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“Tem sido difícil, mas era o certo”, diz Bernardinho sobre saída da seleção
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Sidrônio Henrique

Colocar um ponto final na sua história com a seleção masculina após 16 temporadas não foi fácil para Bernardinho. Dois meses depois de deixar o cargo, o técnico bicampeão olímpico e tri mundial, que hoje segue no comando do time feminino Rexona-Sesc, reflete sobre o peso da decisão. “Tem sido difícil, mas era o certo. É duro, mas era o correto”, afirmou ao Saída de Rede.

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Na segunda parte da entrevista ao SdR (veja aqui a primeira), Bernardinho fala ainda sobre seu papel na Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) de agora em diante (“não tenho cargo, sou um colaborador”), a relação entre clubes e seleção, a possibilidade de criação de uma liga independente no país, transmissões online e admite que, entre as inúmeras propostas que recebe do exterior, duas mexeram com ele.

Confira nossa conversa com Bernardo Rezende:

Saída de Rede – Qual a importância das transmissões online para a exposição dos patrocinadores?
Bernardinho – Todo tipo de visibilidade para os patrocinadores, desde que se respeitem as normas, é importante. Então as transmissões são fundamentais. Claro que é preciso se organizar, pois é um movimento conjunto. Não pode ser feito um contra o outro. Os clubes têm que ser beneficiados. Vivemos uma crise, ter patrocinadores é uma coisa cada vez mais difícil, então temos que pensar efetivamente nisso. Caso contrário, teremos um decréscimo de investimentos e, com isso, um empobrecimento dos clubes e do voleibol brasileiro, o que não é bom. E a seleção se alimenta dos clubes.

Bernardinho orienta suas atletas durante pedido de tempo (Alexandre Arruda/Rexona-Sesc)

Saída de Rede – Oito dos doze clubes da primeira divisão da Superliga masculina integram a Associação de Clubes de Vôlei (ACV)*. O que você acha da possibilidade de criação de uma liga no país?
Bernardinho – Tem que haver um sentido de liga efetivamente. Muitas vezes cada clube tem seus interesses próprios. Acho que se uma liga surgir atendendo o interesse de todos será bem-vinda, válida. Agora, tem que ter interlocução com a CBV, tem que conversar. Pode até ser que os clubes cheguem a um acordo e administrem a liga, né. Porém, autonomia para negociar não é tão simples. Se alguns dos clubes que estão de fora são importantes, como é o caso do Campinas (Brasil Kirin), então você vai ter que entender o porquê disso. Se é algo tão positivo, por que alguns times estão de fora?

Saída de Rede – Quais os empecilhos para a implantação de uma liga no Brasil?
Bernardinho – O que é uma liga? Uma liga é onde todos lutam, onde todos se beneficiam do bolo. Você briga na quadra, onde você tenta ganhar, só ali. O sentido tem que ser esse, não o de “ah, eu vou querer me beneficiar, eu vou querer prejudicar o outro”. E às vezes o que sinto que é uns clubes não têm interesse no benefício dos outros, olham somente para o interesse próprio. Então temos que fazer uma autoanálise, se realmente a intenção é nobre no sentido de criar uma liga onde todos de alguma forma se beneficiarão. Outra coisa são clubes que apenas chegaram, surgiram quererem também… Ah, calma! Vamos primeiro provar que nós temos condições de estar aí. Há uns com tradição, com história e têm todo o direito de pleitear uma posição de um comando maior, uma autonomia maior para traçar as diretrizes para o seu clube, para os times como um todo, para o campeonato, que já disputam há muito tempo, que é o caso de várias estruturas que estão aí há muitos anos, alguns há décadas. No caso do Rexona são 20 anos.

Técnico se irrita durante partida na Rio 2016 (FIVB)

Saída de Rede – De que maneira esse processo deveria se dar, caso a ideia seja levada adiante?
Bernardinho – Eu acho que, de alguma forma, é preciso pensar numa integração maior num primeiro momento e depois de muitos anos se tornaria isso, uma liga independente… Acho que os passos precisam ser dados. Tem que se pensar na forma de se fazer, se criar responsabilidades claras, punições também, para aquilo que não for cumprido dentro daquelas que seriam as normas. Não é somente criar e depois vem aquilo que é um pouco do sentimento do brasileiro, aquele paternalismo… “Ah, mas a Confederação (Brasileira de Vôlei) não tutela os nossos interesses”. Se é autonomia, então os clubes têm que ter autonomia e a capacidade de gerir a sua própria liga. Aí, acredito eu, a Confederação teria apenas a responsabilidade sobre questões técnicas, como a arbitragem, o regulamento. Mas todas as questões de patrocínio, de marketing seriam tuteladas por essa liga independente. Acho que tudo é uma questão de negociar, ninguém pode se furtar a debater o assunto, buscar soluções, o que for melhor para o voleibol.

Saída de Rede – Como é a relação entre clube e seleção?
Bernardinho – Muitas vezes vejo alguns clubes que têm certa dificuldade em colaborar com a seleção… Eu tenho até dificuldade de falar aqui, minha intenção é colaborar…  É que os clubes são muito importantes, mas a seleção é o carro-chefe do momento, as seleções… Por quê? As seleções formam os ídolos nacionais que os clubes vão querer contratar. “Ah, mas o jogador fica muito tempo na seleção, isso e aquilo”. Mas se o jogador não ficar muito tempo, e o tempo que ele fica lá é necessário para ter um grande resultado, o clube não vai se beneficiar. E sem os ídolos, os clubes não vão ter patrocínios. Isso é um fato. Então às vezes, sabe, há uma forma de se justificar totalmente equivocada. Seleção é o carro-chefe e os clubes são muito necessários e importantes. Eu digo isso porque eu estou à frente de um clube e não é há pouco tempo. A gente tem que entender que sem os ídolos da seleção os clubes não terão condições de se sustentar, pois os patrocinadores querem os grandes ídolos aqui no Brasil.

Saída de Rede – Quando você diz que alguns clubes têm dificuldade em colaborar, vê isso ocorrer mais no masculino ou no feminino?
Bernardinho – Um pouco mais no masculino.

Segundo o treinador, Taubaté não liberou Lipe para uma excursão com a seleção em 2015 (FIVB)

Saída de Rede – Por exemplo…
Bernardinho – Taubaté é um caso especial, com um dirigente bastante peculiar, que é o Ricardo Navajas, que eu não tenho nada contra. Muito pelo contrário, ele faz o trabalho dele, respeito o trabalho dele lá, mas ele nunca teve uma posição de colaboração. Prejudicar nunca prejudicou, agora nunca foi um cara que veio “ah, vamos apoiar”. Ele tem que entender que os ídolos do Taubaté são ídolos que foram feitos na seleção. Veja o Lucarelli… Ele não surgiu lá. Surgiu no Minas (Tênis Clube), depois foi pro Sesi, aí na seleção começou a ter mais maturidade e depois foi pra Taubaté. O Lipe (atualmente no voleibol turco, no Halkbank Ankara) longe de ter começado lá, como tantos outros, o Wallace, o Éder… Há de haver um entendimento sobre essas coisas, é preciso ter um equilíbrio. E a seleção… Eles falam “ah, a seleção quer ter mais tempo”. Mais tempo para se preparar. Em 2015, por exemplo, teve jogador que ficou de fora de uma excursão importante (aos EUA e à Europa), caso do Lipe, porque Taubaté não liberou. A excursão era importante porque fomos impedidos pela Federação Internacional de Vôlei de participar da Copa do Mundo e aquela era a última chance da gente avaliar a equipe na temporada. Eles (Taubaté) pressionaram para não participar, tanto é que o Lipe não viajou.

Saída de Rede – Essa resistência de alguns clubes é pelo desgaste do atleta, risco de lesão? O que eles argumentam?
Bernardinho – O argumento é sempre alguma coisa desse tipo, que os clubes têm mais competições, que é preciso… Digo os clubes de uma forma geral. Claro que no final há o bom senso, você tem o equilíbrio da temporada como um todo… Eu falei desse exemplo (do Taubaté), mas você tem isso nos clubes de uma forma geral, eles têm essa questão da disputa por espaço. As seleções têm que ter um espaço importante para as competições. Contusão acontece na seleção e acontece no clube. Nós todos temos que ter o bom senso de fazer aquilo que deve ser feito. Quando os jogadores se machucam nos clubes, o que acontece eventualmente, a seleção não fica “ah, olha os caras…”. Não, no alto rendimento isso pode acontecer, não é verdade? Terminou a Olimpíada do Rio, apesar de um sentir algo aqui e outro ali, todos estavam aptos a jogar, como jogaram até a final. Numa competição intensa, dura, dia sim, dia não, logo depois de uma Liga Mundial, onde nós chegamos a final também.

“Seleção é o carro-chefe, é fato” (FIVB)

Saída de Rede – Qual a saída para esse impasse?
Bernardinho – Que haja um entendimento que todos são profissionais competentes nos clubes e nas seleções. A intenção da seleção é ganhar títulos. Ao ganhar títulos e formar ídolos, a partir dessas conquistas, com a visibilidade que a seleção tem, os clubes se beneficiam disso, obviamente. Os clubes têm o papel de desenvolver esses jogadores. Sem os clubes as seleções não terão seu processo de alimentação realizado. As seleções precisam dos clubes. É importante que haja entendimento e que um colabore com o outro. Quanto mais as seleções forem vitoriosas e mais os clubes brasileiros desenvolverem grandes atletas e com isso atraírem patrocinadores, melhor para todo o movimento, nós vivemos disso. O problema às vezes é querer olhar apenas para o próprio umbigo. A gente tem que ter uma visão mais do todo, da importância de todos nesse processo. Somos todos peças de um grande mecanismo, mas o mesmo mecanismo, o voleibol brasileiro. Eu não tô agora mais na seleção, mas não adianta, é o carro-chefe, é fato.

Saída de Rede – Como foi deixar o cargo de técnico da seleção masculina depois do ouro na Rio 2016?
Bernardinho – Foi difícil… Mas aquilo nunca foi meu, eu era parte daquilo. Não era um feudo meu, estive lá por um tempo, os resultados foram satisfatórios, afinal fui mantido por um tempo até bastante longo, mas terminou. Agora eu vou colaborar naquilo que for pedido. Se quiserem a minha colaboração, jamais deixarei de colaborar com a seleção e principalmente com o Renan, que no caso está lá hoje e que é um irmão que a vida me deu. Ele é um cara excepcional, uma figura humana de primeiríssima qualidade. Eu tenho certeza que o trabalho dele vai ter um êxito incrível, numa nova forma de fazer. Claro que há um alinhamento, ele conhece muito, estava ali bem perto de todos nós, mas são coisas novas, situações novas.

Sobre Renan: “Figura humana de primeiríssima qualidade” (arquivo pessoal/Renan Dal Zotto)

Saída de Rede – Agora como coordenador técnico, até onde irá sua participação na seleção masculina?
Bernardinho – Na verdade eu não sou nada, sou um colaborador.

Saída de Rede – A CBV anunciou seu nome nesse cargo de coordenador técnico quando o Renan foi apresentado como novo treinador.
Bernardinho – Não, eu não tenho cargo, sou um colaborador. Fui chamado para uma reunião com todos os treinadores, fui lá na CBV, dei os meus pitacos, opiniões, falei, participei… Sempre que eu for chamado e tiver a possibilidade de ir, estarei lá. Agora, não é simples sair, tem sido difícil, mas era o certo. É duro, mas era o correto.

Saída de Rede – Você continua recebendo propostas do exterior?
Bernardinho – Muitas.

Saída de Rede – Alguma te balançou?
Bernardinho – Só as dos Estados Unidos me balançaram. Não pela proposta financeira, mas as possibilidades que elas abrem. Tive também da Europa e da Ásia, mas essas dos Estados Unidos mexeram comigo, vindas de duas universidades.

Saída de Rede – De quais universidades?
Bernardinho – Não quero dizer até porque há treinadores trabalhando lá. Mas me interessa porque envolve a questão da educação, combina área acadêmica e esporte. Isso é algo que eu não tive quando estudante. Eu me formei em economia (em 1984, na PUC-Rio) e queria fazer uma pós-graduação fora. Então poderia ter essa possibilidade agora. E também pelas meninas, minhas filhas (Júlia e Vitória), para elas também seria uma oportunidade interessante. Não tem sentido eu largar a seleção brasileira, uma seleção como essa, para dirigir um grande time na Europa. Que sentido isso tem, não é verdade? Se fosse para treinar um desses times, eu continuaria na seleção.
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*Sada Cruzeiro, JF Vôlei, Montes Claros, Funvic/Taubaté, Copel Telecom Maringá, Lebes Gedore Canoas, Sesi e Bento Vôlei integram a Associação de Clubes de Vôlei (ACV)


Maluco beleza do vôlei oferece dinheiro para árbitro apitar direito
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Sidrônio Henrique

Ex-jogador da seleção russa, o ponta defende atualmente o modesto Yenisey Krasnoyarsk (foto: FIVB)

O ponta russo Alexey Spiridonov, quase sempre no papel de maluco beleza do vôlei, continua aprontando das suas. Neste fim de semana, o atacante de 28 anos e 1,96m, conhecido tanto pelo seu talento como pelas constantes provocações, se superou. Irritado com a arbitragem durante um jogo da liga russa entre Yugra Samotlor e Yenisey Krasnoyarsk, seu clube, ele ofereceu, por meio de gestos e palavras, dinheiro ao segundo juiz para que “apitasse de maneira justa”. O Krasnoyarsk, visitante, perdeu a partida de virada por 1-3. O clube de Spiridonov está em oitavo lugar na tabela. Catorze equipes disputam a temporada 2016/2017, liderada pelo Zenit Kazan, que está invicto com 24 vitórias.

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“Os árbitros estavam ali para se certificar de que perderíamos a partida. Fazia tempo que eu não via um jogo da liga russa em que um time recebeu tanta ajuda. Que vergonha! Ganhei um cartão amarelo antes da partida começar, depois recebi um cartão vermelho e não sei nem a razão. Aí fui até o segundo árbitro e lhe ofereci dinheiro, só para que apitasse de maneira justa pelo restante da partida”, disse Spiridonov ao site russo sport.business-gazeta.ru.

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O ponteiro havia recebido um cartão amarelo antes mesmo início da partida por chutar um dos postes de sustentação da rede. O vermelho veio depois de uma reclamação de Spiridonov contra o segundo árbitro, que indicou toque no bloqueio após um ataque do adversário que o ponta dizia ter sido fora. O ex-jogador da seleção russa, cuja carreira é marcada pela indisciplina, não chegou a ser expulso da partida. Nesta segunda-feira (20), porém, a Federação Russa decidiu multá-lo em 10 mil rublos, o equivalente a R$ 537,58 – valor apenas simbólico. A penalidade foi aplicada, segundo a federação, “devido ao comportamento rude do atleta”.

Histórico de indisciplina
Spiridonov, que foi cortado semanas antes dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 por ter chegado embriagado à concentração da seleção e que não foi convocado para a Rio 2016, tem um histórico de confusões envolvendo colegas e adversários, incluindo o ex-técnico da seleção brasileira masculina Bernardinho. O então treinador do Brasil, durante as finais da Liga Mundial 2013, disse que o russo se comportava como um louco. Após a vitória sobre os brasileiros na final do torneio, Spiridonov fez um gesto obsceno para as câmeras e mencionou o nome de Bernardinho. Um ano antes, na liga russa, irritou tanto o levantador Sergey Grankin, colega de seleção e oponente na partida, que o adversário cruzou a rede para agredi-lo, sendo contido pelos demais.

Apelidado de Tintin pelo ponta francês Guillaume Samica, por sua semelhança com o personagem de quadrinhos belga, Alexey Spiridonov é um ponta completo, mas viu sua carreira prejudicada pelo pavio curto. Jogou as duas últimas temporadas pelo Zenit Kazan, mas foi dispensado no ano passado. Já se envolveu em polêmicas até mesmo fora da quadra, como quando debochou, em 2015, do embargo do governo russo aos produtos poloneses, irritando torcedores e jogadores da seleção da Polônia.


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Caso Unilever: encerramento de patrocínio é triste, mas não o fim do mundo
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Carolina Canossa

Apoio do Rexona será encerrado com o Mundial de clubes, em maio (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX)

A bomba solta por Fernanda Venturini na segunda (13) teve sua confirmação oficial no fim da tarde desta quarta (14): depois de 20 anos, a Unilever decidiu sair do vitorioso projeto iniciado em Curitiba e amadurecido no Rio de Janeiro. O ponto final da parceria será dado no Mundial de Clubes, programado para maio, no Japão.

Claro que a chegada de uma notícia como esta jamais será boa. Diante das dificuldades cada vez maiores neste período de ressaca olímpica, perder um apoiador de tal porte pode significar a saída de atletas de alto nível do país, sem contar com o menor incentivo na formação de jogadoras. Porém, não deve ser tratado como o fim do mundo. Explico as razões:

Seleção masculina perde mais uma peça-chave após saída de Bernardinho

Satisfeita, CBV busca patrocinadores para expandir transmissões online

– A saída não foi repentina. Boatos de uma possível mudança de estratégia no marketing da Unilever já estavam ocorrendo há pelo menos um ano e meio. A empresa, por exemplo, teve a sensibilidade de fazer uma transição adequada com o Sesc para não deixar profissionais sem trabalho de uma hora para outra, diferente do que já aconteceu em outras rupturas. Para quem não se lembra, em 2014 a Amil chegou a anunciar a substituição do técnico José Roberto Guimarães por Paulo Coco apenas uma semana antes de retirar o investimento, pegando as próprias atletas de surpresa;

– Apesar de ainda não estar claro qual será o nível de investimento do Sesc na próxima temporada, o time continuará na ativa. Mesmo que o orçamento seja menor, há a esperança de ao menos jovens atletas terem uma oportunidade de despontar em alto nível. Vale destacar que o Sesc já apoia um time masculino no Rio, comandado por Giovane Gávio, com um dinheiro razoável para a disputa da Superliga B;

Projeto começou no Paraná, onde ficou até 2003 (Fotos: Divulgação)

– O Rexona não é o primeiro e, infelizmente, não será a última equipe a passar por isso no vôlei nacional. Mas, ainda assim, o esporte continua. Pouco após a conquista do primeiro ouro olímpico no feminino, em Pequim 2008, o Bradesco decidiu romper o apoio dado a Osasco através da Finasa. Houve um certo pânico da época, mas o time está na ativa até hoje ao lado de um novo patrocinador, a Nestlé, que em 2011/2012 praticamente repetiu a escalação da seleção brasileira na equipe.

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A situação do vôlei brasileiro de clubes é perfeita? Longe disto. Há muita coisa a ser feita ainda. Aumentar a visibilidade dos patrocinadores, inclusive com a menção dos nomes deles pela Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão, é essencial. Mas, culpar apenas isso e a crise econômica vivida pelo Brasil pela saída da Unilever do vôlei, é analisar a situação de forma rasa.

Amil encerrou o projeto no vôlei uma semana após anunciar troca de técnicos

Isso porque crises econômicas não são exatamente uma novidade no país, que já viveu outros momentos de finanças em baixa desde 1997, data do início do apoio da Unilever ao time de Bernardinho. Além disso, nunca a Globo se dispôs a falar os nomes reais das equipes em quadra, sempre apelando para denominação de clubes ou das cidades nas quais são sediados. Ainda assim, a empresa permaneceu no jogo durante 20 anos e, quem conhece um mínimo de marketing e ambiente corporativo, sabe que isso não aconteceu por solidariedade. Se não desse retorno, eles certamente não teriam ficado tanto tempo no projeto. O mesmo acontece com outros times e grandes empresas que investem no esporte: ninguém colocaria dinheiro (que não é pouco) no vôlei se o produto não fosse bom.

Ciclos acabam e estratégias mudam. É da vida. Ao invés de se lamentar e promover uma “caça às bruxas”, quem gosta de vôlei precisa trabalhar (ou cobrar) mudanças no que não está bom. Só assim o Brasil continuará a crescer na modalidade.


Moreno: primeiro ídolo surgiu antes do boom do vôlei no Brasil
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Sidrônio Henrique

Antes de amistoso contra a China, em Santo André (SP), em 1978, Moreno recebe homenagem pela partida de número 300 pela seleção. Chegaria a 366 jogos (fotos: arquivo pessoal)

Antes de Giba, Marcelo Negrão, Wallace, Renan Dal Zotto, entre tantos outros ídolos numa lista bem extensa, o vôlei brasileiro teve Antônio Carlos Moreno. Você não o conhece? Pois saiba que, apesar da falta de memória do brasileiro ser cruel com ídolos do passado, ele é respeitado no mundo inteiro, a ponto do americano Doug Beal, referência internacional, dizer que ele merece um lugar no Hall da Fama e do japonês Yasutaka Matsudaira, melhor técnico do século XX, levá-lo duas vezes para o Japão e apresentá-lo como “meu filho brasileiro”.

Moreno era conhecido no Brasil nos anos 1970, muito antes do voleibol conquistar o status que tem atualmente. Era 1979 e o comercial da marca de artigos esportivos Topper anunciava o nome dos craques de quatro modalidades que apareciam no vídeo. Entre eles lá estava Moreno, então a cara do voleibol no país, dando um peixinho e depois atacando.

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Ainda faltavam três anos para o boom do vôlei no Brasil, elevado à condição de segundo esporte nacional pela geração de prata, da qual muitos atletas tiveram Antônio Carlos Moreno como modelo. Mas antes mesmo da explosão da modalidade, comerciais em rede nacional, convites de equipes do exterior, o respeito dos adversários e o carinho dos fãs faziam parte da vida dele. Isso numa época em que o voleibol quase não era visto na TV, longe de rivalizar com o basquete.

Versatilidade
Num período em que o vôlei era bem diferente daquele praticado hoje, Moreno fez de tudo: entrada, saída, meio. “Até levantador eu fui”, disse ao Saída de Rede o ex-jogador de 68 anos. Foi ponteiro a maior parte do tempo. Destro, aprendeu a atacar também com a esquerda, depois de uma lesão na mão direita que quase o tirou do Mundial 1974. Com 1,92m, era alto para os padrões da época.

Qualquer garoto que jogasse ou pensasse em jogar vôlei no Brasil nos anos 1970 queria ser o Moreno”, contou ao SdR Marcos Kwiek, técnico do Genter Vôlei Bauru, da seleção feminina da República Dominicana e ex-atleta do antigo ponta no clube Hebraica, em São Paulo. Antônio Carlos Moreno começou na seleção brasileira adulta com apenas 17 anos, em 1965, e se despediu dela aos 32, em 1980, sempre como titular – foi capitão de 1972 a 1980. Participou de 366 partidas internacionais, incluindo quatro Jogos Olímpicos, quatro Campeonatos Mundiais e quatro Jogos Pan-Americanos.

Moreno (camisa 5) antes de amistoso da seleção em São Paulo como preparação para o Pan 1971, em Cali, Colômbia

Filho único, nascido em Santo André (SP), em 11 de junho de 1948, Moreno descobriu a modalidade aos 11 anos, em 1959, no Instituto de Educação Dr. Américo Brasiliense, na sua cidade. No ano seguinte, começou a praticar o voleibol de forma competitiva no Clube Atlético Aramaçan, também em Santo André, onde vive até hoje.

Após chegar à seleção e se firmar como titular, com o aval dos veteranos, o garoto Antônio Carlos Moreno foi para o seu primeiro Mundial já ano seguinte, em 1966, na antiga Tchecoslováquia. Dois anos depois, aos 20, a maior emoção da sua carreira, a primeira Olimpíada. O Brasil ficou em um modesto nono lugar entre dez participantes na Cidade do México 1968. A qualidade técnica da nova geração alimentava o sonho de dias melhores para a modalidade no país, mas a falta de estrutura, em meio a uma gestão amadora, atrasou o desenvolvimento do voleibol brasileiro em uma década. “Íamos para torneios no exterior sem saber, por exemplo, o que era saque flutuante ou bloqueio ofensivo e aprendíamos durante as competições. Quase não havia intercâmbio”, comentou o craque.

Oportunidade no Japão
Mesmo muito jovem, Moreno chamava a atenção dos adversários. Na Copa do Mundo 1969, disputada na extinta Alemanha Oriental, caiu nas graças do treinador japonês Yasutaka Matsudaira, que estruturava a seleção que encantaria o mundo três anos mais tarde com seu jogo rápido, na Olimpíada de Munique, em 1972. Matsudaira foi escolhido pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB), em 2000, como o melhor técnico de equipes masculinas do século XX. No final dos anos 1960, nasceu entre ele e Moreno uma amizade que duraria até o falecimento do japonês em 2011.

Foto de uma revista especializada japonesa em nota sobre a chegada de Moreno ao país, em 1972. Ao lado dele, o técnico Nobuhiro Imai, que treinou a seleção feminina do Japão

O lendário treinador levaria o brasileiro para jogar na liga do Japão, uma potência na época, em 1972 e em 1977. Os atletas japoneses atuavam sob regime profissional, dedicando-se exclusivamente ao voleibol. Enquanto isso, no Brasil, os clubes treinavam duas horas por dia, quando era possível. A situação mais comum era que os jogadores tivessem empregos tradicionais pela manhã e à tarde, indo para o treino à noite. Os períodos de concentração da seleção brasileira raramente ultrapassavam dois meses e eram interrompidos para que os atletas pudessem atender compromissos nos seus empregos. Alguns acabavam pedindo dispensa para não ficar sem trabalho.

Treinos insuficientes
Moreno recorda que o time que foi a Munique 1972 era tecnicamente muito bom, mas a carga incompleta de treinos e a má sorte no sorteio das chaves (seis times divididos em dois grupos) atrapalharam os brasileiros. A equipe comandada pelo técnico Valderbi Romani caiu no mesmo lado do Japão e da Alemanha Oriental, que seriam ouro e prata, respectivamente. Naquele tempo, os dois primeiros avançavam à semifinal, terceiro e quarto disputavam do quinto ao oitavo lugares, e os dois últimos do nono ao décimo segundo lugar.

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O Brasil terminaria em oitavo em Munique, abatido após uma fase inicial em que jogou de igual para igual com os alemães orientais (veja vídeo no final deste texto) e engrossou dois sets contra o Japão de Matsudaira e do genial Katsutoshi Nekoda, o pai dos levantadores modernos, com seu estilo arrojado. Moreno ficaria amigo também de Nekoda, de quem havia se aproximado em 1969, durante a Copa do Mundo. O armador japonês faleceria em 1983, aos 39 anos, devido a um câncer no estômago.

Moreno (5), aos 17 anos, em 1965, na equipe juvenil do Randi, clube de Santo André (SP)

Ambidestro
Faltavam 37 dias para o Mundial 1974, no México, quando Moreno se acidentou numa porta de vidro e rompeu o tendão do dedo indicador da mão direita. Parecia o sinal vermelho para suas pretensões de ir a seu terceiro Campeonato Mundial, após as edições de 1966 e 1970. O atacante ficou desesperado, mas apostou na recuperação e, para compensar a impossibilidade de utilizar a mão direita, aprendeu a atacar com a esquerda. Foi ao torneio no México. “Era um ataque forte com a esquerda. Não tanto quanto com a direita, mas havia potência”, conta Luiz Eymard, colega de seleção de Moreno e um dos grandes nomes do voleibol brasileiro nos anos 1970.

Nas quadras mexicanas, Antônio Carlos Moreno ficava receoso de machucar ainda mais o dedo lesionado, principalmente na hora de bloquear. “Os cubanos sabiam da lesão e atacavam com força na minha mão direita. Doía uma barbaridade”, mencionou.

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Veio a Olimpíada de Montreal 1976 e o Brasil subiu mais um posto, terminando em sétimo, mas seria a partir do ciclo seguinte que o país daria um salto de qualidade no voleibol masculino. Carlos Arthur Nuzman, atual presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), havia assumido a presidência da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) em 1975. Sob sua gestão, a modalidade cresceu.

Futuro promissor para o vôlei
A seleção masculina, no período 1977-1980, deu seus primeiros passos rumo às medalhas que conquistaria no ciclo 1981-1984. Revelações do início dos anos 1970, como William Carvalho e Bernard Rajzman, somavam-se aos talentos revelados no Mundial Juvenil 1977, como Renan Dal Zotto, Mário Xandó e José Montanaro, entre outros. “Aqueles meninos eram craques, como ficaria evidente mais tarde”, relembrou.

Em peça publicitária da Topper, de 1979, que circulava em revistas. Havia também um comercial na TV

Moreno se mantinha em evidência. Nos Jogos Pan-Americanos 1979 ele foi incluído pela terceira vez consecutiva na seleção do torneio. Conquistou medalha em todas as quatro edições de que participou: três pratas (1967, 1975 e 1979) e um bronze (1971).

Se os Jogos Olímpicos da Cidade do México 1968 ocupam lugar especial na sua memória por terem sido os primeiros, os de Moscou 1980 marcam sua melhor participação numa Olimpíada e também são lembrados com carinho. O quinto lugar, na sua despedida da seleção brasileira, demonstrou que a equipe tinha potencial para um futuro brilhante.

O momento mais marcante foi a virada por 3-2 sobre a Polônia, que chegou à capital russa para defender o título olímpico, comandada pelo atacante Tomasz Wojtowicz, o homem que quatro anos antes havia criado o ataque da linha dos três metros. A Polônia terminaria em quarto lugar em Moscou 1980, mas ainda era um dos melhores times do mundo. Foi a primeira vez que o Brasil derrotou uma potência numa Olimpíada, na sua melhor colocação até ali.

Técnico da seleção
Antônio Carlos Moreno já havia decidido que era hora de deixar a seleção. Queria sair ainda jogando bom voleibol e partir para uma experiência que vinha adiando havia alguns anos: uma temporada na liga italiana. Antes, atendeu a um convite de Nuzman e assumiu interinamente, de agosto a novembro de 1980, o cargo de técnico da seleção, em substituição a Paulo Russo, numa série de partidas contra a França e na Canadian Cup, torneio amistoso em que a seleção brasileira foi vice-campeã, perdendo a final para os Estados Unidos.

“A estrela de Moreno brilha no Palalido”, informa o título do jornal italiano, numa referência ao brasileiro e ao ginásio da partida, em Milão

Cumprido o compromisso com Nuzman, foi para o Gonzaga Milano, uma das principais equipes da Itália, e jogou, com destaque (veja imagem ao lado), por uma temporada, para depois voltar ao Brasil. Despediu-se das quadras em casa, Santo André, pela excepcional equipe da Pirelli, em 1982. Conquistou diversos títulos estaduais, brasileiros e sul-americanos. O amadorismo do voleibol no país o impediu de alçar voos mais altos com a seleção.

Seguiu a carreira de técnico, com a qual vinha flertando desde 1975, nas categorias inferiores. Comandou times grandes, como Pirelli e Banespa, ao longo dos anos 1980, depois de se aposentar como jogador. Suas atividades no ramo empresarial o afastavam às vezes do esporte, mas sempre que podia voltava à beira da quadra. Treinou sua última equipe em 2004, na Hebraica.

Formação profissional
Graduado em administração de empresas, fez mestrado em educação física na Universidade de São Paulo (USP) e especializou-se em gestão esportiva pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Participou da formação de mais de mil treinadores de diversas modalidades. Fala quatro idiomas além do português: espanhol, italiano, inglês e alemão. Quando o repórter diz que soube que ele falava também francês e japonês (servia como intérprete de Matsudaira nas suas viagens ao Brasil), Moreno retruca: “Esses aí eu esqueci, já não falo direito”.

Atualmente, ele trabalha no Instituto Olímpico Brasileiro, departamento do COB voltado à educação de atletas, treinadores e outros profissionais vinculados ao esporte. Na Rio 2016, por exemplo, ele atuou junto a equipes e atletas que conquistaram sete das 19 medalhas obtidas pelo Brasil.

Moreno, a esposa e os seis filhos

Prazer em ajudar
Criado pela mãe – o pai os deixou quando ainda era pequeno –, Moreno diz que aprendeu desde cedo com ela, que trabalhava como telefonista na Prefeitura Municipal de Santo André, a valorizar o aprendizado. “Tenho enorme prazer em auxiliar, contribuir, encorajar pessoas para que se desenvolvam cada dia mais, vencendo barreiras. Ser lembrado nunca foi meu objetivo, mas o reconhecimento de alunos, atletas, profissionais de diversas áreas e níveis é a minha grande recompensa”.

Moreno é casado com Selma e tem seis filhos – dois deles são técnicos de vôlei em universidades americanas. Até o final do ano nascerá seu oitavo neto.

Mesmo não tendo nenhuma medalha como atleta pelo Brasil numa competição global e sendo de um país de memória curta, Antônio Carlos Moreno tem lugar entre os grandes da história do vôlei. Estava à frente do seu tempo e foi peça essencial na evolução de uma modalidade que hoje coleciona títulos para o Brasil. Um exemplo para quem teve a chance de conviver com ele. Nas palavras do atacante José Montanaro, expoente da geração de prata, “Moreno foi um mestre dentro e fora das quadras”.

(Veja abaixo trecho de uma partida em Munique 1972 entre Brasil e Alemanha Oriental, equipe campeã mundial e que ficaria com a prata naqueles Jogos Olímpicos. Moreno é o camisa 5.)

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HISTÓRIAS DE ANTÔNIO CARLOS MORENO

Vendedor de café
Era 1966, ele tinha 18 anos e embarcava para o seu primeiro Campeonato Mundial, na extinta Tchecoslováquia. Começava a trabalhar e estudar, não tinha grana. Queria comprar presentes, material esportivo e teve uma ideia ao descobrir que o café brasileiro era artigo raro, cobiçado e obviamente caro no leste europeu. Avisou aos colegas. Levou 20 quilos na mala. Os demais levaram o que podiam. O jovem Moreno ficou encarregado de intermediar a venda. Quando chegaram a Pardubice, cidade onde o Brasil jogou a primeira fase do torneio, ele pediu que os colegas lhe entregassem todo o café que tinham. Ficou com 180 quilos em seu quarto. Procurou um funcionário do hotel, que demonstrou interesse no produto. Cobrou 10 vezes o preço que havia pagado no Brasil, o que ainda era metade do valor cobrado na Tchecoslováquia. Vendeu tudo rapidamente, em apenas dois dias. Ele e os companheiros de time compraram presentes para a família, os amigos, além de material esportivo, claro.

Cadê o ginásio?
No curto período de treinamento para a Olimpíada da Cidade do México, em 1968, uma das preocupações da comissão técnica era a altitude da capital mexicana (2.250m). Resolveram que, para se adaptar, a seleção deveria passar um período em Campos do Jordão (1.628m). Chegaram lá, se hospedaram e no dia seguinte iam treinar no ginásio. Que ginásio? A seleção brasileira ficou concentrada em uma cidade que não tinha espaço apropriado para treinamento e ninguém da delegação sabia disso. A solução foi procurar um. Depois de horas e diversos telefonemas, encontraram um local adequado a 30 quilômetros dali.

Imagem icônica do terrorista na varanda do prédio onde estava a delegação israelense em Munique 1972

Testemunha do terror em Munique
Em Munique 1972 houve o ataque de oito terroristas palestinos, da organização Setembro Negro, que resultou na morte de 11 integrantes da delegação israelense. O bloco em que estavam os brasileiros era vizinho ao de Israel. “Ninguém saía da vila olímpica. Sabe aquela imagem famosa em que aparece o terrorista encapuzado? Eu via esse sujeito da nossa janela. E vi também quando houve aquela fila, dos terroristas e dos israelenses, se dirigindo para o ônibus para irem ao aeroporto. Foi o momento mais tenso e mais triste da minha vida esportiva”, contou Moreno.

Almoço com a rainha da Inglaterra
Os Jogos de Montreal 1976 tiveram a visita da rainha da Inglaterra, Elizabeth II – o Canadá faz parte da Comunidade Britânica de Nações. Foi programado um almoço para ela na vila olímpica. Ao saber disso, Moreno decidiu que ia “almoçar com a rainha”. Tratou de descobrir na véspera em que parte do refeitório ela ficaria e chegou uma hora antes na data marcada (não havia jogo nem treino naquele momento), para ficar o mais perto possível. “Havia todo um aparato de segurança, então fiquei um pouquinho longe, mas mesmo assim fiquei de olho nela, almocei olhando para a rainha da Inglaterra. Não é algo comum”, divertiu-se o ex-atleta.

Certificado de participação em Moscou 1980: quinto lugar era a melhor colocação do Brasil

Amizade com Zaytsev e câmbio na vila olímpica
Um das amizades que Moreno fez no mundo do vôlei foi com o levantador soviético Vyacheslav Zaytsev, pai do craque italiano Ivan Zaytsev. Prata em Montreal 1976, conquistaria seu cobiçado ouro em Moscou 1980 (ganharia outra prata em Seul 1988). Sempre que havia tempo, se encontrava com o brasileiro na vila olímpica moscovita. “Éramos muito amigos. Ele queria sempre saber coisas do Brasil e eu da União Soviética. Como era difícil comprar rublos (moeda local), rolava uma ajuda mútua. Eles cobiçavam dólares e a compra lá era restrita. Nós brasileiros precisávamos de rublos. Então nós dois fazíamos essa ponte entre nossas seleções. Eu dava ao Zaytsev dólares e ele vinha com os rublos”.

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O QUE DIZEM SOBRE MORENO

Doug Beal

“Moreno foi um dos maiores atletas que enfrentei. Ele e o Luiz Eymard foram os melhores brasileiros contra quem joguei. Moreno era extremamente inteligente. Se o Brasil tivesse ganhado alguma medalha nos anos 1970, certamente ele estaria no Hall da Fama, ali é o lugar dele. Um jogador completo”. Doug Beal, ex-atleta, ex-técnico dos EUA (ganhou o ouro em Los Angeles 1984) e ex-diretor executivo da USA Volleyball

José Roberto Guimarães

“Antônio Carlos Moreno foi um espelho fantástico, eu procurava fazer o que ele fazia, até no modo de me comportar. Muito jovem, o Moreno já era fluente em inglês e em alemão, uma cabeça extraordinária. Eu tinha 13 anos, morava em Santo André, quando fui jogar nas categorias de base do Randi (clube da cidade que antecedeu a Pirelli). Embora o Moreno tivesse só 19 anos, já era uma referência, era da seleção. Dominava todos os fundamentos, tinha facilidade de jogar, era diferenciado, atacava com os dois braços. Ele teve uma influência muito grande sobre mim”. José Roberto Guimarães, técnico tricampeão olímpico, colega de clube de Moreno e companheiro de seleção de 1973 a 1977

Bernardinho em Moscou 1980

“O Moreno foi uma referência muito importante no voleibol, foi um ícone. Eu comecei a ser convocado para a seleção brasileira em 1978, 1979 e tive minha primeira participação efetiva na Olimpíada de Moscou, em 1980. Ele era o capitão e transmitia pra gente toda a seriedade do trabalho, sua rigidez de valores, a importância de fazer a coisa certa. Ele foi muito importante para aquela geração de jovens talentosos que chegava para transformar o voleibol no Brasil. Tínhamos Renan, Xandó, Amauri, Montanaro e outros. O Moreno era um líder. Inclusive ele foi nosso técnico antes do Bebeto (de Freitas) assumir, nos treinou num torneio amistoso no Canadá, após a Olimpíada de Moscou”. Bernardinho, técnico bicampeão olímpico e tricampeão mundial, integrante da geração de prata e companheiro de seleção de 1978 a 1980

José Montanaro

“Ele era uma referência não só pra gente no Brasil, mas no mundo, numa época em que o voleibol não tinha repercussão aqui no país. Quando fui para a seleção adulta, a partir de 1978, ele era o capitão. Olha, o Moreno era um mestre dentro e fora das quadras, ajudou muito na formação da geração de prata. Foi meu técnico mais tarde no Banespa. É uma pessoa de muito valor. O cara era a eficiência em carne e osso, tinha muito conteúdo, inteligente demais, abria nossos horizontes, excelente em todos os fundamentos e ainda atacava com os dois braços”. José Montanaro, colega de Moreno na seleção de 1978 a 1980, foi prata no Mundial 1982 e na Olimpíada 1984

Carlos Arthur Nuzman

“Antônio Carlos Moreno é um dos grandes nomes da história do voleibol brasileiro. Seu equilíbrio e liderança, dentro e fora das quadras, o fizeram um grande capitão da seleção. Respeitado por todos, foi um dos atletas que deixou importante legado para a geração de prata. Moreno só fez amigos no voleibol, sempre conduziu sua carreira com elegância, dignidade e competência. Essas mesmas características ele trouxe para sua vida profissional e hoje realiza extraordinário trabalho no COB, ajudando a formar novos gestores para o esporte brasileiro no Instituto Olímpico Brasileiro”. Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, ex-presidente da CBV, ex-atleta da modalidade

Luiz Eymard

“Imagine um cara diferenciado. Era o Moreno. Ele foi minha primeira referência como atleta. Ainda me lembro da primeira competição ao lado dele, o Campeonato Sul-Americano 1967, em Santos. O Moreno é só um ano mais velho do que eu, mas era o modelo a ser seguido. Tinha um jogo refinado, atacava com os dois braços, se antecipava. O Moreno estimulava todo mundo a tentar ser melhor”. Luiz Eymard Zech Coelho, ex-jogador do Minas Tênis Clube e da seleção brasileira

Marcos Kwiek

“Qualquer garoto que jogasse ou pensasse em jogar vôlei no Brasil nos anos 1970 queria ser o Moreno. Ele é um dos maiores ídolos de todos os tempos do voleibol brasileiro. Infelizmente, quase não há material sobre ele, um atleta que foi reconhecido pelo seu jogo no mundo todo. Moreno foi minha inspiração para entrar no esporte, fazer educação física. Uma pessoa do bem. Ele é o cara”. Marcos Kwiek, técnico do Genter Vôlei Bauru, da seleção feminina da República Dominicana e ex-atleta de Moreno no clube Hebraica, em São Paulo


Seleção masculina perde mais uma peça-chave após saída de Bernardinho
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Sidrônio Henrique

Bernardinho e Roberta: parceria de 20 anos com títulos no clube e na seleção (fotos: arquivo pessoal)

Ela é a voz na cabeça de Bernardinho há 20 anos. Sabe aquele fone de ouvido que você cansou de ver o técnico arrancar quando tem raiva? Ela está do outro lado – e não é por sua causa que ele se irrita, longe disso. Suas análises, tanto dos jogos da seleção brasileira quanto dos adversários, foram fundamentais em todas as grandes conquistas de um time com um cartel impressionante. Formada em educação física, porém atuando na área de estatística, Roberta Giglio segue ao lado do chefe no Rexona-Sesc, mas decidiu colocar um ponto final na sua história com a seleção masculina. “Era uma rotina muito desgastante, eu queria sair há algum tempo e o Bernardinho me segurava. Aproveitei a saída dele e agora vou cuidar da minha vida. Mas saio com a sensação de que fiz tudo o que poderia fazer”, disse Roberta, 45 anos, ao Saída de Rede. Ela é mais uma peça-chave da antiga comissão técnica que deixa a seleção, após Rubinho abrir mão, em janeiro, do cargo de assistente do novo treinador.

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Foi Renan Dal Zotto, o substituto de Bernardinho, quem a apresentou ao multicampeão em 1997. Roberta Giglio estava com Renan pela segunda temporada na Superliga masculina, na extinta equipe da Olympikus, quando conheceu Bernardo Rezende, que a levou para o Rexona, então com sede em Curitiba. Naquele mesmo ano ela começou a trabalhar para a seleção feminina, também treinada por ele. A dobradinha Rexona/seleção começou ali e não parou mais. Em 2001, quando Bernardinho assumiu o comando do masculino, Robertinha, como é chamada, foi junto.

Robertinha analisava o desempenho do Brasil e do adversário

Zé Roberto
Graduou-se em educação física em 1993, na FMU, em São Paulo, mas antes mesmo de formada já dava seus primeiros passos no voleibol. Não dentro das quadras, afinal a altura de 1,63m não ajudava muito e não havia líbero naquela época. Começou fazendo anotações em torneios infantojuvenis, até que em 1992 foi trabalhar com o técnico José Roberto Guimarães, no antigo time feminino Colgate São Caetano.

Ricardo Trade, o Baka, hoje diretor executivo da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), foi contemporâneo dela na faculdade, era preparador físico na Colgate e a chamou para fazer estatística. Pouco tempo depois, Sérgio Negrão assumiu a equipe e ela foi mantida. Ficou em São Caetano de 1992 a 1995, depois foi trabalhar no vôlei masculino, com Renan Dal Zotto, de 1995 a 1997, até engatar a parceria definitiva com Bernardinho.

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Não faltam episódios curiosos dessa relação profissional de 20 anos. Nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, ela não pôde acompanhar a delegação da seleção feminina, devido ao número limitado de profissionais que poderiam ser credenciados então. A solução foi preparar vídeos e análises dos adversários a toque de caixa e se manter em contato com o assistente Chico dos Santos, que fez as vezes de estatístico.

Comissão técnica da seleção masculina após a conquista da Liga Mundial 2006, em Moscou, Rússia

Choro
Atenas 2004, já com a seleção masculina, foi um título marcante, mas também um pesadelo em termos de trabalho. “Era uma loucura, pois eu ainda fazia as análises sozinha. Eram seis jogos por rodada na fase inicial. Nos últimos dias eu chorava para aquilo acabar, não aguentava mais. Como a primeira partida era às 8h30, lá pelas 7h30 eu estava no ginásio. Saía depois da meia-noite, às vezes chegava às 2h na vila olímpica e o Bernardinho estava me esperando. Eu virava a noite para entregar tudo, quase não dormia. Nos dias em que o masculino não jogava, fazia análises”, relembrou Roberta Giglio.

Desde que passou a integrar a comissão técnica da seleção brasileira, há 20 anos, ficava pelo menos seis meses fora de casa. “Às vezes emendava cinco semanas no exterior, uma loucura”, completou. De todos os continentes, só não foi à África. Esteve em 40 países. Somente ao Japão foram 18 viagens, sempre na classe econômica. “Muitas vezes na poltrona do meio”, afirmou rindo.

“Robeeertaaaa”
Na seleção, dividia os ouvidos de Bernardinho com o assistente técnico Rubinho. “Ali era o Rubinho quem falava mais. Mas no Rexona só sou eu mesma”. No clube, ela enfatizou, as cobranças não diminuem. “É o mesmo trabalho, a mesma exigência”.

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Às vezes há momentos engraçados. Na semifinal da Copa Brasil 2017, diante do Dentil/Praia Clube, uma cena hilária. “De repente ouvi gritos vindos lá de perto do banco, o Bernardinho berrando ‘Robeeertaaaa’, mas eu achava que era com a levantadora (Roberta Ratzke). Aí olho pra quadra, a Roberta estava me olhando e disse ‘é contigo’. Ele esqueceu de apertar o botão pra falar no fone, por isso eu nunca ia achar que era comigo. As jogadoras reservas se acabando de rir e ele cada vez mais bravo com a demora”, contou Robertinha, que nutre grande admiração pelo chefe.

Com a ajuda do pai, ela desenvolveu software que representa diferencial para a seleção e o Rexona

Software
Foi com a ajuda do pai, o aposentado Cláudio Giglio, que durante 30 anos trabalhou para a multinacional Philips e era autodidata em computação, que ela deu uma das maiores contribuições ao voleibol brasileiro. Tendo como referência o software Data Volley, desenvolvido pelos italianos para análises estatísticas e largamente utilizado ao redor do mundo, ela criou uma versão tão perfeita que os estrangeiros ficavam curiosos a respeito.

Nunca deu nome ao software, que fez pensando em seu trabalho na seleção. Os upgrades no programa são constantes e somente ela o utiliza. “Isso sempre despertou muita curiosidade. Eu, uma mulher, fazendo tudo diferente no meio de um monte de homem, e meu trabalho era referência. Sempre tinha gente de olho, até porque ganhamos muitos títulos”. O mais recente foi o ouro olímpico na Rio 2016. “Minha função não envolve apenas estatística, mas estratégia também. Esse software me ajuda a acelerar as análises”, ressaltou.

Robertinha ainda não sabe o que vai fazer após a temporada de clubes, mas pensa em sossegar um pouco. “Preciso curtir minha casa em São Paulo, pois quase não vou lá. Quando não estou viajando com o time do Rexona, acabo ficando no Rio”.


“Sempre estarei à disposição”, diz Jaqueline sobre seleção brasileira
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Sidrônio Henrique

“Se eu não for convocada, OK. Se eu for, vamos lá” (fotos: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

Ela voltou. Ainda longe da forma ideal, como fez questão de ressaltar, mas o suficiente para ser titular no ascendente Camponesa/Minas e disposta a continuar a servir à seleção. “Sempre estarei à disposição. Se eu não for convocada, OK. Se eu for, vamos lá”, disse ao Saída de Rede a ponteira bicampeã olímpica Jaqueline Carvalho Endres. Nem cogite a possibilidade de ela se afastar voluntariamente da seleção. “Vocês querem me aposentar, né?”, brincou com o SdR. Imagina, Jaqueline, a gente sabe que você ainda tem o que oferecer. Que o diga o Minas. Após um primeiro turno opaco na Superliga 2016/2017, está invicto no returno, com a presença da ponta veterana no sexteto principal nas três últimas partidas, além da oposta americana Destinee Hooker disparando mísseis.

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“Faz só um mês que eu estou treinando, é pouco tempo. As meninas estão aí há quatro meses num ritmo bom. O que importa é ajudar a equipe, estou ganhando ritmo aos poucos. Todo mundo me ajudando sempre, eu só tenho a agradecer às meninas. Minha função aqui nem é pontuar, é dar volume de jogo porque o time tem grandes atacantes pra botar a bola no chão. Então tenho plena noção do que vim fazer aqui. Aos pouquinhos a gente vai incomodar, estamos em quarto lugar, estamos evoluindo”, analisou Jaqueline.

Ao lado da líbero Léia, ela tem organizado a linha de passe do Camponesa/Minas

Passe na mão
De fato, embora tenha contribuído pouco no ataque nas três partidas em que foi titular, a ponta de 33 anos foi decisiva no passe. Ao lado da líbero Léia, ela tem coberto a outra ponteira, Rosamaria Montibeller, na linha de recepção. Sobra pouco espaço para Rosamaria, que até bem pouco era oposta, passar – ela migrou da saída para a entrada depois da chegada de Hooker na metade do primeiro turno. Com o duo Jaqueline e Léia, a levantadora Naiane tem conseguido trabalhar com o passe na mão a maior parte do tempo. Assim, acionar as centrais Carol Gattaz e Mara ou ainda as atacantes de extremidade como Rosamaria e Hooker tem sido mais simples.

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Não que Hooker, por exemplo, não seja capaz de se desvencilhar de um paredão triplo, mas é sempre melhor enfrentar um bloqueio quebrado. Eis uma das grandes contribuições de Jaqueline, que se destaca também na defesa, além do bom desempenho no saque e no bloqueio.

Jaqueline chora após eliminação da seleção na Rio 2016 (foto: FIVB)

Título possível
Jaqueline está confiante na equipe, diz que o título é possível. Atualmente, após 18 rodadas de um total de 22, o Minas está em quarto lugar com 36 pontos, seis a menos do que o Vôlei Nestlé, terceiro colocado. Há duas temporadas ela também se juntou ao Minas com a competição em andamento, porém mais cedo, e ajudou o time a chegar às semifinais. “Acredito muito na minha equipe e a gente vai em busca do título. Vamos melhorando, crescendo. A gente vai beliscando adversários contra quem no primeiro turno a gente não foi muito bem”.

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A última vítima foi justamente o Vôlei Nestlé, time de maior orçamento da Superliga feminina. Jogando em Belo Horizonte, diante de 3,2 mil torcedores, o Camponesa/Minas chamou a equipe de Osasco para um rolê e lhe aplicou um 3-0.

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Este ano, em dez partidas, a única derrota da tradicional equipe mineira foi na final da Copa Brasil para o Rexona-Sesc, onze vezes campeão da Superliga e líder desta edição. O time de Bernardinho, que neste sábado (18) conquistou pela quarta vez o Sul-Americano de Clubes, é o favorito para vencer o principal torneio nacional mais uma vez.

A veterana ponteira passou a ser titular na partida contra o Rio do Sul no returno

Ponto fora da curva
Foi o próprio treinador multicampeão quem destacou a importância de Jaqueline, numa entrevista concedida ao SdR em 2016: “No cenário internacional, a Jaqueline é um ponto fora da curva, ela é a principal passadora do voleibol mundial”. Palavras de Bernardo Rezende.

O ano passado não foi dos mais fáceis para a veterana ponteira. Logo após a conquista do 11º título do Grand Prix, menos de um mês antes da Rio 2016, o técnico José Roberto Guimarães informou que Jaqueline não estava totalmente recuperada fisicamente – foi reserva na Olimpíada. Na temporada de clubes 2015/2016 ela havia apresentado alguns problemas físicos e no início da preparação da seleção sofreu uma entorse no joelho esquerdo. Tudo isso, ela garantiu, ficou para trás. “Estou me sentindo muito bem”.

Durante aquecimento, na Arena Minas, em Belo Horizonte

Deixa a vida me levar…
Em relação à seleção, Jaqueline enfatizou que está relaxada. “Eu estou deixando a vida me levar, não pensei em me aposentar da seleção. Quero deixar as coisas acontecerem naturalmente, sem ninguém me incomodar”.

Ela acompanhou ainda a manifestação do marido, Murilo Endres (ponta do Sesi), sobre as restrições para a exibição dos jogos da Superliga em outros meios além da TV. “Acho certo o que o Murilo colocou no Twitter, seria bacana para os patrocinadores essa maior visibilidade. Muitos fãs não podem pagar pela TV fechada, querem acompanhar os jogos e não têm condições. Acho super importante o que ele fez, a forma como se manifestou. A CBV não gostou, mas há outras equipes aderindo a isso. O mais importante é a gente fazer um espetáculo para os fãs assistirem e os patrocinadores terem mais visibilidade”, arrematou Jaqueline.


Sem descanso, Rubinho faz “maratona” na preparação para voltar ao mercado
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Carolina Canossa

Rubinho comandou o Brasil em duas edições do Pan e no início da Liga Mundial de 2015 (Foto: Wander Roberto/CBV)

Rubinho comandou o Brasil em duas edições do Pan e no início da Liga Mundial de 2015 (Fotos: Divulgação/CBV)

Oito dias após o anúncio oficial de que estava fora da seleção masculina de vôlei, o assistente técnico Rubinho ainda não se permitiu um descanso. Apontado publicamente pelo próprio Bernardinho como a melhor opção para substitui-lo no cargo, o treinador tomou a decisão de deixar o emprego após ser preterido pela cúpula da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) em prol de Renan Dal Zotto, ex-jogador de sucesso, mas que há oito anos não trabalha na função. Desde então, concedeu várias entrevistas expondo sua frustração com a escolha (ainda que elegantemente tenha tomado o cuidado de não ofender o colega de trabalho) e passou a se dedicar ao aprimoramento de suas capacidades visando o convite de algum clube na próxima temporada.

Em bate-papo exclusivo com o Saída de Rede, Rubinho contou que assiste a pelo menos um jogo diariamente. É um trabalho que não difere muito do que realizava com Bernardinho, mas “sem relatórios tão longos e específicos”, brinca. Dividido entre as transmissões na TV e na internet, ele ainda tenta aprimorar o inglês e o italiano de olho em uma eventual proposta do exterior. “Quero estar preparado para qualquer possibilidade”, destaca.

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Cativado pela “Geração de Prata” ainda na adolescência, nos anos 80, o curitibano Rubinho bem que tentou ser jogador. Ao perceber, em suas próprias palavras, “que não tinha muito como ascender como atleta”, entrou pra faculdade de Educação Física já com o intuito de virar técnico de vôlei. Formou-se aos 20 anos e não parou de trabalhar desde então, com passagens pelo clube Curitibano, Cocamar (atual Maringá) e seleção juvenil antes de receber o convite de Bernardinho para integrar a seleção adulta, em 2006. Entre 2007 e 2013 ainda alternou o trabalho como treinador do São Bernardo, onde conseguiu chegar a quatro playoffs de Superliga mesmo tendo que lidar com um orçamento bastante limitado. Com a confiança do titular, comandou o Brasil nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara e Toronto (um ouro e uma prata) e no início da Liga Mundial de 2015.

Profundo conhecedor de vôlei, Rubinho também explicou ao SdR alguns aspectos importantes para que se entenda a evolução da modalidade nas últimas décadas, como o aumento da força física, da agressividade no saque e a importância da internet. Sim, isso mesmo: a internet é, segundo ele, um fator extremamente relevante para que se explique como a competitividade cresceu no cenário internacional desde Londres-2012. “Você mostra uma fragilidade numa semifinal e, no outro dia, já é alvejado naquele ponto de forma impressionante. Há dez anos, isso não acontecia”, afirma. E, na visão de Rubinho, os torcedores que se preparem para emoções ainda mais fortes: “Acho que o próximo ciclo vai ser até mais equilibrado do que o que se encerrou em 2016”.

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Confira a conversa abaixo:

Saída de Rede: Você está aproveitando esses primeiros dias após a saída da seleção para descansar ou tem visto jogos, fazendo análises…?

Rubinho: Eu não parei, tenho que continuar acompanhando, pois preciso estar pronto para o mercado. Geralmente acompanho a Superliga, a Champions League, o Campeonato Russo e o Italiano. Assisto a pelo menos um jogo por dia. Obviamente não vou dar nenhum passo nesse momento porque o mercado está parado por ser meio de temporada do vôlei, mas estou trabalhando em algumas coisas. Quero estar preparado para qualquer possibilidade quando a temporada acabar.

Parceria de Rubinho e Bernardinho durou dez anos na seleção

Parceria de Rubinho e Bernardinho durou dez anos na seleção

Acompanhar jogos e jogadores era uma de suas principais tarefas na seleção, já que o Bernardinho se dedicava ao (time feminino do) Rexona-Sesc na temporada de clubes. Mudou muito a sua rotina agora?

Não, é mais ou menos a mesma coisa. Só que agora não preciso mais fazer relatórios tão longos e específicos como eu fazia (risos)… Tem uma característica bem próxima ao trabalho anterior, que é o observar como os técnicos e os atletas estão se comportando neste pós-Olimpíada. Geralmente a Olimpíada traz muitas inovações e os clubes adaptam algumas coisas. Antes, eu tinha que perceber quais eram as nuances novas para pra seleção: o que um jogador pode fazer em determinada situação, um determinado sistema…

Seu trabalho tem se limitado à parte técnica ou você já abriu negociações com alguém?

Recebi alguns contatos, mas não pretendo fechar nada tão antecipado pra sentir qual vai ser a movimentação do mercado e decidir o que fazer com as propostas que aparecerem

Focado, desconfiado e polêmico: como Bernardinho virou referência

A ideia é ficar no Brasil?

Depende do que aconteça por aqui. Nesse momento, eu não posso fechar portas. Estudo inglês e estou fazendo um trabalho até mais intensivo no italiano para estar preparado para possibilidades fora do Brasil. Com esses dois idiomas, eu tenho mais chances em qualquer parte do mundo

Sua carreira é construída no vôlei masculino, mas o universo das mulheres não é algo tão distante para você, que tem três filhas. Treinar time feminino é uma possibilidade?

Nunca pensei, mas não fecho as portas. A priori, eu teria que fazer um bom estudo. Em um primeiro momento, o foco é o masculino

Lucão e Vissotto: tentativa de aumentar a altura da seleção

Lucão e Vissotto: tentativa de aumentar a altura na seleção brasileira

Houve muitas mudanças no vôlei desde que você começou a trabalhar com a modalidade, em 1988, até hoje. Qual foi a mais impactante na maneira de jogar desde então?

O vôlei hoje é muito forte e a questão física é um componente muito pesado. Não dá pra fazer comparativos com o voleibol daquela época justamente por isso. Há muitos comentários de que perdemos em técnica, mas, mesmo no masculino, vejo um crescimento interessante hoje em dia na capacidade de defesa das equipes, o que proporciona um peso de ataque muito grande. O vôlei foi se moldando nesta faceta física, mas continua crescendo tecnicamente.

Cresceu também a questão da avaliação. Atualmente, as equipes se conhecem absurdamente e os efeitos deste estudo são muito rápidos na quadra: antes, demorava-se um pouco para perceber o que adversário estava fazendo, mas, agora, você mostra uma fragilidade numa semifinal e, no outro dia, já é alvejado naquele ponto de forma impressionante. Há dez anos, isso não acontecia.

Um grande exemplo disso é a seleção masculina da França, não? Saíram da segunda divisão da Liga Mundial para o título em 2015 e surpreenderam os fãs de vôlei, mas na Olimpíada a equipe foi muito visada e acabou eliminada na primeira fase…

Vou dar um panorama geral: no ciclo de 2004, tivemos somente três países ganharam as oito principais competições (Olimpíada, Mundial, Copa dos Campeões, Copa do Mundo e quatro Ligas Mundiais), que foram Brasil (6), Rússia (1) e Cuba (1). No de 2008, o Brasil ganhou seis e os Estados Unidos, duas. No de 2012, a gente ganhou quatro, a Rússia ganhou três e a Polônia um. Nesse último ciclo, foram seis campeões para oito competições diferentes (Brasil (2), Estados Unidos (2), França, Polônia, Rússia e Sérvia). Isso mostra que muitas equipes chegaram: começamos o ciclo brigando pesadamente com a Rússia, que praticamente desapareceu em 2016. A Sérvia era um time que eu imaginava como umas das maiores forças pra Olimpíada, mas nem conseguiu se classificar. As equipes estão extremamente competitivas e próximas, pois eu ainda colocaria neste grupo Argentina, Alemanha, Eslovênia… São tantas frentes que você pode ficar em primeiro ou sexto. Pra mim, a França era time pra final olímpica, mas terminou em nono. Isso porque um time que não tem tanto potencial pra ficar à frente, caso do Canadá, modificou a estrutura da nossa chave no Rio quando ganhou os Estados Unidos. E acho que o próximo ciclo vai ser até mais equilibrado do que o que se encerrou em 2016, pois as equipes que eram jovens estarão mais experientes.

Lucarelli e Wallace: preparados para serem protagonistas da seleção (Foto: FIVB)

Lucarelli e Wallace: preparados para serem protagonistas da seleção (Foto: FIVB)

Apesar de você ter mencionado o aumento da importância da força no vôlei, essa nunca foi uma característica grande das seleções do Bernardinho. Os brasileiros não eram os mais fortes ou os mais altos. O time se manteve entre os primeiros pela parte tática?

Mudou um pouco. O começo do ciclo do Bernardo era um time de talento, com quatro jogadores muito acima da média mundial: Serginho, Ricardinho, Giba e Gustavo. Ninguém tem isso hoje. Por exemplo: o (Earvin) Ngapeth é um jogador acima da média e, se a França tivesse outros quatro como ele, ninguém os venceria. Tivemos que mudar um pouco isso e procuramos jogadores mais altos, caso do Lucão (2,09 m), do Leandro Vissotto (2,14 m) e do Ricardo Lucarelli (1,95 m), que é um ponteiro mais alto. Hoje, se você não tiver este peso, não compete. Nós e a França sempre vamos estar um pouco abaixo neste quesito, então temos que equilibrar com a técnica. A Sérvia talvez seja a equipe que melhor una força e técnica atualmente.

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Claro que a técnica sempre será fundamental, mas houve um aumento da preponderância da força. No saque, por exemplo, a mudança foi absurda. Saímos de muitos saques no chão para times que jogam com seis viagens. Foi tanto que houve até outra mudança, com times que alternam de forma inteligente o viagem com o flutuado mais agressivo, que fez muito sucesso nos últimos dois anos. As equipes também começaram a passar com um passador de elite, o líbero e um ponteiro de força, que consegue se virar maior numa pancadaria. O flutuante já exige maior qualidade técnica, de movimentação. De qualquer forma, a tendência no mundo é de saques agressivos. Os bloqueios também estão mais altos, então os jogadores conseguem cobrir distâncias maiores com menos passadas. Avalie o Muserskiy bloqueando: sempre acompanha a primeira bola e, se o levantador inverte e o atacante manda muito na diagonal, ele toca na bola porque é um cara muito grande. Estes detalhes são importantes no jogo de hoje.

Fiz essa observação me referindo também ao último ciclo porque o Brasil ganhou ouro na Olimpíada jogando com três ponteiros mais técnicos do que de força: o Lucarelli, o Maurício Borges e o Lipe.

O Borges tem um perfil mais clássico de ponteiro de habilidade, mas, apesar de ter crescido muito nos últimos anos, o Lipe era um ponteiro de força na nossa hierarquia, ao lado do Lucarelli. Tentamos equilibrar eles com o Murilo, que é mais técnico, mas a partir de 2015 começamos a testar formações de força com força (Lucarelli e Lipe), que foi por acaso a que venceu a Olimpíada. Isso foi coisa de muito trabalho e de mudar um pouco o perfil dos dois, para eles suportarem jogar passando com qualquer tipo de saque.

Em outros anos, foi comum ouvir jogadores brasileiros que atuam na Superliga falarem da diferença entre o nível de saque que estavam acostumados no torneio com o que enfrentavam em nível internacional. Você realmente acha que o saque na Superliga está um pouco abaixo dos estrangeiros?

Eu diria que não está um pouco e sim muito (risos). Mas minha avaliação pessoal é que, nesta temporada, demos um passo à frente, talvez influência da seleção. Até 2015, a discrepância era muito alta: temos um fluxo muito grande de flutuantes nos campeonatos aqui e um volume de erro alto nos viagens. Esta era uma preocupação importante nossa e foi uma das coisas que mais tivemos crescimento técnico pra Olimpíada. Fizemos muito feedback de velocidade, trabalhos com objetivos…

O Sada Cruzeiro trabalha com radar há muito tempo e, por isso, era referência de saque no Brasil. Até troquei informações com eles. A Funvic/Taubaté passou a usar um pouco mais na temporada passada e o Sesi tem feito um trabalho muito interessante. Por isso, cresceram muito no fundamento. Mas, apesar desse crescimento, ainda ficamos abaixo do exterior. Lá, tem jogo com menos de dois saques perdidos pra cada ponto, um índice que é muito bom e buscávamos na seleção. Um saque pode modificar a história de um jogo. Nossos jogadores ainda não têm agressividade com consistência.

Como era o mundo na última vez que Bernardinho não foi técnico de uma seleção?

Você terá uma mudança importante no modo de trabalho: na seleção, podia “escolher” qualquer brasileiro pro seu time, mas agora terá uma limitação orçamentária e até de pontuação, caso assuma um time na Superliga. Como será?

O meu trabalho agora será com o mesmo conceitual adaptado às peças que terei. Precisarei de mais tempo pros jogadores aprenderem algumas coisas, mas o mais importante é ter o conceito. Esta será sem dúvida a minha grande diferença: trabalhava com a elite da elite e, mesmo que agora vá pra uma equipe de ponta, não será a mesma coisa. Mas não tenho dúvidas que dá pra crescer nesse aspecto: na própria seleção adulta, aconteceu muita coisa que eu testava na seleção sub-23 e na seleção B. Marcávamos alguns jogadores da seleção B, que eram mantidos ainda que não jogassem tão bem porque queríamos transformá-los em protagonistas. Isso aconteceu em 2011 com o Wallace, com o Lucarelli em 2013 e o Douglas Souza em 2015. É um trabalho que tem que ser feito, mas não está nos holofotes da imprensa.

Tecnologia aumentou a competitividade do vôlei, afirma o técnico (Foto: Luiz Pires/Vipcomm)

Tecnologia aumentou a competitividade do vôlei, afirma o técnico (Foto: Luiz Pires/Vipcomm)

O Maurício Souza também: foi impressionante o que ele evoluiu de 2015 para 2016, não?

Sem dúvida. Isso foi muito bacana. Trabalhei com ele no clube, em São Bernardo, e sempre foi um cara muito determinado. Desde jovem, também era um bloqueador muito forte: lá, já chamava a atenção de todas as equipes. Ele conjugou uma boa temporada na seleção em 2015 com uma boa temporada no clube e isso o jogou em um nível muito alto. O mesmo aconteceu com o Douglas Souza, que só escolhemos para o lugar do Murilo, lesionado, porque se mostrou em condições de estar na Olimpíada. O desenvolvimento de novos jogadores passa por essa sequência de trabalho bom em seleções e clubes, protagonismo, o tempo todo tendo que decidir… O ideal de uma seleção é ter 14 caras que decidem o tempo todo, mas o atleta precisa ser trabalhado para isso. E esse foi um dos pontos positivos dos ciclos do Bernardo como técnico.

O que você recomenda para um fã de vôlei que quer se aprofundar no esporte e ter uma visão mais técnica?

O maravilhoso hoje é que você tem internet, então você acessa jogos do mundo inteiro. A internet, na verdade, é o que faz com que os jogos sejam tão equilibrados hoje, pois todo mundo sabe o que os outros estão fazendo. O próprio jogo é um referencial espetacular, mas também há muita informação de vídeos de técnica, estratégia e comentários. A literatura no Brasil é muito pobre, mas até por influência do Bernardo aprendi a buscar isso lá fora, principalmente a questão dos técnicos nos Estados Unidos. A gente procura isso na NFL, NBA, no futebol… na Europa, por exemplo, há técnicos muito qualificados no sentido do estudo. Já li livros de uns cinco ou seis caras do futebol, tais como o Guardiola e o Mourinho, e agora comprei uma sequência de bons caras argentinos, como o Simeone. É isso: tem que fuçar o tempo todo. Hoje, o desenvolvimento depende muito mais de você, pois todo mundo tem o acesso. Se você for o cara que vai mais a fundo, naturalmente vai se desenvolver. É algo que no Brasil ainda podemos melhorar muito. Tenho visto muitas pessoas interessadas e acho que isso vai fazer a diferença pra gente em um futuro próximo.


Praia Clube corre contra o tempo para ajustar seu jogo, diz Alix Klineman
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Sidrônio Henrique

Alix Klineman: “Nós ainda não atingimos o nosso limite, falta ajustar muita coisa” (fotos: CBV)

Maior pontuadora da Superliga 2015/2016, com 455 pontos, a americana Alix Klineman ainda não teve chance nesta temporada de ajudar sua equipe, o Dentil/Praia Clube, de Uberlândia (MG), como gostaria. “Eu me sinto bem, ainda que não esteja 100% fisicamente. Tento ajudar o máximo que posso. O potencial do nosso time é maior este ano, isso é empolgante, mas nós ainda não atingimos o nosso limite, falta ajustar muita coisa, estamos correndo contra o tempo”, afirmou a ponteira ao Saída de Rede.

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Na metade do primeiro turno, Alix sofreu uma luxação no dedo anelar da mão direita e ficou fora das seis últimas rodadas daquela etapa. Sem treinar, perdeu ritmo. Voltou à ativa no returno, mas nesta terça-feira (31) teve outra lesão articular, desta vez no dedo mindinho, novamente na mão direita, e sequer foi relacionada para a partida contra o Rio do Sul – mesmo fora de casa, o time mineiro venceu com facilidade por 3-0.

Com um jogo a mais do que o líder Rexona-Sesc, o Praia Clube está em segundo lugar na tabela da Superliga, com 37 pontos, enquanto as cariocas somam 43.

Destinee Hooker: “Estou aqui para ganhar a Superliga de novo”
Copa Brasil: clubes brasileiros não devem viver só de Superliga

Para o período 2016/2017, além de manter Alix, a ponta/oposta cubana Daymi Ramirez e a central campeã olímpica Walewska Oliveira, a equipe de Uberlândia ganhou um reforço de peso: a meio de rede bicampeã olímpica Fabiana Claudino. No entanto, diversas contusões, como as de Alix, Fabiana e Ramirez, têm atrapalhado o time.

A americana sofreu duas lesões esta temporada

Altos e baixos
“Ainda temos muitos altos e baixos, o que compromete nossas atuações. Estamos tentando encontrar um ponto de equilíbrio, um nível de consistência mais elevado, como tínhamos na temporada passada. Discutimos isso bastante entre nós, pois ainda cometemos muitos erros”, avaliou a americana de 27 anos, 1,95m.

Alix Klineman ressaltou também a irritação que o time demonstra em certas situações. “Às vezes nos falta paciência durante os ralis. Temos tantas atacantes boas e queremos decidir logo de cara. Quando a bola não cai, vem a frustração, que compromete a nossa defesa. Temos que cobrir melhor as atacantes, ter calma para decidir os pontos”.

Praia Clube tentará no Sul-Americano quebrar a escrita de nunca ter vencido o Rexona

Sul-Americano
O SdR entrou em contato com o Dentil/Praia Clube para saber sobre a extensão da lesão sofrida pela ponteira americana. Fomos informados que a luxação desta vez não foi tão grave quanto a anterior, mas ainda não sabem se Alix jogará a partida desta sexta-feira (3), em São Paulo, contra o Pinheiros. “Talvez seja melhor poupá-la para a disputa do Campeonato Sul-Americano”, ponderou o supervisor do Praia Clube, Bruno Vilela.

O Sul-Americano Feminino de Clubes será realizado de 14 a 18 de fevereiro, em Uberlândia e Uberaba, no Triângulo Mineiro. Além do Dentil/Praia Clube, o Brasil será representado pelo Rexona-Sesc, que ganhou as duas últimas edições. O vencedor participará do Mundial de Clubes, de 8 a 14 de maio, em Kobe, no Japão. Será um desafio e tanto para o Praia Clube derrotar a equipe comandada por Bernardinho. Em 21 jogos oficiais, o Rexona venceu todos. Com Alix Klineman em forma, o time de Uberlândia teria mais chances de quebrar essa escrita, apesar do amplo favoritismo do atual campeão.


Copa Brasil: apresentação de alto nível do Rexona freia retomada do Minas
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Carolina Canossa

Selfie da líbero Fabi já virou tradição no Rexona (William Lucas/Inovafoto/CBV)

Selfie coletiva comandada pela líbero Fabi já virou tradição no Rexona (Fotos: William Lucas/Inovafoto/CBV)

Sinônimo de tradição no voleibol brasileiro, o Minas tem investido alto para voltar a ocupar uma posição de protagonista no esporte. A parceria com o Leites Camponesa, por exemplo, levou a Belo Horizonte duas grandes jogadoras do cenário internacional: a oposta americana Destinee Hooker e a ponteira brasileira Jaqueline Carvalho, que recentemente se uniram a um elenco promissor, que conta com Carol Gattaz, Léia, Rosamaria, Naiane e Pri Daroit. No comando está Paulo Coco, profissional experiente que foi duas vezes campeão olímpico como assistente de José Roberto Guimarães na seleção brasileira.

Os resultados não tardaram a acontecer: na noite deste sábado (28), o Minas voltou a disputar um título de relevância nacional, a Copa Brasil. A empolgante vitória sobre o Vôlei Nestlé animou os fãs de esporte a ponto de alguns torcedores do Rexona-Sesc, adversário da final, dizerem no Facebook do Saída de Rede que nem ficariam tristes em caso de derrota…

Fabiana diz que, apesar de insistência de Zé Roberto, não volta para a seleção

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Só que contra um papa-títulos como a equipe carioca é preciso ter muito mais que vontade: tem que jogar próximo do 100% o tempo inteiro. E não foi desta vez que o Minas conseguiu. Na verdade, quem fez uma apresentação de excelente nível foi justamente o Rexona, com poucos erros, linearidade nas ações e eficiência na virada de bolas de todas as atacantes. Uma performance com o selo Bernardinho de qualidade, coroada por um 3 a 0 (25-15, 25-21 e 25-20) no placar.

Sem conseguir incomodar as rivais no saque, o Minas permitiu que a levantadora Roberta acionasse à vontade a oposta Monique e as ponteiras Anne Buijs e Gabi – exceto no começo do terceiro set, as três ignoraram o bloqueio mineiro, que é o melhor da Superliga e foi decisivo na vitória contra Osasco. O serviço do Rexona, por outro lado, fez estragos na linha de passe do Minas, infernizando Pri Daroit. Nem a líbero Léia escapou do sofrimento, especialmente com os rasantes direcionados para o seu lado direito.

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Paulo Coco apelou ao banco para tentar mudar os rumos da partida, substituindo a levantadora Naiane pela experiente Karine e Rosamaria por Jaqueline. Com elas em quadra, o Minas melhorou, mas não o suficiente para anular outra característica do Rexona: é raro que as jogadoras da equipe carioca sofram uma queda brusca na performance, ainda que  errem, sejam pressionadas pelo adversário ou se envolvam em alguma polêmica com a arbitragem. É como se elas se esquecessem rapidamente o que passou e voltassem a se concentrar no que está dando certo, uma característica que foge ao padrão do voleibol feminino.

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Apesar da decepção da derrota em sets diretos, os torcedores do Minas não devem desanimar: a Copa Brasil provou que o time pode sim ir longe na Superliga. Só para ficar nas contratações mais badaladas, Hooker tem mostrado que talento não se esquece e Jaqueline que pode contribuir demais no volume de jogo – aliás, não entendi o porquê de Coco praticamente ter ignorado a formação com ela e Rosamaria em quadra ao mesmo tempo. Desde que as estrelas chegaram, o Minas só perdeu duas vezes, ambas justamente para o Rexona, que, por atuações como a deste sábado, segue como o time a ser batido no Brasil.

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