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Mari: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”
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Sidrônio Henrique

A oposta do Bauru diz que está super tranquila (foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

A silhueta esguia surge no corredor que dá acesso à quadra e os fãs que aguardam a loira de 1,90m se agitam ao vê-la de longe, chegando para o treino. Quase cinco anos depois de ter vestido a camisa da seleção brasileira pela última vez, a ponta/oposta Marianne Steinbrecher, 33 anos, ainda causa frisson entre os aficionados por voleibol. É quase impossível ignorá-la, seja por sua simples presença, seja por sua história representando o Brasil.

Foi do céu ao inferno mais de uma vez. Muito jovem, 21 anos recém-completados, marcou 37 pontos na tragédia de Atenas, em 2004, a semifinal olímpica em que o Brasil desperdiçou sete match points e viu a Rússia avançar à final. Começava ali um calvário que acabaria quatro anos depois, na sua maior conquista, o ouro olímpico em Pequim. Calou seus detratores como titular absoluta em uma equipe esférica, beirando à perfeição. Contusões, cirurgias, o corte antes de Londres 2012… Uma carreira atribulada, mas Mari sempre ressurge.

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A forma atual, ela admite, não é a ideal, mas segue se esforçando, lutando contra as limitações físicas. “Eu tive lesões sérias que afetaram minha forma de jogar. Hoje em dia eu tenho que me arrumar muito mais para atacar uma bola, pensar muito mais para saltar, para cair. Em alto nível, qualquer diferença é muito grande”, disse ao Saída de Rede.

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O modo como o voleibol feminino é jogado atualmente não a agrada muito. “Eu acho o vôlei um esporte muito bonito, muito técnico. O vôlei feminino era pra ser muito mais assim e não está sendo”. Sobre a renovação na seleção, Mari torce pelo sucesso do time, mas foi taxativa: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”.

Atualmente revezando-se com Bruna Honório na saída de rede, ela tenta ajudar o Genter Vôlei Bauru, clube que passou a integrar em novembro do ano passado, a chegar à semifinal da Superliga, na segunda temporada da equipe na primeira divisão. Logo mais, às 20h30, em Belo Horizonte, o Bauru entra em quadra como visitante contra o Camponesa/Minas para a primeira partida da série melhor de três das quartas de final.

Veja a entrevista que Marianne Steinbrecher concedeu ao SdR:

Saída de Rede – Os fãs ficam muito agitados quando te veem. Faz tempo que você não joga pela seleção, mas segue sendo assunto nas redes sociais e chama muita atenção nos ginásios. A que você atribui isso?
Mari – Acho que simpatizam comigo porque sou uma jogadora diferente. Mas sou mais séria na quadra, fora dela sou completamente diferente do que quando estou jogando. As pessoas não sabem, acham que sou assim o tempo todo e não é verdade, sou brincalhona. Quem me conhece, sabe. Então eu acho que esse jeito diferente, aparentemente mais frio, causa essa curiosidade, né. Também o fato de eu não ser uma brasileira típica. Essas coisas me deixam bem diferente da maioria das jogadoras.

Mari na semifinal de Atenas 2004: bloqueando Gamova e no chão após a derrota (fotos: FIVB)

Saída de Rede – Como avalia seu atual momento na carreira? Está jogando do jeito que gostaria? Como vê sua participação no Bauru?
Mari – Tô voltando numa situação atípica, fiquei muito tempo parada depois da morte do meu pai (1º de abril de 2016). Eu vim num esquema diferente delas (aponta para as colegas de time, na quadra). Eu tenho alguns, não digo privilégios, mas algumas coisas que eu resolvo com o Marcos (Kwiek, treinador do Bauru). Eu tenho que ver minha mãe, que agora é uma senhora paraplégica que mora sozinha (vive em Rolândia-PR, cidade onde a paulistana Mari foi criada), eu tenho todo um esquema um pouco diferente. Mas eu não deixo de treinar, eu treino igual a todo mundo. Eu vim depois, né. Cheguei ao time em novembro, então até eu entrar em ritmo de novo… Até hoje eu não peguei ritmo de jogo. Eu vinha jogando, mas aí eu machuquei o abdome, fiquei um bom tempo parada. Agora tô voltando a treinar. Ainda não estou como eu gostaria, por não ter ritmo de jogo e ter tido também essa lesão no abdome, que me deixou um tempo afastada.

Redenção em Pequim 2008: ouro (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você teve muitas lesões ao longo da carreira. O quanto elas te atrapalharam? Te fizeram mudar a forma de jogar?
Mari – Eu tive lesões sérias que afetaram minha forma de jogar. Eu tive uma lesão na perna esquerda (joelho esquerdo, em 2013) que eu nunca mais pude cair me apoiando nela como fazia antes, isso me deixou muito travada. Hoje em dia eu tenho que me arrumar muito mais para atacar uma bola, pensar muito mais para saltar, pensar muito mais para cair. Em alto nível, qualquer diferença é muito grande. Então foi toda uma adaptação, levou pelo menos dois anos para hoje estar um movimento mais natural. Eu tive vários problemas que a maioria das jogadoras não teve. Tive uma cirurgia no ombro direito ainda muito nova, depois demorou a recuperar. Em 2008 eu já estava OK, mas você tem que ficar sempre cuidando. Teve a cirurgia no joelho direito em 2010, que me tirou do Mundial. Leva sempre um ano (de recuperação) para você estar bem. E nunca mais você fica 100%, você volta bem, mas nunca mais é o joelho como a gente nasceu. Foram várias coisas… Eu aprendi muito a ter superação diante desses problemas. Isso me fez crescer muito como atleta, como pessoa.

Saída de Rede – A temporada anterior, parte na Itália, depois na Indonésia, onde o nível é mais baixo, te atrapalhou de alguma forma?
Mari – Não, foi ótima. O nível delas (jogadoras indonésias) não é o nosso nível, mas o das estrangeiras que vão para lá é muito bom. Tinha as chinesas, jogadoras da seleção delas, que disputaram duas Olimpíadas, e jogaram lá também. A Logan Tom (ponta americana), que estava no meu time, ela estava muito bem. As estrangeiras são diferenciadas, a cobrança em cima da gente na Indonésia era muito grande. Lá a gente atacava 80, 90 bolas por jogo. Se fizéssemos menos de 30 pontos, eles achavam que a gente jogou mal. É um outro tipo de pressão, então fisicamente você tem que estar o tempo inteiro bem. Treinava e jogava sexta, sábado e domingo, não tinha folga… Eles são assim, um pouco fora do normal. (Risos)

No ataque: lesões mudaram sua forma de jogar (fotos: Neide Carlos/Genter Vôlei Bauru)

Saída de Rede – Você ficou decepcionada por não ter sido lembrada na convocação da seleção no ano passado?
Mari – Não chegou a ser decepção porque não esperava nada, não espero nada, mas eu acho que poderia ter sido lembrada pela fase em que eu estava. Eu vinha bem, fisicamente muito bem. Fui pra Indonésia por falta de pagamento (na Itália), não por opção minha. Naquele período não tinha um time pra eu poder me encaixar. Até havia outros times, mas financeiramente não estava valendo a pena em comparação com o que a Indonésia me ofereceu. E eu estava vindo de uma situação sem receber, então não podia pensar só onde jogar, mas na parte financeira também. Eu fiquei mais de cinco meses sem salário na Itália, tendo despesas em euro, e o euro estava quatro e pouco em relação ao real… Tive que optar pela situação financeira que a Indonésia estava oferecendo.

Saída de Rede – O Bolzano (clube italiano pelo qual ela jogou metade da temporada passada) pagou tudo o que te devia?
Mari – Não, não…

Saída de Rede – Eles propuseram algum acordo?
Mari – Eles tão pagando muito picado, sabe. Já tem mais de um ano e até hoje eles me ligam e falam “vamos pagar um pouquinho aqui”. Eu já entendi que eu nunca vou ver a cor do dinheiro realmente.

(Nesse momento, Paula Pequeno, do Terracap/BRB/Brasília Vôlei, que havia treinado e se alongava noutro canto do ginásio do Sesi, em Taguatinga (DF), chega e dá um abraço e um beijo na ex-colega de seleção. As duas foram as ponteiras titulares em Pequim 2008, quando o Brasil conquistou seu primeiro ouro olímpico no vôlei feminino, numa campanha invicta, com oito vitórias e apenas um set perdido.)

Batendo papo com as colegas de time durante intervalo do treino

Saída de Rede – Você já pensou em parar ou faz planos de jogar até uma determinada idade?
Mari – Hoje em dia não tô mais pensando muito nisso, não. Eu acho que fisicamente, apesar dos contratempos, ainda tô super tranquila pra jogar. Tudo depende mais da cabeça hoje em dia, né… Eu vou fazer 34 anos e o que pesa mais não é a parte física, mas sim a cabeça. Sabe, você estar querendo fazer outras coisas, estar descobrindo outras coisas e o vôlei passa a não ser mais o principal foco… Mas eu ainda não cheguei nesse ponto. Quando chegar nesse ponto, vai ser o momento em que vou falar “não quero mais”.

Saída de Rede – Seu contrato com o Bauru vai até o final desta temporada. Onde você se vê na próxima? Pensa em renovação com o clube?
Mari – Eu espero continuar.

Saída de Rede – O que acha da renovação na seleção feminina, das novas jogadoras que substituirão a sua geração?
Mari – Eu acho que o vôlei, comparando a nossa geração com essa de hoje, virou um voleibol masculino: só força, porrada, você não vê mais jogada, você não vê mais jogadoras habilidosas, não vê levantadoras como Fofão e Fernanda Venturini. Pra mim, o vôlei feminino virou um vôlei, digamos, um pouco mais feio. Mais forte, porém mais feio. Modo de dizer, não que seja um vôlei feio. (Risos)

Durante aquecimento na Superliga, ela aguarda sua vez de atacar

Saída de Rede – Com mais potência, com ênfase na parte física?
Mari – Exatamente. Eu acho o vôlei um esporte muito bonito, muito técnico. O vôlei feminino era pra ser muito mais assim e não está sendo. Então nossa renovação está… No mundo, né, no geral tá sendo muito isso.

Saída de Rede – Você acha que as jogadoras jovens cotadas para a seleção podem ajudar a manter o Brasil em alta?
Mari – Ai, prefiro não opinar porque a gente não sabe o que pode acontecer… Assim como minha geração foi um pouco desacreditada, de 2005 até ganhar o ouro olímpico em 2008… Depois na Olimpíada seguinte elas ganharam outro ouro, sabe, esse grupo em que ninguém acreditava, que era chamado de geração amarelona e tal. Isso pode acontecer com essa geração nova. Eu torço pra que isso aconteça, que vençam. Porém, acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração. É pouco provável ter tantas atletas naquele nível nessa geração que está chegando.


Moreno: primeiro ídolo surgiu antes do boom do vôlei no Brasil
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Sidrônio Henrique

Antes de amistoso contra a China, em Santo André (SP), em 1978, Moreno recebe homenagem pela partida de número 300 pela seleção. Chegaria a 366 jogos (fotos: arquivo pessoal)

Antes de Giba, Marcelo Negrão, Wallace, Renan Dal Zotto, entre tantos outros ídolos numa lista bem extensa, o vôlei brasileiro teve Antônio Carlos Moreno. Você não o conhece? Pois saiba que, apesar da falta de memória do brasileiro ser cruel com ídolos do passado, ele é respeitado no mundo inteiro, a ponto do americano Doug Beal, referência internacional, dizer que ele merece um lugar no Hall da Fama e do japonês Yasutaka Matsudaira, melhor técnico do século XX, levá-lo duas vezes para o Japão e apresentá-lo como “meu filho brasileiro”.

Moreno era conhecido no Brasil nos anos 1970, muito antes do voleibol conquistar o status que tem atualmente. Era 1979 e o comercial da marca de artigos esportivos Topper anunciava o nome dos craques de quatro modalidades que apareciam no vídeo. Entre eles lá estava Moreno, então a cara do voleibol no país, dando um peixinho e depois atacando.

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Ainda faltavam três anos para o boom do vôlei no Brasil, elevado à condição de segundo esporte nacional pela geração de prata, da qual muitos atletas tiveram Antônio Carlos Moreno como modelo. Mas antes mesmo da explosão da modalidade, comerciais em rede nacional, convites de equipes do exterior, o respeito dos adversários e o carinho dos fãs faziam parte da vida dele. Isso numa época em que o voleibol quase não era visto na TV, longe de rivalizar com o basquete.

Versatilidade
Num período em que o vôlei era bem diferente daquele praticado hoje, Moreno fez de tudo: entrada, saída, meio. “Até levantador eu fui”, disse ao Saída de Rede o ex-jogador de 68 anos. Foi ponteiro a maior parte do tempo. Destro, aprendeu a atacar também com a esquerda, depois de uma lesão na mão direita que quase o tirou do Mundial 1974. Com 1,92m, era alto para os padrões da época.

Qualquer garoto que jogasse ou pensasse em jogar vôlei no Brasil nos anos 1970 queria ser o Moreno”, contou ao SdR Marcos Kwiek, técnico do Genter Vôlei Bauru, da seleção feminina da República Dominicana e ex-atleta do antigo ponta no clube Hebraica, em São Paulo. Antônio Carlos Moreno começou na seleção brasileira adulta com apenas 17 anos, em 1965, e se despediu dela aos 32, em 1980, sempre como titular – foi capitão de 1972 a 1980. Participou de 366 partidas internacionais, incluindo quatro Jogos Olímpicos, quatro Campeonatos Mundiais e quatro Jogos Pan-Americanos.

Moreno (camisa 5) antes de amistoso da seleção em São Paulo como preparação para o Pan 1971, em Cali, Colômbia

Filho único, nascido em Santo André (SP), em 11 de junho de 1948, Moreno descobriu a modalidade aos 11 anos, em 1959, no Instituto de Educação Dr. Américo Brasiliense, na sua cidade. No ano seguinte, começou a praticar o voleibol de forma competitiva no Clube Atlético Aramaçan, também em Santo André, onde vive até hoje.

Após chegar à seleção e se firmar como titular, com o aval dos veteranos, o garoto Antônio Carlos Moreno foi para o seu primeiro Mundial já ano seguinte, em 1966, na antiga Tchecoslováquia. Dois anos depois, aos 20, a maior emoção da sua carreira, a primeira Olimpíada. O Brasil ficou em um modesto nono lugar entre dez participantes na Cidade do México 1968. A qualidade técnica da nova geração alimentava o sonho de dias melhores para a modalidade no país, mas a falta de estrutura, em meio a uma gestão amadora, atrasou o desenvolvimento do voleibol brasileiro em uma década. “Íamos para torneios no exterior sem saber, por exemplo, o que era saque flutuante ou bloqueio ofensivo e aprendíamos durante as competições. Quase não havia intercâmbio”, comentou o craque.

Oportunidade no Japão
Mesmo muito jovem, Moreno chamava a atenção dos adversários. Na Copa do Mundo 1969, disputada na extinta Alemanha Oriental, caiu nas graças do treinador japonês Yasutaka Matsudaira, que estruturava a seleção que encantaria o mundo três anos mais tarde com seu jogo rápido, na Olimpíada de Munique, em 1972. Matsudaira foi escolhido pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB), em 2000, como o melhor técnico de equipes masculinas do século XX. No final dos anos 1960, nasceu entre ele e Moreno uma amizade que duraria até o falecimento do japonês em 2011.

Foto de uma revista especializada japonesa em nota sobre a chegada de Moreno ao país, em 1972. Ao lado dele, o técnico Nobuhiro Imai, que treinou a seleção feminina do Japão

O lendário treinador levaria o brasileiro para jogar na liga do Japão, uma potência na época, em 1972 e em 1977. Os atletas japoneses atuavam sob regime profissional, dedicando-se exclusivamente ao voleibol. Enquanto isso, no Brasil, os clubes treinavam duas horas por dia, quando era possível. A situação mais comum era que os jogadores tivessem empregos tradicionais pela manhã e à tarde, indo para o treino à noite. Os períodos de concentração da seleção brasileira raramente ultrapassavam dois meses e eram interrompidos para que os atletas pudessem atender compromissos nos seus empregos. Alguns acabavam pedindo dispensa para não ficar sem trabalho.

Treinos insuficientes
Moreno recorda que o time que foi a Munique 1972 era tecnicamente muito bom, mas a carga incompleta de treinos e a má sorte no sorteio das chaves (seis times divididos em dois grupos) atrapalharam os brasileiros. A equipe comandada pelo técnico Valderbi Romani caiu no mesmo lado do Japão e da Alemanha Oriental, que seriam ouro e prata, respectivamente. Naquele tempo, os dois primeiros avançavam à semifinal, terceiro e quarto disputavam do quinto ao oitavo lugares, e os dois últimos do nono ao décimo segundo lugar.

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O Brasil terminaria em oitavo em Munique, abatido após uma fase inicial em que jogou de igual para igual com os alemães orientais (veja vídeo no final deste texto) e engrossou dois sets contra o Japão de Matsudaira e do genial Katsutoshi Nekoda, o pai dos levantadores modernos, com seu estilo arrojado. Moreno ficaria amigo também de Nekoda, de quem havia se aproximado em 1969, durante a Copa do Mundo. O armador japonês faleceria em 1983, aos 39 anos, devido a um câncer no estômago.

Moreno (5), aos 17 anos, em 1965, na equipe juvenil do Randi, clube de Santo André (SP)

Ambidestro
Faltavam 37 dias para o Mundial 1974, no México, quando Moreno se acidentou numa porta de vidro e rompeu o tendão do dedo indicador da mão direita. Parecia o sinal vermelho para suas pretensões de ir a seu terceiro Campeonato Mundial, após as edições de 1966 e 1970. O atacante ficou desesperado, mas apostou na recuperação e, para compensar a impossibilidade de utilizar a mão direita, aprendeu a atacar com a esquerda. Foi ao torneio no México. “Era um ataque forte com a esquerda. Não tanto quanto com a direita, mas havia potência”, conta Luiz Eymard, colega de seleção de Moreno e um dos grandes nomes do voleibol brasileiro nos anos 1970.

Nas quadras mexicanas, Antônio Carlos Moreno ficava receoso de machucar ainda mais o dedo lesionado, principalmente na hora de bloquear. “Os cubanos sabiam da lesão e atacavam com força na minha mão direita. Doía uma barbaridade”, mencionou.

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Veio a Olimpíada de Montreal 1976 e o Brasil subiu mais um posto, terminando em sétimo, mas seria a partir do ciclo seguinte que o país daria um salto de qualidade no voleibol masculino. Carlos Arthur Nuzman, atual presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), havia assumido a presidência da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) em 1975. Sob sua gestão, a modalidade cresceu.

Futuro promissor para o vôlei
A seleção masculina, no período 1977-1980, deu seus primeiros passos rumo às medalhas que conquistaria no ciclo 1981-1984. Revelações do início dos anos 1970, como William Carvalho e Bernard Rajzman, somavam-se aos talentos revelados no Mundial Juvenil 1977, como Renan Dal Zotto, Mário Xandó e José Montanaro, entre outros. “Aqueles meninos eram craques, como ficaria evidente mais tarde”, relembrou.

Em peça publicitária da Topper, de 1979, que circulava em revistas. Havia também um comercial na TV

Moreno se mantinha em evidência. Nos Jogos Pan-Americanos 1979 ele foi incluído pela terceira vez consecutiva na seleção do torneio. Conquistou medalha em todas as quatro edições de que participou: três pratas (1967, 1975 e 1979) e um bronze (1971).

Se os Jogos Olímpicos da Cidade do México 1968 ocupam lugar especial na sua memória por terem sido os primeiros, os de Moscou 1980 marcam sua melhor participação numa Olimpíada e também são lembrados com carinho. O quinto lugar, na sua despedida da seleção brasileira, demonstrou que a equipe tinha potencial para um futuro brilhante.

O momento mais marcante foi a virada por 3-2 sobre a Polônia, que chegou à capital russa para defender o título olímpico, comandada pelo atacante Tomasz Wojtowicz, o homem que quatro anos antes havia criado o ataque da linha dos três metros. A Polônia terminaria em quarto lugar em Moscou 1980, mas ainda era um dos melhores times do mundo. Foi a primeira vez que o Brasil derrotou uma potência numa Olimpíada, na sua melhor colocação até ali.

Técnico da seleção
Antônio Carlos Moreno já havia decidido que era hora de deixar a seleção. Queria sair ainda jogando bom voleibol e partir para uma experiência que vinha adiando havia alguns anos: uma temporada na liga italiana. Antes, atendeu a um convite de Nuzman e assumiu interinamente, de agosto a novembro de 1980, o cargo de técnico da seleção, em substituição a Paulo Russo, numa série de partidas contra a França e na Canadian Cup, torneio amistoso em que a seleção brasileira foi vice-campeã, perdendo a final para os Estados Unidos.

“A estrela de Moreno brilha no Palalido”, informa o título do jornal italiano, numa referência ao brasileiro e ao ginásio da partida, em Milão

Cumprido o compromisso com Nuzman, foi para o Gonzaga Milano, uma das principais equipes da Itália, e jogou, com destaque (veja imagem ao lado), por uma temporada, para depois voltar ao Brasil. Despediu-se das quadras em casa, Santo André, pela excepcional equipe da Pirelli, em 1982. Conquistou diversos títulos estaduais, brasileiros e sul-americanos. O amadorismo do voleibol no país o impediu de alçar voos mais altos com a seleção.

Seguiu a carreira de técnico, com a qual vinha flertando desde 1975, nas categorias inferiores. Comandou times grandes, como Pirelli e Banespa, ao longo dos anos 1980, depois de se aposentar como jogador. Suas atividades no ramo empresarial o afastavam às vezes do esporte, mas sempre que podia voltava à beira da quadra. Treinou sua última equipe em 2004, na Hebraica.

Formação profissional
Graduado em administração de empresas, fez mestrado em educação física na Universidade de São Paulo (USP) e especializou-se em gestão esportiva pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Participou da formação de mais de mil treinadores de diversas modalidades. Fala quatro idiomas além do português: espanhol, italiano, inglês e alemão. Quando o repórter diz que soube que ele falava também francês e japonês (servia como intérprete de Matsudaira nas suas viagens ao Brasil), Moreno retruca: “Esses aí eu esqueci, já não falo direito”.

Atualmente, ele trabalha no Instituto Olímpico Brasileiro, departamento do COB voltado à educação de atletas, treinadores e outros profissionais vinculados ao esporte. Na Rio 2016, por exemplo, ele atuou junto a equipes e atletas que conquistaram sete das 19 medalhas obtidas pelo Brasil.

Moreno, a esposa e os seis filhos

Prazer em ajudar
Criado pela mãe – o pai os deixou quando ainda era pequeno –, Moreno diz que aprendeu desde cedo com ela, que trabalhava como telefonista na Prefeitura Municipal de Santo André, a valorizar o aprendizado. “Tenho enorme prazer em auxiliar, contribuir, encorajar pessoas para que se desenvolvam cada dia mais, vencendo barreiras. Ser lembrado nunca foi meu objetivo, mas o reconhecimento de alunos, atletas, profissionais de diversas áreas e níveis é a minha grande recompensa”.

Moreno é casado com Selma e tem seis filhos – dois deles são técnicos de vôlei em universidades americanas. Até o final do ano nascerá seu oitavo neto.

Mesmo não tendo nenhuma medalha como atleta pelo Brasil numa competição global e sendo de um país de memória curta, Antônio Carlos Moreno tem lugar entre os grandes da história do vôlei. Estava à frente do seu tempo e foi peça essencial na evolução de uma modalidade que hoje coleciona títulos para o Brasil. Um exemplo para quem teve a chance de conviver com ele. Nas palavras do atacante José Montanaro, expoente da geração de prata, “Moreno foi um mestre dentro e fora das quadras”.

(Veja abaixo trecho de uma partida em Munique 1972 entre Brasil e Alemanha Oriental, equipe campeã mundial e que ficaria com a prata naqueles Jogos Olímpicos. Moreno é o camisa 5.)

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HISTÓRIAS DE ANTÔNIO CARLOS MORENO

Vendedor de café
Era 1966, ele tinha 18 anos e embarcava para o seu primeiro Campeonato Mundial, na extinta Tchecoslováquia. Começava a trabalhar e estudar, não tinha grana. Queria comprar presentes, material esportivo e teve uma ideia ao descobrir que o café brasileiro era artigo raro, cobiçado e obviamente caro no leste europeu. Avisou aos colegas. Levou 20 quilos na mala. Os demais levaram o que podiam. O jovem Moreno ficou encarregado de intermediar a venda. Quando chegaram a Pardubice, cidade onde o Brasil jogou a primeira fase do torneio, ele pediu que os colegas lhe entregassem todo o café que tinham. Ficou com 180 quilos em seu quarto. Procurou um funcionário do hotel, que demonstrou interesse no produto. Cobrou 10 vezes o preço que havia pagado no Brasil, o que ainda era metade do valor cobrado na Tchecoslováquia. Vendeu tudo rapidamente, em apenas dois dias. Ele e os companheiros de time compraram presentes para a família, os amigos, além de material esportivo, claro.

Cadê o ginásio?
No curto período de treinamento para a Olimpíada da Cidade do México, em 1968, uma das preocupações da comissão técnica era a altitude da capital mexicana (2.250m). Resolveram que, para se adaptar, a seleção deveria passar um período em Campos do Jordão (1.628m). Chegaram lá, se hospedaram e no dia seguinte iam treinar no ginásio. Que ginásio? A seleção brasileira ficou concentrada em uma cidade que não tinha espaço apropriado para treinamento e ninguém da delegação sabia disso. A solução foi procurar um. Depois de horas e diversos telefonemas, encontraram um local adequado a 30 quilômetros dali.

Imagem icônica do terrorista na varanda do prédio onde estava a delegação israelense em Munique 1972

Testemunha do terror em Munique
Em Munique 1972 houve o ataque de oito terroristas palestinos, da organização Setembro Negro, que resultou na morte de 11 integrantes da delegação israelense. O bloco em que estavam os brasileiros era vizinho ao de Israel. “Ninguém saía da vila olímpica. Sabe aquela imagem famosa em que aparece o terrorista encapuzado? Eu via esse sujeito da nossa janela. E vi também quando houve aquela fila, dos terroristas e dos israelenses, se dirigindo para o ônibus para irem ao aeroporto. Foi o momento mais tenso e mais triste da minha vida esportiva”, contou Moreno.

Almoço com a rainha da Inglaterra
Os Jogos de Montreal 1976 tiveram a visita da rainha da Inglaterra, Elizabeth II – o Canadá faz parte da Comunidade Britânica de Nações. Foi programado um almoço para ela na vila olímpica. Ao saber disso, Moreno decidiu que ia “almoçar com a rainha”. Tratou de descobrir na véspera em que parte do refeitório ela ficaria e chegou uma hora antes na data marcada (não havia jogo nem treino naquele momento), para ficar o mais perto possível. “Havia todo um aparato de segurança, então fiquei um pouquinho longe, mas mesmo assim fiquei de olho nela, almocei olhando para a rainha da Inglaterra. Não é algo comum”, divertiu-se o ex-atleta.

Certificado de participação em Moscou 1980: quinto lugar era a melhor colocação do Brasil

Amizade com Zaytsev e câmbio na vila olímpica
Um das amizades que Moreno fez no mundo do vôlei foi com o levantador soviético Vyacheslav Zaytsev, pai do craque italiano Ivan Zaytsev. Prata em Montreal 1976, conquistaria seu cobiçado ouro em Moscou 1980 (ganharia outra prata em Seul 1988). Sempre que havia tempo, se encontrava com o brasileiro na vila olímpica moscovita. “Éramos muito amigos. Ele queria sempre saber coisas do Brasil e eu da União Soviética. Como era difícil comprar rublos (moeda local), rolava uma ajuda mútua. Eles cobiçavam dólares e a compra lá era restrita. Nós brasileiros precisávamos de rublos. Então nós dois fazíamos essa ponte entre nossas seleções. Eu dava ao Zaytsev dólares e ele vinha com os rublos”.

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O QUE DIZEM SOBRE MORENO

Doug Beal

“Moreno foi um dos maiores atletas que enfrentei. Ele e o Luiz Eymard foram os melhores brasileiros contra quem joguei. Moreno era extremamente inteligente. Se o Brasil tivesse ganhado alguma medalha nos anos 1970, certamente ele estaria no Hall da Fama, ali é o lugar dele. Um jogador completo”. Doug Beal, ex-atleta, ex-técnico dos EUA (ganhou o ouro em Los Angeles 1984) e ex-diretor executivo da USA Volleyball

José Roberto Guimarães

“Antônio Carlos Moreno foi um espelho fantástico, eu procurava fazer o que ele fazia, até no modo de me comportar. Muito jovem, o Moreno já era fluente em inglês e em alemão, uma cabeça extraordinária. Eu tinha 13 anos, morava em Santo André, quando fui jogar nas categorias de base do Randi (clube da cidade que antecedeu a Pirelli). Embora o Moreno tivesse só 19 anos, já era uma referência, era da seleção. Dominava todos os fundamentos, tinha facilidade de jogar, era diferenciado, atacava com os dois braços. Ele teve uma influência muito grande sobre mim”. José Roberto Guimarães, técnico tricampeão olímpico, colega de clube de Moreno e companheiro de seleção de 1973 a 1977

Bernardinho em Moscou 1980

“O Moreno foi uma referência muito importante no voleibol, foi um ícone. Eu comecei a ser convocado para a seleção brasileira em 1978, 1979 e tive minha primeira participação efetiva na Olimpíada de Moscou, em 1980. Ele era o capitão e transmitia pra gente toda a seriedade do trabalho, sua rigidez de valores, a importância de fazer a coisa certa. Ele foi muito importante para aquela geração de jovens talentosos que chegava para transformar o voleibol no Brasil. Tínhamos Renan, Xandó, Amauri, Montanaro e outros. O Moreno era um líder. Inclusive ele foi nosso técnico antes do Bebeto (de Freitas) assumir, nos treinou num torneio amistoso no Canadá, após a Olimpíada de Moscou”. Bernardinho, técnico bicampeão olímpico e tricampeão mundial, integrante da geração de prata e companheiro de seleção de 1978 a 1980

José Montanaro

“Ele era uma referência não só pra gente no Brasil, mas no mundo, numa época em que o voleibol não tinha repercussão aqui no país. Quando fui para a seleção adulta, a partir de 1978, ele era o capitão. Olha, o Moreno era um mestre dentro e fora das quadras, ajudou muito na formação da geração de prata. Foi meu técnico mais tarde no Banespa. É uma pessoa de muito valor. O cara era a eficiência em carne e osso, tinha muito conteúdo, inteligente demais, abria nossos horizontes, excelente em todos os fundamentos e ainda atacava com os dois braços”. José Montanaro, colega de Moreno na seleção de 1978 a 1980, foi prata no Mundial 1982 e na Olimpíada 1984

Carlos Arthur Nuzman

“Antônio Carlos Moreno é um dos grandes nomes da história do voleibol brasileiro. Seu equilíbrio e liderança, dentro e fora das quadras, o fizeram um grande capitão da seleção. Respeitado por todos, foi um dos atletas que deixou importante legado para a geração de prata. Moreno só fez amigos no voleibol, sempre conduziu sua carreira com elegância, dignidade e competência. Essas mesmas características ele trouxe para sua vida profissional e hoje realiza extraordinário trabalho no COB, ajudando a formar novos gestores para o esporte brasileiro no Instituto Olímpico Brasileiro”. Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, ex-presidente da CBV, ex-atleta da modalidade

Luiz Eymard

“Imagine um cara diferenciado. Era o Moreno. Ele foi minha primeira referência como atleta. Ainda me lembro da primeira competição ao lado dele, o Campeonato Sul-Americano 1967, em Santos. O Moreno é só um ano mais velho do que eu, mas era o modelo a ser seguido. Tinha um jogo refinado, atacava com os dois braços, se antecipava. O Moreno estimulava todo mundo a tentar ser melhor”. Luiz Eymard Zech Coelho, ex-jogador do Minas Tênis Clube e da seleção brasileira

Marcos Kwiek

“Qualquer garoto que jogasse ou pensasse em jogar vôlei no Brasil nos anos 1970 queria ser o Moreno. Ele é um dos maiores ídolos de todos os tempos do voleibol brasileiro. Infelizmente, quase não há material sobre ele, um atleta que foi reconhecido pelo seu jogo no mundo todo. Moreno foi minha inspiração para entrar no esporte, fazer educação física. Uma pessoa do bem. Ele é o cara”. Marcos Kwiek, técnico do Genter Vôlei Bauru, da seleção feminina da República Dominicana e ex-atleta de Moreno no clube Hebraica, em São Paulo


Vitória em Bauru dá nova perspectiva para o Praia na Superliga
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João Batista Junior

Bauru sofreu para passar pelo bloqueio do Praia (fotos: Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV)

Bauru sofreu para passar pelo bloqueio do Praia (fotos: Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV)

Antes de subir a bola para Genter Vôlei Bauru e Dentil/Praia Clube, na noite da quinta-feira, só dois pontos distanciavam o time da casa, quinto colocado da Superliga feminina, e a equipe visitante, terceira. A ideia de um jogo parelho, no entanto, só vigorou na segunda parcial, quando as anfitriãs desperdiçaram duas oportunidades para fechar o set e, àquela altura, empatar o placar. No todo, as mineiras se impuseram sem muita contestação e venceram por 3 sets a 0 (25-21, 28-26, 25-14).

Pelo bom voleibol exibido no Ginásio Panela de Pressão, em Bauru, fica claro que o returno começou com novas e melhores perspectivas para as representantes de Uberlândia. Se é verdade que o time ainda vai ter de remar para alcançar o Rexona-Sesc e o Vôlei Nestlé, por outro lado, a volta da norte-americana Alix Klineman (ganhadora do troféu VivaVôlei) parece ter renovado o ânimo da equipe – que perfez uma campanha de três derrotas em 11 jogos no primeiro turno, o que resultou numa modesta quinta posição na tabela.

Recuperada de lesão, Klineman foi eleita a melhor em quadra

Recuperada de lesão, Klineman foi eleita a melhor em quadra

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Depois passar de seis semanas se recuperando de uma lesão no dedo, Klineman voltou ao Praia na rodada passada, diante do Renata Valinhos/Country. Na partida desta quinta-feira, sua presença trouxe perceptível melhora ao ataque mineiro: podendo variar entre ela e Daymi Ramirez como opção para o levantamento nas extremidades da rede, Claudinha, sempre que o passe chegava na mão, ainda podia usar a bola de meio, com Walewska ou Fabiana – principalmente, esta última.

Dessa forma, não só a norte-americana foi a principal anotadora praiana no ataque, com 11 pontos (13 no total), como também o time obteve boa vantagem nos percentuais desse quesito: enquanto o Bauru marcou 35 pontos em 114 cortadas (30,7% de aproveitamento), o Praia, para chegar a 36 anotações no fundamento, atacou 95 bolas – 37,9%.

Como Bernardinho se tornou uma referência

A necessidade do Genter Bauru de atacar mais para pontuar menos revela que o sistema defensivo adversário foi mais eficiente. Também nesse aspecto, as estatísticas da CBV refletem a presença positiva de Klineman em quadra, já que a ponteira foi a terceira maior defensora da partida, atrás apenas das duas líberos – Brenda Castillo, do Bauru, e Tássia, do Praia.

Outro fundamento que fustigou as atacantes anfitriãs foi o bloqueio do Dentil/Praia Clube. Com seis pontos da meio de rede Fabiana, as visitantes anotaram 15 pontos a 6 nesse quesito.

Renan deve ter começo difícil como técnico da seleção

SEQUÊNCIA COMPLICADA

Kwiek orienta as jogadoras do Bauru. "O campeonato não acaba agora"

Kwiek orienta as jogadoras do Bauru. “O campeonato não acaba agora”

Num jogo em que tanto a levantadora titular, Juma, quanto a reserva, Lyara, tiveram problemas com as opções no ataque, o Genter Bauru cometeu 23 erros no total contra 18 das rivais. A oposta Bruna Honório, que marcou 24 pontos, segunda-feira, diante do Camponesa/Minas, começou como titular na quinta-feira e só anotou um ponto. Mari, que a substituiu e até teve alguns bons momentos nos dois primeiros sets, fez nove. Já a ponteira Thaisinha, maior pontuadora da equipe, com 12 acertos, muitas vezes esteve sobrecarregada no ataque, como se observou nos momentos decisivos do segundo set, e perdeu-se na marcação adversária.

Bárbara quer levar o Pinheiros à semifinal da Superliga

Além da boa partida do Praia, transpareceu a queda de rendimento das anfitriãs, que fica explícita na atual sequência de jogos. A equipe enfrentou, pela ordem, Terracap/BRB/Brasília, Vôlei Nestlé, Camponesa/Minas e Dentil/Praia Clube. Nessa série, apenas uma vitória foi para a conta, justamente contra as brasilienses, e agora já são três as derrotas consecutivas.

Sabíamos que poderia acontecer (essa sequência de maus resultados). Então, com os pés no chão, temos que reagir da maneira correta, saber que o campeonato não acaba agora”, frisou o técnico Marcos Kwiek.

Não só o campeonato, mas também a sequência de pedreiras ainda não acabou. Na próxima terça-feira, em Marília, o Genter Bauru enfrenta novamente o Praia – dessa vez, pelas quartas de final da Copa Brasil – e, na quinta-feira, encara o Rexona-Sesc no Rio.


Brasília, Bauru, Juiz de Fora e Montes Claros em alta na Superliga
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Sidrônio Henrique

Brasília em alta: time de Paula, Macris e Andreia vem de duas vitórias em sets diretos (fotos: CBV)

 

Times de porte médio estão em ascensão; deslize dos mesários, decepção carioca e briga no Paraná entre o que não vai bem na Superliga. Confira o sobe e desce da competição:

SOBE

Interior de Minas Gerais
Depois de começar a Superliga Masculina 2016/2017 com duas derrotas, o time de Juiz de Fora, que quase foi rebaixado para a Superliga B ao final da temporada passada, engrenou e venceu suas últimas quatro partidas. O destaque do JF Vôlei é o oposto Renan Buiatti, 26 anos, 2,17m, disparado o maior pontuador do torneio após seis rodadas, com 128 pontos. A equipe está em sexto na classificação.

O outro time do interior mineiro, o Montes Claros Vôlei, aprontou nesta segunda-feira (28): quebrou a invencibilidade do Funvic Taubaté na casa do adversário. De nada adiantou o elenco estelar do Taubaté, que conta com os campeões olímpicos Wallace, Lucarelli e Éder, além de selecionáveis como Raphael, Lucas Loh e Mário Jr. O Montes Claros, liderado pelo eficiente oposto Luan, venceu por 3-1, chegou aos 12 pontos e agora é o quinto na tabela, com quatro vitórias.

Brasília Vôlei
“Brasília Vôlei, eu acredito” é o verso que ecoa no pequeno ginásio do Sesi, em Taguatinga, no Distrito Federal, quando o time da MVP olímpica Paula Pequeno joga diante da sua torcida. Tem valido a pena acreditar. PP4 tem motivo de sobra para abrir aquele sorrisão famoso. Aliás, as meninas do Terracap/BRB/Brasília Vôlei podem sorrir bastante. O time está em terceiro lugar, atrás apenas do undecacampeão Rexona-Sesc e do estrelado Dentil/Praia Clube, deixando para trás, ao menos momentaneamente, o Vôlei Nestlé e seu orçamento parrudo. Nas duas últimas rodadas, a equipe treinada pelo campeão olímpico Anderson Rodrigues não perdeu sets. Primeiro, em casa, despachou exatamente o Vôlei Nestlé. Depois, foi a Belo Horizonte e passou pelo Camponesa/Minas.

Com 1,74m, Thaisinha é uma das maiores pontuadoras da Superliga

Genter Vôlei Bauru
Três vitórias seguidas e o quinto lugar na Superliga deixam leve a atmosfera no clube do interior paulista. A última vítima foi o modesto São Cristóvão Saúde/São Caetano, mas mesmo nesse esperado triunfo o time do técnico Marcos Kwiek mostrou consistência, não deu chance ao adversário. Conhecido por seu competente trabalho à frente da seleção feminina da República Dominicana, na qual se mantém como técnico, Kwiek assumiu o Bauru no meio da temporada passada, para apagar um incêndio. Nesta, tendo a chance de fazer suas contratações, ele repatriou a veterana ponta/oposta Mari Steinbrecher e trouxe duas dominicanas, a ponteira Prisilla Rivera e a líbero Brenda Castillo. Esta última, por sinal, é um dos destaques da Superliga. Aos poucos, o Bauru vai mostrando a cara e promete incomodar os grandes. Olho também na ponta Thaisinha, que mesmo com apenas 1,74m é a quarta maior pontuadora da competição, somando 89 pontos em seis rodadas.

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DESCE

Mesários na Hebraica
Neste sábado (26), mais um erro envolvendo a mesa e outra vez em um jogo em que o mando de quadra era do Fluminense, no ginásio da Hebraica, no Rio de Janeiro. No terceiro set da partida entre o time da casa e o Vôlei Nestlé, a mesa deu um ponto a mais para a equipe de Osasco. O erro foi corrigido, mas provocou certo tumulto. A falha lembra algo ocorrido na primeira rodada, quando o Rexona-Sesc encarou o Flu. No primeiro set, a mesa deu um ponto a mais para o tricolor, enlouquecendo o técnico adversário, Bernardinho, que com o punho crispado berrava impropérios. Ficou por aquilo mesmo. Erro bisonho!

Fluminense pressiona, mas ainda não decolou no torneio

Fluminense
Não que a equipe carioca, que voltou à elite do vôlei feminino brasileiro após mais de 30 anos, estivesse entre os favoritos. Longe disso. O time é “jogueiro”, como se diz na gíria do esporte, pressiona os adversários, a exemplo do que se viu diante do favorito Vôlei Nestlé, mas até agora não fez nada demais. Inclusive deixou escapar sets que poderia ter ganhado, como as duas últimas parciais contra a equipe de Osasco – depois de um bom momento na partida, no final do terceiro set a levantadora Pri Heldes desperdiçou uma bola de xeque concedendo match point ao adversário e em seguida encaixotou a central Letícia Hage diante do bloqueio paulista. O Fluminense, que surpreendeu ao vencer o Rexona no estadual, ainda está devendo na Superliga. Um time que tem potencial para chegar aos playoffs, mas que por enquanto amarga o nono lugar na tabela, com somente duas vitórias em seis jogos.

Briga no Paraná
A partida entre São Bernardo Vôlei e Caramuru Vôlei/Castro teria passado despercebida não fosse pelo clima belicoso que quase culminou numa troca de sopapos, como o SdR mostrou na semana passada, depois de ouvir os dois lados. A rivalidade vem desde a Superliga B. São Bernardo, do ABC paulista, e Caramuru, da cidade de Castro, no interior do Paraná, lutam para evitar o rebaixamento. Os paulistas estão em décimo lugar, com apenas uma vitória, justamente nessa partida, por 3-2. O estreante Caramuru segura a lanterna, com apenas aqueles dois sets vencidos em vinte disputados.


Em Bauru, Mari volta a ser oposta e anima técnico: “Ela não desaprendeu”
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Carolina Canossa

Mari não defende a seleção desde 2012 (Foto: Divulgação/CBV)

Mari não defende a seleção desde 2012 (Foto: Divulgação/CBV)

A confirmação da volta de Mari ao voleibol brasileiro, agora defendendo as cores do Concilig Vôlei Bauru, animou os torcedores. Aos 33 anos, a atacante ainda colhe os frutos dos tempos em que brilhava na seleção e segue como uma das jogadoras mais populares do país. E, por mais que tenha vivido diversos altos e baixos nas últimas temporadas, ainda é capaz de ganhar a confiança de gente gabaritada no vôlei.

É o caso de Marcos Kwiek. Ex-assistente de José Roberto Guimarães e atual treinador da República Dominicana, o técnico foi importante para a decisão de Mari aceitar vestir a camisa do time do interior paulista. Em entrevista ao Saída de Rede, ele mostrou-se animado com o reforço, que se apresenta em Bauru no começo do próximo mês.

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“Lógico que ela não é a Mari de 10 anos atrás, mas ela não desaprendeu a jogar e continua sendo uma jogadora diferenciada. Ela vai ser muito importante dentro da competição”, comentou o treinador. “Conheço bem a Mari e sei o quando ela pode nos ajudar. Nosso objetivo é fazê-la jogar 100% motivada. Com isso, certamente teremos uma grande jogadora ao nosso lado”, destacou.

Titular na campanha do ouro olímpico em Pequim 2008, Mari desde então acumulou passagens pelo São Caetano, Unilever (atual Rexona), Fenerbahce, Dentil/Praia Clube e Molico (atual Vôlei Nestlé). Com cada vez mais dificuldades em se firmar no vôlei nacional, na última temporada ela teve passagens pelo Sudtirol Neruda Bolzano, da Itália, e pelo Jakarta Pertamina Energi, da Indonésia. No exterior, voltou a animar os fãs com boas atuações.

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Em Bauru, Kwiek pretende usar Mari no que ela sabe fazer de melhor: atacar. Por isso, a atleta atuará a princípio como oposta, posição em que inicialmente se destacou, mas que abandonou para virar ponteira a pedido de José Roberto Guimarães, que quis torná-la uma jogadora mais completa. “Hoje, no nosso elenco, só temos uma jogadora
especialista nessa posição, a Bruna Honório, uma jovem em crescimento. A vinda da Mari só vai ajudá-la a crescer e se estabelecer”, afirmou Kwiek.

Kwiek fala em levar Bauru à semifinal da Superliga: "Sonho distante, mas não impossível" (Foto: Divulgação/Conclig Bauru)

Kwiek fala em levar Bauru à semifinal da Superliga: “Sonho distante, mas não impossível” (Foto: Divulgação/Conclig Bauru)

Além de Mari, Bauru contará com outras duas atletas de destaque internacional. Ambas são dominicanas: a líbero Brenda Castillo, considerada uma das melhores do mundo, e a ponteira Prisilla Rivera. O restante do elenco conta ainda com jovens de destaque, caso da levantadora Juma e da central Valquiria. Apesar da interessante mescla, o técnico evita fazer projeções muito otimistas.

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“Somos uma equipe intermediária, que vai brigar para se classificar para os playoffs. Nossa ideia é crescer dentro da competição. Buscamos a melhor classificação possível e chegar em igualdade de condições com qualquer equipe nos playoffs. A ideia de investir em jovens talentos foi dar espaço para que elas possam jogar e desenvolver seu potencial. A mescla com jogadoras mais experientes foi justamente para dar equilíbrio nos momentos críticos. Chegar a uma semifinal de Superliga seria um sonho distante, mas não impossível”, analisou.

Para Kwiek, a força do conjunto é a maior qualidade de Bauru na luta para transformar esse sonho em realidade. “Somos um grupo forte, sem individualidades. Acho que temos um elenco equilibrado que está buscando o mesmo objetivo. Temos que melhorar em tudo sempre, não se acomodar. Somos um grupo de trabalhadores, de operários, que está lutando para se manter entre os melhores”, frisou.


Seleção feminina vence bem, mas é pouco testada na estreia em 2016
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Carolina Canossa

Reencontro da seleção com a torcida foi recheado de sorrisos (Foto: Reprodução/Facebook CBV)

Reencontro da seleção com a torcida foi recheado de sorrisos (Foto: Reprodução/Facebook CBV)

A ideia da seleção brasileira feminina de vôlei em ter a República Dominicana como primeiro adversário na temporada era boa: recheado de talentos individuais, como Brenda Castillo, Bethania de La Cruz e Prisilla Rivera, o time caribenho viria com um bom ritmo de jogo por conta do Pré-Olímpico Mundial. Quem sabe até mesmo até chegaria ao Paraná com a vaga olímpica garantida. Além disso, o fato de Marcos Kwiek, ex-integrante da comissão brasileira, ser o técnico poderia colocar uma dificuldade a mais para as comandadas de José Roberto Guimarães.

Infelizmente, essas vantagens não puderam ser aproveitadas na noite desta sexta-feira (27): Castillo e Rivera sequer vieram ao Brasil, enquanto De la Cruz só ameaçou no saque. Em termos coletivos, as dominicanas estiveram ainda mais inconstantes que durante a campanha no Pré-Olímpico, onde terminaram em uma decepcionante sexta colocação entre os oito participantes. Resultado: o placar de 3 sets a 0 (25-12, 25-20 e 25-21) não trouxe muitos elementos a acrescentar na preparação das bicampeãs olímpicas rumo ao Rio-2016.

Saiba notícias sobre a lesão de Jaqueline

A partida foi tão tranquila que, nos minutos finais, Zé Roberto resolveu atender ao pedido da torcida e colocou Sheilla em quadra. A oposta, porém, não entrou em sua posição tradicional, mas sim como ponteira, substituindo Fernanda Garay. Discretamente posicionada na linha de passe, não chegou a fazer nenhuma recepção e sua participação valeu mais para a gente lembrar o quanto a atacante é querida pela torcida. O sorriso envergonhado durante a ovação do público deixou claro que ela ainda não se acostumou com tal idolatria. Que se acostume, pois cenas como essa devem se repetir nos próximos meses.

Falando em se acostumar, Natália precisa se preparar para o fato de que será o grande alvo dos saques adversários nesta temporada. Vítima de um bombardeio em São José dos Pinhais, ela se atrapalhou em determinados momentos. A líbero Camila Brait, por sua vez, surpreendeu ao mostrar grande agilidade em um momento do ano no qual as jogadoras costumam ficar mais lentas por conta do forte trabalho na academia. Um começo promissor, assim como de Roberta, que mostrou personalidade nas poucas vezes em que esteve em quadra. Fabíola que se cuide.

De resto, pouco a dizer: o festival de erros na recepção adversária facilitou demais o trabalho do bloqueio verde-amarelo. Esperamos que no amistoso de domingo (29), as dominicanas joguem melhor. Zé Roberto certamente vai agradecer.

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Para quem ficou curioso, o Brasil jogou a maior parte do tempo com Dani Lins, Tandara, Natália, Fê Garay, Adenízia, Juciely e Camila Brait de líbero. Ainda se recuperando da contusão no tornozelo sofrida durante a Superliga, Gabi foi poupada, assim como Jaqueline, que sofreu uma leve entorse no joelho no treino de quinta (27). A central Carol, com dores, também recebe atenção especial da comissão técnica.

Argentina

Também na noite desta sexta (27), a Argentina resolveu testar sua seleção feminina pela primeira vez, mas se deu mal: diante da Bulgária, que não vem à Rio 2016, as classificadas Panteras perderam por 25-15, 25-21 e 25-14.


Surpresas marcaram rodada do Pré-Olímpico
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João Batista Junior

Derrotadas na véspera, peruanas surpreenderam as dominicanas, com destaque para Angela Leyva (foto: FIVB)

O Peru protagonizou, contra a Rep. Dominicana, a maior surpresa até aqui do Pré-Olímpico (foto: FIVB)

 

Tailândia e Holanda, que estrearam com vitória, perderam. Peru, que se supunha carta fora do baralho, venceu. Coreia do Sul, para entrar de vez na disputa, tascou logo um 3-0 numa das favoritas. A rodada deste domingo do Pré-Olímpico feminino do Japão decretou que o primeiro fim de semana do torneio foi um perde-ganha tremendo. Menos para italianas e nipônicas, que, até aqui, só ganharam – e também para dominicanas e cazaques, que só perderam.

Egonu (ao centro) e Sylla ajudaram a Itália a virar o jogo contra a Tailândia (foto: FIVB)

Egonu (ao centro) e Sylla ajudaram a Itália a virar o jogo contra a Tailândia (FIVB)

Reservas fazem a diferença e Itália vira contra Tailândia
Não por superstição, mas por necessidade, pela segunda vez seguida o técnico Marco Bonitta socorreu-se de Paola Egonu e Miriam Sylla para tirar a seleção italiana do sufoco. E, na virada de 3 a 1 (17-25, 25-16, 25-17, 25-16) sobre a Tailândia, ele ainda pôs a meio de rede Anna Danesi no lugar de Chirichella. Danesi entrou ainda no segundo set para não sair mais e terminar como a melhor bloqueadora do jogo, com quatro pontos no fundamento.

As jovens ponteiras foram acionadas na reta final do primeiro set, quando a vitória tailandesa na parcial era iminente. Sylla substituiu Piccinini, que tinha dois pontos em oito tentativas no ataque, e Egonu entrou no lugar de Ortolani, que saiu zerada em sete ataques efetuados.

No fim, Egonu, de oposta, foi a principal anotadora da partida, com 17 pontos, seguida de Antonella Del Core, com 15, Sylla e Danesi, ambas com 11. Do lado tailandês, a maior anotadora foi Ajcharaporn Kongyot, que marcou 15 pontos.

Técnico Zé Roberto tem espião no Pré-Olímpico

O técnico brasileiro Mauro Marasciulo comemora a vitória peruana (foto: FIVB)

O técnico brasileiro Mauro Marasciulo comemora a vitória peruana (foto: FIVB)

No “duelo de brasileiros”, vitória peruana, frustração dominicana
Mauro Marasciulo levou a melhor sobre Marcos Kwiek. Foi tão surpreendente a vitória do Peru e tão decepcionante o revés da Rep. Dominicana, que o resultado 3 a 0 das sul-americanas (25-22, 25-16, 26-24) é forte candidato a ser a grande zebra desse Pré-Olímpico – enquanto as caribenhas chegaram às quartas-de-final em Londres e foram quintas no Mundial de 2014, as andinas não vão às Olimpíadas desde 2000 e sequer disputaram o Mundial passado.

Estrela da seleção peruana, Angela Leyva não se fez de rogada e assinalou 22 pontos – 20 só no ataque. A também ponteira Carla Rueda terminou o jogo com dez anotações. Ressalte-se que a equipe dirigida por Marasciulo fez 42 pontos contra 39 das adversárias em ações de ataque e os times, em que pese a menor estatura das atletas do Peru, empataram em pontos de bloqueio (7 a 7).

As atacantes da América Central, por sua vez, decepcionaram. Só Brayelin Martinez, com 12 pontos, chegou a dois dígitos nas anotações do placar – Jineiry Martinez e Gina Mambru marcaram, cada uma, oito pontos, enquanto Bethania De La Cruz, que só entrou no terceiro set, fez dois.

A baixa pontuação das comandadas de Marcos Kwiek se deveu, em muito, à quantidade de erros nas cortadas: dos 26 erros cometidos pela equipe no total, o que se traduz em mais de um set dado de graça às peruanas, 14 foram só no ataque.

Na linha de saque, a Coreia do Sul fez a diferença, contra a Holanda (FIVB)

No saque, a Coreia do Sul fez a diferença contra a Holanda (FIVB)

Coreia do Sul goleia no saque e bate Holanda
Para se recuperar da derrota na estreia, a seleção sul-coreana contou, neste domingo, com uma alta pontuação de Kim Yeon-Koung e um placar devastador de 11 a 0 em pontos de saque. A vitória da Coreia do Sul por 3 a 0 sobre a Holanda (29-27, 25-23, 25-21), uma equipe creditada como favorita a uma das vagas ao Rio, deu vida nova às asiáticas no torneio e trouxe preocupação para as europeias.

Kim Yeon-Koung venceu dois embates contra Lonneke Slöetjes. Além de comemorar o 3-0, a MVP de Londres marcou 24 pontos contra 20 da holandesa. Em pontos de ataque, ambas obtiveram 20 anotações, mas, na linha de saque, Kim assinalou quatro dos 11 aces de sua seleção e também foi a principal anotadora do jogo nesse quesito.

Claro que, com apenas duas rodadas disputadas e cinco por jogar, é cedo falar em classificação. Mas Coreia do Sul, Tailândia, Peru e Holanda empatam na terceira posição com três pontos, mas nos critérios de desempate, o terceiro lugar provisório é coreano e o sexto, holandês.

O Japão não teve dificuldade para passar pelo fraco time do Cazaquistão (FIVB)

O Japão não teve dificuldade para passar pelo fraco time do Cazaquistão (FIVB)

Japonesas 100%, cazaques zero ponto
A marcha das japonesas rumo ao Rio continua firme. Se a tabela lhes permitiu enfrentar, nas duas primeiras rodadas, as equipes teoricamente mais fracas do Pré-Olímpico (o Peru no sábado, o Cazaquistão no domingo), as donas da casa não hesitaram e não lhes permitiram tomar um set sequer.

No 3 a 0 aplicado sobre o Cazaquistão, o Japão sofreu apenas 40 pontos das adversárias, com parciais de 25-14, 25-15, 25-11(o Peru, contra as anfitriãs, só marcou 47).

A maior pontuadora cazaque foi Katerina Tatko, e ela não fez mais do que sete pontos. A seleção dela, se foi ao torneio para ser coadjuvante, parece conformada com o papel que lhe foi atribuído.

Com 43 a 22 em anotações no ataque, as japonesas tiveram na ponteira reserva Yuki Ishii sua principal pontuadora. Ela entrou apenas no decorrer do segundo set e alcançou, com nove pontos nesse fundamento, aproveitamento de 69% – no total, ela obteve 11 pontos, também com duas anotações no bloqueio.

Terceira rodada
As seleções folgam na segunda-feira e voltam à quadra, em Tóquio, na terça. Com transmissão pelo canal da FIVB no YouTube, veja a programação da próxima rodada, deste sábado para o domingo, pelo horário de Brasília:

22h – Peru x Cazaquistão (segunda-feira)
0h45 – Itália x Rep. Dominicana
3h30 – Holanda x Tailândia
7h
05 – Japão x Coreia do Sul

Atualização: a central holandesa Robin De Kruijf, que sofreu uma torção no segundo set, contra a Coreia do Sul, desfalca sua seleção, na terça-feira, contra a Tailândia.

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