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Arquivo : CEV

Ao lado de campeões olímpicos pela Rússia, brasileiro busca título europeu
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João Batista Junior

Marlon (14): há dois meses, reforço do Belgorod (fotos: CEV)

Os playoffs de 12 da Liga dos Campeões masculina começam nesta terça-feira e, com eles, o maior desafio de Marlon desde seu retorno à Europa. Bem diferente de quando jogou no São Bernardo até janeiro deste ano, onde era um veterano dentro de um elenco repleto de calouros, ele agora é o levantador do Belogorie Belgorod, da Rússia, que tenta ocupar o trono do voleibol europeu pela quarta vez – venceu o Europeu em 2003, 2004 e 2014.

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A equipe é das mais qualificadas. Campeão mundial em 2010 com a seleção brasileira, Marlon joga ao lado de nada menos do que quatro campeões olímpicos de Londres 2012: os pontas Taras Khtey e Sergey Tetiukhin, o líbero Obmochaev e o central Dmitry Muserskiy. Seria, em tese, um time para fazer frente a qualquer rival de peso, mas o Belgorod ocupa apenas a quarta posição da superliga russa e, na fase de grupos da Champions League, perdeu metade dos seis jogos que disputou.

O brasileiro, de 39 anos, que já defendeu o Dínamo Krasnodar e também teve passagens no vôlei italiano, se juntou ao time em janeiro e estreou na competição continental na quarta rodada. Desde então, foram duas derrotas no tie break para Perugia e Halkbank e uma vitória por 3 a 1 sobre o Knack Roeselare, da Bélgica.

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Não bastasse a campanha claudicante na temporada, o Belogorod terá pela frente, no mata-mata da Liga dos Campeões, o Zaksa Kedzierzyn-Kozle – líder da PlusLiga (o campeonato polonês), dono de uma campanha de cinco vitórias e 15 pontos em seis partidas na Champions.

O Zaksa conta com um dos melhores levantadores do mundo, o francês Benajmin Toniutti, com o líbero campeão mundial de 2014 pela Polônia, Pawel Zatorski, e atacantes como o ponta Kevin Tillie, titular da seleção da França, o oposto Dawid Konarski e o central Mateusz Bieniek – um dos melhores sacadores da atualidade.

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O jogo 1 entre Belogorie Belgorod e Zaksa Kedzierzyn-Kozle será na quarta-feira, na Rússia, a partir das 13h, pelo horário de Brasília – o site Laola.tv transmite ao vivo. O jogo da volta, na Polônia, será na quarta-feira da próxima semana, dia 22.

Arkas Izmir, de JP Bravo (13) e Mauricio Borges (à direita), terá duelo complicado contra Dínamo Moscou

MAIS BRASILEIROS EM AÇÃO
Noutro dos duelos do mata-mata, o Arkas Spor Izmir, da Turquia, enfrenta o Dínamo Moscou. Com o ponteiro campeão olímpico Mauricio Borges e João Paulo Bravo (ponta que tem atuado como líbero), a equipe turca é a única ainda sobrevivente na competição, além do Belgorod, com jogadores brasileiros no elenco.

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Arkas e Dínamo tiveram campanha parecida na fase de grupos, com quatro vitórias e duas derrotas. Porém, a temporada do time russo é melhor: enquanto os moscovitas são vice-líderes no campeonato nacional, a equipe de Izmir é apenas a quinta colocada na liga turca.

A primeira partida será quinta-feira, na Turquia, às 13h (horário de Brasília), também com transmissão do Laola. O jogo 2 será na Rússia, terça-feira que vem.


Na neve? Variação peculiar do vôlei sonha com Olimpíada de Inverno
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Carolina Canossa

Vôlei na neve exige sapatos com travas, como chuteiras, para ser jogado (Fotos: Divulgação)

Já pensou em ver partidas de vôlei na Olimpíada de Inverno? O que hoje parece apenas um delírio pode se tornar realidade dentro de alguns anos. É que, pouco a pouco, começa a ganhar popularidade uma versão bastante peculiar do esporte que tanto gostamos: duelos realizados na neve.

Modalidade costuma render belas imagens

Surgido de uma brincadeira entre amigos no rigoroso inverno austríaco, o Snow Volleyball deixou de ser um mero entretenimento e vem se profissionalizando ao longo da última década. O primeiro torneio oficial foi ideia de Martin Kaswurm e atualmente está na segunda edição de seu Circuito Europeu, com direito a chancela oficial da Confederação Europeia de Vôlei (CEV, na sigla em inglês) – a organização continua nas mãos de Kaswurm, que ao lado do sócio Veit Manninger fez uma apresentação sobre o novo esporte no último congresso da FIVB (Federação Internacional de Vôlei), em outubro. A expectativa deles é que, já no ano que vem, a entidade ajude a colocar em prática um Circuito Mundial de vôlei na neve.

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Banheiras aquecidas de hidromassagem estão entre os mimos para o público

O vôlei na neve segue os preceitos do vôlei de praia: dois jogadores de cada lado e quadra de 16 m x 8 m, com rede de 2,24 m no feminino e 2,43 m no masculino. A primeira grande diferença está no tipo de calçado usado pelos atletas, que precisam ter travas, como chuteiras, evitar quedas e escorregões. “É só vestir roupas quentes e calçados de futebol. Isso é tudo o que você precisa”, conta o tcheco Robert Kufa, segundo colocado no ranking elaborado pela CEV. “Comparado com o vôlei de praia, é muito mais difícil prever o que o adversário vai fazer, então é preciso tentar fazer uma leitura corporal deles e improvisar”, destacou. Detalhe: apesar das declarações de Kufa, não é tão incomum ver atletas jogando apenas de shorts e camiseta ou até mesmo regata.

Geralmente sediado na área de lazer de estações de esqui de alto padrão, os torneios de vôlei na neve também contam com bastante entretenimento ao redor: no intuito de atrair público, a estrutura muitas vezes possui até banheira aquecida de hidromassagem. O Circuito Europeu 2017 já teve etapas na República Tcheca e, neste fim de semana, realizou seus duelos na Suíça. Estão previstas ainda paradas na Eslovênia, Áustria, Liechtenstein e Itália até abril, aproveitando ao máximo o tempo frio no continente.

Até por falta de lugares adequados para treinar nas condições exigidas pelo Snow Volleyball, o Brasil não deve repetir nesta modalidade o mesmo sucesso que já obteve no indoor e na praia, mas é bem possível que um dia o esporte se torne o primeiro com bola no programa da Olimpíada de Inverno. Por enquanto, destaque para os vídeos e fotos com belas imagens…


Polônia quer reviver a magia e lotar estádio de futebol mais uma vez
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Sidrônio Henrique

Opening ceremony

Recorde mundial em partidas oficiais de vôlei: 62 mil fãs no Estádio Nacional de Varsóvia (fotos: FIVB)

Não há como negar, quando o assunto é promover o vôlei, os poloneses sabem dar o tom. É claro que você, fã da modalidade, não esqueceu a abertura do Mundial masculino 2014, realizada em um estádio de futebol, em Varsóvia, capital da Polônia. O país volta a ser sede de um grande torneio, desta vez o Campeonato Europeu masculino 2017, e mais uma vez o Estádio Nacional de Varsóvia será palco da abertura – de novo o adversário será a Sérvia. A partida está marcada para o dia 24 de agosto, às 20h30 (hora local). O torneio, com a participação de 16 países, segue até 3 de setembro.

Com o aval da Confederação Europeia de Voleibol (CEV), a Federação Polonesa de Vôlei (PZPS) confirmou na semana passada a realização do jogo inicial naquela arena de futebol. No dia 30 de agosto de 2014, 62 mil pessoas lotaram o local para ver a Polônia derrotar a Sérvia por 3-0, no pontapé inicial de uma campanha que culminou com um título mundial que tentavam repetir havia 40 anos. Desta vez, para a abertura do Europeu, a PZPS quer atrair 70 mil pessoas. Para isso serão colocadas mais cadeiras no tablado sobre o gramado.

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O público de 62 mil pessoas é o recorde mundial em uma partida oficial de voleibol. Se levarmos em consideração amistosos, a maior marca é a de 95 mil torcedores no Maracanã, em 26 de julho de 1983, para ver Brasil 3-1 União Soviética – desafio que inspirou os poloneses.

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Fãs poloneses durante a abertura do Campeonato Mundial 2014

In loco
Tive a oportunidade de cobrir o Mundial masculino 2014, inclusive a abertura em Varsóvia, tendo chegado dias antes para acompanhar os preparativos finais para uma partida que fez a Polônia parar quando chegou a tão aguardada data e que, segundo a Federação Internacional de Vôlei (FIVB), foi transmitida para mais de 160 países, nos cinco continentes.

Ao contrário do que se pensa no Brasil, a modalidade não é o esporte número um da Polônia – numa ida a qualquer sports bar nas principais cidades polonesas ou num bate-papo com jornalistas e fãs isso fica evidente. No entanto, embora segundo na preferência, tem um status mais elevado do que aqui, ainda que o artilheiro Robert Lewandowski acumule mais prestígio do que os maiores astros do voleibol juntos.

Giba e Bernardinho
Era comum ver torcedores com a camisa da seleção polonesa mesmo nos dias em que não havia partidas no torneio. A mais popular na época era a do ponta Michal Winiarski. Havia quem vestisse a da seleção brasileira também. Giba, mesmo longe da seleção, seguia (e segue) sendo um semideus na Polônia – sua autobiografia, lançada em 2015, não demorou muito a ser traduzida por lá. Eles reverenciam o técnico Bernardinho, que é bastante famoso no país.

PlayboyPolonia

Mesa redonda sobre vôlei na TV? Lá tem, seja para alguma competição internacional ou para a liga local. Espaço generoso na mídia impressa? Também. Mesmo onde menos se espera. A capa da Playboy polonesa de setembro de 2014 estampou seis cheerleaders e uma bola de voleibol, numa referência ao Mundial. Internamente, além do ensaio fotográfico tendo a modalidade como mote, uma reportagem de 12 páginas sobre os principais técnicos do torneio. Na mesma edição, uma entrevista com o veterano levantador Pawel Zagumny, que fazia parte da seleção. Vai gostar de vôlei assim lá na Polônia…

Pequenos problemas
Três dias antes da abertura, quando cheguei a Varsóvia, o teto retrátil do estádio estava sendo fechado. É que o presidente da FIVB, Ary Graça, não queria correr o risco de ver o espetáculo ser estragado. Em outubro de 2012, uma chuva torrencial impediu a realização de uma partida entre Polônia e Inglaterra pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de Futebol 2014. Nada do teto retrátil funcionar. Para evitar contratempos, a FIVB pediu que fosse acionado antes, reduzindo também a incidência do vento. De qualquer forma, aquele 30 de agosto foi um dia bonito na capital polonesa, com tempo bom e temperatura agradável.

O estádio foi construído para a Eurocopa 2012, principal competição entre seleções de futebol daquele continente. Oficialmente, havia sido entregue em novembro de 2011, mas no dia da abertura do torneio, em junho de 2012, as emissoras de TV flagraram operários concluindo a calçada e houve várias reclamações sobre problemas de acabamento na parte interna.

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Dois anos depois, às vésperas da abertura do Campeonato Mundial de Voleibol, havia elevadores que não funcionavam e alguns assentos apresentavam problemas, mas nada que estragasse a festa polonesa.

Cinco horas antes da partida havia um engarrafamento monstruoso nas imediações do estádio, mas o acesso foi relativamente tranquilo. A imprensa já havia feito um tour na arena dois dias antes, então o bate-cabeça dos voluntários não atrapalhou quem estava ali para trabalhar.

Emoção
O hino nacional polonês cantado à capela (veja clipe acima) no Estádio Nacional de Varsóvia foi um dos momentos mais emocionantes do torneio. Não que o hino executado daquela forma fosse novidade entre os poloneses, é uma tradição da torcida. Mas daquela vez, devido às dimensões do local do jogo, em um esporte geralmente confinado a espaços com capacidade para 15 mil pessoas ou menos, foi marcante. A multidão, vestida de vermelho e branco (as cores do país), quase fez desaparecer a equipe sérvia, que ofereceu pouca resistência na partida logo em seguida.

De técnico novo, o italiano Ferdinando De Giorgi, anunciado há 10 dias, a Polônia tem lá suas chances no Europeu 2017, mas o cenário é outro. Em 2014, sob o comando do então novato treinador francês Stéphane Antiga, a Polônia levou o título do Mundial. Contou com inúmeras contusões de brasileiros e russos, favoritos à época, além de manobras de bastidores e o providencial empurrão dos seus apaixonados fãs.

O presidente da PZPS, Jacek Kasprzyk, ao lado do técnico Ferdinando De Giorgi (foto: PZPS)

Caminho difícil
Desta vez, se tudo ocorrer em condições normais de temperatura e pressão, a Polônia deverá ter problemas ao longo do caminho, caso encontre, por exemplo, italianos, franceses e russos. No Europeu 2015, a equipe foi eliminada nas quartas de final pela surpreendente Eslovênia, que acabaria como vice-campeã, atrás da França.

Até mesmo a abertura, descontado o espetáculo, deverá ter outra toada. Claro que a atmosfera favorece amplamente ao time da casa, mas a Sérvia do técnico Nikola Grbic é mais ajustada e forte ofensivamente do que o time armado por Igor Kolakovic em agosto de 2014. É óbvio que é preciso esperar para ver o que o novo treinador da Polônia tem a oferecer.

Em entrevista na sede da PZPS, na semana passada, De Giorgi disse que pretende utilizar a Liga Mundial 2017 como preparação, com foco no Europeu. Com quatro grupos distribuídos em quatro cidades, além da abertura em Varsóvia, o torneio terá suas finais na Tauron Arena, em Cracóvia, que recebeu a fase decisiva da Liga Mundial 2016 com um público decepcionante. Num ginásio com capacidade para 15 mil pessoas, a média de público ficou em torno de 4 mil na reta final da competição. Vale ressaltar, porém, que o preço dos ingressos para a final podia chegar a 1.000 zloty, o equivalente a R$ 820 pela cotação da época, valor que já seria absurdo aqui, mais ainda para os padrões poloneses. A PZPS afirmou que os preços serão acessíveis no Europeu 2017.

Fan zone in front of Spodek hall before Final match

Fan Zone na final do Mundial 2014: 50 mil torcedores reunidos

Campeões na promoção do vôlei
Desde já, os poloneses são vitoriosos em um aspecto: na promoção do vôlei. Tendo tido a chance de cobrir eventos em países onde o voleibol desperta paixão, como a China e o Peru, não vi nada que se compare a devoção dos poloneses. Há tropeços, como a já citada Liga Mundial 2016, mas quase sempre torneios de vôlei são um sucesso por lá. Imagine 50 mil pessoas concentradas numa fan zone, ao lado da Spodek Arena, em Katowice, acompanhando a final do Mundial 2014, enquanto outros 12 mil enchiam o velho ginásio. Na primeira fase, o espaço para os fãs na cidade de Breslávia chegou a contar com a presença de 70 mil torcedores no dia da vitória polonesa em sets diretos sobre os argentinos.

Durante o Campeonato Mundial, o técnico dos EUA, John Speraw, admitiu que a empolgação da torcida polonesa foi capaz de, pela primeira vez em sua carreira, quebrar sua concentração, fazê-lo parar de prestar atenção na partida e observar o público, mesmo que por alguns instantes. Ele definiu a atmosfera nos ginásios como “uma experiência única”. O diretor executivo da USA Volleyball, Doug Beal, disse no mesmo evento que nada no mundo se comparava ao que a Polônia faz para promover o esporte.

Até os sorteios dos grupos, tanto do Mundial quanto do Campeonato Europeu, foram eventos de gala, dando ao vôlei uma grandiosidade rara de se ver. Sim, os poloneses amam o vôlei e fazem dele algo relevante. Que isso sirva de exemplo.

(No vídeo abaixo, torcedores poloneses imitam o árbitro principal durante uma partida da Liga Mundial 2016.)


Embaixador russo assassinado é homenageado em jogo da Liga dos Campeões
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João Batista Junior

BBSK e Dínamo posam juntos antes do jogo pela Liga dos Campeões (foto: CEV)

Istanbul BBSK e Dínamo Moscou posam juntos antes do jogo pela Liga dos Campeões (foto: CEV)

Quando Istanbul BBSK e Dínamo Moscou entraram em quadra, em Istambul, nessa quarta-feira, pela Liga dos Campeões masculina da Europa, o clima para a partida era de consternação. A vitória dos visitantes por 3 sets a 1 (19-25, 25-18, 25-18, 25-22) foi relevante para o campeonato, já que os moscovitas chegaram a seis pontos na tabela do grupo A e mantiveram o time da casa ainda sem nenhum ponto conquistado, mas isso ficou em segundo plano: em solidariedade ao embaixador da Rússia na Turquia, Andrei Karlov, assassinado na última segunda-feira em Ancara, os atletas das duas equipes posaram juntos para a foto – note o time anfitrião com uma camisa estampando uma fotografia do diplomata.

O atentado lembrou ao mundo que as relações entre os dois países, até bem pouco tempo, andaram estremecidas.

Foto icônica do assassino ao lado do embaixador russo (Burhan Ozbilici/AP)

Foto icônica do assassino ao lado do embaixador russo (Burhan Ozbilici/AP)

Em 24 de novembro do ano passado, durante uma ofensiva militar na Síria contra os terroristas do Estado Islâmico e contra os rebeldes descontes com o ditador Bashar al-Assad, um caça russo foi abatido pela Turquia perto da fronteira síria. O governo turco alegou que o ataque foi para defender seu espaço aéreo, que havia sido invadido, enquanto Moscou retrucou que o avião e o piloto não ofereciam risco aos agressores – o presidente Vladimir Putin até chegou a usar o termo “facada nas costas”.

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O reflexo no vôlei da crise diplomática foi observado quase de imediato. Pela Liga dos Campeões, na semana seguinte à derrubada do avião, duas partidas entre equipes turcas e russas, marcadas para a Turquia, foram vencidas pelo time da casa por WO: por recomendação da Federação Russa de Vôlei, o Belogorie Belgorod não foi a Izmir enfrentar o Arkas Spor, e perdeu por 3 sets a 0 (25-0, 25-0, 25-0), o mesmo ocorrendo ao Dínamo Moscou contra o Ziraat Bankasi Ankara.

Depois disso, porém, a situação (ao menos, no âmbito do vôlei) voltou a uma certa normalidade. Não houve outras partidas definidas por WO – inclusive, duas semanas após, o Zenit Kazan enfrentou o Halkbank, na Turquia, pelo torneio continental – e a seleção russa feminina até disputou o Pré-Olímpico Europeu em Ancara, em janeiro deste ano. Houve ainda, no entanto, um senão.

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O último reflexo no voleibol da tensão entre os dois países ocorreu em 29 de março, no jogo 1 da final da Copa CEV feminina, entre Galatasaray e Dínamo Krasnodar, em Istambul. Tendo de acompanhar o jogo da arquibancada, por estar contundida, a ponteira da seleção russa Tatiana Kosheleva, então no Krasnodar, usou as redes sociais para dizer que ela e suas companheiras haviam sido hostilizadas durante a partida. A jogadora relatou que torcedores locais chegaram a jogar lixo nas atletas do Dínamo e que o treinador adversário, Ataman Guneyligil, havia mostrado o dedo médio para ela e para a comissão técnica da equipe russa.

Istanbul BBSK: camisa com fotografia do embaixador russo no aquecimento (CEV)

Istanbul BBSK: camisa com fotografia do embaixador russo no aquecimento (CEV)

(Apesar de o Kremlin haver cogitado intervir no assunto, o incidente entre Galatasaray e Dínamo Krasnodar não ganhou contornos mais dramáticos, e a própria Kosheleva, atualmente, joga no vôlei turco, defendendo o Eczacibasi VitrA.)

No decorrer deste ano, os dois governos voltaram a se aproximar. Há poucos dias, até traçaram um plano conjunto para retirar os civis da linha de fogo dos combates em Aleppo, na Síria – cidade mencionada pelo assassino do embaixador durante o ataque, segundo relato das testemunhas. Nesse aspecto, além do gesto solidário, os jogadores do Istanbul BBSK e do Dínamo Moscou também protagonizaram, voluntária ou involuntariamente, um ato de repercussão diplomática.


Franceses e russas lideram ranking europeu de seleções
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Sidrônio Henrique

 

France celebrate after video confirmation point

Equipe francesa está na ponta na classificação das seleções da Europa, segundo a CEV (fotos: FIVB)

França e Rússia lideram o ranking europeu de seleções masculino e feminino, respectivamente. Levando em consideração grandes torneios, com exceção das Olimpíadas, a Confederação Europeia de Vôlei (CEV) divulgou a classificação continental nesta segunda-feira (3). O ranking tem como referência as duas últimas edições do Campeonato Europeu, disputado a cada dois anos, a última edição da Liga Europeia (espécie de segunda divisão), a Liga Mundial ou Grand Prix mais recente e o último Campeonato Mundial, incluindo as eliminatórias. A CEV explica que os Jogos Olímpicos não são considerados porque nem todos os países do continente participam do qualificatório.

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O ranking anterior havia sido divulgado há um ano, após a disputa do Europeu 2015. O time masculino francês, do ponta Earvin N’gapeth, estava em sexto lugar há 12 meses e subiu cinco posições desta vez. A seleção francesa é a atual campeã europeia, além de bronze na Liga Mundial mais recente e quarta colocada no Mundial 2014. Italianos e russos, que antes dividiam a liderança, agora estão, pela ordem, em segundo e terceiro lugares. A Sérvia, campeã da Liga Mundial 2016, permanece em terceiro lugar, num empate com a Rússia. Atual campeã mundial, a Polônia, que ocupava o quarto posto ao lado dos sérvios, caiu uma posição e está em quinto.

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Entre as mulheres não houve alteração em três posições no top 5. Rússia e Sérvia permanecem onde estavam, como líder e vice-líder na classificação. As russas venceram as duas últimas edições do Campeonato Europeu. A Alemanha subiu duas posições e agora é terceira, empatada com a Itália, que já ocupava esse lugar no ranking anterior. A Holanda subiu um posto e chegou ao quinto lugar, mesma posição ocupada pela Turquia, que caiu uma colocação. O top 5 reúne assim seis equipes, com empates na terceira e na quinta posição.

Invictas no Rio, as russas encaram as brasileiras na noite deste domingo (fotos: FiVB)

Vencedora das duas últimas edições do Europeu, Rússia lidera ranking

Lista da FIVB
O ranking da CEV, que não corresponde à classificação das seleções europeias na lista da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), é utilizado, por exemplo, no chaveamento das competições continentais. Atualmente, no ranking mundial masculino, a melhor seleção europeia classificada é a Polônia, em segundo lugar, seguida pela Itália em quarto e a Rússia em quinto. A França, eliminada precocemente na Rio 2016, ocupa a nona posição, enquanto a Sérvia, que sequer se classificou para as Olimpíadas, é a décima colocada.

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Na classificação das seleções femininas pela FIVB, a melhor seleção da Europa é a Sérvia, em terceiro lugar. A Rússia vem em quinto, a Holanda em sétimo, a Itália em oitavo, Turquia em décimo segundo e a Alemanha fica no décimo terceiro posto.

Os rankings masculino e feminino mais recentes da FIVB foram divulgados em 22 de agosto, um dia depois do encerramento da Rio 2016. A listagem da Federação Internacional leva em consideração as edições mais recentes dos Jogos Olímpicos, Liga Mundial ou Grand Prix, Copa do Mundo e Campeonato Mundial.


Ética no vôlei: nova vítima suscita uma velha questão
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Sidrônio Henrique

A seleção da Macedônia fez sua parte, mas acabou prejudicada por um resultado alheio (foto: CEV)

A Macedônia chegou perto da repescagem para o Campeonato Europeu Masculino 2017, que será realizado no final de agosto e início de setembro na Polônia. Os macedônios fizeram sua parte ao vencerem a Romênia por 3-1 na última rodada do grupo F das eliminatórias, disputadas em dois quadrangulares. Mas na partida de fundo, já classificada para o Europeu, a então invicta República Tcheca colocou apenas reservas em quadra e perdeu em sets diretos para a Estônia. Resultado: os estonianos terão mais uma chance e vão para a repescagem, decidindo a vaga no torneio continental em dois confrontos, de ida e volta, contra a Letônia, que vem da chave D. À Macedônia restou reclamar. E foi o que fez, mas sem ter eco.

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A seleção tcheca havia ganhado seus cinco jogos anteriores com relativa facilidade – no duelo contra a Estônia no primeiro quadrangular não permitiu que o adversário ultrapassasse os 20 pontos no set mais disputado. A atitude da comissão técnica da República Tcheca suscita a velha discussão sobre ética no esporte, algo que volta e meia ocorre no voleibol, quando times colocam reservas em quadra para partidas que pouco ou nada lhe importam, mas que afetam terceiros, ou até jogam para perder, de olho em situação vantajosa mais adiante.

O oposto Théo Lopes foi levantador na infame derrota contra a Bulgária no Mundial 2010 (foto: FIVB)

Mundial 2010
A polêmica já envolveu diversas seleções, inclusive o Brasil. No Mundial 2010, com ambos já classificados, a seleção brasileira perdeu de propósito para a Bulgária na segunda fase para pegar adversários mais fáceis na terceira. Não que os búlgaros tivessem entrado em quadra com disposição para vencer, como admitiu mais tarde o oposto Tsvetan Sokolov, na época reserva, mas os brasileiros se arrastavam. Cinco anos depois, ao lançar sua biografia, o ponteiro Giba confirmou a marmelada. “Vamos parar de demagogia, se entregou ou não. Todo mundo viu. Mas briguem com o regulamento, não briguem com a gente”, disse o ex-craque, em 2015, no lançamento do livro Giba Neles, no qual aborda o episódio.

O regulamento havia sido feito claramente para beneficiar o país-sede, no caso a Itália, que terminou em quarto lugar. Além do Brasil, outras seleções entregaram algumas partidas, mas a equipe comandada por Bernardinho, que acabaria conquistando seu terceiro título mundial consecutivo, foi a mais visada, até pelo status do time no cenário internacional.

EUA vs. França na Liga Mundial 2015: jogo de compadres impediu o Brasil de avançar à semifinal da competição (foto: FIVB)

Liga Mundial 2015
A fórmula torta acabou sendo sepultada pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB). Entretanto, o formato de outros torneios não impediu que a pantomima continuasse. Na Liga Mundial 2015 o Brasil foi vítima, mas sem choro. Depois de perder para a França na estreia da fase final e de vencer os Estados Unidos, ambos por 3-1, no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, a seleção brasileira viu americanos e franceses encaixarem o único resultado que interessava a ambos, com saldo de pontos que desclassificava o Brasil – o jogo terminou 3-1 para os EUA, com direito a erros bisonhos da França no quarto set.

Pré-Olímpico 2012
No vôlei feminino houve polêmica no Pré-Olímpico Mundial 2012. Antes da última partida do torneio, entre Sérvia e Japão, três equipes estavam na expectativa pelas duas últimas vagas para os Jogos de Londres. Além das duas acima, a Tailândia também ficou de olho no placar. O jogo teve cara de armação, terminando em um 3-2 a favor das sérvias sobre as japonesas, único resultado que classificava ambas, para azar das tailandesas, que reclamaram em vão.

Macedonian VF

Carta
Numa carta (clique na imagem ao lado para ampliá-la) ao polonês Wojciech Czayka, presidente da Comissão Organizadora Esportiva Europeia (ESOC), integrante da Confederação Europeia de Vôlei (CEV), o presidente da Federação Macedônia de Vôlei, Petar Jovanovski, ressaltou que a seleção do seu país que competia naquele qualificatório representava mais de 10 anos de investimento. “Pedimos que vocês façam algo em relação a essa quebra das regras, de forma que não volte a acontecer e afete a imagem do voleibol como um esporte limpo”, afirmou Jovanovski na carta também assinada pelo secretário-geral da Federação, Zoran Karanovic. A CEV não se manifestou até agora.

VENEZUELA RECLAMA APÓS EXCLUSÃO DO GP
A Federação Venezuelana de Voleibol (FVV) estava certa de que sua seleção feminina finalmente estrearia no Grand Prix no ano que vem. O time conquistou um lugar na terceira divisão do torneio ao derrotar o Peru por 3-1 durante a Copa Pan-Americana 2016, disputada na República Dominicana em julho – a Venezuela teria garantido a vaga como um dos três melhores sul-americanos na competição, além de Argentina e Colômbia. “Quando o sorteio dos grupos (do GP) foi realizado, nós vimos que a nossa equipe havia sido excluída do torneio”, afirmou a presidente da FVV, Judith Rodriguez, numa correspondência dirigida à FIVB. A dirigente disse que vai brigar pelos direitos do time.

Seleção da Venezuela ganhou, mas não levou (foto: Norceca)

Curiosamente, quatro seleções passarão a integrar a terceira divisão (ou grupo 3, como chama a FIVB) do GP em 2017: Trinidad e Tobago (outra equipe que terminou abaixo da Venezuela na Copa Pan-Americana, porém entrou na cota da Norceca), Camarões, Azerbaijão e Hungria. Mas as venezuelanas não foram contempladas, apesar de ter sido divulgado em julho deste ano que haviam conquistado a vaga. A própria imprensa peruana, após a derrota de sua seleção, noticiou a classificação venezuelana ao GP. O Saída de Rede procurou a Federação Internacional, por meio da sua assessoria no Brasil, para que fosse explicada a ausência da Venezuela, mas não obteve resposta.


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