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Arquivo : Londres 2012

Maluco beleza do vôlei oferece dinheiro para árbitro apitar direito
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Sidrônio Henrique

Ex-jogador da seleção russa, o ponta defende atualmente o modesto Yenisey Krasnoyarsk (foto: FIVB)

O ponta russo Alexey Spiridonov, quase sempre no papel de maluco beleza do vôlei, continua aprontando das suas. Neste fim de semana, o atacante de 28 anos e 1,96m, conhecido tanto pelo seu talento como pelas constantes provocações, se superou. Irritado com a arbitragem durante um jogo da liga russa entre Yugra Samotlor e Yenisey Krasnoyarsk, seu clube, ele ofereceu, por meio de gestos e palavras, dinheiro ao segundo juiz para que “apitasse de maneira justa”. O Krasnoyarsk, visitante, perdeu a partida de virada por 1-3. O clube de Spiridonov está em oitavo lugar na tabela. Catorze equipes disputam a temporada 2016/2017, liderada pelo Zenit Kazan, que está invicto com 24 vitórias.

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“Os árbitros estavam ali para se certificar de que perderíamos a partida. Fazia tempo que eu não via um jogo da liga russa em que um time recebeu tanta ajuda. Que vergonha! Ganhei um cartão amarelo antes da partida começar, depois recebi um cartão vermelho e não sei nem a razão. Aí fui até o segundo árbitro e lhe ofereci dinheiro, só para que apitasse de maneira justa pelo restante da partida”, disse Spiridonov ao site russo sport.business-gazeta.ru.

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O ponteiro havia recebido um cartão amarelo antes mesmo início da partida por chutar um dos postes de sustentação da rede. O vermelho veio depois de uma reclamação de Spiridonov contra o segundo árbitro, que indicou toque no bloqueio após um ataque do adversário que o ponta dizia ter sido fora. O ex-jogador da seleção russa, cuja carreira é marcada pela indisciplina, não chegou a ser expulso da partida. Nesta segunda-feira (20), porém, a Federação Russa decidiu multá-lo em 10 mil rublos, o equivalente a R$ 537,58 – valor apenas simbólico. A penalidade foi aplicada, segundo a federação, “devido ao comportamento rude do atleta”.

Histórico de indisciplina
Spiridonov, que foi cortado semanas antes dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 por ter chegado embriagado à concentração da seleção e que não foi convocado para a Rio 2016, tem um histórico de confusões envolvendo colegas e adversários, incluindo o ex-técnico da seleção brasileira masculina Bernardinho. O então treinador do Brasil, durante as finais da Liga Mundial 2013, disse que o russo se comportava como um louco. Após a vitória sobre os brasileiros na final do torneio, Spiridonov fez um gesto obsceno para as câmeras e mencionou o nome de Bernardinho. Um ano antes, na liga russa, irritou tanto o levantador Sergey Grankin, colega de seleção e oponente na partida, que o adversário cruzou a rede para agredi-lo, sendo contido pelos demais.

Apelidado de Tintin pelo ponta francês Guillaume Samica, por sua semelhança com o personagem de quadrinhos belga, Alexey Spiridonov é um ponta completo, mas viu sua carreira prejudicada pelo pavio curto. Jogou as duas últimas temporadas pelo Zenit Kazan, mas foi dispensado no ano passado. Já se envolveu em polêmicas até mesmo fora da quadra, como quando debochou, em 2015, do embargo do governo russo aos produtos poloneses, irritando torcedores e jogadores da seleção da Polônia.


Assistente de Zé Roberto fala em renovação drástica e pede paciência
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Sidrônio Henrique

Zé Roberto e Coco: parceria iniciada em 1996 e que se mantém na seleção desde 2003 (fotos: FIVB)

Quando José Roberto Guimarães assumiu a seleção feminina em agosto de 2003, Paulo Coco foi junto como seu principal assistente. Braço direito de um dos técnicos mais vitoriosos da história da modalidade, numa parceria que começou ainda antes, em 1996, Coco está atualmente no comando do Camponesa/Minas, quinto colocado até aqui na Superliga 2016/2017. Ele se mantém ligado em cada um dos adversários não somente pelo futuro da sua equipe, mas também como subsídio para a próxima convocação da seleção brasileira, que este ano disputará o Grand Prix, a Copa dos Campeões e o Campeonato Sul-Americano.

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“A gente teve uma geração vitoriosa, que durou muito. Apesar de terem entrado jogadoras novas ao longo desse processo, a gente manteve uma base muito grande por um bom tempo. A renovação vai ser mais drástica agora. Em algumas das principais seleções do mundo isso já ocorreu. Nesse primeiro momento, nós vamos sofrer um pouco com essa transição”, disse Paulo Coco ao Saída de Rede. Ele pediu um tempo antes das inevitáveis cobranças. “Quanto antes isso aconteça e dê resultado, melhor pra gente, mas temos que ter paciência”, afirmou.

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Ele comentou sobre a mudança de posição de Rosamaria Montibeller, atacante que, sob seu comando no Minas, migrou da saída para a entrada de rede esta temporada. O treinador vê o deslocamento como algo positivo para a atleta e para o voleibol brasileiro.

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A insistência do seu chefe em querer neste ciclo olímpico jogadoras que deram adeus à seleção, como a central Fabiana Claudino e a oposta Sheilla Castro, é vista com naturalidade, apesar do discurso calcado na renovação. “Seriam opções, mas elas não querem. Nível de jogo elas teriam”.

Confira a entrevista que Paulo Coco concedeu ao SdR:

O técnico está contente com o rendimento de Rosamaria na ponta (foto: Orlando Brito/MTC)

Saída de Rede – Como você avalia o rendimento da Rosamaria na entrada de rede, numa mudança feita na metade do primeiro turno da Superliga?
Paulo Coco – Tem sido bastante proveitoso. Ela vem mostrando uma versatilidade muito grande. Antes de ela mudar para a ponta, eu conversei com ela, obviamente. A Rosa tem os objetivos dela de seleção. Como oposta, a altura dela não ajuda no nível internacional (a jogadora tem 1,85m). Então essa mudança abre um leque importante de possibilidades na carreira dela. Isso em virtude da capacidade e do empenho que ela tem. Temos que ter em mente que ela nunca foi uma ponteira passadora, temos que ser pacientes, mas ela vem desempenhando esse papel muito bem.

Saída de Rede – Como tem sido a evolução da Rosamaria como ponteira?
Paulo Coco – Ela vem melhorando seu jogo de rede, seu nível no bloqueio, pois está jogando em outra função. Eu tô pegando no pé para ela melhorar o volume de jogo, o fundo de quadra. Quando se é uma boa atacante, a menina tende a se concentrar na sua atuação ofensiva, mas a função dela é muito importante para o volume de jogo, para fazer o time jogar em função da sua recepção. Ela vem evoluindo nesse aspecto também, o que é muito importante não só para o Minas, mas para a seleção, que assim pode ter mais opções na posição 4, que é a grande carência no voleibol mundial. Estamos fazendo esse investimento.

Saída de Rede – Como você vê o nível dessas jogadoras mais jovens que deverão chegar à seleção neste ciclo? Como seria a renovação? Obviamente combinada com a presença de algumas veteranas.
Paulo Coco – A gente já vem ao longo dos anos trabalhando com uma seleção de jovens, isso desde 2008/2009, com várias jogadoras que vêm ganhando experiência, como a própria Rosamaria, Gabi, Carol… Acho que o Brasil vai estar bem, a gente vai sofrer um pouco no início… Vão pintar nomes, que prefiro não citar para não cometer uma injustiça e esquecer alguém. Mas temos muita gente de talento que, com trabalho, vai ajudar a manter o Brasil entre as principais forças do mundo.

Gabi é um dos jovens talentos que já faz parte da seleção

Saída de Rede – A Superliga propicia rodagem às mais jovens, mas há uma diferença muito grande entre o nível do torneio e o que se vê nas competições entre as principais seleções. Como a Superliga pode ajudar a formar essas atletas?
Paulo Coco – A Superliga permite que elas assumam responsabilidade, assim elas podem chegar à seleção mais preparadas, apesar de que há uma diferença muito grande entre o nível do voleibol nacional e o internacional. Mas de qualquer forma é uma preparação, aqui elas estão em ação e nos jogos internacionais ganham cancha, experiência e assim conseguem chegar num nível que nos permita jogar de igual pra igual com as principais seleções.

Saída de Rede – Além de sair atrás no processo de renovação, quais seriam as outras desvantagens do Brasil?
Paulo Coco – A principal mesmo é a nossa renovação. A gente teve uma geração vitoriosa, que durou muito. Apesar de terem entrado jogadoras novas ao longo desse processo, a gente manteve uma base muito grande por um bom tempo. A renovação vai ser mais drástica agora. Em algumas das principais seleções do mundo isso já ocorreu. Pega o exemplo da China, que foi campeã olímpica na Rio 2016 e fez sua renovação depois de Londres 2012. Você pega a Sérvia, que tem uma equipe muito jovem e é uma das potências mundiais. Há os Estados Unidos, que mudam o time de um ano para o outro e mesmo assim se mantêm em alta. E não podemos esquecer países como Holanda, Turquia, Rússia… Nesse primeiro momento, nós vamos sofrer um pouco com essa transição.

Saída de Rede – Então foi um erro segurar demais a geração anterior? Ficaram mais tempo do que o necessário?
Paulo Coco – Não, você quer sempre as melhores. Você não vai abrir mão das melhores porque são jogadoras mais velhas. O que norteia a gente é o rendimento. Se uma atleta, seja lá qual for a idade, rende bem, então é chamada. Se você tem duas jogadoras com o mesmo rendimento, você tem que escolher entre experiência ou juventude e ver o que vai ser mais proveitoso para o seu time. Idade hoje não quer dizer nada. Temos várias jogadoras com trinta e poucos anos jogando no mais alto nível.

Coco no comando da seleção nas finais do GP 2015

Saída de Rede – Quando a CBV anunciou que Zé Roberto teria seu contrato renovado até Tóquio 2020, ele enfatizou a necessidade de renovação, mas ao mesmo tempo disse que gostaria de contar com jogadoras que haviam se despedido da seleção após a Rio 2016, caso de Fabiana e Sheilla. Não seria um erro? Temos aí uma contradição.
Paulo Coco – Fabiana e Sheilla ainda seriam opções, mas elas não querem. Nível de jogo elas teriam. A Fabiana é um dos destaques da Superliga, com uma saúde incrível. Talvez para a Sheilla fosse mais difícil em virtude da função, que exige muito do físico, pede uma definidora, mas tecnicamente não se discute.

Saída de Rede – Você acha que os resultados da seleção vão cair neste ciclo olímpico?
Paulo Coco – Não sei, precisamos de um tempo para que se mature uma equipe, para que essas jogadoras sintam o que é jogar no nível internacional, que é diferente de jogar aqui dentro do Brasil. Bloqueios diferentes, aquelas europeias muito altas, é outra realidade.

Saída de Rede – Que avaliação você faz do material humano à disposição da seleção, considerando aquelas que deverão fazer parte da equipe principal?
Paulo Coco – Não é muito extenso ou volumoso, mas temos algumas jogadoras interessantes, que já vem sendo trabalhadas e que podem, caso cresçam, se desenvolvam, render bastante. Acho que é esse o processo de transição… Quanto antes isso aconteça e dê resultado, melhor pra gente, mas temos que ter paciência.


Destinee Hooker: “Estou aqui para ganhar a Superliga de novo”
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Sidrônio Henrique

Hooker: “Nós podemos ganhar, um passo de cada vez” (fotos: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

Há cinco temporadas, a oposta americana Destinee Hooker deixou o Brasil após conquistar o título da Superliga pelo Sollys/Osasco (atual Vôlei Nestlé). Novamente em ação no país desde dezembro, desta vez pelo Camponesa/Minas, ela não se contenta com pouco. “Estou aqui para ganhar a Superliga de novo”, disse ao Saída de Rede. Desde que voltou às quadras brasileiras, as duas únicas derrotas que seu time sofreu foram para o mesmo adversário, o Rexona-Sesc, mas isso não a intimida. Em ascensão, o Minas está em quinto lugar na Superliga, após a terceira rodada do returno. O Rexona lidera a competição com folga, em busca do seu 12º título.

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“Sim, nós podemos ganhar o torneio, damos um passo de cada vez procurando melhorar, sem focar nas rodadas mais distantes. O Paulinho (Paulo Coco, técnico) costuma pensar no próximo oponente, sem se preocupar com a colocação na tabela. Fazer nosso jogo fluir é mais importante”, completou a atacante de 29 anos e 1,93m, principal contratação do tradicional clube mineiro para a temporada 2016/2017 ao lado da ponteira Jaqueline Carvalho Endres.

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Por ter ficado quase um ano parada, desde o nascimento do seu segundo filho, a forma física de Hooker era uma preocupação para o Minas, mas em dez partidas disputadas até agora – sete pela Superliga e três pela Copa Brasil – ela tem demonstrado uma clara evolução, com apresentações consistentes mesmo nos primeiros jogos.

A oposta americana afirmou que o time a tem ajudado bastante

“É todo um processo. Eu estava completamente fora de ritmo, mas o Paulinho tem sido muito paciente comigo. Pouco a pouco, vou recuperando minha força. Dentro de quadra, vou tentando minimizar meus erros, a equipe tem me ajudado muito”, comentou.

O objetivo, a oposta contou, é atingir o nível que tinha em 2012, quando conquistou a medalha de prata com a seleção americana nos Jogos Olímpicos de Londres, sob o comando do técnico Hugh McCutcheon. “Aquela Destinee Hooker era tão jovem… Agora sou a mãe de dois meninos, tentando recuperar a forma. Espero que até o final da temporada eu possa voltar a ser aquela jogadora. As garotas do time dizem que estou saltando muito, mas honestamente não sei. Tenho trabalhado ombros e pernas, contando com todo o apoio do Minas”.

Seleção americana
Depois de Londres 2012, Hooker decaiu. O treinador da seleção americana no ciclo 2013-2016, Karch Kiraly, com contrato renovado até Tóquio 2020, montou sua equipe sem ela e revelou opostas menos atléticas, mas com técnica apurada, como Karsta Lowe, Kelly Murphy e Nicole Fawcett.

Destinee Hooker viu crescer sua fama de indisciplinada, algo que procura afastar agora. Também houve as duas gravidezes que interromperam sua carreira. Ela, que no ciclo anterior era estrela de primeira grandeza, chegou a assinar com um clube da inexpressiva liga de Porto Rico. Antes de vir para o Brasil, estava no apenas razoável campeonato da Coreia do Sul.

Fora da Seleção dos EUA há alguns anos, Hooker não estará presente aos Jogos do Rio 2016 (foto: FIVB)

Hooker disse que Tóquio 2020 está nos seus planos (foto: FIVB)

Apesar de não ter tido chance com Kiraly no comando da seleção, ela afirmou que não há mágoa. “Fiquei desapontada, claro, mas no final das contas não tenho controle algum sobre a convocação, então desejo o melhor para elas. Senti muito quando perderam na semifinal na Rio 2016 e fiquei feliz que tenham conseguido reagir e conquistar o bronze”, prosseguiu.

Se Tóquio 2020 está nos planos dela? “Definitivamente, mas preciso melhorar”, admitiu. O único contato que teve com a seleção após Londres 2012, segundo nos contou, foram trocas de mensagens nas redes sociais com ex-colegas de equipe.

Talento e indisciplina
Revelada na Universidade do Texas, pela qual disputou campeonatos na NCAA (entidade que organiza competições nacionais em mais de 30 esportes nos EUA em nível universitário), Destinee Hooker praticava voleibol e salto em altura, destacando-se nas duas modalidades. Ela foi campeã da NCAA em salto em altura em quatro oportunidades, chegando a quebrar recordes.

No vôlei, apesar de ter sido no máximo vice-campeã, foi MVP da temporada 2008/2009 da NCAA. Antes mesmo já havia chamado a atenção da comissão técnica da seleção feminina dos Estados Unidos, tendo sido convocada pela primeira vez, pela então técnica Lang Ping, para o time adulto americano no início de 2008. Com apenas 20 anos, Hooker não ficou entre as 12 jogadoras que foram aos Jogos Olímpicos de Pequim, naquele ano, mas no ciclo seguinte firmou-se na seleção, conquistando a titularidade na saída de rede a partir de 2010.

Era a maior estrela dos EUA em Londres 2012. O time chegou até a final olímpica com status de favorito disparado, mas perdeu de virada para o Brasil por 1-3 – quatro anos antes, as brasileiras também haviam derrotado as americanas na final.

A oposta observa a central Mara durante uma partida na Superliga

Com impulsão e força impressionantes, Destinee Hooker marcou época em sua breve passagem pela seleção, ainda que não tenha conquistado nenhum título de peso – além da prata olímpica, os EUA foram quarto colocados no Mundial 2010.

Ficou conhecida pelos fãs e pela imprensa não apenas por suas potentes cortadas, mas também em razão do histórico de indisciplina. Jogou pelo clube italiano Pesaro no período 2010/2011 e colecionou desafetos.

No Brasil, na temporada seguinte, viveu momentos turbulentos. Chegou a ficar fora de algumas partidas por ter machucado a mão direita depois de esmurrar uma mesa, após uma discussão ao telefone. O técnico da seleção americana na época, Hugh McCutcheon, veio ao país para conversar com sua principal atacante, preocupado com seu comportamento. O Sollys/Osasco venceu aquela edição da Superliga numa atuação memorável de Hooker – até hoje ela é lembrada com carinho pelos torcedores do clube paulista.

Atualmente, quando não está viajando, treinando ou jogando pelo Camponesa/Minas, a atleta leva uma vida pacata em Belo Horizonte. “Moro perto do clube, o que é bom. Outra coisa boa é que os fãs mineiros, assim como os de Osasco, são maravilhosos, têm aquela energia positiva característica do Brasil, e isso me motiva muito”, disse Destinee Hooker ao SdR.


Russos rebatem: “Giba deveria lembrar que foi punido por usar maconha”
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Sidrônio Henrique

Alekno e Giba se cumprimentam após a final da Liga Mundial 2011 (fotos: FIVB)

“Antes de acusar os jogadores russos de fazerem uso de doping, Giba deveria lembrar que já foi punido por usar maconha”. Foi assim, de forma belicosa, referindo-se a um episódio ocorrido em 2003, que Vladimir Alekno, ex-treinador da seleção masculina da Rússia, reagiu às acusações do ex-craque brasileiro. Giba afirmou durante uma homenagem ao técnico Bernardinho no Esporte Espetacular, da Rede Globo, que atletas do time russo fizeram uso de doping durante a Olimpíada de Londres, em 2012. No programa da TV foi mencionado que sete russos estariam envolvidos. O Brasil perdeu a final para a equipe comandada por Alekno, numa virada por 3-2. O treinador russo deu esta declaração ao rsport.ru, o principal site dedicado ao esporte naquele país.

Até o ministro do Esporte, Pavel Kolobkov, entrou na polêmica. “As acusações são ridículas e indignas de um atleta excepcional. Se Giba tem qualquer prova, que apresente então”, afirmou ao rsport.ru.

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Londres 2012: Brasil não pode reivindicar ouro antes de Rússia ser punida

O craque russo Sergey Tetyukhin, dono de quatro medalhas olímpicas, inclusive a de ouro em Londres 2012, contemporizou. “Giba é um homem respeitável, jogou aqui na Rússia. Pode ser que tenha havido alguma inconsistência na tradução das declarações dele ou que tenha sido mal interpretado pelos jornalistas”. O ex-ponteiro brasileiro jogou duas temporadas no voleibol russo, de 2007 a 2009, pelo Iskra Odintisovo.

Tetyukhin: “Giba é um homem respeitável”

“Não temos a menor preocupação sobre esse tema. Os jogadores foram testados e não houve amostras com resultado positivo. A própria FIVB (Federação Internacional de Voleibol) já informou que desconhece tal fato”, disse o secretário-geral da Federação Russa de Vôlei, Alexander Yaremenko.

Para Gennady Shipulin, vice-presidente da Federação Russa de Vôlei, “é tudo bobagem, nonsense”. Ele ressaltou que os atletas russos foram testados. “Não devemos prestar atenção a essas acusações. Devemos é treinar para voltar a ganhar medalhas”.

Capitão da seleção em Londres 2012, o ponta Taras Khtey classificou a declaração de Giba como “infeliz” e também destacou que os jogadores da Rússia passaram por vários testes. “Não temos nada a esconder”. Para Khtey, o brasileiro ainda está “assombrado” pela virada russa na final olímpica. “Ganhamos com dignidade e honestidade, não houve truque sujo”. O ex-capitão russo lembrou do período em que foi colega de Giba no Iskra Odintisovo. “Joguei com ele, era um cara maravilhoso. Anteriormente ele não notou problema nenhum aqui, qualquer sujeira. Não sei por qual motivo ele agora quer difamar os jogadores russos. Certamente ele quer se aproveitar e ir na esteira de outros escândalos”, comentou Khtey, referindo-se ao Relatório McLaren. Ele fez ainda um apelo: “Gostaria que Giba tomasse conhecimento dessas palavras e tivesse bom senso, em vez de fazer tempestade em copo d’água”.

Khtey: “Ganhamos com dignidade e honestidade, não houve truque sujo”

O também ponteiro Dmitriy Ilinykh, outro campeão em Londres, chamou de “delírio” as acusações feitas por Giba. “Isso tudo é um disparate e a justiça prevalecerá”.

Embora uma investigação encomendada pela Agência Mundial Antidoping (Wada), englobando o período 2011-2015, aponte a presença de jogadores de voleibol entre mais de mil atletas de 30 modalidades na Rússia, ainda não há confirmação em quais competições teria ocorrido o uso de doping.

O carrasco do Brasil nos Jogos de Londres, o central Dmitriy Muserskiy, que foi deslocado para a saída de rede na final e terminou a partida com 31 pontos, foi flagrado utilizando substâncias proibidas em pelo menos duas oportunidades, mas as datas não foram especificadas, ou seja, por enquanto não se sabe se alguma delas correspondia a Londres 2012. Há outros nomes ligados ao vôlei russo no relatório, mas o número total de jogadores e as demais identidades ainda são mantidos sob sigilo, no relatório produzido pelo jurista canadense Richard McLaren, que chefiou a investigação a serviço da Wada. Foi ele que confirmou à imprensa russa, em dezembro do ano passado, que o nome de Muserskiy estava na lista, mas sem especificar datas.


Londres 2012: Brasil não pode reivindicar medalha antes de punição à Rússia
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Carolina Canossa

Giba precisará do auxílio do COB em processo que ainda pode levar anos (Foto: Reprodução/Instagram)

Giba precisará do auxílio do COB em processo que ainda pode levar anos (Foto: Reprodução/Instagram)

A decisão do ex-jogador Giba de ir à sede da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), na Suíça, para entender os procedimentos e tentar fazer o Brasil herdar a medalha de ouro da disputa masculina na Olimpíada de Londres por um suposto doping de atletas da seleção russa na competição animou muitos torcedores. Porém, esse processo não deve ser nada simples e pode levar anos até ser concluído em favor do Brasil. Isso se um dia o Brasil realmente herdar essa medalha…

Na verdade, ao menos por enquanto, os dirigentes do país sequer podem tomar qualquer atitude. Consultado pelo Saída de Rede, o presidente do Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem, Luciano Hostins, explicou que não há nada a ser feito pelos brasileiros até que o Comitê Olímpico Internacional (COI) decida tirar as medalhas da Rússia. O especialista usou o artigo 9.1 da norma antidoping de Londres e o item 2.1 do artigo 59 da Carta Olímpica para basear sua visão.

“Qualquer medalha que retorne ao COI por questões disciplinares não é repassada automaticamente. Deve haver do interessado em recebê-la uma solicitação, um procedimento disciplinar na entidade”, explicou Luciano, que trabalha como advogado na área desportiva há mais de 20 anos. “Tecnicamente, esse procedimento só começa depois de devolvida a medalha”, complementou.

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Cabe destacar que a expressão “devolvida a medalha” não é simbólica. Segundo Hostins, se punido, o Comitê Olímpico Russo teria que devolver fisicamente cada uma das 12 medalhas conquistadas pela seleção do país em Londres 2012. Se alguma não aparecer, haverá um novo problema, já que as formas do adereço são destruídas após a confecção do prêmio. No máximo, poderia ser feita uma réplica, que evidentemente não tem o mesmo valor.

Hostins é uma das maiores autoridades antidoping do Brasil (Foto: Divulgação)

Hostins é uma das maiores autoridades antidoping do Brasil (Foto: Divulgação)

O presidente do Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem ainda observou que Giba não pode conduzir esse processo apenas na condição de ex-atleta, ainda que tenha sido o capitão da seleção mais interessada em uma punição aos russos. “Não tem o menor problema em ele buscar se orientar sobre o assunto, mas o processo disciplinar teria que ser feito através do COB (Comitê Olímpico Brasileiro)”, explicou.

Nem mesmo a FIVB tem qualquer ingerência legal sobre o caso, já que as Olimpíadas são um torneio organizado pelo COI. “Eles não possuem nenhuma influência técnica”, afirmou Hostins. Ele, porém, não descartou que a FIVB se movimente politicamente em caso de doping russo comprovado até para evitar uma mancha na imagem do esporte. “É possível que eles pressionem de alguma forma, já que não é bom pra ninguém ter uma ‘medalha flutuando’ por aí”, analisou.

Fator positivo
Apesar de o caminho rumo ao resgate do ouro no vôlei masculino ser longo e difícil, Luciano Hostins acredita que o fato de não haver qualquer precedente de medalhas cassadas em esportes coletivos na história olímpica pode ser um fator positivo para o Brasil. “Acho que isso facilita justamente pela circunstância e pelo fato de que seria uma fraude muito grande”, analisou.

No entanto, para se ter uma ideia da complexidade de casos do tipo, até hoje os membros da equipe brasileira de revezamento 4 x 100 m no atletismo de Sydney 2000 lutam para serem realocados da segunda para a primeira posição em decorrência do doping confesso de um dos campeões, o americano Tim Montgomery. Contra o caso do vôlei pesa ainda o fato de não haver nenhuma comprovação de que os jogadores russos atuaram em Londres 2012 usando substâncias ilegais – o que foi divulgado até o momento é que atletas da modalidade estão entre os mais de mil denunciados no relatório McLaren, que desmascarou o esquema de doping que vigorou em todos os esportes do país pelo menos entre 2011 e 2015. Sabe-se apenas que o central/oposto Dmitriy Muserskiy foi pego no doping duas vezes nestes quatro anos, mas nem as datas ou a substância foram reveladas até o momento (veja mais detalhes em artigo publicado aqui no SdR em dezembro).

Atletas punidos, times não
Na história dos Jogos Olímpicos, o costume é punir o dopado, não o time. Foi o que aconteceu com Miguel Coll, do basquete de Porto Rico (Munique 1972), com os japoneses Mikiyasu Tanaka e Eiji Shimomura, do vôlei (Los Angeles 1984), e com a chinesa Wu Dan, vôlei (Barcelona 1992).

Em outras competições poliesportivas há um precedente do Canadá, que perdeu o ouro no hóquei sobre patins nos Jogos Pan-Americanos de 1999, por o goleiro Steve Vezina ter caído no antidoping. Ali, os EUA ficaram com o ouro, a Argentina, prata, e o Brasil herdou o bronze.


“Vão sofrer até ganhar maturidade”, diz Paula sobre renovação na seleção
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Sidrônio Henrique

PP4 em ação na Superliga: “Amo muito o que faço” (fotos: Shizuo Alves/Ponto MKT Esportivo)

Bicampeã olímpica, ela completa 35 anos no dia 22 de janeiro e ainda é referência em um time que está entre os quatro primeiros colocados da Superliga. Paula Renata Marques Pequeno, a PP4, mantém o corpo torneado como nos tempos em que fazia parte da seleção brasileira. O que perdeu em velocidade e potência, compensa com experiência.

“Amo muito o que faço. Sinto dores todos os dias, mas procuro superar. A motivação está dentro disso, de fazer o que se gosta”, disse ao Saída de Rede essa brasiliense que a partir dos 15 anos passou a integrar grandes equipes do país, tendo atuado também nas ligas da Rússia e da Turquia. Sua carreira atingiu o ápice quando foi escolhida a melhor jogadora da Olimpíada de Pequim. Foi da seleção até Londres 2012 e seguiu firme nos clubes. Parar não está em seus planos. “Enquanto meu físico aguentar e eu amar o voleibol do jeito que amo, vou estar aqui dentro”, comentou a veterana, que desde 2013 joga pelo Terracap/BRB/Brasília Vôlei, do qual é capitã.

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Como era o mundo na última vez que Bernardinho não foi técnico de seleção?

Paula Pequeno prevê tempos difíceis para a seleção feminina diante da inevitável renovação que a equipe deve encarar. “Espero que se renove o quanto antes. De alguma maneira essa renovação já deveria ter começado, para que as meninas ganhassem experiência internacional. Acredito que por um bom tempo vão sofrer, até ganhar maturidade”, avaliou.

Para PP4, a ponteira Gabi, do Rexona-Sesc, que vem servindo à seleção desde o ciclo passado, é o principal nome da nova geração. “Acho que é a única que se destaca realmente, uma atleta muito jovem e já jogando num nível elevado há alguns anos. Ela tem alta probabilidade de se dar muito bem e ajudar a seleção”.

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A derrota para a China nas quartas de final da Rio 2016 refletiu, segundo Paula, além do jogo coeso apresentado pelas orientais, uma primeira fase que pouco exigiu do Brasil. “Talvez o time achasse que estava jogando o suficiente, só que não estava, não tinha um bom parâmetro pelas equipes que enfrentou, mesmo a Rússia não estava bem”. A ponteira que defendeu a seleção brasileira em duas edições dos Jogos Olímpicos foi só elogios às atuais campeãs. “Vi a China como uma equipe sem estrelas, atuando como um conjunto, mesmo a Ting Zhu sendo um espetáculo”, afirmou.

Confira a entrevista que PP4 concedeu ao SdR:

Saída de Rede – Qual a sua expectativa com o Brasília Vôlei para a Superliga 2016/2017 depois de terminar o primeiro turno em terceiro lugar e se manter entre os quatro primeiros no início do returno?
Paula Pequeno – O ano passado nós terminamos o segundo turno em quinto. Toda temporada que a gente começa é com expectativa de melhora, evolução. Em alguns jogos tivemos resultados muito positivos, conquistamos essa confiança, essa tranquilidade para as partidas mais duras. Vamos ver como terminamos.

A veterana ponteira destaca o momento do Brasília Vôlei

Saída de Rede – Você que está na equipe desde o início, em 2013, diria que esse é o melhor momento? Não só pela colocação na tabela, mas pelo nível de jogo apresentado.
Paula Pequeno – Sem dúvida, é o melhor momento que o time já teve, mas mantemos os pés no chão, o campeonato é longo, há equilíbrio.

Saída de Rede – O que pode ser melhorado? Onde estão as maiores deficiências?
Paula Pequeno – Temos capacidade de ser mais eficientes em todos os fundamentos. Individualmente o time é muito bom, mas como conjunto a gente ainda falha bastante no contra-ataque, a quantidade de erros ainda está muito alta. Não podemos deixar de arriscar, de ir pra cima do adversário, mas ao mesmo tempo precisamos ter uma eficiência maior.

Saída de Rede – Como tem sido trabalhar com o técnico Anderson Rodrigues?
Paula Pequeno – Tem sido uma delícia, somos amigos há mais de 15 anos. Primeiro, começa bem com uma relação de amizade, de confiança, que é muito importante. Tem a relação capitã e técnico que é bacana, a gente consegue levar isso com leveza. Existe cobrança dos dois lados e há também a humildade de um ouvir o outro. No trabalho coletivo, vejo uma resposta muito boa do time.

MVP nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 (fotos: FIVB)

Saída de Rede – Você tem quase 35 anos, onde encontra motivação para treinar intensamente e seguir jogando?
Paula Pequeno – É o amor mesmo, eu amo muito o que faço. As pessoas me perguntam, “Paula, quando você vai parar?”, e eu digo: enquanto meu físico aguentar e eu amar o voleibol do jeito que amo, vou estar aqui dentro. Gosto muito de treinar, sinto falta, sou fominha até hoje, me preocupo, me importo, me doo. Sinto dores todos os dias, mas procuro superar. A motivação está dentro disso, de fazer o que se gosta. Eu ainda gosto muito e é isso o que me motiva.

Saída de Rede – Como avalia a eliminação da seleção brasileira feminina nas quartas de final da Rio 2016 pela China?
Paula Pequeno – Foi arriscada a primeira fase porque os nossos adversários (Camarões, Argentina, Japão, Coreia do Sul e Rússia) estavam muito aquém daqueles que a gente encontraria depois. Como foi insuficiente o nível de pressão, o de dificuldade, o nosso time não estava preparado para o que viria pela frente. A primeira fase nos desfavoreceu. Talvez a equipe achasse que estava jogando o suficiente, só que não estava, não tinha um bom parâmetro pelos times que enfrentou, mesmo a Rússia não estava bem. Desta vez os adversários mais fortes seriam China, Sérvia, Estados Unidos e até a Holanda, com algumas surpresas. A seleção brasileira pode ter cometido aquela grande falha que é achar que está preparada. De repente, quando aparece uma dificuldade, toma um susto bem grande. Enquanto a gente se assustava, o outro time jogava.

Paula: “Vi a China como uma equipe sem estrelas, atuando como um conjunto, mesmo a Ting Zhu sendo um espetáculo”

Saída de Rede – O que achou da seleção chinesa?
Paula Pequeno – É extremamente jovem, mas se mostrou muito madura. Uma equipe coesa, com todo mundo jogando coletivamente, se voltando para o time. Eu vi a China como uma equipe sem estrelas, atuando como um conjunto, mesmo a Ting Zhu sendo um espetáculo. E é isso, tiramos a chance de ouro delas em Pequim 2008, aí elas vieram aqui e nos deram o troco. (risos)

Saída de Rede – Há um ano você afirmava que a renovação na seleção feminina te preocupava. Terminado mais um ciclo, o que você diria a respeito do tema?
Paula Pequeno – Olha, eu espero que se renove o quanto antes. Algumas peças vão fazer falta, claro. De alguma maneira essa renovação já deveria ter começado, para que as meninas ganhassem experiência internacional. A partir de agora as mais novas terão que segurar o rojão. Acredito que por um bom tempo vão sofrer, até ganhar maturidade, pois o voleibol internacional é muito diferente da realidade da Superliga. Por mais que joguemos aqui em alto nível, é incomparável com os grandes campeonatos entre seleções.

Sobre Gabi: “É a única que se destaca realmente”

Saída de Rede – Velocidade, alcance, potência…
Paula Pequeno – Isso. É incrível, é muito diferente. Esse início vai ser difícil até a seleção engrenar, mas acredito que com novos talentos a gente consiga renovar legal.

Saída de Rede – Quem você destacaria entre os talentos da nova geração?
Paula Pequeno – Eu apontaria uma grande jogadora entre as mais novas, que é a Gabizinha, do Rio de Janeiro (Rexona-Sesc). Acho que é a única que se destaca realmente, uma atleta muito jovem e já jogando num nível elevado há alguns anos. Ela tem alta probabilidade de se dar muito bem e ajudar a seleção.


Fim da novela: Polônia decide quem será o novo técnico da seleção masculina
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Sidrônio Henrique

Ferdinando De Giorgi construiu sua carreira de técnico na liga italiana (foto: Reprodução/Internet)

Ferdinando De Giorgi é o novo técnico da seleção masculina da Polônia. O anúncio foi feito nesta terça-feira (20) pela Federação Polonesa de Vôlei (PZPS), pondo fim a uma novela que se arrastava havia mais de dois meses. De Giorgi é o atual campeão polonês com o Zaksa Kedzierzyn Kozle. Será a primeira vez que vai treinar uma seleção. Dezesseis candidatos estavam no páreo, numa lista que foi reduzida para cinco e finalmente três. O treinador anterior, Stéphane Antiga, foi demitido pela PZPS no dia 10 de outubro, mas já se sabia desde a eliminação dos poloneses nas quartas de final da Rio 2016 que ele não permaneceria no cargo.

Cortes nas transmissões do SporTV causam polêmica entre fãs de vôlei

Antes de comandar o Zaksa Kedzierzyn Kozle, com o qual assinou na temporada passada, De Giorgi construiu sua carreira de técnico na liga italiana, tendo treinado times como Cuneo, Perugia e Macerata, entre outros. Também esteve à frente do clube russo Fakel Novy Urengov por dois anos. Como atleta, De Giorgi foi levantador reserva no tricampeonato mundial da Itália, nos anos de 1990, 1994 e 1998.

Finalistas
Os outros dois finalistas na longa novela polonesa para escolha do novo treinador eram o búlgaro Radostin Stoychev e o italiano Mauro Berruto. Este último, que recentemente conversou com o Saída de Rede sobre literatura no vôlei, comentou que acreditava que teria tudo o que a Polônia precisa para se consolidar na elite da modalidade. Berruto levou a então desconhecida seleção da Finlândia ao pelotão intermediário quando esteve por lá, no período 2006-2010. Em 2011-2015 foi o técnico da Itália, com a qual foi vice-campeão europeu duas vezes (2011 e 2013) e conquistou a medalha de bronze em Londres 2012. Acabou caindo depois de uma crise interna, que culminou com uma briga dele com quatro atletas, incluindo a estrela da equipe, o ponta/oposto Ivan Zaytsev.

Rigor nos treinos é uma das características do argentino (Foto: CBV)

Marcelo Mendez, como o SdR mostrou em primeira mão, foi sondado pela Federação Polonesa (Foto: CBV)

Stoychev era o favorito do presidente da PZPS, Jacek Kasprzyk, mas fez tantas exigências que acabou descartado. Conhecido por seu estilo ortodoxo, Stoychev construiu sua reputação no comando do clube italiano Trentino, onde colecionou títulos – quatro mundiais e três da Liga dos Campeões da Europa. Ele dirigiu a seleção da Bulgária em 2011 e 2012, saindo antes dos Jogos de Londres por se desentender com a federação do seu país. Nos últimos meses, o búlgaro estava de olho mesmo era no cargo de técnico da seleção italiana, um velho sonho, mas viu tudo ir por água abaixo com o inesperado sucesso do novato Gianlorenzo Blengini, vice-campeão olímpico e da Copa do Mundo com a Azzurra.

Marcelo Mendez
O treinador argentino Marcelo Mendez, tricampeão mundial e tetracampeão da Superliga com o Sada Cruzeiro, esteve nos planos dos poloneses, como o SdR mostrou em primeira mão. Bem que eles tentaram, mas Mendez ficou no Sada Cruzeiro, com quem tem contrato até meados de 2019. Sonho de consumo da PZPS, o treinador, que ganhou todos os títulos possíveis à frente do clube mineiro, chegou a ser sondado, mas como não poderia conciliar as obrigações de técnico da seleção da Polônia e do Cruzeiro, ele recusou o convite para dirigir a atual campeã mundial.

Pressão
Ser técnico da seleção polonesa não é tarefa fácil. A pressão é mais intensa do que comandar, por exemplo, o Brasil, a Rússia ou a Itália. O voleibol é o segundo esporte do país, depois do futebol, mas a popularidade é bem maior do que a vista por aqui. A imprensa faz marcação cerrada.

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Antiga que o diga… O francês levou a Polônia, em casa, ao título do Mundial 2014. Contou com inúmeras contusões de brasileiros e russos, favoritos à época, além de manobras de bastidores e o providencial empurrão dos apaixonados fãs poloneses. Mesmo com a conquista, ninguém de fora exaltava a Polônia. O time tem problemas na execução do jogo, seu oposto titular, Bartosz Kurek, desaparece da partida nos momentos cruciais, e a equipe não é grande coisa sem seu saque. Não ganharam nada depois do surpreendente Campeonato Mundial, mas as cobranças dos fãs, dos jornalistas e da federação não cessaram – ao contrário, é exigida da seleção polonesa uma grandeza que ela definitivamente não tem. A eliminação na Rio 2016 foi o estopim. Stéphane Antiga caiu. Na semana passada, o francês assinou com a Volleyball Canada e vai dirigir a seleção daquele país no próximo ciclo olímpico.


Carrasco do Brasil em Londres 2012 pego no antidoping
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Sidrônio Henrique

Muserskiy na final em Londres: 31 pontos e virada histórica sobre a seleção brasileira (fotos: FIVB)

O gigante russo Dmitriy Muserskiy, 2,18m, povoa o imaginário dos fãs brasileiros de vôlei. Como num pesadelo, ele deixou sua posição original, de central, após sua seleção estar perdendo por 0-2 para o Brasil na final da Olimpíada de Londres, em 2012, foi para a saída de rede e se transformou no carrasco da equipe comandada por Bernardinho. Vitória épica russa por 3-2, uma das derrotas mais doloridas dos brasileiros, que chegaram a ter dois match points no terceiro set. Mas será que o time vencedor jogou limpo? A versão final do relatório da Agência Mundial Antidoping (Wada) sobre os casos de uso de substâncias proibidas na Rússia inclui o nome do atacante em meio a mais de mil atletas daquele país, de 30 modalidades, no período de 2011 a 2015.

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Muserskiy foi pego duas vezes utilizando substâncias ilegais, cujos nomes não foram revelados. As datas também não foram especificadas, ou seja, por enquanto não se sabe se alguma delas correspondia a Londres 2012. Há outros nomes ligados ao vôlei russo no relatório, mas o número total e as demais identidades ainda são mantidos sob sigilo. Na primeira etapa do relatório, entregue em julho deste ano, havia dez atletas do voleibol da Rússia, mas também houve segredo.

Houve doping “legalizado” no vôlei da Rio 2016? Hackers dizem que sim

O jurista canadense Richard McLaren, que chefia a investigação a serviço da Wada, confirmou a presença de Dmitriy Muserskiy entre os atletas flagrados por uso de doping ao site Sport-Express, um dos mais conceituados da Rússia. O veículo chegou ao nome de Muserskiy e de competidores de outras modalidades por meio de uma lista que teria vazado a partir de correspondências de Grigori Rodtchenkov, ex-diretor do centro antidopagem russo. Após denunciar em maio deste ano um esquema de doping institucionalizado de atletas no país, que contava com o aval do governo, Rodtchenkov fez com que a Wada iniciasse a apuração.

O nome de Muserskiy, 28 anos, que nunca havia sido acusado de doping, apareceu na imprensa russa nesta segunda-feira (12). O jogador não se manifestou, assim como seu clube, Belogorie Belgorod, ou ainda a federação de vôlei do país.

Russos celebram vitória sobre o Brasil na decisão do ouro

Confira esta parte da entrevista que o Sport-Express fez com Richard McLaren:
SE – Os nomes do esquiador Aleksandr Legkov (outro ídolo russo, ouro e prata em Sochi 2014) e do jogador de vôlei Dmitriy Muserskiy aparecem na lista de Rodtchenkov. Pode ter havido erro?
McLaren – Não, não houve erro. Decidimos abrir alguns nomes que, de algum modo, haviam vazado.

O trecho acima foi verificado pelo Saída de Rede com a tradutora russa Ekaterina Semenova.

Jogos Olímpicos corrompidos
O relatório final da investigação havia sido anunciado em entrevista coletiva por McLaren na semana passada. “A equipe olímpica russa corrompeu os Jogos Olímpicos de Londres em uma escala sem precedentes, cujo verdadeiro alcance provavelmente nunca será estabelecido“, lamentou o canadense, referindo-se à delegação como um todo.

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Na final em Londres 2012, depois de marcar apenas quatro pontos como central nos dois primeiros sets, Dmitriy Muserskiy fez outros 27 nas três parciais seguintes na saída de rede. O oposto Maxim Mikhaylov foi deslocado para a entrada. Uma contusão no joelho direito do ponteiro brasileiro Dante Amaral agravou-se durante a partida e colaborou para o triunfo russo, mas a atuação de Muserskiy foi excepcional.

O atacante Dmitriy Muserskiy sendo condecorado pelo presidente russo, Vladimir Putin, dias após a conquista do ouro

Contornos suspeitos
A Rússia garantiu sua classificação para a Rio 2016 ao vencer o pré-olímpico europeu, em janeiro. O gigante não participou, dizendo que precisava dedicar-se à família. Antes da Olimpíada, pediu dispensa, desta vez alegando dores nos dois joelhos. À época, a Rússia ganhava atenção e repulsa mundial, por causa das denúncias da Wada. Com a descoberta de que utilizou substâncias ilegais em duas oportunidades, entre 2011 e 2015, as ausências recentes de Muserskiy ganham contornos suspeitos.

Outro caso de doping
Um dos prováveis nomes no relatório da Wada deve ser o do ponteiro do Dínamo Moscou e da seleção russa Alexander Markin, que foi flagrado utilizando Meldonium durante o pré-olímpico. Isso quase custou a vaga da seleção masculina da Rússia na Rio 2016. O Meldonium foi criado nos anos 1970 na Letônia – então uma república da antiga União Soviética. Serve, primordialmente, para tratamento de isquemia e de doenças neurodegenerativas. Por aumentar o desempenho metabólico, entrou no rol das substâncias dopantes banidas pela Wada em janeiro deste ano, mas desde setembro de 2015 os atletas já haviam sido comunicados do veto ao Meldonium. A tenista russa Maria Sharapova também foi pega no exame antidoping pelo uso da substância.

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Markin, que teve participação decisiva na final do pré-olímpico, vencida numa virada de 3-1 sobre a França, foi suspenso preventivamente pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB) em fevereiro, mas acabou absolvido. No entanto, a entidade não permitiu sua participação na Rio 2016. Pouco depois da sua suspensão, ele deu uma desastrada entrevista à imprensa russa, na qual afirmou que outros colegas de clube, sem citar nomes, faziam uso do Meldonium. O time tinha outros atletas na seleção.

doping russia twitter bruno

Indignação
O anúncio de novo relatório da Wada provocou indignação em vários países. No Brasil, o levantador Bruno Rezende, titular tanto na Rio 2016 quando em Londres 2012, além de reserva em Pequim 2008, se manifestou no Twitter, cobrando uma posição da FIVB.

A entidade, numa nota distribuída na Europa na semana passada, portanto antes do nome de Muserskiy vir a público, foi breve em relação ao caso. “A FIVB tomou conhecimento da segunda parte do relatório de (Richard) McLaren. Fomos informados que alguns atletas do vôlei foram incluídos. Nós pretendemos examinar as evidências e trabalharemos em conjunto com a Wada antes de tomar qualquer ação”.

Na história dos Jogos Olímpicos jamais um país teve cassada uma medalha conquistada em esportes coletivos. No caso da Rússia em Londres 2012, falta saber se os demais nomes de atletas do vôlei contidos no relatório da Wada competiram naquela edição das Olimpíadas e se o teste positivo no antidoping, incluindo Muserskiy, foi relativo ao período dos Jogos. Se houver confirmação de uso de doping em Londres pelo voleibol russo, uma eventual decisão de tomar ou não a medalha de ouro caberia à FIVB em conjunto com o Comitê Olímpico Internacional (COI).


Rússia enrola e adia anúncio do sucessor de Marichev na seleção feminina
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Sidrônio Henrique

Yuri Marichev: falta de comando e pedidos atabalhoados de desafio em vídeo (fotos: FIVB)

A novela sobre a sucessão de Yuri Marichev e Vladimir Alekno nos cargos de técnico das seleções feminina e masculina da Rússia, respectivamente, tem nova data para chegar ao fim: 16 de dezembro. O anúncio foi feito esta tarde em Moscou pela Federação Russa de Vôlei. Anteriormente, a entidade havia dito que o novo técnico da seleção feminina seria conhecido nesta quinta-feira (8). Para a equipe masculina, a previsão era que o substituto de Alekno fosse anunciado na segunda quinzena de novembro.

Feminino
Três nomes estão cotados para a seleção feminina. A imprensa russa aponta como favorito Vadim Pankov, técnico do Zarechie Odintisovo, viúvo da ex-jogadora Marina Nikulina-Pankova, pai da levantadora Ekaterina Kosianenko, capitã da seleção, e do também levantador Pavel Pankov. Estão ainda no páreo Rishat Gilyazutdinov, técnico do Dinamo Kazan, e Vladimir Kuzyutkin, ex-técnico da seleção feminina, campeão mundial em 2010. Pankov se ofereceu para o cargo, a exemplo do que fez em 2009, quando foi preterido por Kuzyutkin. No comando da seleção B feminina da Rússia em 2015, Vadim Pankov levou o time ao quarto lugar no Montreux Volley Masters, ao quinto posto na primeira edição dos Jogos Europeus e ao ouro na Universíade.

Nataliya Goncharova of Russia

A oposta Nataliya Goncharova quer ideias novas na seleção

A oposta Nataliya Goncharova, uma das principais jogadoras russas, disse ao site rsport.ru, em meados de outubro, que a seleção talvez precise de um treinador estrangeiro, “alguém que traga novas ideias, novos métodos de treinamento”. No entanto, a federação local foi categórica e afirmou que isso estava fora de questão. Apenas um estrangeiro já dirigiu a seleção russa feminina, o italiano Giovanni Caprara, marido da ex-levantadora russa Irina Kirillova. Caprara comandou a seleção no período 2005-2008. Apesar de ter conduzido o time ao título do Mundial 2006, foi criticado por ter conquistado apenas o bronze nos Europeus 2005 e 2007, além de ter sido eliminado nas quartas de final da Olimpíada de Pequim 2008.

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O último treinador da seleção russa feminina foi Yuri Marichev, que se notabilizou pela falta de comando e pelos pedidos atabalhoados de desafio em vídeo, além dos resultados ruins em competições globais como o Mundial, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, ainda que tenha conquistado o Europeu duas vezes, em 2013 e 2015.

Masculino
Apesar de um histórico que inclui o bronze em Pequim 2008 e o ouro em Londres 2012, Vladimir Alekno foi dispensado pela Federação Russa após o quarto lugar na Rio 2016. Na semifinal, no Maracanãzinho, a seleção treinada por Alekno foi atropelada pelo Brasil, na melhor partida da equipe de Bernardinho na competição, e na sequência perdeu a medalha de bronze de virada para os Estados Unidos, após estar vencendo por 2-0.

Não há nomes sendo cogitados para a sucessão, mas a exemplo do feminino, a federação local disse que o cargo não será ocupado por nenhum estrangeiro. Há dois meses a imprensa local destacava o técnico búlgaro Plamen Konstantinov, que atualmente dirige o clube russo Lokomotiv Novosibirsk, além da seleção do seu país. Porém, a federação enfatizou que um russo será o escolhido.


Corrida pelo cargo de técnico da Polônia tem ares de reality show
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Sidrônio Henrique

 

MontagemPolonia

Dezesseis concorrentes, muita exposição na mídia, intrigas, especulação, torcida, palpites e apenas um prêmio. Não, não é nenhum reality show, mas a corrida pela sucessão de Stéphane Antiga, demitido do cargo de técnico da seleção masculina da Polônia no dia 10 de outubro. Se dependesse da apaixonada torcida polonesa ou da imprensa local, haveria votação para decidir quem fica com o posto. A Federação Polonesa de Vôlei (PZPS) abriu inscrições para quem quisesse se candidatar a vaga aberta com a dispensa de Antiga, que não resistiu ao fiasco na Rio 2016 – a Polônia amargou sua quarta eliminação consecutiva nas quartas de final das Olimpíadas. O resultado será anunciado no final de novembro.

Até agora, 14 dos 16 nomes são conhecidos. Inicialmente, a PZPS revelou quem eram 11 candidatos, mantendo os outros cinco em sigilo a pedido deles. Nos últimos dias, a imprensa polonesa teve acesso a mais três nomes. Não faltam notas plantadas na mídia elevando um ou denegrindo outro, além de discussões acaloradas nas redes sociais. A lista é, digamos, eclética – tem gente talentosa e alguns na base do “vai que cola”, como o desempregado Yuri Marichev, aquele que dirigiu a seleção feminina da Rússia no ciclo recém-encerrado e ficou célebre pelos atabalhoados pedidos de desafio em vídeo, além de claramente perder o controle da equipe.

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Todos os nomes revelados têm experiência, a maioria deles italianos, e curiosamente nenhum polonês – o último a dirigir a seleção do país foi Stanislaw Gosciniak, na Olimpíada de Atenas, em 2004. Os 14 nomes revelados que estão concorrendo ao cargo são: Andrea Anastasi, Andrea Gardini, Andrea Giani, Ferdinando De Giorgi, Emanuele Zanini, Daniel Castellani, Radostin Stoychev, Yuri Marichev, Igor Kolakovic, Mauro Berutto, Daniele Bagnoli, Camillo Placi, Lorenzo Bernardi e Slobodan Kovac. Especula-se que os outros dois seriam o argentino Raul Lozano e o italiano Angelo Lorenzetti.

Jogadores poloneses desolados após eliminação na Rio 2016 (fotos: FIVB)

Favorito
Informações de bastidores apontam para o búlgaro Radostin Stoychev como o favorito do presidente da PZPS, Jacek Kasprzyk. Conhecido por seu estilo ortodoxo, Stoychev construiu sua reputação no comando do clube italiano Trentino, onde colecionou títulos – quatro mundiais e três da Liga dos Campeões da Europa. Ele dirigiu a seleção da Bulgária em 2011 e 2012, saindo antes dos Jogos de Londres por se desentender com a federação do seu país. Nos últimos meses, o búlgaro estava de olho mesmo era no cargo de técnico da seleção italiana, um velho sonho, mas viu tudo ir por água abaixo com o inesperado sucesso do novato Gianlorenzo Blengini, vice-campeão olímpico e da Copa do Mundo com a Azzurra. Quem não tem Itália, vai de Polônia… Isso se for ele o ganhador.

Ferdinando De Giorgi, atual campeão polonês com o Zaksa Kedzierzyn Kozle, Andrea Giani, que levou a Eslovênia ao surpreendente vice-campeonato europeu em 2015, e Angelo Lorenzetti, atualmente à frente do Trentino, estão bem cotados. Assim como Stoychev, são respeitados no mercado. Porém, a PZPS gosta de surpreender. Não estranhe se vir como o escolhido algum nome improvável como Igor Kolakovic ou Mauro Berutto, técnicos da Sérvia e da Itália, respectivamente, no ciclo passado.

Seleção polonesa enfrenta muita cobrança dos fãs e da imprensa

Tarefa ingrata
Ser técnico da seleção polonesa não é tarefa fácil. A pressão é mais intensa do que comandar, por exemplo, o Brasil, a Rússia ou a Itália. O voleibol é o segundo esporte do país, depois do futebol, mas a popularidade é bem maior do que a vista por aqui. A imprensa faz marcação cerrada. Alguns veículos da mídia polonesa não temem sequer cair no ridículo. Houve quem considerasse que Bernardinho estava na briga – imagine aí o multicampeão enviando currículo para a PZPS, cujo orçamento é bem menor do que o da CBV, disposto a dirigir um time com limitações óbvias. Se você considerar que não há tantos talentos por lá e os resultados não chegam a impressionar, estar à frente da seleção polonesa masculina de vôlei pode virar um tormento. Foi assim com os quatro últimos treinadores.

Gangorra da Superliga tem favoritos em alta e público carioca em baixa

Antiga que o diga… O francês levou a Polônia, em casa, ao título do Mundial 2014. Contou com inúmeras contusões de brasileiros e russos, favoritos à época, além de manobras de bastidores e o providencial empurrão dos apaixonados fãs poloneses. Mesmo com a conquista, ninguém de fora exaltava a Polônia. O time tem problemas na execução do jogo, seu oposto titular, Bartosz Kurek, desaparece da partida nos momentos cruciais, e a equipe não é grande coisa sem seu saque. Naturalmente, não ganharam nada depois do surpreendente Campeonato Mundial, mas as cobranças dos fãs, dos jornalistas e da federação não cessam – ao contrário, é exigida da seleção polonesa uma grandeza que ela definitivamente não tem. A eliminação na Rio 2016 foi o estopim. Stéphane Antiga caiu.

Suelle fala sobre desentendimento no Pinheiros e futuro na carreira

O último treinador a durar um ciclo olímpico inteiro foi o argentino Raul Lozano, de 2005 a 2008, que mesmo assim saiu às turras com a PZPS. Desde então, ninguém ficou além de três temporadas. Não vai ser fácil conduzir a Polônia ao topo. O voleibol masculino atual é mais equilibrado do que na década passada, período em que o Brasil dava as cartas, mas os poloneses estão em clara desvantagem quando se pensa, por exemplo, nos quatro semifinalistas da Rio 2016, ou ainda em outras equipes como a também eliminada França, além de terem em seus calcanhares times como a ascendente Argentina. É bom que o vencedor dessa corrida para o cargo de técnico mantenha seu currículo atualizado, só por precaução.