protagonismo de jogadores que cresceram ao longo do ciclo 2013-2016, como o ponta Lucarelli, o oposto Wallace ou o central Maurício Souza. Sem o líbero Serginho, os mais experientes passam a ser o levantador Bruno e o central Lucão, e é pouco provável que, na hipótese de haver um novo treinador, deixem de ser convocados. Para os possíveis novatos, será o início de uma escalada que pode ser compensadora, vestindo a camisa de uma seleção que está quase sempre no pódio e que acaba de se sagrar campeã olímpica pela terceira vez na história.


Seleção masculina flerta com o perigo na estreia da Rio 2016
Comentários Comente

Carolina Canossa

Brasil errou demais, mas conseguiu sair com os três pontos de quadra (Fotos: Divulgação/FIVB)

Brasil errou demais, mas conseguiu sair com os três pontos de quadra (Fotos: Divulgação/FIVB)

Se a expectativa era de uma estreia tranquila para a seleção brasileira masculina de vôlei, o que se viu no primeiro set contra o México foi o “caos”, para ficar em um bordão do narrador Rômulo Mendonça, da ESPN. Errando muito e com um saque ineficiente, o Brasil acabou surpreendido por um rival bem mais fraco tecnicamente no Maracanãzinho. No fim, a virada aconteceu (23-25, 25-19, 25-14 e 25-18), mas neste domingo a possibilidade de perder um ponto inesperado, algo desastroso no forte grupo A olímpico, foi real.

As estatísticas são duras: em quatro sets, foram 25 pontos cedidos em erros ao mexicanos, um time que só veio à Rio 2016 graças à criação de um Pré-Olímpico Mundial disputado por times com pouca tradição. Sem nada a ver com isso, o México aproveitou o palco para jogar solto, com destaque para o levantador Pedro Rangel (alô, times da Superliga!), que conseguiu driblar o bloqueio brasileiro constantemente para jogar principalmente com o oposto Daniel Vargas e o capitão Carlos Guerra.

Conheça a equipe do México que veio à Rio 2016

Depois do susto inicial, o Brasil teve o mérito de conseguir voltar para o jogo. Sob o comando de Wallace, dono da melhor atuação individual do dia, a equipe de Bernardinho passou a se impor em quadra. Ajudou também a mudança na estratégia do saque, que ficou mais agressivo. Pressionados, os mexicanos também passaram a errar bastante nas ações ofensivas.

Wallace foi o destaque individual do Brasil na partida

Wallace foi o destaque individual do Brasil na partida

Com uma lesão na coxa, Maurício Souza fez falta: ótimo bloqueador, o central viu seus companheiros de posição, Éder e Lucão, só conseguirem pegar um atacante rival no terceiro set. Mais preocupante que isso é o fato de Lucão ter sentido dores no tendão, problema que se não for resolvido logo pode obrigar Bernardinho a improvisar alguém como meio de rede nos próximos duelos.

Curta o Saída de Rede no Facebook!

Em que pese a atuação abaixo do esperado, a boa notícia é que, como o próprio Bernardinho observou ao fim do duelo, essa seleção tem margem de crescimento – quem viu toda a Liga Mundial (e não só a final) sabe disso. Porém, o jogo deste domingo (7) deixou claro que será preciso jogar bem o tempo inteiro para sair do Rio com uma medalha. O desafio já será bem maior na partida de terça (9), contra um perigoso Canadá.

Em tempo: para os supersticiosos, em Atenas 2004, a seleção masculina também perdeu o primeiro set por 25-23 para um time bem mais fraco, a Austrália. E acabou com o ouro…

————-

Receba notícias de vôlei pelo WhatsApp

Quer receber notícias no seu celular sem pagar nada? 1) adicione este número à agenda do seu telefone: +55 11 94546-6166 (não esqueça do “+55″); 2) envie uma mensagem para este número por WhatsApp, escrevendo só: giba04