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Arquivo : Dani Lins

Ellen ressuscita Praia Clube e leva o time à semifinal da Superliga
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Sidrônio Henrique

Ellen Braga marcou 17 pontos. Sua entrada mudou o rumo do jogo (Divulgação/Praia Clube)

O Dentil/Praia Clube está na semifinal da Superliga 2016/2017. Numa noite em que a ponteira Ellen Braga veio do banco e deu equilíbrio a um time que parecia perdido no terceiro e decisivo jogo das quartas de final, a equipe de Uberlândia venceu de virada, em casa, o Terracap/BRB/Brasília Vôlei por 3-1 (22-25, 25-17, 25-20, 25-14). O Praia Clube fez 2-1 na série e agora vai enfrentar o Vôlei Nestlé.

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O time do Planalto Central, no quarto ano do projeto, mais uma vez parou nas quartas de final – resultado honroso para a equipe da capitã Paula Pequeno e do técnico Anderson Rodrigues. Vindo de uma vitória em sets diretos na segunda partida, como anfitrião, o Brasília começou o confronto na noite deste sábado (25) dando sinais de que finalmente chegaria à semifinal da Superliga. Aproveitou-se de um problema crônico do Praia Clube, a fragilidade da linha de passe, e com um saque eficiente, combinado com uma boa relação bloqueio-defesa, venceu a primeira parcial.

Novo rumo
Porém, logo no início do segundo set, a partida teve uma mudança de rumo. O técnico do Praia, Ricardo Picinin, sacou a ponta Michelle Pavão e colocou em quadra Ellen Braga, que havia feito uma rápida passagem no primeiro set. A substituta já havia tido boas atuações no torneio – ganhou ontem seu quarto troféu Viva Vôlei da temporada. Na decisão da vaga para a semifinal, foi efetiva no ataque, atenta na cobertura na defesa e deu alguma contribuição na recepção. Mais do que isso, animou uma equipe que estava abatida.

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A levantadora Claudinha, do Praia Clube, percebendo o bom momento de Ellen, a acionou constantemente no ataque logo que ela entrou, desafogando a outra ponteira, a americana Alix Klineman, que esteve apática na primeira parcial. Quando voltou a receber bolas de forma mais constante, Alix era outra jogadora. A americana foi a maior pontuadora da partida, com 19, enquanto Ellen, com menos tempo em quadra, veio em seguida com 17. No ataque, ambas marcaram 15 pontos. A diferença é que Alix recebeu 35 levantamentos e Ellen, 25. Você confere aqui as estatísticas do jogo fornecidas pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). A central Fabiana Claudino, do Praia, que na última rodada do returno sofreu um estiramento na planta do pé (fascite plantar), segue fazendo tratamento.

Depois de perder a parcial inicial, a exemplo do primeiro jogo, o Praia Clube virou a partida (Túlio Calegari/Praia Clube)

Adversário acuado
É bom que se diga, além da mudança de ritmo no lado mineiro com a entrada de Ellen, o Brasília Vôlei encolheu o braço. Ao final da partida, numa entrevista ao SporTV, a veterana ponteira Paula Pequeno lamentou a falta de consistência. De fato, a partir do segundo set, quase nada funcionou na equipe da capital federal – a última parcial foi melancólica. O saque, arma fundamental no início, foi quase inofensivo no restante do jogo. Com isso, dificultou a vida do sistema defensivo do Brasília. Para complicar ainda mais, o time desperdiçou muitos contra-ataques.

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Outro problema foi o baixo aproveitamento na saída de rede, algo que se repetiu várias vezes ao longo desta edição da Superliga. Em quatro sets, a oposta Andreia Sforzin recebeu apenas 18 levantamentos, colocando oito bolas no chão – terminou a partida com nove pontos. Isso sobrecarregou a entrada, com Paula e Amanda. Não, a levantadora Macris não esqueceu sua oposta. Andreia é que não vem rendendo, o que dificultou o desempenho da equipe. Para efeito de comparação, na noite deste sábado, Paula foi acionada 39 vezes, mais que o dobro daquela que deveria ser a referência do time no ataque.

O Camponesa/Minas, de Destinee Hooker, enfrenta o Rexona-Sesc na semifinal (Orlando Bento/MTC)

Semifinais
Os confrontos das semifinais serão entre o onze vezes campeão Rexona-Sesc, do técnico Bernardinho e da ponta Gabi, e o Camponesa/Minas, da oposta Destinee Hooker e da ponteira Jaqueline Carvalho, enquanto na outra série se enfrentarão Praia Clube e Vôlei Nestlé, time da levantadora Dani Lins e da ponta Tandara.

O Minas perdeu do Rexona nas três vezes em que se enfrentaram esta temporada e terá uma tarefa difícil, ainda que Bernardinho politicamente empurre o favoritismo para o tradicional time de Belo Horizonte. Praia Clube e Vôlei Nestlé tiveram uma vitória cada nas duas partidas na Superliga 2016/2017. A equipe de Osasco vem apresentando maior regularidade desde o returno e tem ligeiro favoritismo – no confronto mais recente, o clube paulista venceu por 3-0, minando com sucesso a cubana Daymi Ramirez no passe.

A primeira rodada da série semifinal, disputada em melhor de cinco jogos, será esta semana. O Saída de Rede recebeu a informação que falta apenas a CBV definir se uma partida será na noite de quinta-feira (30) e a outra no dia seguinte, ou se ambas serão na sexta-feira (31). A Confederação decidirá nesta segunda-feira (27).


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Consistência do Rexona é decisiva novamente, mas Borgo anima o Vôlei Nestlé
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Carolina Canossa

Bloqueio rendeu 20 pontos ao Rexona (Foto: Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV)

No reencontro com o único time que o superou na atual edição da Superliga feminina de vôlei, o Rexona-Sesc mostrou uma de suas principais qualidades para superar o Vôlei Nestlé na noite desta sexta-feira (3): a consistência. Sem grandes oscilações ao longo da partida, o time carioca garantiu a liderança na fase de classificação com duas rodadas de antecedência ao fazer 3 sets a 1 (25-20, 21-25, 25-21 e 25-15) sobre seus maiores rivais.

Depois de três sets equilibrados, o Rexona simplesmente passeou na etapa decisiva. A diferença de rendimento entre os dois lados da quadra era evidente no sistema defensivo, que anulou Paula Borgo e Tandara, as duas principais opções de ataque à disposição de Dani Lins. No fundo de quadra, a sérvia Malesevic passou a errar passes que até então vinha entregando na mão da levantadora e, se não fosse por uma boa passagem de Nati Martins com um flutuante no saque, o placar seria ainda mais elástico.

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Descobrir como o Rexona consegue se manter tão fiel ao plano de jogo é o grande segredo para quem quer que deseje desbancar as favoritas ao título da Superliga. A sensação é que, enquanto o time de Bernardinho entra em quadra para jogar cinco sets, os rivais estão preparados apenas para três. Quanto mais um jogo se alonga, melhor para as representantes do Rio de Janeiro. E olha que o time joga basicamente o tempo inteiro com as mesmas sete jogadoras, com pouquíssimas alterações.

Paula entrou no meio do 1º set e foi a maior pontuadora da partida (Foto: João Pires/Fotojump)

Apesar da derrota, o Vôlei Nestlé volta pra casa com um grande ponto positivo: a boa atuação de Paula Borgo, que substituiu Ana Bjelica ainda na metade do primeiro set. Considerada um dos grandes nomes da nova geração do voleibol brasileiro, a oposta mostrou variedade de golpes para superar um bloqueio quase sempre bem postado e foi o destaque individual da partida.

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Como ponto negativo, a precisão de ambas as levantadoras: em todos os sets, vimos um festival de bolas coladas à rede que, na melhor das hipóteses, exigia um malabarismo das atacantes em quadra. Dani, inclusive, cometeu um dois toques em um momento crucial do terceiro set, fazendo com que um contra-ataque que poderia colocar o placar em 22-23 virasse o set point das donas da casa, posteriormente convertido.

Agora, cabe ao Vôlei Nestlé confirmar o favoritismo diante do Renata Valinhos / Country e Genter Vôlei Bauru para assegurar a segunda posição na tabela, fazendo com que um novo encontro com o Rexona só ocorra em uma eventual final. Já o Rexona deve aproveitar os jogos contra Camponesa/Minas e Dentil/Praia Clube para testar algumas variações táticas e observar os rivais, já visando o mata-mata que se aproxima.


Atropelamento na última rodada embala Vôlei Nestlé para clássico no Rio
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Carolina Canossa

No Rio, Tandara espera um novo jogo de cinco sets (Foto: João Pires/Fotojump)

Até o momento, apenas um time foi capaz de derrotar o Rexona-Sesc na Superliga feminina de vôlei: o Vôlei Nestlé, em partida realizada no dia 13 de dezembro em Osasco. Mas não é exatamente naquele duelo que a equipe do técnico Luizomar de Moura se baseia para conseguir um novo resultado positivo contra as cariocas nesta sexta-feira (3), a partir das 21h30, na Jeunesse Arena (antiga HSBC Arena/Arena da Barra)…

A empolgação com que o time paulista chega ao Rio de Janeiro se deve mesmo ao atropelamento contra o Dentil/Praia Clube na última rodada. A despeito da expectativa por um confronto equilibrado, o Vôlei Nestlé mal tomou conhecimento do adversário e não precisou nem de 1h30 de jogo para fazer 3 sets a 0 sobre as atuais vice-campeãs brasileiras.

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Técnico nega problema psicológico no Praia Clube

“Temos que aproveitar o que construímos aí e levar para o Rio”, comentou a atacante Tandara, destaque de Osasco na atual temporada. “Vamos para o próximo jogo com essa mesma coragem. Se mantivermos esse espírito, o jogo será bom, acirrado e que vença quem conseguir aproveitar melhor as oportunidades”, destacou.

A levantadora Dani Lins, eleita a melhor em quadra contra o Praia, reforçou o discurso. “A gente chega para o jogo com o Rio com mais autoestima. Está todo mundo bem, os treinos têm sido muito bons e queremos manter essa crescente”, avisou a atleta, que deixou claro: o 0 a 3 sofrido em Belo Horizonte diante do Camponesa/Minas na rodada anterior já é coisa do passado. “Acho que meio que curamos a nossa raiva do jogo péssimo que fizemos em Minas. O time jogando unido é outra coisa, todo mundo dando o seu melhor”, complementou.

Dani Lins: “A gente chega pra esse jogo com mais autoestima”

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Mas Tandara ressalta que o discurso confiante não deve ser visto como um otimismo excessivo. Para ela, o clássico tem altas possibilidades de ser novamente encerrado em um 3 a 2. “Fizemos um jogo muito difícil contra elas aqui e vencemos, mas o time de lá não deu brecha pra ser fácil. Então, essa nova partida também vai ser muito difícil, quem sabe com cinco sets novamente. Espero que a consequência seja a nossa vitória. Estamos trabalhando muito”, afirmou.

A jogadora, inclusive, reconhece que provavelmente será bombardeada pelas adversárias no saque. “Eu tenho a consciência de que sempre serei o alvo no passe, pois não sou uma ponteira passadora. A minha preocupação é colocar a bola para cima e definir no ataque, que é o meu melhor fundamento. Tenho que me manter calma, pois, se eu sair do passe, não consigo rodar a bola. Sei que vou errar no passe, mas tenho que ter tranquilidade para aceitar quando isso acontecer”, analisou.


Claudinha se vê mais marcada e faz autocrítica: “Tenho muito a evoluir”
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Sidrônio Henrique

Claudinha durante treino: “No dia em que o passe sai fica difícil para o adversário” (fotos: CBV)

Aos 29 anos, Cláudia Bueno está na segunda temporada consecutiva no Dentil/Praia Clube, de Uberlândia (MG), depois de passar por equipes como o tradicional Minas Tênis Clube, o extinto Amil Campinas, o Sesi, além do próprio Praia ainda na década passada. Mas se no ano passado seu time fez uma campanha muito boa na Superliga e terminou com o vice-campeonato, no período 2016/2017, apesar do terceiro lugar na tabela, tem sido instável, atrapalhado por contusões e com uma linha de passe que não vem facilitando o trabalho de Claudinha. “Um aspecto importante é que estou cada vez mais marcada, mas isso até que é bom, funciona como um desafio para mim. Ainda tenho muito a evoluir”, disse ao Saída de Rede a levantadora de 1,81m.

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Claudinha, que completará 30 anos em setembro, cobra não apenas de si mesma, mas da equipe. “Com o elenco que nós temos, no dia em que o passe realmente sai fica difícil para o adversário. Claro que eu preciso fazer a minha parte e mandar uma bola perfeita para as atacantes”. Porém o clube tem sofrido na recepção. Na rodada mais recente, a oitava do returno, foi a Osasco encarar o Vôlei Nestlé, numa partida que valia a vice-liderança da Superliga, e caiu em sets diretos, com a cubana Daymi Ramirez sendo massacrada no passe.

A levantadora está na segunda temporada com o Dentil/Praia Clube

Com mais três jogos até o final do segundo turno, o Praia recebe neste sábado (4) o ascendente Camponesa/Minas – às 14h10, com transmissão da RedeTV. Depois, ainda em casa, pega o Fluminense. No encerramento do returno vai ao Rio para enfrentar o líder Rexona-Sesc, time que nunca venceu em 22 confrontos oficiais, incluindo a final da Superliga passada, disputada em local neutro, e do recente Sul-Americano de Clubes, no qual o Praia foi anfitrião.

Após 19 rodadas, o Rexona-Sesc soma 53 pontos na classificação, seguido pelo Vôlei Nestlé com 45. O Dentil/Praia Clube tem 43. O Camponesa/Minas está em quarto com 39 e o Genter Vôlei Bauru vem em quinto com 37.

Seleção e Zé Roberto
Com passagem pela seleção brasileira principal em 2013, quando foi reserva, Claudinha jamais voltou a ser convocada. Na temporada 2013/2014 era do Amil Campinas, equipe do treinador da seleção, José Roberto Guimarães, quando a insatisfação dele com seu jogo foi exposta em rede nacional durante um pedido de tempo. No dia 12 de abril de 2014, no terceiro set de uma partida da fase semifinal da Superliga contra o Rexona, no Maracanãzinho, Zé Roberto levou Claudinha para um canto e reclamou do seu desempenho. No áudio captado pela TV, ele aparece chamando a atleta de burra. “Eu tô assumindo a responsabilidade, você não tem força pra isso. Larga de ser burra”, foi a frase do técnico.

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Ela, no entanto, minimiza o ocorrido e afirma que ainda sonha em servir à seleção. “Seria uma consequência do meu trabalho, se o treinador achar que mereço uma chance. Aquele episódio no Amil ocorreu no calor da partida, já aconteceu com vários atletas e vai continuar acontecendo, coisa de jogo mesmo. Hoje compreendo o que ele me pedia naquele momento, algo que não entendia por ser mais nova, por estar pela primeira vez num time grande”, comentou.


Discurso de Zé Roberto contraria necessidade de renovação
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Sidrônio Henrique

Zé Roberto fez um excelente trabalho contra a Holanda (Foto: Divulgação/FIVB)

José Roberto Guimarães está no comando da seleção feminina desde 2003 (Fotos: FIVB)

Renovar uma equipe considerada potência, saber a hora de deixar de lado grandes nomes certamente não são tarefas fáceis, mas isso inevitavelmente ocorre nas principais seleções e não seria diferente com o time feminino do Brasil. O técnico José Roberto Guimarães, tricampeão olímpico, foi confirmado na semana passada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) no comando da seleção feminina até a Olimpíada de Tóquio 2020, mas entre as diversas declarações dadas à imprensa pelo treinador uma causa certa preocupação. “Não estou convencido de que algumas jogadoras não possam vir a jogar pela seleção. São jovens e privilegiadas no aspecto físico, a tentativa de fazê-las jogar sempre vai existir. A Sheilla e a Fabiana têm bola para continuar jogando”, afirmou Zé Roberto, durante entrevista coletiva.

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No caminho para a Rio 2016, o técnico optou por correr o menor risco possível e mexeu pouco na equipe ao longo do ciclo, além de tomar decisões no mínimo arriscadas, como incluir apenas uma oposta de ofício, Sheilla, longe da sua melhor forma, e ainda levar a levantadora Fabíola à Olimpíada apenas dois meses e meio após ela dar à luz. Espera-se, portanto, que Zé Roberto não assuma essa mesma postura na nova fase de seu trabalho com a CBV. A central e capitã Fabiana e a oposta Sheilla já declararam que não vestirão mais a camisa amarela para cuidar da vida pessoal. Thaísa, por sua vez, deu sinais claros de que sua relação com o técnico está desgastada e pode seguir o mesmo caminho. Outras jogadoras, como Jaqueline e Dani Lins, ainda não deram uma resposta definitiva para a questão.

"Trenzinho" para cumprimentar a torcida é a marca registrada da seleção feminina na Rio 2016 (Fotos: FIVB)

Fabiana e Sheilla deram adeus à seleção, Dani Lins ainda não se decidiu

Antecedentes
Não é a primeira vez que o treinador insiste com quem afirma já ter dado sua contribuição à seleção. Ele demonstrou dificuldade para desapegar de atletas veteranas, tendo pedido mais de uma vez para a levantadora Fofão seguir após o ouro de Pequim 2008, além de ter chamado a central Walewska para a Copa dos Campeões 2013.

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Independentemente da boa forma, como era o caso de Walewska, a seleção é, antes de tudo, um grande compromisso – Walewska, ainda hoje jogando em alto nível, disse mais de uma vez que seu ciclo com a seleção já havia se encerrado e que isso era algo muito bem resolvido para ela. Bicampeã olímpica, a líbero Fabi despediu-se da seleção e colocou um ponto final em sua bela história com a equipe.

Motivação e rendimento
Talvez Fabiana ainda tenha algo a oferecer, afinal ela e Thaisa formam uma das melhores duplas de meios de rede de todos os tempos. Mas será que Fabiana, que disse adeus à seleção após a derrota para a China no Maracanãzinho e terá 35 anos em Tóquio 2020, ainda tem motivação para estar no time e continuará a render? Não dá para comparar eventuais novatas com grandes veteranas, mas sem rodagem as mais jovens nunca despontarão.

Campanha chinesa no Rio só conheceu duas vitórias em cinco jogos (fotos: FIVB)

Campeã na Rio 2016, seleção chinesa apostou na renovação

No caso de Sheilla, que disputou sua primeira grande competição com a seleção no Mundial 2002, seria mesmo ela privilegiada no aspecto físico, como disse Zé Roberto? Por mais importante que tenha sido Sheilla (jamais serão esquecidas suas atuações em Pequim 2008 e em Londres 2012), não seria o momento de dar espaço para novas opções, tendo quatro anos para avaliações até Tóquio 2020? Sheilla foi reserva na temporada de clubes mais recente e, por decisão sua, não jogará na próxima. Na Olimpíada de 2020 ela terá 37 anos.

Menos mal que o técnico, no comando da seleção feminina desde 2003, também parece estar de olho nas mais jovens. “Na base temos jogadoras novas aparecendo, acho que temos um futuro promissor pela frente”, disse durante a coletiva. Adversários na busca por títulos, como China, Sérvia e Estados Unidos, investem constantemente em renovação. Não é mudar simplesmente por mudar. Renovar exige planejamento e sabemos que Zé Roberto tem uma equipe capaz de assisti-lo nesse processo, além da sua inegável competência. O problema está na insistência em nomes que já deram o seu melhor, fizeram muito pela seleção e inclusive disseram adeus. Para que surjam jogadoras capazes de defender o Brasil, elas precisam de espaço.


Queda de cabelo, choro e insônia: Dani Lins conta o outro lado da Olimpíada
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Carolina Canossa

Dani Lins foi uma das jogadoras mais cobradas pela torcida após a eliminação (Foto: FIVB)

Dani Lins foi uma das jogadoras mais cobradas pela torcida após a eliminação (Foto: FIVB)

Holofotes, glamour e badalação. Ser favorito ao pódio olímpico significa muitas coisas boas para o atleta de alto rendimento, mas há um lado pouco lembrado por quem nunca viveu essa situação: como lidar com a expectativa das pessoas? E se algo não der certo?

Poucas pessoas podem responder isso melhor do que Dani Lins. Levantadora da seleção brasileira feminina de vôlei, a jogadora falou sobre todo o stress vivido nas últimas semanas. Depois de uma primeira fase praticamente perfeita, o time nacional acabou eliminado logo nas quartas de final da Rio 2016 em um confronto duro (e precoce) contra a futura campeã China. Na condição de “cérebro” da equipe, a atleta do Vôlei Nestlé viveu essa ascensão e queda intensamente, tendo suas decisões questionadas por parte da torcida após a derrota.

Exclusivo: classificação do vôlei para Tóquio 2020 será alterada

“Só fui dormir no outro dia à noite, fiquei virada”, confessou Dani. A tensão por um bom resultado nos Jogos era tanta que lhe rendeu efeitos físicos: “É um stress emocional muito grande. Meu cabelo estava caindo muito durante a Olimpíada, acho que por nervosismo ou ansiedade”.

Como Sidão não pôde ir ao Rio de Janeiro para acompanhar a partida in loco por ter treino no Sesi na manhã seguinte, a solução foi recorrer a um casal de amigos que acompanhou tudo no Maracanãzinho: “Acabou o jogo e eu fiquei meio perdida, pois queria um abraço. Aí lembrei que esses meus amigos, que são como irmãos, estavam lá. Só queria mesmo sair daquele clima todo”. A volta para São Paulo, onde mora, aconteceu já no dia seguinte. “Vim direto, abracei o Sidão e chorei mais ainda”, contou Dani.

Dani quer se concentrar no clube antes de pensar em seleção novamente (Foto: João Pires/Fotojump)

Dani quer se concentrar no Vôlei Nestlé antes de pensar em seleção novamente (Foto: João Pires/Fotojump)

Para espairecer, Dani passou uma semana na Disney ao lado de Sidão, de outra atleta da seleção, Adenízia, e do namorado da central. Nos Estados Unidos, a levantadora conseguiu se desligar do vôlei, mas não totalmente. “Me diverti, mas de vez em quando o Sidão me pegava olhando para o nada, lembrando de algumas coisas. Ele falava: ‘Amor, eu sei que é difícil’. Como passou por uma situação assim em Londres e esse ano o corte, acho que não havia ninguém além dele para me dar tanta força”, destacou.

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As mensagens de fãs e das companheiras de clube, além do técnico Luizomar de Moura, serviram para Dani se animar novamente. Prestes a iniciar uma nova temporada no clube, ela minimiza até as críticas – após a eliminação, chegou a mencionar os detratores em um post no Instagram, mas já se diz mais fortalecida depois do baque. “As pessoas gostam de ficar falando e às vezes falam até pra te deixar pra baixo, mas foram poucos e gente que eu não conheço. Então, não vou dar muita bola. Falei aquilo como um desabafo, mas primeiro só tenho a agradecer, pois todos que já conviveram comigo me deram algum tipo de apoio”, afirmou.

Questionada se vai continuar na seleção, a jogadora brincou (“Não sei se vão me convocar ou não”), mas deu indícios de permanência, apesar do desejo de engravidar durante o ciclo olímpico que começa agora. “Acho que aceitaria uma nova convocação. Mas agora quero descansar de seleção, curtir o Sidão, a cachorrinha que acabei de adotar, meu time… Lá, pra frente, em abril ou maio, eu penso sobre isso”, afirmou.


Apesar de falhas, seleção feminina avança com tranquilidade às quartas
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Carolina Canossa

Fê Garay e Natália ainda estão hesitantes na recepção. Situação complica quando a bola vem entre elas... (Fotos: FIVB)

Fê Garay e Natália ainda estão hesitantes na recepção. Situação complica quando a bola vem entre elas… (Fotos: FIVB)

Três vitórias em três jogos. Nove sets vencidos em nove disputados. Numericamente, a campanha da seleção brasileira feminina de vôlei está perfeita. Favoritismo confirmado contra as equipes mais fracas do grupo e classificação às quartas de final garantida. O 25-18, 25-18 e 25-22 aplicado contra o Japão, porém, deve servir como alerta de que esse time ainda precisa melhorar se não quiser correr riscos nos próximos dias.

Diante das nipônicas, a seleção apresentou duas grandes falhas que incomodaram: recepção hesitante e precisão deficiente na armação das jogadas. Natália e Fernanda Garay ainda estão com dificuldades acima do normal na hora de receber o saque, o que tem gerado pontos para os adversários. Por enquanto, não foi o suficiente para prejudicar o time de fato, mas convém Jaqueline estar sempre a postos no banco de reservas.

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Já em termos ofensivos, Dani Lins precisa aumentar um pouco a altura das bolas até para não ofuscar a excelente distribuição que tem feito. Nesta quarta (10), por exemplo, as atacantes brasileiras foram excessivamente bloqueadas por um time baixo, muitas vezes no um contra um. Individualmente falando, Sheilla também precisa urgentemente trabalhar o movimento de saque, pois somente contra o Japão pisou na linha duas vezes, um erro constante nas últimas semanas.

Saque tem sido um dos pontos positivos do Brasil

Saque tem sido um dos pontos positivos do Brasil

Pelo lado positivo, elogios ao saque verde-amarelo, que vem entrando muito bem, variado e através de quase todas as jogadoras. Preocupação recorrente do técnico José Roberto Guimarães, o sistema de bloqueio/defesa está se ajustando: contra o Japão, por exemplo, o corredor quase sempre esteve fechado e o reflexo disso é o fato de as ponteiras terem sido as brasileiras que mais obtiveram pontos de bloqueio. Foi bom ainda ver Thaísa voltando a jogar depois de um problema na panturrilha que a fez temer um corte.

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Já classificado, o Brasil ainda encara Coreia do Sul e Rússia na fase classificatória em busca do primeiro lugar do grupo A, uma forma de tentar garantir um confronto teoricamente mais tranquilo nas quartas de final.

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Competência de Zé Roberto leva Brasil ao 11º título no Grand Prix
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João Batista Junior

A seleção brasileira superou o time dos EUA no tie break e se sagrou campeão do GP pela 11ª vez

A seleção brasileira superou o time dos EUA no tie break e se sagrou campeão do GP pela 11ª vez (fotos: FIVB)

Se o time norte-americano é o melhor do mundo e as brasileiras são bicampeãs olímpicas, por que não imaginar que o 11º título do Brasil no Grand Prix serviu de ensaio para a final da Rio 2016? A vitória por 3 sets a 2 (18-25, 25-17, 25-23, 22-25, 15-9), neste domingo, em Bangcoc (Tailândia), devolve ao time comandado por Zé Roberto o moral que parecia haver perdido naquela semifinal do Mundial 2014, contra a mesma rival de hoje. O voleibol apresentado nesta semana decisiva dá a impressão de que os erros do início da competição se tornaram lição aprendida. E a ação do técnico na partida foi decisiva.

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Substituição de Zé Roberto no segundo set mudou o jogo

Substituição de Zé Roberto no segundo set mudou o jogo

Depois de um primeiro set muito bom no ataque, mas desastroso no passe, Zé Roberto substituiu Fernanda Garay logo nos primeiros pontos da parcial seguinte por Jaqueline. Haveria a possibilidade de começar o segundo set com Jaqueline e Garay no passe, e Natália deslocada para a saída de rede, porque Sheilla passou zerada no primeiro. Mas a troca pura e simples de ponteiras estruturou o passe, pôs a oposta no jogo e, de carona, as centrais.

Sheilla, que só pontuou a partir de sua oitava tentativa no ataque, terminou o jogo com 14 anotações e 48% de aproveitamento nas cortadas. Já Thaisa assinalou 12 pontos e Fabiana, com 18, foi a maior anotadora do Brasil na partida – só perdeu para os 19 de Akinradewo. Tudo a partir da mudança do treinador.

A volta de Garay ao jogo no set seguinte, a princípio, poderia trazer de novo instabilidade à linha de recepção brasileira, mas isso não aconteceu. Com mais uma atacante por excelência em quadra, Dani Lins fez o que quis com o bloqueio norte-americano, e a parcial teria sido tranquila, não fosse a inversão do cinco-um.

Com o passe na mão, Dani Lins se destacou na distribuição de bolas na final

Com o passe na mão, Dani Lins se destacou na distribuição de bolas na final

Mais do que a falta de uma oposta de ofício (Tandara está machucada e Gabi, com obrigações no passe, joga improvisada na saída), ficou demonstrada a falta de sintonia entre Roberta e as atacantes, e também se evidenciou a inexperiência da levantadora em jogos decisivos com a seleção. É claro que experiência só se adquire com a prática, mas é complicado recorrer a isso faltando três semanas para a estreia nas Olimpíadas.

(A inversão é uma dor de cabeça assim como a escolha da líbero. A diferença é que, na questão da defensora, sobra qualidade: se Camila Brait foi bem contra a Holanda, Léia deu show na decisão, e é possível que a definição da jogadora para as Olimpíadas só aconteça mais perto dos Jogos. Ou seria possível que as duas – Brait e Léia – estejam no time olímpico e que ter só uma oposta nas finais também tenha sido ensaio de Zé Roberto? Em Pequim, com Sheilla, o plantel da seleção só tinha uma oposta.)

Se, no terceiro set, uma revisão de vídeo salvou uma parcial que ia empatar em 24 a 24, no quarto, o equilíbrio no set não deu margem a corrigir nova inversão ruim. E o jogo foi para o tie break.

O Brasil até desperdiçou contra-ataques no início do set desempate, contudo, foi beneficiado por erros das norte-americanas no passe e nas cortadas. Kimberly Hill, que terminou o jogo com 17 anotações, concedeu ponto em erro de ataque, em toque na rede, sofreu com o bloqueio e foi um ponto fraco no elo do time de Karch Kiraly. As brasileiras rapidamente sumiram no placar e jogo terminou com uma bola de meio de Dani Lins com a capitã Fabiana.

O problema na inversão e os erros de contra-ataque mostram que há o que melhorar no jogo brasileiro até as Olimpíadas. Mas perceber isso num jogo de título conquistado mostra que a margem de crescimento pode ser atingida.

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Sob o comando de Sheilla, Brasil despacha a Rússia em três sets
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Sidrônio Henrique

Sheilla explora o bloqueio russo: oposta teve sua melhor atuação na temporada (fotos: FIVB)

Foi tranquilo, mais fácil do que o esperado e grande parte disso pode ser creditado à fragilidade da linha de passe do adversário, mas houve méritos do lado brasileiro na vitória em sets diretos sobre as arquirrivais russas, com parciais de 25-22, 25-10, 25-21, pelas finais do Grand Prix, em Bangcoc, na Tailândia. Destaque para a oposta Sheilla Castro. O Brasil está na semifinal, que será disputada neste sábado (9), provavelmente contra a Holanda (veja abaixo).

Se na quarta-feira, na vitória por 3-0 sobre a Tailândia, as limitações do oponente davam margem para dúvidas sobre a evolução do time de José Roberto Guimarães, o jogo desta quinta-feira colocou a equipe diante de uma escola com ataque e bloqueio definitivamente superiores aos das tailandesas. Um teste importante, contra uma seleção que está no mesmo grupo do Brasil na Rio 2016, a 30 dias da estreia nas Olimpíadas.

A oposta Sheilla foi o nome da partida diante das russas, maior pontuadora com 14, todos de ataque, onde teve 63,6% de aproveitamento. Foi a melhor atuação da oposta titular do Brasil na temporada. A central Thaisa também se destacou, com 13 pontos, sendo sete no ataque (os mesmos 63,6% de eficiência), quatro no bloqueio e dois no saque. Maior pontuadora da Rússia no jogo e líder em pontos no Grand Prix 2016, a oposta Nataliya Goncharova marcou 12 vezes, com 10 pontos no ataque e uma eficácia de apenas 32,2%, bem marcada pelo bloqueio e a defesa do Brasil. A ponteira Tatiana Kosheleva, principal jogadora russa ao lado de Goncharova, não disputa as finais do GP por causa de dores lombares.

A líbero Léia foi bem mais uma vez no Grand Prix

Equipe pode evoluir
A seleção brasileira foi bem no saque, no passe e na relação bloqueio-defesa, mas ainda há espaço para evolução. O time cometeu erros de execução que não devem ser vistos no próximo mês, no Maracanãzinho, como certos problemas na armação das jogadas. A levantadora Dani Lins teve dificuldade para acertar o tempo de bola das pontas Fernanda Garay e Natália, assim como a pipe com Garay. De qualquer forma, vimos uma equipe mais ajustada do que o Brasil da fase inicial. No rodízio entre as líberos, Zé Roberto optou por Léia, que mais uma vez foi bem, numa briga acirrada pela posição na Rio 2016 com Camila Brait.

Com as duas vitórias, o Brasil ficou em primeiro lugar do grupo. Na outra chave, mais cedo, a Holanda suou para vencer por 3-2 a equipe B da China, depois de ter perdido por 0-3 para os Estados Unidos na estreia. Como dificilmente as americanas serão derrotadas pelas reservas chinesas, nesta sexta-feira (8), é bem provável que a Holanda, do técnico Giovanni Guidetti, seja o adversário do Brasil na semifinal, no sábado. Os EUA, nesse caso, enfrentariam o vencedor de Rússia vs. Tailândia. O SporTV transmite as finais do Grand Prix.

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