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Arquivo : Glenn Hoag

Bruno e Lucão: a caminho da Itália ou do Sesc
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Sidrônio Henrique

Lucão e Bruno na apresentação do central no Modena em outubro de 2015 (foto: Modena Volley)

Campeões olímpicos e mundiais, juntos eles têm mostrado algumas das combinações de ataque mais eficientes do voleibol – na seleção ou em clubes. Após uma temporada no Sesi, a dupla formada pelo levantador Bruno Rezende e o central Lucas Saatkamp pode desembarcar novamente no Modena, da Itália. Caso as negociações com o clube europeu não deem certo, o destino do duo deve ser o Sesc, que acaba de vencer a Superliga B e, na temporada 2017/2018, disputará a primeira divisão do voleibol brasileiro, apoiado em um dos maiores investimentos da modalidade.

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Os dois são velhos conhecidos do Modena. Ganharam o título italiano pelo clube na temporada 2015/2016. Uma crise que culminou na perda do principal patrocinador forçou a volta de Bruno e Lucão ao Brasil. A decisão foi tomada levando em conta tanto o lado financeiro quanto o pessoal – o levantador estava há duas temporadas fora do Brasil e o central aguardava o nascimento do primeiro filho. Bruno jogou o final do período 2011/2012 no clube europeu e depois retornou para duas temporadas, de 2014 a 2016. Lucão disputou a última. Além do Modena e do Sesi, os dois jogaram juntos nas extintas equipes Cimed e RJX.

Ponta João Rafael reforçará o Sesc (foto: CBV)

O interesse do Modena na dupla já havia sido abordado pela imprensa italiana, mas as negociações só começaram recentemente. O Sesc, do técnico Giovane Gavio, entra como plano B.

Segundo o Saída de Rede apurou, na próxima Superliga o time carioca terá um orçamento inferior apenas ao do Sada Cruzeiro, equipe tricampeã mundial e que busca o pentacampeonato nacional. O clube mineiro investe aproximadamente R$ 13 milhões por temporada.

Alternativa
Caso Bruno e Lucão voltem ao voleibol italiano, o Sesc teria interesse no levantador Thiaguinho, atualmente no Molfetta, da Itália, e no central campeão olímpico Maurício Souza, do Brasil Kirin. Essa seria a alternativa da equipe carioca se não puder contar com os dois que estão no Sesi.

Ponteiro Maurício Borges interessa ao clube carioca (foto: FIVB)

Quem já acertou com o Sesc, faltando apenas assinar o contrato, é o ponteiro João Rafael, também do Molfetta. Ao lado de Thiaguinho e de Maurício Souza, o ponta fez parte da seleção brasileira B que conquistou a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos 2015, em Toronto, Canadá. Tanto o levantador, na sua primeira temporada na Itália, quanto João Rafael, em seu segundo ano como um dos destaques do Molfetta, estão na lista inicial de 12 atletas convocados pelo técnico Renan Dal Zotto.

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Outro ponteiro que despertou o interesse do time do Rio de Janeiro foi mais um integrante daquela seleção B do Pan 2015. É o campeão olímpico Maurício Borges, que está há duas temporadas no Arkas Izmir, da Turquia, sob o comando do técnico canadense Glenn Hoag. Como o treinador quer manter Borges na equipe, ainda não há definição se o ponta fica na Europa ou se volta ao Brasil para o período 2017/2018.

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O Sesc renovou com três atletas que conquistaram a Superliga B: o central Tiago Barth, o oposto Paulo Victor e o levantador Everaldo.


Canadá pode complicar a vida da seleção brasileira
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Sidrônio Henrique

Canada celebrate

Jogadores canadenses comemoram a surpreendente vitória em sets diretos sobre os EUA (fotos: FIVB)

O segundo adversário do time de Bernardinho na Rio 2016 aprontou logo na estreia. Não que vencer os Estados Unidos fosse algo impossível para o Canadá, mas ninguém esperava um contundente 3-0. É justamente a seleção canadense que o Brasil encara às 22h35 desta terça-feira (9), no torneio olímpico de voleibol masculino.

Não é um time excepcional, mas tem uma organização tática invejável, um oposto matador, dois bons ponteiros (um deles, Gord Perrin, entre os melhores do mundo) e um levantador ágil e criativo, além de um líbero eficiente, enquanto os centrais cumprem seu papel (veja a escalação abaixo). Tudo isso sob a liderança do técnico Glenn Hoag, um profissional que tirou o Canadá do limbo e o tornou competitivo. O Brasil é favorito, mas é bom ter cuidado, ainda mais após a apática estreia, quando entregou um set em erros diante do bisonho México, para só depois engrenar e vencer, mas sem convencer.

Canada coach Glenn Hoag at the mix zone after the match against Canada

Glenn Hoag dirige a seleção canadense desde 2006

Ponto forte
Jogo coletivo. No final da década passada, por exemplo, o Canadá sofria de Schmitt-dependência. Quando o oposto Gavin Schmitt estava mal ou ausente, o time desandava, e mesmo a presença dele não garantia muita coisa, apesar de ser um dos melhores na posição, pois vivia sobrecarregado. Ao longo dos anos, o treinador Glenn Hoag foi desenvolvendo outros jogadores, como o ponta Gord Perrin, um atleta com muitos recursos técnicos, ou o levantador Tyler Sanders, que adicionou criatividade a um time com muito potencial. Vale ressaltar a presença do ponta Nicholas Hoag, filho do técnico, que foi o maior pontuador canadense na vitória sobre os EUA. A soma equilibrada desses talentos, apostando em um sistema defensivo sólido e um contra-ataque com muitas opções, faz do jogo coletivo sua maior força.

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Ponto fraco
Diante dos EUA o time se manteve firme, mas a seleção do Canadá é conhecida por tremer em momentos decisivos. Diante da sua torcida, na cidade de Edmonton, em janeiro, perdeu o Pré-Olímpico continental por 0-3 para Cuba, repleta de juvenis. Mais tarde, no qualificatório mundial, teve chances de vencer Polônia e Irã, mas vacilou. Viu a China virar um set praticamente perdido na partida decisiva daquele torneio, ainda que tenha reagido e batido os asiáticos. Será que superaram de vez a tremedeira e nem mesmo o Maracanãzinho lotado vai abalar os canadenses? A vitória de domingo sobre os americanos refletiu maturidade ou foi apenas mais um bom momento de um time com muito potencial, mas que acumula vários tropeços? Vamos ver.

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Qual chance de ganhar do Brasil?
Razoável. Como dissemos acima, a seleção brasileira é favorita, mas o Canadá tem voleibol para derrotar os grandes. Os americanos que o digam.

Gavin Schmitt of Canada  and Tyler Sanders of Canada

Gavin Schmitt ergue Tyler Sanders durante comemoração

Fique de olho
O Saída de Rede já falou do forte oposto Gavin Schmitt, já entrevistou o excelente ponteiro Gord Perrin, um dos destaques do Pré-Olímpico mundial. Eles, entre outros, merecem muita atenção. Mas vamos variar. Fiquem de olho no levantador Tyler Sanders. Foi com esse cara, de 24 anos e 1,91m, que o técnico Hoag conseguiu a consistência que procurava na armação das jogadas. Sem um bom levantador, dificilmente uma seleção vai longe. Sanders consegue, na maioria das vezes, deixar seus atacantes em situação favorável diante do bloqueio. Quem vê o time de perto em ação percebe o quanto os atacantes confiam nele. Isso faz muita diferença.

Elenco (em negrito, o provável time titular)

Levantadores: Tyler Sanders (camisa 1) e Jay Blankeneau (21)
Oposto: Gavin Schmitt (12)
Centrais: Justin Duff (6), Graham Vigrass (17), Rudy Verhoeff (5) e Jansen Vandoorn (11)
Ponteiros: Gord Perrin (2), Nicholas Hoag (4), Fred Winters (15) e Steven Marshall (22)
Líbero: Blair Bann (19)

Desempenho no ciclo olímpico
Na Liga Mundial o time se destacou na temporada 2013, quando foi às finais e terminou em quinto, chegando a vencer a Rússia de virada por 3-2. Com o novo formato do torneio a partir do ano seguinte, em três divisões, o Canadá foi colocado no grupo dois por causa do seu ranking. Este ano, venceram a segunda divisão com facilidade, jogando a maior parte do tempo com vários reservas, e assim farão parte da elite em 2017.

No Mundial 2014, apesar do oposto Gavin Schmitt estar contundido, o Canadá fez uma boa campanha e terminou em sétimo lugar entre 24 seleções. Ficou fora das finais ao perder para a Alemanha.

Na Copa do Mundo 2015, com doze participantes, também ficou em sétimo lugar, mas não ofereceu resistência aos chamados times de elite e ainda teve que ir ao quinto set para vencer o Egito.

Canada coach Glenn Hoag after vcitory over Portugal

Canadenses celebram título da segunda divisão da Liga Mundial 2016

No campeonato da Norceca, entre países das Américas do Norte e Central, foi vice-campeão em 2013 e conquistou o título em 2015, mas os EUA não participaram deste último.

Nos Jogos Pan-Americanos 2015, em casa, na cidade de Toronto, os canadenses decepcionaram. Iam para o ouro, sabendo que o Brasil enviaria uma equipe B e que os EUA seriam representados por uma seleção universitária. Mas caíram na semifinal, contra a Argentina, perdendo por 1-3, e terminaram com a medalha de bronze ao derrotarem Porto Rico por 3-1.

Este ano, o Canadá atingiu seu nível mais elevado neste século. A Rio 2016 marca a quarta participação olímpica do voleibol masculino canadense, que não ia aos Jogos desde Barcelona 1992. A melhor campanha foi o quarto lugar em Los Angeles 1984, equipe da qual fazia parte Glenn Hoag, como meio de rede.

O que mais rola no dia?
Além de Brasil vs. Canadá, o torcedor terá, entre as outras cinco partidas, mais três bons jogos nesta terça-feira. A segunda rodada começa às 9h30 com Rússia e Argentina. Os russos são favoritos, mas os hermanos chegaram ao Rio com disposição e na estreia marcaram 3-0 sobre o Irã – a Argentina venceu a Rússia por 3-0 este ano, na Liga Mundial, mas o time do craque Sergei Tetyukhin jogou com vários reservas. Às 15h, a embalada Itália, após atropelar os franceses, encara os Estados Unidos, que foram surpreendidos pelos vizinhos canadenses. Às 17h05 tem Polônia e Irã, outro duelo que pode ser interessante, se a equipe persa melhorar o seu ritmo. A rodada tem ainda os confrontos entre França e México, às 11h35, e entre Cuba e Egito, às 20h30. Os franceses, que pareciam ter esquecido de trazer seu voleibol para o Maracanãzinho no domingo, têm a chance de juntar os pedaços diante da fraca seleção mexicana. Já cubanos e egípcios fazem o duelo dos times mais frágeis do grupo B.

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Brasil é o principal favorito ao ouro, diz técnico do Canadá
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Sidrônio Henrique

Canada coach Glenn Hoag after vcitory over Portugal

Glenn Hoag e seus jogadores logo após a conquista da segunda divisão da Liga Mundial (fotos: FIVB)

Não faz muito tempo o Canadá estava no terceiro escalão do voleibol masculino. Se esse status mudou, a equipe deve muito ao seu técnico, Glenn Hoag, um ex-central que integrou o time canadense com melhor campanha nas Olimpíadas (quarto lugar em Los Angeles 1984) e que dirige a seleção do seu país desde 2006 e o clube turco Arkas Izmir desde 2010. Adversário do Brasil na primeira fase, o Canadá pode até não estar na elite, mas não deve ser subestimado. Apesar do grupo difícil na primeira fase, Hoag quer avançar na competição. “A partir dali será um jogo de cada vez”, afirma. Para ele, o Brasil, “com a vantagem de jogar em casa e com uma equipe habilidosa”, é o principal favorito ao ouro.

Com vitórias sobre as principais potências ao longo deste ciclo, o Canadá quase ficou de fora da Rio 2016 ao perder, em casa, a vaga do pré-olímpico continental para uma seleção cubana repleta de juvenis. Foi um baque. Cinco meses depois, de maneira mais difícil, a vaga foi conquistada no qualificatório mundial, no Japão. Após 24 anos, desde a participação em Barcelona 1992, o vôlei masculino canadense voltou aos Jogos Olímpicos, com atletas talentosos como o oposto Gavin Schmitt, o ponta Gord Perrin e o levantador Tyler Sanders. O time está na chave A do torneio, ao lado de Brasil, França, Itália, Estados Unidos e México.

A seleção canadense, que no início do mês venceu a segunda divisão da Liga Mundial e subirá para a elite em 2017, desembarca em São Paulo na próxima quarta-feira (27) e segue para Taubaté. Ficará na cidade treinando e fará dois amistosos contra a equipe local, nos dias 29 e 30. No dia 1º de agosto, o grupo viaja de ônibus para o Rio de Janeiro.

Confira a entrevista exclusiva que Glenn Hoag concedeu ao blog:

Saída de Rede – Qual o objetivo da seleção canadense na Olimpíada? Recentemente, nós conversamos com o Gord Perrin e ele disse que vem para brigar por medalha. O Canadá tem time para isso?
Glenn Hoag – A gente quer passar da fase de grupos, chegar às quartas de final. A partir dali será um jogo de cada vez. Não vai ser fácil, pois caímos em uma chave muito difícil.

Canada coach Glenn Hoag at the mix zone after the match against Canada

Ex-central, Hoag está no comando do time desde 2006

Saída de Rede – Como você avalia os adversários mais fortes na sua chave? Quem é o maior favorito ao ouro na Rio 2016?
Glenn Hoag – O Brasil é o grande favorito, conta com a vantagem de jogar em casa e com uma equipe habilidosa. Vamos ter que enfrentar o Brasil, vai ser muito difícil. A França também tem um time muito habilidoso, com um jogo cheio de variações, está ali entre os mais fortes da Olimpíada. Os Estados Unidos têm uma equipe jovem, com bons atletas em cada posição. Talvez a recepção seja o ponto fraco dos americanos, mas eles compensam com saque e bloqueio. A Itália também tem um time equilibrado, mais experiente, com alguns líderes em quadra, um pouco abaixo de Brasil e França na defesa.

Saída de Rede – Depois de ser decisivo no pré-olímpico, o oposto Gavin Schmitt disputou apenas uma partida em onze na Liga Mundial. Ele retomou o tratamento para se recuperar da cirurgia na tíbia a que foi submetido em janeiro e assim chegar bem aos Jogos Olímpicos?
Glenn Hoag – O Gavin estava muito cansado, realmente exausto depois do pré-olímpico no Japão. Nós decidimos dar um descanso a ele, que só jogou uma partida na fase inicial da Liga Mundial e porque estava na sua cidade natal, Saskatoon. Desde então ele começou uma preparação individual no nosso centro de treinamento, em Gatineau, e esta semana se juntou ao grupo.

Pilates e análise de urina: a preparação da seleção que você não vê

Saída de Rede – Durante várias temporadas Schmitt foi a bola de segurança do time, porém recentemente Gord Perrin passou a dividir a carga com ele. Você diria que o trio composto Schmitt, Perrin e pelo levantador Tyler Sanders dá sustentação ao time?
Glenn Hoag – Isso tudo é resultado do amadurecimento do grupo. Por meio das experiências individuais eles têm amadurecido e trazido isso para a equipe. Além do Gavin, eu diria que Gord Perrin, Tyler Sanders, Nicholas Hoag (ponta), Steve Marshall (ponta) e Graham Vigrass (central) são hoje elementos-chave do nosso sucesso. O melhor de tudo é que temos vários jogadores jovens sendo trabalhados para um futuro próximo.

Saída de Rede – O oposto reserva Dallas Soonias não jogou este ano. Ele estará no Rio ou mais uma vez você terá que improvisar um substituto para Gavin Schmitt nas inversões ou em qualquer eventualidade?
Glenn Hoag – Dallas não está mais com a equipe, os joelhos dele já não aguentavam mais e ele deixou o esporte. Gavin será o nosso único oposto de ofício. Se necessário, vamos recorrer ao (central) Rudy Verhoeff para que jogue na saída de rede ou então vamos utilizar um sistema híbrido.

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Saída de Rede – Você concorda que com Tyler Sanders finalmente foi possível estabelecer um estilo de jogo consistente com um levantador, entre os vários que passaram pela seleção desde 2006? Que a segurança que ele transmite aos atacantes confere maior solidez ao time canadense?
Glenn Hoag – Sanders é um jovem muito inteligente. Ele teve dificuldade em encontrar um clube no qual ele pudesse crescer e desenvolver seu talento. Na próxima temporada ele vai jogar comigo, em Izmir. Ele ainda é muito novo, mas tem habilidade e uma condição física muito boa, uma postura legal, então eu acho que ele se tornará um levantador excelente em alguns anos. Nós vamos trabalhar para polir o jogo dele em todos os aspectos.

Saída de Rede – O Canadá venceu a segunda divisão da Liga Mundial com folga, até poupou vários titulares na maioria dos jogos. No entanto, ter enfrentado somente times cujo nível era claramente inferior ao da sua seleção, na reta final da preparação para a Olimpíada, não foi prejudicial?
Glenn Hoag – Não tivemos escolha nem tempo para amistosos, tínhamos que enfrentar aqueles times. Mas houve algo importante, ver o amadurecimento do grupo. Num passado recente nós teríamos perdido algumas partidas contra aquelas equipes e agora ganhamos mesmo com um oposto improvisado, pois não havia ninguém dessa posição à disposição. Depois da Liga Mundial (o Canadá bateu Portugal na final) nós focamos na preparação específica para os nossos adversários no Rio.

O que os cortes representam no time de Bernardinho?

O treinador chora após a classificação para a Rio 2016

Saída de Rede – Você começou seu trabalho como técnico da seleção em 2006. Que tipo de dificuldade enfrentou para elevar o nível do time ao padrão atual?
Glenn Hoag – A maior dificuldade é que o voleibol não é um esporte popular no Canadá, não há uma cultura em torno dele, como no caso do hóquei sobre o gelo. Nós não temos uma liga profissional, então os nossos jogadores mais jovens não jogam e treinam como deveriam, exceto por uns poucos que fazem do vôlei sua profissão desde cedo, mas na maioria dos casos eles são atletas-estudantes, então o desenvolvimento de um jogador dessa modalidade no Canadá acaba sendo demorado e isso se reflete na seleção.

Saída de Rede – Após três tentativas e dois ciclos completos, você conduziu o time às Olimpíadas. O que essa classificação para a Rio 2016 representa na sua carreira?
Glenn Hoag – A classificação pro Rio foi um momento marcante da minha carreira de técnico, porém o mais importante foi como chegamos lá e o que vamos fazer daqui em diante. Eu sempre procuro não me prender ao passado, mas quando nós atingimos metas importantes eu faço questão de agradecer a todos que me ajudaram a conseguir algo.

Saída de Rede – Quando termina seu contrato com a Volleyball Canada (organização responsável pela modalidade no país)? Vocês já conversaram sobre renovação ou depende do resultado no Rio?
Glenn Hoag – Meu contrato termina depois da Olimpíada e eu decidi não renovar. Vou focar no meu clube, em Izmir, na Turquia. Já são dez anos com a seleção, está na hora de relaxar um pouco durante o verão, quando não estou com o clube. Sabe como é, estou ficando velho (risos).

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Destaque canadense tem interesse na Superliga e quer medalha no Rio
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Sidrônio Henrique

O ponta Gord Perrin foi o maior pontuador do Pré-Olímpico Mundial disputado no Japão (fotos: FIVB)

Durante anos o oposto Gavin Schmitt foi a principal referência na seleção do Canadá. O veterano continua em alta, mas o time já não depende só dele para seguir adiante. Aposta do técnico Glenn Hoag desde os tempos de juvenil, o ponteiro John Gordon Perrin, 26 anos, 2,01m, é um dos pilares de uma equipe que se classificou para a Rio 2016 exibindo muitas qualidades e que será adversária do Brasil no Maracanãzinho em agosto.

Gord Perrin, que foi o maior pontuador e o segundo ponteiro mais eficiente no ataque no Pré-Olímpico Mundial, não quer fazer figuração na Rio 2016, quer medalha. Estar no grupo da morte, como ele define a chave com a presença de potências como Brasil, Estados Unidos, França e Itália, não assusta esse canadense que preferia o basquete quando adolescente, mas que mudou de ideia e até influenciou sua irmã, Alicia, meio de rede que acabou de disputar a segunda divisão do Grand Prix.

Depois de quatro anos jogando na Turquia e de um na Itália, ele seguirá para a Polônia na próxima temporada, vai jogar pelo Resovia Rzeszow. Mas o Brasil está nos seus planos. “Eu conversei algumas vezes com o Fred Winters sobre a experiência dele na liga brasileira e ele sempre falou coisas positivas. Eu gostaria de um dia jogar em um clube brasileiro”, afirma Perrin.

Confira a entrevista que o ponta concedeu ao Saída de Rede:

Saída de Rede – Como foi que o vôlei entrou na sua vida, quando começou a pensar nesse esporte como algo mais sério, a ponto de se tornar um jogador profissional? Sua irmã também joga. Voleibol está no sangue dos Perrin?
Gord Perrin – Sim, minha irmã também joga vôlei, nós crescemos praticando todo tipo de esporte quando crianças. Nossa família não é ligada ao voleibol, foi algo que surgiu por acaso. Na verdade, quando adolescente eu preferia jogar basquete, mas acabei praticando vôlei em um nível mais alto e a minha irmã seguiu os meus passos. Eu diria que passei a ver esse esporte de uma forma mais séria quando entrei para a universidade e fui convocado para a seleção juvenil. Aconteceu tão rápido, fui jogar profissionalmente no exterior.

Na adolescência ele preferia o basquete (Reprodução/Instagram)

Saída de Rede – Você é considerado um ponteiro completo, com muita regularidade. Qual seria sua maior deficiência?
Gord Perrin – Sempre tive orgulho em buscar ser completo, tentar ser bom em todos os aspectos do jogo. Eu vejo como algo de extrema importância no voleibol moderno ser bom em todos os fundamentos. Ainda procuro ser um sacador melhor, então diria que essa é a minha maior fraqueza. Também tenho trabalhado muito para melhorar minha defesa, quero estar entre os melhores nesse fundamento.

Saída de Rede – Falta de patrocínio, pouca atenção da mídia, baixa exposição no sistema escolar e nas universidades… Há muitos fatores interligados provocando a baixa popularidade dessa modalidade no Canadá. O que mais falta ao voleibol no país?
Gord Perrin – Aqui os esportes mais populares são aqueles que envolvem contato, como hóquei, futebol canadense (variação do americano), depois vem o basquete. Acho que é muito para o fã de esportes em geral acompanhar tantas modalidades. Nós passamos a receber mais apoio nos últimos cinco anos a partir do momento em que melhoramos nossos resultados. Espero que continuemos a crescer e que o vôlei conquiste mais espaço aqui no Canadá.

Perrin tenta salvar uma bola enquanto se desvencilha de Gavin Schmitt

Saída de Rede – Qual foi o peso das derrotas sobre a equipe, desde a tentativa de se classificar para Londres 2012 e outras pelo caminho, até chegar a essa classificação para a Rio 2016? Como você sentiu aquela derrota para Cuba, em janeiro deste ano, quando os canadenses eram favoritos para a vaga na Olimpíada do Rio?
Gord Perrin – Perder daquele jeito em Edmonton (no Pré-Olímpico continental) foi, de longe, a derrota mais dolorosa da minha carreira. Nós tínhamos expectativas tão altas, jogávamos em casa, com um ginásio cheio de fãs nos apoiando… Eu acho que sentimos a pressão e alguns jogadores não conseguiram jogar soltos.

Saída de Rede – Você acredita que, de algum modo, a derrota em Edmonton teve seu lado positivo, pois vocês foram forçados a treinar logo após a temporada de clubes para conseguir a vaga olímpica no qualificatório mundial, tiveram que se superar depois de um fracasso?
Gord Perrin – Sim, foi o caminho mais difícil, mas aprendemos muita coisa sobre nós mesmos enquanto equipe, fortaleceu o nosso caráter e no final provamos que deveríamos estar nas Olimpíadas.

Saída de Rede – A seleção canadense de vôlei masculino volta aos Jogos Olímpicos depois de 24 anos. Como a imprensa repercutiu a classificação e como isso foi recebido pelos fãs? Você acredita que há alguma chance do voleibol se tornar mais popular no país por causa da presença de vocês na Rio 2016?
Gord Perrin – Os fãs canadenses de vôlei estão muito animados com os nossos resultados e pela chance de ver a seleção numa Olimpíada. Sem dúvida, eu acho que aqueles que não conhecem bem ou não curtem o voleibol aqui no país vão acabar nos vendo nos Jogos Olímpicos e isso pode influenciar positivamente. É um evento gigantesco e todo mundo adora acompanhar, independentemente da modalidade. Acredito que estar nas Olimpíadas vai atrair muita gente no Canadá para esse esporte.

Saída de Rede – Como vocês se sentiram tendo que aguardar o resultado da partida entre Polônia e Austrália após terem derrotado a China na última rodada do Pré-Olímpico para a confirmação da vaga? E como se sentiram ao ver a seleção polonesa entrando em quadra com um time reserva?
Gord Perrin – Foi o momento de maior estresse da minha vida… Estávamos tão nervosos antes do jogo deles começar. A Polônia é uma equipe muito forte, os substitutos são tão bons quanto os titulares, mas você nunca sabe como vai se comportar um time que já está classificado. Mas assim que a partida começou, nós ficamos aliviados ao ver os poloneses jogando em alto nível, vencendo como deveriam.

Saída de Rede – Muito ansioso diante da proximidade da Olimpíada?
Gord Perrin – Voltamos nossa atenção para alcançar a melhor forma quando chegar a hora de competir no Rio de Janeiro. Nossa meta é chegar às semifinais e disputar uma medalha. É um objetivo ambicioso, muito difícil, mas estaremos prontos quando chegar a hora.

O ponta está na seleção principal desde os tempos de juvenil

Saída de Rede – O Canadá esteve muito perto de surpreender a Polônia e quase derrotou o Irã no Pré-Olímpico Mundial, perdeu essas duas partidas no quinto set. Ao longo desse ciclo, a seleção canadense mostrou que pode jogar de igual para igual com potências como Rússia, Brasil e Estados Unidos. Porém, também teve momentos ruins, apresentou muitos altos e baixos, mais do que o aceitável para um time que quer ascender à elite. Como você explica essas oscilações?
Gord Perrin – Uma das principais razões foram as lesões. Nós não temos um substituto à altura na saída de rede para o Gavin Schmitt, e ele esteve ausente na maior parte do tempo em duas temporadas por causa de contusões sérias, teve de encarar mais de uma cirurgia. Mesmo assim tivemos momentos em que mostramos que podemos jogar em alto nível, alguns jogadores mais jovens se desenvolveram ao longo do ciclo. Esses últimos anos foram importantes para o crescimento do nosso jogo, para apresentarmos um voleibol mais completo. Agora que o Gavin voltou e está em forma, somos uma equipe muito perigosa.

Saída de Rede – Vocês estão na segunda divisão da Liga Mundial, enfrentando alguns adversários cujo nível é baixo. Como isso pode afetar o ritmo da equipe com tão pouco tempo até a Rio 2016?
Gord Perrin – Alguns jogadores ganharam folga depois de emendar a temporada de clubes com o qualificatório no Japão. No começo da Liga Mundial algumas formações serão testadas e na sequência (esta semana) o time estará completo para três partidas em casa (a seleção canadense enfrentará Coreia do Sul, China e Portugal na cidade de Saskatoon). Vamos usar esses jogos e os demais para fazer alguns ajustes.

Saída de Rede – O Canadá caiu na mesma chave de Brasil, Estados Unidos, França e Itália, além do México. Como você avalia as chances de avançar às quartas de final, uma vez que disse que pensam em medalha?
Gord Perrin – Caímos no grupo da morte. Esses quatro primeiros times que você citou são da elite do esporte e certamente serão quatro jogos muito difíceis. No entanto, acreditamos que temos o necessário para desafiar qualquer equipe do mundo, vamos ao Rio para apresentar o nosso melhor voleibol e aí veremos se será o suficiente para passar da primeira fase. Nossa meta é mesmo disputar uma medalha.

Seleção canadense comemora vitória no Pré-Olímpico

Saída de Rede – O técnico Glenn Hoag te convocou para a seleção A quando você ainda era um juvenil, no final da década passada. Você demonstrava ter técnica e muito potencial, mas faltava potência no ataque. Como você resolveu esse problema? E o quanto Glenn foi importante no seu desenvolvimento como atleta? Pois além da seleção você treinou sob o comando dele por quatro anos no Arkas Izmir, da Turquia.
Gord Perrin – É verdade, quando eu cheguei ao time principal eu tinha um problema com a falta de potência, com meu condicionamento físico. Eu trabalhei esses aspectos durante um ano no nosso centro de treinamento (na cidade de Gatineau) para me tornar mais forte e ter a forma apropriada para jogar em alto nível. Quando eu fui para a liga turca, sob o comando do Glenn, ele me ajudou ainda mais a desenvolver minhas habilidades, além de me ensinar muito sobre o jogo. Trabalhei duro para melhorar meu ataque e vi a evolução a cada ano, tive boas temporadas com o Arkas Izmir, pude disputar a Liga dos Campeões da Europa e vencer a liga turca duas vezes.

Saída de Rede – Jogar na liga italiana, pelo Piacenza, acrescentou muito ao seu jogo?
Gord Perrin – Jogar na Itália foi muito importante para mim. A liga turca não é tão forte, tem poucos times bons. Já na Itália toda semana você disputa uma partida de alto nível, com saques e ataques muito fortes na maioria das equipes. Tive a chance de jogar ao lado de jogadores muito experientes e pude aprender com eles.

Saída de Rede – Na próxima temporada você vai para o Resovia Rzeszow, um dos clubes mais fortes da Polônia. O que você espera daquela liga?
Gord Perrin – Desde que disputei minha primeira partida na Polônia tem sido um sonho meu jogar na liga deles, a PlusLiga. A paixão que eles têm pelo voleibol, os fãs, são coisas que você não vê na maioria dos países. O Resovia é um dos times mais fortes do mundo e eu vou para lá para ajudar a brigar por títulos.

Perrin passando durante a Copa do Mundo 2015

Saída de Rede – Nós tivemos dois canadenses na Superliga, Fred Winters e Gavin Schmitt. Ainda que o Gavin não tenha ficado sequer uma temporada com o clube, por causa de seus problemas físicos na época, o Fred se adaptou facilmente ao estilo do voleibol brasileiro e ficou aqui por dois anos. Já considerou a possibilidade de jogar no Brasil? Que referências você tem dos fãs brasileiros?
Gord Perrin – Eu conversei algumas vezes com o Fred sobre a experiência dele na liga brasileira e ele sempre falou coisas positivas. Na minha primeira Liga Mundial nós estivemos no Brasil (na cidade paulista de São Bernardo do Campo), jogando diante de um ginásio cheio, foi incrível. Eu gostaria de um dia jogar em um clube brasileiro.

Saída de Rede – Você imagina como será enfrentar o Brasil numa Olimpíada, com torcida contra, em um ginásio lotado?
Gord Perrin – Enfrentar o Brasil nos Jogos Olímpicos, em pleno Rio de Janeiro, certamente será uma experiência que jamais vou esquecer. Eu estou muito animado para ir ao Brasil para a Olimpíada e acredito que o torneio de voleibol masculino será fantástico.

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Quem é quem na chave do Brasil no masculino na Rio 2016
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Sidrônio Henrique

Confirmados os grupos do torneio de vôlei masculino das Olimpíadas pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB), o Saída de Rede traz uma análise dos oponentes que o Brasil terá na primeira fase, em agosto, no Maracanãzinho, em busca do tricampeonato.

O Brasil está no grupo A, ao lado de Estados Unidos, França, Itália, Canadá e México. Na chave B estão Rússia, Polônia, Irã, Argentina, Cuba e Egito.

Vamos aos adversários dos brasileiros na etapa inicial:

Anderson é um dos melhores do mundo (fotos: FIVB)

Estados Unidos
Os EUA, do ponta/oposto Matt Anderson e do levantador Micah Christenson, são uma seleção quase completa. Por que quase? A menos que o veterano ponteiro Reid Priddy esteja em condições de jogar como titular, a linha de passe fica comprometida, pois na entrada de rede o saltador Tyler Sander não domina a recepção como seus demais colegas – ainda assim, ele representa mais uma opção segura no ataque. Fora isso, é um time fortíssimo, com um dos melhores jogadores do mundo, Anderson, e um levantador que a cada ano demonstra mais consistência, Christenson.

Campeões da Liga Mundial 2014, bronze na edição de 2015 e campeões da Copa do Mundo 2015, os americanos querem reviver a glória do ouro olímpico conquistado em Los Angeles 1984, Seul 1988 e Pequim 2008. Há quatro anos, tinham um bom time, muito bem estruturado, mas caíram nas quartas de final para a Itália, que encaixou seu saque como nunca. Saiu Alan Knipe e entrou John Speraw, que estava com a seleção B, como treinador da principal. Os EUA são um forte candidato ao ouro.

N’gapeth lidera a seleção francesa

França
A França… Ah, a França… Qualquer fã de voleibol que não estivesse isolado do mundo nos últimos dois anos deve ter escutado muito a respeito do genial ponteiro Earvin N’gapeth e seus sensacionais companheiros. Sim, a seleção francesa merece os elogios que tem recebido, joga de forma veloz, variada e com um sistema defensivo invejável. Vale mencionar também os craques Jenia Grebennikov (líbero), Benjamin Toniutti (levantador, o favorito deste que vos escreve na posição) e Kevin Le Roux (central). Ressalte-se ainda a evolução do ponta Kevin Tillie e do central Nicolas Le Goff e diga-se também que o bom oposto Antonin Rouzier encaixa-se à perfeição no esquema estruturado pelo técnico Laurent Tillie. Pronto, temos um timaço.

O leitor pode perguntar que França era aquela que acabou de disputar o Pré-Olímpico Mundial. Ora, era uma equipe desgastada pela temporada de clubes, especialmente N’gapeth, e que sabia de antemão que para conquistar uma das quatro vagas não seria preciso engatar a quinta marcha. A Rússia havia provado mais cedo, no qualificatório continental, em janeiro, que os franceses não são imbatíveis – a equipe de Laurent Tillie vinha cheia de moral depois dos títulos da Liga Mundial e do Campeonato Europeu, ambos em 2015.

A França tem alguns problemas. As atitudes às vezes infantis ou até irresponsáveis de Earvin N’gapeth podem por tudo a perder. Foi assim contra a Polônia no Pré-Olímpico, quando a França tinha o jogo nas mãos para fechar em 3-0, desperdiçou quatro match points e tomou a virada. Mas o principal senão é a falta de um banco de reservas que possa manter o ritmo – os veteranos sentem o peso da idade e os novatos ainda não vingaram. Les Bleus são mesmo um time de sete jogadores. Ainda assim, podem subir no lugar mais alto do pódio. A França jamais chegou às semifinais em suas três participações anteriores, mas nunca foi tão bem cotada.

Juantorena estreou na Azzurra em 2015

Itália
Quando tinha apenas Ivan Zaytsev, fosse na entrada ou na saída de rede, a Itália exigia cautela dos oponentes. A chegada, em 2015, do ponteiro cubano naturalizado italiano Osmany Juantorena, um dos mais completos e melhores do mundo, tornou o time bem mais perigoso ou, para citar o técnico brasileiro Bernardo Rezende, “uma equipe muito mais interessante”. Zaytsev foi definitivamente deslocado para a posição de oposto. Some-se aos dois craques a desenvoltura do levantador Simone Giannelli, que completará 20 anos durante as Olimpíadas, mas que joga com a segurança de um veterano.

A Itália mudou de técnico na temporada passada, logo depois do término da Liga Mundial, antes da Copa do Mundo, onde foi vice-campeã. Saiu o conservador Mauro Berruto, que brigou com alguns atletas, e entrou Gianlorenzo Blengini. É verdade que houve pouco tempo para que o novato aplicasse seus conceitos, mas ninguém pode negar que ele fez bom uso, pelo menos até aqui, do seu trio principal e de outros bons jogadores. Uma vantagem da Azzurra é que é um time que sabe sacar. Poucas equipes têm um rendimento tão bom no saque, o que já os salvou diversas vezes. Está um pouco abaixo de Brasil, EUA e França, mas a diferença é mínima e não se pode descartá-la como candidata ao inédito ouro olímpico – os italianos acumulam duas pratas, dois bronzes e desde Atlanta 1996 estão nas semifinais das Olimpíadas.

Perrin é o principal ponteiro canadense

Canadá
Os canadenses vêm para sua quarta participação olímpica, interrompendo uma espera que durava 24 anos, desde Barcelona 1992. A melhor campanha deles foi em Los Angeles 1984, quando terminaram em um honroso quarto lugar. O atual técnico da equipe, Glenn Hoag, era meio de rede naquele time. Hoje ele é um estrategista, que criou um sólido sistema defensivo, elogiado até mesmo pelo exigente Bernardinho.

A seleção canadense tem seu trio de sustentação no oposto Gavin Schmitt, no ponta Gord Perrin e no levantador Tyler Sanders. O oposto teve uma passagem relâmpago pelo Brasil na Superliga 2015/2016, quando jogou apenas um set e voltou ao seu país para ser operado, devido a uma fratura por estresse na tíbia. Recuperou-se em três meses, a tempo de ajudar sua equipe a conseguir a vaga no Pré-Olímpico Mundial. Perrin foi uma aposta de longo prazo de Hoag, que o convoca para a equipe principal desde os tempos de juvenil – atualmente tem 26 anos. Ele é hoje um dos melhores pontas do mundo e na próxima temporada fará companhia a Schmitt no Resovia Rzeszow, clube polonês. Sanders é seguro na armação, tem velocidade e variedade – vai para a liga turca, jogará sob a batuta de Hoag no Arkas Izmir.

O restante do time varia entre bom e razoável, mas a estrutura montada por Glenn Hoag permite aos canadenses sonhar em incomodar os grandes. O problema da equipe é a oscilação. Neste ciclo, por exemplo, o Canadá derrotou a Rússia nas finais da Liga Mundial 2013, mas conseguiu perder, em casa, para os juvenis cubanos na disputa do Pré-Olímpico continental – mesmo sem contar com Schmitt, foi surpreendente, ainda mais em sets diretos. Os canadenses estão um degrau abaixo dos quatro mais fortes da chave, mas é bom não subestimá-los. Se Perrin e Schmitt estiverem num bom dia, sai de baixo – os dois foram, respectivamente, primeiro e segundo maiores pontuadores do qualificatório mundial, ficando entre os dez primeiros em eficiência.

Jogadores mexicanos comemoram a classificação

México
O México foi presenteado com uma vaga que surgiu em uma repescagem que nunca foi explicada pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB). Injustiças à parte, eles entraram em quadra, na Cidade do México, e conseguiram o bilhete para as Olimpíadas – será sua segunda participação, após a de 1968 como país-sede. O que têm a oferecer? Pouco. É a equipe mais fraca do torneio. Se conseguirem arrancar um set de qualquer um dos cinco adversários, já podem se dar por satisfeitos. Erram muito, pecam em todos os fundamentos.

Antes da repescagem, eles disputaram, também em casa, a desprestigiada Copa Pan-Americana. Acabaram na quarta colocação, abaixo das seleções sub23 de Cuba e Argentina, campeã e vice, respectivamente, e ainda da equipe B do Canadá. Os mexicanos virão ao Rio de Janeiro para ganhar experiência.

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França se redime e passa sem susto pelo Irã
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João Batista Junior

O bloqueio foi o fundamento mais destacado da França na vitória sobre o Irã (fotos: FIVB)

O bloqueio foi o fundamento mais destacado da França na vitória sobre o Irã (fotos: FIVB)

Quando trocou o espetáculo pela eficiência e o sorriso gratuito pela relação entre bloqueio e defesa, a França venceu o Irã por 3 sets a 0, com parciais de 25-20, 25-18, 25-22, pelo Pré-Olímpico Mundial. Sem as oscilações da vitória contra a China nem a displicência da derrota para a Polônia, os franceses jogaram para vencer sem imprevistos. O nome da partida foi o ponteiro Kevin Tillie, discreto e eficiente, como foi o voleibol do time na madrugada desta terça-feira.

O Irã atuou desfalcado do oposto Amir Ghafour, com dores no joelho. A ausência de seu maior pontuador na competição, se foi sentida pela equipe, não transpareceu nos números: Shahram Mahmoudi foi o titular da saída de rede, fez 19 pontos e foi o principal anotador da partida. A questão é que os iranianos encararam a melhor apresentação da França no torneio.

Earvin N’gapeth, com 8 pontos, nem precisou se desdobrar. O oposto Antonin Rouzier, com 18 anotações, e o ponteiro Kevin Tillie, com 13, foram os principais pontuadores do time. Destacaram-se também os centrais Le Roux e Le Goff, cada um com 3 pontos de bloqueio, fundamento em que os Bleus golearam por 11 a 2.

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O 3-0
Depois de um começo equilibrado na primeira parcial, a França começou a deslanchar a partir de um bloqueio simples de Le Roux sobre o central Seyed Mousavi. A partir daí, com 11 a 10 no placar para os europeus, o sistema defensivo francês ajustou-se ao ataque adversário e dominou as ações. Mesmo sem um saque que tirasse o passe da mão do levantador Marouf, a França abriu uma diferença tranquila para chegar à reta final do set sem ser perturbada.

No segundo set, o time comandado por Laurent Tillie construiu a vantagem vencedora aos poucos. O placar dilatado foi mérito de quem recebeu de bom grado os erros cometidos pelo Irã no saque, aproveitou as oportunidades que surgiam em contra-ataques e, sobretudo, bloqueou.

O Irã, no terceiro set, se empolgou com um ace do ponteiro Ebadipour e começou a quebrar o passe francês. A vantagem era de 12 a 8 para os adversários quando os campeões da Europa pediram tempo. Ao cabo das instruções do treinador, o jogo voltou ao ritmo dos sets anteriores.

A França se aproximou sorrateiramente, sem uma sequência de saques que mereça registro, mas eficiente na defesa e no contra-ataque. Numa bola de sorte, Rouzier atacou com ajuda da rede e empatou o set em 16-16. A virada, em 20-19, veio com novo contragolpe do jogador da saída de rede, que foi o nome do set. Num triplo sobre Mahmoudi, a França abriu 23-21 e fechou a partida numa cortada de Kevin Tillie.

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Gordon Perrin foi o maior pontuador do Canadá na primeira vitória da equipe no Pré-Olímpico

Gord Perrin foi o maior pontuador do Canadá na primeira vitória da equipe no Pré-Olímpico

Enfim, uma vitória canadense
O Canadá gosta mesmo de se complicar. Pelo menos desta vez saiu de quadra com a vitória, a sua primeira em três jogos. Depois de perder para Polônia e Irã no tie break, novo quinto set contra os australianos, mas com desfecho favorável para os canadenses (25-19, 24-26, 20-25, 29-27, 15-11). Detalhe: o time havia vencido o primeiro set e liderava o segundo por 24-22 quando levou quatro pontos seguidos. No 24-23, o Canadá tomou um ace numa bola que ia claramente para fora, deixando de fazer 2-0.

Dois fatores atrapalharam a vida dos americanos do norte. Um deles foi a quantidade de erros, alguns infantis (o levantador reserva entra em quadra no final do terceiro set e, na primeira jogada, enfia a mão na rede tentando uma bola de segunda), totalizando 31 – o adversário cometeu 21. O outro foi o oposto australiano Thomas Edgar, que deu o ar da graça depois de ficar a maior parte do tempo no banco na derrota por 0-3 para o Irã na estreia e de jogar para o gasto na vitória de 3-1 sobre a insossa Venezuela. Na noite passada, ele foi o nome do jogo, apesar da derrota australiana. Sem demonstrar sinais de incômodo com o estiramento abdominal que sofreu há algumas semanas e que claramente o atrapalhava até a partida do final de semana contra os venezuelanos, Edgar marcou 33 pontos, sendo 31 de ataque, com aproveitamento de 62% – marca admirável em condições normais, ainda mais na atual situação, em que ele jogou com uma proteção no abdômen.

Pelo Canadá, o nome do jogo foi o eficiente ponteiro Gord Perrin, o melhor da entrada de rede em sua equipe, com 25 pontos, 23 deles no ataque, eficiência de 54,8%, muito boa para quem compõe a linha de passe. Aposta do técnico Glenn Hoag desde os tempos de juvenil, aos 25 anos Perrin se destaca no time, ao lado levantador Tyler Sanders, além é claro da estrela do time, o oposto Gavin Schmitt, que fez sua pior apresentação até aqui, mas ainda assim marcou 23 pontos. Outro que assinalou 23 pontos foi o ponteiro Nicholas Hoag, que foi irregular no ataque, mas compensou no saque, marcando sete aces e complicando o passe australiano outras tantas vezes.

O Canadá chega a quatro pontos e tem pela frente a obrigação de vencer três jogos, contra Venezuela, Japão e China, podendo até perder para os favoritos franceses. Se cair diante de mais alguém, vai depender de resultados alheios.

A Austrália, que também tem quatro pontos, ainda vai encarar poloneses e franceses – vencê-los soa como uma missão quase impossível. Tem chances contra Japão e China, seus outros adversários, mas começa a depender de uma combinação de resultados. Hoje, além da verdadeira estreia de Thomas Edgar, o time bloqueou melhor e cometeu menos erros, mas talvez tenha acordado tarde.

Outros resultados
A China venceu a Venezuela por 3 sets a 0 (25-16, 25-18, 25-15) e chegou a duas vitórias e seis pontos no Pré-Olímpico. Se, por um lado, os representantes da América do Sul, ainda sem nenhum ponto, têm chance apenas matemática de classificação, por outro, os chineses, que ainda terão Polônia, Irã, Austrália e Canadá pela frente, podem sonhar tanto com o bilhete asiático para a Rio 2016 quanto com uma das três vagas de ampla concorrência em disputa.

A Polônia fez sua obrigação e despachou o time da casa por 3-0 (25-22, 25-16, 25-23), liderando o torneio com sete pontos, o mesmo total dos franceses, mas os europeus do leste têm três vitórias, contra duas do time de N’gapeth. O Japão, que na segunda rodada foi sido surpreendido pela China, sabe que só pode perder para a França, cujo nível é bem superior ao seu. Diante de Austrália, Canadá e Irã, se cair, provavelmente dará adeus a Rio 2016. Na partida entre poloneses e japoneses, o destaque foi o veterano central Marcin Mozdzonek, maior pontuador, com 13, sendo nove no ataque e quatro no bloqueio.

Quarta rodada
O Pré-Olímpico Mundial prossegue desta terça para quarta-feira, com quatro jogos, todos transmitidos pelo canal da FIVB no YouTube. Veja a tabela da quarta rodada, com horário de Brasília:

22h10 – Canadá x Venezuela (terça-feira)
0h55 – França x Austrália
3h40 – China x Polônia
7h15 – Japão x Irã

* Colaboraram Carolina Canossa e Sidrônio Henrique

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Canadenses da Superliga têm destinos opostos no Pré-Olímpico
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Sidrônio Henrique

Schmitt teve passagem rápida pelo Funvic Taubaté (fotos: FIVB)

O Canadá causou surpresa quando perdeu a chance de se classificar para a Rio 2016 ao ser derrotado por Cuba no Pré-Olímpico da Norceca (Confederação da América do Norte, Central e Caribe), em janeiro. Mas agora, mesmo diante de uma tarefa mais complicada no Pré-Olímpico Mundial, a equipe mantém a confiança em alta, especialmente pela volta do oposto Gavin Schmitt, que no início do ano passou por uma cirurgia devido a uma fratura por estresse na tíbia. Ele deveria ter sido titular do Funvic Taubaté na Superliga 2015/2016, mas teve de deixar o clube, em comum acordo, por causa do problema físico que o impedia de jogar. Já o ponteiro Fred Winters, que nas duas últimas temporadas era do multicampeão Sada Cruzeiro, foi cortado da seleção e não disputará o qualificatório.

“Estamos prontos, em melhor forma do que estávamos em janeiro. Gavin está de volta e Nicholas (Hoag, ponta) também, o que nos ajuda muito na estratégia de ataque e de saque”, disse ao Saída de Rede o técnico Glenn Hoag.

Pela primeira vez desde que estreou no time nacional em 2003, o ponteiro Fred Winters está fora, ele que há um mês foi dispensado do Sada Cruzeiro, após o final do período 2015/2016. “Decidi não incluir Winters entre os 14 que vão jogar no Japão”, completou o treinador, justificando a decisão por critérios meramente técnicos, mas sem revelar detalhes. O ponta era reserva na seleção havia alguns anos.

Winters jogou duas temporadas pelo Sada Cruzeiro

Outras ausências, essas devido a contusões, são do oposto reserva Dallas Soonias e do levantador Dustin Schneider. Veteranos, ambos integravam o time canadense desde a década passada. Sem Soonias ou outro atacante de saída de rede além de Schmitt na lista de 14 atletas, é fácil deduzir que a função, nas inversões, será feita por um dos cinco centrais convocados, mas Glenn Hoag desconversa. Schneider vinha se revezando na armação com Tyler Sanders nas competições mais recentes. Este último assume a condição de titular, com Jay Blankenau como suplente.

Bola de Segurança
O que realmente anima o técnico é a volta de Gavin Schmitt. Não à toa. Em uma equipe boa tecnicamente, com “jogadores interessantes” (como apontou Bernardinho durante o Mundial 2014), o oposto de 30 anos e 2,08m faz a diferença ao disparar mísseis de uma altura de até 3,72m, seu alcance máximo no ataque. É a bola de segurança. Sem ele, o time cai bastante ofensivamente.

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A falta de ritmo é a maior ameaça ao seu desempenho, uma vez que Hoag garante que a condição física de Schmitt não é mais problema. A última competição dele foi a Copa do Mundo, em setembro de 2015, quando o Canadá ficou em sétimo lugar entre 12 países. Na sequência ele se apresentou ao Funvic Taubaté, seria o grande reforço do clube paulista na Superliga 2015/2016. Ao longo da carreira Schmitt havia atuado em ligas de prestígio, como a da Rússia e a da Turquia, e na próxima temporada vai para o Resovia Rzeszow, da Polônia. Mas no Brasil, sem condições de jogo, entrou em quadra apenas uma vez na Superliga, no segundo set contra o Sada Cruzeiro, no primeiro turno. Marcou somente três pontos e não jogou mais. Dias depois, voltou para o seu país e então começou uma corrida contra o tempo, de olho nos Jogos Olímpicos.

Enquanto seus companheiros se preparavam para enfrentar Cuba, México e Porto Rico no Pré-Olímpico, o oposto estava numa contagem regressiva para sua cirurgia. A expectativa era que, mesmo sem Schmitt, o Canadá não tivesse problemas para conquistar a vaga. Assim, o atacante voltaria durante a disputa da Liga Mundial 2016 – o time está na segunda divisão.

Técnico Glenn Hoag orienta o time durante a Copa do Mundo

Expectativa frustrada, retorno antecipado
Porém, o pior aconteceu durante o qualificatório da Norceca. Mesmo jogando em casa, na cidade de Edmonton, perdeu em sets diretos a partida decisiva, na última rodada, para uma equipe cubana repleta de juvenis, a mesma que eles haviam derrotado cinco vezes consecutivas nos confrontos mais recentes.

O desastre exigiu uma recuperação mais rápida de Gavin Schmitt, para que pudesse estar pronto para jogar no Pré-Olímpico Mundial. Após a cirurgia, em janeiro, ele foi para uma clínica especializada na reabilitação de atletas de alto rendimento, em Vancouver, no oeste do Canadá. Ficou lá por três meses, para acelerar o processo. Quando deixou o local, em meados de abril, os colegas o aguardavam no centro de treinamento, em Gatineau, cidade vizinha à capital Ottawa, do outro lado do país.

Com Schmitt de volta ao time, resta a eles agora uma missão mais complicada, no entanto possível, de conseguir a vaga para a Rio 2016 no Pré-Olímpico Mundial, em Tóquio, Japão. A competição começa logo mais, na noite desta sexta-feira (27), pelo horário de Brasília (veja tabela). São oito seleções na briga por quatro vagas, sendo que ao menos uma terá de ficar com um país asiático. As partidas serão mostradas ao vivo no canal da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) no YouTube. O torneio termina no dia 5 de junho.

Confrontos no Japão
Os canadenses encaram a forte Polônia na estreia, o que não chega a preocupar a comissão técnica, uma vez que perder para os poloneses e os franceses, as duas equipes da elite que disputam o qualificatório, não seria problema. Mas depois, na segunda e na terceira rodada, eles vão enfrentar Irã e Austrália, respectivamente. São dois adversários diretos na briga pelas vagas remanescentes, considerando o favoritismo das potências europeias. O outro rival na corrida por um lugar no Maracanãzinho em agosto é o anfitrião – duelam contra o Japão na sexta e penúltima rodada. O Canadá não pode sequer pensar em perder para Venezuela e China, teoricamente os mais fracos.

Caso se classifique, será a quarta vez que a seleção canadense de voleibol masculino vai às Olimpíadas, a última delas há 24 anos, em Barcelona 1992. Havia feito sua estreia como país-sede em Montreal 1976. Oito anos mais tarde, em Los Angeles 1984, sua melhor campanha, ficou em um honroso quarto lugar – Glenn Hoag era meio de rede naquela equipe.

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Pré-Olímpico masculino: quem leva as vagas para a Rio 2016?
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Sidrônio Henrique

Começa na noite desta sexta-feira (27), pelo horário de Brasília, o Pré-Olímpico Mundial masculino, em Tóquio, Japão. O Saída de Rede traz uma análise de cada um dos oito times que disputam quatro vagas para a Rio 2016 (veja tabela completa). Pelo menos uma delas será de alguma das quatro seleções da Ásia – o zonal deste continente é disputado dentro do torneio mundial.  A competição termina no dia 5 de junho. Você pode ver as partidas ao vivo no canal da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) no YouTube.

Se na disputa feminina, encerrada no dia 22, os classificados irão ao Rio de Janeiro na condição de coadjuvantes ou de prováveis surpresas, o qualificatório masculino reúne duas potências com chance de levar o ouro em agosto e pelo menos quatro times de bom nível, além de dois franco-atiradores.

França e Polônia são os favoritos disparados e só devem ter problemas quando se enfrentarem, na segunda rodada. O pelotão intermediário, disputando outros dois lugares nas Olimpíadas, é composto por Irã, Japão, Austrália e Canadá. Completam a tabela, Venezuela e China.

Veja as chances de cada um a caminho do Rio:

France v Italy: FIVB World Championships (G)

França é favorita ao ouro no Rio (fotos: FIVB)

França
Apesar do tropeço na final do Pré-Olímpico da Europa diante da Rússia, a seleção francesa, liderada pelo temperamental e genial ponteiro Earvin N’gapeth, continua sendo considerada o melhor time do mundo. É o principal favorito no qualificatório mundial. Sem dúvida tem o voleibol mais vistoso, um sistema defensivo preciso e quatro craques de dar inveja a qualquer rival.

Além do próprio N’gapeth, saudado como grande astro do vôlei internacional neste ciclo, o time conta com Jenia Grebennikov, melhor líbero da atualidade, Kevin Le Roux, um daqueles centrais que fazem a diferença, e Benjamin Toniutti, um dos melhores levantadores do mundo, senão o melhor. Completam o time titular o bom central Nicolas Le Goff, enquanto Kevin Tillie e Nicolas Marechal se revezam na entrada de rede. Na saída, o veterano Antonin Rouzier teve seu potencial maximizado pelo talento de Toniutti.

Apenas a Polônia pode fazer frente à França neste torneio, mas a equipe treinada por Laurent Tillie é a favorita. No último confronto entre ambos, na semifinal do Pré-Olímpico Europeu, vitória francesa por 3-0. O único porém do time de N’gapeth e Cia é a ausência de reservas à altura dos titulares. No ano passado a França venceu a Liga Mundial e o Campeonato Europeu, mas há quem acredite que eles podem sucumbir à pressão nas Olimpíadas. Bem, no Pré-Olímpico devem sobrar e ter vida fácil.
Chance de classificação: alta

 

Polônia é uma das potências no vôlei

Polônia
Atual campeã mundial, título conquistado em casa em 2014, a Polônia não ganha nada desde então e quase ficou de fora deste Pré-Olímpico. É que em janeiro, na disputa da última vaga para este qualificatório no Japão, os poloneses chegaram a ter um match point contra, na decisão do terceiro lugar do zonal europeu, diante da Alemanha. Mas o time do inconstante oposto Bartosz Kurek e do marrento e talentoso ponta Michal Kubiak sobreviveu e chega a Tóquio como favorito, ao lado da França.

Perder nesta competição só será aceitável se for para os franceses. Em relação aos demais, a equipe treinada pelo francês Stéphane Antiga tem a obrigação de vencer. Mesmo sem uma atuação convincente depois do Mundial 2014, a Polônia está entre os seis mais fortes do mundo, ao lado de França, Rússia, Estados Unidos, Brasil e Itália. Neste Pré-Olímpico, o time do leste europeu deve se classificar sem problemas.
Chance de classificação: alta

 

Mousavi recebe prêmio de segundo melhor central na Copa do Mundo

Irã
Eis uma incógnita. No ano passado, após uma atuação razoável na Liga Mundial, sem chegar às finais, e de uma desastrosa campanha na Copa do Mundo, terminando em um frustrante oitavo lugar, a Federação Iraniana demitiu o técnico sérvio Slobodan Kovac, que havia perdido o controle do grupo e tinha atritos constantes, principalmente com o levantador Saeid Marouf. O treinador argentino Raul Lozano, que tem em seu currículo um vice-campeonato mundial comandando a Polônia em 2006, assumiu a equipe persa, mas o mundo do vôlei ainda não sabe se o Irã voltará ao patamar de antes.

Não que a equipe do Oriente Médio fosse uma potência, jamais conquistou sequer uma medalha em competições globais, mas desde 2011 vinha incomodando e venceu todos os times da elite. Porém, nas duas chances que teve de marcar presença em fases decisivas de grandes torneios, como Liga Mundial e Campeonato Mundial, ambas em 2014, o time foi presa fácil para adversários como a previsível Alemanha.

Quem impulsionou o voleibol masculino do país foi outro argentino, o lendário Julio Velasco, que deixou o comando da seleção em 2014 para treinar a do seu país natal. O Irã era favorito para conquistar a vaga asiática para Londres 2012, mas surpreendentemente caiu diante dos esforçados australianos, mostrando que não sabem lidar com a pressão em partidas decisivas. Se jogar como vinha fazendo antes de 2015, deve ficar com a inédita vaga. Além do já citado Marouf, destaque para o central Seyed Mousavi, um monstro no bloqueio, com um timing impressionante.
Chance de classificação: boa

 

Oposto japonês Kunihiro Shimizu

Japão
O time japonês visto durante a Copa do Mundo 2015 foi a melhor formação do país desde o início dos anos 1990. O velho clichê sobre equipes asiáticas de grande defesa e ataque limitado já não se aplicava aos nipônicos nas últimas temporadas, pois sequer vinham defendendo bem, prejudicados por um bloqueio quase nulo. O técnico Mambu Masashi, que assumiu o comando há dois anos, conseguiu reverter isso em 2015, melhorando a relação bloqueio-defesa. Na parte ofensiva, o Japão conta com dois atacantes bastante eficientes: o oposto Kunihiro Shimizu e o ponta Yuki Ishikawa.

Na Copa do Mundo, empurrados pela torcida, os japoneses quase surpreenderam poloneses e russos. Novamente em casa, a ajuda dos fãs deverá ser essencial para voltar aos Jogos Olímpicos depois da ausência em Londres 2012. Dos adversários com quem deverá brigar diretamente por um lugar na Rio 2016, perdeu na Copa do Mundo apenas para o Irã e num apertado 3-2. Venceu canadenses e venezuelanos em sets diretos e cedeu somente um numa vitória relativamente tranquila sobre a Austrália.
Chance de classificação: boa

 

Central Aidan Zingel volta à seleção australiana

Austrália
A equipe que concentra seus ataques baseando-se na força do oposto Thomas Edgar ganhou um bom reforço esta temporada: a volta do central Aidan Zingel, que esteve ausente da seleção em 2015. Consistente, elogiado por diversos técnicos, Zingel joga na concorrida liga italiana desde 2010, pelo Verona. Talvez pareça pouco, mas ter ao menos um meio de rede de alto nível pode fazer a diferença na luta por um lugar nas Olimpíadas do Rio.

Edgar, que deixa a liga chinesa e segue para o argentino Bolívar na próxima temporada, já causou estragos em grandes times, como Itália e Polônia, e ainda ostenta o recorde mundial de pontos (50) numa partida oficial entre seleções, estabelecido na vitória de 3-2 sobre o Egito na Copa do Mundo 2015. É a bola de segurança do sexteto, que não mudou muito seu estilo desde a chegada, no ano passado, do treinador italiano Roberto Santilli, aquele que reclama mais do que Bernardinho e enlouquece os árbitros ao continuar esbravejando quando perde no desafio em vídeo. Calma, Santilli!

A equipe da Oceania, que integra a Confederação Asiática, teoricamente não deve ser páreo para franceses e poloneses, mas pode beliscar uma vaga e ir assim pela quarta vez aos Jogos Olímpicos. Na última delas, em Londres 2012, protagonizou uma zebra ao derrotar a Polônia por 3-1, mas muita coisa mudou no time do leste europeu de lá para cá.

Logo na abertura do Pré-Olímpico o duelo com os arquirrivais iranianos, com quem os australianos vivem se estranhando e a quem eliminaram há quatro anos. O Irã subiu de produção na primeira metade deste ciclo e o levantador Saeid Marouf disse que era um absurdo a Austrália participar da primeira divisão da Liga Mundial – o time da Oceania jogou pela primeira vez no grupo principal da competição no ano passado. A resposta veio em quadra, com um 3-0 a favor da Austrália na Copa do Mundo. A chapa pode esquentar já na primeira partida deste qualificatório.
Chance de classificação: boa

 

Oposto canadense Gavin Schmitt

Canadá
Os canadenses perderam a chance da vida deles de voltar às Olimpíadas desde Barcelona 1992 ao serem derrotados, em casa, no jogo decisivo do zonal da Norceca (Confederação da América do Norte, Central e Caribe), por uma seleção cubana recheada de juvenis. Complicaram a própria vida e agora terão de mostrar serviço para ficar com uma das quatro vagas. Ainda têm boas chances, graças a mudança nos critérios de classificação do Pré-Olímpico em relação às edições anteriores. É que antes, se algum time da Ásia estivesse entre os três primeiros, a quarta vaga iria para o segundo melhor do continente. Com o fim dessa restrição, os canadenses respiraram aliviados, pois mesmo que não consigam ficar no top 3 ainda podem conseguir a classificação terminando em quarto.

O técnico Glenn Hoag promete algumas surpresas. A equipe tem uma estrutura defensiva que já foi elogiada mais de uma vez por Bernardinho. Não faltam bons jogadores, mas o único excepcional é o oposto Gavin Schmitt, que está com o time no Japão. Em janeiro ele passou por uma cirurgia devido a uma fratura por estresse na tíbia e não jogou desde então. Schmitt era para ter sido uma das armas do Funvic Taubaté na Superliga 2015/2016, mas fora de combate, disputou apenas um set na competição antes de voltar para o Canadá ainda na primeira fase. Vai jogar no clube polonês Resovia Rzeszow na próxima temporada. Se tiver condições de jogo e superar a falta de ritmo, pode ajudar o Canadá a carimbar o passaporte para as Olimpíadas. Sem ele, o time perde força e as chances diminuem drasticamente.
Chance de classificação: razoável

 

Kervin Piñerua é o destaque da Venezuela

 Venezuela
A Vinotinto tenta recuperar o pouco prestígio que alcançou na década passada com algumas boas atuações e voltar às Olimpíadas. Sua única participação foi em Pequim 2008, então treinada pelo brasileiro Ricardo Navajas, que deixou o cargo no ano seguinte. A maioria daqueles atletas já não está na equipe, que tenta jogar com mais velocidade desde a chegada do técnico italiano Vincenzo Nacci, mas tropeça na quantidade exagerada de erros de execução. A Venezuela oscila acima da média dos padrões do voleibol masculino, alterna boas jogadas com erros bisonhos. O principal nome do time é o oposto Kervin Piñerua, os demais pecam pela inconsistência.

Sob a batuta de Nacci há dois anos, os melhores momentos dos venezuelanos foram três derrotas no quinto set. É difícil a vida da Vinotinto! A primeira foi para a Austrália, no Mundial 2014, quando quase alcançaram a segunda fase. No ano passado, duas derrotas no tie break para a Argentina, que é superior, mas cujo estilo de jogo os venezuelanos conhecem bem: uma na Copa do Mundo e a outra, em casa, na decisão do Pré-Olímpico sul-americano – por pouco a Venezuela não garantiu a vaga para a Rio 2016, deixando um pepino na mão dos argentinos.

Na Copa do Mundo 2015, a única vitória veio numa batalha de cinco sets contra a fraca Tunísia. Com exceção dos dois sets ganhos dos hermanos, nas outras derrotas, mesmo nas por 3-1, demonstrou pouco apetite pelo jogo, inclusive contra iranianos, australianos, japoneses e canadenses, adversários neste qualificatório. Eventualmente o time crescia nos erros dos oponentes, mas raramente tinha a partida sob seu controle.

Dependentes demais do oposto e com um bloqueio falho, só mesmo o saque suicida bem encaixado e dias ruins de mais de um adversário poderiam levar os venezuelanos ao Maracanãzinho em agosto. Antes de seguir para Tóquio, a equipe ficou três semanas concentrada em Havana, Cuba, e o treinador Nacci disse que o time está bem ajustado. Na condição de franco-atirador, pode ser que causem algum estrago, mas é pouco provável.
Chance de classificação: remota

 

China é um dos times mais fracos

 China
Outro time com poucas chances de ir ao Rio de Janeiro é a China, cujas melhores armas são dois veteranos na casa dos 30 anos: o oposto Yuan Zhi, 35, e o ponteiro Jianjun Cui, 30. Quem também ajuda é o outro ponteiro titular, Dai Qingyao, mais jovem, 24 anos.

O técnico Xie Gouchen assumiu a equipe no início deste ciclo, em 2013, mas pouca coisa mudou. Se a China é uma potência no feminino, no voleibol masculino são meros figurantes. No Mundial 2014, num grupo de seis seleções, com Egito e México pelo caminho, conseguiram avançar à segunda fase, mas diante dos mais fortes só levaram surras.

O único feito recente foi bater a Austrália em sets diretos no Campeonato Asiático 2015, mas o oposto australiano Thomas Edgar jogou apenas um set e seu time estava sem dois titulares – a equipe já estava garantida na Copa do Mundo, pois a Confederação Asiática havia definido que as vagas para aquela zona seriam determinadas pelo ranking mundial. Repetir a vitória sobre os australianos ou bater qualquer outro time que não seja a Venezuela no Pré-Olímpico seria uma grande surpresa.
Chance de classificação: remota

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