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Arquivo : Fernanda Garay

No dia 1º de abril, seis fatos do vôlei que parecem mentira, mas não são
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Sidrônio Henrique

No Dia da Mentira, o Saída de Rede relembra seis fatos ligados ao voleibol que parecem difíceis de acreditar, mas que são incontestáveis. De uma cubana voadora a um francês marrento, passando por partidas que ainda mexem com a torcida brasileira, além de um Mundial esvaziado, dá uma conferida na lista abaixo.

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A baixinha Mireya assombrou o mundo (foto: Tasso Marcelo/Ag. Estado)

Salta, chica!
Suponha que você, fã de vôlei, nunca ouviu falar sobre Mireya Luis. De repente, alguém te diz que uma ponteira com mero 1,75m teve o maior alcance da história, chegando a 3,36m, e que foi a maior atacante de todos os tempos. Dá para acreditar? Parece mentira, mas não é.

De 1983 a 2000, essa ponta cubana brilhou nas quadras mundo afora. Sua impulsão era de 1,10m. Lá do alto, distribuía petardos que assombravam as adversárias. Na tentativa de contê-la, os bloqueios atrasavam um tempo na hora de subir, na esperança de amortecer a bola. Bloqueá-la, só se ela atacasse para baixo, e às vezes nem assim. Em mais de uma oportunidade, sepultou o sonho do ouro das brasileiras. O duelo mais notório foi a semifinal da Olimpíada de Atlanta, em 1996, quando Mireya, depois de um começo opaco, foi crescendo até destruir o Brasil no tie break. Deixou sua seleção como tricampeã olímpica e bi mundial, entre outros títulos, à frente de um timaço apontado por muitos como o maior de todos os tempos.

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A tristeza de Mari, Virna e Zé Roberto após a derrota para as russas (FIVB)

24 a 19 na semifinal de Atenas
Olimpíada de Atenas, 26 de agosto de 2004. Faltava um, apenas um ponto para a seleção brasileira feminina de vôlei chegar a uma inédita final olímpica, após ter parado na semifinal nas três edições anteriores. O time comandado pelo técnico José Roberto Guimarães vencia a Rússia na semifinal do vôlei feminino por dois sets a um e liderava o quarto set por 24-19 quando a levantadora Fernanda Venturini foi para o saque. A virada de bola russa na sequência, com a ponta Lioubov Sokolova, parecia normal, afinal ainda restariam outros quatro match points, com o Brasil recebendo o serviço e tendo três atacantes na rede.

O que parecia mera formalidade virou um pesadelo. Uma a uma, a seleção brasileira foi desperdiçando suas chances, até que as russas fecharam a parcial em 28-26, levando a decisão para o tie break. No quinto set, o Brasil voltou a liderar, mas sucumbiu no final e perdeu por 16-14. Foram sete match points jogados fora (seis na quarta parcial e um na última). A oposta Marianne Steinbrecher, 21 anos recém-completados, marcou impressionantes 37 pontos na partida, recorde mantido até hoje em Jogos Olímpicos. No entanto, foi injustamente rotulada por alguns como símbolo da derrota, que ocorreu como fruto do desequilíbrio coletivo. Um desastre, que mesmo depois de dois ouros olímpicos (Pequim 2008 e Londres 2012) ainda vive na memória do torcedor.

Zé Roberto dá um peixinho: seis match points salvos diante da Rússia (Lalo de Almeira/Folhapress)

Quartas de final de Londres
Mais uma vez a Rússia, de Lioubov Sokolova e Ekaterina Gamova, aparecia no caminho da seleção brasileira feminina. O retrospecto era péssimo em jogos decisivos. Além da semifinal de Atenas 2004, as adversárias haviam sido algozes do Brasil nas decisões dos Mundiais 2006 e 2010 – a oposta Gamova marcou, nessas duas partidas, 28 e 35 pontos, respectivamente. É verdade que em Pequim 2008 as brasileiras massacraram as russas, mas como o próprio Zé Roberto ressaltou, a superioridade do Brasil afastava qualquer equilíbrio e o jogo foi na primeira fase.

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Para aumentar o drama em Londres 2012, a seleção brasileira avançou às quartas de final após ficar em um modesto quarto lugar em seu grupo, tendo perdido por 0-3 para a Coreia do Sul. As russas estavam invictas. Fim da linha para o Brasil? Que nada! O jogo foi ao tie break e, para apimentar ainda mais a rivalidade entre brasileiras e russas, estas últimas tiveram seis match points. Poderiam ter fechado a partida num contra-ataque pela entrada com Nataliya Goncharova, mas Jaqueline Carvalho defendeu e entregou na mão da levantadora Dani Lins. Era dia de Sheilla Castro. A oposta brasileira salvou cinco dos seis match points – o outro foi num ataque pelo meio com Thaisa Menezes.

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No final, dois saques certeiros da ponta Fernanda Garay sobre Sokolova, sobrecarregada no passe. No primeiro, ace. No seguinte, uma bola de graça, convertida em ponto numa china com Fabiana Claudino. Brasil 21-19. A semifinal de Atenas pode não ter sido esquecida, mas foi vingada.

Giba consola Bruno após a derrota na final de Londres 2012 (AP)

Final masculina de Londres
A seleção brasileira masculina esteve muito perto do seu terceiro ouro olímpico antes de conquistá-lo na Rio 2016. Chegou a ter dois match points na final de Londres 2012 diante da Rússia. O Brasil começou atropelando e, com relativa facilidade, abriu 2-0.

A partir do terceiro set, dois fatores mudaram o jogo. Do lado russo, o único oposto de ofício da equipe, Maxim Mikhaylov, devidamente marcado pelo time de Bernardinho, foi deslocado para a entrada. Em seu lugar na saída de rede, o técnico Vladimir Alekno colocou o central Dmitriy Muserskiy, um gigante de 2,18m que às vezes desempenhava essa função em seu clube, o Belogorie Belgorod, mas nunca havia sido testado nela em jogos da seleção. Pelo Brasil, o ponta Dante Amaral começou a sentir fortes dores em seu joelho direito, o que prejudicou sua mobilidade e comprometeu o esquema tático da equipe.

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Estava traçada ali uma das viradas mais espetaculares da história. Some à queda no desempenho do Brasil uma atuação de gala de Muserskiy e o resultado foi Rússia 3-2. O central transformado em oposto saiu da condição de coadjuvante para protagonista na final. Nos dois primeiros sets, como meio de rede, havia marcado apenas quatro pontos. Marcaria outros 27 a partir da terceira parcial para se consagrar. Parecia mentira, mas infelizmente foi verdade.

A imprevisibilidade de N’gapeth
Há os que o amam e aqueles que não o suportam. Só não há um fã desse esporte que seja indiferente ao marrento ponta francês Earvin N’gapeth. Também não se pode negar o talento daquele que é um dos maiores jogadores da década. À sua irreverência e jeito provocativo, acrescente uma dose de imprevisibilidade que garantem lances incríveis, como que tirados da cartola por esse atacante que desde 2014 joga pelo Modena, da Itália.

Parece mentira que o craque de 1,94m, atualmente com 26 anos, tenha decidido arriscar, enquanto girava, uma bola de gancho no match point da decisão do Campeonato Europeu 2015, diante da valente Eslovênia, quando o placar dava apenas um ponto de vantagem para a França. A cada rodada da liga italiana, surgem nas redes sociais clipes com jogadas geniais (como as do vídeo acima) de um cara que desde os tempos de juvenil era apontado como detentor de um talento que lhe garantiria projeção internacional. Momentos que só vendo para crer.

Japonesas conquistaram o troféu num campeonato reduzido (FIVB)

Mundial com quatro equipes
Onde já se viu isso? Culpa da Guerra Fria. O Saída de Rede já te contou essa história, em janeiro deste ano, quando o evento completou 50 anos. Por causa de diferenças políticas, o Mundial feminino 1967 teve apenas quatro países participantes: Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e Peru.

O torneio deveria ter tido a presença de 11 seleções, mas o país-sede, o Japão, capitalista, advertiu que não hastearia a bandeira nem executaria o hino nacional da Coreia do Norte e da Alemanha Oriental, duas novas nações surgidas depois da II Guerra Mundial, integrantes do bloco comunista. Como outros cinco participantes eram alinhados com aqueles dois, o boicote dos sete fez o evento virar um simples quadrangular, vencido com facilidade pelo anfitrião. Um fiasco que parece história inventada, mas que de fato aconteceu.


Para advogado, briga judicial entre atletas e CBV terá definição em um mês
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Carolina Canossa

Principais jogadoras de vôlei do Brasil estão em confronto aberto contra a CBV (Fotos: Divulgação/FIVB)

Iniciada na última segunda-feira (27), a ação judicial de oito atletas classificadas como “sete pontos” no ranking da edição 2017/2018 da Superliga feminina de vôlei não deve demorar para ter uma definição. Ao menos é o que espera o advogado das jogadoras, Carlos Heitor Pioli Filho.

Em entrevista exclusiva ao Saída de Rede, Pioli Filho explicou quais são os próximos passos do caso. “A juíza recebeu essa ação de mandado de segurança e mandou notificar, através de um oficial de Justiça, a CBV e o presidente da instituição (Walter Pitombo Laranjeiras). A partir da ciência deles, há um prazo de dez dias úteis para eles apresentarem informações à juíza. Com essas informações, que é o exercício do contraditório, pois a outra parte tem que se manifestar, ela decidirá (se o ranking será extinto ou não)“, afirmou.

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Por correr em caráter de urgência, uma vez que o mercado de transferências do vôlei já começa a se aquecer com a proximidade do encerramento da Superliga, essa disputa específica não deve demorar a ter uma resolução. “A gente acredita que, no máximo em um mês, isso aí esteja resolvido. É preciso que isso aconteça o quanto antes para que não haja prejuízo de ambas as partes”, destacou o advogado.

Evidentemente, em um segundo momento tanto as atletas como a CBV podem se utilizar de outros recursos judiciais para defender seus interesses. Porém, segundo Pioli Filho, as melhores jogadoras do Brasil não possuem um “plano B” neste momento. “Quando nos reunimos com as atletas, optamos por um caminho só e ir até o fim dele, acreditando que é o que vai dar certo”, justificou.

Questionado se o fato de os clubes participantes da Superliga serem os responsáveis por decidir pela manutenção do ranking não pode dificultar a ação judicial, que é somente contra a entidade que rege o vôlei brasileiro, o profissional isentou os times de culpa.

Estrelas do vôlei lamentam não poder jogar onde querem por conta do regulamento da Superliga

“Quando o ranking foi criado, na temporada 1992/1993, quem o criou foi a CBV. Essa divisão de responsabilidades que a entidade tenta fazer acontece porque quem vota no ranking são os clubes e a comissão de atletas. A ação visa extinguir o ranking, então não tem nada a ver com os clubes, que, no nosso sentir, não têm absolutamente nada com isso. O problema é entre as atletas e a CBV. Há uma nítida relação de trabalho entre eles e o ranking as está prejudicando. Se a CBV criou o ranking, também tem o “poder” de extingui-lo”, comentou.

Especialista em direito desportivo concorda, mas usaria outro caminho

Procurado pelo SdR para opiniar sobre a briga judicial, o especialista e professor de direito desportivo André Sica concorda que a CBV deve responder sozinha pela decisão da manutenção do ranking da Superliga.

“Os clubes são entes filiados à CBV que, por sua vez, é a entidade de administração do desporto responsável e competente para publicação do regulamento da competição. Portanto, a CBV claramente tem legitimidade para integrar o polo passivo da demanda ajuizada pelas atletas”, afirmou.

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Em um primeiro momento, atletas haviam usado as redes sociais para reclamar (Foto: Reprodução)

Sica também concorda que o caminho a ser traçado pelas jogadoras insatisfeitas é mesmo a judicialização do assunto, mas diz que conduziria o caso de outra maneira. “Não me parece que o mandado de segurança seja o caminho mais seguro para essa discussão, uma vez que não é completamente pacificado o entendimento de que o presidente de uma confederação poderia ser classificado como uma “autoridade coatora”, o que é um requisito para o cabimento do mandado de segurança. Particularmente, entendo que o caminho mais seguro seria o ajuizamento de uma ação declaratória de obrigação de não fazer, com pedido liminar para suspensão imediata do sistema de ranking das atletas”, explicou.

Por fim, ele não acredita que a briga possa prejudicar a realização da próxima Superliga, ocasionando atrasos ou até mesmo a suspensão do torneio. “Em qualquer cenário analisado, seja via mandado de segurança ou ação declaratória, haverá os requisitos para o pedido de liminar para a suspensão do sistema de ranking, e a tendência é que essa liminar seja apreciada de forma bastante célere”, declarou.

Oito das nove atletas classificadas como sete pontos foram à Justiça contra a CBV: Thaisa, Sheilla, Dani Lins, Jaqueline, Natália, Fabiana, Gabi e Fernanda Garay. Apenas Tandara ficou de fora da ação por julgar que era uma medida extrema para o momento, mas a ponteira do Vôlei Nestlé já manifestou publicamente seu apoio às colegas.


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Por futuro no vôlei e na seleção, Rosamaria encara mudança de rumo
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Sidrônio Henrique

Rosamaria lidera o ranking de pontuadoras da Superliga (fotos: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

Com 1,85m e disposta a aprender cada vez mais o ofício de ponteira, Rosamaria Montibeller deixou para trás a função de oposta. O técnico da seleção feminina, José Roberto Guimarães, tem participação direta na decisão, reforçada por seu assistente Paulo Coco, treinador dessa catarinense de 22 anos na equipe do Camponesa/Minas. “Eu havia jogado sob a orientação dele (Zé Roberto) no Vôlei Amil. Ele me falava: ‘Rosa, você tem potencial pra jogar na ponta. Treina, trabalha isso. Pro futuro da seleção brasileira e pro seu futuro no voleibol, vai ser melhor você se deslocar para a entrada. Você não é tão alta, não tem 1,90m pra jogar na saída’”, contou ao Saída de Rede.

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Ser a maior pontuadora da Superliga 2016/2017, com 254 pontos após 15 rodadas, lhe causa alguma surpresa. “Eu achava que, quando fosse deslocada pra ponta, meu rendimento no ataque ia cair um pouco pelo fato de eu ter que passar e atacar. Mas eu atribuo isso à Pri (Daroit) e à Léia porque elas me dão toda a cobertura na linha de passe. Eu fico com pouca área na recepção, então acabo mais livre para atacar”, comentou Rosamaria, que migrou da saída para a entrada na metade do primeiro turno, após a chegada da oposta americana Destinee Hooker.

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É claro que a seleção brasileira principal está nos planos dela, que foi campeã mundial sub23 em 2015. Mas Rosamaria está tranquila quanto a isso. “Eu tô fazendo o meu papel… Se der certo, deu. Se não der, paciência”.

Confira a entrevista que um dos destaques da Superliga concedeu ao SdR:

Saída de Rede – Como foi encarar a mudança de oposta para ponteira com a Superliga em andamento, tendo muita responsabilidade na equipe, uma vez que a Jaqueline ainda não recuperou a forma?
Rosamaria – Eu havia jogado como ponta nas categorias de base, mas na Superliga é a primeira vez. Eu avalio a mudança da melhor maneira possível, tenho conseguido ajudar o time. É tudo uma fase de adaptação, né. Ainda estou me adaptando, ainda sofro com algumas coisas, mas o importante é que o time está andando. A partir do momento em que eu tenha a possibilidade de ajudar o time, isso é o que conta.

Em ação no Mundial sub23, disputado em 2015, quando foi capitã e conquistou o título (foto: FIVB)

Saída de Rede – Na temporada 2013/2014, no Vôlei Amil, sem tanta cobrança, você fazia ponta e saída, embora ficasse a maior parte do tempo como oposta mesmo. Isso de alguma forma ajudou?
Rosamaria – Sim, às vezes eu ia pra entrada, isso valeu. Quando joguei no Pinheiros depois também, um jogo ou outro eu ficava na ponta. Mas efetivamente, como agora, é a primeira vez.

Saída de Rede – Quais as dificuldades nessa mudança? Passe, posicionamento, referências na quadra?
Rosamaria – Desde o ataque, uma posição diferente, ali na quatro. Tem a puxada de fundo meio também… Mas principalmente o passe. Até treinava um pouco esse fundamento. Porém, treinar é uma coisa, jogar é outra. Mesmo como oposta treinava recepção junto com as ponteiras, mas agora ainda estou me adaptando, me situando nessa relação com a líbero, com a outra ponta. De qualquer forma, acho que tenho melhorado.

Saída de Rede – Te surpreende ser a maior pontuadora da Superliga?
Rosamaria – De alguma forma, sim. Eu achava que, quando fosse deslocada pra ponta, meu rendimento no ataque ia cair um pouco pelo fato de eu ter que passar e atacar. Mas eu atribuo isso à Pri (Daroit) e à Léia porque elas me dão toda a cobertura na linha de passe. Eu fico com pouca área na recepção, então acabo mais livre para atacar. Elas me ajudam muito nisso. Estou muito feliz, espero que eu só melhore, que eu não pare de evoluir nesse segundo turno.

Celebrando um ponto com a líbero Léia, que lhe dá cobertura na linha de passe

Saída de Rede – Até onde o Camponesa/Minas pode chegar nesta Superliga?
Rosamaria – Até a final. O objetivo é esse e a gente sabe que tem que evoluir muito, nós não fizemos um bom primeiro turno, mas já vemos outra cara no time. Temos que evoluir demais, mas sonhamos com a final.

Saída de Rede – Olha, vou te provocar: só a final já é suficiente? E o título?
Rosamaria – Com certeza eu quero esse. (Risos)

Saída de Rede – O Minas tem time para ganhar a Superliga independentemente do adversário?
Rosamaria – Sim. Seja lá com quem a gente cruzar na semifinal ou na final… Bom, temos que nos classificar, claro. Porque tem isso, né, a gente tem que avançar, a briga tá boa, mas não tem nada garantido. A gente vai pra cima.

Saída de Rede – Novo ciclo olímpico começando, você se vê na seleção?
Rosamaria – Não há como não pensar, mas estou indo com muita calma, muita tranquilidade. O Paulo (Coco) tá me vendo aqui no dia a dia, então ele vai poder avaliar se eu mereço estar lá ou não, junto com o Zé Roberto, que eu sei que está acompanhando a Superliga. Eu tô fazendo o meu papel… Se der certo, deu. Se não der, paciência.

Saída de Rede – Na seleção, onde você se encaixaria melhor: entrada ou saída?
Rosamaria – É difícil dizer. Este ano vamos ter uma renovação, mas a gente não sabe quem sai, quem fica, e o que o Zé (Roberto) acha. Ele sempre conversou comigo pra eu mudar pra ponta. Então, se eu continuar tendo um bom rendimento, gostaria de seguir na entrada de rede, estou gostando. Mas eu também adoro ficar na saída, o importante é jogar. Eu brincava logo no início, quando mudei de posição no Minas, eu dizia, “gente, quero jogar: de líbero, levantadora, o que o técnico achar que eu posso fazer, faço”.

Rosamaria: “Gostaria de seguir na entrada de rede”

Saída de Rede – Como foi essa conversa com o Zé Roberto, ele te dizendo que você deveria ser ponteira?
Rosamaria – Eu havia jogado sob a orientação dele no Vôlei Amil, em Campinas, eu tinha 19 anos. Ele me falava: “Rosa, você tem potencial pra jogar na ponta. Treina, trabalha isso. Pro futuro da seleção brasileira e pro seu futuro no voleibol, vai ser melhor você se deslocar para a entrada. Você não é tão alta, não tem 1,90m pra jogar na saída”. Então como tenho um pouco de recurso, ele dizia: “Ô, Rosa, trabalha isso”. Eu tenho trabalhado e agora estou tentando seguir esse caminho.

Saída de Rede – O que você achou daquela experiência com a equipe que representou o Brasil nos Jogos Pan-Americanos, em Toronto, em 2015?
Rosamaria – Foi maravilhosa, fazendo saída. Foi a primeira vez que joguei ao lado da Jaqueline, da Fernanda Garay, da Camila Brait. Eu senti muita evolução da minha parte e elas me ajudaram muito. Eu começava no banco, entrava em momentos difíceis, fui bem, então acho que cresci bastante como atleta.


O que leva uma campeã olímpica à 2ª divisão da China? Fê Garay explica
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Carolina Canossa

Fê Garay queria permanecer no Dínamo Moscou, mas time perdeu patrocínio (Foto: Divulgação/FIVB)

Fê Garay queria permanecer no Dínamo Moscou, mas time perdeu patrocínio (Foto: Divulgação/FIVB)

São Caetano, Minas, Pinheiros, NEC (Japão), Araçatuba, Osasco, Fenerbahce (Turquia), Dínamo Krasnodar (Rússia) e Dínamo Moscou (Rússia): o histórico de clubes já defendidos pela ponteira Fernanda Garay não deixa dúvidas sobre o quão prestigiada a ponteira gaúcha é no mercado do vôlei. Diante disso, não deixou de ser surpreendente quando ela anunciou, em setembro, que jogará no Guangdong Evergrande, da segunda divisão da liga chinesa, na próxima temporada.

Aos 30 anos e em excelente forma física e técnica – campeã olímpica em 2012, ela foi titular da seleção brasileira na última Olimpíada -, não haveria um espaço para ela em um campeonato de maior prestígio? Teria a crise econômica impedido a volta de Fernanda a um clube brasileiro? A atacante não teme ser prejudicada por atuar em um campeonato com um nível de jogo mais baixo? Fomos atrás das respostas junto à própria jogadora, que concedeu uma entrevista exclusiva ao Saída de Rede.

Discurso de Zé Roberto contraria necessidade de renovação

“As coisas foram tomando um caminho que eu não previ”, contou Fê Garay, referindo-se ao fato de o Dínamo Moscou ter desistido de uma renovação que estava encaminhada devido à perda do patrocínio. Nesse momento, já focada na disputa da Olimpíada, ela preferiu então deixar para resolver o futuro apenas depois de servir a seleção brasileira, o que a fez desperdiçar a chance de fechar com qualquer outro clube de peso. “As pessoas leigas podem se assustar com a notícia, mas eu assumi esse risco. Muita coisa eu já tinha perdido quando optei por ficar em Moscou, como o timing de fechar com um time do Brasil”, explicou.

A decisão de adiar a definição do próximo clube também teve uma outra motivação: descansar. Como a temporada na China só começa em novembro, a ponteira está aproveitando as semanas pós-Rio 2016 para ficar com a família. “Estou curtindo esse momento, pois vinha de temporadas em que jogava direto. Praticamente emendei meu time na Rússia com a seleção. Queria aproveitar para fazer coisas da minha vida pessoal”, contou a atleta, que, em janeiro, ao término da curta temporada chinesa, estará livre no mercado novamente. “Nada impede que eu não possa me encaixar em um outro desafio a partir daí”, lembrou.

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Questionada sobre os riscos de fechar com um time de segunda divisão em um país distante e fechado, Garay conta que ficou mais segura após sua empresária, a ex-jogadora Ana Flávia, falar com agentes de atletas estrangeiras que já atuaram por lá, caso da ítala-argentina Carolina Costagrande, que defendeu o Guangdong Evergrande entre 2011 e 2013. “Estou muito tranquila, é uma equipe que tem um projeto de volta ao topo. O mais importante é o desafio. Se a gente conversasse há pouco mais de um ano, eu estava uma pilha de nervos, pois não pude permanecer no Dínamo Krasnodar (que também teve problemas financeiros) e minha preocupação em estar um time forte antes da Olimpíada era enorme. Graças a Deus, consegui me encaixar no Campeonato Russo, que é de altíssimo nível. Agora, como estamos fechando um ciclo, me proporcionei um período mais tranquilo”, explicou.

Enquanto não embarca para a China, jogadora curte a família (Foto: Arquivo pessoal)

Enquanto não embarca para a China, jogadora curte a família (Foto: Arquivo pessoal)

Brasil

Fernanda também fez questão de deixar claro que o ranking da Superliga não é culpado por ela não jogar no Brasil desde 2013 – criado na temporada 1992/1993, a lista divide os atletas da competição classificando-os de um a sete pontos, de acordo com a performance apresentada por eles na temporada anterior. Atualmente, cada time só pode ter dois atletas “sete”, o nível máximo, e o total do elenco não pode ultrapassar os 43 pontos

Começo de temporada de brasileiras no exterior já teve até título

Em Bauru, Mari voltará a ser oposta e anima técnico

“Acho que o ranking poderia ser feito de outra forma, mas é uma ideia válida. Só que fui pra fora por opção minha, pois eu gosto de ter essa troca de experiências e acho que isso é algo que agrega ao meu voleibol. Já tive a possibilidade de voltar, mas acredito que não era o momento”, comentou. Nem mesmo o casamento que deve acontecer no ano que vem é capaz de fazer Garay cravar uma volta em breve à Superliga. “Gosto de fazer planos, mas nas últimas temporadas a coisa saiu tanto do meu controle que eu prefiro esperar. A gente só sabe que vai casar, mas o futuro a Deus pertence”, desconversou.

Sobre sua permanência na seleção, Garay também preferiu não estabelecer uma posição. “Não decidi e nem preciso tomar essa decisão agora”, explicou a atleta, que sequer ainda se preocupou com os fatores que vai levar em conta na hora de dizer sim ou não a uma futura convocação. “Ainda tem toda a temporada e nem sei quais são os planos do Zé Roberto (técnico da seleção feminina)”, explicou.

Para não perder a forma e nem o ritmo de jogo, até novembro Garay treinará na estrutura do Vôlei Nestlé, em Osasco.


Apesar de falhas, seleção feminina avança com tranquilidade às quartas
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Carolina Canossa

Fê Garay e Natália ainda estão hesitantes na recepção. Situação complica quando a bola vem entre elas... (Fotos: FIVB)

Fê Garay e Natália ainda estão hesitantes na recepção. Situação complica quando a bola vem entre elas… (Fotos: FIVB)

Três vitórias em três jogos. Nove sets vencidos em nove disputados. Numericamente, a campanha da seleção brasileira feminina de vôlei está perfeita. Favoritismo confirmado contra as equipes mais fracas do grupo e classificação às quartas de final garantida. O 25-18, 25-18 e 25-22 aplicado contra o Japão, porém, deve servir como alerta de que esse time ainda precisa melhorar se não quiser correr riscos nos próximos dias.

Diante das nipônicas, a seleção apresentou duas grandes falhas que incomodaram: recepção hesitante e precisão deficiente na armação das jogadas. Natália e Fernanda Garay ainda estão com dificuldades acima do normal na hora de receber o saque, o que tem gerado pontos para os adversários. Por enquanto, não foi o suficiente para prejudicar o time de fato, mas convém Jaqueline estar sempre a postos no banco de reservas.

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Já em termos ofensivos, Dani Lins precisa aumentar um pouco a altura das bolas até para não ofuscar a excelente distribuição que tem feito. Nesta quarta (10), por exemplo, as atacantes brasileiras foram excessivamente bloqueadas por um time baixo, muitas vezes no um contra um. Individualmente falando, Sheilla também precisa urgentemente trabalhar o movimento de saque, pois somente contra o Japão pisou na linha duas vezes, um erro constante nas últimas semanas.

Saque tem sido um dos pontos positivos do Brasil

Saque tem sido um dos pontos positivos do Brasil

Pelo lado positivo, elogios ao saque verde-amarelo, que vem entrando muito bem, variado e através de quase todas as jogadoras. Preocupação recorrente do técnico José Roberto Guimarães, o sistema de bloqueio/defesa está se ajustando: contra o Japão, por exemplo, o corredor quase sempre esteve fechado e o reflexo disso é o fato de as ponteiras terem sido as brasileiras que mais obtiveram pontos de bloqueio. Foi bom ainda ver Thaísa voltando a jogar depois de um problema na panturrilha que a fez temer um corte.

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Já classificado, o Brasil ainda encara Coreia do Sul e Rússia na fase classificatória em busca do primeiro lugar do grupo A, uma forma de tentar garantir um confronto teoricamente mais tranquilo nas quartas de final.

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Estreia tranquila do Brasil no Rio tem seriedade e banco como destaques
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Carolina Canossa

Jogadora da seleção feminina só se desconcentraram no segundo set (Fotos: Divulgação/FIVB)

Jogadoras da seleção feminina só se desconcentraram no segundo set (Fotos: Divulgação/FIVB)

Foi como todo mundo esperava: vitória fácil em menos de uma hora e meia de jogo. Com extrema tranquilidade, a seleção brasileira feminina de vôlei espantou qualquer possibilidade de zebra contra Camarões ao fazer 3 sets a 0, parciais de 25-14, 25-21 e 25-13, em sua primeira partida na Olimpíada do Rio de Janeiro.

Em confrontos contra equipes de nível técnico tão díspares, é até complicado fazer qualquer análise técnica visando toda a competição. Dessa forma, o que mais me agradou foi a seriedade com que as brasileiras encararam uma partida considerada fácil. O tempo inteiro as donas da casa tentaram mostrar o que possuem de melhor, ainda que isso não fosse necessário. Maior pontuadora do Brasil no duelo, com 12 pontos, Fernanda Garay foi a grande representante deste espírito.

Fraco tecnicamente, Camarões deve ser aplaudido pelo espírito olímpico 

Falando de destaques individuais, gostei bastante das jogadoras que vieram do banco para atuar na terceira parcial. Jaqueline, por exemplo, deixou claro que quer uma vaga no time titular ao conseguir três bloqueios. Já Fabíola e Gabi mostraram bom entrosamento, apesar de a bola da levantadora ainda precisar de maiores ajustes para outras jogadoras, reflexo do tempo que ela ficou parada por conta da gravidez de sua segunda filha.

Juciely (número 2) substituiu Thaísa, que ainda se recupera de um problema na panturrilha (Foto: Divulgação/FIVB)

Juciely (número 2) substituiu Thaísa, que ainda se recupera de um problema na panturrilha

O lado ruim ficou da estreia por conta da queda do saque no segundo set. A falha foi emblemática para mostrar a importância do fundamento no voleibol moderno, já que permitiu que uma equipe com recepção ruim chegasse a encostar com um 18-19 no placar. Não passou de um susto, mas é algo que pode se transformar em um grande problema contra seleções mais fortes. A comissão técnica terá que prestar muita atenção a este aspecto.

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Para a próxima partida, contra a Argentina na segunda (8), às 22h35, o Brasil novamente não deve ter problemas. Substituta da machucada Thaísa, Juciely deve seguir entre as titulares, já que fez bem sua parte e a nova central do Eczacibasi será poupada visando partidas contra os principais rivais na disputa pelo ouro. Sobre Camarões, ficou claro que ainda há muito caminho a ser percorrido, mas jogadoras como a oposta Nana e ponteira Moma Bassoko mostraram ao mundo um bom potencial de ataque. Merecem ganhar pelo menos um set nessa Olimpíada para ter o trabalho dos últimos meses recompensado. Pode parecer pouco, mas isso para elas será uma grande vitória.

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Pilates e análise de urina: a preparação da seleção que você não vê
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Carolina Canossa

Ponteira da seleção, Fê Garay faz sessão de pilates (Foto: Reprodução/Pilates.com.br)

Ponteira da seleção, Fê Garay faz sessão de pilates (Foto: Reprodução/Pilates.com.br)

Em um cenário tão competitivo como o do vôlei de seleções na atualidade, qualquer detalhe pode fazer a diferença. Treinos com bola, academia e ajustes táticos podem não ser suficientes por si só. É preciso ir além. No caso da seleção brasileira feminina de vôlei, por exemplo, o trabalho feito conta com sessões de pilates, controle da respiração e até mesmo análise da urina das jogadoras.

Responsável pela preparação física da seleção desde que o técnico José Roberto Guimarães assumiu o cargo, em 2003, José Elias de Proença tem o pilates como uma de suas colunas profissionais. Atualmente, todas as jogadoras fazem ao menos duas sessões por semana, chegando a quatro no caso das levantadoras. “Trata-se de um treino híbrido do ponto de vista do corpo, pois ajuda na força, resistência e flexibilidade”, explica o profissional.

Entenda os cortes da seleção feminina

Os benefícios da técnico criada na década de 1920 não param por aí. “O pilates ajuda na parte mental, com muita consciência corporal, o que resulta em movimentos precisos”, destacou Zé Elias. Nem mesmo durante as viagens impostas pelo calendário do Grand Prix o método ficou fora. A diferença é que, no exterior, priorizava-se o trabalho no chão (mat pilates) devido à ausência dos equipamentos adequados que estão instalados em Saquarema.

Até mesmo a respiração entra no radar da comissão técnica brasileira: neste ciclo olímpico, a seleção feminina passou a ter o apoio do psicólogo Hermes Balbino, que trabalha técnicas de respiração para manter as jogadoras focadas e calmas, especialmente em momentos de grande pressão, como veremos neste mês de agosto com a Olimpíada do Rio de Janeiro.

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Nesta reta final de preparação, outro ponto que merece mais atenção dos profissionais é o da reposição hídrica. Segundo Zé Elias, esse trabalho vai muito além da simples ingestão de água. “Tem também análise do suor, da urina e a reposição de sais minerais e carboidratos. Se uma jogadora começa a ter muita perda, aumenta o risco de lesão”, exemplifica o preparador físico. “São coisas preventivas, pois a solicitações serão cada vez mais intensas dentro da quadra”, completa.

Zé Elias trabalha com a seleção desde 2003 (Foto: Divulgação/CBV)

Zé Elias trabalha com a seleção desde 2003 (Foto: Divulgação/CBV)

Com um grupo de idade média alta (Dani Lins, Fabíola, Juciely, Fê Garay, Fabiana, Jaqueline, Léia e Sheilla já passaram a casa dos 30 anos, enquanto Adenízia e Thaísa têm 29), os cuidados precisam ser redobrados. Aumenta, por exemplo, a atenção individual baseada no histórico de cada atleta, assim como é preciso evitar ao máximo os desgastes. “A gente tira muitos exercícios de impacto, deixando isso para dentro da quadra”, afirma Zé Elias. Apesar disso, ele está otimista: na comparação com o time que chegou ao título olímpico de Pequim 2008, ele vê o atual grupo em um patamar melhor que o esperado. “Hoje as atletas têm uma disponibilidade mental e experiência maiores do que naquela época”, destacou.

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Brasil vai da derrota acachapante no primeiro set à virada contra Bélgica
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João Batista Junior

A seleção brasileira sofreu no primeiro set, mas saiu de quadra com a vitória diante da Bélgica (fotos: FIVB)

A seleção brasileira sofreu no primeiro set, mas saiu de quadra com a vitória diante da Bélgica (fotos: FIVB)

 

Depois do primeiro set deste sábado, é difícil imaginar que o voleibol das brasileiras tenha mais algum degrau para descer este ano. Na vitória por 3 sets a 1 sobre a Bélgica (13-25, 25-19, 25-16, 25-18), em Ancara, pelo Grand Prix, não sobressai o resultado, já que vencer as belgas no vôlei é obrigatório, e sim, a bisonha primeira parcial que o Brasil perdeu.

O saque de Van Gestel foi responsável pela boa vantagem da Bélgica no começo do jogo

O saque de Van Gestel foi responsável pela boa vantagem da Bélgica no começo do jogo

Não há muito o que falar de quem que abre uma partida contra um time do nível técnico da Bélgica perdendo por 9 a 0. Em apenas 5min16s, com direito a um pedido de tempo de Zé Roberto e ao tempo técnico do oitavo ponto, a seleção bicampeã olímpica sofreu nada menos que nove pontos das belgas.

A ponteira Celine Van Gestel sacou sete vezes sobre Fernanda Garay, uma vez sobre Camila Brait e outra contra o passe de Jaqueline, a mesma linha de recepção do Mundial de dois anos atrás, para obter uma vantagem abismal, e que, depois, ficou ainda maior (parcial de 16-13 para as europeias no restante do set).

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Não é o caso de comparar esse confronto com a virada na final de Londres 2012. Primeiro, porque a Bélgica está muito, mas muito longe de ser a seleção dos EUA. Segundo, porque a equipe que aplicou um 25-13 neste sábado (e também tirou um set do Brasil na semana passada), é a mesma que perdeu seus seis primeiros jogos no GP. E terceiro, porque três semanas atrás, em Montreux, perdeu para uma seleção basicamente sub-23 do Brasil por 3 a 0.

O time de Lise Van Hecke, Freya Aelbrecht, Charlotte Leys não teve muita chance contra Paula Borgo, Rosamaria, Naiane, Gabi Souza, Laís. Então, como venceu um set arrasador contra Jaqueline, Dani Lins, Thaisa, Brait, Garay?

A ressalva vem de uma informação da CBV: o Brasil, no Grand Prix, tem se dedicado com afinco à musculação, já que o objetivo é a Rio 2016. Mas como o time apresenta tão pouco contra a Bélgica? Como apresenta tão pouco em oito compromissos no GP?

Em ritmo de treino, Brasil faz testes e passa pelo Irã

O time
Da equipe que vem jogando no Grand Prix, o técnico Zé Roberto substituiu Léia, Fabiana, Natália e Sheilla por, respectivamente, Camila Brait, Juciely, Jaqueline e Tandara – as duas últimas, titulares pela primeira vez no torneio.

A entrada de Jaqueline e a volta da líbero Camila Brait (Léia foi titular em três dos últimos quatro jogos) não melhoraram muito o passe, pois a maior parte dos saques adversários foram para Fernanda Garay. A diferença é que, passado o furacão da primeira parcial, o jogo entrou no normal de um Brasil vs. Bélgica e o ataque brasileiro apareceu.

Juciely, mais uma vez, aproveitou bem a oportunidade que teve. Disputando, teoricamente, com Adenízia a terceira vaga no time olímpico, a central marcou 12 pontos, sendo dois em aces, quatro no bloqueio e seis no ataque (50% de aproveitamento, a atacante mais eficiente do Brasil na partida).

Tandara teve bom aproveitamento de ataque neste sábado

Tandara teve bom aproveitamento de ataque neste sábado

Jaqueline e Tandara foram as maiores pontuadoras do Brasil no confronto – 17 anotações da ponteira, 13 da oposta.

Tandara fez dez pontos de ataque em toda a partida, terminando com aproveitamento de 38,4% nas cortadas. Contudo, do segundo set em diante, foram nove pontos dela nesse fundamento em 17 tentativas, o que lhe conferiu 53% de eficiência nos sets da virada.

O Brasil está classificado para as finais do Grand Prix, que serão disputadas entre os dias 6 e 10 de julho, em Bangcoc. No domingo, a seleção encerra a participação na fase classificatória a partir das 11h30, pelo horário de Brasília, contra a Turquia.

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Sérvia expõe deficiências do Brasil
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João Batista Junior

Diante das titulares da Sérvia, o Brasil perdeu a invencibilidade no Grand Prix (fotos: FIVB)

Diante das titulares da Sérvia, o Brasil perdeu a invencibilidade no Grand Prix (fotos: FIVB)

A derrota do Brasil para a Sérvia, na manhã desta sexta-feira, por 3 sets a 2 (16-25, 29-31, 25-19, 25-19, 18-16) preocupa. Ou, ao menos, ativa o sinal de alerta na seleção brasileira. Não pela derrota em si, já que ainda há muito chão e muita chance para que as brasileiras assegurem vaga nas finais do Grand Prix. Nem pela perda de uma invencibilidade histórica diante das rivais.

O que preocupa é que, num jogo que bem pode se repetir num mata-mata na Rio 2016, o passe brasileiro foi quebrado irremediavelmente e o ataque nas pontas não compensou a consequente falta de jogadas de meio. Especialista em recepção, Jaqueline demorou a ser colocada em quadra e, quando entrou, já no quinto set, quase fez o Brasil conseguir o que seria uma vitória injusta.

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A linha de recepção brasileira sofreu contra as europeias

A linha de recepção brasileira sofreu contra as europeias

Foi a primeira partida das titulares da Sérvia na competição. No primeiro set, quando ainda espreguiçavam no Grand Prix, o Brasil não teve problema para sair na frente no placar. A superioridade brasileira era tanta que Dani Lins só se lembrou de levantar duas vezes para Sheilla, e mesmo os erros que a seleção cometia no saque não incomodaram muito. Tudo mudou a partir da reta final do set posterior.

A oposta Boskovic foi a principal pontuadora da partida, com 30 pontos na conta. A ponta Mihajlovic, no entanto, com 26, foi o maior nome do confronto.

As duas maltrataram a recepção brasileira com o saque viagem – a jogadora da saída de rede marcou dois pontos no fundamento e a ex-atacante do Rexona-AdeS, cinco. Numa passagem emblemática no quarto set, a Sérvia ampliou uma vantagem de 4-3 para 11-3, graças a uma sequência de Mihajlovic no serviço. Mérito das rivais, claro, mas um time que quer ser campeão olímpico não pode passar por isso.

Saque vira aliado do Brasil na estreia da Liga Mundial

O ataque brasileiro, por sua vez, foi caindo de rendimento no decorrer da partida até quase sumir. No quarto set, por exemplo Sheilla, Garay e Natália obtiveram, somadas, apenas quatro pontos. Já no tie break, o equilíbrio no placar se deveu mais aos erros das adversárias – que pareciam um tanto afobadas diante da possibilidade de vencer o Brasil pela primeira vez.

Fernanda Garay atacou o mesmo número de vezes que Thaisa e Fabiana juntas

Fernanda Garay atacou o mesmo número de vezes que Thaisa e Fabiana juntas

Muito em consequência do passe ruim, as jogadoras mais eficientes do ataque brasileiro na partida, as centrais Fabiana e Thaisa, receberam, juntas, 36 levantamentos, o mesmo número de Fernanda Garay. Com efeito, o Brasil obteve 57 pontos nesse quesito contra 67 das sérvias.

Ainda neste fim de semana, o Brasil enfrenta a Bélgica, às 3h30 da madrugada do sábado, e a China, às 4h30 do domingo – horário de Brasília. A expectativa é de vitória tranquila contra as europeias e mais um duro teste diante das asiáticas.

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