Blog Saída de Rede

Arquivo : Funvic/Taubaté

Em plena discussão sobre ranking, grandes escancaram superioridade
Comentários Comente

João Batista Junior

Lucarelli, Wallace e Éder juntos: ranking não trouxe equilíbrio (foto: Rafinha Oliveira/Taubaté)

Numa semana em que o debate em torno do ranking de jogadores voltou à tona, o fã do vôlei viu Sada Cruzeiro, Sesi e Funvic/Taubaté chegarem a um passo das semifinais da Superliga masculina. E, para que a faca e o queijo pareçam estar ainda mais ao alcance dos grandes, o trio jogará em casa na próxima rodada dos playoffs, o que diminui drasticamente as expectativas de quem sonha (ou sonhava) com séries extensas nessas quartas de final – isso talvez caiba apenas ao duelo entre Brasil Kirin e Montes Claros, que, pelo jogo 1, tende a ir além da terceira partida.

Curta o Saída de Rede no Facebook

A CBV alega que o ranking dos jogadores serve para trazer equilíbrio ao certame, diminui a ação do poder econômico na disputa. Na teoria, isso deveria tornar a Superliga – um campeonato de apenas 12 clubes em cada naipe – uma competição de difícil prognóstico, já que os principais atletas do país estariam espalhados por diversos clubes.

Os atletas alegam que o sistema não atende ao fim pretendido, prejudica quem quer jogar no país e não emparelha os pratos da balança do voleibol nacional: os maiores orçamentos, com ou sem as limitações de ranking, seguem numa dianteira que os médios e os pequenos não alcançam.

Champions League: Fenerbahçe, de Natália, complica a vida do time de Thaisa

Entre as mulheres, as jogadoras de pontuação máxima se queixaram publicamente nesta semana, ao passo que os homens, nesta sexta-feira, vão decidir/saber como funcionará seu campeonato na temporada que vem.

Se precisassem encontrar um argumento contrário às intenções do ranking e, portanto, alinhado à premissa de que os mandatários do vôlei nacional falham em insistir nessa trilha, os jogadores poderiam citar os playoffs da Superliga masculina atual. Os principais elencos do país, recheados de campeões olímpicos e/ou mundiais pela seleção, dão pouca esperança de sucesso a equipes de patamar de investimento inferior: a prática depõe contra o ideal do equilíbrio.

Théo acionado na saída de rede: 21 pontos contra o Minas

OS JOGOS
O Minas Tênis Clube recebeu, em Belo Horizonte, um rival contra quem já havia disputado três partidas na temporada e decidido todas em cinco sets, um adversário combalido, sem seu principal atacante da entrada de rede – Douglas Souza, lesionado no abdômen. Era a ocasião propícia para os minastenistas colocarem o Sesi em dificuldades, talvez pensando num playoff discutido em quatro, cinco partidas, ou, até, temendo a eliminação, já que o ponteiro campeão na Rio 2016 talvez nem volte às quadras antes do final da Superliga. Mas não foi o que aconteceu.

O bloqueio mineiro funcionou bem, anotou 18 pontos (seis de cada um dos centrais, Flávio e Pétrus). Ocorre, no entanto, que o time não foi além disso, não conseguiu explorar a presença de Alan, oposto improvisado como ponteiro, nem a baixa pontuação de Murilo, que voltou ao time titular e, longe ainda da melhor forma física, assinalou somente quatro pontos.

Depois de alguma instabilidade nos dois primeiros sets (vitória apertada na primeira parcial, derrota dilatada na segunda), o time paulista aproveitou-se do saque ineficaz do time da casa. Com uma virada de bola segura e Théo assinalando 21 pontos, o Sesi dobrou a vantagem que tinha no duelo e vai jogar na Vila Leopoldina pensando em encerrar a série pela via mais curta.

“Tem sido difícil, mas era o certo”, diz Bernardinho sobre saída da seleção

Canoas lutou, mas não passou pelo Cruzeiro (Fernando Potrick/Gama)

Por sua vez, o Lebes/Gedore/Canoas tem bons valores, como o ponteiro Gabriel, que foi repatriado do voleibol austríaco e começou o campeonato muito bem, o central Iálisson, de passagem recente pelo Taubaté, e o jovem ponta Alisson Melo, sétimo atacante mais eficiente da Superliga. Mas, dentro do esperado, a equipe não tem sido páreo para o Sada Cruzeiro nos playoffs.

Jogando em casa na segunda partida da série, o time gaúcho até abriu o marcador, teve Alisson Melo assinalando 17 pontos, sendo três em aces, quesito em que empatou com o central Giovanni. A questão é que, do outro lado da rede, havia um time experiente o bastante para esperar e provocar os erros do rival (e foram 35 ao todo). Leal e os centrais Isac e Simón marcaram, respectivamente, 16, 13 e 12 pontos, e a virada foi inevitável.

A série volta para Contagem, no sábado, às 21h30, e só vai novamente ao Rio Grande do Sul em caso de vitória do Canoas.

Siga o Saída de Rede no Twitter

Renan no ataque contra Taubaté: a bola de segurança do JF (Rafinha Oliveira/Funvic Taubaté)

A outra partida já realizada na segunda rodada foi entre Funvic/Taubaté e JF Vôlei. Se, em Juiz de Fora, os sétimos colocados da fase classificatória chegaram perto de vencer um set, em Taubaté, não ficaram só no quase. Renan, que defendeu a seleção brasileira no ciclo olímpico passado, marcou 26 dos 48 pontos de ataque de sua equipe, teve aproveitamento de 63% nas cortadas.

Pela boa atuação de seu oposto, os visitantes (ajudados pelos erros que Taubaté cometia – 25 ao todo) ganharam um set. Mas, como só tinham Renan em jornada inspirada, não puderam levar o jogo para o tie break.

Enquanto Osasco espera adversário, Rio x Minas é promessa de grande duelo

Taubaté teve um inusitado problema com o líbero Mário Jr., que jogou socorrendo-se com um colírio, de palmo em palmo, para aliviar uma irritação nos olhos, mas cumpriu o roteiro e venceu: Wallace, com 20 pontos, e Lucas Lóh, com 60% de aproveitamento no ataque, comandaram o time. Lucarelli, que perdeu boa parte do returno, anotou 12 pontos e parece estar aproveitando os jogos contra a equipe de Juiz de Fora para adquirir ritmo de jogo.

A terceira partida, que será na segunda-feira, mais uma vez em Taubaté, pode ser também a última da série.

Resultados da 2ª rodada dos playoffs da Superliga masculina:

Minas 1 x 3 Sesi (25-27, 25-19, 21-25, 18-25)
Lebes/Gedore/Canoas 1 x 3 Sada Cruzeiro (25-23, 18-25, 15-25, 14-25)
Funvic/Taubaté 3 x 1 JF Vôlei (25-15, 14-25, 25-18, 26-24)
Brasil Kirin x Montes Claros – sábado, às 14h10


“Tem sido difícil, mas era o certo”, diz Bernardinho sobre saída da seleção
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

Colocar um ponto final na sua história com a seleção masculina após 16 temporadas não foi fácil para Bernardinho. Dois meses depois de deixar o cargo, o técnico bicampeão olímpico e tri mundial, que hoje segue no comando do time feminino Rexona-Sesc, reflete sobre o peso da decisão. “Tem sido difícil, mas era o certo. É duro, mas era o correto”, afirmou ao Saída de Rede.

Curta o Saída de Rede no Facebook
Siga @saidaderede no Twitter

Na segunda parte da entrevista ao SdR (veja aqui a primeira), Bernardinho fala ainda sobre seu papel na Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) de agora em diante (“não tenho cargo, sou um colaborador”), a relação entre clubes e seleção, a possibilidade de criação de uma liga independente no país, transmissões online e admite que, entre as inúmeras propostas que recebe do exterior, duas mexeram com ele.

Confira nossa conversa com Bernardo Rezende:

Saída de Rede – Qual a importância das transmissões online para a exposição dos patrocinadores?
Bernardinho – Todo tipo de visibilidade para os patrocinadores, desde que se respeitem as normas, é importante. Então as transmissões são fundamentais. Claro que é preciso se organizar, pois é um movimento conjunto. Não pode ser feito um contra o outro. Os clubes têm que ser beneficiados. Vivemos uma crise, ter patrocinadores é uma coisa cada vez mais difícil, então temos que pensar efetivamente nisso. Caso contrário, teremos um decréscimo de investimentos e, com isso, um empobrecimento dos clubes e do voleibol brasileiro, o que não é bom. E a seleção se alimenta dos clubes.

Bernardinho orienta suas atletas durante pedido de tempo (Alexandre Arruda/Rexona-Sesc)

Saída de Rede – Oito dos doze clubes da primeira divisão da Superliga masculina integram a Associação de Clubes de Vôlei (ACV)*. O que você acha da possibilidade de criação de uma liga no país?
Bernardinho – Tem que haver um sentido de liga efetivamente. Muitas vezes cada clube tem seus interesses próprios. Acho que se uma liga surgir atendendo o interesse de todos será bem-vinda, válida. Agora, tem que ter interlocução com a CBV, tem que conversar. Pode até ser que os clubes cheguem a um acordo e administrem a liga, né. Porém, autonomia para negociar não é tão simples. Se alguns dos clubes que estão de fora são importantes, como é o caso do Campinas (Brasil Kirin), então você vai ter que entender o porquê disso. Se é algo tão positivo, por que alguns times estão de fora?

Saída de Rede – Quais os empecilhos para a implantação de uma liga no Brasil?
Bernardinho – O que é uma liga? Uma liga é onde todos lutam, onde todos se beneficiam do bolo. Você briga na quadra, onde você tenta ganhar, só ali. O sentido tem que ser esse, não o de “ah, eu vou querer me beneficiar, eu vou querer prejudicar o outro”. E às vezes o que sinto que é uns clubes não têm interesse no benefício dos outros, olham somente para o interesse próprio. Então temos que fazer uma autoanálise, se realmente a intenção é nobre no sentido de criar uma liga onde todos de alguma forma se beneficiarão. Outra coisa são clubes que apenas chegaram, surgiram quererem também… Ah, calma! Vamos primeiro provar que nós temos condições de estar aí. Há uns com tradição, com história e têm todo o direito de pleitear uma posição de um comando maior, uma autonomia maior para traçar as diretrizes para o seu clube, para os times como um todo, para o campeonato, que já disputam há muito tempo, que é o caso de várias estruturas que estão aí há muitos anos, alguns há décadas. No caso do Rexona são 20 anos.

Técnico se irrita durante partida na Rio 2016 (FIVB)

Saída de Rede – De que maneira esse processo deveria se dar, caso a ideia seja levada adiante?
Bernardinho – Eu acho que, de alguma forma, é preciso pensar numa integração maior num primeiro momento e depois de muitos anos se tornaria isso, uma liga independente… Acho que os passos precisam ser dados. Tem que se pensar na forma de se fazer, se criar responsabilidades claras, punições também, para aquilo que não for cumprido dentro daquelas que seriam as normas. Não é somente criar e depois vem aquilo que é um pouco do sentimento do brasileiro, aquele paternalismo… “Ah, mas a Confederação (Brasileira de Vôlei) não tutela os nossos interesses”. Se é autonomia, então os clubes têm que ter autonomia e a capacidade de gerir a sua própria liga. Aí, acredito eu, a Confederação teria apenas a responsabilidade sobre questões técnicas, como a arbitragem, o regulamento. Mas todas as questões de patrocínio, de marketing seriam tuteladas por essa liga independente. Acho que tudo é uma questão de negociar, ninguém pode se furtar a debater o assunto, buscar soluções, o que for melhor para o voleibol.

Saída de Rede – Como é a relação entre clube e seleção?
Bernardinho – Muitas vezes vejo alguns clubes que têm certa dificuldade em colaborar com a seleção… Eu tenho até dificuldade de falar aqui, minha intenção é colaborar…  É que os clubes são muito importantes, mas a seleção é o carro-chefe do momento, as seleções… Por quê? As seleções formam os ídolos nacionais que os clubes vão querer contratar. “Ah, mas o jogador fica muito tempo na seleção, isso e aquilo”. Mas se o jogador não ficar muito tempo, e o tempo que ele fica lá é necessário para ter um grande resultado, o clube não vai se beneficiar. E sem os ídolos, os clubes não vão ter patrocínios. Isso é um fato. Então às vezes, sabe, há uma forma de se justificar totalmente equivocada. Seleção é o carro-chefe e os clubes são muito necessários e importantes. Eu digo isso porque eu estou à frente de um clube e não é há pouco tempo. A gente tem que entender que sem os ídolos da seleção os clubes não terão condições de se sustentar, pois os patrocinadores querem os grandes ídolos aqui no Brasil.

Saída de Rede – Quando você diz que alguns clubes têm dificuldade em colaborar, vê isso ocorrer mais no masculino ou no feminino?
Bernardinho – Um pouco mais no masculino.

Segundo o treinador, Taubaté não liberou Lipe para uma excursão com a seleção em 2015 (FIVB)

Saída de Rede – Por exemplo…
Bernardinho – Taubaté é um caso especial, com um dirigente bastante peculiar, que é o Ricardo Navajas, que eu não tenho nada contra. Muito pelo contrário, ele faz o trabalho dele, respeito o trabalho dele lá, mas ele nunca teve uma posição de colaboração. Prejudicar nunca prejudicou, agora nunca foi um cara que veio “ah, vamos apoiar”. Ele tem que entender que os ídolos do Taubaté são ídolos que foram feitos na seleção. Veja o Lucarelli… Ele não surgiu lá. Surgiu no Minas (Tênis Clube), depois foi pro Sesi, aí na seleção começou a ter mais maturidade e depois foi pra Taubaté. O Lipe (atualmente no voleibol turco, no Halkbank Ankara) longe de ter começado lá, como tantos outros, o Wallace, o Éder… Há de haver um entendimento sobre essas coisas, é preciso ter um equilíbrio. E a seleção… Eles falam “ah, a seleção quer ter mais tempo”. Mais tempo para se preparar. Em 2015, por exemplo, teve jogador que ficou de fora de uma excursão importante (aos EUA e à Europa), caso do Lipe, porque Taubaté não liberou. A excursão era importante porque fomos impedidos pela Federação Internacional de Vôlei de participar da Copa do Mundo e aquela era a última chance da gente avaliar a equipe na temporada. Eles (Taubaté) pressionaram para não participar, tanto é que o Lipe não viajou.

Saída de Rede – Essa resistência de alguns clubes é pelo desgaste do atleta, risco de lesão? O que eles argumentam?
Bernardinho – O argumento é sempre alguma coisa desse tipo, que os clubes têm mais competições, que é preciso… Digo os clubes de uma forma geral. Claro que no final há o bom senso, você tem o equilíbrio da temporada como um todo… Eu falei desse exemplo (do Taubaté), mas você tem isso nos clubes de uma forma geral, eles têm essa questão da disputa por espaço. As seleções têm que ter um espaço importante para as competições. Contusão acontece na seleção e acontece no clube. Nós todos temos que ter o bom senso de fazer aquilo que deve ser feito. Quando os jogadores se machucam nos clubes, o que acontece eventualmente, a seleção não fica “ah, olha os caras…”. Não, no alto rendimento isso pode acontecer, não é verdade? Terminou a Olimpíada do Rio, apesar de um sentir algo aqui e outro ali, todos estavam aptos a jogar, como jogaram até a final. Numa competição intensa, dura, dia sim, dia não, logo depois de uma Liga Mundial, onde nós chegamos a final também.

“Seleção é o carro-chefe, é fato” (FIVB)

Saída de Rede – Qual a saída para esse impasse?
Bernardinho – Que haja um entendimento que todos são profissionais competentes nos clubes e nas seleções. A intenção da seleção é ganhar títulos. Ao ganhar títulos e formar ídolos, a partir dessas conquistas, com a visibilidade que a seleção tem, os clubes se beneficiam disso, obviamente. Os clubes têm o papel de desenvolver esses jogadores. Sem os clubes as seleções não terão seu processo de alimentação realizado. As seleções precisam dos clubes. É importante que haja entendimento e que um colabore com o outro. Quanto mais as seleções forem vitoriosas e mais os clubes brasileiros desenvolverem grandes atletas e com isso atraírem patrocinadores, melhor para todo o movimento, nós vivemos disso. O problema às vezes é querer olhar apenas para o próprio umbigo. A gente tem que ter uma visão mais do todo, da importância de todos nesse processo. Somos todos peças de um grande mecanismo, mas o mesmo mecanismo, o voleibol brasileiro. Eu não tô agora mais na seleção, mas não adianta, é o carro-chefe, é fato.

Saída de Rede – Como foi deixar o cargo de técnico da seleção masculina depois do ouro na Rio 2016?
Bernardinho – Foi difícil… Mas aquilo nunca foi meu, eu era parte daquilo. Não era um feudo meu, estive lá por um tempo, os resultados foram satisfatórios, afinal fui mantido por um tempo até bastante longo, mas terminou. Agora eu vou colaborar naquilo que for pedido. Se quiserem a minha colaboração, jamais deixarei de colaborar com a seleção e principalmente com o Renan, que no caso está lá hoje e que é um irmão que a vida me deu. Ele é um cara excepcional, uma figura humana de primeiríssima qualidade. Eu tenho certeza que o trabalho dele vai ter um êxito incrível, numa nova forma de fazer. Claro que há um alinhamento, ele conhece muito, estava ali bem perto de todos nós, mas são coisas novas, situações novas.

Sobre Renan: “Figura humana de primeiríssima qualidade” (arquivo pessoal/Renan Dal Zotto)

Saída de Rede – Agora como coordenador técnico, até onde irá sua participação na seleção masculina?
Bernardinho – Na verdade eu não sou nada, sou um colaborador.

Saída de Rede – A CBV anunciou seu nome nesse cargo de coordenador técnico quando o Renan foi apresentado como novo treinador.
Bernardinho – Não, eu não tenho cargo, sou um colaborador. Fui chamado para uma reunião com todos os treinadores, fui lá na CBV, dei os meus pitacos, opiniões, falei, participei… Sempre que eu for chamado e tiver a possibilidade de ir, estarei lá. Agora, não é simples sair, tem sido difícil, mas era o certo. É duro, mas era o correto.

Saída de Rede – Você continua recebendo propostas do exterior?
Bernardinho – Muitas.

Saída de Rede – Alguma te balançou?
Bernardinho – Só as dos Estados Unidos me balançaram. Não pela proposta financeira, mas as possibilidades que elas abrem. Tive também da Europa e da Ásia, mas essas dos Estados Unidos mexeram comigo, vindas de duas universidades.

Saída de Rede – De quais universidades?
Bernardinho – Não quero dizer até porque há treinadores trabalhando lá. Mas me interessa porque envolve a questão da educação, combina área acadêmica e esporte. Isso é algo que eu não tive quando estudante. Eu me formei em economia (em 1984, na PUC-Rio) e queria fazer uma pós-graduação fora. Então poderia ter essa possibilidade agora. E também pelas meninas, minhas filhas (Júlia e Vitória), para elas também seria uma oportunidade interessante. Não tem sentido eu largar a seleção brasileira, uma seleção como essa, para dirigir um grande time na Europa. Que sentido isso tem, não é verdade? Se fosse para treinar um desses times, eu continuaria na seleção.
__________________________

*Sada Cruzeiro, JF Vôlei, Montes Claros, Funvic/Taubaté, Copel Telecom Maringá, Lebes Gedore Canoas, Sesi e Bento Vôlei integram a Associação de Clubes de Vôlei (ACV)


Entre um susto e outro, favoritos vencem (e Cruzeiro passeia) nos playoffs
Comentários Comente

João Batista Junior

Cruzeiro não teve problemas para vencer Canoas (foto: Renato Araújo/Sada Cruzeiro)

Em casa ou fora de seus domínios, os favoritos começaram as quartas de final da Superliga masculina dando um passo na direção da próxima fase. Todos venceram: o Sesi, que flertou com a derrota e salvou-se em cima da hora, a Funvic/Taubaté e o Brasil Kirin, que tiveram de suar a camisa na quadra adversária, e o Sada Cruzeiro, que atropelou.

Siga o Saída de Rede no Twitter

Curta a página do Saída de Rede no Facebook

A rodada inaugural dos playoffs acentuou o favoritismo cruzeirense ao título. O time nem precisou jogar no mesmo nível do voleibol apresentado no sábado retrasado, na vitória por 3 a 0 sobre o Brasil Kirin, para vencer o Lebes/Gedore/Canoas pelo mesmo placar. Em quadra, a diferença entre o dono da melhor campanha na competição e o oitavo colocado foi resultado do excessivo número de erros dos visitantes e, sobretudo, da eficiência do ataque anfitrião (aproveitamento de 61%).

Sem conseguir parar as cortadas do time da casa – que teve Leal e Evandro atacando juntos 35 bolas e pontuando em 22 delas – e fustigado pelo bloqueio mineiro, que amorteceu muitas investidas dos adversários e propiciou vários contra-ataques, o sexteto gaúcho acabou cometendo 26 erros, concedendo mais que um set inteiro em falhas num jogo de três parciais. O segundo compromisso dessa disputa será em Canoas.

Mesmo derrotados, Pinheiros e Bauru se destacam na abertura dos playoffs

Sesi: da derrota iminente à virada sobre Minas (Karen Griz/Sesi-SP)

Num caminho oposto ao do Cruzeiro, o Sesi só acordou quando já perdia por 2 a 0 do Minas Tênis Clube. Com o ponteiro Alan no lugar de Murilo, que ainda se recupera de uma lesão no cotovelo e entrou em rápidas passagens a partir do segundo set, o time paulista teve problemas no passe e, em consequência, na virada de bola. O sistema defensivo mineiro levava tanta vantagem sobre o ataque sesista que os muitos contra-ataques desperdiçados nas duas primeiras parciais não fizeram falta aos visitantes.

O ritmo do jogo mudou quando o levantador Rafa e o central Aracaju entraram, respectivamente, no lugar de Bruno e Lucão. Théo e Douglas Souza cresceram na partida e, exigido, o Minas descobriu que seus erros (foram 43 em toda a partida) seriam punidos: no tie break, o time teve o match point na mão, mas o cubano Yordan Bisset atacou para fora. Mesmo jogando mal e contando com um pouco de sorte, a vitória é um alívio para o Sesi, que vai disputar o jogo 2 da série em Belo Horizonte.

Mari: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”

Já para Funvic/Taubaté e Brasil Kirin, que começaram atuando em território adversário, o fator casa pode garantir uma rápida classificação às semifinais. Teoricamente, é claro.

Lucarelli em ação contra JF Vôlei (Rafinha Oliveira/Vôlei Taubaté)

Taubaté enfrentou um valente JF Vôlei – que o havia batido há uma semana – e teve muito trabalho para vencer os dois primeiros sets: em ambas as parciais, os tricampeões paulistas abriram vantagem e viram os rivais, com um bom bloqueio, reagirem perigosamente.

Com o apoio da torcida, o sexteto de Juiz de Fora talvez merecesse conquistar uma parcial, que fosse. Contudo, prevaleceu a experiência do segundo colocado da fase classificatória, que contou com a volta de Lucarelli – recuperado de lesão – ao time titular. Os visitantes frearam o crescimento dos anfitriões e superaram uma equipe que sobrecarregou o oposto Renan e não teve força para lutar no terceiro set.

Agora, para poder voltar a jogar em casa, os mineiros têm a ingrata missão de vencer, ao menos, um dos dois próximos duelos, que serão disputados no interior de São Paulo.

Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”

Na matemática e na tabela, a situação do Brasil Kirin é igual à da Funvic/Taubaté: venceu o Montes Claros em Minas e, agora, ganhar as duas próximas partidas em casa é o que lhe basta para avançar na competição. A diferença é que a missão da equipe campineira (teoricamente, repito) tende a ser mais complicada do que a do time do Vale do Paraíba.

Rivaldo, do Brasil Kirin, investe contra bloqueio do Montes Claros: vitória apertada em Minas (Fredson Souza)

Os quatro sets do primeiro duelo entre quarto e quinto colocados da Superliga foram definidos por vantagem mínima no placar. Isso não quer dizer, no entanto, que a partida tenha sido um suspense de tirar o fôlego: o Brasil Kirin venceu um jogo mais equilibrado do que emocionante – exceção, talvez, à virada paulista na quarta parcial, depois de estar perdendo por 18 a 13.

Montes Claros conseguiu 62 a 51 em pontos de ataque, mas, longe de fazer uma boa partida, colaborou com a vitória dos visitantes cometendo 35 erros contra 26. Um reflexo da má atuação dos mineiros foi Maurício Souza ter obtido seis aces: o central estava numa ótima jornada no serviço (é verdade) e tem um flutuante que bagunça a linha de passe adversária (outra verdade), mas conquistar SEIS pontos de saque nesse estilo é exagero.

Contudo, se o Brasil Kirin não teve vida fácil, mesmo diante de um adversário em dia instável, não será surpresa se a série se estender para além do jogo 3, embora as duas próximas partidas sejam em Campinas.

Resultados da 1ª rodada dos playoffs da Superliga masculina:

Sada Cruzeiro 3 x 0 Lebes/Gedore/Canoas (25-20, 25-17, 25-17)
Sesi 3 x 2 Minas Tênis Clube (20-25, 23-25, 25-23, 25-23, 18-16)
JF Vôlei 0 x 3 Funvic/Taubaté (27-29, 23-25, 18-25)
Montes Claros 1 x 3 Brasil Kirin (23-25, 27-25, 25-27, 23-25)


Disputa paulista pela vice-liderança da Superliga tem Sesi em vantagem
Comentários Comente

João Batista Junior

Sesi tenta manter vice-liderança e vantagem para os playoffs (fotos: Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

A briga mais interessante das três últimas rodadas da fase classificatória da Superliga masculina é pelo segundo lugar da tábua de classificação: só um ponto separa o Sesi da Funvic/Taubaté. Não é um duelo, necessariamente, que vise às quartas de final, já que, a essa altura, não há ainda uma definição clara sobre quem terminará em sexto ou em sétimo – o JF Vôlei, o Minas e até o Lebes/Gedore/Canoas, a rigor, podem enfrentar qualquer um dos dois paulistas. O que vale em mais essa disputa das duas equipes é a vantagem do fator casa num hipotético reencontro nas semifinais.

(Diz a matemática que o Brasil Kirin, seis pontos atrás do vice-lider, ainda tem chance nessa disputa, mas a derrota por 3 a 1 para o time da Vila Leopoldina, na última quinta-feira, parece ter barrado a equipe campineira desse baile.)

Siga o Saída de Rede no Twitter

Demora nas contratações complica Minas na reta final da Superliga

Taubaté: quatro vitórias e duas derrotas contra o Sesi, na temporada

Considerando todas competições da temporada 2016/2017, Sesi e Funvic/Taubaté se enfrentaram seis vezes, com quatro vitórias para o time do interior e duas para o da capital. As duas equipes decidiram o título paulista e o da Copa Brasil e em ambos os casos o troféu foi para o Vale do Paraíba. Isso, por si só, garantiria ao time comandado por Cézar Douglas uma ótima vantagem sobre o do técnico Marcos Pacheco num possível encontro nos playoffs.

Porém, se o Sesi mantiver a segunda posição – e tem boa chance para isso –, a questão do favoritismo tem de ser revista. Excetuada a final da Copa Brasil, que foi em Campinas, o vencedor de cada um dos duelos entre os dois sextetos foi sempre o mesmo: o time da casa. É inegável que isso traga boas perspectivas para quem, numa série melhor de cinco, puder jogar três vezes em seu reduto.

Nesse panorama, é certo que o Taubaté busque, a todo custo, ultrapassar o Sesi, mas o caminho que os dois times vão percorrer daqui por diante mostra que essa missão será complicada.

Time de vôlei inova e representa oficialmente clube em parada LGBT

Sábado, a Funvic/Taubaté joga contra o Brasil Kirin em Campinas. É um duelo longe de ser vencido de véspera, mas que pode levar os tricampeões paulistas à segunda posição, já que o Sesi irá a Contagem (MG) para ter o Sada Cruzeiro do outro lado da rede.

No entanto, mesmo uma pretensa inversão de papéis na ordem da classificação não deve afobar a experiente equipe do Sesi: a partir daí, enquanto os ex-campeões nacionais encaram o JF Vôlei, em casa, e o lanterna Caramuru Castro/Vôlei, no Paraná, os vencedores da Copa Brasil recebem o Sada Cruzeiro e fecham sua participação contra o JF Vôlei, em Minas.

Curta a página do Saída de Rede no Facebook

Sem forçar, Sada Cruzeiro sobra e chega ao tetracampeonato sul-americano

Derrota para o Sesi deixou o Brasil Kirin longe da briga pelo segundo lugar

Alguns fatores devem ser considerados e podem mudar o rumo dessa disputada pela vice-liderança. Por exemplo, o Sada Cruzeiro, que só precisa de um ponto para garantir o primeiro posto da tabela, vai continuar mandando o sexteto principal à quadra, como tem feito há algumas rodadas, ou vai voltar a jogar com um time misto? E mesmo Sesi e Taubaté, que sofreram com jogadores lesionados nesta temporada (Murilo e Lucarelli não jogam desde as finais da Copa Brasil), aceitarão correr riscos nessa reta final de fase classificatória? Isso, por tabela, poderia colocar o Brasil Kirin (que visita o líder na última rodada) de volta a essa briga?

Seja como for, quem terminar essa fase na segunda posição já parte nos playoffs com a premissa de que vai ter nas arquibancadas um diferencial para chegar à decisão do campeonato.


Twitter vira palco de alfinetadas entre clubes e atletas de vôlei
Comentários Comente

Carolina Canossa

Levantador Bruno Rezende criticou postura de dirigente do Taubaté (Fotos: Reprodução)

Já diz o ditado que “roupa suja se lava em casa”. A frase, porém, não se aplica ao voleibol brasileiro. Cada vez mais, clubes e atletas estão usando o poder das redes sociais para escancarar sua insatisfação com recentes acontecimentos e até mesmo para trocar farpas entre si.

Somente no último fim de semana, foram dois casos: no sábado (18) pela manhã, o levantador Bruno Renzende, do Sesi-SP, postou uma série de mensagens no Twitter explicando aos fãs porque a partida da equipe contra a Funvic/Taubaté não seria televisionada.

Qual time leva mais público aos ginásios da Superliga? Descubra!

Curta o Saída de Rede no Facebook!

“Bom dia a todos. Hoje temos um jogão pela Superliga aqui contra Taubaté… 7 campeões olímpicos em quadra… e não teremos transmissão! Porém dessa vez a TV e nem a CBV tem culpa….a Rede TV ofereceu duas datas para a transmissão da partida e o diretor de Taubaté não aceitou. Alegou que a torcida não compareceria no horário da partida (sábado 14:15). Eu já joguei algumas vezes em Taubaté e a torcida independente do horário e dia sempre comparece! Estou escrevendo isso pois lutamos muito para ter uma TV aberta e quando temos a possibilidade ficamos nas mãos de pessoas que não pensam no voleibol como um todo. Isso é uma pena…. não me calarei quando perceber que nosso movimento estiver sendo prejudicado! Uma pena para os torcedores que não poderão comparecer aqui no ginásio hoje. Fica aqui o meu desabafo”, escreveu o atleta.

Na noite de sábado, William reclamou da arbitragem dos jogos do Brasil Kirin…

A equipe de Taubaté preferiu não se pronunciar sobre as declarações. Procurado pelo Saída de Rede, o supervisor Ricardo Navajas também ressaltou que ele não iria falar sobre o assunto “porque cada clube tem o seu interesse”. Vale destacar que problema semelhante já havia ocorrido no duelo entre Camponesa/Minas e Vôlei Nestlé, realizado na sexta (17): interessada na transmissão do jogo, o melhor da rodada feminina, a “RedeTV!” pediu em janeiro que o confronto fosse realizado no dia anterior, mas a equipe paulista não aceitou a mudança porque havia atuado na terça (14) e achou que haveria pouco tempo para descanso, viagem e preparação.

À noite, a polêmica envolveu arbitragem. Devido a marcações polêmicas da arbitragem no duelo entre Brasil Kirin e Montes Claros, o levantador William Arjona, do Sada Cruzeiro, também usou o Twitter para disparar contra o time paulista: “Campinas é o lugar onde os times são mais garfinhados que eu já vi na minha vida! Me desculpem a sinceridade. Vídeo check em campinas já!!!”.

Estudos e COI garantem transexual brasileira no vôlei feminino

Também estamos no Twitter. Siga-nos: @saidaderede

Técnico do Brasil Kirin, o argentino Horacio Dileo devolveu, ainda que sem citar nomes: “Todos treinam , todos planejam , todos jogam. BRASIL KIRIN também. Não precisamos de ajuda de ninguém.RESPEITEM se desejam ser RESPEITADOS. Quando BRASIL KIRIM perde PARABENIZA a quem ganhou e depois volta a trabalhar. Não reclama NUNCA !!! Respeitem pra ser RESPEITADOS”.

… e foi respondido pelo técnico Horacio Dileo, da equipe paulista

Devido aos erros ocorridos em Campinas, sete dos oito times pertencentes à Associação de Clubes de Vôlei (Sada Cruzeiro, Funvic Taubaté, Sesi, Montes Claros, JF Vôlei, Lebes/Gedore/Canoas, Bento/Isabela e Copel/Telecom/Maringá) postaram em suas mídias sociais uma imagem com as hahstags #voleibolimparcial, #arbitragemimparcial e #videocheckurgente.

“O jogo de sábado ficou mais latente, fato mais recente, mas se pegarmos o histórico, são muito recorrentes essas questões de arbitragem em Campinas. Quero acreditar que não há nada combinado, e que é só uma tendência dos momentos de dúvida apoiar o Campinas. Mas eles são uma equipe parceira da CBV”, afirmou Andrey Souza, gestor do Montes Claros, ao jornal mineiro “O Tempo”.

Parte dos clubes protestaram contra a arbitragem na Superliga

Polêmica nas transmissões estourou no início do mês

As reclamações sobre transmissões de partidas da Superliga não são recentes, mas ganharam força no início do mês de fevereiro, quando o ponteiro Murilo Endres reclamou publicamente que sua equipe foi impedida de mostrar online um jogo que não foi televisionado. Em entrevista exclusiva ao SdR, o CEO da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Ricardo Trade, explicou que casos do tipo só poderiam ser liberados quando os times cumprissem uma padronização mínima de transmissão, mas garantiu que a entidade está trabalhando para viabilizar a ideia para a próxima temporada.

Outros times já haviam tentado ações semelhantes, caso do Maringá, que inclusive montou uma excelente estrutura para transmissão (atualmente parada) e o Cruzeiro, que obteve grande sucesso em uma transmissão feita com apenas uma câmera via Facebook, mas acabou advertido.

* Corrigido às 16h03 de 22/03 – Ao contrário do que dizia a primeira versão do texto, o Sesi participou sim dos protestos da ACV. Pedimos desculpas pelo erro.


Minas supera Taubaté em jogo de altos e baixos
Comentários Comente

João Batista Junior

Bisset enfrenta bloqueio do Taubaté: bola mais forte do Minas (fotos: Orlando Bento/MTC)

Bisset enfrenta bloqueio do Taubaté: bola mais forte do Minas (fotos: Orlando Bento/MTC)

Depois dos jogos deste sábado, faltarão ainda sete rodadas para o fim da fase classificatória da Superliga masculina. A tábua de classificação do campeonato mostra o Sada Cruzeiro disparado na ponta, Sesi, Funvic/Taubaté e Brasil Kirin brigando pela segunda posição, e Montes Claros, colhendo os frutos da campanha do primeiro turno, numa confortável quinta posição. A disputa pelas três outras vagas aos playoffs, a essa altura, parece restrita a JF Vôlei, Minas Tênis Clube, Lebes/Gedore/Canoas e Bento Vôlei/Isabela.

Nesse panorama, a vitória do Minas sobre o Taubaté, em Belo Horizonte, por 3 sets a 2 (25-22, 15-25, 25-22, 22-25, 16-14) pode ter sido um passo decisivo par a equipe da casa chegar aos mata-matas, pois bateu um adversário da parte de cima da tabela, que, em todo o campeonato, só havia concedido um ponto a um dos rivais diretos dos mineiros (numa vitória por 3 a 2 sobre o Canoas, na longínqua terceira rodada).

Para a equipe do Vale do Paraíba, que vinha embalada pelo título na Copa Brasil e por quatro vitórias seguidas na Superliga, o resultado da tarde deste sábado pode até lhe custar a terceira posição, se o Brasil Kirin vencer o Canoas fora de casa.

Curta o Saída de Rede no Facebook

O JOGO
O saque foi o termômetro de uma partida bastante irregular. O Minas investiu na variação de saque, ora forçado, ora flutuante, e os paulistas passaram a errar na recepção e no ataque. Nem mesmo a entrada de Japa no lugar de Vinícius, no terceiro set, para melhorar a recepção do Taubaté, mudou o ritmo da partida.

Wallace teve muita dificuldade contra o sistema defensivo do Minas

Wallace teve muita dificuldade contra o sistema defensivo do Minas

Com Wallace numa jornada pouco inspirada (apesar dos 22 pontos anotados, o oposto errou bastante no ataque) e sem o passe na mão para acionar os centrais, Raphael sofreu com a ausência de Lucarelli – contundido já há duas semanas.

A Funvic/Taubaté também conseguiu tirar o passe do levantador Thiago Gelinski, especialmente com boas passagens dos centrais Éder e Otávio. A diferença é que, mesmo com o passe quebrado, o armador mineiro teve no cubano Yordan Bisset a melhor opção para o ataque e no oposto Felipe Roque, que cresceu no decorrer do confronto, uma boa alternativa. Bisset, inclusive, marcou 20 pontos, teve 60% de aproveitamento nas cortadas e ganhou o troféu VivaVôlei.

Desfalcado de Alix, ataque do Praia vai bem com Ellen

Não fosse a falta de consistência em seu jogo, o time da casa, que cometia erros em momentos cruciais, talvez houvesse definido a partida em 3 a 1. Mas o retrato da inconstância mineira foi justamente a reta final do quarto set: o oposto Aboubacar entrou numa inversão e levou o sexteto local ao empate em 22 a 22, com um ace. Em seguida, o time concedeu três pontos em erros e teve de definir o confronto no tie break.

A vitória do Minas foi definida num set parelho, em que os dois sistemas defensivos cresceram de rendimento e no qual Wallace, já sobrecarregado, cometeu um erro na última bola.


Copa Brasil: clubes brasileiros não devem viver só de Superliga
Comentários Comente

João Batista Junior

Casa cheia foi a tônica no Taquaral, nas finais da Copa Brasil (foto: William Lucas/Inovafoto/CBV)

Casa cheia foi a tônica no Taquaral, nas finais da Copa Brasil (foto: William Lucas/Inovafoto/CBV)

A vitória do Rexona-Sesc sobre o Camponesa/Minas, sábado, em Campinas, fechou a edição 2017 da Copa Brasil. Se o torneio tem pontos a melhorar, também é preciso ressaltar aspectos positivos de uma competição que, a rigor, é um apêndice da Superliga, mas que deu sinais de que pode, de fato, crescer.

Curta a página do Saída de Rede no Facebook

PONTOS POSITIVOS

Público
Não dá para não começar a falar da Copa Brasil sem mencionar a ótima presença de público nos dois Final Four. A rigor, a torcida em Campinas só teve um jogo do time de casa para ver (derrota do Brasil Kirin para Taubaté por 3 a 0), mas lotou o ginásio Taquaral nas semifinais e decisão masculina, repetindo a dose no naipe feminino. Esse talvez tenha sido o ponto mais alto de todo o torneio.

1967: O Mundial de Vôlei que a Guerra Fria encurtou

Titulares em quadra
A ideia de que o torneio não vale nada ficou à margem do Taquaral. Os jogos semifinais e finais não serviram de mero laboratório às melhores equipes do país, que preferiram escalar seus atletas titulares em vez de argumentar que o calendário é massacrante.

Um bom exemplo disso é que o Sada Cruzeiro, mesmo com toda a coleção de troféus que possui, encarou o Sesi com seu sexteto titular – o que, diga-se de passagem, tem se visto bem pouco na Superliga, já que a comissão técnica mineira tem usado a fase classificatória da competição para dar rodagem ao elenco.

Outro exemplo é que a Funvic/Taubaté, nas semifinais, escalou Lucarelli diante do Brasil Kirin, ainda que as condições físicas do ponteiro não fossem as melhores. (O reverso da medalha é que o jogador agravou uma lesão no pé e, por conta dela, até desfalcou a equipe no último sábado, contra o Lebes/Gedore/Canoas, pela Superliga).

As verdadeiras mudanças foram as promovidas pelo Vôlei Nestlé diante do Camponesa/Minas: Tandara, com indisposição gástrica, foi poupada, enquanto Paula Borgo ficou na reserva da sérvia Ana Bjelica.

Sada Cruzeiro e Sesi disputaram uma semifinal emocionante (Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

Sada Cruzeiro e Sesi disputaram uma semifinal emocionante (Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

Competitividade
A Copa Brasil não deixou a desejar em termos de emoção e de competitividade.

Camponesa/Minas e Vôlei Nestlé, no feminino, assim como Sesi e Sada Cruzeiro, entre os homens, disputaram semifinais em que os erros, se cometidos em excesso, foram compensados ralis vibrantes e finais surpreendentes. A Funvic/Taubaté, que fazia uma temporada mediana na Superliga, mostrou que, assim como foi no Campeonato Paulista, é um time que pode se agigantar na hora de decidir. E o Rexona-Sesc, com variações táticas e a eficiência de sempre, atestou outra vez que tem o melhor jogo coletivo do país.

PARA MELHORAR

Estatísticas
É lamentável que a CBV não dê à Copa Brasil a mesma atenção dispensada à Superliga. Num torneio que chamou a atenção do público e que teve transmissão para todo o Brasil pelo SporTV e também na TV aberta, com a TV Brasil, a entidade máxima do voleibol nacional não disponibilizou informações estatísticas que subsidiassem análise das equipes nem dos atletas nos fundamentos.

Fabiana diz que Zé Roberto insiste, mas ela garante que não volta à seleção

Estrutura
Essa não deveria entrar na conta da Copa Brasil, mas, como foi numa partida válida pelo torneio, a queixa deve aparecer aqui mesmo: mais uma vez ficou evidente a precariedade das praças esportivas do país – nsse caso específico, do Rio de Janeiro.

Goteira no Tijuca atrapalhou partida entre Rexona-Sesc e Fluminense (Mailson Santana/Fluminense F.C.)

Goteira no Tijuca atrapalhou partida entre Rexona-Sesc e Fluminense (Mailson Santana/Fluminense F.C.)

Se, na Superliga, a umidade no ginásio Hebraica fez um jogo entre Fluminense e Dentil/Praia Clube mudar de horário e de local, na Copa Brasil, foi a vez de uma goteira no Tijuca roubar a cena.

Rexona-Sesc e Fluminense já haviam disputado o primeiro set, pelas quartas de final da Copa Brasil, quando o teto do ginásio apresentou uma goteira inestancável. O jogo foi interrompido e só prosseguiu no dia seguinte, o que soa bizarro para uma cidade que há seis meses sediou uma Olimpíada e tem vários ginásios de primeira linha sem utilização.

Participantes
Se um torneio de partidas eliminatórias agrada ao público, não seria uma boa ideia expandir a Copa Brasil na temporada que vem? Que tal desatrelá-la da Superliga, já que atualmente a classificação do turno é que indica os participantes do torneio, e ampliar o número de equipes?

Além das 12 equipes de cada naipe da Superliga, há nove clubes na Superliga B masculina e sete na feminina. Uma Copa Brasil mais abrangente, com todos os participantes das divisões nacionais, daria a equipes de orçamento mais baixo a oportunidade de enfrentar um time de peso, o que poderia, até, atrair mais investimento para esses clubes.

Imagine, por exemplo, um Alfa/Montecristo/Teuto ou um Jaó/Universo, ambos de Goiás, com a expectativa de receber um time como o Sada Cruzeiro? Qual seria a expectativa e o retorno de público, se Campo Grande, com o Rádio Clube/AVP, recebesse uma equipe com campeões olímpicos, como Wallace e Lucarelli? E como se sairia o Hinode/Barueri, da B, se encarasse uma equipe intermediária da competição principal?

Indo além, se Manaus e Belém têm recebido jogos do campeonato nacional, não seria uma boa também levar jogos da Copa Brasil para cidades onde não há times disputando a Superliga?

A Copa Brasil nunca vai ter a mesma estatura e importância da Superliga, isso é óbvio, mas pode ser mais um vetor para popularizar e desenvolver o voleibol no país.


Eficiência de Raphael e Wallace leva Taubaté ao título da Copa Brasil
Comentários Comente

João Batista Junior

Funvic/Taubaté conquistou a Copa Brasil pela segunda vez (fotos: Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

Funvic/Taubaté conquistou a Copa Brasil pela segunda vez (fotos: Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

A Copa Brasil conquistada pela Funvic/Taubaté, neste sábado, sobre o Sesi, que eliminou o Sada Cruzeiro nas semifinais, traz novas perspectivas para a temporada. Se os mineiros ainda são os principais candidatos ao troféu da Superliga, ficou demonstrado esta semana que seu favoritismo não é imune a um dia ruim ou que seus rivais podem frustrá-los numa jornada inspirada (não é demasiado lembrar que a decisão é em jogo único).

Ressalte-se ainda que a vitória do Taubaté por 3 sets a 0 (25-18, 25-21, 30-28) foi de um time desfalcado de um de seus principais jogadores, o ponteiro Lucarelli, lesionado nas semifinais. Foi o segundo título de Copa Brasil conquistada pela equipe do Vale do Paraíba (o primeiro foi em 2015), e o segundo troféu conquistado na temporada em cima do Sesi – também venceu a equipe da Vila Leopoldina na final do Paulista.

Curta o Saída de Rede no Facebook

Raphael foi eleito o melhor jogador da decisão da Copa Brasil

Raphael foi eleito o melhor jogador da decisão da Copa Brasil

O JOGO

A Copa Brasil teve os três principais levantadores da seleção brasileira no ciclo olímpico passado – Bruno, William e Raphael – e o título premiou o que teve a melhor atuação nas finais. Se William oscilou na derrota do Sada contra o Sesi, Bruno fez uma partida ruim no jogo decisivo. Embora tenha participado bastante no bloqueio e tenha contribuindo com um bom saque, o armador do Sesi teve dificuldade para trabalhar com o passe quebrado e, em muitas ocasiões, pareceu em descompasso com o central Lucão e o oposto Théo.

Raphael, por sua vez, conseguiu se virar bem, apesar da ausência de Lucarelli. Ele não teve muitas oportunidades para usar a bola de meio, mas compensou com uma boa distribuição e precisão nos levantamentos. O único senão de seu jogo foi quando, na última metade da terceira parcial, ele sobrecarregou Wallace, o que quase custou ao time ter de jogar mais um set. No entanto, nos pontos finais, sua qualidade na distribuição retornou. Não à toa, o jogador foi escolhido como o melhor em quadra pela comissão técnica campeã.

O saque das duas equipes foi um ponto alto da partida. Nenhuma das linhas de passe teve sossego, o que fez a balança pender para a Funvic/Taubaté e todo seu poderio ofensivo pela saída de rede.

Ataque do Sesi sofreu com bloqueio de Taubaté

Ataque do Sesi sofreu com bloqueio de Taubaté

Wallace, assim como diante do Brasil Kirin (nas semifinais), foi um atacante seguro, atuou como nas Olimpíadas do Rio. Só na reta final do terceiro set, quando Serginho pareceu multiplicar-se na defesa, foi que sua eficiência caiu. Do outro lado da rede, enquanto Douglas Souza sofria com o bloqueio adversário, Théo não teve seu trabalho facilitado pelos defensores do Taubaté.

A equipe campeã teve 51% de aproveitamento no ataque com 41% do Sesi, e obteve 11 a 6 nas anotações de bloqueio.

É bom recordar que, com a boa vantagem do Sada Cruzeiro na ponta da Superliga, é muito provável que Sesi e Funvic/Taubaté disputem entre si a segunda e terceira posições na tabela, o que indica um duelo em melhor de cinco entre os paulistas nas semifinais. Com as decisões recentes entre as duas equipes – tanto a do estadual, quanto esta da Copa Brasil –, dá até para dizer que o time do interior levaria alguma vantagem nesse pretenso duelo.


Em jogo dramático, Sesi encerra longa invencibilidade do Sada Cruzeiro
Comentários Comente

João Batista Junior

Sesistas comemoram: virada sobre Sada Cruzeiro parecia improvável (fotos: Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

Sesistas comemoram: virada sobre Sada Cruzeiro parecia improvável (fotos: Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

O Sada Cruzeiro não saía derrotado de quadra num jogo oficial há mais de dez meses, quando escalou uma equipe reserva e caiu para o Juiz de Fora, na rodada que fechou a fase classificatória da Superliga anterior. Campeão de tudo na temporada passada, a última vez em que o time mineiro não levou para a estante um troféu em disputa foi em fevereiro de 2015, quando perdeu a final do Sul-Americano, em San Juan (Argentina), para a UPCN Voley. Contudo, na noite da quinta-feira, pelas semifinais da Copa Brasil, o Sesi quebrou as duas escritas – a da invencibilidade e a da sequência de títulos do time celeste.

Numa partida nervosa e de tie break espetacular, no ginásio Taquaral, em Campinas, a equipe paulista venceu por 3 sets a 2, com parciais de 23-25, 23-25, 25-23, 25-20, 17-15. É claro que a Copa Brasil nem se aproxima da importância da Superliga, mas a reta final desse confronto foi o retrato vibrante de um jogo com ares de campeonato à parte.

Primeiro, Murilo esqueceu a cautela com o cotovelo que o tirou de quadra por um mês, soltou o braço numa cortada pela entrada de rede e fez, para Bruno, um gesto de quem pede mais bolas para atacar. Depois, Leal levou para o pós-jogo uma exacerbada reclamação com a arbitragem por uma anotação de toque na rede – lance que levou os rivais a terem o match point.

Curta o Saída de Rede no Facebook

O JOGO

A partida demorou a engrenar. Nas duas primeiras parciais, os times apostaram e erraram demais no saque. Nessa toada, o melhor momento foi quando o Sesi vencia por 21 a 14 e uma sequência do ponteiro Filipe no serviço pôs o Sada Cruzeiro no set e no jogo.

Theo encara o bloqueio de Simón

Theo encara o bloqueio de Simón

No duelo particular entre os levantadores campeões olímpicos, William tinha mais alternativas para o ataque do que Bruno: enquanto o cruzeirense contava com a eficiência de Leal e a força de Evandro, o sesista tinha de trabalhar com um passe menos redondo e contra um bloqueio pesado do outro lado da rede.

O panorama mudou quando, a partir do terceiro set, as duas equipes maneiraram no saque e se permitiram jogar mais. Se a mudança no ritmo da partida deixou o jogo mais atraente para o torcedor, em quadra, a nova dinâmica só poderia beneficiar a quem de fato beneficiou: quem estava atrás no placar.

Zé Roberto mantém 500 vídeos para ajudar na caça de medalhas na seleção

O sistema defensivo do Sesi apareceu, assim como o ataque de Theo pela saída de rede. A recepção do sexteto da Vila Leopoldina melhorou e Bruno pôde dispor de sua melhor jogada, a bola rápida de meio com Lucão.

O equilíbrio presente nos três primeiros sets dissipou-se na quarta etapa. O tie break, discutido até depois do último apito, chegou a estar 13 a 11 para o Sada, quando o Sesi encontrou fôlego e bloqueio para uma virada que, pelo retrospecto histórico e pelo 2 a 0, parecia improvável.

Na final, o Sesi encontra a Funvic/Taubaté.

Vão sofrer até ganhar maturidade”, diz Paula sobre renovação na seleção

FUNVIC/TAUBATÉ VS. BRASIL KIRIN

Wallace: melhor do Taubaté no ataque

Wallace: melhor do Taubaté no ataque

A Funvic/Taubaté não passou grande apuro para vencer o Brasil Kirin por 3 sets a 0 (25-22, 25-22, 25-19). O placar refletiu a superioridade do time visitante em quadra, uma diferença incompatível com a situação atual dos dois sextetos na Superliga – só um ponto separa o Taubaté, terceiro colocado, da equipe de Campinas, quarta.

As ações na partida só estiveram, de fato, equilibradas na primeira parcial, quando erros no passe e no ataque atrasaram a fuga dos tricampeões paulistas na dianteira. Quando o time visitante se ajustou, o jogo trilhou um caminho sem desvio.

Com técnicos assegurados, CBV trabalha por credibilidade

O oposto Wallace, em dia inspirado, foi a melhor opção para o levantador Raphael no ataque. Outro que se destacou, com boas passagens no saque e ótima presença no bloqueio, foi o meio de rede Éder. Lucarelli, que saiu no segundo set com uma lesão no calcanhar, teve uma atuação fraca.

Qualificado às semifinais sem passar pelas quartas, graças ao fato de Campinas hospedar a fase final da competição, o Brasil Kirin despediu-se do torneio sem vencer um set, sequer. Com problemas no passe, Rodriguinho pouco acionou os centrais e não encontrou consistência nos atacantes das pontas – nem com Rivaldo na saída e nem com Bruno Temponi e Diogo na entrada de rede.

A partida entre Sesi e Funvic/Taubaté será disputada no sábado, a partir das 15h30 (horário de Brasília), com transmissão pelo SporTV e pela TV Brasil. O duelo reedita a final dos três últimos campeonatos paulistas, todos vencidos pelo time do interior.


Camponesa/Minas em alta na volta de Jaqueline às quadras
Comentários Comente

João Batista Junior

Jaqueline: volta às quadras após dois treinos (foto: Orlando Bento/MTC)

Jaqueline: volta às quadras após dois treinos (foto: Orlando Bento/MTC)

Depois de quase cinco meses parada e com apenas duas sessões de treinamento para se ambientar ao novo time, Jaqueline retornou às quadras na noite da segunda-feira, pela rodada inaugural do returno da Superliga. Na vitória do Camponesa/Minas sobre o Genter Vôlei Bauru por 3 sets a 2 (25-21, 25-20, 22-25, 19-25, 15-11), em Belo Horizonte, a ponteira começou o jogo no banco de reservas e entrou em quadra no decorrer dos quatro primeiros sets. “Ainda não treinei com a (levantadora) Naiane em nenhum momento. Acabei recebendo três bolas, virei uma, então, eu estou feliz”, resumiu a jogadora.

Foi gostosa essa sensação de poder entrar para ajudar um pouco. Infelizmente, não foi da maneira como eu queria. Eu queria ganhar aquele (quarto) set, mas não deu. A equipe complementou no quinto set, mostrou que, independentemente das dificuldades, tem como buscar o placar e reverteu aquela situação difícil”, comentou a atacante, referindo-se ao tie break, que chegou a estar 8 a 3 para as visitantes.

Curta o Saída de Rede no Facebook

Mesmo entrando em poucas passagens, Paulo Coco explicou que Jaqueline, que não jogava desde as Olimpíadas do Rio, não entrou com o intuito de apenas para adquirir ritmo jogo. Nas vezes em que acionou a ponteira, o treinador queria também “dar uma descansada na Rosamaria”, que, com dor de garganta, “jogou no sacrifício” – e, ainda assim, foi a ganhadora do troféu VivaVôlei e maior anotadora do time, com 19 pontos.

Obviamente, Jaqueline vai ter que evoluir (no condicionamento físico), é o foco no momento. Tecnicamente, a gente sabe que ela não deixa nada a desejar. Então, na verdade, ela começa a contribuir, (mesmo) fora de condições, para que esse ritmo venha pouco a pouco. A gente não tem pressa”, garantiu Paulo Coco.

Paulinho me tirou e disse ‘Jaque, não dá pra você ficar jogando, você simplesmente saltou ontem (domingo) pra jogar hoje, você tem três cirurgias no joelho’, e eu entendi que realmente é dessa maneira, eu tenho que ir aos poucos, mesmo”, reconheceu Jaqueline, que já havia defendido o Minas na temporada 2014/2015.

O resultado deixou a equipe da casa na sexta posição do campeonato e pôs o time paulista no quinto lugar. Veja como foi o sobe e desce da primeira rodada do returno da Superliga, a primeira de 2017:

Érika vive coincidência no Barueri

SOBE

CAMPONESA/MINAS
A vitória do Camponesa/Minas diante de um adversário que faz ótima campanha, como o Genter Bauru, mostra que a equipe mineira está em ascensão. O clube investiu pesado, contratando a oposta norte-americana Destinee Hooker e a ponteira Jaqueline, e ainda conta com uma boa superliga da atacante Rosamaria, e com uma líbero com experiência olímpica, como Léia. Como o returno está só começando, ninguém duvide de que a equipe vá brigar para ficar entre os quatro primeiros da fase classificatória.

Canoas supera Montes Claros: vitória para embalar (Fernando Potrick)

Canoas supera Montes Claros: vitória para embalar (Fernando Potrick)

LEBES/GEDORE/CANOAS
Depois de perder as seis primeiras partidas que disputou no campeonato, o Lebes/Gedore/Canoas, nos últimos seis jogos, venceu cinco e fez 14 pontos, indicando que dificilmente deixará de jogar os playoffs.

Nesta rodada, o time gaúcho subiu da sétima para a sexta posição na tabela com uma vitória por 3 a 2 (20-25, 25-23, 15-25, 25-18, 15-10) sobre o Montes Claros, que estava na terceira posição e caiu para o quinto lugar.

OS GRANDES
Assim como na rodada de abertura da Superliga, a jornada inaugural do returno ofereceu pouco risco aos principais candidatos ao título, seja do naipe masculino, seja do feminino.

O Rexona-Sesc bateu o Fluminense por 3 sets a 1 e se mantém na liderança, quatro pontos à frente do Vôlei Nestlé, segundo. O time de Osasco foi a Manaus e venceu o São Cristóvão Saúde/São Caetano por 3 a 0, mesmo placar do jogo em que o Dentil/Praia Clube, agora terceiro colocado, bateu o Renata Valinhos/Country.

Lucarelli em ação contra Caramuru/Castro: vitória previsível do Taubaté (Rafinha Oliveira/Funvic Taubaté)

Lucarelli em ação contra Caramuru/Castro: vitória previsível do Taubaté (Rafinha Oliveira/Funvic Taubaté)

Na competição masculina, o Sada Cruzeiro se deu o luxo de poupar vários titulares e ainda assim superou o São Bernardo em sets diretos. A Funvic/Taubaté, diante do Caramuru Vôlei/Castro, também venceu sem conceder nenhum set. Já o Sesi, apesar da resistência oferecida pela Copel Telecom Maringá, conquistou três pontos numa vitória por 3 a 1. O mesmo se aplicou ao Brasil Kirin diante do JF Vôlei, em Campinas. Com o revés sofrido pelo Montes Claros, essas quatro equipes voltam a ocupar as quatro primeiras posições na tabela.

DESCE

MINAS TÊNIS CLUBE
Num confronto direto pela oitava vaga às quartas de final, o Minas Tênis Clube perdeu no tie break para o Bento Vôlei/Isabela (25-22, 15-25, 23-25, 25-21, 15-13). Os mineiros ainda são os oitavos, mas só dois pontos à frente dos representantes de Bento Gonçalves, em nono.

A equipe mineira, que até participou do mundial de clubes 2016, perdeu sete das 12 partidas que disputou e não consegue uma boa sequência no campeonato. Para complicar, a tabela não promete ajudar muito o time nas próximas rodadas. A partir da semana que vem, Minas enfrenta, pela ordem, Montes Claros, Sesi, Funvic/Taubaté, Brasil Kirin e Sada Cruzeiro, justamente os cinco primeiros colocados da competição.

Destaque na Superliga, Macris espera uma nova chance na seleção

Poupada, Paula assistiu à derrota do Brasília no banco (Brasília Vôlei)

Poupada, Paula assistiu à derrota do Brasília no banco (Brasília Vôlei)

TERRACAP/BRB/BRASÍLIA
A única surpresa da rodada feminina foi a derrota do Terracap/BRB/Brasília diante do Pinheiros. No Distrito Federal, o time da casa jogou desfalcado da ponteira Paula Pequeno, que sentiu dores no joelho, e perdeu por 3 sets a 2 (25-21, 19-25, 25-23, 20-25, 16-14). Depois de até ocuparem a segunda posição na tabela, as brasilienses caíram para o quarto lugar e, das últimas três partidas, só venceram uma – em casa, contra o São Cristóvão Saúde/São Caetano, décimo colocado, em jogo de cinco sets.

JF VÔLEI
Uma derrota para o Brasil Kirin não foge das expectativas do JF Vôlei. No entanto, com o 3 a 1 sofrido no sábado, a equipe de Juiz de Fora amargou o quarto revés consecutivo, o quarto jogo sem somar ponto à tábua de classificação. Com isso, o time caiu do sexto para o sétimo lugar e terá como próximo adversário o Sada Cruzeiro.

Mais do que o resultado: em cada uma das duas últimas partidas, apenas o oposto Renan chegou a dois dígitos na pontuação, reflexo do mau aproveitamento da equipe no ataque (36,7% contra a Funvic/Taubaté e 45,1% contra o Brasil Kirin).