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Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Moreno: primeiro ídolo surgiu antes do boom do vôlei no Brasil
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Sidrônio Henrique

Antes de amistoso contra a China, em Santo André (SP), em 1978, Moreno recebe homenagem pela partida de número 300 pela seleção. Chegaria a 366 jogos (fotos: arquivo pessoal)

Antes de Giba, Marcelo Negrão, Wallace, Renan Dal Zotto, entre tantos outros ídolos numa lista bem extensa, o vôlei brasileiro teve Antônio Carlos Moreno. Você não o conhece? Pois saiba que, apesar da falta de memória do brasileiro ser cruel com ídolos do passado, ele é respeitado no mundo inteiro, a ponto do americano Doug Beal, referência internacional, dizer que ele merece um lugar no Hall da Fama e do japonês Yasutaka Matsudaira, melhor técnico do século XX, levá-lo duas vezes para o Japão e apresentá-lo como “meu filho brasileiro”.

Moreno era conhecido no Brasil nos anos 1970, muito antes do voleibol conquistar o status que tem atualmente. Era 1979 e o comercial da marca de artigos esportivos Topper anunciava o nome dos craques de quatro modalidades que apareciam no vídeo. Entre eles lá estava Moreno, então a cara do voleibol no país, dando um peixinho e depois atacando.

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Ainda faltavam três anos para o boom do vôlei no Brasil, elevado à condição de segundo esporte nacional pela geração de prata, da qual muitos atletas tiveram Antônio Carlos Moreno como modelo. Mas antes mesmo da explosão da modalidade, comerciais em rede nacional, convites de equipes do exterior, o respeito dos adversários e o carinho dos fãs faziam parte da vida dele. Isso numa época em que o voleibol quase não era visto na TV, longe de rivalizar com o basquete.

Versatilidade
Num período em que o vôlei era bem diferente daquele praticado hoje, Moreno fez de tudo: entrada, saída, meio. “Até levantador eu fui”, disse ao Saída de Rede o ex-jogador de 68 anos. Foi ponteiro a maior parte do tempo. Destro, aprendeu a atacar também com a esquerda, depois de uma lesão na mão direita que quase o tirou do Mundial 1974. Com 1,92m, era alto para os padrões da época.

Qualquer garoto que jogasse ou pensasse em jogar vôlei no Brasil nos anos 1970 queria ser o Moreno”, contou ao SdR Marcos Kwiek, técnico do Genter Vôlei Bauru, da seleção feminina da República Dominicana e ex-atleta do antigo ponta no clube Hebraica, em São Paulo. Antônio Carlos Moreno começou na seleção brasileira adulta com apenas 17 anos, em 1965, e se despediu dela aos 32, em 1980, sempre como titular – foi capitão de 1972 a 1980. Participou de 366 partidas internacionais, incluindo quatro Jogos Olímpicos, quatro Campeonatos Mundiais e quatro Jogos Pan-Americanos.

Moreno (camisa 5) antes de amistoso da seleção em São Paulo como preparação para o Pan 1971, em Cali, Colômbia

Filho único, nascido em Santo André (SP), em 11 de junho de 1948, Moreno descobriu a modalidade aos 11 anos, em 1959, no Instituto de Educação Dr. Américo Brasiliense, na sua cidade. No ano seguinte, começou a praticar o voleibol de forma competitiva no Clube Atlético Aramaçan, também em Santo André, onde vive até hoje.

Após chegar à seleção e se firmar como titular, com o aval dos veteranos, o garoto Antônio Carlos Moreno foi para o seu primeiro Mundial já ano seguinte, em 1966, na antiga Tchecoslováquia. Dois anos depois, aos 20, a maior emoção da sua carreira, a primeira Olimpíada. O Brasil ficou em um modesto nono lugar entre dez participantes na Cidade do México 1968. A qualidade técnica da nova geração alimentava o sonho de dias melhores para a modalidade no país, mas a falta de estrutura, em meio a uma gestão amadora, atrasou o desenvolvimento do voleibol brasileiro em uma década. “Íamos para torneios no exterior sem saber, por exemplo, o que era saque flutuante ou bloqueio ofensivo e aprendíamos durante as competições. Quase não havia intercâmbio”, comentou o craque.

Oportunidade no Japão
Mesmo muito jovem, Moreno chamava a atenção dos adversários. Na Copa do Mundo 1969, disputada na extinta Alemanha Oriental, caiu nas graças do treinador japonês Yasutaka Matsudaira, que estruturava a seleção que encantaria o mundo três anos mais tarde com seu jogo rápido, na Olimpíada de Munique, em 1972. Matsudaira foi escolhido pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB), em 2000, como o melhor técnico de equipes masculinas do século XX. No final dos anos 1960, nasceu entre ele e Moreno uma amizade que duraria até o falecimento do japonês em 2011.

Foto de uma revista especializada japonesa em nota sobre a chegada de Moreno ao país, em 1972. Ao lado dele, o técnico Nobuhiro Imai, que treinou a seleção feminina do Japão

O lendário treinador levaria o brasileiro para jogar na liga do Japão, uma potência na época, em 1972 e em 1977. Os atletas japoneses atuavam sob regime profissional, dedicando-se exclusivamente ao voleibol. Enquanto isso, no Brasil, os clubes treinavam duas horas por dia, quando era possível. A situação mais comum era que os jogadores tivessem empregos tradicionais pela manhã e à tarde, indo para o treino à noite. Os períodos de concentração da seleção brasileira raramente ultrapassavam dois meses e eram interrompidos para que os atletas pudessem atender compromissos nos seus empregos. Alguns acabavam pedindo dispensa para não ficar sem trabalho.

Treinos insuficientes
Moreno recorda que o time que foi a Munique 1972 era tecnicamente muito bom, mas a carga incompleta de treinos e a má sorte no sorteio das chaves (seis times divididos em dois grupos) atrapalharam os brasileiros. A equipe comandada pelo técnico Valderbi Romani caiu no mesmo lado do Japão e da Alemanha Oriental, que seriam ouro e prata, respectivamente. Naquele tempo, os dois primeiros avançavam à semifinal, terceiro e quarto disputavam do quinto ao oitavo lugares, e os dois últimos do nono ao décimo segundo lugar.

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O Brasil terminaria em oitavo em Munique, abatido após uma fase inicial em que jogou de igual para igual com os alemães orientais (veja vídeo no final deste texto) e engrossou dois sets contra o Japão de Matsudaira e do genial Katsutoshi Nekoda, o pai dos levantadores modernos, com seu estilo arrojado. Moreno ficaria amigo também de Nekoda, de quem havia se aproximado em 1969, durante a Copa do Mundo. O armador japonês faleceria em 1983, aos 39 anos, devido a um câncer no estômago.

Moreno (5), aos 17 anos, em 1965, na equipe juvenil do Randi, clube de Santo André (SP)

Ambidestro
Faltavam 37 dias para o Mundial 1974, no México, quando Moreno se acidentou numa porta de vidro e rompeu o tendão do dedo indicador da mão direita. Parecia o sinal vermelho para suas pretensões de ir a seu terceiro Campeonato Mundial, após as edições de 1966 e 1970. O atacante ficou desesperado, mas apostou na recuperação e, para compensar a impossibilidade de utilizar a mão direita, aprendeu a atacar com a esquerda. Foi ao torneio no México. “Era um ataque forte com a esquerda. Não tanto quanto com a direita, mas havia potência”, conta Luiz Eymard, colega de seleção de Moreno e um dos grandes nomes do voleibol brasileiro nos anos 1970.

Nas quadras mexicanas, Antônio Carlos Moreno ficava receoso de machucar ainda mais o dedo lesionado, principalmente na hora de bloquear. “Os cubanos sabiam da lesão e atacavam com força na minha mão direita. Doía uma barbaridade”, mencionou.

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Veio a Olimpíada de Montreal 1976 e o Brasil subiu mais um posto, terminando em sétimo, mas seria a partir do ciclo seguinte que o país daria um salto de qualidade no voleibol masculino. Carlos Arthur Nuzman, atual presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), havia assumido a presidência da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) em 1975. Sob sua gestão, a modalidade cresceu.

Futuro promissor para o vôlei
A seleção masculina, no período 1977-1980, deu seus primeiros passos rumo às medalhas que conquistaria no ciclo 1981-1984. Revelações do início dos anos 1970, como William Carvalho e Bernard Rajzman, somavam-se aos talentos revelados no Mundial Juvenil 1977, como Renan Dal Zotto, Mário Xandó e José Montanaro, entre outros. “Aqueles meninos eram craques, como ficaria evidente mais tarde”, relembrou.

Em peça publicitária da Topper, de 1979, que circulava em revistas. Havia também um comercial na TV

Moreno se mantinha em evidência. Nos Jogos Pan-Americanos 1979 ele foi incluído pela terceira vez consecutiva na seleção do torneio. Conquistou medalha em todas as quatro edições de que participou: três pratas (1967, 1975 e 1979) e um bronze (1971).

Se os Jogos Olímpicos da Cidade do México 1968 ocupam lugar especial na sua memória por terem sido os primeiros, os de Moscou 1980 marcam sua melhor participação numa Olimpíada e também são lembrados com carinho. O quinto lugar, na sua despedida da seleção brasileira, demonstrou que a equipe tinha potencial para um futuro brilhante.

O momento mais marcante foi a virada por 3-2 sobre a Polônia, que chegou à capital russa para defender o título olímpico, comandada pelo atacante Tomasz Wojtowicz, o homem que quatro anos antes havia criado o ataque da linha dos três metros. A Polônia terminaria em quarto lugar em Moscou 1980, mas ainda era um dos melhores times do mundo. Foi a primeira vez que o Brasil derrotou uma potência numa Olimpíada, na sua melhor colocação até ali.

Técnico da seleção
Antônio Carlos Moreno já havia decidido que era hora de deixar a seleção. Queria sair ainda jogando bom voleibol e partir para uma experiência que vinha adiando havia alguns anos: uma temporada na liga italiana. Antes, atendeu a um convite de Nuzman e assumiu interinamente, de agosto a novembro de 1980, o cargo de técnico da seleção, em substituição a Paulo Russo, numa série de partidas contra a França e na Canadian Cup, torneio amistoso em que a seleção brasileira foi vice-campeã, perdendo a final para os Estados Unidos.

“A estrela de Moreno brilha no Palalido”, informa o título do jornal italiano, numa referência ao brasileiro e ao ginásio da partida, em Milão

Cumprido o compromisso com Nuzman, foi para o Gonzaga Milano, uma das principais equipes da Itália, e jogou, com destaque (veja imagem ao lado), por uma temporada, para depois voltar ao Brasil. Despediu-se das quadras em casa, Santo André, pela excepcional equipe da Pirelli, em 1982. Conquistou diversos títulos estaduais, brasileiros e sul-americanos. O amadorismo do voleibol no país o impediu de alçar voos mais altos com a seleção.

Seguiu a carreira de técnico, com a qual vinha flertando desde 1975, nas categorias inferiores. Comandou times grandes, como Pirelli e Banespa, ao longo dos anos 1980, depois de se aposentar como jogador. Suas atividades no ramo empresarial o afastavam às vezes do esporte, mas sempre que podia voltava à beira da quadra. Treinou sua última equipe em 2004, na Hebraica.

Formação profissional
Graduado em administração de empresas, fez mestrado em educação física na Universidade de São Paulo (USP) e especializou-se em gestão esportiva pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Participou da formação de mais de mil treinadores de diversas modalidades. Fala quatro idiomas além do português: espanhol, italiano, inglês e alemão. Quando o repórter diz que soube que ele falava também francês e japonês (servia como intérprete de Matsudaira nas suas viagens ao Brasil), Moreno retruca: “Esses aí eu esqueci, já não falo direito”.

Atualmente, ele trabalha no Instituto Olímpico Brasileiro, departamento do COB voltado à educação de atletas, treinadores e outros profissionais vinculados ao esporte. Na Rio 2016, por exemplo, ele atuou junto a equipes e atletas que conquistaram sete das 19 medalhas obtidas pelo Brasil.

Moreno, a esposa e os seis filhos

Prazer em ajudar
Criado pela mãe – o pai os deixou quando ainda era pequeno –, Moreno diz que aprendeu desde cedo com ela, que trabalhava como telefonista na Prefeitura Municipal de Santo André, a valorizar o aprendizado. “Tenho enorme prazer em auxiliar, contribuir, encorajar pessoas para que se desenvolvam cada dia mais, vencendo barreiras. Ser lembrado nunca foi meu objetivo, mas o reconhecimento de alunos, atletas, profissionais de diversas áreas e níveis é a minha grande recompensa”.

Moreno é casado com Selma e tem seis filhos – dois deles são técnicos de vôlei em universidades americanas. Até o final do ano nascerá seu oitavo neto.

Mesmo não tendo nenhuma medalha como atleta pelo Brasil numa competição global e sendo de um país de memória curta, Antônio Carlos Moreno tem lugar entre os grandes da história do vôlei. Estava à frente do seu tempo e foi peça essencial na evolução de uma modalidade que hoje coleciona títulos para o Brasil. Um exemplo para quem teve a chance de conviver com ele. Nas palavras do atacante José Montanaro, expoente da geração de prata, “Moreno foi um mestre dentro e fora das quadras”.

(Veja abaixo trecho de uma partida em Munique 1972 entre Brasil e Alemanha Oriental, equipe campeã mundial e que ficaria com a prata naqueles Jogos Olímpicos. Moreno é o camisa 5.)

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HISTÓRIAS DE ANTÔNIO CARLOS MORENO

Vendedor de café
Era 1966, ele tinha 18 anos e embarcava para o seu primeiro Campeonato Mundial, na extinta Tchecoslováquia. Começava a trabalhar e estudar, não tinha grana. Queria comprar presentes, material esportivo e teve uma ideia ao descobrir que o café brasileiro era artigo raro, cobiçado e obviamente caro no leste europeu. Avisou aos colegas. Levou 20 quilos na mala. Os demais levaram o que podiam. O jovem Moreno ficou encarregado de intermediar a venda. Quando chegaram a Pardubice, cidade onde o Brasil jogou a primeira fase do torneio, ele pediu que os colegas lhe entregassem todo o café que tinham. Ficou com 180 quilos em seu quarto. Procurou um funcionário do hotel, que demonstrou interesse no produto. Cobrou 10 vezes o preço que havia pagado no Brasil, o que ainda era metade do valor cobrado na Tchecoslováquia. Vendeu tudo rapidamente, em apenas dois dias. Ele e os companheiros de time compraram presentes para a família, os amigos, além de material esportivo, claro.

Cadê o ginásio?
No curto período de treinamento para a Olimpíada da Cidade do México, em 1968, uma das preocupações da comissão técnica era a altitude da capital mexicana (2.250m). Resolveram que, para se adaptar, a seleção deveria passar um período em Campos do Jordão (1.628m). Chegaram lá, se hospedaram e no dia seguinte iam treinar no ginásio. Que ginásio? A seleção brasileira ficou concentrada em uma cidade que não tinha espaço apropriado para treinamento e ninguém da delegação sabia disso. A solução foi procurar um. Depois de horas e diversos telefonemas, encontraram um local adequado a 30 quilômetros dali.

Imagem icônica do terrorista na varanda do prédio onde estava a delegação israelense em Munique 1972

Testemunha do terror em Munique
Em Munique 1972 houve o ataque de oito terroristas palestinos, da organização Setembro Negro, que resultou na morte de 11 integrantes da delegação israelense. O bloco em que estavam os brasileiros era vizinho ao de Israel. “Ninguém saía da vila olímpica. Sabe aquela imagem famosa em que aparece o terrorista encapuzado? Eu via esse sujeito da nossa janela. E vi também quando houve aquela fila, dos terroristas e dos israelenses, se dirigindo para o ônibus para irem ao aeroporto. Foi o momento mais tenso e mais triste da minha vida esportiva”, contou Moreno.

Almoço com a rainha da Inglaterra
Os Jogos de Montreal 1976 tiveram a visita da rainha da Inglaterra, Elizabeth II – o Canadá faz parte da Comunidade Britânica de Nações. Foi programado um almoço para ela na vila olímpica. Ao saber disso, Moreno decidiu que ia “almoçar com a rainha”. Tratou de descobrir na véspera em que parte do refeitório ela ficaria e chegou uma hora antes na data marcada (não havia jogo nem treino naquele momento), para ficar o mais perto possível. “Havia todo um aparato de segurança, então fiquei um pouquinho longe, mas mesmo assim fiquei de olho nela, almocei olhando para a rainha da Inglaterra. Não é algo comum”, divertiu-se o ex-atleta.

Certificado de participação em Moscou 1980: quinto lugar era a melhor colocação do Brasil

Amizade com Zaytsev e câmbio na vila olímpica
Um das amizades que Moreno fez no mundo do vôlei foi com o levantador soviético Vyacheslav Zaytsev, pai do craque italiano Ivan Zaytsev. Prata em Montreal 1976, conquistaria seu cobiçado ouro em Moscou 1980 (ganharia outra prata em Seul 1988). Sempre que havia tempo, se encontrava com o brasileiro na vila olímpica moscovita. “Éramos muito amigos. Ele queria sempre saber coisas do Brasil e eu da União Soviética. Como era difícil comprar rublos (moeda local), rolava uma ajuda mútua. Eles cobiçavam dólares e a compra lá era restrita. Nós brasileiros precisávamos de rublos. Então nós dois fazíamos essa ponte entre nossas seleções. Eu dava ao Zaytsev dólares e ele vinha com os rublos”.

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O QUE DIZEM SOBRE MORENO

Doug Beal

“Moreno foi um dos maiores atletas que enfrentei. Ele e o Luiz Eymard foram os melhores brasileiros contra quem joguei. Moreno era extremamente inteligente. Se o Brasil tivesse ganhado alguma medalha nos anos 1970, certamente ele estaria no Hall da Fama, ali é o lugar dele. Um jogador completo”. Doug Beal, ex-atleta, ex-técnico dos EUA (ganhou o ouro em Los Angeles 1984) e ex-diretor executivo da USA Volleyball

José Roberto Guimarães

“Antônio Carlos Moreno foi um espelho fantástico, eu procurava fazer o que ele fazia, até no modo de me comportar. Muito jovem, o Moreno já era fluente em inglês e em alemão, uma cabeça extraordinária. Eu tinha 13 anos, morava em Santo André, quando fui jogar nas categorias de base do Randi (clube da cidade que antecedeu a Pirelli). Embora o Moreno tivesse só 19 anos, já era uma referência, era da seleção. Dominava todos os fundamentos, tinha facilidade de jogar, era diferenciado, atacava com os dois braços. Ele teve uma influência muito grande sobre mim”. José Roberto Guimarães, técnico tricampeão olímpico, colega de clube de Moreno e companheiro de seleção de 1973 a 1977

Bernardinho em Moscou 1980

“O Moreno foi uma referência muito importante no voleibol, foi um ícone. Eu comecei a ser convocado para a seleção brasileira em 1978, 1979 e tive minha primeira participação efetiva na Olimpíada de Moscou, em 1980. Ele era o capitão e transmitia pra gente toda a seriedade do trabalho, sua rigidez de valores, a importância de fazer a coisa certa. Ele foi muito importante para aquela geração de jovens talentosos que chegava para transformar o voleibol no Brasil. Tínhamos Renan, Xandó, Amauri, Montanaro e outros. O Moreno era um líder. Inclusive ele foi nosso técnico antes do Bebeto (de Freitas) assumir, nos treinou num torneio amistoso no Canadá, após a Olimpíada de Moscou”. Bernardinho, técnico bicampeão olímpico e tricampeão mundial, integrante da geração de prata e companheiro de seleção de 1978 a 1980

José Montanaro

“Ele era uma referência não só pra gente no Brasil, mas no mundo, numa época em que o voleibol não tinha repercussão aqui no país. Quando fui para a seleção adulta, a partir de 1978, ele era o capitão. Olha, o Moreno era um mestre dentro e fora das quadras, ajudou muito na formação da geração de prata. Foi meu técnico mais tarde no Banespa. É uma pessoa de muito valor. O cara era a eficiência em carne e osso, tinha muito conteúdo, inteligente demais, abria nossos horizontes, excelente em todos os fundamentos e ainda atacava com os dois braços”. José Montanaro, colega de Moreno na seleção de 1978 a 1980, foi prata no Mundial 1982 e na Olimpíada 1984

Carlos Arthur Nuzman

“Antônio Carlos Moreno é um dos grandes nomes da história do voleibol brasileiro. Seu equilíbrio e liderança, dentro e fora das quadras, o fizeram um grande capitão da seleção. Respeitado por todos, foi um dos atletas que deixou importante legado para a geração de prata. Moreno só fez amigos no voleibol, sempre conduziu sua carreira com elegância, dignidade e competência. Essas mesmas características ele trouxe para sua vida profissional e hoje realiza extraordinário trabalho no COB, ajudando a formar novos gestores para o esporte brasileiro no Instituto Olímpico Brasileiro”. Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, ex-presidente da CBV, ex-atleta da modalidade

Luiz Eymard

“Imagine um cara diferenciado. Era o Moreno. Ele foi minha primeira referência como atleta. Ainda me lembro da primeira competição ao lado dele, o Campeonato Sul-Americano 1967, em Santos. O Moreno é só um ano mais velho do que eu, mas era o modelo a ser seguido. Tinha um jogo refinado, atacava com os dois braços, se antecipava. O Moreno estimulava todo mundo a tentar ser melhor”. Luiz Eymard Zech Coelho, ex-jogador do Minas Tênis Clube e da seleção brasileira

Marcos Kwiek

“Qualquer garoto que jogasse ou pensasse em jogar vôlei no Brasil nos anos 1970 queria ser o Moreno. Ele é um dos maiores ídolos de todos os tempos do voleibol brasileiro. Infelizmente, quase não há material sobre ele, um atleta que foi reconhecido pelo seu jogo no mundo todo. Moreno foi minha inspiração para entrar no esporte, fazer educação física. Uma pessoa do bem. Ele é o cara”. Marcos Kwiek, técnico do Genter Vôlei Bauru, da seleção feminina da República Dominicana e ex-atleta de Moreno no clube Hebraica, em São Paulo


Claudinha se vê mais marcada e faz autocrítica: “Tenho muito a evoluir”
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Sidrônio Henrique

Claudinha durante treino: “No dia em que o passe sai fica difícil para o adversário” (fotos: CBV)

Aos 29 anos, Cláudia Bueno está na segunda temporada consecutiva no Dentil/Praia Clube, de Uberlândia (MG), depois de passar por equipes como o tradicional Minas Tênis Clube, o extinto Amil Campinas, o Sesi, além do próprio Praia ainda na década passada. Mas se no ano passado seu time fez uma campanha muito boa na Superliga e terminou com o vice-campeonato, no período 2016/2017, apesar do terceiro lugar na tabela, tem sido instável, atrapalhado por contusões e com uma linha de passe que não vem facilitando o trabalho de Claudinha. “Um aspecto importante é que estou cada vez mais marcada, mas isso até que é bom, funciona como um desafio para mim. Ainda tenho muito a evoluir”, disse ao Saída de Rede a levantadora de 1,81m.

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Claudinha, que completará 30 anos em setembro, cobra não apenas de si mesma, mas da equipe. “Com o elenco que nós temos, no dia em que o passe realmente sai fica difícil para o adversário. Claro que eu preciso fazer a minha parte e mandar uma bola perfeita para as atacantes”. Porém o clube tem sofrido na recepção. Na rodada mais recente, a oitava do returno, foi a Osasco encarar o Vôlei Nestlé, numa partida que valia a vice-liderança da Superliga, e caiu em sets diretos, com a cubana Daymi Ramirez sendo massacrada no passe.

A levantadora está na segunda temporada com o Dentil/Praia Clube

Com mais três jogos até o final do segundo turno, o Praia recebe neste sábado (4) o ascendente Camponesa/Minas – às 14h10, com transmissão da RedeTV. Depois, ainda em casa, pega o Fluminense. No encerramento do returno vai ao Rio para enfrentar o líder Rexona-Sesc, time que nunca venceu em 22 confrontos oficiais, incluindo a final da Superliga passada, disputada em local neutro, e do recente Sul-Americano de Clubes, no qual o Praia foi anfitrião.

Após 19 rodadas, o Rexona-Sesc soma 53 pontos na classificação, seguido pelo Vôlei Nestlé com 45. O Dentil/Praia Clube tem 43. O Camponesa/Minas está em quarto com 39 e o Genter Vôlei Bauru vem em quinto com 37.

Seleção e Zé Roberto
Com passagem pela seleção brasileira principal em 2013, quando foi reserva, Claudinha jamais voltou a ser convocada. Na temporada 2013/2014 era do Amil Campinas, equipe do treinador da seleção, José Roberto Guimarães, quando a insatisfação dele com seu jogo foi exposta em rede nacional durante um pedido de tempo. No dia 12 de abril de 2014, no terceiro set de uma partida da fase semifinal da Superliga contra o Rexona, no Maracanãzinho, Zé Roberto levou Claudinha para um canto e reclamou do seu desempenho. No áudio captado pela TV, ele aparece chamando a atleta de burra. “Eu tô assumindo a responsabilidade, você não tem força pra isso. Larga de ser burra”, foi a frase do técnico.

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Ela, no entanto, minimiza o ocorrido e afirma que ainda sonha em servir à seleção. “Seria uma consequência do meu trabalho, se o treinador achar que mereço uma chance. Aquele episódio no Amil ocorreu no calor da partida, já aconteceu com vários atletas e vai continuar acontecendo, coisa de jogo mesmo. Hoje compreendo o que ele me pedia naquele momento, algo que não entendia por ser mais nova, por estar pela primeira vez num time grande”, comentou.


Sem forçar, Sada Cruzeiro sobra e chega ao tetracampeonato sul-americano
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Sidrônio Henrique

Time mineiro se impôs por meio do saque, bloqueio e defesa (fotos: Ana Flávia Goulart/Sada Cruzeiro)

Logo que o Campeonato Sul-Americano Masculino de Clubes começou, o colega João Batista Junior, aqui do Saída de Rede, lembrava: ganhar o torneio é quase obrigação dos brasileiros. Mesmo sem colocar muita pressão sobre os adversários ao longo da competição, o Sada Cruzeiro, tricampeão mundial e tetra na Superliga, fez o esperado, conquistou seu quarto título continental e carimbou o passaporte para a disputa do Mundial 2017, em dezembro, na Polônia. Na final, disputada na tarde deste sábado (25), em Montes Claros (MG), a equipe mineira superou o argentino Bolívar por 3-0 (26-24, 25-23, 25-23). As parciais apertadas podem levar a crer num confronto equilibrado, mas o time de Leal, Simon e William Arjona foi nitidamente superior.

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A verdade é que o multicampeão Sada Cruzeiro sobrou, ganhou como e quando quis. Sem jogar na rotação máxima, a equipe brasileira sequer parecia estar numa final. Quando desacelerava, o adversário encostava. No entanto, em várias passagens, o saque dos pontas Leal e Rodriguinho e do central Isac levava os argentinos de volta à realidade. Aliás, foi um ace do ponteiro Filipe que encerrou a partida. O Cruzeiro se impôs por meio da relação entre saque, bloqueio e defesa. Venceu a competição sem perder nenhum set.

Piá, do Bolívar, tem seu ataque amortecido pelo Sada Cruzeiro

O Bolívar, vencedor do torneio em 2010, seis vezes campeão nacional e que fechou a fase de classificação da liga argentina na liderança, tentou complicar a vida do time comandado por Marcelo Mendez variando o saque. Curto, longo, forçado, entre os passadores, na paralela… O serviço argentino incomodou a linha de passe cruzeirense e consequentemente dificultou o trabalho do levantador William em diversos momentos do jogo, mas a superioridade técnica do Sada colocou as coisas nos eixos.

Vindo de uma inesperada batalha em cinco sets diante do anfitrião Montes Claros na semifinal, o Bolívar teve no oposto Thomas Edgar, que foi a Londres 2012, Mundial 2014 e Copa do Mundo 2015 com a seleção da Austrália, sua principal arma. O líbero Alexis González foi outro com atuação destacada. O time, que tem o ponta brasileiro Piá, conta com jogadores com participação em Jogos Olímpicos, como o levantador Demian González, o central Pablo Crer e o líbero Alexis González. O central Max Gauna e o ponta Lucas Ocampo também já atuaram pela seleção argentina. O veterano ponteiro búlgaro Todor Aleksiev foi a Pequim 2008 e Londres 2012 (nesta última a seleção do seu país terminou em quarto lugar), além de participar dos Mundiais 2010 e 2014.

Vôlei Nestlé castiga Ramirez e recupera moral na Superliga

Leal e Edgar foram os maiores pontuadores da decisão, com 15 pontos cada um. Rodriguinho marcou 11 pontos. Leal, ponta cubano naturalizado brasileiro, foi escolhido o melhor jogador da competição, que teve a participação de sete equipes.

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Na disputa do bronze, o argentino UPCN superou os donos da casa por 3-0 (25-22, 25-19, 25-23). A nota negativa do dia ficou por conta do baixo público no ginásio Tancredo Neves, que tem capacidade para 5 mil pessoas, mas recebeu apenas 1,4 mil para a final, com ingresso a R$ 40 num sábado de Carnaval.

Foi o 26º título brasileiro em 31 edições do Sul-Americano de Clubes. As outras cinco conquistas ficaram com os argentinos.


A história diz: ganhar o sul-americano é (quase) obrigação dos brasileiros
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João Batista Junior

Montes Claros e Cruzeiro: peso do favoritismo brasileiro no Sul-Americano (foto: Fredson Souza/MCV)

Disputado desde 1970, o Campeonato Sul-Americano masculino de Clubes, a exemplo da versão feminina, sofreu um longo hiato entre 1993 e 2008. Contudo, diferentemente do torneio das mulheres, em que a queda vertiginosa do vôlei peruano tornou a competição uma mera burocracia para o Brasil preencher o nome de seu representante no Mundial de Clubes da FIVB, a competição entre os homens sempre promete alguma disputa entre brasileiros e argentinos.

Noutras palavras, com Sada Cruzeiro e Montes Claros, pelo Brasil, UPCN e Bolivar, pela Argentina, o título continental deste ano irá para o currículo de um dos quatro – Bohemios (Uruguai), San Martin (Bolívia) e Unilever (Peru) são meros coadjuvantes, verão as semifinais da arquibancada.

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UPCN comemora sul-americano de 2013: única vitória argentina no Brasil (foto: UPCN)

Das 30 edições já realizadas do sul-americano masculino, cinco foram levantadas por equipes argentinas e três dessas conquistas datam de 2009 para cá, na fase, digamos, moderna da competição. O Bolívar foi campeão em 2010, enquanto a UPCN/San Juan venceu em 2013 e 2015 – o primeiro de seus títulos, inclusive, foi conquistado em Belo Horizonte, na única vez em que um time argentino venceu a competição em solo brasileiro.

Antes deles, só o Gimnasia y Esgrima Buenos Aires (não confundir com o de La Plata), em 1974, e o Ferro Carril Oeste, em 1987, haviam levado o troféu para a Argentina. Todos os outros 25 vieram para o Brasil.

DOMÍNIO BRASILEIRO
O primeiro campeão continental foi o Randi Esporte Clube, em 1970, em Assunção. Primeiro clube-empresa do voleibol nacional, o time de Santo André chegou a contar com Antônio Carlos Moreno e foi também a primeira equipe adulta em que jogou o ex-levantador José Roberto Guimarães. O Randi foi um dos precursores da Pirelli, uma das grandes equipes do Brasil da década seguinte.

Jornal do Brasil noticia título da Atlântica e festeja Bernard: “estrela do jogo” (reprodução: Jornal do Brasil)

Ao título do Randi, seguiram-se dois do Botafogo, que ainda venceria mais uma vez, em 1977. O clube carioca tinha no elenco nomes como Carlos Arthur Nuzman e Bebeto de Freitas, e foi quem mais jogadores cedeu à seleção brasileira que disputou os Jogos de Munique 1972.

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Porém, o dominou da primeira década do sul-americano masculino coube, mesmo, ao Club Athletico Paulistano. Entre 1973 e 1980, o clube conquistou cinco títulos e ainda hoje é um dos maiores vencedores da história do torneio – empata com o Banespa.

Na década de 1980, o período mais importante para a popularização do vôlei no Brasil, três equipes de três estados distintos disputavam a supremacia continental: a Pirelli, de São Paulo, foi campeã em 1981 e 1983. O Minas venceu em 1984 e 1985. E a Atlântica, do Rio, conquistou os troféus de 1982 e 1987.

Água mole em pedra dura…

O primeiro título da Atlântica, aliás, foi na única vez que o Rio de Janeiro recebeu o sul-americano. Era uma época, diga-se, em que o vôlei até gozava de boa cobertura da imprensa escrita, e a conquista mereceu uma página inteira do caderno de Esportes do Jornal do Brasil da edição do dia 6 de junho de 1982.

Diante de 2,5 mil espectadores no Maracanãzinho, a Atlântica-Boavista venceu a Pirelli por 3 a 0, com folgadas parciais de 15-6, 15-6, 15-5. O time da casa tinha Bernardinho, Renan Dal Zotto, Marcus Vinícius Freire, Bernard Rajzman (saudado pelo Jornal do Brasil como “a estrela do jogo”, graças ao êxito de seu saque “Jornada nas Estrelas”). Os paulistas tinham William, então levantador titular da seleção, Montanaro.

Bernard e Renan estavam num dia muito inspirado”, reconheceu José Carlos Brunoro, técnico da Pirelli, logo depois da partida.

Com elenco de estrelas, Banespa dominou o vôlei brasileiro no início dos anos 1990 (reprodução: E.C.Banespa)

Depois do período de equilíbrio de forças no Sul-Americano, eis que surgiu o Banespa para conquistar todos os troféus continentais entre 1988 e 1992 – e igualar-se ao Paulistano como maior vencedor da competição. O clube, em 1991. ano em que se sagrou campeão continental batendo a Associação Atlética Frangosul (RS), chegou a reunir nomes como jogadores como Marcelo Negrão, Tande, Maurício, Giovane, Amauri e Montanaro, como se vê na foto do livro “80 anos de história – Esporte Clube Banespa”.

O RETORNO
Com a volta do Mundial de Clubes da FIVB, em 2009, a Confederação Sul-Americana de Vôlei animou-se, novamente, a promover seu torneio. Assim, em outubro daquele ano, Santa Catarina recebeu a competição continental, e o título foi para o time da casa, a Cimed, que dominava o vôlei nacional naquele tempo, com Bruno, Lucão, Éder, Thiago Alves, que entre a temporada 2005/2006 e 2009/2010, conquistou também quatro Superligas.

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Cimed comemora o título sul-americano de 2009 (Guto Kuerten)

Depois da vitória do Bolivar em 2010, foi a vez de o Sesi levantar o troféu, em 2011. Com Wallace Martins, Serginho, Murilo e Rodrigão, o time da Vila Leopoldina venceu o torneio pentagonal que valeu o título sul-americano, batendo a argentina UPCN na última rodada, sem chegar a sofrer 20 pontos em nenhum set na competição.

A partir daí, entre 2012 e 2016, o troféu continental passou a alternar-se entre a estante do Sada Cruzeiro, em 2012, 2014 e 2016, e da UPCN/San Juan, em 2013 e 2015. A notável diferença é que o time cruzeirense, com William, Leal, Wallace, Éder, Isac, Filipe, Serginho, conseguiu, em 2013, um título que jamais havia pertencido a qualquer clube do vôlei masculino sul-americano, o de campeão mundial. Repetiu a dose em 2015 e, já com Simón e Evandro no lugar de Éder e Wallace, conquistou o terceiro título mundial em 2016.


“Sempre estarei à disposição”, diz Jaqueline sobre seleção brasileira
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Sidrônio Henrique

“Se eu não for convocada, OK. Se eu for, vamos lá” (fotos: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

Ela voltou. Ainda longe da forma ideal, como fez questão de ressaltar, mas o suficiente para ser titular no ascendente Camponesa/Minas e disposta a continuar a servir à seleção. “Sempre estarei à disposição. Se eu não for convocada, OK. Se eu for, vamos lá”, disse ao Saída de Rede a ponteira bicampeã olímpica Jaqueline Carvalho Endres. Nem cogite a possibilidade de ela se afastar voluntariamente da seleção. “Vocês querem me aposentar, né?”, brincou com o SdR. Imagina, Jaqueline, a gente sabe que você ainda tem o que oferecer. Que o diga o Minas. Após um primeiro turno opaco na Superliga 2016/2017, está invicto no returno, com a presença da ponta veterana no sexteto principal nas três últimas partidas, além da oposta americana Destinee Hooker disparando mísseis.

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“Faz só um mês que eu estou treinando, é pouco tempo. As meninas estão aí há quatro meses num ritmo bom. O que importa é ajudar a equipe, estou ganhando ritmo aos poucos. Todo mundo me ajudando sempre, eu só tenho a agradecer às meninas. Minha função aqui nem é pontuar, é dar volume de jogo porque o time tem grandes atacantes pra botar a bola no chão. Então tenho plena noção do que vim fazer aqui. Aos pouquinhos a gente vai incomodar, estamos em quarto lugar, estamos evoluindo”, analisou Jaqueline.

Ao lado da líbero Léia, ela tem organizado a linha de passe do Camponesa/Minas

Passe na mão
De fato, embora tenha contribuído pouco no ataque nas três partidas em que foi titular, a ponta de 33 anos foi decisiva no passe. Ao lado da líbero Léia, ela tem coberto a outra ponteira, Rosamaria Montibeller, na linha de recepção. Sobra pouco espaço para Rosamaria, que até bem pouco era oposta, passar – ela migrou da saída para a entrada depois da chegada de Hooker na metade do primeiro turno. Com o duo Jaqueline e Léia, a levantadora Naiane tem conseguido trabalhar com o passe na mão a maior parte do tempo. Assim, acionar as centrais Carol Gattaz e Mara ou ainda as atacantes de extremidade como Rosamaria e Hooker tem sido mais simples.

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Não que Hooker, por exemplo, não seja capaz de se desvencilhar de um paredão triplo, mas é sempre melhor enfrentar um bloqueio quebrado. Eis uma das grandes contribuições de Jaqueline, que se destaca também na defesa, além do bom desempenho no saque e no bloqueio.

Jaqueline chora após eliminação da seleção na Rio 2016 (foto: FIVB)

Título possível
Jaqueline está confiante na equipe, diz que o título é possível. Atualmente, após 18 rodadas de um total de 22, o Minas está em quarto lugar com 36 pontos, seis a menos do que o Vôlei Nestlé, terceiro colocado. Há duas temporadas ela também se juntou ao Minas com a competição em andamento, porém mais cedo, e ajudou o time a chegar às semifinais. “Acredito muito na minha equipe e a gente vai em busca do título. Vamos melhorando, crescendo. A gente vai beliscando adversários contra quem no primeiro turno a gente não foi muito bem”.

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A última vítima foi justamente o Vôlei Nestlé, time de maior orçamento da Superliga feminina. Jogando em Belo Horizonte, diante de 3,2 mil torcedores, o Camponesa/Minas chamou a equipe de Osasco para um rolê e lhe aplicou um 3-0.

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Este ano, em dez partidas, a única derrota da tradicional equipe mineira foi na final da Copa Brasil para o Rexona-Sesc, onze vezes campeão da Superliga e líder desta edição. O time de Bernardinho, que neste sábado (18) conquistou pela quarta vez o Sul-Americano de Clubes, é o favorito para vencer o principal torneio nacional mais uma vez.

A veterana ponteira passou a ser titular na partida contra o Rio do Sul no returno

Ponto fora da curva
Foi o próprio treinador multicampeão quem destacou a importância de Jaqueline, numa entrevista concedida ao SdR em 2016: “No cenário internacional, a Jaqueline é um ponto fora da curva, ela é a principal passadora do voleibol mundial”. Palavras de Bernardo Rezende.

O ano passado não foi dos mais fáceis para a veterana ponteira. Logo após a conquista do 11º título do Grand Prix, menos de um mês antes da Rio 2016, o técnico José Roberto Guimarães informou que Jaqueline não estava totalmente recuperada fisicamente – foi reserva na Olimpíada. Na temporada de clubes 2015/2016 ela havia apresentado alguns problemas físicos e no início da preparação da seleção sofreu uma entorse no joelho esquerdo. Tudo isso, ela garantiu, ficou para trás. “Estou me sentindo muito bem”.

Durante aquecimento, na Arena Minas, em Belo Horizonte

Deixa a vida me levar…
Em relação à seleção, Jaqueline enfatizou que está relaxada. “Eu estou deixando a vida me levar, não pensei em me aposentar da seleção. Quero deixar as coisas acontecerem naturalmente, sem ninguém me incomodar”.

Ela acompanhou ainda a manifestação do marido, Murilo Endres (ponta do Sesi), sobre as restrições para a exibição dos jogos da Superliga em outros meios além da TV. “Acho certo o que o Murilo colocou no Twitter, seria bacana para os patrocinadores essa maior visibilidade. Muitos fãs não podem pagar pela TV fechada, querem acompanhar os jogos e não têm condições. Acho super importante o que ele fez, a forma como se manifestou. A CBV não gostou, mas há outras equipes aderindo a isso. O mais importante é a gente fazer um espetáculo para os fãs assistirem e os patrocinadores terem mais visibilidade”, arrematou Jaqueline.


Rexona confirma favoritismo e conquista quarto título sul-americano
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João Batista Junior

Num jogo de muitos erros, prevaleceu a experiência do Rexona (foto: Tulio Calegari/Dentil Praia)

A vitória do Rexona-Sesc sobre o Dentil/Praia Clube, por 3 a 1 (25-19, 20-25, 25-19, 25-10), neste sábado, em Uberlândia, na final do Campeonato Sul-Americano feminino de Clubes 2017, premiou tanto o componente técnico quanto emocional da equipe carioca. Contou muito a experiência do time dirigido pelo técnico Bernardinho, que, mesmo depois de uma parcial muito ruim, como a segunda, conseguiu manter-se no jogo, aguardando a vez de as adversárias oscilarem.

Foi o terceiro título sul-americano seguido para o clube do Rio de Janeiro, que já venceu a competição quatro vezes e garantiu vaga na disputa do Mundial feminino de Clubes, em maio, no Japão. E foi também a 22ª vitória carioca em 22 jogos nesse confronto, um tabu incômodo para que tanto tem investido na formação de um elenco, como o Praia tem feito.

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O JOGO
Os erros foram uma constante na partida. No set de abertura, o diferencial a favor do time visitante é que ficou mais evidenciada a dificuldade do Praia no passe e de Claudinha para armar contra-ataques. O Rexona, por outro lado, com uma partida correta de Monique e bons momentos da ponteira Anne Buijs, ajustou-se no fim da primeira parcial e saiu em vantagem no marcador.

A situação mudou no segundo set, quando Fabiana cresceu na partida e o bloqueio praiano subiu junto ela, ora efetuando pontos diretos, ora colaborando com o sistema defensivo amortecendo bolas. Enquanto Roberta, pelo lado carioca, ficou sem opções para o levantamento, com Carol bem marcada no meio e as ponteiras pressionadas, as anfitriãs tinham Alix Klineman para atacar bolas altas com eficiência e empatar a partida.

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Com o jogo empatado e o terceiro set indefinido, o lado emocional do Praia foi testado: a arbitragem deixou passar um lance de dois toques de Carol e, de quebra, a reclamação exacerbada das praianas ainda rendeu mais um ponto ao Rexona. Seria injusto, no entanto, colocar na conta do apito a vitória das cariocas nessa parcial, já que o time da casa retomou o equilíbrio no placar e até foi beneficiado por um erro dos árbitros, que não perceberam um desvio no bloqueio de Claudinha num ataque que se perdeu pela linha de fundo.

O mais correto é atribuir a vitória no set que desempatou a partida à melhora na qualidade do saque e da defesa do Rexona. As cariocas tanto diminuíram a velocidade da armação de jogadas do time de Uberlândia, quanto obrigaram as adversárias a atacarem sempre uma bola a mais. Foi desse modo, num momento crucial, que Gabi pontuou num contra-ataque improvável e que Fabiana, na bola seguinte, cometeu um erro numa bola rápida.

Saiba como a Argentina usa a internet em prol dos clubes de vôlei

Uma passagem de Anne Buijs no saque, no quarto set, que foi para o serviço com 3-3 no marcador e deixou em placar em 9-3, mostrou para que estante iria o troféu. Enquanto Fabi parecia multiplicar-se na defesa, Gabi e Monique conseguiam sucesso nas largadas atrás do forte bloqueio praiano. Do outro lado da rede, a equipe da casa estava grogue, nas cordas, vacilante na defesa e sem ataque para responder, e acabou nocauteada pelo melhor time do voleibol feminino do Brasil.


Memória: brasileiras superam provocação peruana para levar título de clubes
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Sidrônio Henrique

Brasileiras comemoram vitória sobre time que era base da forte seleção peruana (fotos: Reprodução/YouTube)

Começa nesta terça-feira (14), em Uberaba e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, a 17ª edição do Campeonato Sul-Americano Feminino de Clubes. Antes mesmo do primeiro saque, o torcedor tem uma certeza: só um desastre evitará uma final brasileira. Alguém duvida que Rexona-Sesc, que ganhou três vezes o torneio, inclusive os dois últimos, e o anfitrião Dentil/Praia Clube decidirão o título? Há um abismo entre as equipes brasileiras e seus adversários sul-americanos. Mas nem sempre foi assim. Se voltarmos aos anos 1980, veremos o domínio do antigo Deportivo Power, time peruano que era a base da forte seleção daquele país. Foram sete finais consecutivas de um clube que fez história na América do Sul. A primeira derrota numa decisão, em 1985, diante da extinta equipe Bradesco, veio após uma partida dramática, de cinco sets, com quase três horas de duração. As peruanas estavam tão certas da vitória que mandaram pintar o troféu com as cores de sua equipe. Deu Brasil! O Saída de Rede conta para você como foi.

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Rosa Garcia era a levantadora do Deportivo Power

Sucesso peruano calcado na escola oriental
Nos anos 1970 e 1980 quem dominava o vôlei feminino sul-americano eram as peruanas. O salto de qualidade do país vizinho ocorreu a partir de 1965, quando chegou por lá o técnico japonês Akira Kato. Sua metodologia de trabalho, com ênfase na defesa, seria a base para o crescimento do voleibol no Peru nos anos seguintes. Já na Olimpíada da Cidade do México, em 1968, ele levou a seleção peruana a um relevante quarto lugar. Em 1974, o sul-coreano Man Bok Park, que havia sido contratado inicialmente como assistente de Kato, assume a seleção e dá continuidade ao desenvolvimento da modalidade naquele país. Técnicos locais, entre eles Carlos Aparício Saldaña e Fernando Aguayo, seguiram a linha dos profissionais orientais, reproduzindo nos clubes a mesma filosofia.

Após a conquista da medalha de prata no Mundial 1982, disputado em casa, o vôlei, que já era popular no Peru, cresceu ainda mais. A empresa de calçados Bata, multinacional de origem tcheca, com boa presença no mercado da América Hispânica, decidiu apostar na modalidade e, utilizando sua marca esportiva Power, montou uma equipe, reunindo várias vice-campeãs mundiais. Era um timaço: Anacé Carrillo, Aurora Heredia, Denisse Fajardo, Gina Torrealva e Rosa Garcia. Mais tarde, outros talentos como Cenaida Uribe, Sonia Ayaucán e Ana Cecilia Aróstegui jogariam pelo Deportivo Power. O técnico da equipe era Fernando Aguayo.

Isabel durante entrevista após a partida

Clubes-empresa impulsionam vôlei no Brasil
No Brasil, o vôlei feminino procurava seguir o bem sucedido modelo adotado pelo masculino. No início da década de 1980, o conceito de equipes profissionais chegou ao país quando a Pirelli, em Santo André (SP), e a Atlântica Boavista (mais tarde Atlântica-Bradesco e finalmente Bradesco), no Rio de Janeiro, formaram grandes times no masculino. Em 1983, a Supergasbrás, do Rio, criou a primeira equipe profissional de voleibol feminino do Brasil. No ano seguinte foi a vez do Bradesco, também na capital fluminense.

Nas duas primeiras edições que o Power disputou do Sul-Americano de Clubes, a de 1983 em Buenos Aires e a de 1984 em Lima, nem o Paulistano nem a Supergasbrás, respectivamente, foram páreo para o clube peruano. O voleibol já era extremamente popular no Brasil. Mas se os homens subiam ao pódio em grandes competições globais, as mulheres ainda integravam o segundo escalão mundial e, nas competições continentais, eram constantemente surradas pelas peruanas.

Heloísa aguarda autorização do árbitro para sacar

Rivalidade acirrada
O Sul-Americano Feminino de Seleções, disputado em Santo André, em 1981, foi um ponto fora da curva. Na final de sempre contra o Peru, a seleção brasileira surpreendeu e venceu por 3-2, empurrada por 4 mil torcedores que chegaram a atirar objetos na quadra, numa atmosfera hostil às visitantes. Foi o primeiro triunfo sobre as arquirrivais desde o Mundial 1970, depois de onze anos sem vencê-las. Era uma longa freguesia.

Já o torneio continental de clubes era visto como algo secundário até o começo daquela década. Muitas vezes as equipes peruanas sequer participavam ou o campeonato nem era realizado. A criação do Deportivo Power, reunindo a nata do voleibol do Peru, e a profissionalização das equipes brasileiras deu outro ar à competição. A partir da edição de 1983 (não houve em 1982) a rivalidade entre os dois países foi levada também para o Sul-Americano de Clubes.

Estrelas peruanas
Bicampeão sul-americano, o Power chegou ao torneio de 1985, em Santiago, Chile, como amplo favorito. Das estrelas da seleção peruana, somente a atacante canhota Cecilia Tait, numa fase de ascensão, não fazia parte do clube. A central Gabriela Perez, revelação infantojuvenil, então prestes a completar 17 anos e ainda sem ser destaque em seu país, também não – ela já havia sido convocada para a seleção adulta, mas era pouco acionada, ganhando espaço nas competições seguintes.

O Bradesco havia derrotado a Supergasbrás na decisão do Campeonato Brasileiro do ano anterior. Na temporada 1985, o clube comandado por Marco Aurélio Motta, assistente de Jorge de Barros na seleção adulta e técnico da juvenil, tinha nomes consagrados como Isabel Salgado (ponta), Heloísa Roese (saída), Helga Sasso (central) e Regina Vilela (ponta). A levantadora era a baixinha e habilidosa Rosita. Jogava ainda no sexteto titular Ana Lúcia Vieira (central).

Troféu pintado
Os demais times – Ferro Carril Oeste (Argentina), Universidad Católica (Chile), Cedros (Paraguai) e Bohemios (Uruguai) – não tinham condições de encarar brasileiras e peruanas. Assim, no dia 9 de junho, Deportivo Power e Bradesco entraram em quadra para definir o campeão. As peruanas, porém, já se sentiam donas do troféu. Estavam tão confiantes que deram um jeito de pintar a taça com as cores do clube. Não se sabe como nem quando fizeram isso, mas o fato é que a provocação irritou as brasileiras, que jogaram muito. Isabel foi quase impecável no ataque (veja trechos do set decisivo no vídeo acima). As parciais da vitória do Bradesco por 3-2 deixam claro o equilíbrio, especialmente no quinto set: 15-13, 13-15, 15-12, 7-15, 17-15.

Desde aquele jogo de 1981, em Santo André, as brasileiras não sabiam o que era superar as estrelas peruanas. A decisão em Santiago não era um jogo entre seleções, mas lavou a alma das craques do Brasil que tinham as peruanas entaladas na garganta. Isabel, por exemplo, não havia podido sentir o gosto de derrotá-las em 1981, pois foi cortada ao lado da levantadora Jacqueline Silva pelo então técnico Ênio Figueiredo, por indisciplina, dois dias antes da final. Aquela em 1985 seria sua única vitória sobre o Peru numa competição adulta.

Gina tenta, em vão, defender um ataque de Isabel

Quem ri por último…
As cores do Deportivo Power foram mantidas na taça pelo Bradesco, que após a vitória ria da arrogância peruana. O troféu foi exibido com orgulho no desembarque da equipe no aeroporto do Galeão, no Rio, no dia 10 de junho.

O Power venceria as três edições seguintes, em 1986, 1987 e 1988, tendo disputado a final contra Pirelli, Transbrasil e Supergasbrás, respectivamente. Caiu em 1989 diante do super time da Sadia, de São Paulo, que contava com a base da seleção brasileira e, ironicamente, o reforço de uma craque peruana, a atacante Cecilia Tait, MVP da Olimpíada de Seul, no ano anterior, quando o Peru ficou com a prata. Já em decadência, o Deportivo Power conquistaria bronze nas edições do Sul-Americano em 1990 e 1992, vendo equipes brasileiras fazerem a final em ambos os casos.

Rexona é o atual campeão sul-americano (Reprodução/Instagram)

Domínio brasileiro
Em diversas temporadas seguintes sequer houve disputa do torneio, que voltou a ser realizado anualmente a partir de 2009. Desde o título da Sadia em 1989, apenas uma vez um clube brasileiro não foi campeão: em 1995, quando nenhuma equipe do Brasil participou e o campeonato foi decidido entre Deportivo Sipesa e Sporting Cristal, ambos peruanos, com vitória do primeiro.

Na edição de 2017, o Peru será representado pelo Universidad San Martín, da ponta/oposta Angela Leyva, principal nome do voleibol peruano nesta década. O clube foi terceiro colocado em 2015 e vice-campeão no ano passado, sempre atrás dos times brasileiros, sem oferecer resistência. Hoje o Brasil goza de ampla superioridade, mas houve um tempo em que vencer o Sul-Americano era uma tarefa heroica.


Praia Clube corre contra o tempo para ajustar seu jogo, diz Alix Klineman
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Sidrônio Henrique

Alix Klineman: “Nós ainda não atingimos o nosso limite, falta ajustar muita coisa” (fotos: CBV)

Maior pontuadora da Superliga 2015/2016, com 455 pontos, a americana Alix Klineman ainda não teve chance nesta temporada de ajudar sua equipe, o Dentil/Praia Clube, de Uberlândia (MG), como gostaria. “Eu me sinto bem, ainda que não esteja 100% fisicamente. Tento ajudar o máximo que posso. O potencial do nosso time é maior este ano, isso é empolgante, mas nós ainda não atingimos o nosso limite, falta ajustar muita coisa, estamos correndo contra o tempo”, afirmou a ponteira ao Saída de Rede.

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Na metade do primeiro turno, Alix sofreu uma luxação no dedo anelar da mão direita e ficou fora das seis últimas rodadas daquela etapa. Sem treinar, perdeu ritmo. Voltou à ativa no returno, mas nesta terça-feira (31) teve outra lesão articular, desta vez no dedo mindinho, novamente na mão direita, e sequer foi relacionada para a partida contra o Rio do Sul – mesmo fora de casa, o time mineiro venceu com facilidade por 3-0.

Com um jogo a mais do que o líder Rexona-Sesc, o Praia Clube está em segundo lugar na tabela da Superliga, com 37 pontos, enquanto as cariocas somam 43.

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Para o período 2016/2017, além de manter Alix, a ponta/oposta cubana Daymi Ramirez e a central campeã olímpica Walewska Oliveira, a equipe de Uberlândia ganhou um reforço de peso: a meio de rede bicampeã olímpica Fabiana Claudino. No entanto, diversas contusões, como as de Alix, Fabiana e Ramirez, têm atrapalhado o time.

A americana sofreu duas lesões esta temporada

Altos e baixos
“Ainda temos muitos altos e baixos, o que compromete nossas atuações. Estamos tentando encontrar um ponto de equilíbrio, um nível de consistência mais elevado, como tínhamos na temporada passada. Discutimos isso bastante entre nós, pois ainda cometemos muitos erros”, avaliou a americana de 27 anos, 1,95m.

Alix Klineman ressaltou também a irritação que o time demonstra em certas situações. “Às vezes nos falta paciência durante os ralis. Temos tantas atacantes boas e queremos decidir logo de cara. Quando a bola não cai, vem a frustração, que compromete a nossa defesa. Temos que cobrir melhor as atacantes, ter calma para decidir os pontos”.

Praia Clube tentará no Sul-Americano quebrar a escrita de nunca ter vencido o Rexona

Sul-Americano
O SdR entrou em contato com o Dentil/Praia Clube para saber sobre a extensão da lesão sofrida pela ponteira americana. Fomos informados que a luxação desta vez não foi tão grave quanto a anterior, mas ainda não sabem se Alix jogará a partida desta sexta-feira (3), em São Paulo, contra o Pinheiros. “Talvez seja melhor poupá-la para a disputa do Campeonato Sul-Americano”, ponderou o supervisor do Praia Clube, Bruno Vilela.

O Sul-Americano Feminino de Clubes será realizado de 14 a 18 de fevereiro, em Uberlândia e Uberaba, no Triângulo Mineiro. Além do Dentil/Praia Clube, o Brasil será representado pelo Rexona-Sesc, que ganhou as duas últimas edições. O vencedor participará do Mundial de Clubes, de 8 a 14 de maio, em Kobe, no Japão. Será um desafio e tanto para o Praia Clube derrotar a equipe comandada por Bernardinho. Em 21 jogos oficiais, o Rexona venceu todos. Com Alix Klineman em forma, o time de Uberlândia teria mais chances de quebrar essa escrita, apesar do amplo favoritismo do atual campeão.


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