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Arquivo : Destinee Hooker

Ellen ressuscita Praia Clube e leva o time à semifinal da Superliga
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Sidrônio Henrique

Ellen Braga marcou 17 pontos. Sua entrada mudou o rumo do jogo (Divulgação/Praia Clube)

O Dentil/Praia Clube está na semifinal da Superliga 2016/2017. Numa noite em que a ponteira Ellen Braga veio do banco e deu equilíbrio a um time que parecia perdido no terceiro e decisivo jogo das quartas de final, a equipe de Uberlândia venceu de virada, em casa, o Terracap/BRB/Brasília Vôlei por 3-1 (22-25, 25-17, 25-20, 25-14). O Praia Clube fez 2-1 na série e agora vai enfrentar o Vôlei Nestlé.

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O time do Planalto Central, no quarto ano do projeto, mais uma vez parou nas quartas de final – resultado honroso para a equipe da capitã Paula Pequeno e do técnico Anderson Rodrigues. Vindo de uma vitória em sets diretos na segunda partida, como anfitrião, o Brasília começou o confronto na noite deste sábado (25) dando sinais de que finalmente chegaria à semifinal da Superliga. Aproveitou-se de um problema crônico do Praia Clube, a fragilidade da linha de passe, e com um saque eficiente, combinado com uma boa relação bloqueio-defesa, venceu a primeira parcial.

Novo rumo
Porém, logo no início do segundo set, a partida teve uma mudança de rumo. O técnico do Praia, Ricardo Picinin, sacou a ponta Michelle Pavão e colocou em quadra Ellen Braga, que havia feito uma rápida passagem no primeiro set. A substituta já havia tido boas atuações no torneio – ganhou ontem seu quarto troféu Viva Vôlei da temporada. Na decisão da vaga para a semifinal, foi efetiva no ataque, atenta na cobertura na defesa e deu alguma contribuição na recepção. Mais do que isso, animou uma equipe que estava abatida.

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A levantadora Claudinha, do Praia Clube, percebendo o bom momento de Ellen, a acionou constantemente no ataque logo que ela entrou, desafogando a outra ponteira, a americana Alix Klineman, que esteve apática na primeira parcial. Quando voltou a receber bolas de forma mais constante, Alix era outra jogadora. A americana foi a maior pontuadora da partida, com 19, enquanto Ellen, com menos tempo em quadra, veio em seguida com 17. No ataque, ambas marcaram 15 pontos. A diferença é que Alix recebeu 35 levantamentos e Ellen, 25. Você confere aqui as estatísticas do jogo fornecidas pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). A central Fabiana Claudino, do Praia, que na última rodada do returno sofreu um estiramento na planta do pé (fascite plantar), segue fazendo tratamento.

Depois de perder a parcial inicial, a exemplo do primeiro jogo, o Praia Clube virou a partida (Túlio Calegari/Praia Clube)

Adversário acuado
É bom que se diga, além da mudança de ritmo no lado mineiro com a entrada de Ellen, o Brasília Vôlei encolheu o braço. Ao final da partida, numa entrevista ao SporTV, a veterana ponteira Paula Pequeno lamentou a falta de consistência. De fato, a partir do segundo set, quase nada funcionou na equipe da capital federal – a última parcial foi melancólica. O saque, arma fundamental no início, foi quase inofensivo no restante do jogo. Com isso, dificultou a vida do sistema defensivo do Brasília. Para complicar ainda mais, o time desperdiçou muitos contra-ataques.

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Outro problema foi o baixo aproveitamento na saída de rede, algo que se repetiu várias vezes ao longo desta edição da Superliga. Em quatro sets, a oposta Andreia Sforzin recebeu apenas 18 levantamentos, colocando oito bolas no chão – terminou a partida com nove pontos. Isso sobrecarregou a entrada, com Paula e Amanda. Não, a levantadora Macris não esqueceu sua oposta. Andreia é que não vem rendendo, o que dificultou o desempenho da equipe. Para efeito de comparação, na noite deste sábado, Paula foi acionada 39 vezes, mais que o dobro daquela que deveria ser a referência do time no ataque.

O Camponesa/Minas, de Destinee Hooker, enfrenta o Rexona-Sesc na semifinal (Orlando Bento/MTC)

Semifinais
Os confrontos das semifinais serão entre o onze vezes campeão Rexona-Sesc, do técnico Bernardinho e da ponta Gabi, e o Camponesa/Minas, da oposta Destinee Hooker e da ponteira Jaqueline Carvalho, enquanto na outra série se enfrentarão Praia Clube e Vôlei Nestlé, time da levantadora Dani Lins e da ponta Tandara.

O Minas perdeu do Rexona nas três vezes em que se enfrentaram esta temporada e terá uma tarefa difícil, ainda que Bernardinho politicamente empurre o favoritismo para o tradicional time de Belo Horizonte. Praia Clube e Vôlei Nestlé tiveram uma vitória cada nas duas partidas na Superliga 2016/2017. A equipe de Osasco vem apresentando maior regularidade desde o returno e tem ligeiro favoritismo – no confronto mais recente, o clube paulista venceu por 3-0, minando com sucesso a cubana Daymi Ramirez no passe.

A primeira rodada da série semifinal, disputada em melhor de cinco jogos, será esta semana. O Saída de Rede recebeu a informação que falta apenas a CBV definir se uma partida será na noite de quinta-feira (30) e a outra no dia seguinte, ou se ambas serão na sexta-feira (31). A Confederação decidirá nesta segunda-feira (27).


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João Batista Junior

Hooker ataca contra bloqueio do Bauru: classificação às semis em dois jogos (foto: Vôlei Bauru)

Favoritos nas quartas de final – tanto pela colocação na fase classificatória quanto pelo elenco que têm –, Rexona-Sesc, Vôlei Nestlé e Camponesa/Minas só precisaram de dois jogos para chegar às semifinais da Superliga feminina. Se o time de Osasco ainda não sabe se vai ter pela frente o também favorito Dentil/Praia Clube ou o bravo Terracap/BRB/Brasília, cariocas e minastenistas já têm por certo que se enfrentarão por uma vaga na final. E aí as expectativas do fã do voleibol são as melhores.

Rexona e Minas fizeram a final da Copa Brasil 2017: vitória carioca (William Lucas/Inovafoto/CBV)

O Rexona venceu o Minas nas duas partidas que disputaram nesta edição da Superliga, ambas por 3 a 1, e ainda venceu por 3-0 na final da Copa Brasil. Além disso, ressalte-se que o time do Rio só perdeu um jogo em 24 disputados na competição, ao passo que as mineiras sofreram sete reveses. Porém, o crescimento da equipe de Belo Horizonte no decorrer do campeonato, em muito devido às cortadas da oposta Destinee Hooker, leva a crer que as cariocas vão precisar de seu melhor voleibol para chegar a mais uma final.

(O próprio técnico Bernardinho, em entrevista ao Saída de Rede, chegou a dizer que o Minas era o adversário “mais perigoso” e que “se tornou favorito.”)

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A vaga do Camponesa/Minas à semifinal veio contra o Genter Bauru, numa série em que as mineiras abusaram do pragmatismo: tanto na vitória de virada no jogo 1, sábado, quanto no 3-0 da terça-feira, Hooker foi responsável por quase 45% dos ataques de sua equipe (respectivamente, 62/141 e 44/98). Para efeito de comparação: nas derrotas contra Praia e Rexona, no returno, pouco menos de 30% dos levantamentos do time foram para ela, e na vitória sobre o Vôlei Nestlé, esse número ficou em 36%.

A estratégia mineira deu certo contra Bauru e a norte-americana, nos dois compromissos das quartas de final, levou o Minas à vitória e foi a maior pontuadora em ambos os jogos (com, respectivamente, 32 e 20 anotações). As bauruenses até conseguiram equilibrar as duas primeiras parciais do jogo 2, mas erraram muito no passe e perderam consistência no set final.

A nota preocupante para a torcida minastenista é que, se foi o Bauru, quando abriu 2 a 0, quem deu um susto no primeiro jogo, no segundo, quem assustou foi Rosamaria: a ponteira torceu o joelho durante o terceiro set, saiu carregada de quadra e nesta quarta-feira, segundo o SporTV, deve ser examinada para saber do grau da lesão.

Fim do ranking, por si só, não vai melhorar a Superliga de vôlei

No outro jogo da terça-feira, no Distrito Federal, o Terracap/BRB/Brasília frustrou o Dentil/Praia Clube em grande estilo. Enquanto em Uberlândia as mineiras ganharam de virada por 3-1, no Planalto Central a história foi diferente.

Amanda foi um dos destaques do Brasília na vitória sobre o Praia (Ricco Botelho/Inovafoto/CBV)

Com um sólido sistema defensivo, que sempre obrigava o adversário a atacar mais vez, o Brasília venceu um equilibrado primeiro set e aproveitou-se da instabilidade praiana nas parciais seguintes.

O time mineiro, ainda desfalcado da central Fabiana, lesionada há dez dias, tentou mudar o ritmo do jogo acionando, por vezes, as reservas Ju Carrijo e Ellen. Mas, com Amanda indo bem no ataque pela entrada de rede e as centrais Vivian e Roberta dominantes no bloqueio, a equipe anfitriã conseguiu igualar a série e levar a decisão da vaga na semifinal para o jogo 3 – que, pela tabela da CBV, será neste sábado, em horário ainda não definido.

GIGANTES ATROPELAM
Se, na primeira rodada, o Pinheiros poderia ter ido mais longe na partida contra o Rexona-Sesc e o Fluminense deu trabalho ao Vôlei Nestlé em duas parciais, na segunda, dá para dizer que os gigantes do vôlei nacional foram pouco testados. Cariocas e osasquenses passaram com folga, quase não foram perturbadas na jornada que as classificou para mais uma semifinal.

Atropelado pelo Rexona-Sesc na reta final do primeiro set, quando uma pequena desvantagem de 12-11 culminou com uma derrota por 25-13, o Pinheiros errou bastante na recepção e, por conseguinte, teve problemas na virada de bola. O time do Rio soube tirar proveito disso, anotando 11 pontos no bloqueio – seis só de Juciely. Gabi obteve 57% de aproveitamento no ataque e foi eleita a melhor em quadra, assim como também o fora no jogo 1.

Companheiras na seleção, Thaisa e Natália se enfrentam na Liga dos Campeões

Bia comemora: só Osasco não perdeu nenhum set nas quartas de final (Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV)

Na outra partida da segunda-feira, o Vôlei Nestlé, com a ponteira Tandara e as centrais Bia e Nati Martins em noite inspirada, pontuou em mais da metade das bolas que atacou, um aproveitamento incomum para uma equipe de voleibol feminino, e aplicou o segundo 3-0 da série. O Fluminense foi fustigado pelo saque adversário e despediu da competição marcando apenas 47 pontos em todo o jogo – número insuficiente para vencer dois sets.

Resultados da 2ª rodada dos playoffs da Superliga feminina:

Fluminense 0 x 3 Vôlei Nestlé (20-25, 14-25, 13-25)
Rexona-Sesc 3 x 0 Pinheiros (25-13, 25-20, 25-22)
Terracap/BRB/Brasília 3 x 0 Dentil/Praia Clube (27-25, 25-18, 25-19)
Genter Vôlei Bauru 0 x 3 Camponesa/Minas (22-25, 23-25, 17-25)


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Em dia de Alix, Praia retoma vice-liderança da Superliga
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João Batista Junior

Vitória sobre Minas deixou Praia em vantagem sobre Osasco (fotos: Praia Clube)

Não foi o Camponesa/Minas que entrou na briga pela terceira posição da fase classificatória da Superliga feminina, mas o Dentil/Praia Clube que voltou ao segundo posto da competição. O duelo das equipes mineiras, neste sábado, em Uberlândia, contradisse o que os dois sextetos vinham apresentando nas últimas semanas: as minastenistas não mostraram virtude no passe nem força no ataque, enquanto as praianas, que venceram por 3 sets a 1 (25-19, 26-24, 18-25, 25-20), souberam provocar os erros das adversárias e contaram com uma jornada inspirada da ponteira Alix Klineman – que aparentou estar finalmente recuperada das lesões que a assombraram na temporada.

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O Praia termina a rodada com um ponto de vantagem sobre o Vôlei Nestlé, terceiro, e seis à frente do Genter Vôlei Bauru, quarto. Assim, a disputa pela segunda posição, a duas rodadas do fim desse estágio do campeonato, fica restrito ao time de Uberândia e ao de Osasco.

Minas caiu para o quinto lugar e deverá, mesmo, se preparar para uma trilha difícil para chegar à final da Superliga: deve pegar o time de Bauru (que está um ponto à frente), nas quartas de final, e, passando, pode ter o Rexona-Sesc pela frente. Pensando nos mata-matas, a derrota deste sábado foi terrível para a equipe de Belo Horizonte.

Com 21 pontos, Alix Klineman foi a maior pontuadora do jogo

O JOGO
Mesmo cometendo ainda erros de passe e obtendo pontuação no ataque inferior à do adversário (58 a 47), o Praia Clube contou com 30 erros do Minas vencer a partida. Muito das falhas cometidas pelas visitantes resultou da tática do time da casa de começar o duelo testando a recepção de Rosamaria. Isso, logo de cara, desestabilizou a virada minastenista, que teve de correr atrás no placar do primeiro set e passou também a errar no saque.

Claudinha, que foi eleita na internet a melhor jogadora em quadra, quando teve o passe na mão, pôde jogar tanto com as centrais Fabiana e Walewska quanto com a ponteira Alix Klineman. Mais do que os 21 pontos que obteve no confronto, a atacante norte-americana mostrou força e alcance no ataque para superar as bloqueadoras rivais e teve uma de suas melhores atuações nesta edição da Superliga.

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Do outro lado da rede, nem na oposta Destinee Hooker, atacante mais eficiente da Superliga até esta rodada, a levantadora Naiane encontrava boas alternativas para o ataque. O técnico Paulo Coco fez várias substituições na equipe a partir do segundo set, colocou Karine para armar jogadas, pôs a meio de rede Fran e também a ponteira Pri Daroit, e isso mudou um pouco o ritmo do jogo.

O Minas até conseguiu levar a partida para o quarto set, contudo, num dia em que o Praia encontrou a linha de passe adversária desarrumada, conseguiu neutralizar Hooker e recebeu mais de um set de pontos em erros, o destino do duelo foi selado sem a necessidade de tie break.


Demora nas contratações complica Minas na reta final da Superliga
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João Batista Junior

Melhor atacante da Superliga, Hooker só estreou na 8ª rodada (fotos: Orlando Bento/MTC)

Com o Rexona-Sesc disparado na dianteira, precisando de apenas dois pontos para garantir o primeiro lugar da fase classificatória, e com a porta para os playoffs matematicamente fechada, restam algumas brigas nas posições intermediárias do G8 da Superliga feminina de Vôlei. São posições que vão definir o chaveamento dos mata-matas e, por consequência, indicarão quem poderá chegar à final sem topar com as atuais campeãs no meio do caminho ou quem terá o fator casa como diferencial nos cruzamentos.

Nesse ponto, a três rodadas do fim da fase de classificação, a briga pelo segundo e terceiro lugares da competição indica: o Camponesa/Minas cometeu o mesmo erro de um carnaval recente.

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O Minas ter a melhor campanha do returno – em oito jogos, oito vitórias e 26 pontos contra 25 do Rexona-Sesc – mostra o prejuízo que o clube teve por não haver estreado a oposta norte-americana Destinee Hooker e a ponteira Jaqueline mais cedo. Essa espera pode ter colocado o time em rota de colisão com algum dos dois gigantes do vôlei feminino do Brasil já nas semifinais do campeonato.

Hooker teve sua contratação anunciada duas semanas antes da abertura do campeonato. Afastada há um bom tempo das quadras, a atacante só começou a jogar na oitava rodada do primeiro turno, quando o time contabilizava oito pontos, três vitórias e quatro derrotas. A partir daí, levando em conta só a Superliga, o Minas disputou 12 partidas e só perdeu uma (3 a 1 para o Rexona, em Belo Horizonte). E Hooker se tornou, simplesmente, a melhor atacante do campeonato, com 32% de eficiência nas cortadas, de acordo com as estatísticas da CBV.

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Jaqueline: titular do Minas apenas há quatro rodadas

Jaqueline foi contratada no final de novembro e só estreou na primeira rodada do returno. Após um primeiro mês na reserva, com baixas pontuações e muitas críticas da torcida nas redes sociais, a jogadora assumiu a titularidade no fundo de quadra, melhorou sensivelmente a qualidade do passe da equipe e, nas últimas quatro rodadas, fez mais pontos Rosamaria, uma das maiores anotadoras da competição.

Essa demora do clube mineiro para pôr em ação seus principais reforços lembra o que ocorreu ao time na temporada 2014/2015. Naquela ocasião, Jaqueline só estreou na sexta rodada, quando o time não tinha nenhuma vitória na conta, e conduziu o Camponesa/Minas a uma recuperação no campeonato: foi suficiente para terminar na quinta colocação da fase classificatória, mas não o bastante para escapar do Rexona-AdeS nas semifinais.

Voltando à atual temporada, é nítido que o Camponesa/Minas seja, agora, um time muito diferente daquele que terminou o primeiro turno em sexto, com seis vitórias e cinco derrotas. Agora, com 39 pontos e em quarto lugar, até pode sonhar com a segunda posição, que hoje pertence ao Vôlei Nestlé (45 pontos), contudo, a briga mais palpável parece ser pelo terceiro posto, contra o Dentil/Praia Clube (43).

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Praia, de Ramirez, ainda não se acertou na temporada (foto: Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV)

Explica-se: além da matemática dos pontos, o time de Osasco parece afincado ao segundo lugar na tabela, já que apresentou bom voleibol para vencer o Praia na rodada anterior, e, depois do Rexona, terá Valinhos e Bauru pela frente. Por outro lado, o Dentil/Praia, que sofreu bastante com lesões na temporada, não empolgou no primeiro turno, não melhorou no returno e tem caído de produção nas últimas semanas (vide a derrota na final do Sul-Americano e o revés contra o Vôlei Nestlé), terá um confronto direto com o Minas (sábado, em Uberlândia), e depois recebe o Fluminense e encerra a fase contra as líderes, no Rio.

Ou seja, é improvável que o Minas ultrapasse o Vôlei Nestlé, mas é possível que alcance as vice-campeãs do ano passado – o que talvez não ajude muito nas semifinais. Sim, é preciso lembrar que pode haver implicações para quem ficar em terceiro ou quarto.

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Passando pelas quartas de final, o quarto colocado deve ter um encontro marcado com o melhor time do país, o Rexona-Sesc, que busca o quinto título consecutivo. Já as terceiras poderão ter o Vôlei Nestlé pela frente, numa série melhor de cinco, em que o time de Osasco, que ainda não perdeu em seu ginásio nesta temporada (nem mesmo para o Rexona) terá a vantagem de jogar três vezes em seus domínios.

Há ainda um outro lado: estando dois pontos à frente do Genter Bauru (que pega Rio do Sul, Brasília e Osasco), as minastenistas ainda podem cair para a quinta posição, mas, cá entre nós, pelo voleibol que as duas equipes têm praticado, é difícil crer que a equipe paulista leve vantagem real nesse hipotético confronto em melhor de três nas quartas, mesmo que jogue em casa uma partida a mais.


“Sempre estarei à disposição”, diz Jaqueline sobre seleção brasileira
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Sidrônio Henrique

“Se eu não for convocada, OK. Se eu for, vamos lá” (fotos: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

Ela voltou. Ainda longe da forma ideal, como fez questão de ressaltar, mas o suficiente para ser titular no ascendente Camponesa/Minas e disposta a continuar a servir à seleção. “Sempre estarei à disposição. Se eu não for convocada, OK. Se eu for, vamos lá”, disse ao Saída de Rede a ponteira bicampeã olímpica Jaqueline Carvalho Endres. Nem cogite a possibilidade de ela se afastar voluntariamente da seleção. “Vocês querem me aposentar, né?”, brincou com o SdR. Imagina, Jaqueline, a gente sabe que você ainda tem o que oferecer. Que o diga o Minas. Após um primeiro turno opaco na Superliga 2016/2017, está invicto no returno, com a presença da ponta veterana no sexteto principal nas três últimas partidas, além da oposta americana Destinee Hooker disparando mísseis.

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“Faz só um mês que eu estou treinando, é pouco tempo. As meninas estão aí há quatro meses num ritmo bom. O que importa é ajudar a equipe, estou ganhando ritmo aos poucos. Todo mundo me ajudando sempre, eu só tenho a agradecer às meninas. Minha função aqui nem é pontuar, é dar volume de jogo porque o time tem grandes atacantes pra botar a bola no chão. Então tenho plena noção do que vim fazer aqui. Aos pouquinhos a gente vai incomodar, estamos em quarto lugar, estamos evoluindo”, analisou Jaqueline.

Ao lado da líbero Léia, ela tem organizado a linha de passe do Camponesa/Minas

Passe na mão
De fato, embora tenha contribuído pouco no ataque nas três partidas em que foi titular, a ponta de 33 anos foi decisiva no passe. Ao lado da líbero Léia, ela tem coberto a outra ponteira, Rosamaria Montibeller, na linha de recepção. Sobra pouco espaço para Rosamaria, que até bem pouco era oposta, passar – ela migrou da saída para a entrada depois da chegada de Hooker na metade do primeiro turno. Com o duo Jaqueline e Léia, a levantadora Naiane tem conseguido trabalhar com o passe na mão a maior parte do tempo. Assim, acionar as centrais Carol Gattaz e Mara ou ainda as atacantes de extremidade como Rosamaria e Hooker tem sido mais simples.

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Não que Hooker, por exemplo, não seja capaz de se desvencilhar de um paredão triplo, mas é sempre melhor enfrentar um bloqueio quebrado. Eis uma das grandes contribuições de Jaqueline, que se destaca também na defesa, além do bom desempenho no saque e no bloqueio.

Jaqueline chora após eliminação da seleção na Rio 2016 (foto: FIVB)

Título possível
Jaqueline está confiante na equipe, diz que o título é possível. Atualmente, após 18 rodadas de um total de 22, o Minas está em quarto lugar com 36 pontos, seis a menos do que o Vôlei Nestlé, terceiro colocado. Há duas temporadas ela também se juntou ao Minas com a competição em andamento, porém mais cedo, e ajudou o time a chegar às semifinais. “Acredito muito na minha equipe e a gente vai em busca do título. Vamos melhorando, crescendo. A gente vai beliscando adversários contra quem no primeiro turno a gente não foi muito bem”.

Qual time leva mais público aos ginásios da Superliga? Descubra

A última vítima foi justamente o Vôlei Nestlé, time de maior orçamento da Superliga feminina. Jogando em Belo Horizonte, diante de 3,2 mil torcedores, o Camponesa/Minas chamou a equipe de Osasco para um rolê e lhe aplicou um 3-0.

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Este ano, em dez partidas, a única derrota da tradicional equipe mineira foi na final da Copa Brasil para o Rexona-Sesc, onze vezes campeão da Superliga e líder desta edição. O time de Bernardinho, que neste sábado (18) conquistou pela quarta vez o Sul-Americano de Clubes, é o favorito para vencer o principal torneio nacional mais uma vez.

A veterana ponteira passou a ser titular na partida contra o Rio do Sul no returno

Ponto fora da curva
Foi o próprio treinador multicampeão quem destacou a importância de Jaqueline, numa entrevista concedida ao SdR em 2016: “No cenário internacional, a Jaqueline é um ponto fora da curva, ela é a principal passadora do voleibol mundial”. Palavras de Bernardo Rezende.

O ano passado não foi dos mais fáceis para a veterana ponteira. Logo após a conquista do 11º título do Grand Prix, menos de um mês antes da Rio 2016, o técnico José Roberto Guimarães informou que Jaqueline não estava totalmente recuperada fisicamente – foi reserva na Olimpíada. Na temporada de clubes 2015/2016 ela havia apresentado alguns problemas físicos e no início da preparação da seleção sofreu uma entorse no joelho esquerdo. Tudo isso, ela garantiu, ficou para trás. “Estou me sentindo muito bem”.

Durante aquecimento, na Arena Minas, em Belo Horizonte

Deixa a vida me levar…
Em relação à seleção, Jaqueline enfatizou que está relaxada. “Eu estou deixando a vida me levar, não pensei em me aposentar da seleção. Quero deixar as coisas acontecerem naturalmente, sem ninguém me incomodar”.

Ela acompanhou ainda a manifestação do marido, Murilo Endres (ponta do Sesi), sobre as restrições para a exibição dos jogos da Superliga em outros meios além da TV. “Acho certo o que o Murilo colocou no Twitter, seria bacana para os patrocinadores essa maior visibilidade. Muitos fãs não podem pagar pela TV fechada, querem acompanhar os jogos e não têm condições. Acho super importante o que ele fez, a forma como se manifestou. A CBV não gostou, mas há outras equipes aderindo a isso. O mais importante é a gente fazer um espetáculo para os fãs assistirem e os patrocinadores terem mais visibilidade”, arrematou Jaqueline.


Minas sobra diante de um limitado Brasília
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Sidrônio Henrique

Minas venceu três sets por dez ou mais pontos de diferença (Fotos: Felipe Costa/Ponto MKT Esportivo)

Não parecia a disputa direta pelo quarto lugar na classificação da Superliga 2016/2017, na noite desta terça-feira (14), em Taguatinga (DF). De um lado, uma equipe coesa, com saque variado, linha de passe segura e ataque eficiente. Do outro, um time que sacava mal, tinha falhas constantes na recepção, problemas na distribuição e não contava com atacantes definidoras. Resultado: Camponesa/Minas 3-1 Terracap/BRB/Brasília Vôlei (25-15, 24-26, 25-15, 25-13). A tradicional equipe de Belo Horizonte agora está em quarto na tabela com 33 pontos – um a mais, apesar de ter um jogo a menos, em relação ao clube do Planalto Central, que caiu para quinto.

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Hooker brilha
Foi uma noite em que a oposta americana Destinee Hooker, do Camponesa/Minas, brilhou. A atacante terminou a partida com 27 pontos, a marca mais alta do jogo, e ficou com o troféu Viva Vôlei. No ataque, virou 23 das 37 bolas que recebeu, um aproveitamento de 62%, conforme as estatísticas do seu clube. Hooker atacou apenas uma vez para fora e foi bloqueada também somente em uma ocasião.

A ponteira Jaqueline Carvalho Endres disputou sua segunda partida como titular na competição – a primeira foi na semana passada, na vitória por 3-0 diante do Rio do Sul. Embora tenha contribuído pouco no ataque – virou sete em 24 tentativas (29%) –, foi decisiva no passe. Ao lado da líbero Léia, cobriu a outra ponteira, Rosamaria Montibeller, praticamente a partida inteira na linha de recepção. Graças ao duo Jaqueline e Léia, a levantadora Naiane pôde trabalhar com o passe na mão a maior parte do tempo.

Brasília Vôlei reagiu apenas no segundo set

Andreia lesionada
No Brasília Vôlei quase nada funcionou. A oposta Andreia Sforzin, que vem tendo dificuldade para pontuar no ataque, ficou no banco. Segundo o técnico Anderson Rodrigues, ela teve uma lesão leve no ombro direito e por isso foi poupada. Entrou apenas uma vez, no final do segundo set, para reforçar o bloqueio e saiu em seguida. Sabrina, originalmente ponteira, foi titular na saída, sendo substituída às vezes por Letícia Bonardi.

Entre as atacantes de bolas altas do time da capital federal, a ponta Amanda foi a mais eficiente, porém com apenas 30% de aproveitamento no fundamento – virou nove vezes em 30. A outra ponteira, Paula Pequeno, marcou oito vezes em 32 tentativas (25%).

“Vergonhoso”
Anderson Rodrigues classificou como “vergonhoso” perder três sets por uma diferença de dez pontos ou mais. O Brasília Vôlei, que fechou o primeiro turno na terceira posição, vai queimando lenha na segunda etapa da Superliga, sem esboçar reação diante das equipes mais fortes. No jogo de ida, disputado no dia 25 de novembro, em Belo Horizonte, o Brasília venceu por 3-0 o Minas, que ainda não contava com Hooker e Jaqueline.

O ginásio do Sesi, em Taguatinga (DF), recebeu 1.200 pessoas

O técnico do Minas, Paulo Coco, destacou o entrosamento cada vez maior de sua equipe, que passou a contar com a americana na metade do primeiro turno e com a ponteira bicampeã olímpica no início do returno. Coco ressaltou ainda a evolução de Rosamaria na função de ponta – ela era oposta e migrou para a entrada de rede com a chegada de Hooker.

A derrota no segundo set, de acordo com o treinador da equipe mineira, deveu-se ao excesso de erros de seu time na reta final da parcial. “Tivemos um problema de distribuição, houve alguns equívocos”, comentou Coco. De fato, pareceu mais desatenção do Minas do que um ajuste do Brasília, como as duas parciais seguintes evidenciaram.

Parada indigesta
Se os confrontos das quartas de final fossem definidos com base na atual classificação, o Camponesa/Minas enfrentaria o próprio Brasília Vôlei. Se avançasse, teria pela frente provavelmente o Rexona-Sesc, que entraria como favorito nos playoffs contra o irregular Pinheiros. Uma parada indigesta para Hooker, Jaqueline e cia.

Faltando cinco rodadas para o final do returno, Paulo Coco ainda sonha com o terceiro lugar na tabela, mas o Minas está nove pontos atrás do Vôlei Nestlé, que ocupa essa posição.

Já o Brasília se vê ameaçado pelo Genter Vôlei Bauru, que acumula 31 pontos e tem uma partida a menos.


Sobe e desce da Superliga tem arrancada do Minas e problemas no site da CBV
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João Batista Junior

Camponesa/Minas está a dois pontos do G4 (fotos: Orlando Bento/MTC)

Camponesa/Minas está a dois pontos do G4 (fotos: Orlando Bento/MTC)

Numa semana em que se discutiu amplamente sobre as transmissões da Superliga e a possibilidade de levá-las para a internet (veja mais neste link e neste outro), uma falha no site da CBV deixou os fãs do voleibol a ver navios. O Camponesa/Minas tem crescido na competição feminina e já flerta com o G4, enquanto Rio do Sul obteve marcas bastante negativas. A Copel Telecom Maringá obteve vitórias importantes contra o rebaixamento, enquanto o Sada Cruzeiro teve uma das melhores performances da temporada.

Veja o sobe e desce da Superliga na semana que passou:

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SOBE

Camponesa/Minas
Depois terminar o primeiro turno na sexta posição, com 16 pontos, seis vitórias e cinco derrotas, o Camponesa/Minas parece ter engrenado: enquanto a ponteira Rosamaria segue como um dos destaques da competição, a meio de rede Carol Gattaz continua protagonizando uma boa temporada. Já a oposta Destinee Hooker, que estreou na equipe durante o campeonato, parece bem integrada ao time. Jaqueline, por sua vez, tem entrado no time aos poucos e apresentando uma performance cada vez melhor.

No 3 a 0 aplicado sobre Rio do Sul, na sexta-feira, a ponteira da seleção brasileira obteve 12 acertos, foi a maior anotadora da partida e ganhou o VivaVôlei. O resultado levou o time, atualmente quinto colocado, a cinco vitórias em cinco jogos no returno, com 30 pontos na conta.

Agora, apenas dois separam o Camponesa/Minas quinto colocado, do Terracap/BRB/Brasília, quarto, mas com dois detalhes importantes: as duas equipes se enfrentam na terça-feira, no Planalto Central, num confronto direto por um lugar no G4, e as mineiras disputaram um jogo a menos que as brasilienses.

Evandro, do Sada Cruzeiro, encara bloqueio triplo do Minas

Evandro, do Sada Cruzeiro, encara bloqueio triplo do Minas

Sada Cruzeiro
Líder invicto da Superliga, tendo obtido 50 de 51 possíveis, o Sada Cruzeiro teve, diante do Minas Tênis Clube, no sábado, uma de suas grandes atuações na temporada.

A vitória cruzeirense diante de um rival em franca em ascensão impressionou pela frieza do time nos momentos difíceis e pela qualidade do voleibol apresentado. E, depois de dois sets de placar equilibrado, a cereja no bolo foi um avassalador 25 a 10 na terceira parcial.

Copel Telecom Maringá
Parecia certo que a Copel Telecom Maringá acompanhasse o Caramuru Vôlei/Castro na disputa da seletiva (ou da Taça Ouro, como queira chamar) para continuar na elite do vôlei nacional na temporada que vem. Contudo, os maringaenses mostraram disposição para mudar essa história.

São Bernardo tinha dez pontos na tabela e não somou nenhum nas duas rodadas da semana que passou – perdeu em casa, na quarta-feira, para o Caramuru/Castro, única vitória do lanterna até agora na competição, e para o Sesi, no sábado. E Maringá, que tinha seis pontos, conseguiu uma surpreendente vitória por 3 a 2 contra o JF Vôlei no meio de semana e bateu a equipe de Castro, sábado, em seu ginásio, chegando a 11 pontos.

Ressalte-se que agora, num bom momento no campeonato, Maringá terá São Bernardo pela frente. A partida será no sábado, no ABC Paulista, e pode decidir a vida de quem de fato luta para disputar a Superliga 2017/18.

DESCE

Ataque do Rio do Sul contra bloqueio do Minas: vantagem do time da casa

Ataque do Rio do Sul contra bloqueio do Minas: duelo desigual

Rio do Sul
A fraca atuação do Rio do Sul nesta temporada da Superliga feminina tem várias razões, como a perda do treinador Spencer Lee, que virou assistente técnico no Vôlei Nestlé, e a saída de jogadoras do elenco do ano passado.

No entanto, mesmo com uma campanha de quatro vitórias em 18 partidas, o time tem bons valores individuais, atletas destacadas nas estatísticas – caso da oposta Natiele, terceira maior pontuadora do campeonato, da central Aline Santos, sacadora mais eficiente da competição, da líbero argentina Tati Rizzo, terceira melhor passadora.

Isso mostra que, mesmo na falta de perspectiva de quem não luta mais por um lugar nos playoffs nem contra o rebaixamento, as derrotas sofridas nessa semana foram pesadas demais.

Na quarta-feira, em jogo antecipado da sétima rodada, as catarinenses perderam por 3 a 0, fora de casa, para o Rexona-Sesc, em parciais de 25-10, 25-15, 25-15. A marca de 40 pontos em um jogo foi a pior alcançada por uma equipe nesta Superliga feminina.

Então, o time foi a Belo Horizonte para encarar o Camponesa/Minas, na sexta-feira, e voltou a perder em sets diretos, com parciais de 25-16, 25-10, 25-14, saindo de quadra novamente com apenas 40 pontos marcados

Chamou a atenção também a quantidade de pontos de bloqueio que o time sofreu nas seis parciais que disputou. Com 12 bloqueios das cariocas e 17 das mineiras (29 no total), faltou um para que a média fosse de cinco por set.

Osasco bate Brasília em jogo de erros e emoção

Site da CBV/Superliga
Não bastasse a rodada de quarta-feira não ter sido transmitida pela TV, o fã do voleibol também não pôde contar com a CBV para acompanhar os números das partidas naquele dia.

Um problema no site oficial da Superliga fez com que as informações estatísticas dos jogos da quinta rodada do returno da competição masculina só entrassem no ar no fim da noite da quinta-feira.

Por coincidência, a falha ocorreu justamente numa rodada em que as redes sociais se queixavam do SporTV, que optou por exibir futebol em seus três canais àquela noite, mas também quando se discutia o veto da confederação às transmissões online pelos clubes – para ser específico, o Sesi pretendia mostrar sua partida contra o Montes Claros pelo YouTube, mas foi proibido pela CBV.

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Lara vibra, Mari Cassemiro lamenta: Bauru perdeu quatro match points (Mailson Santana/Fluminense FC)

Lara vibra, Mari Cassemiro lamenta: Bauru perdeu quatro match points (Mailson Santana/Fluminense FC)

Genter Vôlei Bauru
Nos cinco jogos do returno, a equipe de Bauru, sexta colocada na Superliga feminina conquistou apenas uma vitória (contra o Valinhos) e somou cinco pontos. Seu retrospecto estaria bem melhor, se houvesse vencido o Fluminense, na última quinta-feira, no Rio.

O time paulista vencia o jogo por 2 sets a 1 e tinha 24 a 21 no placar do quarto set. Noutras palavras, tinha tudo para conquistar a vitória e somar três pontos. Mas a rede encalhou, a equipe desperdiçou quatro match points (ainda teve 25-24 a seu favor) e sucumbiu na parte final do tie break.

Com efeito, se o time poderia ter chegado aos 30 pontos, junto com o Minas, tendo o Brasília na alça de mira, agora precisa se preocupar também com o Fluminense, sétimo colocado, quatro pontos atrás.


Por futuro no vôlei e na seleção, Rosamaria encara mudança de rumo
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Sidrônio Henrique

Rosamaria lidera o ranking de pontuadoras da Superliga (fotos: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

Com 1,85m e disposta a aprender cada vez mais o ofício de ponteira, Rosamaria Montibeller deixou para trás a função de oposta. O técnico da seleção feminina, José Roberto Guimarães, tem participação direta na decisão, reforçada por seu assistente Paulo Coco, treinador dessa catarinense de 22 anos na equipe do Camponesa/Minas. “Eu havia jogado sob a orientação dele (Zé Roberto) no Vôlei Amil. Ele me falava: ‘Rosa, você tem potencial pra jogar na ponta. Treina, trabalha isso. Pro futuro da seleção brasileira e pro seu futuro no voleibol, vai ser melhor você se deslocar para a entrada. Você não é tão alta, não tem 1,90m pra jogar na saída’”, contou ao Saída de Rede.

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Ser a maior pontuadora da Superliga 2016/2017, com 254 pontos após 15 rodadas, lhe causa alguma surpresa. “Eu achava que, quando fosse deslocada pra ponta, meu rendimento no ataque ia cair um pouco pelo fato de eu ter que passar e atacar. Mas eu atribuo isso à Pri (Daroit) e à Léia porque elas me dão toda a cobertura na linha de passe. Eu fico com pouca área na recepção, então acabo mais livre para atacar”, comentou Rosamaria, que migrou da saída para a entrada na metade do primeiro turno, após a chegada da oposta americana Destinee Hooker.

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É claro que a seleção brasileira principal está nos planos dela, que foi campeã mundial sub23 em 2015. Mas Rosamaria está tranquila quanto a isso. “Eu tô fazendo o meu papel… Se der certo, deu. Se não der, paciência”.

Confira a entrevista que um dos destaques da Superliga concedeu ao SdR:

Saída de Rede – Como foi encarar a mudança de oposta para ponteira com a Superliga em andamento, tendo muita responsabilidade na equipe, uma vez que a Jaqueline ainda não recuperou a forma?
Rosamaria – Eu havia jogado como ponta nas categorias de base, mas na Superliga é a primeira vez. Eu avalio a mudança da melhor maneira possível, tenho conseguido ajudar o time. É tudo uma fase de adaptação, né. Ainda estou me adaptando, ainda sofro com algumas coisas, mas o importante é que o time está andando. A partir do momento em que eu tenha a possibilidade de ajudar o time, isso é o que conta.

Em ação no Mundial sub23, disputado em 2015, quando foi capitã e conquistou o título (foto: FIVB)

Saída de Rede – Na temporada 2013/2014, no Vôlei Amil, sem tanta cobrança, você fazia ponta e saída, embora ficasse a maior parte do tempo como oposta mesmo. Isso de alguma forma ajudou?
Rosamaria – Sim, às vezes eu ia pra entrada, isso valeu. Quando joguei no Pinheiros depois também, um jogo ou outro eu ficava na ponta. Mas efetivamente, como agora, é a primeira vez.

Saída de Rede – Quais as dificuldades nessa mudança? Passe, posicionamento, referências na quadra?
Rosamaria – Desde o ataque, uma posição diferente, ali na quatro. Tem a puxada de fundo meio também… Mas principalmente o passe. Até treinava um pouco esse fundamento. Porém, treinar é uma coisa, jogar é outra. Mesmo como oposta treinava recepção junto com as ponteiras, mas agora ainda estou me adaptando, me situando nessa relação com a líbero, com a outra ponta. De qualquer forma, acho que tenho melhorado.

Saída de Rede – Te surpreende ser a maior pontuadora da Superliga?
Rosamaria – De alguma forma, sim. Eu achava que, quando fosse deslocada pra ponta, meu rendimento no ataque ia cair um pouco pelo fato de eu ter que passar e atacar. Mas eu atribuo isso à Pri (Daroit) e à Léia porque elas me dão toda a cobertura na linha de passe. Eu fico com pouca área na recepção, então acabo mais livre para atacar. Elas me ajudam muito nisso. Estou muito feliz, espero que eu só melhore, que eu não pare de evoluir nesse segundo turno.

Celebrando um ponto com a líbero Léia, que lhe dá cobertura na linha de passe

Saída de Rede – Até onde o Camponesa/Minas pode chegar nesta Superliga?
Rosamaria – Até a final. O objetivo é esse e a gente sabe que tem que evoluir muito, nós não fizemos um bom primeiro turno, mas já vemos outra cara no time. Temos que evoluir demais, mas sonhamos com a final.

Saída de Rede – Olha, vou te provocar: só a final já é suficiente? E o título?
Rosamaria – Com certeza eu quero esse. (Risos)

Saída de Rede – O Minas tem time para ganhar a Superliga independentemente do adversário?
Rosamaria – Sim. Seja lá com quem a gente cruzar na semifinal ou na final… Bom, temos que nos classificar, claro. Porque tem isso, né, a gente tem que avançar, a briga tá boa, mas não tem nada garantido. A gente vai pra cima.

Saída de Rede – Novo ciclo olímpico começando, você se vê na seleção?
Rosamaria – Não há como não pensar, mas estou indo com muita calma, muita tranquilidade. O Paulo (Coco) tá me vendo aqui no dia a dia, então ele vai poder avaliar se eu mereço estar lá ou não, junto com o Zé Roberto, que eu sei que está acompanhando a Superliga. Eu tô fazendo o meu papel… Se der certo, deu. Se não der, paciência.

Saída de Rede – Na seleção, onde você se encaixaria melhor: entrada ou saída?
Rosamaria – É difícil dizer. Este ano vamos ter uma renovação, mas a gente não sabe quem sai, quem fica, e o que o Zé (Roberto) acha. Ele sempre conversou comigo pra eu mudar pra ponta. Então, se eu continuar tendo um bom rendimento, gostaria de seguir na entrada de rede, estou gostando. Mas eu também adoro ficar na saída, o importante é jogar. Eu brincava logo no início, quando mudei de posição no Minas, eu dizia, “gente, quero jogar: de líbero, levantadora, o que o técnico achar que eu posso fazer, faço”.

Rosamaria: “Gostaria de seguir na entrada de rede”

Saída de Rede – Como foi essa conversa com o Zé Roberto, ele te dizendo que você deveria ser ponteira?
Rosamaria – Eu havia jogado sob a orientação dele no Vôlei Amil, em Campinas, eu tinha 19 anos. Ele me falava: “Rosa, você tem potencial pra jogar na ponta. Treina, trabalha isso. Pro futuro da seleção brasileira e pro seu futuro no voleibol, vai ser melhor você se deslocar para a entrada. Você não é tão alta, não tem 1,90m pra jogar na saída”. Então como tenho um pouco de recurso, ele dizia: “Ô, Rosa, trabalha isso”. Eu tenho trabalhado e agora estou tentando seguir esse caminho.

Saída de Rede – O que você achou daquela experiência com a equipe que representou o Brasil nos Jogos Pan-Americanos, em Toronto, em 2015?
Rosamaria – Foi maravilhosa, fazendo saída. Foi a primeira vez que joguei ao lado da Jaqueline, da Fernanda Garay, da Camila Brait. Eu senti muita evolução da minha parte e elas me ajudaram muito. Eu começava no banco, entrava em momentos difíceis, fui bem, então acho que cresci bastante como atleta.


Destinee Hooker: “Estou aqui para ganhar a Superliga de novo”
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Sidrônio Henrique

Hooker: “Nós podemos ganhar, um passo de cada vez” (fotos: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

Há cinco temporadas, a oposta americana Destinee Hooker deixou o Brasil após conquistar o título da Superliga pelo Sollys/Osasco (atual Vôlei Nestlé). Novamente em ação no país desde dezembro, desta vez pelo Camponesa/Minas, ela não se contenta com pouco. “Estou aqui para ganhar a Superliga de novo”, disse ao Saída de Rede. Desde que voltou às quadras brasileiras, as duas únicas derrotas que seu time sofreu foram para o mesmo adversário, o Rexona-Sesc, mas isso não a intimida. Em ascensão, o Minas está em quinto lugar na Superliga, após a terceira rodada do returno. O Rexona lidera a competição com folga, em busca do seu 12º título.

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“Sim, nós podemos ganhar o torneio, damos um passo de cada vez procurando melhorar, sem focar nas rodadas mais distantes. O Paulinho (Paulo Coco, técnico) costuma pensar no próximo oponente, sem se preocupar com a colocação na tabela. Fazer nosso jogo fluir é mais importante”, completou a atacante de 29 anos e 1,93m, principal contratação do tradicional clube mineiro para a temporada 2016/2017 ao lado da ponteira Jaqueline Carvalho Endres.

Copa Brasil: apresentação de alto nível do Rexona freia retomada do Minas
1967: o Mundial de Vôlei que a Guerra Fria encurtou

Por ter ficado quase um ano parada, desde o nascimento do seu segundo filho, a forma física de Hooker era uma preocupação para o Minas, mas em dez partidas disputadas até agora – sete pela Superliga e três pela Copa Brasil – ela tem demonstrado uma clara evolução, com apresentações consistentes mesmo nos primeiros jogos.

A oposta americana afirmou que o time a tem ajudado bastante

“É todo um processo. Eu estava completamente fora de ritmo, mas o Paulinho tem sido muito paciente comigo. Pouco a pouco, vou recuperando minha força. Dentro de quadra, vou tentando minimizar meus erros, a equipe tem me ajudado muito”, comentou.

O objetivo, a oposta contou, é atingir o nível que tinha em 2012, quando conquistou a medalha de prata com a seleção americana nos Jogos Olímpicos de Londres, sob o comando do técnico Hugh McCutcheon. “Aquela Destinee Hooker era tão jovem… Agora sou a mãe de dois meninos, tentando recuperar a forma. Espero que até o final da temporada eu possa voltar a ser aquela jogadora. As garotas do time dizem que estou saltando muito, mas honestamente não sei. Tenho trabalhado ombros e pernas, contando com todo o apoio do Minas”.

Seleção americana
Depois de Londres 2012, Hooker decaiu. O treinador da seleção americana no ciclo 2013-2016, Karch Kiraly, com contrato renovado até Tóquio 2020, montou sua equipe sem ela e revelou opostas menos atléticas, mas com técnica apurada, como Karsta Lowe, Kelly Murphy e Nicole Fawcett.

Destinee Hooker viu crescer sua fama de indisciplinada, algo que procura afastar agora. Também houve as duas gravidezes que interromperam sua carreira. Ela, que no ciclo anterior era estrela de primeira grandeza, chegou a assinar com um clube da inexpressiva liga de Porto Rico. Antes de vir para o Brasil, estava no apenas razoável campeonato da Coreia do Sul.

Fora da Seleção dos EUA há alguns anos, Hooker não estará presente aos Jogos do Rio 2016 (foto: FIVB)

Hooker disse que Tóquio 2020 está nos seus planos (foto: FIVB)

Apesar de não ter tido chance com Kiraly no comando da seleção, ela afirmou que não há mágoa. “Fiquei desapontada, claro, mas no final das contas não tenho controle algum sobre a convocação, então desejo o melhor para elas. Senti muito quando perderam na semifinal na Rio 2016 e fiquei feliz que tenham conseguido reagir e conquistar o bronze”, prosseguiu.

Se Tóquio 2020 está nos planos dela? “Definitivamente, mas preciso melhorar”, admitiu. O único contato que teve com a seleção após Londres 2012, segundo nos contou, foram trocas de mensagens nas redes sociais com ex-colegas de equipe.

Talento e indisciplina
Revelada na Universidade do Texas, pela qual disputou campeonatos na NCAA (entidade que organiza competições nacionais em mais de 30 esportes nos EUA em nível universitário), Destinee Hooker praticava voleibol e salto em altura, destacando-se nas duas modalidades. Ela foi campeã da NCAA em salto em altura em quatro oportunidades, chegando a quebrar recordes.

No vôlei, apesar de ter sido no máximo vice-campeã, foi MVP da temporada 2008/2009 da NCAA. Antes mesmo já havia chamado a atenção da comissão técnica da seleção feminina dos Estados Unidos, tendo sido convocada pela primeira vez, pela então técnica Lang Ping, para o time adulto americano no início de 2008. Com apenas 20 anos, Hooker não ficou entre as 12 jogadoras que foram aos Jogos Olímpicos de Pequim, naquele ano, mas no ciclo seguinte firmou-se na seleção, conquistando a titularidade na saída de rede a partir de 2010.

Era a maior estrela dos EUA em Londres 2012. O time chegou até a final olímpica com status de favorito disparado, mas perdeu de virada para o Brasil por 1-3 – quatro anos antes, as brasileiras também haviam derrotado as americanas na final.

A oposta observa a central Mara durante uma partida na Superliga

Com impulsão e força impressionantes, Destinee Hooker marcou época em sua breve passagem pela seleção, ainda que não tenha conquistado nenhum título de peso – além da prata olímpica, os EUA foram quarto colocados no Mundial 2010.

Ficou conhecida pelos fãs e pela imprensa não apenas por suas potentes cortadas, mas também em razão do histórico de indisciplina. Jogou pelo clube italiano Pesaro no período 2010/2011 e colecionou desafetos.

No Brasil, na temporada seguinte, viveu momentos turbulentos. Chegou a ficar fora de algumas partidas por ter machucado a mão direita depois de esmurrar uma mesa, após uma discussão ao telefone. O técnico da seleção americana na época, Hugh McCutcheon, veio ao país para conversar com sua principal atacante, preocupado com seu comportamento. O Sollys/Osasco venceu aquela edição da Superliga numa atuação memorável de Hooker – até hoje ela é lembrada com carinho pelos torcedores do clube paulista.

Atualmente, quando não está viajando, treinando ou jogando pelo Camponesa/Minas, a atleta leva uma vida pacata em Belo Horizonte. “Moro perto do clube, o que é bom. Outra coisa boa é que os fãs mineiros, assim como os de Osasco, são maravilhosos, têm aquela energia positiva característica do Brasil, e isso me motiva muito”, disse Destinee Hooker ao SdR.