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Maluco beleza do vôlei oferece dinheiro para árbitro apitar direito
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Sidrônio Henrique

Ex-jogador da seleção russa, o ponta defende atualmente o modesto Yenisey Krasnoyarsk (foto: FIVB)

O ponta russo Alexey Spiridonov, quase sempre no papel de maluco beleza do vôlei, continua aprontando das suas. Neste fim de semana, o atacante de 28 anos e 1,96m, conhecido tanto pelo seu talento como pelas constantes provocações, se superou. Irritado com a arbitragem durante um jogo da liga russa entre Yugra Samotlor e Yenisey Krasnoyarsk, seu clube, ele ofereceu, por meio de gestos e palavras, dinheiro ao segundo juiz para que “apitasse de maneira justa”. O Krasnoyarsk, visitante, perdeu a partida de virada por 1-3. O clube de Spiridonov está em oitavo lugar na tabela. Catorze equipes disputam a temporada 2016/2017, liderada pelo Zenit Kazan, que está invicto com 24 vitórias.

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“Os árbitros estavam ali para se certificar de que perderíamos a partida. Fazia tempo que eu não via um jogo da liga russa em que um time recebeu tanta ajuda. Que vergonha! Ganhei um cartão amarelo antes da partida começar, depois recebi um cartão vermelho e não sei nem a razão. Aí fui até o segundo árbitro e lhe ofereci dinheiro, só para que apitasse de maneira justa pelo restante da partida”, disse Spiridonov ao site russo sport.business-gazeta.ru.

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O ponteiro havia recebido um cartão amarelo antes mesmo início da partida por chutar um dos postes de sustentação da rede. O vermelho veio depois de uma reclamação de Spiridonov contra o segundo árbitro, que indicou toque no bloqueio após um ataque do adversário que o ponta dizia ter sido fora. O ex-jogador da seleção russa, cuja carreira é marcada pela indisciplina, não chegou a ser expulso da partida. Nesta segunda-feira (20), porém, a Federação Russa decidiu multá-lo em 10 mil rublos, o equivalente a R$ 537,58 – valor apenas simbólico. A penalidade foi aplicada, segundo a federação, “devido ao comportamento rude do atleta”.

Histórico de indisciplina
Spiridonov, que foi cortado semanas antes dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 por ter chegado embriagado à concentração da seleção e que não foi convocado para a Rio 2016, tem um histórico de confusões envolvendo colegas e adversários, incluindo o ex-técnico da seleção brasileira masculina Bernardinho. O então treinador do Brasil, durante as finais da Liga Mundial 2013, disse que o russo se comportava como um louco. Após a vitória sobre os brasileiros na final do torneio, Spiridonov fez um gesto obsceno para as câmeras e mencionou o nome de Bernardinho. Um ano antes, na liga russa, irritou tanto o levantador Sergey Grankin, colega de seleção e oponente na partida, que o adversário cruzou a rede para agredi-lo, sendo contido pelos demais.

Apelidado de Tintin pelo ponta francês Guillaume Samica, por sua semelhança com o personagem de quadrinhos belga, Alexey Spiridonov é um ponta completo, mas viu sua carreira prejudicada pelo pavio curto. Jogou as duas últimas temporadas pelo Zenit Kazan, mas foi dispensado no ano passado. Já se envolveu em polêmicas até mesmo fora da quadra, como quando debochou, em 2015, do embargo do governo russo aos produtos poloneses, irritando torcedores e jogadores da seleção da Polônia.


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Sidrônio Henrique

Atualmente o ponteiro da seleção Maurício Borges joga na equipe turca Arkas Izmir (foto: FIVB)

A longa briga entre o ponteiro brasileiro campeão olímpico Maurício Borges e o clube russo Fakel Novy Urengov, que se arrastava havia pouco mais de dois anos, finalmente chegou ao fim. O atleta processou e ganhou a causa contra o time, que o havia contratado para a temporada 2014/2015, mas o dispensou antes mesmo da apresentação, alegando que devido a perda de alguns patrocinadores não poderia manter os estrangeiros na equipe. Na época, setembro de 2014, Borges estava com a seleção brasileira na Polônia, na disputa do Campeonato Mundial. Nesta quinta-feira (8), o ponta recebeu integralmente o valor que havia pedido, correspondente àquela temporada em que foi dispensado pelo Fakel.

O ganho de causa já havia sido dado pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB), que é quem arbitra esses casos, em agosto deste ano. Faltava receber o dinheiro. Não mais. “Estou muito satisfeito com o desfecho, foi muito importante para mim, pois não vou ficar no prejuízo”, disse Borges, campeão na Rio 2016, ao Saída de Rede.

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Jogadores ou técnicos que deixam de receber o valor definido em contrato não são raros no voleibol. Na liga russa, então, isso tem ocorrido com mais frequência nas últimas três temporadas. Nem sempre as partes chegam a um acordo e a disputa vai parar na FIVB. Os casos são avaliados por um tribunal da entidade que analisa disputas financeiras. Se a FIVB decidir que o clube deve pagar e este não o fizer, a saída é recorrer à justiça comum do país onde há o imbróglio. Como ficaria impedido pela FIVB de contratar outros estrangeiros e de disputar competições fora da Rússia, o Fakel pagou ao brasileiro.

Atualmente, por exemplo, um levantador, um líbero e um técnico brasileiros tentam receber salários atrasados de outro clube russo, numa situação que se alonga há quase dois anos e se repete com diferentes profissionais que passaram pela liga daquele país. O SdR opta por não divulgar nomes de casos em disputa para não atrapalhar eventuais acordos. Em relação a Borges, com a situação já definida, o valor é mantido em sigilo em respeito ao atleta.

Após a dispensa
Com os principais clubes do Brasil e do exterior tendo seus elencos já definidos quando foi comunicado da dispensa pelo Fakel Novy Urengov, Maurício Borges ainda conseguiu fechar com o Sesi para o período 2014/2015, mas por um valor bastante inferior ao contrato com a equipe russa. Desde a temporada passada, o ponteiro da seleção brasileira está no Arkas Izmir, clube turco treinado pelo canadense Glenn Hoag e que atualmente conta com o também ponta brasileiro João Paulo Bravo. Borges renovou com o clube para esta temporada e disputa, além do campeonato turco, a Liga dos Campeões da Europa.

Cronologia do caso
Em setembro de 2014, Maurício Borges deu entrada, por meio de seu agente e de seu advogado, ao processo na FIVB. Em junho de 2015, a Federação publicou a decisão, dando ganho de causa ao atleta, exigindo que o clube russo pagasse o valor integral do contrato pela temporada 2014/2015. O Fakel Novy Urengov recorreu. O advogado do brasileiro apresentou as contrarrazões. Em agosto de 2016, a FIVB divulgou a decisão definitiva a favor de Borges, obrigando o time russo a pagá-lo.


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