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Ellen ressuscita Praia Clube e leva o time à semifinal da Superliga
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Sidrônio Henrique

Ellen Braga marcou 17 pontos. Sua entrada mudou o rumo do jogo (Divulgação/Praia Clube)

O Dentil/Praia Clube está na semifinal da Superliga 2016/2017. Numa noite em que a ponteira Ellen Braga veio do banco e deu equilíbrio a um time que parecia perdido no terceiro e decisivo jogo das quartas de final, a equipe de Uberlândia venceu de virada, em casa, o Terracap/BRB/Brasília Vôlei por 3-1 (22-25, 25-17, 25-20, 25-14). O Praia Clube fez 2-1 na série e agora vai enfrentar o Vôlei Nestlé.

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O time do Planalto Central, no quarto ano do projeto, mais uma vez parou nas quartas de final – resultado honroso para a equipe da capitã Paula Pequeno e do técnico Anderson Rodrigues. Vindo de uma vitória em sets diretos na segunda partida, como anfitrião, o Brasília começou o confronto na noite deste sábado (25) dando sinais de que finalmente chegaria à semifinal da Superliga. Aproveitou-se de um problema crônico do Praia Clube, a fragilidade da linha de passe, e com um saque eficiente, combinado com uma boa relação bloqueio-defesa, venceu a primeira parcial.

Novo rumo
Porém, logo no início do segundo set, a partida teve uma mudança de rumo. O técnico do Praia, Ricardo Picinin, sacou a ponta Michelle Pavão e colocou em quadra Ellen Braga, que havia feito uma rápida passagem no primeiro set. A substituta já havia tido boas atuações no torneio – ganhou ontem seu quarto troféu Viva Vôlei da temporada. Na decisão da vaga para a semifinal, foi efetiva no ataque, atenta na cobertura na defesa e deu alguma contribuição na recepção. Mais do que isso, animou uma equipe que estava abatida.

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A levantadora Claudinha, do Praia Clube, percebendo o bom momento de Ellen, a acionou constantemente no ataque logo que ela entrou, desafogando a outra ponteira, a americana Alix Klineman, que esteve apática na primeira parcial. Quando voltou a receber bolas de forma mais constante, Alix era outra jogadora. A americana foi a maior pontuadora da partida, com 19, enquanto Ellen, com menos tempo em quadra, veio em seguida com 17. No ataque, ambas marcaram 15 pontos. A diferença é que Alix recebeu 35 levantamentos e Ellen, 25. Você confere aqui as estatísticas do jogo fornecidas pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). A central Fabiana Claudino, do Praia, que na última rodada do returno sofreu um estiramento na planta do pé (fascite plantar), segue fazendo tratamento.

Depois de perder a parcial inicial, a exemplo do primeiro jogo, o Praia Clube virou a partida (Túlio Calegari/Praia Clube)

Adversário acuado
É bom que se diga, além da mudança de ritmo no lado mineiro com a entrada de Ellen, o Brasília Vôlei encolheu o braço. Ao final da partida, numa entrevista ao SporTV, a veterana ponteira Paula Pequeno lamentou a falta de consistência. De fato, a partir do segundo set, quase nada funcionou na equipe da capital federal – a última parcial foi melancólica. O saque, arma fundamental no início, foi quase inofensivo no restante do jogo. Com isso, dificultou a vida do sistema defensivo do Brasília. Para complicar ainda mais, o time desperdiçou muitos contra-ataques.

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Outro problema foi o baixo aproveitamento na saída de rede, algo que se repetiu várias vezes ao longo desta edição da Superliga. Em quatro sets, a oposta Andreia Sforzin recebeu apenas 18 levantamentos, colocando oito bolas no chão – terminou a partida com nove pontos. Isso sobrecarregou a entrada, com Paula e Amanda. Não, a levantadora Macris não esqueceu sua oposta. Andreia é que não vem rendendo, o que dificultou o desempenho da equipe. Para efeito de comparação, na noite deste sábado, Paula foi acionada 39 vezes, mais que o dobro daquela que deveria ser a referência do time no ataque.

O Camponesa/Minas, de Destinee Hooker, enfrenta o Rexona-Sesc na semifinal (Orlando Bento/MTC)

Semifinais
Os confrontos das semifinais serão entre o onze vezes campeão Rexona-Sesc, do técnico Bernardinho e da ponta Gabi, e o Camponesa/Minas, da oposta Destinee Hooker e da ponteira Jaqueline Carvalho, enquanto na outra série se enfrentarão Praia Clube e Vôlei Nestlé, time da levantadora Dani Lins e da ponta Tandara.

O Minas perdeu do Rexona nas três vezes em que se enfrentaram esta temporada e terá uma tarefa difícil, ainda que Bernardinho politicamente empurre o favoritismo para o tradicional time de Belo Horizonte. Praia Clube e Vôlei Nestlé tiveram uma vitória cada nas duas partidas na Superliga 2016/2017. A equipe de Osasco vem apresentando maior regularidade desde o returno e tem ligeiro favoritismo – no confronto mais recente, o clube paulista venceu por 3-0, minando com sucesso a cubana Daymi Ramirez no passe.

A primeira rodada da série semifinal, disputada em melhor de cinco jogos, será esta semana. O Saída de Rede recebeu a informação que falta apenas a CBV definir se uma partida será na noite de quinta-feira (30) e a outra no dia seguinte, ou se ambas serão na sexta-feira (31). A Confederação decidirá nesta segunda-feira (27).


Enquanto Osasco espera adversário, Rio x Minas é promessa de grande duelo
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João Batista Junior

Hooker ataca contra bloqueio do Bauru: classificação às semis em dois jogos (foto: Vôlei Bauru)

Favoritos nas quartas de final – tanto pela colocação na fase classificatória quanto pelo elenco que têm –, Rexona-Sesc, Vôlei Nestlé e Camponesa/Minas só precisaram de dois jogos para chegar às semifinais da Superliga feminina. Se o time de Osasco ainda não sabe se vai ter pela frente o também favorito Dentil/Praia Clube ou o bravo Terracap/BRB/Brasília, cariocas e minastenistas já têm por certo que se enfrentarão por uma vaga na final. E aí as expectativas do fã do voleibol são as melhores.

Rexona e Minas fizeram a final da Copa Brasil 2017: vitória carioca (William Lucas/Inovafoto/CBV)

O Rexona venceu o Minas nas duas partidas que disputaram nesta edição da Superliga, ambas por 3 a 1, e ainda venceu por 3-0 na final da Copa Brasil. Além disso, ressalte-se que o time do Rio só perdeu um jogo em 24 disputados na competição, ao passo que as mineiras sofreram sete reveses. Porém, o crescimento da equipe de Belo Horizonte no decorrer do campeonato, em muito devido às cortadas da oposta Destinee Hooker, leva a crer que as cariocas vão precisar de seu melhor voleibol para chegar a mais uma final.

(O próprio técnico Bernardinho, em entrevista ao Saída de Rede, chegou a dizer que o Minas era o adversário “mais perigoso” e que “se tornou favorito.”)

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A vaga do Camponesa/Minas à semifinal veio contra o Genter Bauru, numa série em que as mineiras abusaram do pragmatismo: tanto na vitória de virada no jogo 1, sábado, quanto no 3-0 da terça-feira, Hooker foi responsável por quase 45% dos ataques de sua equipe (respectivamente, 62/141 e 44/98). Para efeito de comparação: nas derrotas contra Praia e Rexona, no returno, pouco menos de 30% dos levantamentos do time foram para ela, e na vitória sobre o Vôlei Nestlé, esse número ficou em 36%.

A estratégia mineira deu certo contra Bauru e a norte-americana, nos dois compromissos das quartas de final, levou o Minas à vitória e foi a maior pontuadora em ambos os jogos (com, respectivamente, 32 e 20 anotações). As bauruenses até conseguiram equilibrar as duas primeiras parciais do jogo 2, mas erraram muito no passe e perderam consistência no set final.

A nota preocupante para a torcida minastenista é que, se foi o Bauru, quando abriu 2 a 0, quem deu um susto no primeiro jogo, no segundo, quem assustou foi Rosamaria: a ponteira torceu o joelho durante o terceiro set, saiu carregada de quadra e nesta quarta-feira, segundo o SporTV, deve ser examinada para saber do grau da lesão.

Fim do ranking, por si só, não vai melhorar a Superliga de vôlei

No outro jogo da terça-feira, no Distrito Federal, o Terracap/BRB/Brasília frustrou o Dentil/Praia Clube em grande estilo. Enquanto em Uberlândia as mineiras ganharam de virada por 3-1, no Planalto Central a história foi diferente.

Amanda foi um dos destaques do Brasília na vitória sobre o Praia (Ricco Botelho/Inovafoto/CBV)

Com um sólido sistema defensivo, que sempre obrigava o adversário a atacar mais vez, o Brasília venceu um equilibrado primeiro set e aproveitou-se da instabilidade praiana nas parciais seguintes.

O time mineiro, ainda desfalcado da central Fabiana, lesionada há dez dias, tentou mudar o ritmo do jogo acionando, por vezes, as reservas Ju Carrijo e Ellen. Mas, com Amanda indo bem no ataque pela entrada de rede e as centrais Vivian e Roberta dominantes no bloqueio, a equipe anfitriã conseguiu igualar a série e levar a decisão da vaga na semifinal para o jogo 3 – que, pela tabela da CBV, será neste sábado, em horário ainda não definido.

GIGANTES ATROPELAM
Se, na primeira rodada, o Pinheiros poderia ter ido mais longe na partida contra o Rexona-Sesc e o Fluminense deu trabalho ao Vôlei Nestlé em duas parciais, na segunda, dá para dizer que os gigantes do vôlei nacional foram pouco testados. Cariocas e osasquenses passaram com folga, quase não foram perturbadas na jornada que as classificou para mais uma semifinal.

Atropelado pelo Rexona-Sesc na reta final do primeiro set, quando uma pequena desvantagem de 12-11 culminou com uma derrota por 25-13, o Pinheiros errou bastante na recepção e, por conseguinte, teve problemas na virada de bola. O time do Rio soube tirar proveito disso, anotando 11 pontos no bloqueio – seis só de Juciely. Gabi obteve 57% de aproveitamento no ataque e foi eleita a melhor em quadra, assim como também o fora no jogo 1.

Companheiras na seleção, Thaisa e Natália se enfrentam na Liga dos Campeões

Bia comemora: só Osasco não perdeu nenhum set nas quartas de final (Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV)

Na outra partida da segunda-feira, o Vôlei Nestlé, com a ponteira Tandara e as centrais Bia e Nati Martins em noite inspirada, pontuou em mais da metade das bolas que atacou, um aproveitamento incomum para uma equipe de voleibol feminino, e aplicou o segundo 3-0 da série. O Fluminense foi fustigado pelo saque adversário e despediu da competição marcando apenas 47 pontos em todo o jogo – número insuficiente para vencer dois sets.

Resultados da 2ª rodada dos playoffs da Superliga feminina:

Fluminense 0 x 3 Vôlei Nestlé (20-25, 14-25, 13-25)
Rexona-Sesc 3 x 0 Pinheiros (25-13, 25-20, 25-22)
Terracap/BRB/Brasília 3 x 0 Dentil/Praia Clube (27-25, 25-18, 25-19)
Genter Vôlei Bauru 0 x 3 Camponesa/Minas (22-25, 23-25, 17-25)


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Desinteresse dos líderes dá a tônica da reta final da Superliga
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João Batista Junior

Rexona: vitória sobre Praia, mesmo com desfalques (fotos: Alexandre Arruda/Rexona-Sesc)

As últimas semanas da fase classificatória da Superliga foram das mais insossas. A ideia de evitar duelos entre os grandes nas primeiras rodadas e concentrá-los nas últimas teve um efeito diferente do esperado: depois de uma temporada que começou em marcha lenta, com os favoritos tendo pouco trabalho contra os médios e pequenos (o blog chegou a falar sobre isso – relembre), a reta final da competição pouco acrescentou à briga por vagas nos playoffs e teve o agravante de o primeiro colocado de cada naipe já estar disparado na ponta.

Resultado: tanto o Sada Cruzeiro quanto o Rexona-Sesc chegaram às vésperas das quartas de final preocupados em poupar titulares e vendo sem interesse uma disputa cada vez mais esvaziada pelas posições do G8.

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Seleção Brasileira perde mais uma peça-chave após a saída de Bernardinho

Se o Cruzeiro descansou dois titulares para bater o Sesi, sábado passado, e perdeu para a Funvic/Taubaté, na última quarta-feira, com um time quase todo reserva, o Rexona tirou Monique de combate e pôs Drussyla no lugar de Gabi para enfrentar o Dentil/Praia Clube, na noite da sexta-feira, no Rio. E, ainda assim, pela 23ª vez em 23 tentativas, o time de Uberlândia saiu de quadra batido pelas cariocas.

PREJUÍZO DO PRAIA
Para o sexteto comandado pelo técnico Bernardinho, a vitória por 3 sets a 2 (15-25, 25-21, 22-25, 25-22, 16-14) não alterou nada na programação. O time já sabia que ia terminar a fase classificatória em primeiro e, como se desenhava há algumas semanas, vai mesmo pegar o Pinheiros, vice-campeão paulista, na série melhor de três da próxima fase.

(A diferença do time do Rio para a concorrência? Enquanto as cariocas perderam apenas cinco dos pontos possíveis no campeonato, seus perseguidores mais próximos – Praia e Vôlei Nestlé – perderam cinco jogos.)

Satisfeita, CBV busca patrocinadores para expandir transmissões online

Para as vice-campeãs do ano passado, no entanto, a derrota pode ter sido bem cara. Se vencesse, o Dentil/Praia Clube ia garantir o segundo lugar e, por conseguinte, vantagem nos playoffs – só dependeria do fator casa para chegar à final da Superliga. Isso ainda é possível, mas só se o time do Osasco não vencer o Genter Vôlei Bauru, fora de casa, na tarde deste sábado.

MVP do jogo, Buijs investe contra bloqueio praiano

Além do preço que a tabela de classificação ainda pode cobrar, Fabiana também deixou o torcedor do Praia preocupado. A meio de rede se lesionou durante o tie break e deixou a quadra chorando – de acordo com o SporTV, ela sentiu um estiramento na planta do pé.

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Outra preocupação pelo lado praiano – esta, recorrente – é que ficou claro que o lado emocional bloqueou a equipe mais uma vez. O time levou vantagem em todos os fundamentos de pontuação, teve a oposta Ramirez sendo a maior anotadora da partida, com 26 acertos, encontrou um rival desfalcado das duas maiores pontuadoras, mas cometeu erros em momentos importantes (como numa bola de xeque que Alix Klineman mandou para fora, quando as visitantes venciam o quinto set por 11 a 9) e permitiu que o Rexona, num dia em que o resultado pouco lhe importava, pegasse carona na boa atuação de Anne Buijs (eleita a melhor em quadra) e mantivesse o tabu.


Brasileiro de seleções é vitrine para mais de mil novos talentos
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Carolina Canossa

Gabi (1ª sentada da esq para a dir) e Lorenne (4ª sentada da esq para a direita) foram campeãs por Minas em 2012 (Foto: Divulgação)

Se você se interessa pelo futuro do voleibol brasileiro, fique atento: no próximo domingo (12), terá início o Campeonato Brasileiro de Seleções, que envolverá 1344 jovens talentos em categorias que começam no sub-15 até o sub-20.

A competição promove a disputa entre selecionados estaduais em diversas divisões – Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e  São Paulo são os únicos estados com representantes na elite em todas as categorias. Ao todo, 14 torneios serão disputados ao longo do ano em sedes como o Centro de Treinamento de Saquarema (RJ), Maceió (AL), São Sebastião do Paraíso (MG) e Uberlândia (MG).

Excesso de erros mina força do Minas na reta final da fase classificatória

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Praticamente todos os atletas que hoje brilham na categoria profissional jogaram alguma edição do Brasileiro de Seleções. Minas Gerais, por exemplo, já contou com o ponteiro Ricardo Lucarelli em sua equipe, assim como as atacantes Gabi, atualmente no Rexona-Sesc, e Lorenne, do Sesi, maior pontuadora da atual edição da Superliga feminina. Os técnicos das seleções de base acompanham o torneio com atenção para embasar suas convocações.

O processo de recrutamento dos atletas que jogam o Brasileiro de seleções é determinado por cada Federação: peneiras, observações de partidas escolares ou recrutamento direto nos clubes são os métodos mais utilizados. A CBV custeia o transporte, a alimentação e a hospedagem de até 12 integrantes da delegação de cada Federação participante (10 atletas + dois de comissão, ou 11 atletas + um de comissão técnica), além de um árbitro de cada estado participante.


Assistente de Zé Roberto fala em renovação drástica e pede paciência
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Sidrônio Henrique

Zé Roberto e Coco: parceria iniciada em 1996 e que se mantém na seleção desde 2003 (fotos: FIVB)

Quando José Roberto Guimarães assumiu a seleção feminina em agosto de 2003, Paulo Coco foi junto como seu principal assistente. Braço direito de um dos técnicos mais vitoriosos da história da modalidade, numa parceria que começou ainda antes, em 1996, Coco está atualmente no comando do Camponesa/Minas, quinto colocado até aqui na Superliga 2016/2017. Ele se mantém ligado em cada um dos adversários não somente pelo futuro da sua equipe, mas também como subsídio para a próxima convocação da seleção brasileira, que este ano disputará o Grand Prix, a Copa dos Campeões e o Campeonato Sul-Americano.

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“A gente teve uma geração vitoriosa, que durou muito. Apesar de terem entrado jogadoras novas ao longo desse processo, a gente manteve uma base muito grande por um bom tempo. A renovação vai ser mais drástica agora. Em algumas das principais seleções do mundo isso já ocorreu. Nesse primeiro momento, nós vamos sofrer um pouco com essa transição”, disse Paulo Coco ao Saída de Rede. Ele pediu um tempo antes das inevitáveis cobranças. “Quanto antes isso aconteça e dê resultado, melhor pra gente, mas temos que ter paciência”, afirmou.

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Ele comentou sobre a mudança de posição de Rosamaria Montibeller, atacante que, sob seu comando no Minas, migrou da saída para a entrada de rede esta temporada. O treinador vê o deslocamento como algo positivo para a atleta e para o voleibol brasileiro.

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A insistência do seu chefe em querer neste ciclo olímpico jogadoras que deram adeus à seleção, como a central Fabiana Claudino e a oposta Sheilla Castro, é vista com naturalidade, apesar do discurso calcado na renovação. “Seriam opções, mas elas não querem. Nível de jogo elas teriam”.

Confira a entrevista que Paulo Coco concedeu ao SdR:

O técnico está contente com o rendimento de Rosamaria na ponta (foto: Orlando Brito/MTC)

Saída de Rede – Como você avalia o rendimento da Rosamaria na entrada de rede, numa mudança feita na metade do primeiro turno da Superliga?
Paulo Coco – Tem sido bastante proveitoso. Ela vem mostrando uma versatilidade muito grande. Antes de ela mudar para a ponta, eu conversei com ela, obviamente. A Rosa tem os objetivos dela de seleção. Como oposta, a altura dela não ajuda no nível internacional (a jogadora tem 1,85m). Então essa mudança abre um leque importante de possibilidades na carreira dela. Isso em virtude da capacidade e do empenho que ela tem. Temos que ter em mente que ela nunca foi uma ponteira passadora, temos que ser pacientes, mas ela vem desempenhando esse papel muito bem.

Saída de Rede – Como tem sido a evolução da Rosamaria como ponteira?
Paulo Coco – Ela vem melhorando seu jogo de rede, seu nível no bloqueio, pois está jogando em outra função. Eu tô pegando no pé para ela melhorar o volume de jogo, o fundo de quadra. Quando se é uma boa atacante, a menina tende a se concentrar na sua atuação ofensiva, mas a função dela é muito importante para o volume de jogo, para fazer o time jogar em função da sua recepção. Ela vem evoluindo nesse aspecto também, o que é muito importante não só para o Minas, mas para a seleção, que assim pode ter mais opções na posição 4, que é a grande carência no voleibol mundial. Estamos fazendo esse investimento.

Saída de Rede – Como você vê o nível dessas jogadoras mais jovens que deverão chegar à seleção neste ciclo? Como seria a renovação? Obviamente combinada com a presença de algumas veteranas.
Paulo Coco – A gente já vem ao longo dos anos trabalhando com uma seleção de jovens, isso desde 2008/2009, com várias jogadoras que vêm ganhando experiência, como a própria Rosamaria, Gabi, Carol… Acho que o Brasil vai estar bem, a gente vai sofrer um pouco no início… Vão pintar nomes, que prefiro não citar para não cometer uma injustiça e esquecer alguém. Mas temos muita gente de talento que, com trabalho, vai ajudar a manter o Brasil entre as principais forças do mundo.

Gabi é um dos jovens talentos que já faz parte da seleção

Saída de Rede – A Superliga propicia rodagem às mais jovens, mas há uma diferença muito grande entre o nível do torneio e o que se vê nas competições entre as principais seleções. Como a Superliga pode ajudar a formar essas atletas?
Paulo Coco – A Superliga permite que elas assumam responsabilidade, assim elas podem chegar à seleção mais preparadas, apesar de que há uma diferença muito grande entre o nível do voleibol nacional e o internacional. Mas de qualquer forma é uma preparação, aqui elas estão em ação e nos jogos internacionais ganham cancha, experiência e assim conseguem chegar num nível que nos permita jogar de igual pra igual com as principais seleções.

Saída de Rede – Além de sair atrás no processo de renovação, quais seriam as outras desvantagens do Brasil?
Paulo Coco – A principal mesmo é a nossa renovação. A gente teve uma geração vitoriosa, que durou muito. Apesar de terem entrado jogadoras novas ao longo desse processo, a gente manteve uma base muito grande por um bom tempo. A renovação vai ser mais drástica agora. Em algumas das principais seleções do mundo isso já ocorreu. Pega o exemplo da China, que foi campeã olímpica na Rio 2016 e fez sua renovação depois de Londres 2012. Você pega a Sérvia, que tem uma equipe muito jovem e é uma das potências mundiais. Há os Estados Unidos, que mudam o time de um ano para o outro e mesmo assim se mantêm em alta. E não podemos esquecer países como Holanda, Turquia, Rússia… Nesse primeiro momento, nós vamos sofrer um pouco com essa transição.

Saída de Rede – Então foi um erro segurar demais a geração anterior? Ficaram mais tempo do que o necessário?
Paulo Coco – Não, você quer sempre as melhores. Você não vai abrir mão das melhores porque são jogadoras mais velhas. O que norteia a gente é o rendimento. Se uma atleta, seja lá qual for a idade, rende bem, então é chamada. Se você tem duas jogadoras com o mesmo rendimento, você tem que escolher entre experiência ou juventude e ver o que vai ser mais proveitoso para o seu time. Idade hoje não quer dizer nada. Temos várias jogadoras com trinta e poucos anos jogando no mais alto nível.

Coco no comando da seleção nas finais do GP 2015

Saída de Rede – Quando a CBV anunciou que Zé Roberto teria seu contrato renovado até Tóquio 2020, ele enfatizou a necessidade de renovação, mas ao mesmo tempo disse que gostaria de contar com jogadoras que haviam se despedido da seleção após a Rio 2016, caso de Fabiana e Sheilla. Não seria um erro? Temos aí uma contradição.
Paulo Coco – Fabiana e Sheilla ainda seriam opções, mas elas não querem. Nível de jogo elas teriam. A Fabiana é um dos destaques da Superliga, com uma saúde incrível. Talvez para a Sheilla fosse mais difícil em virtude da função, que exige muito do físico, pede uma definidora, mas tecnicamente não se discute.

Saída de Rede – Você acha que os resultados da seleção vão cair neste ciclo olímpico?
Paulo Coco – Não sei, precisamos de um tempo para que se mature uma equipe, para que essas jogadoras sintam o que é jogar no nível internacional, que é diferente de jogar aqui dentro do Brasil. Bloqueios diferentes, aquelas europeias muito altas, é outra realidade.

Saída de Rede – Que avaliação você faz do material humano à disposição da seleção, considerando aquelas que deverão fazer parte da equipe principal?
Paulo Coco – Não é muito extenso ou volumoso, mas temos algumas jogadoras interessantes, que já vem sendo trabalhadas e que podem, caso cresçam, se desenvolvam, render bastante. Acho que é esse o processo de transição… Quanto antes isso aconteça e dê resultado, melhor pra gente, mas temos que ter paciência.


Rexona confirma favoritismo e conquista quarto título sul-americano
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João Batista Junior

Num jogo de muitos erros, prevaleceu a experiência do Rexona (foto: Tulio Calegari/Dentil Praia)

A vitória do Rexona-Sesc sobre o Dentil/Praia Clube, por 3 a 1 (25-19, 20-25, 25-19, 25-10), neste sábado, em Uberlândia, na final do Campeonato Sul-Americano feminino de Clubes 2017, premiou tanto o componente técnico quanto emocional da equipe carioca. Contou muito a experiência do time dirigido pelo técnico Bernardinho, que, mesmo depois de uma parcial muito ruim, como a segunda, conseguiu manter-se no jogo, aguardando a vez de as adversárias oscilarem.

Foi o terceiro título sul-americano seguido para o clube do Rio de Janeiro, que já venceu a competição quatro vezes e garantiu vaga na disputa do Mundial feminino de Clubes, em maio, no Japão. E foi também a 22ª vitória carioca em 22 jogos nesse confronto, um tabu incômodo para que tanto tem investido na formação de um elenco, como o Praia tem feito.

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O JOGO
Os erros foram uma constante na partida. No set de abertura, o diferencial a favor do time visitante é que ficou mais evidenciada a dificuldade do Praia no passe e de Claudinha para armar contra-ataques. O Rexona, por outro lado, com uma partida correta de Monique e bons momentos da ponteira Anne Buijs, ajustou-se no fim da primeira parcial e saiu em vantagem no marcador.

A situação mudou no segundo set, quando Fabiana cresceu na partida e o bloqueio praiano subiu junto ela, ora efetuando pontos diretos, ora colaborando com o sistema defensivo amortecendo bolas. Enquanto Roberta, pelo lado carioca, ficou sem opções para o levantamento, com Carol bem marcada no meio e as ponteiras pressionadas, as anfitriãs tinham Alix Klineman para atacar bolas altas com eficiência e empatar a partida.

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Com o jogo empatado e o terceiro set indefinido, o lado emocional do Praia foi testado: a arbitragem deixou passar um lance de dois toques de Carol e, de quebra, a reclamação exacerbada das praianas ainda rendeu mais um ponto ao Rexona. Seria injusto, no entanto, colocar na conta do apito a vitória das cariocas nessa parcial, já que o time da casa retomou o equilíbrio no placar e até foi beneficiado por um erro dos árbitros, que não perceberam um desvio no bloqueio de Claudinha num ataque que se perdeu pela linha de fundo.

O mais correto é atribuir a vitória no set que desempatou a partida à melhora na qualidade do saque e da defesa do Rexona. As cariocas tanto diminuíram a velocidade da armação de jogadas do time de Uberlândia, quanto obrigaram as adversárias a atacarem sempre uma bola a mais. Foi desse modo, num momento crucial, que Gabi pontuou num contra-ataque improvável e que Fabiana, na bola seguinte, cometeu um erro numa bola rápida.

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Uma passagem de Anne Buijs no saque, no quarto set, que foi para o serviço com 3-3 no marcador e deixou em placar em 9-3, mostrou para que estante iria o troféu. Enquanto Fabi parecia multiplicar-se na defesa, Gabi e Monique conseguiam sucesso nas largadas atrás do forte bloqueio praiano. Do outro lado da rede, a equipe da casa estava grogue, nas cordas, vacilante na defesa e sem ataque para responder, e acabou nocauteada pelo melhor time do voleibol feminino do Brasil.


Edinara vai das brincadeiras com bexiga a homenagem de jogadora da seleção
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Carolina Canossa

Top 10 entre as atacantes da Superliga, Edinara diz gostar tanto de jogar como oposta quanto de ponteira (Foto: CBV)

Ao receber o Troféu VivaVôlei, dado à melhor jogadora da partida, após a vitória do Rexona-Sesc sobre o São Cristóvão Saúde/São Caetano, a ponteira Gabi Guimarães não teve dúvidas: chamou Edinara Brancher, oposta do time adversário e entregou o prêmio a ela. O simpático gesto, um reconhecimento da jogadora da seleção aos 28 pontos feitos pela rival, colocou os holofotes em cima da jovem de 21 anos que vem se destacando nesta Superliga pelo braço rápido e alcance do ataque.

A boa atuação contra as atuais campeãs da disputa não foi um fato isolado para Edinara: na derrota Dentil/Praia Clube, a catarinense chegou aos 30 pontos. Os números passam a impressão que ela não se intimida diante de clubes e atletas mais badalados, mas a própria atacante admite que não é bem assim. “Na hora, me dá um frio na barriga”, comentou Edinara, em entrevista exclusiva para o Saída de Rede. Qual o segredo então para jogar bem? “É entrar sem responsabilidade. Como eu sou nova, não tenho responsabilidade dentro de quadra e isso me tranquiliza bastante, faz com que eu consiga soltar meu jogo”, complementou.

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Empresário espanta boatos e diz que Sheilla está firme em não voltar nesta temporada

Preparada desde os 17 anos pelo São Caetano, clube que tem tradição de revelar boas jogadoras, Edinara tem sido tratada com cuidado especial pelo experiente técnico Hairton Cabral. Além de colocar a jovem diariamente para treinar passe, visando deixá-la uma atleta mais completa, ele está tentando blindá-la do excesso de “palpites” alheios.

Atleta foi presença constante nas seleções de base do Brasil (Foto: Reprodução/Facebook)

“As pessoas não fazem nem por maldade, mas de repente todo mundo começa a querer ajudar de uma forma ou de outra, vira muita informação e ela ainda não consegue assimilar tudo. Não pode se empolgar, senão acaba estragando. É como no malabarismo: você começa com uma bola, duas, três, cinco, aí passa pro facão… mas até chegar lá, é preciso ir acrescentando aos poucos”, explica.

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Na visão dele, se Edinara conseguir se manter “com os pés no chão”, tem tudo para se tornar um nome de destaque nos próximos anos. “Ela está surpreendendo a cada dia, superando expectativas. Estou muito esperançoso com ela, não só pensando no São Caetano, mas no voleibol brasileiro”, admitiu.

Edinara se disse surpresa com a atitude de Gabi

Vôlei com bexiga

Descoberta aos 12 anos enquanto brincava de vôlei na escola em Anchieta (SC), Edinara conta que sua paixão pelo esporte vem de anos antes: “Quando eu era mais nova, meus pais compravam bexigas e ficavam brincando comigo”.

A relação com os familiares é tão boa que, por pouco, não prejudicou a carreira da jovem quando ela teve que mudar para o ABC Paulista. “No começo foi super difícil, ficava sempre doente, ligava pra minha mãe… Acho que era saudade, pois nunca tinha estado longe de casa. A cada poucos dias tinha que ir pra minha casa, mas aí fui me acostumando e agora está de boa”, contou.

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Cursando faculdade de nutrição em paralelo à tentativa de explodir no vôlei, Edinara confessou ter ficado sem graça quando Gabi decidiu lhe entregar o Viva Vôlei. “Fiquei sem reação na hora em que ela disse: ‘Toma, você merece’. Respondi: ‘Sério?’. Não sabia se pegava, se não pegava…”, divertiu-se.

Fã da própria Gabi, além de Jaqueline e Sheilla, Edinara mostra, ao falar sobre os próximos passos na carreira, que está ouvindo os conselhos de Hairton Cabral. “Tenho que ter humildade e pés no chão em primeiro lugar. Se eu ficar de nariz empinado, com o tempo isso acaba terminando”, resumiu.


No sobe e desce da Superliga, destaque para “presente” de Gabi para Edinara
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João Batista Junior

São Caetano endureceu o jogo contra Rexona (foto: Michael Dantas/Inovafoto/CBV)

São Caetano endureceu o jogo contra Rexona (foto: Michael Dantas/Inovafoto/CBV)

A rodada da Superliga não trouxe grandes mudanças na classificação, mas teve, em Belo Horizonte, um resultado surpreendente. O jogo em Manaus teve boa presença de público e uma cena das mais incomuns no final. Já as reclamações contra a arbitragem, no duelo na Vila Leopoldina, mostram por que é preciso implantar a revisão de vídeo nas partidas.

Veja os destaques da quarta rodada do returno da competição, marcada pela ausência ou contusão de vários ponteiros de equipes grandes do país.

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SOBE

Eleita melhor em quadra, Gabi, do Rexona, "premia" Edinara (CBV)

Eleita melhor em quadra, Gabi, do Rexona, “premia” Edinara (CBV)

Gabi e Edinara
Terceiro jogo disputado em Manaus na temporada, a partida entre São Cristóvão Saúde/São Caetano e Rexona-Sesc, na sexta-feira, se destacou por vários motivos: teve o maior público até agora da Superliga feminina (5.497 espectadores), o time carioca suou o uniforme para vencer em cinco sets e o troféu VivaVôlei teve um destino inusitado.

Como é de praxe, a comissão técnica do time vencedor escolheu a melhor jogadora da partida e apontou uma atleta de seu plantel – no caso, a ponteira Gabi. A jogadora assinalou 17 pontos (14 no ataque, três no bloqueio) e foi a segunda pontuadora de sua equipe, perdendo apenas para a também ponteira Anne Buijs, com 18 anotações.

Contudo, Gabi escolheu outra jogadora para ficar com o prêmio: a oposta Edinara, que completou 21 anos na última quarta-feira, e que havia marcado nada menos que 28 pontos no duelo. Um grande gesto da ponteira da seleção brasileira e uma atuação memorável de uma atacante que tem se destacado nas últimas rodadas.

Não é inédito um ganhador de VivaVôlei repassá-lo a um companheiro de equipe que julgue ter atuado melhor na partida. Mas entregar o troféu para um adversário, admito, foi a primeira vez que eu vi. Se você se lembra de outra ocasião como essa, conte o fato na caixa de comentários.

Em busca dos playoffs, Minas venceu Taubaté (Orlando Bento/MTC)

Em busca dos playoffs, Minas venceu Taubaté (Orlando Bento/MTC)

Minas Tênis Clube
Pensando em chegar aos playoffs, o Minas conquistou um resultado importantíssimo. No tie break, venceu em casa a Funvic/Taubaté, time que luta pelo título e que raramente concede pontos aos principais adversários da equipe mineira na luta pelo G8.

O sexteto de Belo Horizonte ocupa a sétima posição da tabela, três pontos e duas vitórias à frente do oitavo, Canoas, cinco pontos a mais do que o Bento Vôlei, nono colocado.

O resultado refletiu a fase de ascensão do time no campeonato: nas últimas cinco rodadas, o Minas Tênis Clube conquistou três vitórias e dez pontos, obtendo um ponto, inclusive, diante do Sesi, em São Paulo, na rodada passada.

Ellen e Rodriguinho
Num momento do campeonato em que vários jogadores lesionados têm desfalcado suas equipes (falaremos deles mais abaixo), dois jogadores tidos como “reservas” foram bem na rodada.

Na sexta-feira, Ellen substitui Alix Klineman e marcou 17 pontos na vitória do Praia Clube sobre o Pinheiros por 3 a 0 – de quebra, ainda foi eleita a melhor jogadora em quadra.

Já no sábado, na vitória do Sada Cruzeiro sobre o Maringá, quando Filipe deixou a quadra contundido, ao término da segunda parcial, Rodriguinho entrou no jogo e obteve nada menos que quatro aces.

DESCE

Times do sul
As cinco equipes da região Sul do país que disputam a Superliga não só foram derrotados na rodada como também não somaram nenhum ponto. A ressalva que cabe é que só o Caramuru/Castro, lanterna da Superliga masculina, que perdeu por 3 a 1 para o JF Vôlei, não enfrentou uma equipe candidata ao título em algum dos naipes.

Canoas não passou pelo Brasil Kirin, mas segue no G8 (Fernando Potrick/Gama)

Canoas não passou pelo Brasil Kirin, mas segue no G8 (Fernando Potrick/Gama)

Por outro lado, a rodada e a situação dos times de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul na tabela mostram a distância que existe em relação às principais equipes sudestinas.

O Lebes/Gedore/Canoas perdeu em casa para o Brasil Kirin (3 a 1) e só não saiu do G8 porque o Bento Vôlei/Isabela foi batido pelo Sesi pelo mesmo placar – pela marcha da competição, parece que só haverá lugar para uma das duas equipes gaúchas nos playoffs.

Vice-lanterna, a Copel Telecom Maringá não teve muita chance diante do Sada Cruzeiro e perdeu por 3 a 0, seguindo a quatro pontos do São Bernardo na luta para fugir da seletiva.

Na competição feminina, o Rio do Sul perdeu em casa para o Vôlei Nestlé por 3 a 0 e está na nona posição, sete pontos atrás do oitavo, o Pinheiros.

Ponteiros lesionados
A fase não está boa para alguns dos principais ponteiros da Superliga. Seja pela sequência de partidas, seja por algum acidente de jogo ou de treino, vários titulares da entrada de rede estão lesionados.

Murilo, na Copa Brasil, com proteção no cotovelo (Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

Murilo, na Copa Brasil, com proteção no cotovelo (Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

Lucarelli, da Funvic/Taubaté, com uma lesão no calcanhar, e Murilo, do Sesi, ainda não totalmente recuperado de um problema do cotovelo, não jogam há duas semanas, desde as semifinais da Copa Brasil.

Quem também não atua desde a Copa Brasil é a norte-americana Alix Klineman. Ela sofreu uma luxação no dedo mínimo da mão direita durante um treinamento e desfalcou o Dentil/Praia Clube nas duas partidas da semana – contra Rio do Sul e Pinheiros.

E no sábado, o Sada Cruzeiro pôs o time titular para o jogo contra a Copel Telecom Maringá e perdeu Filipe no último ponto do segundo set. O ponteiro saiu do jogo com uma torção no tornozelo direito. Mais tarde, disse nas redes sociais que o pé estava inchado e que deverá fazer exames nesta segunda-feira para ver a gravidade da lesão.

Arbitragem na Vila Leopoldina
Como fez falta o vídeo check, no jogo entre Sesi e Bento Vôlei/Isabela. Dentre muitas reclamações da equipe gaúcha – umas com razão, outras sem motivo –,o lance emblemático foi o que definiu o terceiro set da partida.

Com 1 set a 1 no placar e 24 a 23 para o time da casa no marcador da parcial, a arbitragem anotou como fora uma bola boa do ponteiro Clint, o que levou à virada sesista na partida.

É óbvio que nada indica que a equipe de Bento Gonçalves venceria o jogo nem, sequer, a parcial (ficaria 24 a 24, bom lembrar). Mas para um time que está lutando ponto a ponto por uma vaga no G8, perder um set por conta de uma marcação equivocada do auxiliar e dos árbitros é complicado.


Desfalcado de Alix, ataque do Praia vai bem com Ellen
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João Batista Junior

Ellen (à direita) tem sido uma boa opção para Claudinha no ataque (foto: Praia Clube)

Ellen (à direita) tem sido uma boa opção para Claudinha no ataque (foto: Praia Clube)

Às portas do Campeonato Sul-Americano (que será disputado entre os dias 14 e 18 deste mês, em Uberaba e Uberlândia), o Dentil/Praia Clube segue em busca de seu melhor voleibol na temporada. O time parece ter ainda mais problemas com o passe nesta Superliga do que na anterior e ainda vê suas principais atacantes das pontas sofrerem com lesões – dores nas costas tiraram Ramirez da partida de terça-feira, contra o Rio do Sul, e uma luxação no dedo mínimo da mão direita impediu Alix Klineman de entrar em quadra nesta semana (ela já havia perdido boa parte do primeiro turno por uma contusão no dedo anelar da mesma mão).

Contudo, na noite da sexta-feira, no ginásio Henrique Villaboin, em São Paulo, o sexteto de Uberlândia – com Ramirez e sem Alix – bateu o Pinheiros por 3 sets a 0 (25-23, 25-18, 25-23). Se por acaso, em algum momento da partida, o time visitante chegou a sentir falta da ponteira norte-americana, não foi por causa atuação de Ellen, sua substituta.

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Antes de qualquer dado estatístico, é preciso ressalvar que os dois compromissos do Praia nesta semana não foram contra equipes do primeiro escalão do voleibol nacional. Dito isso, registre-se que tanto contra o Rio do Sul quanto diante do Pinheiros, Ellen foi a maior anotadora do time e, mais importante, sempre com alto aproveitamento no ataque – 57% em Santa Catarina, 54% em São Paulo. No duelo dessa sexta, ela ganhou o VivaVôlei, prêmio já havia ganho no primeiro turno, na vitória mais importante da equipe até aqui na competição – 3 a 2 sobre o Vôlei Nestlé.

Alix: segunda lesão na temporada (Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV)

Alix: segunda lesão na temporada (Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV)

Aí, quando Klineman se recuperar da nova lesão e puder voltar ao time, Ellen deve sair, é a substituição natural. E é quando eu pergunto: como se comportaria o Dentil/Praia Clube, se as duas jogassem juntas?

Já em condições normais, a linha de passe da equipe, que muitas vezes conta até com a oposta Ramirez, costuma sofrer bastante com o saque adversário. Assim, num teste ou numa emergência, admitindo que Claudinha nem sempre vá conseguir trabalhar com a primeira bola, não seria interessante observar ou pôr em prática um esquema tático que priorize o ataque pelas extremidades da rede?

É claro que a equipe não vai desprezar o poderio ofensivo das centrais Fabiana e Walewska, nem falo necessariamente numa mudança no time titular do Praia. Contudo, faria mal testar (TESTAR) um esquema diferente?

PINHEIROS
Por outro lado, ficou claro que o Pinheiros sentiu o peso do adversário que enfrentou: muitas vezes, na afobação para quebrar o passe mineiro, a equipe cometeu erros de saque em momentos cruciais, o que facilitou o trabalho do Praia.

Na primeira parcial, nas vezes em que teve o passe na mão, a levantadora Ananda conseguiu algumas boas combinações com a central Milka, mas sua tônica na partida foi acionar a oposta Bárbara e a ponteira Vanessa Janke – juntas, elas cortaram 58 das 109 bolas atacadas pela equipe, mas só fizeram 15 dos 35 pontos do time nesse fundamento.

Cinco atacantes baixinhas que provam: tamanho não é documento na Superliga

No segundo set, o time disputou e perdeu um jogo de gato e rato: sempre que o Praia abria boa diferença (e começou a parcial com 7 a 1), o Pinheiros se aproximava, encostava, mas cometia algum erro no saque ou no ataque e acabava tendo de correr atrás novamente.

Mesmo vencido, Pinheiros tem situação cômoda para chegar aos playoffs (William Lucas/Inovafoto/CBV)

Mesmo vencido, Pinheiros tem situação cômoda para chegar aos playoffs (William Lucas/Inovafoto/CBV)

O terceiro set estava encaminhado para equipe anfitriã, que fez muitas modificações na escalação e abriu 11 a 4 no marcador, mas seu jogo voltou a ficar previsível e esbarrou no bloqueio rival – quesito em que as mineiras obtiveram em toda a partida 15 pontos contra 9.

A esta altura da competição, com margem de sete pontos contra o Rio do Sul, nono colocado, e ainda com um jogo a mais do que as catarinenses para disputar, as paulistanas têm motivo para ficar tranquilas em relação à classificação para os playoffs – mérito de quem, no returno, já venceu tie breaks contra Terracap/BRB/Brasília e Vôlei Nestlé.

Contudo, a oitava posição que ocupam atualmente as deixa em rota de colisão com o líder Rexona-Sesc nas quartas de final. Tirar o sétimo lugar do Fluminense, que está apenas dois pontos adiante, para fugir de um complicado duelo na próxima fase deve ser a maior motivação do Pinheiros nesta reta final de fase classificatória.

Rexona: vitória em cinco sets em Manaus (Michael Dantas/Inovafoto/CBV)

Rexona: vitória em cinco sets em Manaus (Michael Dantas/Inovafoto/CBV)

OUTROS JOGOS
Em Manaus, o Rexona-Sesc sofreu, mas venceu o São Cristóvão Saúde/São Caetano por 3 sets a 2 (25-14, 18-25, 23-25, 25-18, 15-9). Com quase 6 mil espectadores, a partida teve o maior público desta Superliga feminina. As cariocas ganharam dois dos três pontos em disputa e mantêm boa vantagem sobre as segundas colocadas – 45 pontos contra 40 do Praia, que jogou uma partida a mais. A ponteira Gabi ganhou o VivaVôlei e, numa atitude inusitada, deu o troféu à oposta rival Edinara, que assinalou nada menos que 28 pontos no confronto – alguém repassar o prêmio a um companheiro de equipe não é novidade, mas a um adversário, talvez tenha sido o primeiro caso.

O Vôlei Nestlé, em Santa Catarina, bateu o Rio do Sul por 3 a 0 (25-21, 25-17, 25-18) e continua em terceiro. O detalhe é que tem dois jogos e três pontos a menos que o representante de Uberlândia, o indica que o time de Osasco, em breve, poderá voltar à vice-liderança.

Rubinho faz “maratona” na preparação para voltar ao mercado

Completando a noite de sexta-feira, o Camponesa/Minas venceu pela quinta vez seguida na Superliga, impondo ao Sesi, em Santo André, um 3 a 0 (25-15, 25-16, 25-19). E o Genter Vôlei Bauru, em casa, depois de quatro derrotas consecutivas, reencontrou a vitória num 3 a 1 sobre o Renata Valinhos/Country, lanterna do campeonato, em parciais de 25-17, 23-25, 25-19, 25-16.