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Juciely desafia o tempo e segue como referência no esporte
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Sidrônio Henrique

Juciely conquistou mais uma Superliga este ano (foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

Com velocidade e tempo de bloqueio impressionantes, eficiente no ataque, Juciely Barreto é, aos 36 anos, referência entre as meios de rede brasileiras. Não se surpreenda se o técnico José Roberto Guimarães convocá-la para a seleção neste ciclo. Juciely desafia o tempo. Terá 39 anos em Tóquio 2020. Mesma idade que a também central americana Danielle Scott tinha em Londres 2012. “Eu penso nela, viu”, diz ao Saída de Rede a mineira da cidade de João Monlevade, admitindo que a estrangeira duas vezes vice-campeã olímpica é um exemplo. “Quando reflito sobre quanto chão teremos até lá, pergunto a mim mesma: ‘será que dá?’ Hoje em dia a resposta é ‘não sei’, mas até bem pouco tempo era ‘não’. Se o Zé Roberto me chamar, vamos conversar”.

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Quem acompanhou a decisão da Superliga 2016/2017, domingo passado, com a vitória do Rexona-Sesc por 3-2 sobre o Vôlei Nestlé, a viu fazer a diferença na reta final da partida. Só no tie break foram seis pontos, o último deles marcado quando sua equipe chegou a nove no placar e ela foi para o saque. Ao longo do torneio, a veterana esbanjou regularidade e muitas vezes foi o desafogo da levantadora Roberta Ratzke. “Eu peço bola mesmo, quero ajudar. Ali no tie break era a nossa temporada resumida em 15 pontos”, relembra.

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Jucy sabe que a renovação deve ser a tônica na seleção, mas sem deixar de lado a experiência de algumas peças, numa mescla que possa garantir sucesso. Contra si, além do tempo que ela insiste em desafiar, a exigência constante de esforço extra diante dos ataques e bloqueios mais altos no cenário internacional. Se a convocação não vier, segue a vida no clube. Já são sete temporadas no atual Rexona-Sesc – venceu seis Superligas com o time carioca (já havia ganhado uma com o Minas Tênis Clube) e deve permanecer. Parar não está em seus planos.

Vôlei entrou tarde em sua vida
Ser apontada como uma das principais centrais do País parece estranho para alguém com um minguado 1,84m e que descobriu o voleibol tão tarde. Tinha 18 anos quando, em 1999, começou no Usipa, clube de Ipatinga (MG), a pouco mais de 100 quilômetros de João Monlevade, onde vivia com os pais, que moram lá até hoje. “Eu brincava de vôlei na escola, gostava, mas não pensava em ser jogadora. Até que alguém me viu e fui parar no Usipa, achavam que eu tinha que ser central”, conta a atleta.

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Em 2000 foi para o Macaé. Chamou a atenção do Minas Tênis Clube e no ano seguinte seguiu para a tradicional equipe de Belo Horizonte – um timaço onde jogavam, entre outras, Fofão, Cristina Pirv, Ângela Moraes, Érika, Elisângela e Ana Maria Volponi, além das juvenis Fabiana e Sheilla, sob o comando do treinador Antônio Rizola. Ganharam a Superliga derrotando o BCN Osasco de José Roberto Guimarães na final.

Ângela Moraes lidera volta olímpica em 2002 no Mineirinho: ídolo de Juciely (foto: CBV)

Pouco experiente, estando apenas na sua terceira temporada na modalidade, treinava mais do que jogava. Encontrou naquele time, na época MRV Minas, seu grande ídolo no vôlei: a central Ângela Moraes, de 1,81m. “Eu parava só para ficar olhando ela treinar. A Ângela me influenciou de todas as formas, eu ficava tentando fazer tudo igualzinho a ela, que atacava uma china linda, incrível na velocidade de perna e de braço. Ela tinha também uma bola de dois tempos que era única: ela quicava no tempo frente e atacava uma chutada. Essa eu tentei fazer muitas vezes e nunca consegui”, conta Juciely.

Oposta?
No segundo ano no MRV Minas não jogou, apenas treinava. “Queriam me transformar em oposta, diziam que eu era baixa demais para ser meio de rede, mas eu não levava jeito para atacar na saída. Tenho todos os cacoetes de atacante de meio, tinha que ser central, apesar de pequena”. A baixa estatura é compensada com velocidade e impulsão. Aliás, a jogadora do Rexona-Sesc diz que não sabe o quanto salta. “Não sei qual é a minha impulsão ou o meu alcance, mas sei que salto bastante”. Os dados no site da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) estão longe da realidade.

Fique por dentro do mercado do vôlei

Passou uma temporada em Osasco, depois foram duas no Brasil Telecom, de Brasília. Voltou ao Minas para mais um ano. Então, no período seguinte, 2008/2009, novamente no Brasil Telecom, desta vez em Brusque (SC), ela acredita que explodiu de vez. “A partir daquela temporada em Brusque, comecei a jogar bem mesmo”. A equipe contava com jogadoras como Fabíola e Elisângela. Ao lado de Nati Martins, atualmente no Vôlei Nestlé, Juciely formava a dupla de centrais titulares.

Com o troféu da Superliga 2016/2017 (foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

Despertando o interesse de Bernardinho
O Brasil Telecom quase foi responsável por uma das maiores zebras da história da Superliga. Após eliminar o Pinheiros nas quartas de final, o time de Brusque encarou simplesmente na série melhor de três partidas da semifinal a equipe de Bernardinho, na época Rexona-Ades. O primeiro jogo, em Santa Catarina, foi vencido pelo Brasil Telecom por 3-2. No seguinte, em pleno Tijuca Tênis Clube, no Rio, a equipe visitante abriu 2-0, para desespero do técnico multicampeão. O Rexona viraria a partida e venceria o jogo seguinte, mas o adversário impôs respeito. Jucy chamou tanto a atenção que recebeu um convite de Bernardinho para jogar no Rio de Janeiro.

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“Minha pontuação no ranking das atletas não me ajudou e eu não me encaixava no Rexona. Fui jogar na temporada seguinte no São Caetano/Blausiegel, que tinha também a Fofão, a Sheilla, a Mari”, recorda a central.

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Porém, no período 2010/2011, finalmente pôde jogar no Rexona. “Aquele time patrocinado pela Blausiegel acabou e fomos Sheilla, Mari e eu jogar no Rio, treinadas pelo Bernardinho”. Começava para Juciely uma história que segue até hoje. Várias atletas entraram e saíram da equipe, mas a meio de rede mineira segue firme.

Recebendo prêmio de melhor central no GP 2015 (foto: FIVB)

Primeira convocação e cortes
Após sua temporada inicial no Rexona, veio também sua primeira convocação para a seleção adulta – jamais havia sido chamada nas categorias de base. “Com o Bernardo cresci a ponto de me tornar uma atleta da seleção brasileira. O Zé Roberto apontou muitos caminhos, me deu soluções quando comecei a disputar jogos internacionais, onde a realidade é completamente diferente. São grandes técnicos”, elogia Jucy, sem esquecer de afagar os dois.

Dos cortes sofridos na seleção, ela fala com resignação. “É algo doloroso, é um sonho que fica para trás, mas é um risco com o qual o atleta convive”.

Ficar fora da Olimpíada de Londres, em 2012, “doeu demais”, admite a atleta, que no entanto ressalta: “Apesar de ter sofrido, tinha consciência que a Adenízia estava melhor, ela vinha jogando muito bem”. O corte da lista de jogadoras que foi ao Mundial 2014 era esperado, pois Juciely sofria com uma lesão no joelho esquerdo.

Alegria e tristeza na Rio 2016
A participação na Rio 2016, apesar do desfecho triste, com a queda diante da China nas quartas de final, é lembrada com carinho por ser a única em Jogos Olímpicos. “Quando você entra na vila olímpica, percebe que aquele sonho se realizou”. A presença dos pais e dos amigos no Maracanãzinho foi extremamente importante para ela.

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Questionada se a chave muito tranquila da primeira fase na Olimpíada havia preparado suficientemente o time para o duelo nas quartas, ela rebate: “Tínhamos consciência de que o mata-mata seria muito difícil. A (ponteira) Ting Zhu saiu do passe no segundo set, a (técnica) Lang Ping fez umas mudanças e a gente não conseguiu mais acompanhar o ritmo delas”.

Juciely comemora um ponto durante a Rio 2016 (foto: FIVB)

Saque perdido
A central fica com a voz embargada quando relembra o saque desperdiçado no final do tie break diante da China. O Brasil perdia por 11-12 das orientais e Juciely, no serviço, buscou uma paralela, mas a bola foi para fora – a oposta Sheilla Castro erraria outro no rodízio seguinte.

“O meu erro ainda me revolta. Como pude errar aquele saque? Não dormi aquela noite, chorei muito. Nos dias seguintes, sempre que alguém me abordava, falando do jogo, eu caía no choro. Fui pro interior do Rio, um lugar onde ninguém me conhecia, depois fui pra Minas, ficar com meus pais. Nós todas (jogadoras) procuramos respostas para aquela derrota contra a China e não temos. As chinesas jogaram demais”, afirma Jucy.

Mundial de Clubes
O foco agora é o Mundial de Clubes, de 9 a 14 de maio, em Kobe, no Japão. A chave, com o VakifBank da Turquia e o Dínamo Moscou, é complicada, mas ela se mantém otimista, mesmo sabendo o quanto é difícil enfrentar bloqueios mais elevados ou tentar conter atacantes mais altas. “É outro nível, muito puxado, tenho que me desdobrar. No Grand Prix 2015 ganhei o prêmio de melhor central e fiquei me perguntando como poderia ter sido a melhor no meio de tanta mulher alta”. Às vezes não é preciso ser alta para ser grande.


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Sidrônio Henrique

Levantador do Sada Cruzeiro, William Arjona foi campeão olímpico na Rio 2016 (fotos: CBV)

William Arjona pediu dispensa da seleção. O levantador do Sada Cruzeiro, campeão olímpico na Rio 2016, contou ao Saída de Rede que pediu ao técnico da seleção, Renan Dal Zotto, para ficar com a família após o encerramento da Superliga 2016/2017. A final do torneio, para a qual o time mineiro está classificado, aguardando a definição do adversário, será no dia 7 de maio, no ginásio Mineirinho, em Belo Horizonte.

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“O Renan falou comigo, disse que queria contar com os campeões olímpicos, mas expliquei a ele que estou há quatro anos sem tirar férias, que preciso de um tempo para ficar com minha família. Eu havia dito a minha mulher (Bruna) que se eles (a família) segurassem a barra de ficar todo aquele período de preparação para a Rio 2016 sem mim, eu compensaria no ano seguinte”, comentou William. O atleta tem dois filhos pequenos: Nina, 3 anos, e Cauã, 2.

Arena da Baixada, em Curitiba, receberá as finais da Liga Mundial 2017

À disposição no segundo semestre
O levantador ressaltou que seu pedido de dispensa foi somente para a convocação para a Liga Mundial. A competição será disputada de 2 de junho a 8 de julho, com as finais na Arena da Baixada (de 4/7 a 8/7), estádio de futebol localizado em Curitiba. “No segundo semestre teremos a Copa dos Campeões e o Sul-Americano, e eu estarei à disposição”, completou.

A ausência do nome do armador do Sada Cruzeiro chamou a atenção numa lista que veio a público na sexta-feira (21), no hotsite da Liga Mundial 2017. Naquela mesma data, o SdR divulgou a informação. Os levantadores na relação de jogadores são Bruno Rezende, do Sesi, Raphael Oliveira, do Funvic Taubaté, e Murilo Radke, do Montes Claros.

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Bruno, na seleção desde meados da década passada, foi campeão mundial em 2010 e olímpico em 2016. Rapha fez seu nome nos tempos áureos do Trentino, da Itália, e foi reserva de Bruno na campanha que culminou com a prata no Mundial 2014. Radke, o menos experiente dos três, vinha sendo chamado pelo ex-treinador Bernardinho e foi titular na seleção B que ficou com a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos 2015, sob o comando de Rubinho.

Renan Dal Zotto foi anunciado como novo técnico da seleção pela CBV em janeiro

“Nem todos serão convocados”
O Saída de Rede questionou a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) se a lista no site da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) corresponde aos convocados para a temporada ou se são apenas inscritos – já houve divergência entre a lista apresentada no site em anos anteriores e a convocação anunciada posteriormente. O supervisor da seleção masculina, Fernando Maroni, informou que a relação “é de pré-inscritos” e que “nem todos serão convocados”. Na noite desta segunda-feira (24), o técnico Renan Dal Zotto confirmou os nomes do central Maurício Souza e do líbero Tiago Brendle, ambos do Brasil Kirin, equipe eliminada na semifinal da Superliga no sábado passado.

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Há poucas caras novas na lista do site da Liga Mundial. Dos 21 relacionados, apenas quatro nunca passaram pela seleção A: o ponta Rodriguinho, do Sada Cruzeiro, o líbero Thales, do Lebes/Gedore/Canoas, o central Otávio, do Funvic Taubaté, e o oposto Rafael Araújo, destaque da liga polonesa pelo MKS Bedzin – os dois últimos foram da seleção B do Pan 2015. Entre os veteranos, um velho conhecido que esteve ausente em convocações recentes, o líbero Mário Júnior, do Taubaté, campeão mundial em 2010 e vice em 2014, que segundo o SdR apurou foi bem avaliado pela comissão técnica. No entanto, o preferido é Tiago Brendle, que desde o final do ciclo passado despontava como sucessor de Serginho, decano da posição que se retirou da seleção após o ouro na Rio 2016, quando foi escolhido MVP.

O nome do líbero Mário Júnior está na lista da Liga Mundial

Quase todos os campeões na Rio 2016 mantidos
Dez dos 12 campeões olímpicos no Rio de Janeiro estão na lista dos 21 pré-inscritos para a Liga Mundial. Somente Serginho e William Arjona não aparecem. Como sede das finais do torneio, o Brasil já está assegurado entre os seis finalistas, ou seja, poderia utilizar a fase de classificação para dar experiência aos mais novos. A cada etapa da Liga Mundial, 14 jogadores podem ser inscritos. Se os dez da Rio 2016 confirmarem presença e forem sempre relacionados, sobra pouco espaço para eventuais novidades.

Os doze atletas convidados por Renan Dal Zotto no dia 10 de abril para treinar em Saquarema (RJ), no centro de treinamento da CBV, estão lá desde domingo (23). Desses, quatro estão na relação do hotsite da Liga Mundial 2017: o levantador Murilo Radke, o líbero Thales e os opostos Rafael Araújo e Renan Buiatti – este último do JF Vôlei.


Erros de arbitragem mancham Superliga. O que se faz para mudar a realidade?
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Sidrônio Henrique

Equipamento de video check sendo utilizado durante o Mundial feminino 2014 (foto: FIVB)

Dizer com precisão onde caiu a bola numa velocidade superior a 100km/h não é fácil. No entanto, não é por isso que as equipes têm que aceitar o erro. Afinal, ninguém se prepara para uma competição com afinco e profissionalismo para ver seu esforço ser comprometido por uma falha da arbitragem.

A Superliga 2016/2017 tem sido marcada por diversas mancadas no apito, atrapalhando várias equipes. Não é por falta de tecnologia: o video check é uma realidade há anos, sendo utilizado em torneios internacionais e em algumas das principais ligas do mundo. Por que então ainda não se tornou uma realidade na Superliga? E os árbitros, são punidos ou ao menos advertidos por suas falhas quando afetam resultados? Passam por reciclagem? O Saída de Rede responde essas e outras perguntas para você a seguir.

Custo
Enquanto japoneses, italianos e poloneses desenvolveram seus próprios sistemas, o Brasil ficou parado. Até foi utilizado, em edições recentes, um aplicativo que indicava se a bola ia dentro ou fora, sem ser capaz de detectar toques no bloqueio ou na rede. Foi dispensado por ser obsoleto e ainda despertava dúvidas quanto à precisão.

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Importar um sistema o torna mais caro. Acrescente aí a logística. Na Polônia, por exemplo, onde 16 times disputam a primeira divisão masculina, são utilizadas oito máquinas, pois esse é o número de confrontos por rodada, com mais um equipamento mantido de reserva. As máquinas são transportadas de acordo com o calendário. Isso implica em custos extras, aumenta o desgaste do equipamento e encarece o seguro. Após uma partida da liga polonesa, em 2012, um kit foi colocado em um carro da federação local, que foi arrombado e o material, roubado. O seguro cobriu o prejuízo.

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Caso aqui haja a opção de cada clube contar com seu video check, isso aumentaria o número de máquinas, representando mais despesas na aquisição em relação a possibilidade de ter equipamentos conforme a quantidade de confrontos por rodada. Em compensação, seriam zerados os custos de transporte durante o torneio. O que valeria mais a pena? Tem mais: a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) compraria os kits e os alugaria? Os times estão dispostos a pagar por isso? Ainda não há resposta para essas indagações.

Ricardo Trade, o Baka, diretor executivo da CBV (Divulgação/CBV)

Palavra da CBV
Entidade que comanda a modalidade no país, a CBV reconhece a importância do video check, mas ressalta que a falta de recursos dificulta a implantação do sistema.

“A gente quer um patrocinador específico tanto para as transmissões online como para a implantação do desafio. Estamos à procura de um fornecedor para essa questão do desafio, um projeto de bola dentro ou fora, toque no bloqueio e toque na rede, de análise disso, para que a gente possa implantar na temporada 2017/2018. Mas isso depende de custo. Vou dar um exemplo: tanto uma empresa de telefonia que quisesse nos ajudar nesse projeto de transmissão em troca de visibilidade assegurada ou uma empresa que nos ajudasse a desenvolver uma tecnologia nacional, que já existe, sendo produzida pela Penalty. Esses seriam parceiros bem-vindos que facilitariam o projeto”, disse ao SdR Ricardo Trade, o Baka, diretor executivo da CBV.

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Explicamos: a Penalty, empresa brasileira de material esportivo, está desenvolvendo sua versão do video check. O projeto é bem visto pela CBV, diz outra fonte da entidade. Além de apostar na tecnologia nacional, os custos seriam menores para a Confederação, que não teria de arcar com a importação. Até 2012, era justamente a Penalty quem fornecia bolas para as competições da CBV, que naquele ano assinou contrato com a japonesa Mikasa, renovado em 2016 e que segue até 2020. Se for adiante, o projeto com a companhia brasileira seria específico para o desafio em vídeo.

Câmera posicionada para verificar a linha de fundo (FIVB)

Além da Penalty, outra opção seria recorrer a um fornecedor estrangeiro. Nesse caso, os italianos estão na frente de japoneses e poloneses. O sistema mais utilizado nas competições da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) é o do Japão, o mais ágil, mas cujo custo é proibitivo, diz a mesma fonte, sem revelar valores. Já o polonês, embora mais barato do que os outros dois, apresenta muitas falhas. Vem então o da Itália.

CBV diz que desconhece relatório que aponta irregularidades na entidade

O Saída de Rede teve acesso aos valores da empresa italiana DataProject, responsável pelo video check naquele país. Um kit completo, para as linhas, rede e toque no bloqueio, com as câmeras incluídas, sairia por algo equivalente a R$ 100 mil, cada um. É aquele que você pode ver durante as partidas da liga italiana e o mesmo utilizado no Mundial feminino 2014. Se pensarmos em uma unidade por clube, na Superliga masculina e feminina, sem considerar equipamentos de reserva, o investimento seria de R$ 2,2 milhões, pois temos 22 representantes na primeira divisão do voleibol brasileiro – Minas Tênis Clube e Sesc têm equipes nos dois naipes. Coloque ainda na conta o frete e os impostos.

Porém, como você pôde ver nas declarações de Baka, a implantação do video check na Superliga é uma intenção, não uma certeza.

Primeira partida entre Taubaté e Sesi, numa das séries semifinais da Superliga, teve vários erros da arbitragem (Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

Arbitragem
A cena é conhecida: o juiz de cadeira ou o segundo árbitro às vezes erram feio. O mesmo vale para os fiscais de linha. Ainda que tais falhas não sejam intencionais, podem afetar seriamente o resultado de uma partida, como ocorreu no terceiro jogo das quartas de final entre Brasil Kirin e Montes Claros. A arbitragem marcou equivocadamente como fora uma bola atacada dentro pelo central Thiago Salsa, do time mineiro, no último lance do primeiro set. Nada garante que o Montes Claros venceria a parcial, mas a equipe sequer teve a chance de lutar, pois a marcação errada encerrou o set em favor do Brasil Kirin.

Questionado sobre convocação de Hooker, técnico dos EUA desconversa

Há alguma punição ou advertência quando a falha interfere no resultado? “A Cobrav (Comissão Brasileira de Arbitragem de Voleibol) analisa as arbitragens das partidas e medidas administrativas são tomadas internamente. Conversamos com os árbitros, mostramos onde os mesmos podem e devem melhorar, e algumas vezes os afastamos temporariamente para eles analisarem os fatos ocorridos. Sobre punições e sanções, esses termos são de responsabilidade do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva)”, informou ao SdR Carlos Antônio Rios, presidente da Cobrav, que é vinculada à CBV.

Para Zé Roberto, será difícil competir de cara com os grandes da Superliga

Ao longo da temporada, aproximadamente 200 profissionais, entre árbitros e fiscais de linha, participam da Superliga, segundo a Comissão. Pelas declarações acima, feitas pelo presidente da Cobrav, os erros não passam em branco, há “conversa”, mas punição… Não é possível dizer se elas ocorrem. Afinal, não é com eles. “Medidas cautelares em que oficiais de arbitragem ficam fora de escala são possíveis como parte da rotina da Cobrav. São procedimentos administrativos internos, sem divulgação dos nomes dos oficiais de arbitragem”, tergiversou Rios.

Carlos Antônio Rios, presidente da Cobrav e ex-presidente da Federação Mineira de Vôlei (Reprodução/Internet)

Questionada sobre reciclagem, a Cobrav afirmou que, antes de toda temporada da Superliga, promove uma reunião entre árbitros internacionais, nacionais e diretores de arbitragem, “na qual são abordadas orientações da FIVB sobre critérios subjetivos, mudanças nas regras e paradigmas da arbitragem”. Nessa reunião, explicou Carlos Antônio Rios, também são analisadas a temporada anterior e traçadas metas para a edição seguinte. “Durante a Superliga, antes e depois de cada partida, o primeiro árbitro se reúne com a equipe envolvida no jogo para a análise do trabalho. A Cobrav também realiza análises das arbitragens com imagens da TV, além de vídeos das próprias equipes”, completou.

O discurso adotado pela CBV aponta para a vontade de mudar. Entretanto, pelo menos enquanto os recursos para a implantação do video check não aparecerem, é provável que sejamos obrigados a conviver com falhas grotescas a cada Superliga.

Colaborou Carolina Canossa


CBV diz que desconhece relatório que aponta irregularidades na entidade
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Sidrônio Henrique

Fábio Azevedo e Ary Graça (Reprodução/Internet)

Em meio a denúncias envolvendo diversas modalidades esportivas, os problemas na gestão do voleibol brasileiro voltaram à tona. Conforme veiculado no final da tarde desta segunda-feira (10), pelo Blog do Juca Kfouri, aqui no UOL, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, apontou irregularidades em transações da S4G, empresa de Fábio Azevedo, que prestava serviços para a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) durante a gestão de Ary Graça, atual presidente da Federação Internacional de Vôlei (FIVB).

Fábio Azevedo era o braço direito de Graça na CBV e segue com o mesmo prestígio na FIVB, onde ocupa o cargo de diretor-geral.

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Procurada pelo Saída de Rede, a CBV informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que “não foi contatada pelo COAF e desconhece o relatório mencionado”. Também ressaltou que a S4G não presta serviços à CBV desde 2013.

Saques seguidos
O relatório do COAF, segundo o blog de Kfouri, indicam “indícios de atipicidade”, “movimentação de recursos incompatível com o patrimônio do proprietário” e “recebimento de recursos com imediata compra de instrumentos para realização de pagamentos ou de transferências a terceiros sem justificativa”.

Chamaram a atenção do COAF saques seguidos, em espécie, no valor de R$ 100 mil. Houve um saque de R$ 386 mil, também em espécie, feito pela secretaria de Azevedo. O relatório detectou ainda pagamentos realizados, assim que foram recebidos depósitos da CBV, para empresas da mulher de Azevedo ou de uma sobrinha de Ary Graça. Estão sendo verificados pagamentos para diretores da CBV e para empresas prestadoras de serviço.

Graça, atual presidente da FIVB, esteve à frente da CBV de 1997 a 2014 (foto: Divulgação/CBV)

Dossiê Vôlei
Ary Graça renunciou à presidência da Confederação em março de 2014, em meio a uma série de denúncias. Em seu lugar, assumiu Walter Pitombo Laranjeiras, o Toroca. Ele já era o presidente interino da entidade, pois Graça estava licenciado para ocupar a presidência da FIVB desde setembro de 2012. Ary Graça ocupava o cargo de presidente da CBV desde 1997.

A renúncia ocorreu logo após denúncias veiculadas pela ESPN Brasil de que duas empresas de pessoas ligadas a Graça, também dirigentes do alto escalão da CBV, haviam recebido R$ 10 milhões cada uma, como forma de comissão para intermediar contratos de patrocínio com o Banco do Brasil. Entre os dirigentes estava Fábio Azevedo.

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O escândalo revoltou jogadores e técnicos de vôlei. “Tem gente ficando rica às custas de ossos, joelhos, ombros e tornozelos”, escreveu à época o ponteiro Murilo Endres, em seu perfil no Twitter.

A série de reportagens da ESPN Brasil, intitulada Dossiê Vôlei, de autoria do jornalista Lúcio de Castro, revelou relações estreitas entre a CBV e empresas abertas poucos meses antes de serem firmadas as parcerias. Os acionistas dessas empresas, segundo mostraram as apurações, eram ex-dirigentes da CBV.


Novo astro do vôlei alcança mais de 80cm acima do aro de basquete
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Sidrônio Henrique

Oposto polonês Maciej Muzaj, 22 anos, 2,08m de altura e alcance de 3,86m no ataque (foto: PlusLiga)

Ele já alcançou impressionantes 3,86m quando ataca. Para que você tenha ideia do quanto isso representa, o aro da tabela de basquete fica suspenso a 3,05m e a altura da rede de voleibol masculino é de 2,43m. O oposto polonês Maciej Muzaj, 22 anos, 2,08m, salta com facilidade e coloca a cintura na borda superior da rede de vôlei. Destaque no Jastrzebski Wegiel (JSW), quarto colocado na liga da Polônia a dois jogos do final do returno, ele tem chamado a atenção e é a maior promessa de um país apaixonado pela modalidade.

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Não bastasse a impulsão extraordinária, o canhoto Muzaj é um atacante habilidoso, daqueles que se viram com bolas altas ou em combinações em velocidade. Está na pré-lista de convocados do novo técnico da seleção polonesa, Ferdinando De Giorgi, para a primeira competição da temporada, a Liga Mundial, que começa no dia 2 de junho.

Muzaj: “Foi um choque ver o meu alcance no ataque” (PlusLiga)

“Foi um choque para mim ver o meu alcance no ataque. Eu sempre tive facilidade para saltar e sabia que ia bem alto, mas 3,86m foi uma loucura, até porque eu nunca havia verificado a marca exata”, disse Muzaj, que chega a 3,50m no bloqueio, ao Saída de Rede. A medição foi feita no final de fevereiro, utilizando o acessório Vert, bastante popular entre times americanos de voleibol e basquete, e que tem ganhado espaço entre os europeus. “Tomei um susto quando vi o alcance de 3,86m. Ele chega a 3,75m sem muito esforço, o que já é um absurdo. Sai 1,16m do chão”, comentou o australiano Mark Lebedew, técnico do JSW e da seleção de seu país.

Sesi mostra força em momento decisivo da temporada

É raro um jogador ultrapassar os 3,70m. Em situações de jogo, o alcance varia de acordo com as condições de ataque e obviamente é menor no bloqueio. Há também a possibilidade do desempenho cair ao longo da partida por causa do desgaste físico.

Wallace tem o maior salto e um dos maiores alcances da seleção brasileira (FIVB)

Brasil, Simon e Kaziyski
Entre os atletas da equipe brasileira na Rio 2016, os maiores alcances são, segundo uma fonte da antiga comissão técnica, do oposto Wallace Souza (1,98m) e do central Éder Carbonera (2,05m), ambos com 3,65m no ataque – os números no site da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) estão, na maioria das vezes, defasados. Quem mais salta na seleção é Wallace, com 1,05m de impulsão.

Quando estava no Piacenza, da Itália, o central cubano Robertlandy Simon, 2,08m de altura, atualmente no Sada Cruzeiro, cravou 3,89m no ataque em março de 2014 durante um teste. Em julho de 2008, treinando pela seleção da Bulgária semanas antes da Olimpíada de Pequim, o ponteiro Matey Kaziyski, 2,02m, chegou a 3,79m. Como nem todas as equipes fazem registro sistemático ou mesmo divulgam o alcance dos seus atletas, acredita-se que os 3,89m obtidos por Simon há três anos sejam o recorde mundial. A assessoria de imprensa do Sada Cruzeiro informou ao SdR que, desde sua chegada ao clube no ano passado, a marca mais alta obtida por ele foi de 3,80m.

Mari: “Acho difícil surgirem jogadoras tão boas quanto na minha geração”

No mês passado, o canadense Daenan Gyimah, central de apenas 19 anos e 2m de altura, que joga pela prestigiada Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), treinado por John Speraw, o mesmo técnico da seleção masculina dos EUA, foi destaque nas redes sociais americanas. O motivo para que ele fosse tema de posts de veículos como Sports Illustrated e Bleacher Report foi o seu alcance de 3,72m no ataque. Teve vídeo de Gyimah compartilhado mais de 40 mil vezes, tamanha admiração que ele provocou.

Renan Buiatti: “Não ter ido pra Rio 2016 foi um incentivo para melhorar”

Impulsão e alcance não resultam em talento, é claro, embora tanto Simon quanto Kaziyski sejam craques. Maciej Muzaj parece disposto a entrar para esse clube. No ano passado foi convocado para a seleção e chegou a disputar o primeiro fim de semana da Liga Mundial, tendo entrado nas três partidas.

Kurek foi o oposto titular da Polônia na Rio 2016 (FIVB)

Confiança
A presença dos veteranos Bartosz Kurek e Dawid Konarski na saída de rede da seleção em 2016 não deixou espaço para o inexperiente Muzaj, que somente na temporada passada começou a jogar como titular no JSW. Antes, era reserva de Mariusz Wlazly no Skra Belchatow. “Agora me sinto confiante para brigar por um lugar na seleção, se o técnico me der uma oportunidade”, afirmou o oposto, que completa 23 anos em maio.

Esguio, Muzaj lidou com várias lesões antes de se firmar no JSW, clube que já foi um dos mais ricos da Polônia do final da década passada ao início desta, mas que hoje em dia tem um orçamento modesto, que representa menos da metade do valor gasto por qualquer uma das três grandes equipes do país: Skra Belchatow, Zaksa Kedzierzyn-Kozle e Resovia Rzeszow.

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Num time modesto, cabe a Maciej Muzaj e ao veterano ponta cubano Salvador Hidalgo Oliva o crédito em quadra pelo sucesso do JSW. Esta temporada, o clube bateu uma vez o Skra e duas o Resovia, perdendo duas vezes para o líder Zaksa apenas no tie break. O JSW deve garantir um lugar nas semifinais da PlusLiga (não há quartas de final na liga polonesa), disputada atualmente por 16 clubes.

Os pais queriam que Muzaj fosse tenista, mas ele acabou jogando voleibol (PlusLiga)

Tênis
Os pais de Muzaj foram jogadores de voleibol, chegaram a atuar na primeira divisão polonesa, mas a modalidade entrou na vida dele como segunda opção. “Eles queriam que eu fosse tenista, mas o tênis é um esporte muito caro, então acabei indo para o vôlei”, contou ele, que nasceu na cidade de Breslávia (Wroclaw), no sul do país.

Começou a jogar na escola, no início do ensino médio, e em um clube da sua cidade chamado Gwardia Wroclaw. Foi descoberto por um olheiro e de lá foi para o centro de treinamento da seleção, em Spala, região central da Polônia, para treinar na categoria infantojuvenil. Concluído o ensino médio, foi contratado pelo Skra Belchatow, que estava de olho no potencial de Muzaj, então com 18 anos.

Cirurgia e recuperação
Aos 19, teve que se submeter a uma cirurgia no ombro esquerdo, ficou um ano se recuperando e acabou fora do mundial juvenil. Aos poucos, foi desenvolvendo seus golpes, ganhando maturidade. Na temporada 2015/2016, terminou como o segundo maior pontuador da PlusLiga. Na atual, poupado contra as equipes mais fracas com o intuito de se preservar para os confrontos-chave, Muzaj caiu na tabela de pontuadores, mas mantém seu aproveitamento no ataque próximo dos 50%, mesmo jogando sobrecarregado e enfrentando os bloqueios mais bem estruturados do campeonato.

”Tem sido difícil, mas era o certo”, diz Bernardinho sobre saída da seleção

“Ele está mais forte esta temporada, nossa comissão técnica tem trabalhado nisso. Muzaj é aquele tipo de atleta que não tem muita facilidade em aumentar a massa muscular, mas conseguimos fazer com que ganhasse um quilo de massa magra desde setembro do ano passado. Esse é um processo que vai levar alguns anos”, explicou ao SdR o técnico Lebedew. “O importante é que atualmente ele suporta a carga de treinos e musculação sem restrições, sem comprometer seu físico”, completou.

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O que falta no jogo do jovem canhoto? “Eu diria que o saque dele, embora seja bom, ainda precisa de mais consistência, regularidade. Outro ponto importante é que, para alguém que vai tão alto, ele às vezes respeita demais o bloqueio adversário e não precisa ser assim”, ponderou Mark Lebedew.

Técnico Mark Lebedew diz que o saque de Muzaj precisa de mais consistência (PlusLiga)

Europeu 2017
Uma das metas do oposto é disputar o Campeonato Europeu 2017, que será realizado na Polônia, com abertura marcada para o dia 24 de agosto, no Estádio Nacional de Varsóvia, repetindo a grandiosidade do jogo inicial do Mundial 2014. “É um sonho. Se eu trabalhar duro, talvez consiga estar na equipe, mas ainda falta muito. As expectativas aqui na Polônia para esse torneio são altas. Eu vou fazer o possível para estar lá”, disse Muzaj.

Se a falta de experiência na seleção adulta pesa contra ele, o talento e a explosão são aspectos favoráveis (veja vídeo acima). Ajuda também o fato de o país estar carente de opostos. O grande ídolo polonês na posição, Wlazly, não joga pela seleção desde a conquista do Mundial 2014, e antes disso, por problemas de convivência, estava ausente desde 2010. O mais recente titular na saída de rede foi Kurek, que era ponteiro e esta temporada voltou à antiga função. Embora esbanjasse potência, Kurek decaía nos finais de set, como ficou evidente na Copa do Mundo 2015 e na Rio 2016. Seu reserva, Konarski, não consegue sustentar um desempenho em alto nível por períodos longos.

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É nesse cenário que as atenções se voltam para Maciej Muzaj, uma aposta para este ciclo. No ano que vem, no Mundial, que será disputado na Itália e na Bulgária, a seleção polonesa defenderá o título conquistado em casa em 2014. Porém, o grande objetivo é voltar a brilhar nos Jogos Olímpicos. Após ser eliminada nas quartas de final das últimas quatro edições, a Polônia quer, em Tóquio 2020, voltar ao pódio, algo que não consegue desde o ouro em Montreal 1976.

(Se quiser ver mais variações de ataque de Muzaj e alguns dos melhores momentos dele nesta temporada no bloqueio e no saque, confira aqui.)


“Tem sido difícil, mas era o certo”, diz Bernardinho sobre saída da seleção
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Sidrônio Henrique

Colocar um ponto final na sua história com a seleção masculina após 16 temporadas não foi fácil para Bernardinho. Dois meses depois de deixar o cargo, o técnico bicampeão olímpico e tri mundial, que hoje segue no comando do time feminino Rexona-Sesc, reflete sobre o peso da decisão. “Tem sido difícil, mas era o certo. É duro, mas era o correto”, afirmou ao Saída de Rede.

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Na segunda parte da entrevista ao SdR (veja aqui a primeira), Bernardinho fala ainda sobre seu papel na Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) de agora em diante (“não tenho cargo, sou um colaborador”), a relação entre clubes e seleção, a possibilidade de criação de uma liga independente no país, transmissões online e admite que, entre as inúmeras propostas que recebe do exterior, duas mexeram com ele.

Confira nossa conversa com Bernardo Rezende:

Saída de Rede – Qual a importância das transmissões online para a exposição dos patrocinadores?
Bernardinho – Todo tipo de visibilidade para os patrocinadores, desde que se respeitem as normas, é importante. Então as transmissões são fundamentais. Claro que é preciso se organizar, pois é um movimento conjunto. Não pode ser feito um contra o outro. Os clubes têm que ser beneficiados. Vivemos uma crise, ter patrocinadores é uma coisa cada vez mais difícil, então temos que pensar efetivamente nisso. Caso contrário, teremos um decréscimo de investimentos e, com isso, um empobrecimento dos clubes e do voleibol brasileiro, o que não é bom. E a seleção se alimenta dos clubes.

Bernardinho orienta suas atletas durante pedido de tempo (Alexandre Arruda/Rexona-Sesc)

Saída de Rede – Oito dos doze clubes da primeira divisão da Superliga masculina integram a Associação de Clubes de Vôlei (ACV)*. O que você acha da possibilidade de criação de uma liga no país?
Bernardinho – Tem que haver um sentido de liga efetivamente. Muitas vezes cada clube tem seus interesses próprios. Acho que se uma liga surgir atendendo o interesse de todos será bem-vinda, válida. Agora, tem que ter interlocução com a CBV, tem que conversar. Pode até ser que os clubes cheguem a um acordo e administrem a liga, né. Porém, autonomia para negociar não é tão simples. Se alguns dos clubes que estão de fora são importantes, como é o caso do Campinas (Brasil Kirin), então você vai ter que entender o porquê disso. Se é algo tão positivo, por que alguns times estão de fora?

Saída de Rede – Quais os empecilhos para a implantação de uma liga no Brasil?
Bernardinho – O que é uma liga? Uma liga é onde todos lutam, onde todos se beneficiam do bolo. Você briga na quadra, onde você tenta ganhar, só ali. O sentido tem que ser esse, não o de “ah, eu vou querer me beneficiar, eu vou querer prejudicar o outro”. E às vezes o que sinto que é uns clubes não têm interesse no benefício dos outros, olham somente para o interesse próprio. Então temos que fazer uma autoanálise, se realmente a intenção é nobre no sentido de criar uma liga onde todos de alguma forma se beneficiarão. Outra coisa são clubes que apenas chegaram, surgiram quererem também… Ah, calma! Vamos primeiro provar que nós temos condições de estar aí. Há uns com tradição, com história e têm todo o direito de pleitear uma posição de um comando maior, uma autonomia maior para traçar as diretrizes para o seu clube, para os times como um todo, para o campeonato, que já disputam há muito tempo, que é o caso de várias estruturas que estão aí há muitos anos, alguns há décadas. No caso do Rexona são 20 anos.

Técnico se irrita durante partida na Rio 2016 (FIVB)

Saída de Rede – De que maneira esse processo deveria se dar, caso a ideia seja levada adiante?
Bernardinho – Eu acho que, de alguma forma, é preciso pensar numa integração maior num primeiro momento e depois de muitos anos se tornaria isso, uma liga independente… Acho que os passos precisam ser dados. Tem que se pensar na forma de se fazer, se criar responsabilidades claras, punições também, para aquilo que não for cumprido dentro daquelas que seriam as normas. Não é somente criar e depois vem aquilo que é um pouco do sentimento do brasileiro, aquele paternalismo… “Ah, mas a Confederação (Brasileira de Vôlei) não tutela os nossos interesses”. Se é autonomia, então os clubes têm que ter autonomia e a capacidade de gerir a sua própria liga. Aí, acredito eu, a Confederação teria apenas a responsabilidade sobre questões técnicas, como a arbitragem, o regulamento. Mas todas as questões de patrocínio, de marketing seriam tuteladas por essa liga independente. Acho que tudo é uma questão de negociar, ninguém pode se furtar a debater o assunto, buscar soluções, o que for melhor para o voleibol.

Saída de Rede – Como é a relação entre clube e seleção?
Bernardinho – Muitas vezes vejo alguns clubes que têm certa dificuldade em colaborar com a seleção… Eu tenho até dificuldade de falar aqui, minha intenção é colaborar…  É que os clubes são muito importantes, mas a seleção é o carro-chefe do momento, as seleções… Por quê? As seleções formam os ídolos nacionais que os clubes vão querer contratar. “Ah, mas o jogador fica muito tempo na seleção, isso e aquilo”. Mas se o jogador não ficar muito tempo, e o tempo que ele fica lá é necessário para ter um grande resultado, o clube não vai se beneficiar. E sem os ídolos, os clubes não vão ter patrocínios. Isso é um fato. Então às vezes, sabe, há uma forma de se justificar totalmente equivocada. Seleção é o carro-chefe e os clubes são muito necessários e importantes. Eu digo isso porque eu estou à frente de um clube e não é há pouco tempo. A gente tem que entender que sem os ídolos da seleção os clubes não terão condições de se sustentar, pois os patrocinadores querem os grandes ídolos aqui no Brasil.

Saída de Rede – Quando você diz que alguns clubes têm dificuldade em colaborar, vê isso ocorrer mais no masculino ou no feminino?
Bernardinho – Um pouco mais no masculino.

Segundo o treinador, Taubaté não liberou Lipe para uma excursão com a seleção em 2015 (FIVB)

Saída de Rede – Por exemplo…
Bernardinho – Taubaté é um caso especial, com um dirigente bastante peculiar, que é o Ricardo Navajas, que eu não tenho nada contra. Muito pelo contrário, ele faz o trabalho dele, respeito o trabalho dele lá, mas ele nunca teve uma posição de colaboração. Prejudicar nunca prejudicou, agora nunca foi um cara que veio “ah, vamos apoiar”. Ele tem que entender que os ídolos do Taubaté são ídolos que foram feitos na seleção. Veja o Lucarelli… Ele não surgiu lá. Surgiu no Minas (Tênis Clube), depois foi pro Sesi, aí na seleção começou a ter mais maturidade e depois foi pra Taubaté. O Lipe (atualmente no voleibol turco, no Halkbank Ankara) longe de ter começado lá, como tantos outros, o Wallace, o Éder… Há de haver um entendimento sobre essas coisas, é preciso ter um equilíbrio. E a seleção… Eles falam “ah, a seleção quer ter mais tempo”. Mais tempo para se preparar. Em 2015, por exemplo, teve jogador que ficou de fora de uma excursão importante (aos EUA e à Europa), caso do Lipe, porque Taubaté não liberou. A excursão era importante porque fomos impedidos pela Federação Internacional de Vôlei de participar da Copa do Mundo e aquela era a última chance da gente avaliar a equipe na temporada. Eles (Taubaté) pressionaram para não participar, tanto é que o Lipe não viajou.

Saída de Rede – Essa resistência de alguns clubes é pelo desgaste do atleta, risco de lesão? O que eles argumentam?
Bernardinho – O argumento é sempre alguma coisa desse tipo, que os clubes têm mais competições, que é preciso… Digo os clubes de uma forma geral. Claro que no final há o bom senso, você tem o equilíbrio da temporada como um todo… Eu falei desse exemplo (do Taubaté), mas você tem isso nos clubes de uma forma geral, eles têm essa questão da disputa por espaço. As seleções têm que ter um espaço importante para as competições. Contusão acontece na seleção e acontece no clube. Nós todos temos que ter o bom senso de fazer aquilo que deve ser feito. Quando os jogadores se machucam nos clubes, o que acontece eventualmente, a seleção não fica “ah, olha os caras…”. Não, no alto rendimento isso pode acontecer, não é verdade? Terminou a Olimpíada do Rio, apesar de um sentir algo aqui e outro ali, todos estavam aptos a jogar, como jogaram até a final. Numa competição intensa, dura, dia sim, dia não, logo depois de uma Liga Mundial, onde nós chegamos a final também.

“Seleção é o carro-chefe, é fato” (FIVB)

Saída de Rede – Qual a saída para esse impasse?
Bernardinho – Que haja um entendimento que todos são profissionais competentes nos clubes e nas seleções. A intenção da seleção é ganhar títulos. Ao ganhar títulos e formar ídolos, a partir dessas conquistas, com a visibilidade que a seleção tem, os clubes se beneficiam disso, obviamente. Os clubes têm o papel de desenvolver esses jogadores. Sem os clubes as seleções não terão seu processo de alimentação realizado. As seleções precisam dos clubes. É importante que haja entendimento e que um colabore com o outro. Quanto mais as seleções forem vitoriosas e mais os clubes brasileiros desenvolverem grandes atletas e com isso atraírem patrocinadores, melhor para todo o movimento, nós vivemos disso. O problema às vezes é querer olhar apenas para o próprio umbigo. A gente tem que ter uma visão mais do todo, da importância de todos nesse processo. Somos todos peças de um grande mecanismo, mas o mesmo mecanismo, o voleibol brasileiro. Eu não tô agora mais na seleção, mas não adianta, é o carro-chefe, é fato.

Saída de Rede – Como foi deixar o cargo de técnico da seleção masculina depois do ouro na Rio 2016?
Bernardinho – Foi difícil… Mas aquilo nunca foi meu, eu era parte daquilo. Não era um feudo meu, estive lá por um tempo, os resultados foram satisfatórios, afinal fui mantido por um tempo até bastante longo, mas terminou. Agora eu vou colaborar naquilo que for pedido. Se quiserem a minha colaboração, jamais deixarei de colaborar com a seleção e principalmente com o Renan, que no caso está lá hoje e que é um irmão que a vida me deu. Ele é um cara excepcional, uma figura humana de primeiríssima qualidade. Eu tenho certeza que o trabalho dele vai ter um êxito incrível, numa nova forma de fazer. Claro que há um alinhamento, ele conhece muito, estava ali bem perto de todos nós, mas são coisas novas, situações novas.

Sobre Renan: “Figura humana de primeiríssima qualidade” (arquivo pessoal/Renan Dal Zotto)

Saída de Rede – Agora como coordenador técnico, até onde irá sua participação na seleção masculina?
Bernardinho – Na verdade eu não sou nada, sou um colaborador.

Saída de Rede – A CBV anunciou seu nome nesse cargo de coordenador técnico quando o Renan foi apresentado como novo treinador.
Bernardinho – Não, eu não tenho cargo, sou um colaborador. Fui chamado para uma reunião com todos os treinadores, fui lá na CBV, dei os meus pitacos, opiniões, falei, participei… Sempre que eu for chamado e tiver a possibilidade de ir, estarei lá. Agora, não é simples sair, tem sido difícil, mas era o certo. É duro, mas era o correto.

Saída de Rede – Você continua recebendo propostas do exterior?
Bernardinho – Muitas.

Saída de Rede – Alguma te balançou?
Bernardinho – Só as dos Estados Unidos me balançaram. Não pela proposta financeira, mas as possibilidades que elas abrem. Tive também da Europa e da Ásia, mas essas dos Estados Unidos mexeram comigo, vindas de duas universidades.

Saída de Rede – De quais universidades?
Bernardinho – Não quero dizer até porque há treinadores trabalhando lá. Mas me interessa porque envolve a questão da educação, combina área acadêmica e esporte. Isso é algo que eu não tive quando estudante. Eu me formei em economia (em 1984, na PUC-Rio) e queria fazer uma pós-graduação fora. Então poderia ter essa possibilidade agora. E também pelas meninas, minhas filhas (Júlia e Vitória), para elas também seria uma oportunidade interessante. Não tem sentido eu largar a seleção brasileira, uma seleção como essa, para dirigir um grande time na Europa. Que sentido isso tem, não é verdade? Se fosse para treinar um desses times, eu continuaria na seleção.
__________________________

*Sada Cruzeiro, JF Vôlei, Montes Claros, Funvic/Taubaté, Copel Telecom Maringá, Lebes Gedore Canoas, Sesi e Bento Vôlei integram a Associação de Clubes de Vôlei (ACV)


Confirmado: Vôlei Nestlé estará no Mundial de clubes
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Carolina Canossa

Anúncio oficial foi feito em um restaurante japonês e contou com parte do elenco de Osasco (Foto: João Pires/Fotojump)

Se no fim de semana houve um “meio anúncio”, agora ele é completo: nesta quarta-feira (15), o Vôlei Nestlé confirmou que estará na disputa do Mundial de clubes femininos, programado para entre 8 a 14 de maio no Japão.

Campeão do torneio em 2012, o time brasileiro foi um dos quatro agraciados pelos convites distribuídos pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB) – o nome dos demais contemplados ainda não foi divulgado.

“Estou honrado pelo reconhecimento. A nossa história na disputa do Mundial nos credencia a ter esse convite. São quatro participações, com três finais e um terceiro lugar com uma equipe que disputou a competição desfalcada das jogadoras da seleção brasileira. É uma enorme satisfação mais uma vez poder participar de uma competição tão importante como essa com as cores do Vôlei Nestlé e representando a cidade de Osasco”, afirmou o técnico Luizomar de Moura.

Após fim de patrocínio, Bernardinho fala sobre o futuro do Rio em entrevista exclusiva

Na neve? Variação peculiar do vôlei sonha com a Olimpíada de inverno

Para a disputa do Mundial, o clube paulista contará com o aporte financeiro de um novo patrocinador, o Grupo Baumgart, através da Vedacit, cuja marca estará presente nas camisas usadas pela comissão técnica do Vôlei Nestlé, e através também do shopping Center Norte, que vai promover atividades relacionadas ao vôlei.

Presente em todas as participações de Osasco no Mundial, a líbero Camila Brait está empolgada. “Jogar o Mundial é sempre difícil porque lá estão os melhores times do mundo. Sabemos que precisamos seguir crescendo nesta fase final da Superliga pensando em executar um bom papel no Mundial. É muito importante ganhar uma medalha e não importa a cor. Claro que nosso objetivo será o ouro, mas além do título de 2012 já conseguimos duas pratas e um bronze”, afirmou a atleta.

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Destaque do time nesta temporada, a ponteira Tandara comemorou o desafio inédito na carreira. “Estou muito feliz porque nunca joguei um Mundial. É uma oportunidade única, pois não sei quando terei essa chance novamente. São os melhores times do mundo e o Vôlei Nestlé está entre eles. Será uma experiência singular e estou encarando de uma maneira positiva. O clube faz um trabalho de excelência, sempre mantendo o alto nível, e uma boa sequência na Superliga ajudará na preparação para o Mundial”, afirmou.

Além do Vôlei Nestlé, somente outros dois times brasileiros já foram campeões mundiais: o Sadia (1991) e o Leite Moça (1994). Na edição de 2017, o Brasil também será representado pelo Rexona-Sesc.


Na neve? Variação peculiar do vôlei sonha com Olimpíada de Inverno
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Carolina Canossa

Vôlei na neve exige sapatos com travas, como chuteiras, para ser jogado (Fotos: Divulgação)

Já pensou em ver partidas de vôlei na Olimpíada de Inverno? O que hoje parece apenas um delírio pode se tornar realidade dentro de alguns anos. É que, pouco a pouco, começa a ganhar popularidade uma versão bastante peculiar do esporte que tanto gostamos: duelos realizados na neve.

Modalidade costuma render belas imagens

Surgido de uma brincadeira entre amigos no rigoroso inverno austríaco, o Snow Volleyball deixou de ser um mero entretenimento e vem se profissionalizando ao longo da última década. O primeiro torneio oficial foi ideia de Martin Kaswurm e atualmente está na segunda edição de seu Circuito Europeu, com direito a chancela oficial da Confederação Europeia de Vôlei (CEV, na sigla em inglês) – a organização continua nas mãos de Kaswurm, que ao lado do sócio Veit Manninger fez uma apresentação sobre o novo esporte no último congresso da FIVB (Federação Internacional de Vôlei), em outubro. A expectativa deles é que, já no ano que vem, a entidade ajude a colocar em prática um Circuito Mundial de vôlei na neve.

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Banheiras aquecidas de hidromassagem estão entre os mimos para o público

O vôlei na neve segue os preceitos do vôlei de praia: dois jogadores de cada lado e quadra de 16 m x 8 m, com rede de 2,24 m no feminino e 2,43 m no masculino. A primeira grande diferença está no tipo de calçado usado pelos atletas, que precisam ter travas, como chuteiras, evitar quedas e escorregões. “É só vestir roupas quentes e calçados de futebol. Isso é tudo o que você precisa”, conta o tcheco Robert Kufa, segundo colocado no ranking elaborado pela CEV. “Comparado com o vôlei de praia, é muito mais difícil prever o que o adversário vai fazer, então é preciso tentar fazer uma leitura corporal deles e improvisar”, destacou. Detalhe: apesar das declarações de Kufa, não é tão incomum ver atletas jogando apenas de shorts e camiseta ou até mesmo regata.

Geralmente sediado na área de lazer de estações de esqui de alto padrão, os torneios de vôlei na neve também contam com bastante entretenimento ao redor: no intuito de atrair público, a estrutura muitas vezes possui até banheira aquecida de hidromassagem. O Circuito Europeu 2017 já teve etapas na República Tcheca e, neste fim de semana, realizou seus duelos na Suíça. Estão previstas ainda paradas na Eslovênia, Áustria, Liechtenstein e Itália até abril, aproveitando ao máximo o tempo frio no continente.

Até por falta de lugares adequados para treinar nas condições exigidas pelo Snow Volleyball, o Brasil não deve repetir nesta modalidade o mesmo sucesso que já obteve no indoor e na praia, mas é bem possível que um dia o esporte se torne o primeiro com bola no programa da Olimpíada de Inverno. Por enquanto, destaque para os vídeos e fotos com belas imagens…


Vídeo que sugere ida ao Mundial alvoroça torcida do Vôlei Nestlé
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Carolina Canossa

Osasco ganhou o Mundial de clubes em 2012 (Foto: Reprodução/Facebook)

“Para bom entendedor, meio anúncio vale”. Basta uma pequena modificação no popular ditado para resumir o alvoroço causado entre os torcedores do Vôlei Nestlé causado por um vídeo de 21 segundos postado na página do time neste domingo (12).

Nas imagens, é possível ver a frase “Nós somos Osasco” seguido de vários caracteres em japonês – vale lembrar que o próximo Mundial de clubes feminino será realizado justamente no Japão, mais precisamente na cidade de Kobe. O torneio ocorre entre 9 e 14 de maio.

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Como se não bastasse, a trilha sonora do vídeo é um canto da torcida bastante comum nas partidas realizadas no ginásio José Liberatti: “Nós somos Osasco/ Campeão mundial/ Nada mais interessa / Nós fazemos a festa”. Quer mais? O título da postagem é “Esse rolê vai longe…”, uma clara referência à distância do país asiático e à mais recente campanha de marketing do time.

Desta forma, não se pode presumir outra coisa senão o fato de que a negociação para um dos convites distribuídos pela FIVB para a disputa tenha sido concedido à equipe paulista, que já estava em tratativas com a entidade há algumas semanas. Aliás, o aparecimento de um novo patrocinador (Vedacit) no fim do vídeo é mais um sinal do que deve ser anunciado em breve.

O Brasil já tem confirmado um participante no Mundial de clubes: trata-se do Rexona-Sesc, que garantiu sua vaga ao vencer o Sul-Americano de clubes no último mês de fevereiro.


Sada Cruzeiro transmite partida da Superliga e recebe advertência da CBV
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Sidrônio Henrique

Cruzeiro transmitiu em sua página no Facebook o jogo contra Canoas (Fotos: Fernando Potrick/Gama)

Um dos times de maior torcida do país, o Sada Cruzeiro bem que tentou… O clube mineiro transmitiu uma partida da Superliga 2016/2017, via Facebook Live, sem aviso prévio. No dia seguinte recebeu uma advertência da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). O Saída de Rede segue mostrando as tentativas dos clubes para garantir exposição aos patrocinadores e atender às demandas dos profissionais da modalidade e dos torcedores. O jogo em questão, vencido pelo Cruzeiro por 3-0, foi no dia 23 de novembro, contra o Lebes Gedore Canoas, na casa do adversário.

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“Tivemos um retorno extremamente positivo, com muita gente acompanhando e elogiando o clube por essa tentativa. A imagem não era a ideal, não tinha praticamente nenhuma estrutura, mas foi uma tentativa quase que desesperada de mostrar a partida para o torcedor. Temos um apelo muito grande nas redes sociais, de torcedores indignados por não conseguirem ver os jogos. Somos cobrados diariamente por isso”, disse ao SdR o diretor esportivo do Sada Cruzeiro, Flávio Pereira.

Flávio Pereira, diretor esportivo do Sada Cruzeiro (Divulgação/Sada Cruzeiro)

O vídeo teve mais de 33 mil visualizações. “Não houve nenhuma divulgação, somente quem estava online no momento”, ressaltou Pereira.

CBV não proíbe, mas…
Na quinta-feira (9), o blog fez uma entrevista exclusiva com o CEO da CBV, Ricardo Trade, o Baka, em que ele explicou o contrato da entidade com a Globo e prometeu transmissões online. A Confederação divulgou ainda uma nota na qual rebatia: “A CBV não proíbe as transmissões por internet, apenas, por motivos contratuais, somente pode autorizar transmissões pelos clubes em nossa página do Facebook ou em nosso site”.

Flávio Pereira contou que, antes mesmo dessa nota, o Sada Cruzeiro questionou a viabilidade das normas impostas pela CBV, que exigem que a transmissão seja feita dentro das plataformas da entidade, em HD, com o uso de três câmeras, placar na tela, logomarca Vôlei Brasil, sem narração, entre outros pontos. “Para os clubes é totalmente inviável, pois terão que arcar com os altíssimos custos e não podem mostrar a marca de nenhum patrocinador ou apoiador e vão gerar tráfego apenas para as plataformas da CBV. As exigências são tão absurdas que nenhuma equipe, até o momento, conseguiu fazer a transmissão no padrão exigido pela Confederação”, afirmou.

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Na Superliga 2012/2013 a própria CBV chegou a exibir algumas partidas na internet, em seu próprio site. Mas acabou cancelando as transmissões devido a uma série de problemas, entre os quais a baixa qualidade da imagem e constantes interrupções.

Transmissão no Facebook teve mais de 33 mil visualizações

Tentativa de diálogo
O diretor cruzeirense enfatizou que o clube tem tentado, “como em todas as questões que acreditamos serem importantes para o vôlei brasileiro”, dialogar com a Confederação. “A TV abriu mão destas partidas ao não transmiti-las. E também não tem interesse comercial nessa transmissão via internet”, completou Flávio Pereira.

Algumas entidades se valem de seus canais no YouTube para exibir torneios da modalidade. A própria Federação Internacional de Vôlei (FIVB) utiliza o recurso desde o ano passado – foi assim com os pré-olímpicos mundiais masculino e feminino, com a Liga Mundial e o Grand Prix. Por aqui na América do Sul, a Associação de Clubes Liga Argentina de Voleibol (Aclav) já o faz há alguns anos. Quase todas as partidas do campeonato argentino que não são transmitidas pela TV migram para o canal da emissora TyC Sports no YouTube, contando com narradores e algumas até com comentaristas. Na Itália e na Polônia há a opção de ver os jogos das ligas locais pela internet em sites autorizados pelas federações. Exceto pelos exemplos mostrados aqui no SdR, a Superliga segue dependendo da TV, com a maioria das partidas exibida em um canal por assinatura.