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Arquivo : Liga dos Campeões

Champions League: Fenerbahçe, de Natália, complica a vida do time de Thaisa
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João Batista Junior

Fenerbahçe comemora vitória em jogo duro contra Eczacibasi (foto: Fenerbahçe)

O Fenerbahçe largou em vantagem contra o Eczacibasi VitrA, nos playoffs de 6 da Liga dos Campeões feminina. Nesta quinta-feira, em Istambul, o time da ponteira Natália venceu atuais campeãs mundiais por 3 sets a 2 (16-25, 25-22, 25-19, 21-25, 15-12) e está a uma vitória por qualquer placar, no jogo 2, para garantir presença no Final Four. À equipe da central Thaisa, restam duas possibilidades: conquistar uma vitória de três pontos (por 3 a 0 ou 3 a 1) para ficar com a vaga nas semifinais ou devolver a derrota por 3 a 2 e levar a disputa para o Golden Set.

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Foi o quarto jogo entre as duas equipes na temporada e a terceira vitória consecutiva do Fenerbahçe – que também levou a melhor nas semifinais da Copa da Turquia e no duelo returno da liga turca.

O Eczacibasi não precisa de malabarismo matemático para voltar às finais da Champions League – campeão em 2015, foi eliminado pelo VakifBank no ano passado, ainda nos playoffs de 12. Mas, predicados do Fenerbahçe à parte, será decepcionante se um clube com um elenco como esse (com Thaisa, Rachael Adams, Jordan Larson, Kosheleva, Boskovic, Ognjenovic) cair tão cedo na competição continental, ainda mais colecionando derrotas para equipes conterrâneas (perdeu duas vezes para o VakifBank na fase de grupos).

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Thaisa (6) e Kosheleva no bloqueio, Natália no ataque: vantagem da ponteira do Fenerbahçe (CEV)

Com 22 pontos, Natália empatou com a craque sul-coreana Kim Yeon Koung como maior anotadora do Fenerbahçe. A pontuadora máxima do jogo, apesar do revés no placar, foi a oposta sérvia Tijana Boskovic, com 24 acertos – e 51% de aproveitamento no ataque. A meio de rede Thaisa, com oito pontos no total, teve atuação apagada no ataque: em 12 tentativas, a brasileira pontuou três vezes, errou quatro e sofreu um ponto de bloqueio.

O jogo da volta será no próximo dia 4, também em Istambul. Quem vencer essa série encara, nas semifinais, o ganhador do confronto entre Volero Zürich e VakifBank, que também se enfrentaram nesta quinta-feira, na Suíça.

O time da casa até saiu na frente do marcador, mas sucumbiu diante de uma ótima atuação da oposta holandesa Lonneke Slöetjes e perdeu por 3 sets a 1 (15-25, 25-20, 25-17, 25-21).

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Zivkovic enfrentou o VakifBank no lugar de Fabíola (CEV)

A oposta ucraniana do time suíço, Olesia Rykhliuk, teve uma pontuação elevada (24 anotações), mas não superou os 26 pontos de Slöetjes, que teve ainda 62% de aproveitamento nas cortadas. A ponteira brasileira Mari Paraíba, do Volero, entrou no decorrer do terceiro e quarto sets para sacar e ficar no fundo de quadra – saiu sem pontos marcados. Fabíola, levantadora titular da equipe de Zurique, lesionou o joelho antes da partida e não atuou no confronto – a sérvia Zivkovic jogou em seu lugar.

O jogo 2, em Istambul, será no dia 5 de abril e bastam dois sets ao VakifBank, atual vice-campeão europeu, para chegar ao Final Four.

No outro duelo dessa fase, o Dínamo Moscou venceu o Liu Jo Nordmeccanica Modena, na Itália, por 3 a 0 (25-22, 25-13, 25-13) e está, matematicamente, na mesma situação do VakifBank para o jogo da volta, dia 5, na Rússia.

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Muserskiy no bloqueio contra o Zaksa: classificação russa

MASCULINO
O Belogorie Belgorod, da Rússia, repetiu nesta semana o placar de 3 a 1 (parciais de 25-22, 20-25, 26-24, 25-21) sobre o Zaksa Kedzierzyn-Kozle e se classificou aos playoffs de 6 da Champions League masculina. O levantador brasileiro Marlon, contundido, desfalcou o Belgorod.

O resultado está longe de ser considerado “zebra”, dada a tradição do tricampeão europeu Belgorod, mas chama a atenção a facilidade com que o quarto colocado da liga russa eliminou o líder da PlusLiga (o campeonato polonês). O central Dmitry Muserskiy foi o maior anotador da equipe visitante, com 14 acertos e 67% de aproveitamento no ataque.

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Na próxima fase, o Belogorie Belgorod faz um duelo russo com o Zenit Kazan. Os atuais bicampeões europeus venceram o Arkas Spor Izmir, dos ponteiros brasileiros Mauricio Borges e João Paulo Bravo, por 3 a 0 nas duas partidas. O jogo 1 ainda não tem data marcada, mas será entre os dias 4 e 6 de abril.


Companheiras na seleção, Thaisa e Natália se enfrentam na Liga dos Campeões
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João Batista Junior

Thaisa (6) e Natália (12) pela seleção: lados opostos na Champions (foto: FIVB)

Quando a temporada de clubes começou, o Eczacibasi VitrA, da central Thaisa, conquistou o título mundial de clubes nas Filipinas com um elenco recém-montado, que bem poderia fazer frente às principais seleções em atividade no vôlei feminino. O Fenerbahçe, da ponteira Natália, também havia se reforçado e manteve no plantel a craque sul-coreana Kim Yeon Koung, mas parecia que ia ter dificuldade para acompanhar o VakifBank e o próprio Eczacibasi.

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Contudo, as duas brasileiras – que disputaram Olimpíadas e Mundiais pela seleção e já atuaram tanto no Osasco quanto no Rexona – vão se encontrar na quinta-feira, pela primeira rodada dos playoffs de 6 da Liga dos Campeões feminina, numa situação bem diferente daquela de alguns meses atrás.

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De um lado, o time de Thaisa têm tido problemas na liga turca (muito por conta do regulamento, que só permite a uma equipe utilizar até três estrangeiras por vez na partida) e, na Champions League, foi batido duas vezes pelo VakifBank.

Kim (10) observa ataque de Natália (CEV)

Do outro lado, o sexteto de Natália, que só perdeu um set no torneio continental, conquistou a Copa da Turquia vencendo o VakifBank na decisão e tem se dado bem contra o Eczacibasi: depois de perder o primeiro duelo, na longínqua terceira rodada do nacional, o Fenerbahçe superou o rival nos outros dois encontros – em janeiro, nas semifinais da copa do país, e em fevereiro, no returno da liga.

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É claro que quando a bola subir, histórico e retrospecto ficarão à parte, e uma equipe com Thaisa, Kosheleva, Jordan Larson, Boskovic, Rachael Adams e Ognjenovic deve ser respeitada – senão, temida. Mas, pelo crescimento no decorrer da temporada, o Fenerbahçe, de Natália e Kim Yeon Koung, parece estar em ligeira vantagem. O site Laola.tv transmite a partida ao vivo.

FABÍOLA E MARI PARAÍBA
Líder na liga turca, o VakifBank, da MVP olímpica Ting Zhu, vai ter pela frente, também na quinta-feira, pelos playoffs de 6 da Champions League, o Volero Zürich, das brasileiras Fabíola, levantadora titular, e Mari Paraíba, ponteira reserva. A partida também será transmitida pelo Laola. Embora a equipe da Turquia seja favorita, não dá para dizer que o time suíço seja perdedor de véspera.

Fabíola no levantamento contra o VakifBank, no Mundial de Clubes (FIVB)

Os dois se enfrentaram duas vezes na temporada, ambas no Mundial de Clubes, em outubro, com uma vitória para cada lado: a do Zürich, na primeira fase, e a do VakifBank, na disputa da medalha de bronze. Na fase de grupos do europeu, as turcas venceram todas as partidas que disputaram e as suíças perderam duas vezes – a ressalva é que os reveses foram em tie breaks, contra o Dínamo Moscou, dono da melhor campanha da superliga russa.

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Além de Zhu, o elenco do VakiBank conta com a oposta holandesa Lonneke Slöetjes, a central sérvia Milena Rasic, a ponta norte-americana Kimberly Hill. Já no time das brasileiras, jogam a cubana Kenia Carceses, ex-Osasco, a meio de rede norte-americana Foluke Akinradewo, a oposta ucraniana Olesia Rykhliuk, a ponta azeri Mammadova. A exemplo do confronto entre Eczacibasi VitrA e Fenerbahçe, trata-se de um duelo de duas legiões estrangeiras e nenhum resultado – embora haja um favorito – pode ser considerado zebra.

Os playoffs de 6 da Liga dos Campeões feminina começam na quarta-feira, com uma partida entre Liu Jo Nordmeccanica Modena e Dínamo Moscou, na Itália. Os jogos da volta serão disputados nos dias 4 e 5 de abril. As três equipes vencedoras das séries se juntarão ao Imoco Volley Conegliano, nos dias 22 e 23 de abril, para a disputa do Final Four da competição, em Treviso (Itália).


Ao lado de campeões olímpicos pela Rússia, brasileiro busca título europeu
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João Batista Junior

Marlon (14): há dois meses, reforço do Belgorod (fotos: CEV)

Os playoffs de 12 da Liga dos Campeões masculina começam nesta terça-feira e, com eles, o maior desafio de Marlon desde seu retorno à Europa. Bem diferente de quando jogou no São Bernardo até janeiro deste ano, onde era um veterano dentro de um elenco repleto de calouros, ele agora é o levantador do Belogorie Belgorod, da Rússia, que tenta ocupar o trono do voleibol europeu pela quarta vez – venceu o Europeu em 2003, 2004 e 2014.

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A equipe é das mais qualificadas. Campeão mundial em 2010 com a seleção brasileira, Marlon joga ao lado de nada menos do que quatro campeões olímpicos de Londres 2012: os pontas Taras Khtey e Sergey Tetiukhin, o líbero Obmochaev e o central Dmitry Muserskiy. Seria, em tese, um time para fazer frente a qualquer rival de peso, mas o Belgorod ocupa apenas a quarta posição da superliga russa e, na fase de grupos da Champions League, perdeu metade dos seis jogos que disputou.

O brasileiro, de 39 anos, que já defendeu o Dínamo Krasnodar e também teve passagens no vôlei italiano, se juntou ao time em janeiro e estreou na competição continental na quarta rodada. Desde então, foram duas derrotas no tie break para Perugia e Halkbank e uma vitória por 3 a 1 sobre o Knack Roeselare, da Bélgica.

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Não bastasse a campanha claudicante na temporada, o Belogorod terá pela frente, no mata-mata da Liga dos Campeões, o Zaksa Kedzierzyn-Kozle – líder da PlusLiga (o campeonato polonês), dono de uma campanha de cinco vitórias e 15 pontos em seis partidas na Champions.

O Zaksa conta com um dos melhores levantadores do mundo, o francês Benajmin Toniutti, com o líbero campeão mundial de 2014 pela Polônia, Pawel Zatorski, e atacantes como o ponta Kevin Tillie, titular da seleção da França, o oposto Dawid Konarski e o central Mateusz Bieniek – um dos melhores sacadores da atualidade.

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O jogo 1 entre Belogorie Belgorod e Zaksa Kedzierzyn-Kozle será na quarta-feira, na Rússia, a partir das 13h, pelo horário de Brasília – o site Laola.tv transmite ao vivo. O jogo da volta, na Polônia, será na quarta-feira da próxima semana, dia 22.

Arkas Izmir, de JP Bravo (13) e Mauricio Borges (à direita), terá duelo complicado contra Dínamo Moscou

MAIS BRASILEIROS EM AÇÃO
Noutro dos duelos do mata-mata, o Arkas Spor Izmir, da Turquia, enfrenta o Dínamo Moscou. Com o ponteiro campeão olímpico Mauricio Borges e João Paulo Bravo (ponta que tem atuado como líbero), a equipe turca é a única ainda sobrevivente na competição, além do Belgorod, com jogadores brasileiros no elenco.

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Arkas e Dínamo tiveram campanha parecida na fase de grupos, com quatro vitórias e duas derrotas. Porém, a temporada do time russo é melhor: enquanto os moscovitas são vice-líderes no campeonato nacional, a equipe de Izmir é apenas a quinta colocada na liga turca.

A primeira partida será quinta-feira, na Turquia, às 13h (horário de Brasília), também com transmissão do Laola. O jogo 2 será na Rússia, terça-feira que vem.


Holandesa do Rexona quer aproveitar Superliga para ser “jogadora completa”
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Sidrônio Henrique

Anne Buijs: “Substituir a Natália é uma honra para mim” (foto: Alexandre Loureiro/CBV)

A ponteira holandesa Anne Buijs queria muito jogar no Brasil, ser treinada por Bernardinho, como o Saída de Rede contou para você em maio do ano passado, semanas antes que o Rexona-Sesc anunciasse a contratação da jogadora. O sonho se realizou e agora a atacante de 25 anos, 1,91m, que tem oscilado na Superliga, quer se aperfeiçoar. “O vôlei brasileiro é mais técnico do que o europeu, com mais defesas, ralis mais longos. Está sendo muito interessante jogar aqui, é diferente. Quero aprender cada vez mais e me tornar uma jogadora completa”, disse Buijs ao SdR, ela que aponta o passe e a defesa como suas maiores deficiências.

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“Fiquei muito orgulhosa quando soube que o Rexona me queria. Substituir uma jogadora do nível da Natália é uma grande responsabilidade e ao mesmo tempo uma honra para mim”, afirmou. Antes mesmo de chegar ao Brasil, ela tratou de conhecer a história do clube, onze vezes campeão da Superliga. “Eu quero evoluir, mas isso não basta, pretendo ganhar a Superliga também”, avisou Buijs.

Ela queria ser treinada por Bernardinho (foto: Marcelo Piu/Sesc)

Conhecendo Bernardinho
Para a ponteira holandesa, que em maio de 2016 apontava Bernardinho como um dos melhores técnicos do mundo ao dizer que gostaria de trabalhar com ele, as expectativas quanto ao treinamento têm sido atendidas. “Bernardinho é exigente e isso é importante para mim, pois só assim posso melhorar”. O curioso é que, apesar de toda a vontade de ser treinada pelo técnico multicampeão, ela só veio a conhecê-lo no dia do seu primeiro treino com a equipe, no início de outubro.

A adaptação ao ritmo carioca não tem sido problema. “Fui muito bem recebida pelas colegas de time. Nem todo mundo fala inglês, mas mesmo quem não fala, tenta. Eu também tenho tentado aprender português. O estilo de vida que tenho aqui no Brasil é muito bom, a atmosfera do Rio é relaxada, algo muito gostoso”, comentou.

Colega de Sheilla na Europa e destaque na seleção
No período 2015/2016 ela foi campeã da liga turca e vice da Champions League (Liga dos Campeões da Europa) com o VakifBank, era colega de time da oposta brasileira Sheilla Castro. A ponteira acabou dispensada ao final da temporada. Antes de jogar na Turquia, havia passado pelo Lokomotiv Baku, do Azerbaijão, e o Busto Arsizio, da Itália, entre outros clubes europeus.

Anne Buijs é titular da seleção holandesa (fotos: FIVB)

Anne Buijs fez sua estreia na seleção holandesa adulta muito jovem, com apenas 16 anos, mas ficou de fora em várias temporadas desde então por causa de contusões. Foi titular no Mundial 2014, embora tenha ficado a maior parte do tempo entre as reservas na derrota por 3-1 para o Brasil. Em 2015, foi escolhida a melhor ponteira do Montreux Volley Masters e também do Campeonato Europeu. Na Rio 2016, a ponta destacou-se na honrosa campanha da Holanda, que ficou na quarta colocação. Ela terminou a competição no Maracanãzinho como a quinta maior pontuadora, a oitava mais eficiente no ataque e ainda como terceira melhor sacadora.

Surpresa em dose dupla com a Holanda em 2016
Buijs se disse surpresa não apenas com o quarto lugar na Rio 2016, mas até mesmo com a classificação para os Jogos Olímpicos. “Foi demais para a gente, pois fazia 20 anos que a Holanda não participava do torneio de vôlei feminino numa Olimpíada. Isso foi surpreendente, uma conquista. Depois tivemos outra surpresa quando ficamos em quarto no Brasil”.

Buijs consola Schoot após a derrota para os EUA na disputa do bronze na Rio 2016

A derrota na semifinal para a China e depois outra para os Estados Unidos na disputa da medalha de bronze já foram superadas. “Inicialmente nós ficamos devastadas em não conquistar uma medalha, porém mais tarde vimos como foi importante a quarta colocação e temos orgulho da nossa campanha no Rio”, afirmou.

Apesar de destacar o resultado da equipe, Anne Buijs acredita que poderiam ter ido mais longe. “Havíamos ganhado das chinesas e perdido numa partida de cinco sets contra os EUA na primeira fase. Na semifinal, contra a China, fomos derrotadas por 3-1, mas o jogo foi equilibrado”.

Guidetti e a jornada interrompida
Ela definiu a recente saída de Giovanni Guidetti do cargo de técnico da seleção holandesa (ele assinou logo em seguida com a Turquia) como “uma jornada interrompida”, mas ponderou que isso não vai atrapalhar o time. “Foi um choque, eu não imaginava que ele fosse sair. Fiquei triste porque tínhamos um relacionamento muito bom com o Guidetti, crescemos como conjunto, melhoramos, demos passos importantes. Agora a federação tem que encontrar um novo treinador e nós vamos seguir em frente”, disse Anne Buijs.


Turquia atrai jogadoras estrangeiras e vira “eldorado” do vôlei
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João Batista Junior

 

Fenerbahçe, VakifBank e Eczacibasi: trio de ferro do vôlei turco (Fotos: Divulgação)

Fenerbahçe, VakifBank e Eczacibasi: trio de ferro do vôlei turco (Fotos: Divulgação)

O Uralochka Ekaterinburg é um dos clubes mais tradicionais do vôlei feminino da Rússia, e sua luta diante do VakifBank, de Lonneke Slöetjes, Kimberly Hill, Milena Rasic e, sobretudo, Ting Zhu, resultou numa derrota em quatro sets. As francesas do St. Raphaël bem que tentaram, mas o Fenerbahçe, com Natália, Nootsara Tomkom e Maret Grothues, nem precisou tirar Kim Yeon Koung do banco de reservas para sair de quadra com uma vitória em sets diretos. O Eczacibasi VitrA, com Thaisa, Rachael Adams, Ognjenovic, Boskovic, Kosheleva e Jordan Larson, também não deu muita esperança de bom resultado ao Dresdner, da Alemanha, e voltou para casa com previsíveis três pontos na conta.

O resumo da estreia das equipes turcas na fase de grupos da Liga dos Campeões feminina da Europa, no mês passado, parece uma releitura da repisada batalha entre Davi e Golias. Nesse conto de vôlei, porém, os gigantes – moldados por contratações e investimentos vultosos – saem vencedores.

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Em meio à crise financeira mundial, que tem fustigado a economia europeia e a brasileira, a Turquia, quando se trata de investir no vôlei, tem remado na direção contrária. Para tomar exemplos recentes, enquanto três clubes brasileiros desistiram de disputar a Superliga nesta temporada (São José e Voleisul, no masculino, Araraquara, no feminino), o Dínamo Krasnodar, da Rússia, perdeu jogadoras por atraso no pagamento de salários no ano retrasado e o Modena, mesmo com status de campeão italiano, quase fechou as portas, o voleibol turco deixou de ser apenas um mercado promissor para ter uma das ligas mais importantes do mundo.

Dentro dessa perspectiva, é justo dizer que o campeonato masculino do país tem crescido e não é exagerado afirmar, sem susto, que a liga feminina, com três supertimes na disputa, seja a melhor das competições nacionais do vôlei atual – ainda mais com a vinda, nesta temporada, de Ting Zhu, Kosheleva, Natália, Thaisa…

Gamova atuou uma temporada pelo Fenerbahçe

Gamova atuou uma temporada pelo Fenerbahçe

ASTROS E TROFÉUS

O processo migratório de craques para o vôlei turco não é exatamente um fenômeno novo. Do início da década passada para cá, nomes como as russas Sokolova e Gamova, a norte-americana Logan Tom e as brasileiras Fofão, Fabiana e, mais recentemente, Sheilla atuaram em algum dos times de peso do país. A diferença agora é o grande número de estrelas da contestação – ou, noutras palavras, a grande quantidade reunida de jogadoras de reconhecida qualidade.

Para não ficar só no exemplo dos clubes mencionados no primeiro parágrafo, podemos citar atletas estrangeiras famosas no mundo do vôlei: o Besiktas tem a oposta belga Lise van Hecke, que passou por Osasco na temporada passada, o Sariyer conta com as norte-americanas Nicole Fawcett (campeã mundial com a seleção de seu país em 2014) e a central Alexis Crimes, e o Galatasaray tem a central trinitina Sinead Jack e a oposta italiana Nadia Centoni. Não se pode esquecer, ainda, de que a ponteira cubana Wilma Salas, do Halkbank, e a oposta brasileira Joycinha, do Bursa Sehíd, têm as maiores médias de pontuação da edição 2016/2017 da liga (5,12 pontos por set cada uma).

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Tamanho investimento, como se poderia prever, tem trazido troféus de competições internacionais para as estantes turcas.

Na Liga dos Campeões, desde a temporada 2008/2009, sempre ao menos um turco no Final Four. Já desde 2009/2010, a Turquia tem sempre um representante na decisão e, nesse período, quatro títulos continentais ficaram com algum clube do país – duas vezes o VakifBank, uma vez o Fenerbahçe e outra o Eczacibasi. No mesmo período, o trio também conquistou quatro títulos mundiais – aí, o bicampeonato é do Eczacibasi.

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João Paulo Bravo e Maurício Borges (nas pontas) foram importantes para a recepção do Arkas (Foto: CEV)

João Paulo Bravo e Maurício Borges (nas pontas) defendem o Arkas Spor (CEV)

Indo além da competição feminina, vê-se que a liga masculina também possui jogadores de relevo, como os brasileiros Lipe (Halkbank), Maurício Borges e João Paulo Bravo (estes, do Arkas Spor). Mas, em geral, num caminho ainda diferente do percorrido no vôlei das mulheres, o campeonato tem posto em quadra jogadores veteranos, como o oposto sérvio Ivan Miljkovic (companheiro de Lipe), o italiano Cristian Savani, o holandês Kay van Dijk e o central norte-americano David Lee (estes, no Ziraat Bankasi), e o oposto recentemente aposentado da seleção francesa Antonin Rouzier – que joga com os compatriotas Nicolas Marechal e Le Goff no Istanbul BBSK.

Quando saem para jogar pela Europa afora, os times masculino não repetem os resultados das equipes femininas. O vice-campeonato continental do Halkbank na temporada 2013/2014, com um time que tinha o ponta ítalo-cubano Osmany Juantorena e o levantador brasileiro Raphael, foi a melhor campanha de um clube do país na Liga dos Campeões. Digna de registro também foi a campanha do Arkas Spor em 2011/2012: com João Paulo Bravo na entrada de rede e o colombiano Agamez na saída, a equipe eliminou o Lokomotiv Novosobirsk e terminou no quarto lugar.

E PARA QUEM É DE CASA?

Com passos mais lentos, as seleções turcas têm tentado acompanhar o crescimento vertiginoso das equipes femininas do campeonato local. Em 2015, por exemplo, a Turquia foi vice-campeã mundial sub-23 tanto no masculino quanto no feminino, ao que, em 2011, as turcas levantaram a taça no sub-18.

Nas seleções adultas, porém, a fonte ainda é bastante escassa. Os homens quase nunca vão a campeonatos mundiais e jamais disputaram uma olimpíada. As mulheres, por outro lado, tem evoluído de fato nos últimos anos, com três participações consecutivas em mundiais, uma medalha de bronze no Grand Prix de 2012 e uma honrosa participação nas Olimpíadas de Londres, quando quase conseguiu eliminar o Brasil na primeira fase do torneio.

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Turca Gödze Kirdar: com ou sem cota, titular do VakifBank

Turca Gödze Kirdar: com ou sem cota, titular do VakifBank

Nesse aspecto, pensando no desenvolvimento das seleções, a antipática medida de proibir os times de utilizarem mais do que três estrangeiras em quadra por vez acaba sendo necessária. Assim, Eczacibasi VitrA, Fenerbahçe e VakifBank só conseguem de fato usar o máximo da força que têm na Liga dos Campeões e se veem obrigados a dar vez a atletas turcas na liga nacional.

Imagine que a oposta Neslihan Demir, 33 anos, maior pontuadora dos mundiais de 2006 e 2010, só tem chance de atuar no Eczacibasi VitrA quando a revelação sérvia Tijana Boskovic é barrada pela matemática do regulamento!

Há, evidentemente, turcas que têm se destacado independentemente da cota de atletas locais. A oposta Polen Uslupehlivan tem sido titular do Fenerbahçe, assim como a central Eda Erdem. O mesmo vale para a levantadora Naz Aydemir e a ponta Gözde Kirdar, no VakifBank. No entanto, num mercado importador como esse, é inegável que as estrelas da festa falam outra língua.

Não se trata de pintar a Turquia como um oásis do esporte e do vôlei ou de dizer que o momento político do país não seja dos mais delicados, já que houve a tentativa de um golpe de estado no ano passado, um recente atrito diplomático com a Rússia e, o pior, frequentes atentados terroristas – o último deles, no primeiro domingo de 2017.

Também não se trata de fechar os olhos para problemas causados pelas torcidas nos ginásios, como a briga transportada do futebol entre torcedores do Fenerbahçe e do Galatasaray, que interrompeu por mais de uma hora uma partida entre as duas equipes nas finais da liga passada, ou as hostilidades sofridas pelas jogadoras do Dínamo Krasnodar, em Istambul, na decisão da Copa CEV, contra o Galatasaray, em março deste ano.

Mas o fato é que, apesar da pouca tradição das seleções turcas, os investimentos no voleibol fizeram do país um novo eldorado da modalidade – ainda mais, no feminino.


Embaixador russo assassinado é homenageado em jogo da Liga dos Campeões
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João Batista Junior

BBSK e Dínamo posam juntos antes do jogo pela Liga dos Campeões (foto: CEV)

Istanbul BBSK e Dínamo Moscou posam juntos antes do jogo pela Liga dos Campeões (foto: CEV)

Quando Istanbul BBSK e Dínamo Moscou entraram em quadra, em Istambul, nessa quarta-feira, pela Liga dos Campeões masculina da Europa, o clima para a partida era de consternação. A vitória dos visitantes por 3 sets a 1 (19-25, 25-18, 25-18, 25-22) foi relevante para o campeonato, já que os moscovitas chegaram a seis pontos na tabela do grupo A e mantiveram o time da casa ainda sem nenhum ponto conquistado, mas isso ficou em segundo plano: em solidariedade ao embaixador da Rússia na Turquia, Andrei Karlov, assassinado na última segunda-feira em Ancara, os atletas das duas equipes posaram juntos para a foto – note o time anfitrião com uma camisa estampando uma fotografia do diplomata.

O atentado lembrou ao mundo que as relações entre os dois países, até bem pouco tempo, andaram estremecidas.

Foto icônica do assassino ao lado do embaixador russo (Burhan Ozbilici/AP)

Foto icônica do assassino ao lado do embaixador russo (Burhan Ozbilici/AP)

Em 24 de novembro do ano passado, durante uma ofensiva militar na Síria contra os terroristas do Estado Islâmico e contra os rebeldes descontes com o ditador Bashar al-Assad, um caça russo foi abatido pela Turquia perto da fronteira síria. O governo turco alegou que o ataque foi para defender seu espaço aéreo, que havia sido invadido, enquanto Moscou retrucou que o avião e o piloto não ofereciam risco aos agressores – o presidente Vladimir Putin até chegou a usar o termo “facada nas costas”.

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O reflexo no vôlei da crise diplomática foi observado quase de imediato. Pela Liga dos Campeões, na semana seguinte à derrubada do avião, duas partidas entre equipes turcas e russas, marcadas para a Turquia, foram vencidas pelo time da casa por WO: por recomendação da Federação Russa de Vôlei, o Belogorie Belgorod não foi a Izmir enfrentar o Arkas Spor, e perdeu por 3 sets a 0 (25-0, 25-0, 25-0), o mesmo ocorrendo ao Dínamo Moscou contra o Ziraat Bankasi Ankara.

Depois disso, porém, a situação (ao menos, no âmbito do vôlei) voltou a uma certa normalidade. Não houve outras partidas definidas por WO – inclusive, duas semanas após, o Zenit Kazan enfrentou o Halkbank, na Turquia, pelo torneio continental – e a seleção russa feminina até disputou o Pré-Olímpico Europeu em Ancara, em janeiro deste ano. Houve ainda, no entanto, um senão.

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O último reflexo no voleibol da tensão entre os dois países ocorreu em 29 de março, no jogo 1 da final da Copa CEV feminina, entre Galatasaray e Dínamo Krasnodar, em Istambul. Tendo de acompanhar o jogo da arquibancada, por estar contundida, a ponteira da seleção russa Tatiana Kosheleva, então no Krasnodar, usou as redes sociais para dizer que ela e suas companheiras haviam sido hostilizadas durante a partida. A jogadora relatou que torcedores locais chegaram a jogar lixo nas atletas do Dínamo e que o treinador adversário, Ataman Guneyligil, havia mostrado o dedo médio para ela e para a comissão técnica da equipe russa.

Istanbul BBSK: camisa com fotografia do embaixador russo no aquecimento (CEV)

Istanbul BBSK: camisa com fotografia do embaixador russo no aquecimento (CEV)

(Apesar de o Kremlin haver cogitado intervir no assunto, o incidente entre Galatasaray e Dínamo Krasnodar não ganhou contornos mais dramáticos, e a própria Kosheleva, atualmente, joga no vôlei turco, defendendo o Eczacibasi VitrA.)

No decorrer deste ano, os dois governos voltaram a se aproximar. Há poucos dias, até traçaram um plano conjunto para retirar os civis da linha de fogo dos combates em Aleppo, na Síria – cidade mencionada pelo assassino do embaixador durante o ataque, segundo relato das testemunhas. Nesse aspecto, além do gesto solidário, os jogadores do Istanbul BBSK e do Dínamo Moscou também protagonizaram, voluntária ou involuntariamente, um ato de repercussão diplomática.


Fim da novela: Polônia decide quem será o novo técnico da seleção masculina
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Sidrônio Henrique

Ferdinando De Giorgi construiu sua carreira de técnico na liga italiana (foto: Reprodução/Internet)

Ferdinando De Giorgi é o novo técnico da seleção masculina da Polônia. O anúncio foi feito nesta terça-feira (20) pela Federação Polonesa de Vôlei (PZPS), pondo fim a uma novela que se arrastava havia mais de dois meses. De Giorgi é o atual campeão polonês com o Zaksa Kedzierzyn Kozle. Será a primeira vez que vai treinar uma seleção. Dezesseis candidatos estavam no páreo, numa lista que foi reduzida para cinco e finalmente três. O treinador anterior, Stéphane Antiga, foi demitido pela PZPS no dia 10 de outubro, mas já se sabia desde a eliminação dos poloneses nas quartas de final da Rio 2016 que ele não permaneceria no cargo.

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Antes de comandar o Zaksa Kedzierzyn Kozle, com o qual assinou na temporada passada, De Giorgi construiu sua carreira de técnico na liga italiana, tendo treinado times como Cuneo, Perugia e Macerata, entre outros. Também esteve à frente do clube russo Fakel Novy Urengov por dois anos. Como atleta, De Giorgi foi levantador reserva no tricampeonato mundial da Itália, nos anos de 1990, 1994 e 1998.

Finalistas
Os outros dois finalistas na longa novela polonesa para escolha do novo treinador eram o búlgaro Radostin Stoychev e o italiano Mauro Berruto. Este último, que recentemente conversou com o Saída de Rede sobre literatura no vôlei, comentou que acreditava que teria tudo o que a Polônia precisa para se consolidar na elite da modalidade. Berruto levou a então desconhecida seleção da Finlândia ao pelotão intermediário quando esteve por lá, no período 2006-2010. Em 2011-2015 foi o técnico da Itália, com a qual foi vice-campeão europeu duas vezes (2011 e 2013) e conquistou a medalha de bronze em Londres 2012. Acabou caindo depois de uma crise interna, que culminou com uma briga dele com quatro atletas, incluindo a estrela da equipe, o ponta/oposto Ivan Zaytsev.

Rigor nos treinos é uma das características do argentino (Foto: CBV)

Marcelo Mendez, como o SdR mostrou em primeira mão, foi sondado pela Federação Polonesa (Foto: CBV)

Stoychev era o favorito do presidente da PZPS, Jacek Kasprzyk, mas fez tantas exigências que acabou descartado. Conhecido por seu estilo ortodoxo, Stoychev construiu sua reputação no comando do clube italiano Trentino, onde colecionou títulos – quatro mundiais e três da Liga dos Campeões da Europa. Ele dirigiu a seleção da Bulgária em 2011 e 2012, saindo antes dos Jogos de Londres por se desentender com a federação do seu país. Nos últimos meses, o búlgaro estava de olho mesmo era no cargo de técnico da seleção italiana, um velho sonho, mas viu tudo ir por água abaixo com o inesperado sucesso do novato Gianlorenzo Blengini, vice-campeão olímpico e da Copa do Mundo com a Azzurra.

Marcelo Mendez
O treinador argentino Marcelo Mendez, tricampeão mundial e tetracampeão da Superliga com o Sada Cruzeiro, esteve nos planos dos poloneses, como o SdR mostrou em primeira mão. Bem que eles tentaram, mas Mendez ficou no Sada Cruzeiro, com quem tem contrato até meados de 2019. Sonho de consumo da PZPS, o treinador, que ganhou todos os títulos possíveis à frente do clube mineiro, chegou a ser sondado, mas como não poderia conciliar as obrigações de técnico da seleção da Polônia e do Cruzeiro, ele recusou o convite para dirigir a atual campeã mundial.

Pressão
Ser técnico da seleção polonesa não é tarefa fácil. A pressão é mais intensa do que comandar, por exemplo, o Brasil, a Rússia ou a Itália. O voleibol é o segundo esporte do país, depois do futebol, mas a popularidade é bem maior do que a vista por aqui. A imprensa faz marcação cerrada.

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Antiga que o diga… O francês levou a Polônia, em casa, ao título do Mundial 2014. Contou com inúmeras contusões de brasileiros e russos, favoritos à época, além de manobras de bastidores e o providencial empurrão dos apaixonados fãs poloneses. Mesmo com a conquista, ninguém de fora exaltava a Polônia. O time tem problemas na execução do jogo, seu oposto titular, Bartosz Kurek, desaparece da partida nos momentos cruciais, e a equipe não é grande coisa sem seu saque. Não ganharam nada depois do surpreendente Campeonato Mundial, mas as cobranças dos fãs, dos jornalistas e da federação não cessaram – ao contrário, é exigida da seleção polonesa uma grandeza que ela definitivamente não tem. A eliminação na Rio 2016 foi o estopim. Stéphane Antiga caiu. Na semana passada, o francês assinou com a Volleyball Canada e vai dirigir a seleção daquele país no próximo ciclo olímpico.


Liga dos campeões começa bem para as brasileiras
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João Batista Junior

Fabíola (centro) se deu bem no duelo contra seu ex-clube (fotos: CEV)

Fabíola (centro) se deu bem no duelo contra seu ex-clube (fotos: CEV)

Com 16 clubes em ação, a fase de grupos da Liga dos Campeões feminina da Europa começou esta semana. Das quatro equipes que contam com brasileiras na competição, três terminaram a rodada com vitória. O destaque foi a vitória do Volero Zürich, da levantadora Fabíola e da ponta Mari Paraíba, na Rússia, contra o Dínamo Krasnodar.

Atual campeão da Copa CEV (segundo mais importante torneio europeu de clubes), o time russo perdeu diante de sua torcida para o Volero por 3 sets a 1 (25-15, 25-21, 25-27, 25-18). A oposta ucraniana Olesia Rykhliuk marcou 23 pontos e foi a maior anotadora da equipe suíça e da partida.

Fabíola atuou no Dínamo Krasnodar na temporada 2014/15. Por conta de uma crise financeira no clube, ela deixou o vôlei russo no começo da temporada passada e foi para o Volero Zürich. Titular, a levantadora marcou dois pontos – um no ataque, outro de bloqueio. A outra brasileira do Volero, a ponteira Mari Paraíba, não atuou.

Samara (4): 13 pontos na derrota em Moscou

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VOLEI ALBA-BLAJ
Além de Dínamo Krasnodar e Volero Zürich, estão no grupo B da competição o Dínamo Moscou e o Volei Alba-Blaj, da Romênia, time em que joga a ponteira Samara – que defendeu o Camponesa/Minas na última Superliga. A equipe romena até assustou no começo, mas, para as campeãs russas, que têm a oposta Nataliya Goncharova, a virada não tardou.

Em Moscou, o Dínamo venceu por 3 a 1 (23-25, 25-19, 25-21, 25-14). Goncharova anotou 29 pontos e foi a maior pontuadora da rodada, não só da partida. Apesar do revés, Samara teve uma boa performance no jogo. Com 13 pontos obtidos, ela foi a segunda anotadora de sua equipe, atrás apenas da meio de rede Nneka Onyejekwe, com 17. De acordo com as estatísticas da CEV, a ponteira brasileira foi a jogadora do time romeno mais visada pelo saque moscovita, efetuando 46 recepções.

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Na Copa dos Campeões, Eczacibasi pode usar força máxima

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ECZACIBASI VITRA
Vindas das fases preliminares da competição, as campeãs mundiais tiveram uma estreia bem confortável na Liga dos Campeões. Pelo grupo D, em Dresden, na Alemanha, o Eczacibasi VitrA, da central Thaisa, atropelou solenemente o Dresdner numa vitória por 3 sets a 0 (25-17 25-11, 25-21).

Como a liga turca não permite que cada equipe tenha mais do que três jogadoras estrangeiras por vez em quadra, o torneio continental é a oportunidade que o clube tem para escalar toda a sua “seleção”.

Thaisa marcou dez pontos, sendo cinco de bloqueio – o que a classificou como quinta melhor jogadora neste fundamento em toda a rodada. A maior pontuadora do Eczacibasi e da partida foi a outra meio de rede do time, a norte-americana Rachael Adams, com 15 acertos.

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Natália em ação contra o St. Raphaël

Natália em ação contra o St. Raphaël

FENERBAHÇE
Mantendo a craque sul-coreana Kim Yeon Koung no banco (ela chegou a perder três rodadas da liga turca por contusão e só voltou à quadra no último fim de semana), o Fenerbahçe contou com 14 pontos de Natália para bater o St. Raphaël, na França, por 3 sets a 0 (25-23, 25-21, 25-19), pelo grupo C. O detalhe é que a equipe da casa levou larga vantagem nos pontos de bloqueio (10 a 2), mas sofreu 52 de ataque – e só marcou 32 nesse quesito.

Jogando na entrada de rede, a atacante brasileira foi a maior pontuadora da partida e teve aproveitamento de 46% no ataque.


Campeão na Rio 2016 recebe dinheiro de clube russo dois anos após calote
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Sidrônio Henrique

Atualmente o ponteiro da seleção Maurício Borges joga na equipe turca Arkas Izmir (foto: FIVB)

A longa briga entre o ponteiro brasileiro campeão olímpico Maurício Borges e o clube russo Fakel Novy Urengov, que se arrastava havia pouco mais de dois anos, finalmente chegou ao fim. O atleta processou e ganhou a causa contra o time, que o havia contratado para a temporada 2014/2015, mas o dispensou antes mesmo da apresentação, alegando que devido a perda de alguns patrocinadores não poderia manter os estrangeiros na equipe. Na época, setembro de 2014, Borges estava com a seleção brasileira na Polônia, na disputa do Campeonato Mundial. Nesta quinta-feira (8), o ponta recebeu integralmente o valor que havia pedido, correspondente àquela temporada em que foi dispensado pelo Fakel.

O ganho de causa já havia sido dado pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB), que é quem arbitra esses casos, em agosto deste ano. Faltava receber o dinheiro. Não mais. “Estou muito satisfeito com o desfecho, foi muito importante para mim, pois não vou ficar no prejuízo”, disse Borges, campeão na Rio 2016, ao Saída de Rede.

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Jogadores ou técnicos que deixam de receber o valor definido em contrato não são raros no voleibol. Na liga russa, então, isso tem ocorrido com mais frequência nas últimas três temporadas. Nem sempre as partes chegam a um acordo e a disputa vai parar na FIVB. Os casos são avaliados por um tribunal da entidade que analisa disputas financeiras. Se a FIVB decidir que o clube deve pagar e este não o fizer, a saída é recorrer à justiça comum do país onde há o imbróglio. Como ficaria impedido pela FIVB de contratar outros estrangeiros e de disputar competições fora da Rússia, o Fakel pagou ao brasileiro.

Atualmente, por exemplo, um levantador, um líbero e um técnico brasileiros tentam receber salários atrasados de outro clube russo, numa situação que se alonga há quase dois anos e se repete com diferentes profissionais que passaram pela liga daquele país. O SdR opta por não divulgar nomes de casos em disputa para não atrapalhar eventuais acordos. Em relação a Borges, com a situação já definida, o valor é mantido em sigilo em respeito ao atleta.

Após a dispensa
Com os principais clubes do Brasil e do exterior tendo seus elencos já definidos quando foi comunicado da dispensa pelo Fakel Novy Urengov, Maurício Borges ainda conseguiu fechar com o Sesi para o período 2014/2015, mas por um valor bastante inferior ao contrato com a equipe russa. Desde a temporada passada, o ponteiro da seleção brasileira está no Arkas Izmir, clube turco treinado pelo canadense Glenn Hoag e que atualmente conta com o também ponta brasileiro João Paulo Bravo. Borges renovou com o clube para esta temporada e disputa, além do campeonato turco, a Liga dos Campeões da Europa.

Cronologia do caso
Em setembro de 2014, Maurício Borges deu entrada, por meio de seu agente e de seu advogado, ao processo na FIVB. Em junho de 2015, a Federação publicou a decisão, dando ganho de causa ao atleta, exigindo que o clube russo pagasse o valor integral do contrato pela temporada 2014/2015. O Fakel Novy Urengov recorreu. O advogado do brasileiro apresentou as contrarrazões. Em agosto de 2016, a FIVB divulgou a decisão definitiva a favor de Borges, obrigando o time russo a pagá-lo.


Estreia de brasileiros na Liga dos Campeões tem atraso e derrota de virada
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João Batista Junior

Thiago Sens, do Paris, em ação contra o Friedrichshafen (fotos: CEV)

Thiago Sens, do Paris, em ação contra o Friedrichshafen (fotos: CEV)

A fase de grupos da Liga dos Campeões masculina da Europa começou na terça-feira com cinco jogos, um deles com dois jogadores brasileiros em ação. O oposto Franco Paese e o ponteiro Thiago Sens atuaram na derrota em casa do Paris Volley para o Friedrichshafen, da Alemanha, por 3 sets a 2 (22-25, 24-26, 25-18, 25-18, 15-13). A partida foi válida pelo grupo C, que ainda terá, nesta quarta-feira, um confronto entre o Arkas Spor, da Turquia – onde jogam os pontas brasileiros Maurício Borges e João Paulo Bravo –, e o Zenit Kazan, da Rússia, atual bicampeão continental.

O jogo em Paris começou atrasado por conta de um problema na mesa de arbitragem: o sistema eletrônico de pontuação pifou e foi preciso recorrer à caneta e ao papel. O imbróglio retardou o apito inicial em 19 minutos e, até a meia-noite desta quarta-feira, pelo horário de Brasília, esta era a única das cinco partidas da terça ainda sem ter as estatísticas publicadas no site da Confederação Europeia de Vôlei (CEV).

(Curiosidade: em dois jogos este ano do Fluminense, pela Superliga feminina, a mesa de arbitragem no ginásio da Hebraica se confundiu na contagem dos pontos – o blog falou sobre isso no “sobe e desce” do último dia 29.)

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O JOGO
Quando a bola subiu, ficou claro que a ausência de um grande definidor de jogadas em ambos os times os torna muito dependentes da qualidade no passe. Quando conseguiu trabalhar com uma boa recepção, o levantador português do Paris Volley, Nuno Pinheiro, foi bem na distribuição de bola e o time da casa abriu 2 sets a 0.

Contudo, quando a linha de passe do Friedrichshafen melhorou, foi a vez de o levantador Simon Tischer poder jogar com mais opções para vencer o sistema defensivo rival, variando, inclusive, com bolas de meio fundo – jogada que o time francês utilizou com menos frequência.

O oposto Franco, que atuou na Voleisul/Paquetá na última Superliga, teve boa atuação no início do jogo, mas passou a sentir dificuldade na virada de bola, quando o passe parisiense quebrou. Já o ponteiro Thiago Sens, que defendeu a Copel Telecom Maringá na Superliga passada e jogou na reta final da superliga italiana pelo Modena, se destacou no saque, chegando a tirar de quadra o ponta belga Tomas Rousseaux graças a dois aces.

Natália vive começo instável na Turquia

OUTRAS PARTIDAS
Em que pese a tradição do país no voleibol, as equipes da Itália que entraram em quadra na terça não tiveram vida fácil.

Modena: vitória só no tie break

Modena: vitória só no tie break

Pelo grupo D, o Azimut Modena recebeu o ACH Ljubljana e precisou de cinco sets para vencer a partida. O 3 a 2 dos campeões italianos teve parciais de 25-22, 21-25, 25-19, 23-25, 15-11. O ponteiro Nemanja Petric, do Modena, obteve 22 acertos e foi o principal anotador da partida. O também ponteiro Earvin N’gapeth, que começou a partida no banco, entrou como titular a partir do terceiro set e terminou a partida com 13 pontos.

Mas, se o Modena passou apertado, pior fez o líder da atua temporada da Superliga Italiana. O Cucine Lube Civitanova jogou na Alemanha e perdeu para o Berlin Recycling Volleys por 3 a 1 (21-25, 25-16, 25-18, 26-24). Na temporada passada, a equipe berlinense se sagrou campeã da CEV Cup, segunda maior competição de clubes da Europa.

O resultado mais surpreendente do dia foi a vitória do Craiova, da Romênia, sobre o PGE Skra Belchatów, da Polônia, por 3 a 1 (30-28, 25-23, 19-25, 25-22), equipe que tem o levantador argentino Uriarte e estrelas do vôlei polonês, como os opostos Bartosz Kurek e Mariusz Wlazly e o central Karol Klos.

Roodada 7 da Superliga tem jovens opostos em alta e Taubaté em baixa

Na sequência da rodada, nesta quarta-feira, além da partida de Maurício Borges e João Paulo Bravo pelo Arkas, outro brasileiro em ação será o ponteiro Lipe: seu time, o Halkbank, recebe em Ankara a visita do Sir Sicoma Colussi Perugia, que tem na saída de rede o craque Ivan Zaytsev. Na última vez em que Lipe e Zaytsev se encontraram em quadra, um bloqueio do brasileiro sobre o italiano decidiu o destino da medalha de ouro na Rio 2016.

A Liga dos Campeões feminina da Europa só começa na próxima semana.


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