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Arquivo : Bruno Rezende

William pede dispensa da seleção, mas quer voltar ainda este ano
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Sidrônio Henrique

Levantador do Sada Cruzeiro, William Arjona foi campeão olímpico na Rio 2016 (fotos: CBV)

William Arjona pediu dispensa da seleção. O levantador do Sada Cruzeiro, campeão olímpico na Rio 2016, contou ao Saída de Rede que pediu ao técnico da seleção, Renan Dal Zotto, para ficar com a família após o encerramento da Superliga 2016/2017. A final do torneio, para a qual o time mineiro está classificado, aguardando a definição do adversário, será no dia 7 de maio, no ginásio Mineirinho, em Belo Horizonte.

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“O Renan falou comigo, disse que queria contar com os campeões olímpicos, mas expliquei a ele que estou há quatro anos sem tirar férias, que preciso de um tempo para ficar com minha família. Eu havia dito a minha mulher (Bruna) que se eles (a família) segurassem a barra de ficar todo aquele período de preparação para a Rio 2016 sem mim, eu compensaria no ano seguinte”, comentou William. O atleta tem dois filhos pequenos: Nina, 3 anos, e Cauã, 2.

Arena da Baixada, em Curitiba, receberá as finais da Liga Mundial 2017

À disposição no segundo semestre
O levantador ressaltou que seu pedido de dispensa foi somente para a convocação para a Liga Mundial. A competição será disputada de 2 de junho a 8 de julho, com as finais na Arena da Baixada (de 4/7 a 8/7), estádio de futebol localizado em Curitiba. “No segundo semestre teremos a Copa dos Campeões e o Sul-Americano, e eu estarei à disposição”, completou.

A ausência do nome do armador do Sada Cruzeiro chamou a atenção numa lista que veio a público na sexta-feira (21), no hotsite da Liga Mundial 2017. Naquela mesma data, o SdR divulgou a informação. Os levantadores na relação de jogadores são Bruno Rezende, do Sesi, Raphael Oliveira, do Funvic Taubaté, e Murilo Radke, do Montes Claros.

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Bruno, na seleção desde meados da década passada, foi campeão mundial em 2010 e olímpico em 2016. Rapha fez seu nome nos tempos áureos do Trentino, da Itália, e foi reserva de Bruno na campanha que culminou com a prata no Mundial 2014. Radke, o menos experiente dos três, vinha sendo chamado pelo ex-treinador Bernardinho e foi titular na seleção B que ficou com a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos 2015, sob o comando de Rubinho.

Renan Dal Zotto foi anunciado como novo técnico da seleção pela CBV em janeiro

“Nem todos serão convocados”
O Saída de Rede questionou a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) se a lista no site da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) corresponde aos convocados para a temporada ou se são apenas inscritos – já houve divergência entre a lista apresentada no site em anos anteriores e a convocação anunciada posteriormente. O supervisor da seleção masculina, Fernando Maroni, informou que a relação “é de pré-inscritos” e que “nem todos serão convocados”. Na noite desta segunda-feira (24), o técnico Renan Dal Zotto confirmou os nomes do central Maurício Souza e do líbero Tiago Brendle, ambos do Brasil Kirin, equipe eliminada na semifinal da Superliga no sábado passado.

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Há poucas caras novas na lista do site da Liga Mundial. Dos 21 relacionados, apenas quatro nunca passaram pela seleção A: o ponta Rodriguinho, do Sada Cruzeiro, o líbero Thales, do Lebes/Gedore/Canoas, o central Otávio, do Funvic Taubaté, e o oposto Rafael Araújo, destaque da liga polonesa pelo MKS Bedzin – os dois últimos foram da seleção B do Pan 2015. Entre os veteranos, um velho conhecido que esteve ausente em convocações recentes, o líbero Mário Júnior, do Taubaté, campeão mundial em 2010 e vice em 2014, que segundo o SdR apurou foi bem avaliado pela comissão técnica. No entanto, o preferido é Tiago Brendle, que desde o final do ciclo passado despontava como sucessor de Serginho, decano da posição que se retirou da seleção após o ouro na Rio 2016, quando foi escolhido MVP.

O nome do líbero Mário Júnior está na lista da Liga Mundial

Quase todos os campeões na Rio 2016 mantidos
Dez dos 12 campeões olímpicos no Rio de Janeiro estão na lista dos 21 pré-inscritos para a Liga Mundial. Somente Serginho e William Arjona não aparecem. Como sede das finais do torneio, o Brasil já está assegurado entre os seis finalistas, ou seja, poderia utilizar a fase de classificação para dar experiência aos mais novos. A cada etapa da Liga Mundial, 14 jogadores podem ser inscritos. Se os dez da Rio 2016 confirmarem presença e forem sempre relacionados, sobra pouco espaço para eventuais novidades.

Os doze atletas convidados por Renan Dal Zotto no dia 10 de abril para treinar em Saquarema (RJ), no centro de treinamento da CBV, estão lá desde domingo (23). Desses, quatro estão na relação do hotsite da Liga Mundial 2017: o levantador Murilo Radke, o líbero Thales e os opostos Rafael Araújo e Renan Buiatti – este último do JF Vôlei.


Bruno e Lucão: a caminho da Itália ou do Sesc
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Sidrônio Henrique

Lucão e Bruno na apresentação do central no Modena em outubro de 2015 (foto: Modena Volley)

Campeões olímpicos e mundiais, juntos eles têm mostrado algumas das combinações de ataque mais eficientes do voleibol – na seleção ou em clubes. Após uma temporada no Sesi, a dupla formada pelo levantador Bruno Rezende e o central Lucas Saatkamp pode desembarcar novamente no Modena, da Itália. Caso as negociações com o clube europeu não deem certo, o destino do duo deve ser o Sesc, que acaba de vencer a Superliga B e, na temporada 2017/2018, disputará a primeira divisão do voleibol brasileiro, apoiado em um dos maiores investimentos da modalidade.

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Os dois são velhos conhecidos do Modena. Ganharam o título italiano pelo clube na temporada 2015/2016. Uma crise que culminou na perda do principal patrocinador forçou a volta de Bruno e Lucão ao Brasil. A decisão foi tomada levando em conta tanto o lado financeiro quanto o pessoal – o levantador estava há duas temporadas fora do Brasil e o central aguardava o nascimento do primeiro filho. Bruno jogou o final do período 2011/2012 no clube europeu e depois retornou para duas temporadas, de 2014 a 2016. Lucão disputou a última. Além do Modena e do Sesi, os dois jogaram juntos nas extintas equipes Cimed e RJX.

Ponta João Rafael reforçará o Sesc (foto: CBV)

O interesse do Modena na dupla já havia sido abordado pela imprensa italiana, mas as negociações só começaram recentemente. O Sesc, do técnico Giovane Gavio, entra como plano B.

Segundo o Saída de Rede apurou, na próxima Superliga o time carioca terá um orçamento inferior apenas ao do Sada Cruzeiro, equipe tricampeã mundial e que busca o pentacampeonato nacional. O clube mineiro investe aproximadamente R$ 13 milhões por temporada.

Alternativa
Caso Bruno e Lucão voltem ao voleibol italiano, o Sesc teria interesse no levantador Thiaguinho, atualmente no Molfetta, da Itália, e no central campeão olímpico Maurício Souza, do Brasil Kirin. Essa seria a alternativa da equipe carioca se não puder contar com os dois que estão no Sesi.

Ponteiro Maurício Borges interessa ao clube carioca (foto: FIVB)

Quem já acertou com o Sesc, faltando apenas assinar o contrato, é o ponteiro João Rafael, também do Molfetta. Ao lado de Thiaguinho e de Maurício Souza, o ponta fez parte da seleção brasileira B que conquistou a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos 2015, em Toronto, Canadá. Tanto o levantador, na sua primeira temporada na Itália, quanto João Rafael, em seu segundo ano como um dos destaques do Molfetta, estão na lista inicial de 12 atletas convocados pelo técnico Renan Dal Zotto.

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Outro ponteiro que despertou o interesse do time do Rio de Janeiro foi mais um integrante daquela seleção B do Pan 2015. É o campeão olímpico Maurício Borges, que está há duas temporadas no Arkas Izmir, da Turquia, sob o comando do técnico canadense Glenn Hoag. Como o treinador quer manter Borges na equipe, ainda não há definição se o ponta fica na Europa ou se volta ao Brasil para o período 2017/2018.

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No vôlei por acaso, central sonha com seleção e é elogiado por Renan
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Sidrônio Henrique

Flávio Gualberto, destaque do Minas, chega a 3,65m no ataque (foto: Orlando Bento/MTC)

O voleibol entrou na vida dele por acaso, mas o mineiro Flávio Gualberto foi aproveitando as oportunidades na modalidade e, quem sabe, pode ganhar uma chance na seleção principal. Seu desempenho tem agradado. “O Flávio já teve uma passagem em 2015 numa seleção B (nos Jogos Pan-Americanos), é um meio de rede rápido, um bom jogador. Ele é um cara que fez uma bela Superliga, jogou de igual para igual com todo mundo, muitas vezes fazendo a diferença”. Quem diz é Renan Dal Zotto, técnico da seleção masculina, numa conversa com o Saída de Rede. É claro que ele não vai divulgar qualquer nome da lista de convocados antes do dia 8 de maio, data do anúncio, mas não resta dúvida que o central do Minas Tênis Clube lhe causou boa impressão.

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Como tantos adolescentes Brasil afora, Flávio gostava mesmo era de futebol. Não era tão alto e, ele garante, jogava bem. Era o maior passatempo na sua cidade natal, a pequena Pimenta, município com pouco menos de 10 mil habitantes, no sudoeste de Minas Gerais, a cerca de 240 quilômetros de Belo Horizonte. Até que, quando tinha 14 anos, faltou um jogador para completar o time de vôlei da escola, para a disputa de um torneio intercolegial. Flávio topou participar. Começava assim sua relação com a modalidade que o levaria para uma das principais equipes do país, que o conduziu às seleções brasileiras nas categorias de base e que hoje o projeta como um nome a ser considerado para a principal.

Renan: “Flávio jogou de igual para igual com todo mundo, muitas vezes fazendo a diferença” (foto: CBV)

“Foi dando tudo certo, eu fui gostando e no final daquele ano o técnico do time levou a mim e a um amigo da escola para uma peneira no Minas Tênis Clube”, conta Flávio ao SdR. Terminava 2007 e, dos 120 meninos testados, somente ele e o amigo, que deixaria o esporte anos depois por causa dos estudos, foram aprovados. Era o início da sua vida em um dos clubes mais tradicionais do Brasil. Em março de 2008 mudou-se para BH, ainda não tinha 15 anos, mas para ajudá-lo havia crescido 12 centímetros no ano anterior. Os técnicos trataram de treiná-lo para ser um meio de rede. No mês passado, completou nove anos de Minas Tênis. “Sou cria do MTC”, afirma com orgulho, ele que encerrou sua terceira temporada como titular.

Destaque
O time fez uma campanha irregular na fase de classificação da Superliga 2016/2017, terminando em sexto lugar na tabela. Nas quartas de final, encarou o Sesi, de Bruno, Lucão, Murilo e Serginho, jogadores consagrados. O Minas teve a primeira partida da série melhor de cinco nas mãos, em plena São Paulo, ao abrir 2-0, mas sucumbiu à pressão. Perdeu as duas seguintes sem oferecer muita resistência e disse adeus à competição. No entanto, independentemente das críticas que possam ser feitas à equipe, jovem na sua maioria, Flávio está entre os nomes que chamaram a atenção.

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O central completa 24 anos este mês e é praticamente unanimidade entre os técnicos da Superliga. É comum ouvir que Flávio é um bloqueador nato, tem bom ataque e que ressaltem sua postura de líder em quadra, impressionante pela idade – é o capitão do Minas. Outro ponto de destaque é sua regularidade: repete boas atuações, se mantém constante.

Flávio é o capitão do Minas (foto: Orlando Bento/MTC)

Timing
A pouca altura para a posição, apenas 2m, é compensada com muita impulsão e timing, no caso do bloqueio – ele raramente queima, quase sempre trabalhando com uma leitura apurada. “Você vê um jogador relativamente baixo como ele parar caras experientes e que sobem bastante como Lucão e Riad, então é porque ele também vai alto e, além disso, tem um tempo de bloqueio muito bom”, observa Nery Tambeiro, técnico do Minas Tênis Clube.

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Eficiente no ataque, Flávio é quem joga na rede de dois, próximo ao levantador, quando este tem menos opções na linha de frente. “Como atacante, ele é muito ágil”, aponta Tambeiro. Há centrais na Superliga que se valem de um ou dois tipos de bola para virar, mas no caso dele o repertório é mais amplo, beneficiado por seu alcance, que conforme o MTC é de 3,65m no ataque, e pela velocidade.

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O saque, ele admite, é o seu pior fundamento. “Não evoluí no viagem e o meu flutuante poderia ser mais agressivo”. Quem já o viu sacar viagem sabe que não há ali a potência de centrais como Lucão, Éder ou Isac. No flutuante, ele não impõe dificuldade para a linha de passe como Maurício Souza, que tem hoje um dos melhores serviços do país. Mas Flávio vem treinando para melhorar nesse aspecto.

Primeiro à direita na fila do meio, Flávio com a seleção sub23 que venceu a Copa Pan-Americana 2015, disputada nos EUA, quando ele foi o melhor bloqueador do torneio (foto: CBV)

Seleção adulta
Sua única passagem pela seleção adulta foi na equipe B que, sob o comando de Rubinho, representou o Brasil nos Jogos Pan-Americanos de 2015, em Toronto, Canadá. Menos experiente, Flávio era reserva em um time que tinha Maurício Souza e Otávio como titulares. “Ir ao Pan foi o máximo, uma tremenda honra representar o país numa competição daquelas”. O Brasil ficou com a medalha de prata, perdendo na final por 2-3 para a equipe A da Argentina. Antes de chegar a esse momento, ele acumulou rodagem, jogando desde o infantojuvenil ao sub23.

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Com o país bem servido de centrais, Flávio Gualberto sabe que precisa ter paciência para chegar à seleção principal. Mesmo com 2m, ele acredita que possa ter uma chance – os dois menores meios de rede do Brasil na Rio 2016, Maurício Souza e Éder, têm 2,05m. “É o sonho de qualquer atleta profissional jogar pela seleção. Eu acho que é uma questão de tempo, mas não fico ansioso esperando a convocação”. Falta menos de um mês para ele descobrir se o sonho se tornará realidade.

ATUALIZAÇÃO ÀS 18H15 – No final da tarde desta segunda-feira (10), o central Flávio e outros 11 atletas foram chamados pelo técnico Renan Dal Zotto para treinar no Centro de Desenvolvimento do Voleibol (CDV), em Saquarema (RJ). O grupo se reunirá no dia 23 de abril. A lista final dos convocados, como informado neste texto, será divulgada no dia 8 de maio – um dia após o encerramento da Superliga masculina.


Em jogo repleto de erros, arbitragem confusa ofusca vitória do Taubaté
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Sidrônio Henrique

Lucarelli voltou a jogar após se recuperar de uma fascite plantar (fotos: Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

Mais uma vez os erros de arbitragem roubaram a cena na Superliga 2016/2017. Na primeira partida da série semifinal entre Funvic Taubaté e Sesi, na noite desta quinta-feira (6), a vitória relativamente tranquila da equipe do oposto Wallace e do ponta Lucarelli ficou em segundo plano por causa das falhas dos juízes, algo recorrente no torneio. Jogando em casa, Taubaté ganhou em sets diretos (25-20, 25-22, 25-21), num confronto repleto de erros. Tanto das equipes, em um jogo de baixo nível técnico, quanto da dupla de arbitragem formada por Anderson Caçador (principal) e Luiz Coutinho de Oliveira (segundo juiz). As semifinais são decididas em melhor de cinco – Sada Cruzeiro e Brasil Kirin começam a outra série neste sábado (8), às 20h30, em Contagem (MG), com transmissão do SporTV.

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No final da primeira parcial, liderada com folga por Taubaté, o ponteiro Alan, do Sesi, foi para o saque e engatou uma boa sequência. No último lance, o ponteiro Murilo atacou, a bola bateu no braço do central adversário Otávio, depois na rede e o Sesi fez a cobertura. Porém, o árbitro Anderson Caçador achou que a bola não havia passado e o set terminou ali, em 25-20. Era pouco provável que o Sesi empatasse, afinal a vantagem era grande, mas o erro foi grosseiro.

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No terceiro set, quando o placar marcava 15-15, outra falha da arbitragem gerou uma forte discussão na rede, que resultou em dois cartões vermelhos: um para Lucarelli e outro para Murilo. Após um ataque do Sesi, o time da casa havia dado quatro toques, o que foi ignorado pela dupla de juízes. Mais adiante, Gérson Amorim, assistente técnico do Sesi, xingou um fiscal de linha e recebeu um cartão vermelho. O time da capital paulista, além de não conseguir engrenar seu jogo, estava visivelmente descontrolado, dentro e fora da quadra.

O Sesi parecia perdido em quadra diante do Taubaté

O último erro dos árbitros sequer foi notado. O oposto Theo atacou, a bola tocou no bloqueio e saiu, mas Caçador deu o ponto para Taubaté, que abriu 24-21. Veja bem, o anfitrião teria 23-22 se o juiz tivesse marcado corretamente.

É inaceitável que a Superliga, um dos campeonatos mais importantes do mundo, ainda não utilize o videocheck. Mesmo com o sistema, erros como a não marcação dos quatro toques não seriam evitados. Mas, de qualquer forma, os demais teriam sido corrigidos.

Lucas Lóh recebeu o troféu Viva Vôlei

Falhas em excesso
Outro aspecto que chamou a atenção foi a quantidade absurda de erros das duas equipes: 32 do Sesi e 28 do Taubaté. Em uma partida de 138 pontos, os erros, fossem de ataque, saque, passe ou alguma infração, resultaram em 43,5% do total. Outro exemplo, para efeito de comparação, é que Taubaté marcou no ataque o mesmo número de pontos em erros cometidos pelo Sesi.

Agora imagine qualquer uma dessas duas equipes, com um desempenho assim, tendo que enfrentar o Sada Cruzeiro jogando em alta rotação. Claro que o tetracampeão da Superliga e tri mundial ainda precisa confirmar seu favoritismo diante do aguerrido Brasil Kirin, mas o baixo nível técnico visto nesta quinta-feira em Taubaté serviu também para evidenciar o quanto o time de Leal, Simon e William é superior aos demais.

Destaques
Pela equipe do Funvic Taubaté, os destaques foram o oposto Wallace, o central Éder, os pontas Lucas Lóh e Lucarelli. Este último, embora pouco acionado pelo levantador Raphael, virou bolas importantes – sete em nove tentativas. Lucarelli volta à ativa depois de se recuperar de um estiramento na planta do pé (fascite plantar) direito. Lóh, que virou apenas seis em 31 no ataque (dados do SporTV, não disponíveis nas estatísticas da CBV), mas teve participação relevante no fundo de quadra, ficou com o troféu Viva Vôlei, inicialmente dado por engano a Lucarelli. O meio de rede Éder fez cinco dos oito pontos de bloqueio do Taubaté (o adversário marcou quatro). Coube a Wallace o melhor desempenho ofensivo na partida, com 13 pontos em 23 cortadas. A pontuação dele, toda em ataques, foi a maior do jogo.

Wallace foi o maior pontuador do jogo, marcou 13 vezes

Do lado do Sesi, vale menção ao ponta reserva Gabriel Vaccari, que começou no banco, substituiu Alan e, mesmo sendo bombardeado pelo saque do Taubaté, seguiu firme na recepção, além de ter sido o maior pontuador da sua equipe – marcou oito vezes. O levantador Bruno foi impreciso na armação várias vezes, fazendo uma partida abaixo da média.

No turno e no returno da Superliga 2016/2017, os duelos entre Taubaté e Sesi também haviam terminado em três sets. O primeiro com vitória para o time da capital e o outro para o do interior. O Funvic Taubaté tem a vantagem de disputar três dos possíveis cinco jogos da semifinal em casa por ter sido segundo colocado na fase de classificação, enquanto o Sesi foi terceiro.

As duas equipes se encontram novamente daqui a oito dias, sábado (15), às 21h30, desta vez no ginásio Lauro Gomes, em São Caetano (SP). É que o espaço do Sesi na Vila Leopoldina, na capital paulista, com apenas 800 lugares, não atende a uma exigência da competição para partidas a partir das semifinais, que é ter no mínimo 2 mil assentos.


No dia 1º de abril, seis fatos do vôlei que parecem mentira, mas não são
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Sidrônio Henrique

No Dia da Mentira, o Saída de Rede relembra seis fatos ligados ao voleibol que parecem difíceis de acreditar, mas que são incontestáveis. De uma cubana voadora a um francês marrento, passando por partidas que ainda mexem com a torcida brasileira, além de um Mundial esvaziado, dá uma conferida na lista abaixo.

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A baixinha Mireya assombrou o mundo (foto: Tasso Marcelo/Ag. Estado)

Salta, chica!
Suponha que você, fã de vôlei, nunca ouviu falar sobre Mireya Luis. De repente, alguém te diz que uma ponteira com mero 1,75m teve o maior alcance da história, chegando a 3,36m, e que foi a maior atacante de todos os tempos. Dá para acreditar? Parece mentira, mas não é.

De 1983 a 2000, essa ponta cubana brilhou nas quadras mundo afora. Sua impulsão era de 1,10m. Lá do alto, distribuía petardos que assombravam as adversárias. Na tentativa de contê-la, os bloqueios atrasavam um tempo na hora de subir, na esperança de amortecer a bola. Bloqueá-la, só se ela atacasse para baixo, e às vezes nem assim. Em mais de uma oportunidade, sepultou o sonho do ouro das brasileiras. O duelo mais notório foi a semifinal da Olimpíada de Atlanta, em 1996, quando Mireya, depois de um começo opaco, foi crescendo até destruir o Brasil no tie break. Deixou sua seleção como tricampeã olímpica e bi mundial, entre outros títulos, à frente de um timaço apontado por muitos como o maior de todos os tempos.

Sarah Pavan relembra rivalidade no Brasil: “Adorava enfrentar Osasco”
Brasil Kirin garante vaga nas semifinais em jogo polêmico

A tristeza de Mari, Virna e Zé Roberto após a derrota para as russas (FIVB)

24 a 19 na semifinal de Atenas
Olimpíada de Atenas, 26 de agosto de 2004. Faltava um, apenas um ponto para a seleção brasileira feminina de vôlei chegar a uma inédita final olímpica, após ter parado na semifinal nas três edições anteriores. O time comandado pelo técnico José Roberto Guimarães vencia a Rússia na semifinal do vôlei feminino por dois sets a um e liderava o quarto set por 24-19 quando a levantadora Fernanda Venturini foi para o saque. A virada de bola russa na sequência, com a ponta Lioubov Sokolova, parecia normal, afinal ainda restariam outros quatro match points, com o Brasil recebendo o serviço e tendo três atacantes na rede.

O que parecia mera formalidade virou um pesadelo. Uma a uma, a seleção brasileira foi desperdiçando suas chances, até que as russas fecharam a parcial em 28-26, levando a decisão para o tie break. No quinto set, o Brasil voltou a liderar, mas sucumbiu no final e perdeu por 16-14. Foram sete match points jogados fora (seis na quarta parcial e um na última). A oposta Marianne Steinbrecher, 21 anos recém-completados, marcou impressionantes 37 pontos na partida, recorde mantido até hoje em Jogos Olímpicos. No entanto, foi injustamente rotulada por alguns como símbolo da derrota, que ocorreu como fruto do desequilíbrio coletivo. Um desastre, que mesmo depois de dois ouros olímpicos (Pequim 2008 e Londres 2012) ainda vive na memória do torcedor.

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Quartas de final de Londres
Mais uma vez a Rússia, de Lioubov Sokolova e Ekaterina Gamova, aparecia no caminho da seleção brasileira feminina. O retrospecto era péssimo em jogos decisivos. Além da semifinal de Atenas 2004, as adversárias haviam sido algozes do Brasil nas decisões dos Mundiais 2006 e 2010 – a oposta Gamova marcou, nessas duas partidas, 28 e 35 pontos, respectivamente. É verdade que em Pequim 2008 as brasileiras massacraram as russas, mas como o próprio Zé Roberto ressaltou, a superioridade do Brasil afastava qualquer equilíbrio e o jogo foi na primeira fase.

Thaisa decide jogar com joelho machucado e piora lesão: “Bomba relógio”

Para aumentar o drama em Londres 2012, a seleção brasileira avançou às quartas de final após ficar em um modesto quarto lugar em seu grupo, tendo perdido por 0-3 para a Coreia do Sul. As russas estavam invictas. Fim da linha para o Brasil? Que nada! O jogo foi ao tie break e, para apimentar ainda mais a rivalidade entre brasileiras e russas, estas últimas tiveram seis match points. Poderiam ter fechado a partida num contra-ataque pela entrada com Nataliya Goncharova, mas Jaqueline Carvalho defendeu e entregou na mão da levantadora Dani Lins. Era dia de Sheilla Castro. A oposta brasileira salvou cinco dos seis match points – o outro foi num ataque pelo meio com Thaisa Menezes.

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No final, dois saques certeiros da ponta Fernanda Garay sobre Sokolova, sobrecarregada no passe. No primeiro, ace. No seguinte, uma bola de graça, convertida em ponto numa china com Fabiana Claudino. Brasil 21-19. A semifinal de Atenas pode não ter sido esquecida, mas foi vingada.

Giba consola Bruno após a derrota na final de Londres 2012 (AP)

Final masculina de Londres
A seleção brasileira masculina esteve muito perto do seu terceiro ouro olímpico antes de conquistá-lo na Rio 2016. Chegou a ter dois match points na final de Londres 2012 diante da Rússia. O Brasil começou atropelando e, com relativa facilidade, abriu 2-0.

A partir do terceiro set, dois fatores mudaram o jogo. Do lado russo, o único oposto de ofício da equipe, Maxim Mikhaylov, devidamente marcado pelo time de Bernardinho, foi deslocado para a entrada. Em seu lugar na saída de rede, o técnico Vladimir Alekno colocou o central Dmitriy Muserskiy, um gigante de 2,18m que às vezes desempenhava essa função em seu clube, o Belogorie Belgorod, mas nunca havia sido testado nela em jogos da seleção. Pelo Brasil, o ponta Dante Amaral começou a sentir fortes dores em seu joelho direito, o que prejudicou sua mobilidade e comprometeu o esquema tático da equipe.

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Estava traçada ali uma das viradas mais espetaculares da história. Some à queda no desempenho do Brasil uma atuação de gala de Muserskiy e o resultado foi Rússia 3-2. O central transformado em oposto saiu da condição de coadjuvante para protagonista na final. Nos dois primeiros sets, como meio de rede, havia marcado apenas quatro pontos. Marcaria outros 27 a partir da terceira parcial para se consagrar. Parecia mentira, mas infelizmente foi verdade.

A imprevisibilidade de N’gapeth
Há os que o amam e aqueles que não o suportam. Só não há um fã desse esporte que seja indiferente ao marrento ponta francês Earvin N’gapeth. Também não se pode negar o talento daquele que é um dos maiores jogadores da década. À sua irreverência e jeito provocativo, acrescente uma dose de imprevisibilidade que garantem lances incríveis, como que tirados da cartola por esse atacante que desde 2014 joga pelo Modena, da Itália.

Parece mentira que o craque de 1,94m, atualmente com 26 anos, tenha decidido arriscar, enquanto girava, uma bola de gancho no match point da decisão do Campeonato Europeu 2015, diante da valente Eslovênia, quando o placar dava apenas um ponto de vantagem para a França. A cada rodada da liga italiana, surgem nas redes sociais clipes com jogadas geniais (como as do vídeo acima) de um cara que desde os tempos de juvenil era apontado como detentor de um talento que lhe garantiria projeção internacional. Momentos que só vendo para crer.

Japonesas conquistaram o troféu num campeonato reduzido (FIVB)

Mundial com quatro equipes
Onde já se viu isso? Culpa da Guerra Fria. O Saída de Rede já te contou essa história, em janeiro deste ano, quando o evento completou 50 anos. Por causa de diferenças políticas, o Mundial feminino 1967 teve apenas quatro países participantes: Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e Peru.

O torneio deveria ter tido a presença de 11 seleções, mas o país-sede, o Japão, capitalista, advertiu que não hastearia a bandeira nem executaria o hino nacional da Coreia do Norte e da Alemanha Oriental, duas novas nações surgidas depois da II Guerra Mundial, integrantes do bloco comunista. Como outros cinco participantes eram alinhados com aqueles dois, o boicote dos sete fez o evento virar um simples quadrangular, vencido com facilidade pelo anfitrião. Um fiasco que parece história inventada, mas que de fato aconteceu.


O que deve mudar na convocação da seleção masculina com Renan Dal Zotto?
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Sidrônio Henrique

Renan Dal Zotto: “Não existe mudança de rumo” (foto: Marlon Falcão/Inovafoto/CBV)

A seleção masculina de vôlei trocou de comando e o torcedor provavelmente se pergunta: que alterações veremos na lista de convocados? “O voleibol brasileiro está num caminho tão bacana que não existe mudança de rumo. A rota é aquela e vamos tentar dar continuidade”. A frase do novo técnico da equipe, Renan Dal Zotto, dita durante sua apresentação no cargo, revela muito sobre o que vem por aí.

Como Bernardinho se tornou uma referência

Sai o multicampeão Bernardinho, entra o dirigente Renan, que há oito anos não treina uma equipe. O primeiro será coordenador técnico e a extensão do seu papel ainda é uma incógnita. O treinador recém-nomeado é figura próxima do anterior, numa amizade cultivada desde o final dos anos 1970. Renan pretende ainda manter a comissão técnica que conquistou o ouro olímpico na Rio 2016. Diante disso, a resposta à pergunta acima é: muito pouco. Exceto pela renovação natural que aconteceria em alguns casos, a seleção deverá, em tese, ter a cara daquela do ciclo anterior. Se vai jogar no mesmo nível, é outra história.

Renan deve ter começo difícil como técnico da seleção

O Brasil subiu ao ponto mais alto do pódio em agosto no Maracanãzinho com os opostos Wallace e Evandro, os levantadores Bruno e William, os ponteiros Lucarelli, Lipe, Maurício Borges e Douglas Souza, os centrais Lucão, Maurício Souza e Éder, além do líbero Serginho. Este último, que tem 41 anos, já se despediu da seleção.

Bernardinho será coordenador técnico (foto: FIVB)

Renovação branda
Evandro Guerra e Éder Carbonera entram neste ciclo olímpico com idade avançada para atacantes nas seleções de ponta. O oposto tem 35 anos e o central, 33 – some-se a isso o tempo até Tóquio 2020. O leitor pode lembrar do russo Sergey Tetyukhin e do americano Reid Priddy, ponteiros que disputaram a Rio 2016 com 40 e 38 anos, respectivamente. Mas eles são exceções, não a regra. Aos 37 anos, o levantador William Arjona tem boas chances de seguir sendo chamado, seja pela menor exigência física da função ou pela maturidade que enriquece seu repertório. Os demais campeões olímpicos no Rio de Janeiro têm muito chão pela frente.

A princípio, entre os titulares, a equipe certamente terá caras conhecidas, com protagonismo de jogadores que cresceram ao longo do ciclo 2013-2016, como o ponta Lucarelli, o oposto Wallace ou o central Maurício Souza. Sem o líbero Serginho, os mais experientes passam a ser o levantador Bruno e o central Lucão.

Na reposição do líbero, o favorito é Tiago Brendle, 31 anos, que fez parte do time em 2015 e 2016, tem a maturidade necessária para uma função tão crítica, apresentou bom rendimento, tinha voleibol inclusive para estar na Olimpíada e arrancou elogios de Bernardinho.

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Entre os centrais, um destaque do ciclo passado deve voltar à seleção: Isac, 26 anos, que ficou fora do Mundial 2014 e da Rio 2016 por problemas físicos – em forma, deverá ser nome certo na lista de Renan Dal Zotto. Fique atento a Leandro Aracaju, 24 anos, que vem treinando com a seleção principal desde 2015 e deve ser convocado.

O que esperar do início da caminhada do vôlei para Tóquio 2020?

Na saída de rede, Wallace de Souza, 29, segue firme, mas novamente surge a dúvida sobre o seu reserva. O gigante Renan Buiatti, de 2,17m, 27 anos, convocado desde o final do ciclo 2009-2012, até agora não decolou. Tem feito uma excelente Superliga, mas o cenário internacional é mais exigente. O ano pós-olímpico, com torneios de menor envergadura, é propício para testes, representando mais uma chance para Buiatti se firmar na seleção.

Na entrada, Douglas Souza, 21, que foi o quarto ponteiro na Rio 2016 e quase não jogou, deve obter mais espaço neste ciclo. Ainda sem passagem pela seleção adulta, mas tendo destaque recente no papa-títulos Sada Cruzeiro, o ponta Rodriguinho, 20 anos, dificilmente deixará de ser chamado. O grande reforço na ponta virá mesmo a partir de 2018, quando finalmente o cubano naturalizado brasileiro Yoandry Leal, atualmente com 28 anos, poderá ser convocado.

Bruno será essencial para aproximar Renan do time (foto: FIVB)

Ponto de apoio
Um importante ponto de apoio para o novo treinador será o levantador Bruno Rezende, capitão na Rio 2016 e que exerce liderança sobre o grupo. A ponte que o armador de 30 anos e veterano de três Olimpíadas deve estabelecer entre o técnico e a equipe será fundamental para o eventual sucesso de Renan.

Os dois se conhecem bem. Em 2005, na extinta Cimed, de Florianópolis, o treinador Renan abriu espaço para o então juvenil Bruno no time titular. Mas que isso não induza o leitor a pensar em favorecimento ao seu ex-atleta. Há muito o levantador campeão mundial e olímpico provou ocupar o posto de titular da seleção por mérito. Teve que aturar insinuações de que era beneficiado pelo pai, Bernardinho, e certamente vai lidar com a mesma cantilena em relação a Renan.

Bruno Rezende não é um virtuose como Ricardo Garcia ou Maurício Lima, mas serve ao grupo em alto nível. Seus levantamentos longos, especialmente para a posição 4, não têm a precisão das bolas mais curtas. No entanto, ele dá ao time um padrão de jogo consistente e muitas vezes difícil de ser marcado, como já foi dito por gente alheia às diatribes brasileiras. Não tem a habilidade do seu reserva na Rio 2016, William Arjona, mas compensa na distribuição, além das qualidades em outros fundamentos.

Defasagem
O último trabalho de Renan como técnico de uma equipe foi em 2008, à frente do Sisley Treviso, na Itália. Desde então, tem estado longe da função. Ele começou a carreira de treinador em 1993, com o time do Palmeiras. Essa quebra na sequência deverá, ao menos a princípio, dificultar a vida do ex-craque, que foi sinônimo de excelência quando jogava. Orientando equipes, sua carreira foi mais modesta, com destaque para os títulos de campeão da Superliga 2005/2006 com a Cimed e da Supercoppa italiana 2007 com o Sisley Treviso.

O voleibol praticado atualmente é diferente daquele da década passada. Não que Renan não possa recuperar o tempo perdido. Para isso, deve contar com o coordenador técnico, Bernardinho, e ainda com o suporte de Rubinho, principal assistente a partir de 2006.

Renan Dal Zotto terá um trabalho árduo e as cobranças serão pesadas. A continuidade da linha anterior, incluindo a convocação da maior parte dos campeões da Rio 2016, e o apoio do antecessor e seus auxiliares podem amenizar o impacto de assumir o comando da seleção número um do ranking mundial, um time acostumado ao pódio.


Genial como jogador, Renan deve ter começo difícil como técnico da seleção
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Sidrônio Henrique

Renan e Bernardinho juntos durante treino na década passada (fotos: arquivo pessoal/Renan Dal Zotto)

Oito anos longe da função de técnico, o gaúcho Renan Dal Zotto terá a dura missão de substituir ninguém menos que Bernardinho no comando da seleção brasileira masculina de vôlei. O que esperar do novo treinador depois de 16 anos vitoriosos de seu antecessor? Antes de responder essa pergunta, o Saída de Rede ressalta dois aspectos fundamentais: a mudança no comando após quatro ciclos olímpicos implica numa ruptura que precisa ser levada em consideração e ainda a renovação da equipe. A tarefa do ex-craque Renan não será fácil e deverá também ser considerada a extensão do papel de Bernardo Rezende como coordenador técnico da seleção masculina.

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Depois do domínio brasileiro na década passada, o cenário internacional no vôlei masculino vem apresentando um equilíbrio diante do qual Bernardinho, um estudioso da modalidade, conseguia se destacar com soluções táticas que, muitas vezes, suplantavam as limitações da equipe como vimos na Rio 2016.

Renan foi técnico da Cimed, de Florianópolis, de 2005 a 2007

Currículo
Renan Dal Zotto tem em seu currículo os títulos de campeão da Superliga masculina 2005/2006 com a antiga equipe da Cimed, de Florianópolis, e da Supercoppa italiana 2007 com o Sisley Treviso. Abriu espaço para nomes que teriam destaque no cenário internacional, como o levantador Bruno e o central Sidão, quando estava à frente do time catarinense.

O começo na seleção certamente não será fácil. Times de primeira linha como Estados Unidos, Itália e Sérvia já vêm realizando uma renovação há alguns anos. Mesmo nossa vizinha Argentina, mais modesta, avançou nesse aspecto. Se Renan terá o toque de gênio que o caracterizou dentro da quadra para fazer a diferença em situações de equilíbrio, só o tempo dirá. Entre as quatro linhas, esse ex-ponteiro que mais tarde se revelou universal (chegou a jogar até como levantador na Itália) foi um dos maiores de todos os tempos.

Recebendo o prêmio de “Jogador Mais Espetacular” da Copa do Mundo 1985 (o MVP foi para o americano Karch Kiraly)

Reforço
Embora tenha experiência como treinador, estava há bastante tempo longe da função. Um ano pós-olímpico, em que a competição mais importante é a desgastada Liga Mundial, que nos outros anos do ciclo assume papel secundário diante do Mundial, da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, é um bom período para o começo. Eventuais tropeços no caminho até Tóquio 2020 deverão ser relevados. A partir de 2018, o novo técnico terá um reforço de peso: simplesmente o ponteiro cubano naturalizado brasileiro Yoandry Leal, um dos melhores do mundo na posição, que seria titular em qualquer seleção.

Resta saber se Renan será capaz de agregar talentos e fazer da equipe uma vencedora, como vinha ocorrendo. Chegou o dia da saída de Bernardinho, o fim de uma era, a mais vitoriosa da história da modalidade. O novo treinador, como disse o diretor de seleções da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Radamés Lattari, “se for muito vitorioso, vai conseguir empatar (com Bernardinho), superar é quase impossível”. A expectativa do SdR é que Renan Dal Zotto saia em desvantagem nas primeiras temporadas, mas terá material humano e apoio (inclusive do próprio Bernardo, amigo dele desde o final dos anos 1970) para superar eventuais dificuldades.


Quem foram os melhores do vôlei masculino em 2016?
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Sidrônio Henrique

Seleção brasileira, Sada Cruzeiro, Wallace, Argentina e Zaytsev em destaque (fotos: FIVB e FeVA)

O ano que termina será uma boa lembrança para o vôlei masculino do Brasil. Após uma longa espera, a equipe treinada por Bernardinho chegou novamente ao topo do pódio e justamente numa Olimpíada. Melhor que isso, só se fosse em casa. E foi assim.

Já os torcedores do Sada Cruzeiro celebraram ainda mais, pois além do ouro da seleção brasileira na Rio 2016 viram seu clube ganhar a Superliga pela quarta vez e o Mundial de Clubes pela terceira, entre outras conquistas.

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Na lista do Saída de Rede sobre os melhores do ano no vôlei masculino entraram dois opostos: um brasileiro e um italiano.

Para fechar, não dá para deixar de lado a evolução, a organização e o investimento feito pela Argentina. Nossos vizinhos estão levando o voleibol muito a sério.

Confira quem foram os melhores do vôlei masculino em 2016 na avaliação do SdR:

Fim da espera: Brasil foi ouro na Rio 2016 (fotos: FIVB)

SELEÇÃO BRASILEIRA
Lá se iam seis anos sem um grande título, desde o Campeonato Mundial 2010. A conquista da desprestigiada Copa dos Campeões 2013 pouco atenuou a agonia. Foram várias pratas no caminho, que demonstravam a solidez de uma seleção presente na maioria das decisões, mas faltava algo, até que finalmente acabou o jejum. Diante de quase 12 mil torcedores, no que antes era apontado como um fator a mais de pressão, a seleção masculina de vôlei conquistou a medalha de ouro na Olimpíada do Rio, ao bater a Itália por 3-0 na final.

Um título alcançado com sacrifício, com três dos 12 atletas contundidos e uma linha de passe inconsistente, porém com o time superando adversários superiores fisicamente, graças principalmente ao sistema de jogo colocado em prática por Bernardinho. O técnico pôde assim celebrar seu segundo ouro olímpico – ele que havia ganhado três mundiais, duas Copas do Mundo e oito edições da Liga Mundial.

Uma conquista de Wallace, Bruno, Maurício Souza, Lucão, Lucarelli, Lipe, Serginho, Evandro, William, Éder, Maurício Borges e Douglas. Os pontas Lucarelli e Lipe, assim como o central Maurício Souza, jogaram abaixo de sua melhor condição física, mas deram o melhor de si. Lucarelli voltou à quadra mancando nas quartas de final, diante da Argentina.

Foi a Olimpíada da consagração definitiva de Serginho, o veterano líbero que completou 41 anos menos de dois meses após a Rio 2016. Ele foi o MVP da competição. Juntou-se ainda aos ex-atletas Maurício Lima e Giovane Gavio como bicampeão olímpico no vôlei brasileiro, sendo também um dos três jogadores no mundo com quatro medalhas olímpicas (dois ouros e duas pratas) – os outros dois são o russo Sergey Tetyukhin (um ouro, uma prata e dois bronzes) e o italiano Samuele Papi (duas pratas e dois bronzes).

O ouro no Rio de Janeiro foi o terceiro do vôlei masculino do Brasil, que havia subido ao lugar mais alto do pódio em Barcelona 1992 e em Atenas 2004.

Time mineiro não sabe o que é perder desde o returno da Superliga passada

SADA CRUZEIRO
Você sabe quando foi a última derrota do Sada Cruzeiro em partidas oficiais? Foi no returno da Superliga 2015/2016. Este semestre, tendo disputado Campeonato Mineiro, Mundial de Clubes e Supercopa, além do primeiro turno da Superliga 2016/2017, o time comandado pelo argentino Marcelo Mendez terminou invicto. É difícil imaginar que essa equipe deixe de conquistar a Superliga pela quinta vez. Em nível global, já são três títulos mundiais.

O elenco é estelar. O Cruzeiro conta com os campeões olímpicos William e Evandro, o selecionável Isac, um líbero tarimbado como Serginho, uma promessa de alto nível como Rodriguinho revezando-se com um veterano da qualidade de Filipe. Mas vieram de fora os principais nomes da atual equipe: dois cubanos. Um deles, o ponta Leal, naturalizou-se brasileiro e poderá jogar pela seleção a partir de 2018. O outro é o central Simon, capaz de jogar como oposto se for preciso. Quando o Sada Cruzeiro consegue entrar em alta rotação, geralmente resta ao adversário lamentar.

Segundo o Saída de Rede apurou, os gastos do time mineiro podem chegar a R$ 13 milhões por temporada, investimento equivalente ao do tradicional Trentino, da Itália, terceiro colocado no Mundial deste ano e maior vencedor da história do torneio, com quatro títulos. Por outro lado, é menos da metade dos pouco mais de R$ 27 milhões desembolsados na temporada passada pelos russos do Zenit Kazan, derrotado pelo Sada Cruzeiro nas decisões de 2015 e de 2016.

Oposto Wallace de Souza foi o maior pontuador da Rio 2016

WALLACE DE SOUZA
Ninguém duvida que Serginho é um craque, provavelmente o melhor líbero da história. Mas quem acompanhou a trajetória da seleção masculina na Rio 2016 talvez tenha tido a sensação que o prêmio de melhor jogador da competição poderia ter sido dado, por exemplo, ao oposto Wallace de Souza. Escolhas de MVP quase sempre despertam alguma polêmica e o prêmio, afinal, ficou em boas mãos ao ser dado ao veterano líbero. O fato é que Wallace brilhou muito no Maracanãzinho.

Procure lembrar os momentos mais difíceis da seleção na Olimpíada e provavelmente Wallace terá estado presente para ajudar. É dever de ofício de um oposto sair de enrascadas, mas o que chamou a atenção nesse jogador de 29 anos e 1,98m durante a Rio 2016 foi seu grau de maturidade. Se em grandes competições anteriores, como Londres 2012, quando foi elevado à condição de titular após uma contusão de Leandro Vissotto nas quartas de final, ou o Mundial 2014, Wallace havia oscilado em momentos decisivos, no Maracanãzinho ele foi essencial para despachar os oponentes. Terminou a Olimpíada como o maior pontuador da competição e teve o segundo melhor aproveitamento no ataque.

Italiano Ivan Zaytsev tirou os americanos da final no saque

IVAN ZAYTSEV
A Itália mais uma vez bateu na trave, ficou com a prata olímpica pela terceira vez na história – acumula ainda três bronzes. No entanto, se não fosse por ele, a Azzurra não teria chegado tão longe no Rio de Janeiro. Dia 19 de agosto, ginásio do Maracanãzinho, quarto set, o placar apontava 22 a 19 a favor dos Estados Unidos, que lideravam a partida por 2-1 e estavam perto da decisão do ouro. Os italianos conseguem a virada de bola e o oposto Ivan Zaytsev vai para o saque. Ele não saiu mais de lá até o final da parcial. Veio o tie break e a Itália, cheia de moral, liquidou os EUA.

Porém, não foi apenas por uma sequência impressionante no serviço, em uma partida importante que parecia perdida, que esse italiano filho de russos (o pai, Vyacheslav, foi uma lenda soviética no levantamento), 28 anos, 2,02m, merece todo esse destaque. Desde o início do torneio, quando sua seleção desmantelou a favorita França, Zaytsev mostrou a que veio.

Sua versatilidade permite que jogue como ponteiro em seu clube, Perugia, algo que aliás já fazia na própria seleção há algumas temporadas. Ele começou a carreira seguindo os passos do pai e aos 16 anos já era levantador na primeira divisão da forte liga italiana. No final da década passada, virou atacante e o resto é história. Ivan Zaytsev é um daqueles atletas que valem o ingresso, um jogador que abre caminho com uso da força, mas que sabe utilizar a técnica. Na Rio 2016, ele foi um show à parte. Que o digam os americanos…

Fachada do centro de treinamento em Chapadmalal (foto: FeVA)

VÔLEI ARGENTINO
Não, ele ainda não é da elite. Mas se depender de empenho, organização e planejamento, o voleibol masculino da Argentina chega lá em alguns anos. O ano de 2016 foi importante para os nossos vizinhos. OK, a campanha na Rio 2016 repetiu o resultado de Londres 2012, com a eliminação nas quartas de final, mas o desempenho foi bem superior. Os argentinos terminaram em primeiro lugar na sua chave, com uma vitória inédita sobre a Rússia nos Jogos Olímpicos. Nas quartas, exigiram muito do Brasil e quase levaram a partida para o tie break.

O melhor deles este ano veio da base e principalmente de um investimento realizado pela Federação do Voleibol Argentino (FeVA).

No Sul-Americano sub19 masculino, eles venceram quatro das últimas cinco edições. Na mais recente, disputada em outubro, surraram os brasileiros em sets diretos. No sub21, no mesmo mês, marcaram 3-1 de virada sobre uma atônita seleção brasileira. À medida que vem a transição para o adulto, outros fatores se impõem, a começar pela carência que os nossos vizinhos enfrentam em algumas posições, por causa da menor quantidade de jogadores disponíveis. No Sul-Americano sub23, por exemplo, o título ficou com o Brasil. No adulto, ainda precisam de um oposto matador, que pode vir a ser em um futuro próximo o talentoso Bruno Lima – ele esteve na Rio 2016 como titular, apesar de seus 20 anos.

O grande investimento da FeVA, anunciado com pompa mas sem divulgação dos valores pelo seu presidente, Juan Antonio Gutiérrez, é um ambicioso complexo chamado de Centro Internacional de Alto Rendimento de Chapadmalal, na cidade de mesmo nome, a 300 quilômetros de Buenos Aires. O local aproveita a estrutura de um hotel desativado. Inaugurado em novembro, ainda inacabado (deve ser concluído em 2017), o centro já recebeu campeonatos de base. A FeVA quer que seja uma referência mundial, nos moldes de Saquarema. Quando finalizado, contará com um ginásio poliesportivo, hotel com 725 apartamentos, teatro com capacidade para 600 pessoas, restaurante com capacidade para 800, além de dez quadras indoor e mais quatro para o vôlei de praia.

A popularidade do vôlei vem crescendo entre os hermanos. A liga argentina masculina é transmitida ao vivo pela TV e via YouTube. A modalidade já é uma das três mais praticadas nas escolas, segundo a FeVA. Há potencial e a federação local vem trabalhando para aproveitá-lo.


Carrasco do Brasil em Londres 2012 pego no antidoping
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Sidrônio Henrique

Muserskiy na final em Londres: 31 pontos e virada histórica sobre a seleção brasileira (fotos: FIVB)

O gigante russo Dmitriy Muserskiy, 2,18m, povoa o imaginário dos fãs brasileiros de vôlei. Como num pesadelo, ele deixou sua posição original, de central, após sua seleção estar perdendo por 0-2 para o Brasil na final da Olimpíada de Londres, em 2012, foi para a saída de rede e se transformou no carrasco da equipe comandada por Bernardinho. Vitória épica russa por 3-2, uma das derrotas mais doloridas dos brasileiros, que chegaram a ter dois match points no terceiro set. Mas será que o time vencedor jogou limpo? A versão final do relatório da Agência Mundial Antidoping (Wada) sobre os casos de uso de substâncias proibidas na Rússia inclui o nome do atacante em meio a mais de mil atletas daquele país, de 30 modalidades, no período de 2011 a 2015.

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Muserskiy foi pego duas vezes utilizando substâncias ilegais, cujos nomes não foram revelados. As datas também não foram especificadas, ou seja, por enquanto não se sabe se alguma delas correspondia a Londres 2012. Há outros nomes ligados ao vôlei russo no relatório, mas o número total e as demais identidades ainda são mantidos sob sigilo. Na primeira etapa do relatório, entregue em julho deste ano, havia dez atletas do voleibol da Rússia, mas também houve segredo.

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O jurista canadense Richard McLaren, que chefia a investigação a serviço da Wada, confirmou a presença de Dmitriy Muserskiy entre os atletas flagrados por uso de doping ao site Sport-Express, um dos mais conceituados da Rússia. O veículo chegou ao nome de Muserskiy e de competidores de outras modalidades por meio de uma lista que teria vazado a partir de correspondências de Grigori Rodtchenkov, ex-diretor do centro antidopagem russo. Após denunciar em maio deste ano um esquema de doping institucionalizado de atletas no país, que contava com o aval do governo, Rodtchenkov fez com que a Wada iniciasse a apuração.

O nome de Muserskiy, 28 anos, que nunca havia sido acusado de doping, apareceu na imprensa russa nesta segunda-feira (12). O jogador não se manifestou, assim como seu clube, Belogorie Belgorod, ou ainda a federação de vôlei do país.

Russos celebram vitória sobre o Brasil na decisão do ouro

Confira esta parte da entrevista que o Sport-Express fez com Richard McLaren:
SE – Os nomes do esquiador Aleksandr Legkov (outro ídolo russo, ouro e prata em Sochi 2014) e do jogador de vôlei Dmitriy Muserskiy aparecem na lista de Rodtchenkov. Pode ter havido erro?
McLaren – Não, não houve erro. Decidimos abrir alguns nomes que, de algum modo, haviam vazado.

O trecho acima foi verificado pelo Saída de Rede com a tradutora russa Ekaterina Semenova.

Jogos Olímpicos corrompidos
O relatório final da investigação havia sido anunciado em entrevista coletiva por McLaren na semana passada. “A equipe olímpica russa corrompeu os Jogos Olímpicos de Londres em uma escala sem precedentes, cujo verdadeiro alcance provavelmente nunca será estabelecido“, lamentou o canadense, referindo-se à delegação como um todo.

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Na final em Londres 2012, depois de marcar apenas quatro pontos como central nos dois primeiros sets, Dmitriy Muserskiy fez outros 27 nas três parciais seguintes na saída de rede. O oposto Maxim Mikhaylov foi deslocado para a entrada. Uma contusão no joelho direito do ponteiro brasileiro Dante Amaral agravou-se durante a partida e colaborou para o triunfo russo, mas a atuação de Muserskiy foi excepcional.

O atacante Dmitriy Muserskiy sendo condecorado pelo presidente russo, Vladimir Putin, dias após a conquista do ouro

Contornos suspeitos
A Rússia garantiu sua classificação para a Rio 2016 ao vencer o pré-olímpico europeu, em janeiro. O gigante não participou, dizendo que precisava dedicar-se à família. Antes da Olimpíada, pediu dispensa, desta vez alegando dores nos dois joelhos. À época, a Rússia ganhava atenção e repulsa mundial, por causa das denúncias da Wada. Com a descoberta de que utilizou substâncias ilegais em duas oportunidades, entre 2011 e 2015, as ausências recentes de Muserskiy ganham contornos suspeitos.

Outro caso de doping
Um dos prováveis nomes no relatório da Wada deve ser o do ponteiro do Dínamo Moscou e da seleção russa Alexander Markin, que foi flagrado utilizando Meldonium durante o pré-olímpico. Isso quase custou a vaga da seleção masculina da Rússia na Rio 2016. O Meldonium foi criado nos anos 1970 na Letônia – então uma república da antiga União Soviética. Serve, primordialmente, para tratamento de isquemia e de doenças neurodegenerativas. Por aumentar o desempenho metabólico, entrou no rol das substâncias dopantes banidas pela Wada em janeiro deste ano, mas desde setembro de 2015 os atletas já haviam sido comunicados do veto ao Meldonium. A tenista russa Maria Sharapova também foi pega no exame antidoping pelo uso da substância.

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Markin, que teve participação decisiva na final do pré-olímpico, vencida numa virada de 3-1 sobre a França, foi suspenso preventivamente pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB) em fevereiro, mas acabou absolvido. No entanto, a entidade não permitiu sua participação na Rio 2016. Pouco depois da sua suspensão, ele deu uma desastrada entrevista à imprensa russa, na qual afirmou que outros colegas de clube, sem citar nomes, faziam uso do Meldonium. O time tinha outros atletas na seleção.

doping russia twitter bruno

Indignação
O anúncio de novo relatório da Wada provocou indignação em vários países. No Brasil, o levantador Bruno Rezende, titular tanto na Rio 2016 quando em Londres 2012, além de reserva em Pequim 2008, se manifestou no Twitter, cobrando uma posição da FIVB.

A entidade, numa nota distribuída na Europa na semana passada, portanto antes do nome de Muserskiy vir a público, foi breve em relação ao caso. “A FIVB tomou conhecimento da segunda parte do relatório de (Richard) McLaren. Fomos informados que alguns atletas do vôlei foram incluídos. Nós pretendemos examinar as evidências e trabalharemos em conjunto com a Wada antes de tomar qualquer ação”.

Na história dos Jogos Olímpicos jamais um país teve cassada uma medalha conquistada em esportes coletivos. No caso da Rússia em Londres 2012, falta saber se os demais nomes de atletas do vôlei contidos no relatório da Wada competiram naquela edição das Olimpíadas e se o teste positivo no antidoping, incluindo Muserskiy, foi relativo ao período dos Jogos. Se houver confirmação de uso de doping em Londres pelo voleibol russo, uma eventual decisão de tomar ou não a medalha de ouro caberia à FIVB em conjunto com o Comitê Olímpico Internacional (COI).


O que esperar em termos de renovação na seleção masculina no próximo ciclo?
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Sidrônio Henrique

Alguns dos jogadores campeões olímpicos na Rio 2016 deverão ser substituídos (fotos: FIVB)

A seleção masculina de vôlei encara um novo ciclo a partir de maio do próximo ano, começando com a Liga Mundial 2017 e terminando nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Boa parte dos atletas que passaram pela equipe no período 2013-2016 deverá continuar servindo ao time, que foi renovado em algumas posições, mas há a clara necessidade de reposição de certas peças, em razão do fator idade. A incerteza da continuidade do trabalho de Bernardo Rezende como treinador também deve ser considerada quando se pensa em alterações na equipe, afinal uma eventual mudança no comando implica na possibilidade de novos rostos em posições nas quais já havia referências.

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Uma renovação certa é na posição de líbero após a despedida de Serginho. O líbero bicampeão olímpico e mundial, MVP da Rio 2016, disse adeus à seleção. A escolha óbvia recai sobre Tiago Brendle, 30 anos, que fez parte do time em 2015 e 2016, tem a maturidade necessária para uma função tão crítica, apresentou bom rendimento, tinha voleibol inclusive para estar na Olimpíada e arrancou elogios de Bernardinho. Um nome no qual a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) está de olho é Felipe, 26, que foi um dos dois líberos que foram ao Mundial 2014. Ex-atleta de Rubinho, assistente de Bernardinho, o jogador continua em alta na visão do atual comando. Outro em observação, mas que tem como entrave a uma ascensão imediata a pouca experiência, é Rogerinho, 21 anos. Destaque nas categorias de base, na qual acumulou vários prêmios, ele integra a seleção sub23.

Nas finais do circuito mundial, festa dos campeões olímpicos da praia

No meio de rede, Sidão e Éder, que frequentaram a seleção nos últimos dois ciclos, devem provavelmente abrir espaço para os mais novos. Por problemas físicos, Sidão, 34 anos, titular de 2011 a 2014, ficou fora da Rio 2016. Éder, que ascendeu no ciclo passado, completa 33 em outubro. Lucão esteve no sexteto inicial nas últimas oito temporadas, tem 30 anos e físico para continuar – é uma das referências de Bernardinho na equipe. Surpresa da temporada, melhor central da Liga Mundial 2016 e atualmente um dos melhores bloqueadores do mundo, Maurício Souza, que disputou a Olimpíada longe da sua melhor condição física por causa de uma contratura muscular, completa 28 anos daqui a uma semana e é uma das grandes armas da seleção brasileira. Outro destaque do ciclo passado foi Isac, 25 anos, que ficou fora do Mundial 2014 e da Rio 2016 por problemas físicos – em forma, é nome certo na seleção. Fique atento a Leandro Aracaju, 23 anos, que vem treinando com a seleção principal desde 2015 e que deve ser convocado.

Tiago Brendle despontou no ciclo passado como sucessor de Serginho

Na saída de rede, Wallace, 29 anos, segue firme, mas novamente surge a dúvida sobre o seu reserva. Vários jogadores foram testados, especialmente Evandro, 35, Leandro Vissotto, 33, e Théo, 33. Os três já não são exatamente jovens para encarar mais um ciclo. O gigante Renan, de 2,17m, 26 anos, convocado desde o final do ciclo 2009-2012, até agora não decolou. Este ano, o oposto Franco, também de 26 anos, treinou com a seleção em Saquarema. Resta saber se Bernardinho o vê com perfil para jogar pela seleção, caso o técnico permaneça na função.

Entre os levantadores, Bruno Rezende, na equipe desde meados da década passada, atualmente com 30 anos, ainda tem muita estrada pela frente e está disposto a continuar com a equipe. O segundo armador é que passa a ser um problema, uma vez que os dois substitutos imediatos, William Arjona e Raphael Oliveira, têm 37 anos. Será que continuarão sendo chamados? Ainda que, em tese, Bruno consiga jogar mais dois ciclos olímpicos, é necessário encontrar outros jogadores da posição com nível para jogar na seleção, até porque o provável titular não está imune a uma contusão, por exemplo. Na seleção sub23, citada pelo próprio Bruno como natural referência na renovação, o titular é Fernando Cachopa, 20 anos, reserva no Sada Cruzeiro. Habilidoso, já foi elogiado por Bernardinho, treinou com a seleção B, mas tem como obstáculos o pouco tempo de quadra, uma vez que é o substituto de Arjona no clube, e também a baixa estatura, 1,85m – fator que certamente impediu voos mais altos de William Arjona.

Bruno e Lucarelli devem ser nomes certos nas próximas convocações

Na entrada a situação é menos crítica, com ressalvas ao nível da recepção dos remanescentes. Depois que Murilo Endres, um dos principais passadores do voleibol mundial, despediu-se da seleção na sequência do seu corte dias antes da Rio 2016, Ricardo Lucarelli passou a ser a principal referência na ponta, mas carece de bom passe, apesar do talento incontestável no ataque. Na Olimpíada carioca, Maurício Borges começou como titular e ao longo do torneio deu lugar a Lipe, que chegaria a Tóquio 2020 com 36 anos, ou seja, é bom provável que não esteja no próximo ciclo. Já Borges, que alterna momentos brilhantes e erros em sequência, parece nome certo, principalmente se polir seu jogo. Uma das apostas para o futuro é Douglas Souza, campeão olímpico, que teve atuação discreta no Rio de Janeiro (entrou em apenas uma partida), mas que desponta como um dos grandes talentos brasileiros. Entre os mais novos, Gabriel Vaccari, que completa 20 anos em dezembro e joga pela seleção sub23, vinha treinando com a principal e pode ser testado a partir de 2017. Mas a grande expectativa do torcedor é para a provável convocação do cubano naturalizado brasileiro Yoandry Leal, que poderá integrar o time a partir de 2018. Maior estrela do multicampeão Sada Cruzeiro, Leal seria uma arma importante na estratégia de ataque e de saque da seleção.

A princípio, entre os titulares, a equipe certamente manterá caras conhecidas, com protagonismo de jogadores que cresceram ao longo do ciclo 2013-2016, como o ponta Lucarelli, o oposto Wallace ou o central Maurício Souza. Sem o líbero Serginho, os mais experientes passam a ser o levantador Bruno e o central Lucão, e é pouco provável que, na hipótese de haver um novo treinador, deixem de ser convocados. Para os possíveis novatos, será o início de uma escalada que pode ser compensadora, vestindo a camisa de uma seleção que está quase sempre no pódio e que acaba de se sagrar campeã olímpica pela terceira vez na história.