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Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Brasileiro de seleções é vitrine para mais de mil novos talentos
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Carolina Canossa

Gabi (1ª sentada da esq para a dir) e Lorenne (4ª sentada da esq para a direita) foram campeãs por Minas em 2012 (Foto: Divulgação)

Se você se interessa pelo futuro do voleibol brasileiro, fique atento: no próximo domingo (12), terá início o Campeonato Brasileiro de Seleções, que envolverá 1344 jovens talentos em categorias que começam no sub-15 até o sub-20.

A competição promove a disputa entre selecionados estaduais em diversas divisões – Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e  São Paulo são os únicos estados com representantes na elite em todas as categorias. Ao todo, 14 torneios serão disputados ao longo do ano em sedes como o Centro de Treinamento de Saquarema (RJ), Maceió (AL), São Sebastião do Paraíso (MG) e Uberlândia (MG).

Excesso de erros mina força do Minas na reta final da fase classificatória

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Praticamente todos os atletas que hoje brilham na categoria profissional jogaram alguma edição do Brasileiro de Seleções. Minas Gerais, por exemplo, já contou com o ponteiro Ricardo Lucarelli em sua equipe, assim como as atacantes Gabi, atualmente no Rexona-Sesc, e Lorenne, do Sesi, maior pontuadora da atual edição da Superliga feminina. Os técnicos das seleções de base acompanham o torneio com atenção para embasar suas convocações.

O processo de recrutamento dos atletas que jogam o Brasileiro de seleções é determinado por cada Federação: peneiras, observações de partidas escolares ou recrutamento direto nos clubes são os métodos mais utilizados. A CBV custeia o transporte, a alimentação e a hospedagem de até 12 integrantes da delegação de cada Federação participante (10 atletas + dois de comissão, ou 11 atletas + um de comissão técnica), além de um árbitro de cada estado participante.


Rodada 7 da Superliga tem jovens opostos em alta e Taubaté em baixa
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Carolina Canossa

Luan Weber somou 50 pontos pelo Montes Claros nas duas últimas rodadas (Fotos: Divulgação)

Luan Weber somou 50 pontos pelo Montes Claros nas duas últimas rodadas (Foto: Divulgação)

Com mais da metade do primeiro turno das Superligas feminina e masculina de vôlei já jogados, as desculpas de falta de ritmo e pouco entrosamento não colam mais. Os pontos fortes e as deficiências de cada uma das 24 equipes da disputa estão escancarados, assim como os destaques individuais da competição.

Realizada entre quinta-feira (30) e o sábado (3), a sétima rodada da competição serviu para confirmar a ascensão de duas equipes de porte médio, uma de cada naipe: o Terracap/BRB/Brasília entre as mulheres e o Montes Claros Vôlei na disputa de homens. Já Dentil/Praia Clube e a Funvic/Taubaté vivem momento preocupante para seus torcedores. Baseado nos últimos resultados, fizemos o retrato do momento na principal competição de clubes do país:

#ForçaChape: Superliga mostra solidariedade após tragédia com time catarinense

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SOBE

Luan
Em teoria, o Montes Claros Vôlei viveria um momento complicado na tabela ao encarar dois dos favoritos ao pódio na sequência. Na prática, o que aconteceu foi o fim das invencibilidades de Funvic/Taubaté e do Vôlei Brasil Kirin. E o “culpado” disso atende pelo nome de Luan Weber. Figurinha frequente nas categorias de base da seleção brasileira, o oposto dá sinais de ter se encontrado na equipe do norte de Minas, o sétimo clube de sua carreira. Somente nas partidas contra os rivais do interior paulista, foram 50 pontos (26 contra o time do Vale do Paraíba e 24 contra Campinas), número que o fez subir meteoricamente na lista dos maiores pontuadores da competição, onde atualmente é o terceiro colocado. Resta saber como ele reagirá ao reforço na marcação individual que certamente virá nas próximas rodadas.

Lorenne
Se a jovem atacante já vinha se destacando nos resultados negativos da equipe feminina do Sesi, a história não poderia ser diferente quando a equipe do técnico Juba finalmente conseguiu sua primeira vitória na competição. Foram 32 bolas no chão, todas em ataques, na virada por 3 a 1 sobre o Renata Valinhos/Country. É verdade que o fraco rival não pode servir como único parâmetro, mas a mineira é um diamante a ser lapidado e, levando o time nas costas agora, vai ganhar experiência suficiente para encarar a responsabilidade de defender equipes com grandes investimentos na próxima temporada.

Cezar Douglas precisa melhorar urgentemente a linha de passe (Foto: Rafinha Oliveira/Funvic Taubaté)

Cezar Douglas precisa melhorar urgentemente a linha de passe (Foto: Rafinha Oliveira/Funvic Taubaté)

Campeões
É verdade que Rexona-Sesc e Sada Cruzeiro ainda não encararam seus grandes rivais na Superliga, mas os atuais campeões da Superliga não têm dado espaço para zebra: nos sete jogos que cada um realizou até agora, foram sete vitórias e apenas uma parcial perdida. Curiosamente, o próximo desafio de ambos será contra as duas forças ascendentes desta edição, o Brasília e o Montes Claros. Taí dois bons jogos pra ficar de olho nesta semana.

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DESCE

Dentil/Praia Clube
Apesar das importantes ausências de Alix Klineman (luxação no dedo anelar da mão direita) e Fabiana (desconforto na coxa), a derrota por 3 a 0 para o Brasília não deixa de ser um baque numa equipe que investiu alto para acabar com a hegemonia do Rexona na Superliga. Sim, o time candango tem seus méritos (e nós já falamos deles), mas lesões acontecem e é preciso ter alternativas caso a má sorte volte a acontecer nas fases decisivas da disputa.

Vôlei Nestlé caprichou na marcação sobre Rosamaria (Foto: João Pires/Fotojump)

Vôlei Nestlé caprichou na marcação sobre Rosamaria (Foto: João Pires/Fotojump)

Ataque do Camponesa/Minas
No reencontro entre as líberos Camila Brait e Léia, que disputaram até os últimos momentos uma vaga na Olimpíada do Rio, a líbero do Camponesa/Minas esteve muito bem em quadra, mas não foi acompanhada pelas companheiras. Bastou ao Vôlei Nestlé anular a ponteira Rosamaria que o time de Belo Horizonte virou presa fácil, sendo derrotado por contundentes 3 a 0 em Osasco. Em tarde medonha, nenhuma jogadora da equipe visitante fez mais que seis pontos nos três sets realizados. Pior: as recém-contratadas Destinee Hooker e Jaqueline sequer possuem previsão de estreia.

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Linha de passe da Funvic/Taubaté
Mario Junior, Ricardo Lucarelli e Lucas Loh. A linha de passe da Funvic/Taubaté tem qualidade para ser apontada como uma das melhores da Superliga, mas viveu um apagão contra o Sesi no último sábado: dez aces tomados em 74 saques recebidos. Em muitos deles, houve claras falhas de comunicação entre os recebedores. Sem somar nenhum dos seis possíveis nas duas últimas rodadas, Taubaté ao menos tem a “sorte” de, na próxima rodada, encarar o São Bernardo Vôlei, time com o pior aproveitamento em saques até o momento.


Zebra, tie break, sufoco… Rodada animada na Superliga feminina
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Sidrônio Henrique

Brasília passou pelo Osasco em sets diretos (foto: Felipe Costa/Ponto MKT Esportivo)

Zebra em Brasília em sets diretos, primeiro tie break da competição finalmente aconteceu, juvenis do Sesi dando sufoco nas favoritas do Praia Clube… Se alguém estava achando a Superliga feminina 2016/2017 morna, a quinta rodada foi, no mínimo, animada.

Brasília despacha Osasco
Na capital federal, o time da casa, o Brasília Vôlei, foi bem além das expectativas e não deu chance ao Vôlei Nestlé, um dos candidatos ao título e até então invicto. Vitória candanga por 3-0 (25-22, 25-20, 25-23), com destaque para a líbero Silvana, escolhida a melhor em quadra. A linha de passe do Brasília, que havia comprometido o rendimento da equipe na derrota por 0-3 para o Rio do Sul, esteve quase impecável nesta noite de terça-feira (22). Tanto que a levantadora Macris trabalhou bastante com as centrais. A meio de rede Vivian foi a maior pontuadora do jogo, com 18 no total, sendo 13 no ataque.

“Estamos começando a construir nossa história, mas não podemos parar por aqui. Não quero que nossa equipe se dê por satisfeita por conta desse feito. O Vôlei Nestlé não teve uma noite boa, mas nós tivemos”, disse o técnico do Brasília, Anderson Rodrigues.

Rosamaria marcou 23 pontos na quinta rodada (foto: Clóvis Eduardo Cuco/Rio do Sul)

Minas neutraliza torcida do Rio do Sul
Lá em Rio do Sul (SC), o time local bem que tentou fazer valer o fator casa – na temporada passada, diante da sua torcida, só perdeu um jogo, no tie break, para o campeão Rexona. Porém, quem saiu vencedor foi o Camponesa/Minas, por 3-2 (25-19, 25-20, 19-25, 23-25, 15-8), na primeira vez que uma partida chegou ao quinto set na Superliga 2016/2017. O Minas ainda não pôde contar com a oposta americana Destinee Hooker, que chegou ao país na semana passada. Deslocada para a entrada de rede, Rosamaria Montibeller liderou o time mineiro e foi quem marcou mais vezes, somando 23 pontos, 18 de ataque. A central Mara, improvisada como oposta, marcou 16 pontos e ficou com o troféu Viva Vôlei.

Sesi quase apronta surpresa
Em Santo André (SP), esperava-se que o Dentil/Praia Clube atropelasse o time juvenil do Sesi, mas a vitória foi apertada por 3-1 (25-23, 22-25, 25-20, 25-22). Mesmo como visitante, a equipe de Uberlândia (MG), que conta com craques como as centrais Fabiana e Walewska, além da ponta americana Alix Klineman, deveria se impor sobre o jovem time paulista, que tem na oposta Lorenne seu destaque. A chave para o equilíbrio, além do esmorecimento do Praia Clube, foi o saque do Sesi. O time de São Paulo foi agressivo no serviço e deixou a responsabilidade para o favorito mineiro, que se complicou no passe, foi displicente no ataque e por pouco não teve que ir ao tie break. Alix, maior pontuadora com 22, ficou com o Viva Vôlei. Fabiana e Walewska marcaram 20 e 17 pontos, respectivamente. Pelo Sesi, Lorenne somou 17 pontos.

Os demais jogos da quinta rodada foram definidos em sets diretos. O Rexona foi a São Paulo e venceu o Pinheiros. Em casa, o Genter Vôlei Bauru passou pelo Fluminense. Em um duelo entre dois dos mais fracos da competição, o São Caetano foi anfitrião e superou o Renata Valinhos.

Confira aqui a classificação da Superliga feminina 2016/2017.


Antigos rivais, Vôlei Nestlé e Sesi agora têm abismo entre si
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Sidrônio Henrique

São Paulo - Sesi Vila Leopoldina - 12/11/16, Partida entre SESI (SP)x Vôlei Nestlé (SP), pela SUPERLIGA FEMININA 2016/2017. Foto: Gabriel Inamine / Fotojump

Em apenas uma hora e 23 minutos o Vôlei Nestlé superou o Sesi (Foto: Gabriel Inamine / Fotojump)

A partida entre Vôlei Nestlé e Sesi, disputada na noite deste sábado (12) em São Paulo, pela terceira rodada do primeiro turno da Superliga 2016/2017, mostrou o abismo que há hoje entre dois times que até recentemente se enfrentavam em igualdade de condições ou quase. O que se viu no ginásio da Vila Leopoldina foi uma equipe montada para disputar o título contra um time recheado de juvenis pensando em sobreviver ao rebaixamento. O resultado, previsível, foi a vitória do time de Osasco por 3-0 (25-9, 25-23, 25-15), numa partida de baixo nível técnico.

As limitações do adversário não permitiram avaliar muito o Vôlei Nestlé, pouco exigido. A equipe de Osasco teve a partida nas mãos o tempo todo – o Sesi encostava quando o Vôlei Nestlé errava, a exemplo da segunda parcial. Chamou a atenção a falta de sintonia entre a levantadora Dani Lins e a ponteira Tandara na pipe, mas nada que não possa ser corrigido em breve, sem maiores preocupações para o técnico Luizomar de Moura. O que deve deixá-lo apreensivo, pelo menos na hora de encarar times de ponta como Rexona-Sesc e Dentil/Praia Clube, são as oscilações na sua linha de passe e a atuação irregular do bloqueio.

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A ponteira sérvia Tijana Malesevic, prata na Rio 2016 com a sua seleção e uma das principais contratações do Vôlei Nestlé para a temporada, foi considerada a melhor da partida na votação via internet e ficou com o troféu Viva Vôlei. Mas a maior pontuadora foi a também ponteira do Osasco Tandara Caixeta, que marcou 13 vezes (12 de ataque e uma no bloqueio), seguida da oposta Lorenne Geraldo (Sesi), com 12, e da oposta Paula Borgo (Osasco), 10 pontos.

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Foi a quarta vitória consecutiva da equipe do treinador Luizomar de Moura, que está invicta e havia antecipado o confronto da quarta rodada com o Rio do Sul. O Vôlei Nestlé voltará à quadra somente na terça-feira da próxima semana (22), às 20h, contra o Brasília Vôlei, como visitante. Já o Sesi, que perdeu as três partidas que disputou na Superliga, tenta a reabilitação contra o Camponesa/Minas nesta sexta-feira (18), às 20h, na Arena Minas, em Belo Horizonte.

A oposta juvenil Lorenne Geraldo é destaque do Sesi (Foto: Sesi-SP)

Futuro
A oposta juvenil Lorenne Geraldo, 20 anos, 1,85m, principal nome do Sesi, tem bastante potencial, mas precisa ser lapidada. Até a temporada passada, ela estava sob o comando de Bernardinho, no Rexona. Um dos destaques do Mundial sub20 disputado no ano passado na República Dominicana, quando o Brasil perdeu a decisão para o time da casa, Lorenne tem braço pesado, mas ainda poucos recursos. Neste sábado, em 35 ataques, colocou apenas 11 bolas no chão. Mas há que se dar um desconto: além da pouca experiência da oposta, uma em cada três bolas levantadas por Giovana Gasparini, a armadora titular do Sesi, foi para Lorenne, o que fez com que ela atacasse quase sempre bem marcada. Do outro lado, além de ter mais cancha, a eficiente oposta Paula Borgo recebeu menos bolas de Dani Lins e tinha a ajuda de Tandara e Malesevic pela entrada de rede – Tandara foi a atacante mais acionada do Vôlei Nestlé, 28 vezes.

O Sesi, que já esteve entre os melhores do país, reduziu consideravelmente seu investimento para a equipe feminina nesta temporada. Sob o comando do técnico Giuliano Ribas, o Juba, um dos assistentes de Bernardinho na seleção masculina, o time é, sem dúvida, um meio de dar rodagem a atletas jovens, mas deixa a desejar quando se pensa na competitividade da primeira divisão da Superliga. Até aqui, ao lado do Renata Valinhos e do São Caetano, integra o bloco das equipes mais frágeis da competição. Os dois últimos colocados entre os doze participantes são rebaixados à Superliga B na temporada seguinte.


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