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Arquivo : Lucão

Bruno e Lucão: a caminho da Itália ou do Sesc
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Sidrônio Henrique

Lucão e Bruno na apresentação do central no Modena em outubro de 2015 (foto: Modena Volley)

Campeões olímpicos e mundiais, juntos eles têm mostrado algumas das combinações de ataque mais eficientes do voleibol – na seleção ou em clubes. Após uma temporada no Sesi, a dupla formada pelo levantador Bruno Rezende e o central Lucas Saatkamp pode desembarcar novamente no Modena, da Itália. Caso as negociações com o clube europeu não deem certo, o destino do duo deve ser o Sesc, que acaba de vencer a Superliga B e, na temporada 2017/2018, disputará a primeira divisão do voleibol brasileiro, apoiado em um dos maiores investimentos da modalidade.

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Os dois são velhos conhecidos do Modena. Ganharam o título italiano pelo clube na temporada 2015/2016. Uma crise que culminou na perda do principal patrocinador forçou a volta de Bruno e Lucão ao Brasil. A decisão foi tomada levando em conta tanto o lado financeiro quanto o pessoal – o levantador estava há duas temporadas fora do Brasil e o central aguardava o nascimento do primeiro filho. Bruno jogou o final do período 2011/2012 no clube europeu e depois retornou para duas temporadas, de 2014 a 2016. Lucão disputou a última. Além do Modena e do Sesi, os dois jogaram juntos nas extintas equipes Cimed e RJX.

Ponta João Rafael reforçará o Sesc (foto: CBV)

O interesse do Modena na dupla já havia sido abordado pela imprensa italiana, mas as negociações só começaram recentemente. O Sesc, do técnico Giovane Gavio, entra como plano B.

Segundo o Saída de Rede apurou, na próxima Superliga o time carioca terá um orçamento inferior apenas ao do Sada Cruzeiro, equipe tricampeã mundial e que busca o pentacampeonato nacional. O clube mineiro investe aproximadamente R$ 13 milhões por temporada.

Alternativa
Caso Bruno e Lucão voltem ao voleibol italiano, o Sesc teria interesse no levantador Thiaguinho, atualmente no Molfetta, da Itália, e no central campeão olímpico Maurício Souza, do Brasil Kirin. Essa seria a alternativa da equipe carioca se não puder contar com os dois que estão no Sesi.

Ponteiro Maurício Borges interessa ao clube carioca (foto: FIVB)

Quem já acertou com o Sesc, faltando apenas assinar o contrato, é o ponteiro João Rafael, também do Molfetta. Ao lado de Thiaguinho e de Maurício Souza, o ponta fez parte da seleção brasileira B que conquistou a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos 2015, em Toronto, Canadá. Tanto o levantador, na sua primeira temporada na Itália, quanto João Rafael, em seu segundo ano como um dos destaques do Molfetta, estão na lista inicial de 12 atletas convocados pelo técnico Renan Dal Zotto.

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Outro ponteiro que despertou o interesse do time do Rio de Janeiro foi mais um integrante daquela seleção B do Pan 2015. É o campeão olímpico Maurício Borges, que está há duas temporadas no Arkas Izmir, da Turquia, sob o comando do técnico canadense Glenn Hoag. Como o treinador quer manter Borges na equipe, ainda não há definição se o ponta fica na Europa ou se volta ao Brasil para o período 2017/2018.

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O Sesc renovou com três atletas que conquistaram a Superliga B: o central Tiago Barth, o oposto Paulo Victor e o levantador Everaldo.


No melhor jogo da semifinal, Taubaté amplia vantagem sobre Sesi
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João Batista Junior

Wallace supera bloqueio do Sesi na vitória do Taubaté (fotos: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

A segunda rodada das semifinais da Superliga masculina chega ao fim com as duas melhores campanhas da fase classificatória abrindo 2 a 0. Se o Sada Cruzeiro, na quinta-feira, precisou controlar os nervos para superar o Brasil Kirin, a Funvic/Taubaté, na noite do sábado, venceu o Sesi numa partida que teve intensidade e polêmica como ingredientes.

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Os tricampeões paulistas bateram a equipe da Vila Leopoldina por 3 sets a 2, em parciais de 25-23, 21-25, 18-25, 25-19, 15-13. O jogo foi disputado no Ginásio Lauro Gomes, em São Caetano do Sul, porque a Vila Leopoldina tem capacidade de público inferior à mínima exigida pela CBV, que é de 2 mil pessoas.

O duelo não teve longos ralis, mas isso não significa que a partida não tenha sido de boa qualidade, tecnicamente falando. Se as defesas não tiveram vez, a culpa foi dos atacantes: eficientes, os dois times foram bem nas cortadas, com 56% de aproveitamento para o Sesi contra 51% do Taubaté nesse quesito. Pensando ainda que o saque, em vários momentos, foi uma arma eficaz para os dois sextetos, dá para avaliar que esse foi, até aqui, o melhor jogo das semifinais da Superliga masculina. Conquistou a vitória o lado que cometeu menos erros (33 para o time do interior contra 42 da equipe da capital) e que, sobretudo, teve maior repertório de jogadas nas extremidades da rede.

Campeão mundial dá adeus às quadras

Quando teve o passe na mão, Raphael, do Taubaté, fez uma distribuição bem generosa. Para driblar o sistema defensivo rival, o armador ora optava pela entrada, ora pela saída de rede: o ponta Lucarelli e o oposto Wallace foram acionados, respectivamente, em 27 e 26 ocasiões, perfazendo juntos 53 das 89 cortadas efetuadas por sua equipe.

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Por sua vez, Bruno, que deve ter sentido falta de Douglas Souza – fora de combate já há algumas semanas, como o SdR trouxe em primeira mão –, levantou 40% das bolas para o oposto Théo, e, quando o passe chegava redondo, procurava os centrais Lucão e Riad. A bola de primeiro tempo é uma das especialidades do levantador da seleção, mas foi uma delas, no quinto set, quando Lucão foi bloqueado por Otávio, que deixou o Sesi em maus lençóis, com desvantagem de 8 a 5 no placar.

Antes do tie break, porém, um erro da arbitragem gerou muita reclamação por parte dos anfitriões.

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No quarto set, com 8 a 6 para Taubaté, Wallace sacou para fora, mas o lance ganhou anotação de ace. Os sesistas reclamaram bastante – o técnico Marcos Pacheco e o líbero Serginho eram os mais exaltados. Vale ressaltar, contudo, que, no primeiro set, com 14 a 12 para os visitantes, a situação foi inversa, com um saque errado de Bruno sendo marcado como bola dentro. A drástica diferença é que o levantador não foi além do serviço seguinte, enquanto o oposto permaneceu distribuindo pancadas no saque até sua equipe chegar a 11 a 6 no placar.

Personificados no mesmo fiscal de linha em ambas as oportunidades, os dois erros mostram, mais uma vez, que o voleibol de alto nível precisa da revisão de vídeo. O fato de cada uma das equipes haver conquistado um ponto indevido mostra que não houve dolo ou má-fé dos árbitros, mas o auxílio eletrônico teria evitado a polêmica.

A próxima partida será disputada na sexta-feira que vem, em Taubaté. Nesta temporada, juntando Campeonato Paulista, Copa Brasil e Superliga, a Funvic/Taubaté venceu o Sesi nas quatro partidas que disputou em casa. Se mantiver a escrita, fecha a série. O jogo 3 da outra semifinal, entre Sada Cruzeiro e Brasil Kirin, será no sábado, em Contagem (MG).


No vôlei por acaso, central sonha com seleção e é elogiado por Renan
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Sidrônio Henrique

Flávio Gualberto, destaque do Minas, chega a 3,65m no ataque (foto: Orlando Bento/MTC)

O voleibol entrou na vida dele por acaso, mas o mineiro Flávio Gualberto foi aproveitando as oportunidades na modalidade e, quem sabe, pode ganhar uma chance na seleção principal. Seu desempenho tem agradado. “O Flávio já teve uma passagem em 2015 numa seleção B (nos Jogos Pan-Americanos), é um meio de rede rápido, um bom jogador. Ele é um cara que fez uma bela Superliga, jogou de igual para igual com todo mundo, muitas vezes fazendo a diferença”. Quem diz é Renan Dal Zotto, técnico da seleção masculina, numa conversa com o Saída de Rede. É claro que ele não vai divulgar qualquer nome da lista de convocados antes do dia 8 de maio, data do anúncio, mas não resta dúvida que o central do Minas Tênis Clube lhe causou boa impressão.

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Como tantos adolescentes Brasil afora, Flávio gostava mesmo era de futebol. Não era tão alto e, ele garante, jogava bem. Era o maior passatempo na sua cidade natal, a pequena Pimenta, município com pouco menos de 10 mil habitantes, no sudoeste de Minas Gerais, a cerca de 240 quilômetros de Belo Horizonte. Até que, quando tinha 14 anos, faltou um jogador para completar o time de vôlei da escola, para a disputa de um torneio intercolegial. Flávio topou participar. Começava assim sua relação com a modalidade que o levaria para uma das principais equipes do país, que o conduziu às seleções brasileiras nas categorias de base e que hoje o projeta como um nome a ser considerado para a principal.

Renan: “Flávio jogou de igual para igual com todo mundo, muitas vezes fazendo a diferença” (foto: CBV)

“Foi dando tudo certo, eu fui gostando e no final daquele ano o técnico do time levou a mim e a um amigo da escola para uma peneira no Minas Tênis Clube”, conta Flávio ao SdR. Terminava 2007 e, dos 120 meninos testados, somente ele e o amigo, que deixaria o esporte anos depois por causa dos estudos, foram aprovados. Era o início da sua vida em um dos clubes mais tradicionais do Brasil. Em março de 2008 mudou-se para BH, ainda não tinha 15 anos, mas para ajudá-lo havia crescido 12 centímetros no ano anterior. Os técnicos trataram de treiná-lo para ser um meio de rede. No mês passado, completou nove anos de Minas Tênis. “Sou cria do MTC”, afirma com orgulho, ele que encerrou sua terceira temporada como titular.

Destaque
O time fez uma campanha irregular na fase de classificação da Superliga 2016/2017, terminando em sexto lugar na tabela. Nas quartas de final, encarou o Sesi, de Bruno, Lucão, Murilo e Serginho, jogadores consagrados. O Minas teve a primeira partida da série melhor de cinco nas mãos, em plena São Paulo, ao abrir 2-0, mas sucumbiu à pressão. Perdeu as duas seguintes sem oferecer muita resistência e disse adeus à competição. No entanto, independentemente das críticas que possam ser feitas à equipe, jovem na sua maioria, Flávio está entre os nomes que chamaram a atenção.

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O central completa 24 anos este mês e é praticamente unanimidade entre os técnicos da Superliga. É comum ouvir que Flávio é um bloqueador nato, tem bom ataque e que ressaltem sua postura de líder em quadra, impressionante pela idade – é o capitão do Minas. Outro ponto de destaque é sua regularidade: repete boas atuações, se mantém constante.

Flávio é o capitão do Minas (foto: Orlando Bento/MTC)

Timing
A pouca altura para a posição, apenas 2m, é compensada com muita impulsão e timing, no caso do bloqueio – ele raramente queima, quase sempre trabalhando com uma leitura apurada. “Você vê um jogador relativamente baixo como ele parar caras experientes e que sobem bastante como Lucão e Riad, então é porque ele também vai alto e, além disso, tem um tempo de bloqueio muito bom”, observa Nery Tambeiro, técnico do Minas Tênis Clube.

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Eficiente no ataque, Flávio é quem joga na rede de dois, próximo ao levantador, quando este tem menos opções na linha de frente. “Como atacante, ele é muito ágil”, aponta Tambeiro. Há centrais na Superliga que se valem de um ou dois tipos de bola para virar, mas no caso dele o repertório é mais amplo, beneficiado por seu alcance, que conforme o MTC é de 3,65m no ataque, e pela velocidade.

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O saque, ele admite, é o seu pior fundamento. “Não evoluí no viagem e o meu flutuante poderia ser mais agressivo”. Quem já o viu sacar viagem sabe que não há ali a potência de centrais como Lucão, Éder ou Isac. No flutuante, ele não impõe dificuldade para a linha de passe como Maurício Souza, que tem hoje um dos melhores serviços do país. Mas Flávio vem treinando para melhorar nesse aspecto.

Primeiro à direita na fila do meio, Flávio com a seleção sub23 que venceu a Copa Pan-Americana 2015, disputada nos EUA, quando ele foi o melhor bloqueador do torneio (foto: CBV)

Seleção adulta
Sua única passagem pela seleção adulta foi na equipe B que, sob o comando de Rubinho, representou o Brasil nos Jogos Pan-Americanos de 2015, em Toronto, Canadá. Menos experiente, Flávio era reserva em um time que tinha Maurício Souza e Otávio como titulares. “Ir ao Pan foi o máximo, uma tremenda honra representar o país numa competição daquelas”. O Brasil ficou com a medalha de prata, perdendo na final por 2-3 para a equipe A da Argentina. Antes de chegar a esse momento, ele acumulou rodagem, jogando desde o infantojuvenil ao sub23.

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Com o país bem servido de centrais, Flávio Gualberto sabe que precisa ter paciência para chegar à seleção principal. Mesmo com 2m, ele acredita que possa ter uma chance – os dois menores meios de rede do Brasil na Rio 2016, Maurício Souza e Éder, têm 2,05m. “É o sonho de qualquer atleta profissional jogar pela seleção. Eu acho que é uma questão de tempo, mas não fico ansioso esperando a convocação”. Falta menos de um mês para ele descobrir se o sonho se tornará realidade.

ATUALIZAÇÃO ÀS 18H15 – No final da tarde desta segunda-feira (10), o central Flávio e outros 11 atletas foram chamados pelo técnico Renan Dal Zotto para treinar no Centro de Desenvolvimento do Voleibol (CDV), em Saquarema (RJ). O grupo se reunirá no dia 23 de abril. A lista final dos convocados, como informado neste texto, será divulgada no dia 8 de maio – um dia após o encerramento da Superliga masculina.


O que deve mudar na convocação da seleção masculina com Renan Dal Zotto?
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Sidrônio Henrique

Renan Dal Zotto: “Não existe mudança de rumo” (foto: Marlon Falcão/Inovafoto/CBV)

A seleção masculina de vôlei trocou de comando e o torcedor provavelmente se pergunta: que alterações veremos na lista de convocados? “O voleibol brasileiro está num caminho tão bacana que não existe mudança de rumo. A rota é aquela e vamos tentar dar continuidade”. A frase do novo técnico da equipe, Renan Dal Zotto, dita durante sua apresentação no cargo, revela muito sobre o que vem por aí.

Como Bernardinho se tornou uma referência

Sai o multicampeão Bernardinho, entra o dirigente Renan, que há oito anos não treina uma equipe. O primeiro será coordenador técnico e a extensão do seu papel ainda é uma incógnita. O treinador recém-nomeado é figura próxima do anterior, numa amizade cultivada desde o final dos anos 1970. Renan pretende ainda manter a comissão técnica que conquistou o ouro olímpico na Rio 2016. Diante disso, a resposta à pergunta acima é: muito pouco. Exceto pela renovação natural que aconteceria em alguns casos, a seleção deverá, em tese, ter a cara daquela do ciclo anterior. Se vai jogar no mesmo nível, é outra história.

Renan deve ter começo difícil como técnico da seleção

O Brasil subiu ao ponto mais alto do pódio em agosto no Maracanãzinho com os opostos Wallace e Evandro, os levantadores Bruno e William, os ponteiros Lucarelli, Lipe, Maurício Borges e Douglas Souza, os centrais Lucão, Maurício Souza e Éder, além do líbero Serginho. Este último, que tem 41 anos, já se despediu da seleção.

Bernardinho será coordenador técnico (foto: FIVB)

Renovação branda
Evandro Guerra e Éder Carbonera entram neste ciclo olímpico com idade avançada para atacantes nas seleções de ponta. O oposto tem 35 anos e o central, 33 – some-se a isso o tempo até Tóquio 2020. O leitor pode lembrar do russo Sergey Tetyukhin e do americano Reid Priddy, ponteiros que disputaram a Rio 2016 com 40 e 38 anos, respectivamente. Mas eles são exceções, não a regra. Aos 37 anos, o levantador William Arjona tem boas chances de seguir sendo chamado, seja pela menor exigência física da função ou pela maturidade que enriquece seu repertório. Os demais campeões olímpicos no Rio de Janeiro têm muito chão pela frente.

A princípio, entre os titulares, a equipe certamente terá caras conhecidas, com protagonismo de jogadores que cresceram ao longo do ciclo 2013-2016, como o ponta Lucarelli, o oposto Wallace ou o central Maurício Souza. Sem o líbero Serginho, os mais experientes passam a ser o levantador Bruno e o central Lucão.

Na reposição do líbero, o favorito é Tiago Brendle, 31 anos, que fez parte do time em 2015 e 2016, tem a maturidade necessária para uma função tão crítica, apresentou bom rendimento, tinha voleibol inclusive para estar na Olimpíada e arrancou elogios de Bernardinho.

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Entre os centrais, um destaque do ciclo passado deve voltar à seleção: Isac, 26 anos, que ficou fora do Mundial 2014 e da Rio 2016 por problemas físicos – em forma, deverá ser nome certo na lista de Renan Dal Zotto. Fique atento a Leandro Aracaju, 24 anos, que vem treinando com a seleção principal desde 2015 e deve ser convocado.

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Na saída de rede, Wallace de Souza, 29, segue firme, mas novamente surge a dúvida sobre o seu reserva. O gigante Renan Buiatti, de 2,17m, 27 anos, convocado desde o final do ciclo 2009-2012, até agora não decolou. Tem feito uma excelente Superliga, mas o cenário internacional é mais exigente. O ano pós-olímpico, com torneios de menor envergadura, é propício para testes, representando mais uma chance para Buiatti se firmar na seleção.

Na entrada, Douglas Souza, 21, que foi o quarto ponteiro na Rio 2016 e quase não jogou, deve obter mais espaço neste ciclo. Ainda sem passagem pela seleção adulta, mas tendo destaque recente no papa-títulos Sada Cruzeiro, o ponta Rodriguinho, 20 anos, dificilmente deixará de ser chamado. O grande reforço na ponta virá mesmo a partir de 2018, quando finalmente o cubano naturalizado brasileiro Yoandry Leal, atualmente com 28 anos, poderá ser convocado.

Bruno será essencial para aproximar Renan do time (foto: FIVB)

Ponto de apoio
Um importante ponto de apoio para o novo treinador será o levantador Bruno Rezende, capitão na Rio 2016 e que exerce liderança sobre o grupo. A ponte que o armador de 30 anos e veterano de três Olimpíadas deve estabelecer entre o técnico e a equipe será fundamental para o eventual sucesso de Renan.

Os dois se conhecem bem. Em 2005, na extinta Cimed, de Florianópolis, o treinador Renan abriu espaço para o então juvenil Bruno no time titular. Mas que isso não induza o leitor a pensar em favorecimento ao seu ex-atleta. Há muito o levantador campeão mundial e olímpico provou ocupar o posto de titular da seleção por mérito. Teve que aturar insinuações de que era beneficiado pelo pai, Bernardinho, e certamente vai lidar com a mesma cantilena em relação a Renan.

Bruno Rezende não é um virtuose como Ricardo Garcia ou Maurício Lima, mas serve ao grupo em alto nível. Seus levantamentos longos, especialmente para a posição 4, não têm a precisão das bolas mais curtas. No entanto, ele dá ao time um padrão de jogo consistente e muitas vezes difícil de ser marcado, como já foi dito por gente alheia às diatribes brasileiras. Não tem a habilidade do seu reserva na Rio 2016, William Arjona, mas compensa na distribuição, além das qualidades em outros fundamentos.

Defasagem
O último trabalho de Renan como técnico de uma equipe foi em 2008, à frente do Sisley Treviso, na Itália. Desde então, tem estado longe da função. Ele começou a carreira de treinador em 1993, com o time do Palmeiras. Essa quebra na sequência deverá, ao menos a princípio, dificultar a vida do ex-craque, que foi sinônimo de excelência quando jogava. Orientando equipes, sua carreira foi mais modesta, com destaque para os títulos de campeão da Superliga 2005/2006 com a Cimed e da Supercoppa italiana 2007 com o Sisley Treviso.

O voleibol praticado atualmente é diferente daquele da década passada. Não que Renan não possa recuperar o tempo perdido. Para isso, deve contar com o coordenador técnico, Bernardinho, e ainda com o suporte de Rubinho, principal assistente a partir de 2006.

Renan Dal Zotto terá um trabalho árduo e as cobranças serão pesadas. A continuidade da linha anterior, incluindo a convocação da maior parte dos campeões da Rio 2016, e o apoio do antecessor e seus auxiliares podem amenizar o impacto de assumir o comando da seleção número um do ranking mundial, um time acostumado ao pódio.


Quem foram os melhores do vôlei masculino em 2016?
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Sidrônio Henrique

Seleção brasileira, Sada Cruzeiro, Wallace, Argentina e Zaytsev em destaque (fotos: FIVB e FeVA)

O ano que termina será uma boa lembrança para o vôlei masculino do Brasil. Após uma longa espera, a equipe treinada por Bernardinho chegou novamente ao topo do pódio e justamente numa Olimpíada. Melhor que isso, só se fosse em casa. E foi assim.

Já os torcedores do Sada Cruzeiro celebraram ainda mais, pois além do ouro da seleção brasileira na Rio 2016 viram seu clube ganhar a Superliga pela quarta vez e o Mundial de Clubes pela terceira, entre outras conquistas.

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Na lista do Saída de Rede sobre os melhores do ano no vôlei masculino entraram dois opostos: um brasileiro e um italiano.

Para fechar, não dá para deixar de lado a evolução, a organização e o investimento feito pela Argentina. Nossos vizinhos estão levando o voleibol muito a sério.

Confira quem foram os melhores do vôlei masculino em 2016 na avaliação do SdR:

Fim da espera: Brasil foi ouro na Rio 2016 (fotos: FIVB)

SELEÇÃO BRASILEIRA
Lá se iam seis anos sem um grande título, desde o Campeonato Mundial 2010. A conquista da desprestigiada Copa dos Campeões 2013 pouco atenuou a agonia. Foram várias pratas no caminho, que demonstravam a solidez de uma seleção presente na maioria das decisões, mas faltava algo, até que finalmente acabou o jejum. Diante de quase 12 mil torcedores, no que antes era apontado como um fator a mais de pressão, a seleção masculina de vôlei conquistou a medalha de ouro na Olimpíada do Rio, ao bater a Itália por 3-0 na final.

Um título alcançado com sacrifício, com três dos 12 atletas contundidos e uma linha de passe inconsistente, porém com o time superando adversários superiores fisicamente, graças principalmente ao sistema de jogo colocado em prática por Bernardinho. O técnico pôde assim celebrar seu segundo ouro olímpico – ele que havia ganhado três mundiais, duas Copas do Mundo e oito edições da Liga Mundial.

Uma conquista de Wallace, Bruno, Maurício Souza, Lucão, Lucarelli, Lipe, Serginho, Evandro, William, Éder, Maurício Borges e Douglas. Os pontas Lucarelli e Lipe, assim como o central Maurício Souza, jogaram abaixo de sua melhor condição física, mas deram o melhor de si. Lucarelli voltou à quadra mancando nas quartas de final, diante da Argentina.

Foi a Olimpíada da consagração definitiva de Serginho, o veterano líbero que completou 41 anos menos de dois meses após a Rio 2016. Ele foi o MVP da competição. Juntou-se ainda aos ex-atletas Maurício Lima e Giovane Gavio como bicampeão olímpico no vôlei brasileiro, sendo também um dos três jogadores no mundo com quatro medalhas olímpicas (dois ouros e duas pratas) – os outros dois são o russo Sergey Tetyukhin (um ouro, uma prata e dois bronzes) e o italiano Samuele Papi (duas pratas e dois bronzes).

O ouro no Rio de Janeiro foi o terceiro do vôlei masculino do Brasil, que havia subido ao lugar mais alto do pódio em Barcelona 1992 e em Atenas 2004.

Time mineiro não sabe o que é perder desde o returno da Superliga passada

SADA CRUZEIRO
Você sabe quando foi a última derrota do Sada Cruzeiro em partidas oficiais? Foi no returno da Superliga 2015/2016. Este semestre, tendo disputado Campeonato Mineiro, Mundial de Clubes e Supercopa, além do primeiro turno da Superliga 2016/2017, o time comandado pelo argentino Marcelo Mendez terminou invicto. É difícil imaginar que essa equipe deixe de conquistar a Superliga pela quinta vez. Em nível global, já são três títulos mundiais.

O elenco é estelar. O Cruzeiro conta com os campeões olímpicos William e Evandro, o selecionável Isac, um líbero tarimbado como Serginho, uma promessa de alto nível como Rodriguinho revezando-se com um veterano da qualidade de Filipe. Mas vieram de fora os principais nomes da atual equipe: dois cubanos. Um deles, o ponta Leal, naturalizou-se brasileiro e poderá jogar pela seleção a partir de 2018. O outro é o central Simon, capaz de jogar como oposto se for preciso. Quando o Sada Cruzeiro consegue entrar em alta rotação, geralmente resta ao adversário lamentar.

Segundo o Saída de Rede apurou, os gastos do time mineiro podem chegar a R$ 13 milhões por temporada, investimento equivalente ao do tradicional Trentino, da Itália, terceiro colocado no Mundial deste ano e maior vencedor da história do torneio, com quatro títulos. Por outro lado, é menos da metade dos pouco mais de R$ 27 milhões desembolsados na temporada passada pelos russos do Zenit Kazan, derrotado pelo Sada Cruzeiro nas decisões de 2015 e de 2016.

Oposto Wallace de Souza foi o maior pontuador da Rio 2016

WALLACE DE SOUZA
Ninguém duvida que Serginho é um craque, provavelmente o melhor líbero da história. Mas quem acompanhou a trajetória da seleção masculina na Rio 2016 talvez tenha tido a sensação que o prêmio de melhor jogador da competição poderia ter sido dado, por exemplo, ao oposto Wallace de Souza. Escolhas de MVP quase sempre despertam alguma polêmica e o prêmio, afinal, ficou em boas mãos ao ser dado ao veterano líbero. O fato é que Wallace brilhou muito no Maracanãzinho.

Procure lembrar os momentos mais difíceis da seleção na Olimpíada e provavelmente Wallace terá estado presente para ajudar. É dever de ofício de um oposto sair de enrascadas, mas o que chamou a atenção nesse jogador de 29 anos e 1,98m durante a Rio 2016 foi seu grau de maturidade. Se em grandes competições anteriores, como Londres 2012, quando foi elevado à condição de titular após uma contusão de Leandro Vissotto nas quartas de final, ou o Mundial 2014, Wallace havia oscilado em momentos decisivos, no Maracanãzinho ele foi essencial para despachar os oponentes. Terminou a Olimpíada como o maior pontuador da competição e teve o segundo melhor aproveitamento no ataque.

Italiano Ivan Zaytsev tirou os americanos da final no saque

IVAN ZAYTSEV
A Itália mais uma vez bateu na trave, ficou com a prata olímpica pela terceira vez na história – acumula ainda três bronzes. No entanto, se não fosse por ele, a Azzurra não teria chegado tão longe no Rio de Janeiro. Dia 19 de agosto, ginásio do Maracanãzinho, quarto set, o placar apontava 22 a 19 a favor dos Estados Unidos, que lideravam a partida por 2-1 e estavam perto da decisão do ouro. Os italianos conseguem a virada de bola e o oposto Ivan Zaytsev vai para o saque. Ele não saiu mais de lá até o final da parcial. Veio o tie break e a Itália, cheia de moral, liquidou os EUA.

Porém, não foi apenas por uma sequência impressionante no serviço, em uma partida importante que parecia perdida, que esse italiano filho de russos (o pai, Vyacheslav, foi uma lenda soviética no levantamento), 28 anos, 2,02m, merece todo esse destaque. Desde o início do torneio, quando sua seleção desmantelou a favorita França, Zaytsev mostrou a que veio.

Sua versatilidade permite que jogue como ponteiro em seu clube, Perugia, algo que aliás já fazia na própria seleção há algumas temporadas. Ele começou a carreira seguindo os passos do pai e aos 16 anos já era levantador na primeira divisão da forte liga italiana. No final da década passada, virou atacante e o resto é história. Ivan Zaytsev é um daqueles atletas que valem o ingresso, um jogador que abre caminho com uso da força, mas que sabe utilizar a técnica. Na Rio 2016, ele foi um show à parte. Que o digam os americanos…

Fachada do centro de treinamento em Chapadmalal (foto: FeVA)

VÔLEI ARGENTINO
Não, ele ainda não é da elite. Mas se depender de empenho, organização e planejamento, o voleibol masculino da Argentina chega lá em alguns anos. O ano de 2016 foi importante para os nossos vizinhos. OK, a campanha na Rio 2016 repetiu o resultado de Londres 2012, com a eliminação nas quartas de final, mas o desempenho foi bem superior. Os argentinos terminaram em primeiro lugar na sua chave, com uma vitória inédita sobre a Rússia nos Jogos Olímpicos. Nas quartas, exigiram muito do Brasil e quase levaram a partida para o tie break.

O melhor deles este ano veio da base e principalmente de um investimento realizado pela Federação do Voleibol Argentino (FeVA).

No Sul-Americano sub19 masculino, eles venceram quatro das últimas cinco edições. Na mais recente, disputada em outubro, surraram os brasileiros em sets diretos. No sub21, no mesmo mês, marcaram 3-1 de virada sobre uma atônita seleção brasileira. À medida que vem a transição para o adulto, outros fatores se impõem, a começar pela carência que os nossos vizinhos enfrentam em algumas posições, por causa da menor quantidade de jogadores disponíveis. No Sul-Americano sub23, por exemplo, o título ficou com o Brasil. No adulto, ainda precisam de um oposto matador, que pode vir a ser em um futuro próximo o talentoso Bruno Lima – ele esteve na Rio 2016 como titular, apesar de seus 20 anos.

O grande investimento da FeVA, anunciado com pompa mas sem divulgação dos valores pelo seu presidente, Juan Antonio Gutiérrez, é um ambicioso complexo chamado de Centro Internacional de Alto Rendimento de Chapadmalal, na cidade de mesmo nome, a 300 quilômetros de Buenos Aires. O local aproveita a estrutura de um hotel desativado. Inaugurado em novembro, ainda inacabado (deve ser concluído em 2017), o centro já recebeu campeonatos de base. A FeVA quer que seja uma referência mundial, nos moldes de Saquarema. Quando finalizado, contará com um ginásio poliesportivo, hotel com 725 apartamentos, teatro com capacidade para 600 pessoas, restaurante com capacidade para 800, além de dez quadras indoor e mais quatro para o vôlei de praia.

A popularidade do vôlei vem crescendo entre os hermanos. A liga argentina masculina é transmitida ao vivo pela TV e via YouTube. A modalidade já é uma das três mais praticadas nas escolas, segundo a FeVA. Há potencial e a federação local vem trabalhando para aproveitá-lo.


O que esperar em termos de renovação na seleção masculina no próximo ciclo?
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Sidrônio Henrique

Alguns dos jogadores campeões olímpicos na Rio 2016 deverão ser substituídos (fotos: FIVB)

A seleção masculina de vôlei encara um novo ciclo a partir de maio do próximo ano, começando com a Liga Mundial 2017 e terminando nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Boa parte dos atletas que passaram pela equipe no período 2013-2016 deverá continuar servindo ao time, que foi renovado em algumas posições, mas há a clara necessidade de reposição de certas peças, em razão do fator idade. A incerteza da continuidade do trabalho de Bernardo Rezende como treinador também deve ser considerada quando se pensa em alterações na equipe, afinal uma eventual mudança no comando implica na possibilidade de novos rostos em posições nas quais já havia referências.

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Uma renovação certa é na posição de líbero após a despedida de Serginho. O líbero bicampeão olímpico e mundial, MVP da Rio 2016, disse adeus à seleção. A escolha óbvia recai sobre Tiago Brendle, 30 anos, que fez parte do time em 2015 e 2016, tem a maturidade necessária para uma função tão crítica, apresentou bom rendimento, tinha voleibol inclusive para estar na Olimpíada e arrancou elogios de Bernardinho. Um nome no qual a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) está de olho é Felipe, 26, que foi um dos dois líberos que foram ao Mundial 2014. Ex-atleta de Rubinho, assistente de Bernardinho, o jogador continua em alta na visão do atual comando. Outro em observação, mas que tem como entrave a uma ascensão imediata a pouca experiência, é Rogerinho, 21 anos. Destaque nas categorias de base, na qual acumulou vários prêmios, ele integra a seleção sub23.

Nas finais do circuito mundial, festa dos campeões olímpicos da praia

No meio de rede, Sidão e Éder, que frequentaram a seleção nos últimos dois ciclos, devem provavelmente abrir espaço para os mais novos. Por problemas físicos, Sidão, 34 anos, titular de 2011 a 2014, ficou fora da Rio 2016. Éder, que ascendeu no ciclo passado, completa 33 em outubro. Lucão esteve no sexteto inicial nas últimas oito temporadas, tem 30 anos e físico para continuar – é uma das referências de Bernardinho na equipe. Surpresa da temporada, melhor central da Liga Mundial 2016 e atualmente um dos melhores bloqueadores do mundo, Maurício Souza, que disputou a Olimpíada longe da sua melhor condição física por causa de uma contratura muscular, completa 28 anos daqui a uma semana e é uma das grandes armas da seleção brasileira. Outro destaque do ciclo passado foi Isac, 25 anos, que ficou fora do Mundial 2014 e da Rio 2016 por problemas físicos – em forma, é nome certo na seleção. Fique atento a Leandro Aracaju, 23 anos, que vem treinando com a seleção principal desde 2015 e que deve ser convocado.

Tiago Brendle despontou no ciclo passado como sucessor de Serginho

Na saída de rede, Wallace, 29 anos, segue firme, mas novamente surge a dúvida sobre o seu reserva. Vários jogadores foram testados, especialmente Evandro, 35, Leandro Vissotto, 33, e Théo, 33. Os três já não são exatamente jovens para encarar mais um ciclo. O gigante Renan, de 2,17m, 26 anos, convocado desde o final do ciclo 2009-2012, até agora não decolou. Este ano, o oposto Franco, também de 26 anos, treinou com a seleção em Saquarema. Resta saber se Bernardinho o vê com perfil para jogar pela seleção, caso o técnico permaneça na função.

Entre os levantadores, Bruno Rezende, na equipe desde meados da década passada, atualmente com 30 anos, ainda tem muita estrada pela frente e está disposto a continuar com a equipe. O segundo armador é que passa a ser um problema, uma vez que os dois substitutos imediatos, William Arjona e Raphael Oliveira, têm 37 anos. Será que continuarão sendo chamados? Ainda que, em tese, Bruno consiga jogar mais dois ciclos olímpicos, é necessário encontrar outros jogadores da posição com nível para jogar na seleção, até porque o provável titular não está imune a uma contusão, por exemplo. Na seleção sub23, citada pelo próprio Bruno como natural referência na renovação, o titular é Fernando Cachopa, 20 anos, reserva no Sada Cruzeiro. Habilidoso, já foi elogiado por Bernardinho, treinou com a seleção B, mas tem como obstáculos o pouco tempo de quadra, uma vez que é o substituto de Arjona no clube, e também a baixa estatura, 1,85m – fator que certamente impediu voos mais altos de William Arjona.

Bruno e Lucarelli devem ser nomes certos nas próximas convocações

Na entrada a situação é menos crítica, com ressalvas ao nível da recepção dos remanescentes. Depois que Murilo Endres, um dos principais passadores do voleibol mundial, despediu-se da seleção na sequência do seu corte dias antes da Rio 2016, Ricardo Lucarelli passou a ser a principal referência na ponta, mas carece de bom passe, apesar do talento incontestável no ataque. Na Olimpíada carioca, Maurício Borges começou como titular e ao longo do torneio deu lugar a Lipe, que chegaria a Tóquio 2020 com 36 anos, ou seja, é bom provável que não esteja no próximo ciclo. Já Borges, que alterna momentos brilhantes e erros em sequência, parece nome certo, principalmente se polir seu jogo. Uma das apostas para o futuro é Douglas Souza, campeão olímpico, que teve atuação discreta no Rio de Janeiro (entrou em apenas uma partida), mas que desponta como um dos grandes talentos brasileiros. Entre os mais novos, Gabriel Vaccari, que completa 20 anos em dezembro e joga pela seleção sub23, vinha treinando com a principal e pode ser testado a partir de 2017. Mas a grande expectativa do torcedor é para a provável convocação do cubano naturalizado brasileiro Yoandry Leal, que poderá integrar o time a partir de 2018. Maior estrela do multicampeão Sada Cruzeiro, Leal seria uma arma importante na estratégia de ataque e de saque da seleção.

A princípio, entre os titulares, a equipe certamente manterá caras conhecidas, com protagonismo de jogadores que cresceram ao longo do ciclo 2013-2016, como o ponta Lucarelli, o oposto Wallace ou o central Maurício Souza. Sem o líbero Serginho, os mais experientes passam a ser o levantador Bruno e o central Lucão, e é pouco provável que, na hipótese de haver um novo treinador, deixem de ser convocados. Para os possíveis novatos, será o início de uma escalada que pode ser compensadora, vestindo a camisa de uma seleção que está quase sempre no pódio e que acaba de se sagrar campeã olímpica pela terceira vez na história.


O que esperar da seleção brasileira masculina na Rio 2016?
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Sidrônio Henrique

O time de Bernardinho foi vice na Liga Mundial, mas venceu os adversários da Olimpíada (fotos: FIVB)

Já faz algum tempo que a seleção brasileira masculina de vôlei não é mais o bicho-papão do voleibol mundial, mas neste final de ciclo olímpico o time parece ter encontrado seu melhor ritmo na década. Na Liga Mundial 2016, encerrada há quase três semanas, o time que foi vice-campeão, perdendo a final para a Sérvia, derrotou ao longo da competição os seus principais adversários na primeira fase da Rio 2016: Estados Unidos, França e Itália, além de vitórias sobre equipes do outro grupo, como Polônia, Irã e Argentina. Um bom sinal. Espera-se uma medalha no dia 21 de agosto. O vôlei masculino do país tem dois ouros e três pratas olímpicas.

O único remanescente da era dourada do Brasil é o líbero Serginho, que aos 40 anos disputará sua quarta Olimpíada e é um dos líderes da seleção. A única dúvida no time titular parece ser o segundo ponteiro e é bem possível que vejamos uma alternância entre Maurício Borges e Lipe, ambos com rendimento bom no ataque, donos de saques potentes, mas com oscilações na recepção. O restante do time parece certo: o oposto Wallace, o levantador Bruno, os centrais Lucão e Maurício Souza, o ponta Lucarelli e o já mencionado Serginho. Completam os doze o ponta Douglas, o levantador William, o oposto Evandro e o central Éder.

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Como já foi dito antes aqui no Saída de Rede, não é o time ideal, mas é o possível. E foi com essa equipe, com a eventual troca do dispensado Tiago Brendle por Serginho, que o Brasil derrotou alguns dos seus principais adversários na Rio 2016 durante a Liga Mundial.

Passe irregular
O principal problema do Brasil é a linha de passe. Em off, um atleta e dois integrantes de comissões técnicas de uma seleção norte-americana e duas europeias falaram ao blog sobre o calcanhar de Aquiles do time de Bernardinho. Em resumo: a chance de ganhar dos brasileiros está concentrada na eficiência do saque do oponente. Sem passe, obviamente, a seleção do Brasil torna-se vulnerável. A Sérvia, única equipe a bater o Brasil na Liga Mundial e que fez isso duas vezes, deu a deixa. Mesmo nas vitórias a recepção brasileira foi motivo de preocupação.

Mais experiente da equipe, Serginho vai para sua quarta Olimpíada

Se o time verde-amarelo alcançou equilíbrio e melhorou seu jogo mesmo sem estrelas e com alguns jogadores que há um ano sequer imaginávamos na equipe, quando o tema é a recepção o nível caiu. Não me recordo de uma linha de passe tão frágil na seleção. E que fique claro que não são apenas os torpedos que incomodam os passadores brasileiros. Um flutuante rasante, como o dos poloneses Mateusz Mika e Mateusz Bieniek, é um tormento para qualquer recepção. No caso do Brasil, nenhum dos quatro ponteiros é exímio passador, o que aumenta a área e consequentemente a responsabilidade do veterano Serginho. O ponta Murilo, um dos melhores passadores do mundo, foi cortado por causa de uma lesão na panturrilha esquerda.

Para se ter uma ideia do que um serviço devastador pode causar, basta relembrar as duas derrotas do Brasil para a Sérvia na Liga Mundial deste ano. No primeiro confronto, perdido por 1-3, os sérvios marcaram impressionantes 20 aces. Foi num dia de saque inspirado, nas quartas de final de Londres 2012, que a Itália, quarta colocada no seu grupo, eliminou os EUA, primeiros da sua chave, em sets diretos – os americanos eram os favoritos para avançar à semifinal.

Saldo vantajoso
OK, o passe atual não faz jus à nossa tradição, mas e o saldo geral? Mesmo com esse déficit na recepção, o time foi bem até aqui. Nas finais da Liga Mundial, por exemplo, os reservas despacharam o time titular dos Estados Unidos. Dois dias antes, os titulares não deixaram a Itália ver a cor da bola. A badalada França, do ponta Earvin N’gapeth, perdeu duas vezes do Brasil por 3-1.

O que esperar da seleção brasileira feminina na Rio 2016?

Sim, o ouro na Rio 2016 é uma grande possibilidade. Se não vier, é pouco provável que o time fique sem medalha. Além das qualidades técnicas e físicas dos jogadores, a seleção brasileira tem como treinador ninguém menos do que Bernardinho. Desde que assumiu a seleção em 2001, o técnico conduziu o time a 38 pódios em 41 torneios. O único senão é que das três vezes em que não chegou lá, duas foram justamente no Maracanãzinho, o palco da disputa do voleibol na Rio 2016 – quarto lugar na Liga Mundial 2008 e quinto na Liga Mundial 2015. Teria a equipe sucumbido à pressão de jogar em casa? Em Olimpíadas, Bernardinho acumula um ouro e duas pratas com a seleção masculina, além de dois bronzes com o time feminino. Como treinador, ele jamais saiu deste evento sem uma medalha.

Bernardinho durante treino nesta quinta-feira (Inovafoto/CBV)

Equilíbrio
É bom que se diga que os Jogos Olímpicos deverão ter nesta edição, provavelmente, o torneio de vôlei masculino mais equilibrado da sua história. Seis das doze equipes entram como favoritas ao ouro: Brasil, França, Estados Unidos, Rússia, Itália e Polônia. Outras três podem causar danos aos favoritos: Canadá, Argentina e Irã. Na ala dos figurantes estão Egito, Cuba e México.

Brasileiros e franceses estão um passo adiante dos demais, mas nada que os dê muita folga. Os EUA precisam de ajustes, como disse ao SdR o técnico John Speraw. A Rússia, sem o central Dmitriy Muserskiy, é uma incógnita, mas nunca perde o status de favorita – mesmo sem o gigante, venceu o qualificatório europeu. Itália e Polônia, dois times com saques consistentes, mas irregulares na execução do jogo, são, em tese, os menos fortes, digamos assim.

Na praia e na quadra, quem é pedra no caminho do vôlei brasileiro no Rio?

Tem gente lamentando a ausência da Sérvia, que este ano finalmente conquistou seu primeiro título da Liga Mundial, depois de acumular cinco pratas na competição. Os sérvios certamente têm seus méritos, mas se prepararam especificamente para aquele torneio, enquanto as demais equipes mantinham o foco no Rio. Isso faz diferença, levando-se em consideração principalmente o condicionamento físico. É bom ressaltar que a Sérvia sequer chegou às semifinais do Pré-Olímpico da Europa.

O vôlei masculino da Rio 2016 deve brindar os fãs da modalidade com várias partidas de alto nível. Logo na abertura, neste domingo (7), às 9h30, franceses e italianos se enfrentam. A promessa é de pelo menos dois grandes jogos por rodada na fase de grupos.

Confira os jogos do Brasil na primeira fase do vôlei masculino na Rio 2016 (horário de Brasília):

Domingo (7)
11h35 – Brasil vs. México

Terça-feira (9)
22h35 – Brasil vs. Canadá

Quinta-feira (11)
22h35 – Brasil vs. Estados Unidos

Sábado (13)
22h35 – Brasil vs. Itália

Segunda-feira (15)
22h35 – Brasil vs. França

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Gustavo lamenta ausência de Muserskiy e aprova fim das paradas no Rio
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Carolina Canossa

Muserskiy não vem ao Rio devido a problemas nos joelhos (Fotos: FIVB)

Muserskiy não vem ao Rio devido a problemas nos joelhos (Fotos: FIVB)

Uma medalha de ouro olímpica, uma prata, dois títulos mundiais e seis Ligas Mundiais no currículo. Considerado um dos melhores centrais da história do vôlei, Gustavo Endres sem dúvida sabe reconhecer alguém que é fera na posição. E, justamente por isso, lamenta a ausência do gigante russo Dmitriy Muserskiy da Olimpíada do Rio devido a problemas nos joelhos.

“Acho que a Rússia perde bastante por ele não conseguir vir pra Rio 2016. Como vimos em Londres, ele é uma referência na equipe”, comentou o ex-jogador, lembrando o fato de Muserskiy ter marcado 31 pontos contra o Brasil na última final olímpica. “Digamos que foi um reforço para as outras equipes o fato de ele não disputar as Olimpíadas”, completou.

Apesar da ausência, Gustavo destaca a qualidade dos demais meios de rede que estarão por aqui nos próximos dias. “A briga dos centrais será em altíssimo nível. Vamos ver muitas pancadas pelo meio, bloqueios espetaculares, saques… a Olimpíada está muito bem servida nesse quesito”, analisou.

A pedido do Saída de Rede, o hoje dirigente da equipe do Vôlei Canoas falou sobre os dois titulares da seleção brasileira na Liga Mundial, Maurício Souza e Lucão. Eleito um dos melhores centrais da competição, o jogador do Brasil Kirin recebeu muitos elogios.

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“Ele é um cara que merece estar onde está. Fez uma excelente Superliga no ano passado, como já vinha fazendo há algum tempo. Tem a característica do bloqueio, se vira muito bem no ataque e possui um saque muito regular. Mereceu em quadra esse título individual”, afirmou. De quebra, Maurício Souza ainda ganhou um conselho. “Pra Olimpíada, que ele mantenha esse foco que teve durante a Liga Mundial, pois Olimpíada é diferente, especial e há a imprensa toda que vai estar em cima. Também (tem que ter cuidado para) não perder o foco devido aos familiares que vão estar mais próximos por a Olimpíada ser no nosso país. É ter cuidado na Vila Olímpica, manter a cabeça boa e a dedicação que vem tendo”, comentou.

Gustavo aprovou o fim das paradas técnicas na Olimpíada

Gustavo aprovou o fim das paradas técnicas na Olimpíada

Já Lucão, que tenta recuperar a boa fase de outros momentos do ciclo olímpico, tem toda a confiança de Gustavo. “Vi uma melhora do que o Lucão vinha jogando na temporada passada, onde ele até não estava conseguindo sacar como em anos anteriores. Acho que isso ele conseguiu resgatar. No ataque, continuou a ser o que é, sempre muito decisivo e com um entrosamento grande com o Bruno. E no bloqueio precisa melhorar, mas assim como o bloqueio da equipe toda. Está em evolução e vai chegar muito bem na Olimpíada”, acredita.

FIM DAS PARADAS TÉCNICAS

Às vésperas da Olimpíada, Gustavo também aprovou a decisão dos organizadores em acabar com a parada técnica no oitavo e no 16º ponto de cada set no torneio, a fim de manter o jogo mais dinâmico e diminuir o tempo de duração das partidas.

“Como jogador, eu achava (a parada técnica) muito ruim. Quando está atrás no placar, você quer mais é ficar em quadra para poder reverter e não ir pro banco para respirar. Respirar é reverter o placar. Pra mim, essas paradas sempre foram muito ruins, principalmente uma atrás da outra. Acho que foi uma ideia acertada”, comentou o jogador, que propõe até mais mudanças. “Eu tiraria mais um tempo de cada técnico, deixaria só um pra cada, pro jogo ficar realmente o tempo todo com os jogadores em quadra e a bola rolando. Acho que é isso o que o público quer ver e a TV estar sempre transmitindo a bola no ar”, opinou.
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O que os cortes representam no time de Bernardinho?
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Sidrônio Henrique

O técnico Bernardo Rezende dirige a seleção masculina de voleibol desde 2001 (fotos: FIVB)

Definidos os nomes dos 12 jogadores que irão representar a seleção brasileira de vôlei masculino na Rio 2016, lista divulgada em primeira mão pelo Saída de Rede na manhã de segunda-feira (18), o leitor talvez se pergunte o que muda e o que perde a equipe comandada pelo técnico Bernardo Rezende.

Em relação ao que apresentou na Liga Mundial, do ponto de vista técnico e tático, observado o time titular na maioria das partidas, quase nada se altera. Dos três cortes, a única surpresa foi a dispensa do ponta Murilo Endres, que apesar de estar longe da sua melhor forma física representava uma opção importante para a linha de passe. Uma lesão na panturrilha esquerda, a mesma que atrapalhou a vida do oposto russo Nikolay Pavlov no Campeonato Mundial 2014, foi a causa da saída do experiente ponteiro brasileiro, campeão mundial em 2006 e 2010, prata olímpica em Pequim 2008 e Londres 2012. Já se esperava que o central Isac e o líbero Tiago Brendle fossem cortados.

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A ausência de Murilo não muda o panorama porque ele quase não vinha jogando e não porque ele fosse dispensável. Mesmo em condições físicas abaixo do ideal, como vimos ao longo deste ciclo, o ponta do Sesi seria importante. Uma linha de recepção com Murilo e Serginho representa um desafio maior para o sacador adversário, um passe potencialmente com maior qualidade para o levantador Bruno Rezende, consequentemente oferecendo mais opções no ataque e dificultando a vida do bloqueio do oponente. Ainda que na reserva, o simples fato de poder contar com ele seria um alento para Bernardinho, que deve ter ido ao limite antes de decidir pelo corte do veterano.

O ponteiro Murilo seria peça importante na linha de passe

Filme triste
Provavelmente ainda deve ecoar na memória do técnico brasileiro as duas últimas edições dos Jogos Olímpicos, quando ficou com a prata. Tanto nos Jogos de Pequim 2008 quanto em Londres 2012 as lesões atrapalharam a seleção brasileira. A situação mais dramática ocorreu há quatro anos, na final entre Brasil e Rússia. O ponta Dante, que sofria com dores no joelho havia alguns anos devido a uma artrose, não suportou a carga a partir do terceiro set. O outro ponteiro titular era Murilo, MVP da competição, que ficou sobrecarregado. Vindo do banco, Thiago Alves não rendeu o esperado, tecnicamente falando. Giba retornava após uma cirurgia na tíbia, devido a uma fratura por estresse, e apesar de clinicamente recuperado não alcançou o melhor da sua forma. Certamente Bernardinho não queria correr o risco de ver um filme repetido e com final triste.

Isac, de volta ao time após tratamento para reduzir as dores decorrentes de uma hérnia de disco, vinha atuando pouco e não apresentava o mesmo rendimento. Como explicamos na segunda-feira, o líbero Tiago Brendle teve um desempenho equiparável ao do experiente Serginho, mas o papel deste último como líder e sua segurança em momentos de pressão pesaram na decisão do técnico. Em ambos os casos, essas ausências serão menos sentidas, pois quem permanece pode jogar igual ou até melhor.

Time titular
A única dúvida no time titular é a do segundo ponteiro e é bem possível que vejamos uma alternância entre Maurício Borges e Lipe, ambos com rendimento bom no ataque, donos de saques potentes, mas com oscilações na recepção. O restante do time parece certo: o oposto Wallace, o levantador Bruno, os centrais Lucão e Maurício Souza, o ponta Lucarelli e o líbero Serginho. Não é o time ideal, mas é o possível. E foi com essa equipe, com a eventual troca do dispensado Brendle por Serginho, que o Brasil derrotou alguns dos seus principais adversários na Rio 2016 durante a recém-encerrada Liga Mundial.

Entenda os cortes na seleção feminina de vôlei

Espera-se que nessas duas semanas e meia até a estreia contra o fraco México, no dia 7 de agosto, o time esteja ainda melhor fisicamente, resultado da redução da carga de exercícios físicos, e que o passe não comprometa tanto, como nas duas únicas derrotas sofridas na Liga Mundial, ambas para a Sérvia, que estava no ápice da forma física e disputava sua última competição do ano, pois não virá ao Rio. Sem Murilo, permanece na seleção o jovem Douglas Souza, ponteiro de apenas 20 anos, o mais novo da equipe, uma aposta para o próximo ciclo que tem, desde já, a chance de sua primeira medalha olímpica.

Com todas as suas limitações na linha de passe e com o ataque pelas pontas concentrado em Wallace e Lucarelli, o Brasil será um dos times mais fortes no Maracanãzinho e ainda conta com a torcida a favor. De positivo, diga-se, vimos este ano um time que saca melhor do que nas temporadas anteriores e que defende mais. A derrota em sets diretos para a Sérvia na final da Liga Mundial talvez incomode o torcedor, mas é bom lembrar que a seleção brasileira superou poloneses, italianos, americanos e franceses. Em um cenário de equilíbrio como o do voleibol masculino isso é um bom sinal.

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Saque sérvio impede Brasil de quebrar jejum de títulos
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Sidrônio Henrique

O passe brasileiro não resistiu ao serviço da seleção sérvia (fotos: FIVB)

Faltou pouco, mas o saque e a forma física dos sérvios impediram o Brasil de quebrar um jejum de títulos que já dura três anos, para quem considera o título da Copa dos Campeões 2013, que sequer conta pontos para o ranking mundial, ou seis anos, se olharmos para o Campeonato Mundial 2010. A seleção brasileira de vôlei masculino caiu diante da Sérvia por 3-0 (25-22, 25-22, 25-21), em Cracóvia, na Polônia, na final da Liga Mundial 2016. Foi o primeiro título dos sérvios nessa competição. O Brasil adia mais uma vez o sonho do decacampeonato.

A Sérvia, mesmo sem o oposto Aleksandar Atanasijevic, fora das finais por causa de uma contusão, mostrou-se um adversário forte, coeso, com um bom jogo baseado no saque e bloqueio. Haviam sido os únicos a derrotar o Brasil na fase inicial (3-1, em Belgrado, marcando impressionantes 20 aces), quando a seleção brasileira ainda ajustava seu jogo. É bom que se diga que os sérvios, sem ir aos Jogos Olímpicos, tinham na Liga Mundial sua principal competição da temporada, estando em estágio de preparação física superior aos demais, o que lhes garantiu vantagem nessa corrida por um título inédito – acumulavam cinco pratas e um bronze. A Sérvia errou pouco, entregou apenas 11 pontos, enquanto o Brasil deu quase um set de presente, com 24 erros. O oposto Wallace, melhor da posição no torneio, foi o maior pontuador da final, com 18, seguido pelo ponta sérvio Marko Ivovic, MVP da competição, que somou 16.

Brasil
Apesar da derrota, o time de Bernardinho segue para a Rio 2016 demonstrando em quadra um jogo calcado em um sistema defensivo bem estruturado e no seu poder ofensivo, tanto no ataque quanto no saque – veja a final contra a Sérvia como um ponto fora da curva. Não dá para garantir que venha uma medalha, até porque o equilíbrio no voleibol masculino coloca metade dos 12 participantes do torneio olímpico com chances reais de ouro e há pelo menos outras três equipes capazes de atrapalhar os favoritos.

O técnico Bernardinho, à frente da seleção masculina desde 2001, parecia ter encontrado o time titular ideal com o oposto Wallace, o levantador Bruno, os pontas Lucarelli e Maurício Borges, os centrais Lucão e Maurício Souza, com a única dúvida na posição de líbero entre o veterano Serginho e Tiago Brendle, este último escalado neste domingo. A má atuação de Maurício Borges no passe, apesar de ter ido bem no ataque, provocou sua substituição por Lipe. Resta saber se o também ponteiro Murilo, que se recupera de uma lesão simples na panturrilha esquerda e é um exímio passador, estará pronto antes da Olimpíada. Murilo também não jogou na partida contra os sérvios na fase de classificação.

O oposto Wallace foi o maior pontuador da final, marcou 18 vezes

Longe de encantar como a geração dourada da década passada, a atual equipe preza porém pela eficiência, mantém uma relação consistente entre bloqueio e defesa, aspecto em que cresceu mais ainda nesta temporada, justamente quando chegamos ao momento decisivo do ciclo olímpico. O saque foi outro ponto em que o time de Bernardinho deu um salto considerável este ano, com um melhor rendimento aliado à variação de serviços forçados ou flutuantes, longos e curtos.

Nas finais da Liga Mundial, o Brasil teve a chance de medir forças com seus três maiores adversários da fase inicial na Olimpíada: Itália, Estados Unidos e França. O confronto com a seleção brasileira deve ter deixado os oponentes apreensivos. Os italianos não passaram do vigésimo ponto em seu melhor set, os americanos foram derrotados (e eliminados) pelos reservas do Brasil e a França, o mais forte entre eles, tomou uma surra no primeiro set e viu o time de Bernardinho virar o jogo na terceira e na quarta parciais – nesta última revertendo uma desvantagem de seis pontos.

Olho nos favoritos
Além de três favoritos (Itália, EUA e França) ao ouro no Rio que enfrentou nessa reta final em Cracóvia, o Brasil vai encarar na primeira fase a boa equipe canadense, que pode surpreender os mais fortes, e o fraco México. Entre os candidatos ao topo do pódio que estão na outra chave, os brasileiros tiveram chance de encarar os poloneses na Liga Mundial, derrotados em sets diretos em Nancy, na França. A única incógnita é a Rússia, que não se classificou para as finais e que disputou a fase classificatória mesclando titulares e reservas. Atual campeã olímpica, a seleção russa deu uma demonstração do seu poderio ao derrotar de virada, por 3-1, o time francês, na decisão do Pré-Olímpico da Europa. Um time perigoso, que tem como destaques o central Dmitriy Muserskiy, de triste memória para os brasileiros, e o ponta Sergey Tetyukhin, o mais velho do vôlei masculino na Olimpíada, com 40 anos e 11 meses, ambos remanescentes da campanha do ouro em Londres 2012 – Tetyukhin disputará sua sexta edição dos Jogos Olímpicos.

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Numa avaliação dos seis favoritos, sem saber da atual condição da Rússia, percebe-se que brasileiros e franceses chegam melhor preparados ao Rio. Não será surpresa se a semifinal da Liga Mundial se repetir como final olímpica, no dia 21 de agosto, no Maracanãzinho.

Time brasileiro
O oposto Wallace e o ponta Lucarelli são os destaques ofensivos da seleção brasileira. O primeiro se viu obrigado a assumir a condição de titular na saída de rede desde a contusão de Leandro Vissotto nas quartas de final em Londres 2012, contra a Argentina, e se firmou. Lucarelli, talvez o maior talento do voleibol brasileiro nesta década, cresceu ao longo do ciclo. Viu Londres 2012 da arquibancada e tornou-se titular a partir do ano seguinte. Se no Mundial 2014, quando o Brasil foi prata, Lucarelli já mostrava ao mundo suas qualidades sendo o melhor ponteiro do torneio, em 2016 é ainda mais sólido: tem maior segurança no ataque e no saque.

O levantador Bruno Rezende provavelmente atingiu o ápice na sua carreira, sendo responsável por uma das melhores distribuições do voleibol mundial, a ponto de ser considerado pelo craque americano Matt Anderson como o principal fator pela dificuldade de derrotar a seleção brasileira. Neste domingo, sem passe, o ataque brasileiro rendeu menos diante da Sérvia.

Ponteiro Marko Ivovic, MVP da Liga Mundial, ataca

No entanto, entre os 12 atletas que deverão estar na Rio 2016, ninguém chamou mais a atenção do que a dupla de Maurícios: Souza, o central, e Borges, o ponta. Fala a verdade, há um ano você aí imaginaria os dois entre os que irão aos Jogos Olímpicos? Eu não. Aliás, nem eles. Maurício Souza é, atualmente, o principal central brasileiro e um dos melhores do mundo – premiado como o melhor da posição na Liga Mundial. Já o xará Borges, que de juvenil promissor no final da década passada viu sua carreira ser marcada por inúmeras lesões, vem apresentando um saque potente e muita qualidade técnica no ataque, embora ainda comprometa no passe.

É com esta equipe, fruto de diversas combinações experimentadas pelo técnico Bernardinho, que o Brasil chega ao Rio. Um time de operários, de jogadores que tiveram de superar suas limitações ou ainda lutam contra elas, como o caso da deficiência no passe entre os ponteiros, mas cujo resultado final, em quadra, ainda é capaz de empolgar, como vimos contra a França. Voleibol, afinal, mais do que a habilidade técnica ou força física individuais, é o coletivo.

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