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Arquivo : Bia

Enquanto Osasco espera adversário, Rio x Minas é promessa de grande duelo
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João Batista Junior

Hooker ataca contra bloqueio do Bauru: classificação às semis em dois jogos (foto: Vôlei Bauru)

Favoritos nas quartas de final – tanto pela colocação na fase classificatória quanto pelo elenco que têm –, Rexona-Sesc, Vôlei Nestlé e Camponesa/Minas só precisaram de dois jogos para chegar às semifinais da Superliga feminina. Se o time de Osasco ainda não sabe se vai ter pela frente o também favorito Dentil/Praia Clube ou o bravo Terracap/BRB/Brasília, cariocas e minastenistas já têm por certo que se enfrentarão por uma vaga na final. E aí as expectativas do fã do voleibol são as melhores.

Rexona e Minas fizeram a final da Copa Brasil 2017: vitória carioca (William Lucas/Inovafoto/CBV)

O Rexona venceu o Minas nas duas partidas que disputaram nesta edição da Superliga, ambas por 3 a 1, e ainda venceu por 3-0 na final da Copa Brasil. Além disso, ressalte-se que o time do Rio só perdeu um jogo em 24 disputados na competição, ao passo que as mineiras sofreram sete reveses. Porém, o crescimento da equipe de Belo Horizonte no decorrer do campeonato, em muito devido às cortadas da oposta Destinee Hooker, leva a crer que as cariocas vão precisar de seu melhor voleibol para chegar a mais uma final.

(O próprio técnico Bernardinho, em entrevista ao Saída de Rede, chegou a dizer que o Minas era o adversário “mais perigoso” e que “se tornou favorito.”)

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A vaga do Camponesa/Minas à semifinal veio contra o Genter Bauru, numa série em que as mineiras abusaram do pragmatismo: tanto na vitória de virada no jogo 1, sábado, quanto no 3-0 da terça-feira, Hooker foi responsável por quase 45% dos ataques de sua equipe (respectivamente, 62/141 e 44/98). Para efeito de comparação: nas derrotas contra Praia e Rexona, no returno, pouco menos de 30% dos levantamentos do time foram para ela, e na vitória sobre o Vôlei Nestlé, esse número ficou em 36%.

A estratégia mineira deu certo contra Bauru e a norte-americana, nos dois compromissos das quartas de final, levou o Minas à vitória e foi a maior pontuadora em ambos os jogos (com, respectivamente, 32 e 20 anotações). As bauruenses até conseguiram equilibrar as duas primeiras parciais do jogo 2, mas erraram muito no passe e perderam consistência no set final.

A nota preocupante para a torcida minastenista é que, se foi o Bauru, quando abriu 2 a 0, quem deu um susto no primeiro jogo, no segundo, quem assustou foi Rosamaria: a ponteira torceu o joelho durante o terceiro set, saiu carregada de quadra e nesta quarta-feira, segundo o SporTV, deve ser examinada para saber do grau da lesão.

Fim do ranking, por si só, não vai melhorar a Superliga de vôlei

No outro jogo da terça-feira, no Distrito Federal, o Terracap/BRB/Brasília frustrou o Dentil/Praia Clube em grande estilo. Enquanto em Uberlândia as mineiras ganharam de virada por 3-1, no Planalto Central a história foi diferente.

Amanda foi um dos destaques do Brasília na vitória sobre o Praia (Ricco Botelho/Inovafoto/CBV)

Com um sólido sistema defensivo, que sempre obrigava o adversário a atacar mais vez, o Brasília venceu um equilibrado primeiro set e aproveitou-se da instabilidade praiana nas parciais seguintes.

O time mineiro, ainda desfalcado da central Fabiana, lesionada há dez dias, tentou mudar o ritmo do jogo acionando, por vezes, as reservas Ju Carrijo e Ellen. Mas, com Amanda indo bem no ataque pela entrada de rede e as centrais Vivian e Roberta dominantes no bloqueio, a equipe anfitriã conseguiu igualar a série e levar a decisão da vaga na semifinal para o jogo 3 – que, pela tabela da CBV, será neste sábado, em horário ainda não definido.

GIGANTES ATROPELAM
Se, na primeira rodada, o Pinheiros poderia ter ido mais longe na partida contra o Rexona-Sesc e o Fluminense deu trabalho ao Vôlei Nestlé em duas parciais, na segunda, dá para dizer que os gigantes do vôlei nacional foram pouco testados. Cariocas e osasquenses passaram com folga, quase não foram perturbadas na jornada que as classificou para mais uma semifinal.

Atropelado pelo Rexona-Sesc na reta final do primeiro set, quando uma pequena desvantagem de 12-11 culminou com uma derrota por 25-13, o Pinheiros errou bastante na recepção e, por conseguinte, teve problemas na virada de bola. O time do Rio soube tirar proveito disso, anotando 11 pontos no bloqueio – seis só de Juciely. Gabi obteve 57% de aproveitamento no ataque e foi eleita a melhor em quadra, assim como também o fora no jogo 1.

Companheiras na seleção, Thaisa e Natália se enfrentam na Liga dos Campeões

Bia comemora: só Osasco não perdeu nenhum set nas quartas de final (Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV)

Na outra partida da segunda-feira, o Vôlei Nestlé, com a ponteira Tandara e as centrais Bia e Nati Martins em noite inspirada, pontuou em mais da metade das bolas que atacou, um aproveitamento incomum para uma equipe de voleibol feminino, e aplicou o segundo 3-0 da série. O Fluminense foi fustigado pelo saque adversário e despediu da competição marcando apenas 47 pontos em todo o jogo – número insuficiente para vencer dois sets.

Resultados da 2ª rodada dos playoffs da Superliga feminina:

Fluminense 0 x 3 Vôlei Nestlé (20-25, 14-25, 13-25)
Rexona-Sesc 3 x 0 Pinheiros (25-13, 25-20, 25-22)
Terracap/BRB/Brasília 3 x 0 Dentil/Praia Clube (27-25, 25-18, 25-19)
Genter Vôlei Bauru 0 x 3 Camponesa/Minas (22-25, 23-25, 17-25)


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Vôlei Nestlé “castiga” Ramirez e recupera moral na Superliga
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Carolina Canossa

Bia e Tandara foram os destaques individuais do Vôlei Nestlé (Foto: Marcello Zambrana / Fotojump)

As achapantes derrotas sofridas na semana passada respectivamente contra Camponesa/Minas e Rexona-Sesc colocavam o Vôlei Nestlé e o Dentil/Praia Clube em uma situação bastante peculiar no duelo disputado na noite desta quinta (23), em Osasco: ao vencedor, um respiro e a segunda colocação na tabela da Superliga feminina de vôlei. Ao perdedor, uma nova queda no ânimo e mais motivos de preocupação nesta reta final de fase classificatória.

O que poucos esperavam é que a partida durasse três sets: com um saque consistente e a dupla Tandara e Bia inspirada, o Vôlei Nestlé passou pelo rival com autoridade e parciais de 25-15, 25-22 e 25-22.

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Se não teve nenhuma inovação, a principal arma utilizada pelo time paulista primou pela eficiência: pressionar Daymi Ramirez no saque. Sofrendo até mesmo com o flutuante, a cubana teve uma noite para esquecer e dificultou bastante a vida da levantadora Claudinha. Sem o passe na mão, a armadora usou pouco uma de suas principais armas, as jogadas rápidas com as centrais Fabiana e Walewska.

Ao longo da partida, o técnico Ricardo Picinin até tentou minimizar os erros, colocando a ponta Alix Klineman na linha de passe – geralmente ela fica fora, com a oposta Ramirez compondo a recepção do time ao lado da ponteira Michelle e da líbero Tássia. A estratégia de utilizar quatro passadoras se mostrou relativamente eficiente na segunda parcial, na qual o time se manteve à frente no placar até Tandara brilhar. A atacante brasileira, aliás, fez justamente o que se esperava de Ramirez quando foi o alvo do saque rival: colocou a bola pra cima e virou ataques importantes, mesmo quando precisou encarar um bloqueio montado pela frente.

Ramirez teve noite pra esquecer em Osasco (Foto: Alexandre Arruda/CBV)

Cada vez mais à vontade em Osasco, Tandara ainda foi a responsável por quatro dos dez bloqueios do time e, a cada vez que parava uma atacante rival, saia pulando e gesticulando como se dissesse: “Aqui não!”. É preciso ainda registrar que o time inteiro do Praia fez somente três pontos neste fundamento, exemplificando a queda de nível pela qual a equipe de Uberlândia passa na atualidade.

No terceiro set, muito da sobrevivência do Praia pode ser creditada a Alix Klineman. Foi, aliás, nesta parcial que Ramirez deixou definitivamente a quadra – substituída por Carla, a cubana transpareceu a insatisfação com o próprio desempenho fora de quadra: ao sair do ginásio José Liberatti em direção ao ônibus da equipe, ignorou os pedidos dos torcedores para uma foto e acabou tomando uma sonora vaia.

Por outro lado, era olhar a expressão das jogadoras de Osasco para visualizar o alívio sentido após o bom resultado. Ainda há um longo caminho a ser percorrido para a equipe sonhar em repetir tal vitória diante de um Rexona ou Minas: os erros individuais se acumulam em uma quantidade maior que a aceitável e falta uma oposta mais consistente – nem Ana Bjelica, que vem jogando, nem a reserva Paula Borgo conseguiram convencer até o momento. De qualquer maneira, o 3 a 0 desta quinta dá um gás daqueles em uma equipe que corre por fora em busca de um título que não vem desde 2012.

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Transmissão online atraiu um bom público (Foto: Reprodução)

Transmissões online

O duelo entre Vôlei Nestlé e Dentil/Praia Clube foi o primeiro da atual temporada a contar com transmissão online através do Facebook da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei). A novidade foi uma iniciativa de última hora tomada pela entidade em resposta a diversos protestos feitos por torcedores, dirigentes e atletas, todos insatisfeitos com o número de jogos que eram disponibilizados pela TV.

Ainda sem narração, a tentativa teve boa qualidade. Os torcedores, que puderam contar com três câmeras para acompanhar a partida e placar em tempo real, também responderam positivamente: durante o terceiro set, mais de 5500 pessoas estiveram online ao mesmo tempo.

Quem estava ligado ainda pôde acompanhar o jogo entre Camponesa/Minas e Fluminense, mostrado ao vivo através do YouTube. Com uma estrutura menor, o jogo contou com apenas uma câmera, teve problemas de atualização no placar e sofreu com uma queda no link, rapidamente corrigida. No momento em que atraiu mais interesse, cerca de 4 mil torcedores acompanhavam o que rolava em quadra. Nada mal para uma primeira experiência, que, esperamos, tem tudo para se repetir e ficar cada vez mais popular.


Embalado por Tandara, Vôlei Nestlé tira invencibilidade de Rexona-Sesc
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João Batista Junior

Vitória do Osasco evitou disparada do Rexona na ponta (fotos: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

Vitória do Osasco evitou disparada do Rexona na ponta (fotos: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

O termo “clássico” é bastante desgastado no esporte de um modo geral. Basta que uma equipe em ascensão enfrente um adversário com algum renome para que logo tachem o duelo como tal. No entanto, quando o time de Osasco e o do Rio de Janeiro estão em quadra, a tradição, a rivalidade e as salas de troféus fazem por merecer a denominação. Não importa que posição ocupem na tabela, seu confronto é um campeonato apartado. Pois o jogo da noite de terça-feira, entre Vôlei Nestlé e Rexona-Sesc, pela nona rodada da Superliga feminina, além dos ingredientes de sempre, foi em quadra o Clássico do Voleibol Brasileiro.

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Se a partida não foi tecnicamente primorosa, valeu pela emoção, pelas reviravoltas no placar e, até, pela graça que trouxe ao campeonato nacional. Com a vitória osasquense por 3 sets a 2 (23-25, 26-24, 20-25, 25-23, 15-13), o Rexona, último a perder a invencibilidade na competição feminina, viu diminuir sua distância em relação à concorrência.

As cariocas lideram com 25 pontos, quatro acima do segundo colocado – o Terracap/BRB/Brasília. Contudo, a diferença para o quinto colocado, o Genter Vôlei Bauru, caiu para apenas cinco pontos. O Vôlei Nestlé empata na pontuação com as brasilienses (21), mas perdem no set average e são as terceiras colocadas. Note-se, ainda, que só um ponto separa vice-líderes e quintas colocadas. Convenhamos, era difícil acreditar que a Superliga feminina parecesse tão embolada, a duas rodadas do encerramento dos jogos de ida da fase classificatória, ainda mais pelo fato de o Rexona-Sesc quase ter aberto seis pontos de vantagem.

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Antes de falar propriamente do jogo, é necessário fazer uma ressalva quanto à transmissão do SporTV na partida. É claro que a comoção com o acidente aéreo da Chapecoense, há duas semanas, é imensa, alcançou escala planetária, rompeu, inclusive, as barreiras do futebol, do esporte. É claro, também, que o sentimento universal de solidariedade – o qual nós, do Saída de Rede, compartilhamos – é extensivo aos 71 mortos no voo e também aos seis sobreviventes. O Vôlei, mesmo, também prestou homenagens à Chape. Mas questão é: em termos jornalísticos, era realmente relevante mostrar ao vivo a chegada do avião que conduzia dois dos feridos para Santa Catarina?

A transmissão da partida foi várias vezes interrompida nos dois primeiros sets para mostrar o avião chegando à pista e a porta aberta da aeronave à espera da saída do radialista Rafael Renzel e do lateral Alan Ruschel.

Anne Buijs foi substituída no terceiro set

Anne Buijs foi substituída no terceiro set

Uma dessas interrupções chegou a ser abreviada para mostrar um incêndio que, embora rapidamente controlado, deixou esfumaçada parte da arquibancada José Liberatti – segundo o SporTV, o susto foi causado papelões que pegaram fogo do lado de fora do ginásio. Noutra ocasião, na reta final do segundo set, o time de Osasco vencia por 22 a 18, quando a emissora mostrou a chegada da ambulância para transportá-los ao hospital da cidade. Quando ao vôlei voltou à cena, porém, eis que o time da casa estava salvando um set point.

O JOGO

O nervosismo das equipes e uma certa irregularidade no padrão do vôlei apresentado ficaram evidentes em erros na armação de contra-ataques e na profusão de sequências de pontos para um lado ou para outro. Redes encalharam com certa frequência e esse aspecto, se é negativo de um modo geral, trouxe imprevisibilidade ao clássico.

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O primeiro set parecia tranquilamente encaminhado para a equipe comandada pelo técnico Bernardinho, quando uma reação do time da casa, que perdia por 24 a 19, deu ares de thriller à parcial – que terminou 25 a 23. No segundo set, como já mencionado, o Rexona-Sesc fez seis pontos seguidos para virar de 22 a 18 para 24 a 22, mas aí sofreu quatro pontos em sequência. Já na terceira parcial, o Vôlei Nestlé abriu 9 a 3 para levar o empate e perder as rivais de vista.

O time do Rio, já no decorrer desse terceiro set, tinha em quadra a levantadora Camila Adão, a oposta Helô e a ponteira Drussyla, que estavam, respectivamente, no lugar de Roberta, Monique e Anne Buijs – esta, com cinco pontos anotados.

A princípio, as mudanças no Rexona surtiram efeito. Com 50% de eficiência nas cortadas, Helô foi um bom desafogo para o ataque de sua equipe, que pôde diminuir a sobrecarga dos ombros de Gabi – que marcou 19 pontos e foi a principal anotadora entre as visitantes, mesmo com obrigações na linha de passe.

As cariocas chegaram perto da vitória ainda na quarta parcial, quando lideraram o marcador por 21 a 18. No tie break, quando igualaram o placar logo após estarem perdendo por 9 a 5, elas mostraram que estavam aptas a seguir na luta. Contudo, não conseguiram parar um time empurrado pela torcida e embalado por Tandara.

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Tandara enfrenta bloqueio do Rexona-Sesc

Tandara enfrenta bloqueio do Rexona-Sesc

Entre iluminada e endiabrada, Tandara foi decisiva. Sem aliviar nas cortadas pelo meio fundo ou pela entrada de rede, a ponteira colocava a bola no chão da quadra contrária e anotou 32 pontos. Com 29 acertos no ataque, ela chegou a 53,7% de aproveitamento nesse quesito. O troféu VivaVôlei que levou para casa premiou uma das grandes atuações individuais até aqui na Superliga feminina.

Muito por conta dela foi que o Vôlei Nestlé, mesmo concedendo 29 pontos em erros contra 19 do Rexona, dominou no ataque (70 a 61) e chegou à virada. Ressalte-se também a boa partida da meio de rede Bia, que fez 17 pontos, sendo a maior bloqueadora do duelo, com cinco acertos no fundamento.

As duas equipes já voltam à quadra nesta sexta-feira. Em Osasco, o Vôlei Nestlé recebe o lanterna Renata Valinhos/Country, às 19h30, pelo horário de Brasília. Já o Rexona-Sesc, às 20h, tem pela frente o Camponesa/Minas, em Belo Horizonte.

Na vitória sobre o Praia, Jaqueline se apresentou à torcida do Minas (Orlando Bento/MTC)

Na vitória sobre o Praia, Jaqueline se apresentou à torcida do Minas (Orlando Bento/MTC)

OUTROS JOGOS

Noutra partida que despertava bastante interesse na rodada, nesta terça-feira, o Camponesa/Minas venceu o Dentil/Praia Clube por 3 sets a 1 (18-25, 25-17, 25-22, 25-21). No intervalo entre o segundo e o terceiro sets, a recém-contratada Jaqueline foi apresentada à torcida da casa. A oposta norte-americana Destinee Hooker, do Minas, anotou 17 pontos e empatou com a ponteira Pri Daroit como segunda pontuadora de sua equipe. Rosamaria, com 22 acertos, foi a maior anotadora do jogo empatada com a cubana Daymi Ramirez, do Praia – ainda desfalcado de Alix Klineman.

Fora de casa, diante do Rio do Sul, o Genter Vôlei Bauru emplacou a sexta vitória consecutiva – atualmente, por conta do revés sofrido pelo Rexona, a maior sequência da Superliga feminina. A equipe paulista venceu por 3 sets a 0 (25-19, 25-21, 28-26) e é quinta colocada, atrás do Praia Clube apenas pelos pontos average.

No Distrito Federal, o Terracap/BRB/Brasília recuperou a vice-liderança da Superliga batendo o Renata Valinhos/Country por 3 a 0 (25-15, 25-20, 25-23), com 15 pontos da central Larissa, eleita a melhor em quadra.

Nas duas outras partidas da noite, que não interferiram na posição das equipes dianteiras, o Fluminense venceu o Pinheiros, em São Paulo, por 3 a 1 (25-21, 16-25, 25-22, 25-21), e, em Santo André, o São Cristóvão Saúde/São Caetano passou pelo Sesi em cinco sets (25-22, 25-14, 21-25, 21-25, 15-12).


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