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Erros de arbitragem mancham Superliga. O que se faz para mudar a realidade?
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Sidrônio Henrique

Equipamento de video check sendo utilizado durante o Mundial feminino 2014 (foto: FIVB)

Dizer com precisão onde caiu a bola numa velocidade superior a 100km/h não é fácil. No entanto, não é por isso que as equipes têm que aceitar o erro. Afinal, ninguém se prepara para uma competição com afinco e profissionalismo para ver seu esforço ser comprometido por uma falha da arbitragem.

A Superliga 2016/2017 tem sido marcada por diversas mancadas no apito, atrapalhando várias equipes. Não é por falta de tecnologia: o video check é uma realidade há anos, sendo utilizado em torneios internacionais e em algumas das principais ligas do mundo. Por que então ainda não se tornou uma realidade na Superliga? E os árbitros, são punidos ou ao menos advertidos por suas falhas quando afetam resultados? Passam por reciclagem? O Saída de Rede responde essas e outras perguntas para você a seguir.

Custo
Enquanto japoneses, italianos e poloneses desenvolveram seus próprios sistemas, o Brasil ficou parado. Até foi utilizado, em edições recentes, um aplicativo que indicava se a bola ia dentro ou fora, sem ser capaz de detectar toques no bloqueio ou na rede. Foi dispensado por ser obsoleto e ainda despertava dúvidas quanto à precisão.

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Importar um sistema o torna mais caro. Acrescente aí a logística. Na Polônia, por exemplo, onde 16 times disputam a primeira divisão masculina, são utilizadas oito máquinas, pois esse é o número de confrontos por rodada, com mais um equipamento mantido de reserva. As máquinas são transportadas de acordo com o calendário. Isso implica em custos extras, aumenta o desgaste do equipamento e encarece o seguro. Após uma partida da liga polonesa, em 2012, um kit foi colocado em um carro da federação local, que foi arrombado e o material, roubado. O seguro cobriu o prejuízo.

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Caso aqui haja a opção de cada clube contar com seu video check, isso aumentaria o número de máquinas, representando mais despesas na aquisição em relação a possibilidade de ter equipamentos conforme a quantidade de confrontos por rodada. Em compensação, seriam zerados os custos de transporte durante o torneio. O que valeria mais a pena? Tem mais: a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) compraria os kits e os alugaria? Os times estão dispostos a pagar por isso? Ainda não há resposta para essas indagações.

Ricardo Trade, o Baka, diretor executivo da CBV (Divulgação/CBV)

Palavra da CBV
Entidade que comanda a modalidade no país, a CBV reconhece a importância do video check, mas ressalta que a falta de recursos dificulta a implantação do sistema.

“A gente quer um patrocinador específico tanto para as transmissões online como para a implantação do desafio. Estamos à procura de um fornecedor para essa questão do desafio, um projeto de bola dentro ou fora, toque no bloqueio e toque na rede, de análise disso, para que a gente possa implantar na temporada 2017/2018. Mas isso depende de custo. Vou dar um exemplo: tanto uma empresa de telefonia que quisesse nos ajudar nesse projeto de transmissão em troca de visibilidade assegurada ou uma empresa que nos ajudasse a desenvolver uma tecnologia nacional, que já existe, sendo produzida pela Penalty. Esses seriam parceiros bem-vindos que facilitariam o projeto”, disse ao SdR Ricardo Trade, o Baka, diretor executivo da CBV.

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Explicamos: a Penalty, empresa brasileira de material esportivo, está desenvolvendo sua versão do video check. O projeto é bem visto pela CBV, diz outra fonte da entidade. Além de apostar na tecnologia nacional, os custos seriam menores para a Confederação, que não teria de arcar com a importação. Até 2012, era justamente a Penalty quem fornecia bolas para as competições da CBV, que naquele ano assinou contrato com a japonesa Mikasa, renovado em 2016 e que segue até 2020. Se for adiante, o projeto com a companhia brasileira seria específico para o desafio em vídeo.

Câmera posicionada para verificar a linha de fundo (FIVB)

Além da Penalty, outra opção seria recorrer a um fornecedor estrangeiro. Nesse caso, os italianos estão na frente de japoneses e poloneses. O sistema mais utilizado nas competições da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) é o do Japão, o mais ágil, mas cujo custo é proibitivo, diz a mesma fonte, sem revelar valores. Já o polonês, embora mais barato do que os outros dois, apresenta muitas falhas. Vem então o da Itália.

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O Saída de Rede teve acesso aos valores da empresa italiana DataProject, responsável pelo video check naquele país. Um kit completo, para as linhas, rede e toque no bloqueio, com as câmeras incluídas, sairia por algo equivalente a R$ 100 mil, cada um. É aquele que você pode ver durante as partidas da liga italiana e o mesmo utilizado no Mundial feminino 2014. Se pensarmos em uma unidade por clube, na Superliga masculina e feminina, sem considerar equipamentos de reserva, o investimento seria de R$ 2,2 milhões, pois temos 22 representantes na primeira divisão do voleibol brasileiro – Minas Tênis Clube e Sesc têm equipes nos dois naipes. Coloque ainda na conta o frete e os impostos.

Porém, como você pôde ver nas declarações de Baka, a implantação do video check na Superliga é uma intenção, não uma certeza.

Primeira partida entre Taubaté e Sesi, numa das séries semifinais da Superliga, teve vários erros da arbitragem (Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

Arbitragem
A cena é conhecida: o juiz de cadeira ou o segundo árbitro às vezes erram feio. O mesmo vale para os fiscais de linha. Ainda que tais falhas não sejam intencionais, podem afetar seriamente o resultado de uma partida, como ocorreu no terceiro jogo das quartas de final entre Brasil Kirin e Montes Claros. A arbitragem marcou equivocadamente como fora uma bola atacada dentro pelo central Thiago Salsa, do time mineiro, no último lance do primeiro set. Nada garante que o Montes Claros venceria a parcial, mas a equipe sequer teve a chance de lutar, pois a marcação errada encerrou o set em favor do Brasil Kirin.

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Há alguma punição ou advertência quando a falha interfere no resultado? “A Cobrav (Comissão Brasileira de Arbitragem de Voleibol) analisa as arbitragens das partidas e medidas administrativas são tomadas internamente. Conversamos com os árbitros, mostramos onde os mesmos podem e devem melhorar, e algumas vezes os afastamos temporariamente para eles analisarem os fatos ocorridos. Sobre punições e sanções, esses termos são de responsabilidade do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva)”, informou ao SdR Carlos Antônio Rios, presidente da Cobrav, que é vinculada à CBV.

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Ao longo da temporada, aproximadamente 200 profissionais, entre árbitros e fiscais de linha, participam da Superliga, segundo a Comissão. Pelas declarações acima, feitas pelo presidente da Cobrav, os erros não passam em branco, há “conversa”, mas punição… Não é possível dizer se elas ocorrem. Afinal, não é com eles. “Medidas cautelares em que oficiais de arbitragem ficam fora de escala são possíveis como parte da rotina da Cobrav. São procedimentos administrativos internos, sem divulgação dos nomes dos oficiais de arbitragem”, tergiversou Rios.

Carlos Antônio Rios, presidente da Cobrav e ex-presidente da Federação Mineira de Vôlei (Reprodução/Internet)

Questionada sobre reciclagem, a Cobrav afirmou que, antes de toda temporada da Superliga, promove uma reunião entre árbitros internacionais, nacionais e diretores de arbitragem, “na qual são abordadas orientações da FIVB sobre critérios subjetivos, mudanças nas regras e paradigmas da arbitragem”. Nessa reunião, explicou Carlos Antônio Rios, também são analisadas a temporada anterior e traçadas metas para a edição seguinte. “Durante a Superliga, antes e depois de cada partida, o primeiro árbitro se reúne com a equipe envolvida no jogo para a análise do trabalho. A Cobrav também realiza análises das arbitragens com imagens da TV, além de vídeos das próprias equipes”, completou.

O discurso adotado pela CBV aponta para a vontade de mudar. Entretanto, pelo menos enquanto os recursos para a implantação do video check não aparecerem, é provável que sejamos obrigados a conviver com falhas grotescas a cada Superliga.

Colaborou Carolina Canossa


Twitter vira palco de alfinetadas entre clubes e atletas de vôlei
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Carolina Canossa

Levantador Bruno Rezende criticou postura de dirigente do Taubaté (Fotos: Reprodução)

Já diz o ditado que “roupa suja se lava em casa”. A frase, porém, não se aplica ao voleibol brasileiro. Cada vez mais, clubes e atletas estão usando o poder das redes sociais para escancarar sua insatisfação com recentes acontecimentos e até mesmo para trocar farpas entre si.

Somente no último fim de semana, foram dois casos: no sábado (18) pela manhã, o levantador Bruno Renzende, do Sesi-SP, postou uma série de mensagens no Twitter explicando aos fãs porque a partida da equipe contra a Funvic/Taubaté não seria televisionada.

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“Bom dia a todos. Hoje temos um jogão pela Superliga aqui contra Taubaté… 7 campeões olímpicos em quadra… e não teremos transmissão! Porém dessa vez a TV e nem a CBV tem culpa….a Rede TV ofereceu duas datas para a transmissão da partida e o diretor de Taubaté não aceitou. Alegou que a torcida não compareceria no horário da partida (sábado 14:15). Eu já joguei algumas vezes em Taubaté e a torcida independente do horário e dia sempre comparece! Estou escrevendo isso pois lutamos muito para ter uma TV aberta e quando temos a possibilidade ficamos nas mãos de pessoas que não pensam no voleibol como um todo. Isso é uma pena…. não me calarei quando perceber que nosso movimento estiver sendo prejudicado! Uma pena para os torcedores que não poderão comparecer aqui no ginásio hoje. Fica aqui o meu desabafo”, escreveu o atleta.

Na noite de sábado, William reclamou da arbitragem dos jogos do Brasil Kirin…

A equipe de Taubaté preferiu não se pronunciar sobre as declarações. Procurado pelo Saída de Rede, o supervisor Ricardo Navajas também ressaltou que ele não iria falar sobre o assunto “porque cada clube tem o seu interesse”. Vale destacar que problema semelhante já havia ocorrido no duelo entre Camponesa/Minas e Vôlei Nestlé, realizado na sexta (17): interessada na transmissão do jogo, o melhor da rodada feminina, a “RedeTV!” pediu em janeiro que o confronto fosse realizado no dia anterior, mas a equipe paulista não aceitou a mudança porque havia atuado na terça (14) e achou que haveria pouco tempo para descanso, viagem e preparação.

À noite, a polêmica envolveu arbitragem. Devido a marcações polêmicas da arbitragem no duelo entre Brasil Kirin e Montes Claros, o levantador William Arjona, do Sada Cruzeiro, também usou o Twitter para disparar contra o time paulista: “Campinas é o lugar onde os times são mais garfinhados que eu já vi na minha vida! Me desculpem a sinceridade. Vídeo check em campinas já!!!”.

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Técnico do Brasil Kirin, o argentino Horacio Dileo devolveu, ainda que sem citar nomes: “Todos treinam , todos planejam , todos jogam. BRASIL KIRIN também. Não precisamos de ajuda de ninguém.RESPEITEM se desejam ser RESPEITADOS. Quando BRASIL KIRIM perde PARABENIZA a quem ganhou e depois volta a trabalhar. Não reclama NUNCA !!! Respeitem pra ser RESPEITADOS”.

… e foi respondido pelo técnico Horacio Dileo, da equipe paulista

Devido aos erros ocorridos em Campinas, sete dos oito times pertencentes à Associação de Clubes de Vôlei (Sada Cruzeiro, Funvic Taubaté, Sesi, Montes Claros, JF Vôlei, Lebes/Gedore/Canoas, Bento/Isabela e Copel/Telecom/Maringá) postaram em suas mídias sociais uma imagem com as hahstags #voleibolimparcial, #arbitragemimparcial e #videocheckurgente.

“O jogo de sábado ficou mais latente, fato mais recente, mas se pegarmos o histórico, são muito recorrentes essas questões de arbitragem em Campinas. Quero acreditar que não há nada combinado, e que é só uma tendência dos momentos de dúvida apoiar o Campinas. Mas eles são uma equipe parceira da CBV”, afirmou Andrey Souza, gestor do Montes Claros, ao jornal mineiro “O Tempo”.

Parte dos clubes protestaram contra a arbitragem na Superliga

Polêmica nas transmissões estourou no início do mês

As reclamações sobre transmissões de partidas da Superliga não são recentes, mas ganharam força no início do mês de fevereiro, quando o ponteiro Murilo Endres reclamou publicamente que sua equipe foi impedida de mostrar online um jogo que não foi televisionado. Em entrevista exclusiva ao SdR, o CEO da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Ricardo Trade, explicou que casos do tipo só poderiam ser liberados quando os times cumprissem uma padronização mínima de transmissão, mas garantiu que a entidade está trabalhando para viabilizar a ideia para a próxima temporada.

Outros times já haviam tentado ações semelhantes, caso do Maringá, que inclusive montou uma excelente estrutura para transmissão (atualmente parada) e o Cruzeiro, que obteve grande sucesso em uma transmissão feita com apenas uma câmera via Facebook, mas acabou advertido.

* Corrigido às 16h03 de 22/03 – Ao contrário do que dizia a primeira versão do texto, o Sesi participou sim dos protestos da ACV. Pedimos desculpas pelo erro.


Elevador do vôlei tem Maurício Borges subindo e Rússia em baixa
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Carolina Canossa

Mauricio Borges aproveitou bem a chance dada por Bernardinho (Fotos: Divulgação/FIVB)

Mauricio Borges aproveitou bem a chance dada por Bernardinho (Fotos: Divulgação/FIVB)

Já está virando tradição no Saída de Rede: no começo de cada semana, analisamos quem está em ascensão e quem deixou os fãs de vôlei com a pulga atrás da orelha nos dias anteriores. Se você perdeu as duas primeiras edições, não se preocupe: é só clicar aqui e aqui. Agora, ao que interessa faltando 39 dias para o início da Olimpíada:

 

SOBE

Maurício Borges

Destaque nas categorias de base, Maurício Borges nunca conseguiu repetir as ótimas atuações da juventude no voleibol adulto. Por isso, sua convocação para a seleção brasileira este ano foi bastante contestada. Mas o jogador resolveu agarrar a chance que Bernardinho lhe deu: boa recepção, alto aproveitamento no ataque e ótimos saques fizeram dele o destaque do Brasil na última rodada da Liga Mundial. Antes um dos favoritos a ser um dos cortados para a Olimpíada do Rio, agora o ponteiro é uma dor de cabeça positiva para Bernardinho, que ainda conta com Lucarelli, Murilo, Lipe e Douglas Souza na posição.

Carga pesada na academia pode explicar instabilidade da seleção feminina

Seleção argentina masculina

Já havíamos alertado para o potencial do time de Julio Velasco no post da partida deles contra o Brasil no Rio de Janeiro. Faltava, porém, as vitórias aparecerem, o que aconteceu nesse fim de semana diante de dois dos favoritos à medalha de ouro no Rio, a França (3 a 2) e a Rússia (3 a 0). Diante da campeã mundial Polônia o resultado foi negativo, mas ressalte-se que o duelo encerrado por 3 a 1 contou com sets longos. É melhor os adversários abrirem o olho quando jogarem contra os hermanos.

Seleção americana feminina

Depois de um início de Grand Prix cambaleante, as americanas jogaram o último fim de semana em alta rotação, mostrando porque são as atuais campeãs do mundo. Depois de obter vitórias incontestáveis sobre Alemanha e Holanda, os Estados Unidos ainda devolveram a vitória sofrida diante da China no começo da disputa com um contundente 3 a 0. Saque agressivo, ataque efetivo e uma Larson inspirada foram os pontos-chave da equipe.

DESCE

Organização

Já está ficando repetitivo, mas os fatos nos obrigam a toda semana cornetar algo na organização do vôlei. O destaque da semana vai para a trapalhada da mesa que acompanhava o duelo entre Polônia e Rússia pela Liga Mundial: por uma falha na contagem, o segundo set foi encerrado com 24-20 no placar. Os responsáveis pelos scouts dos times ainda tentaram alertar sobre o erro, mas a terceira parcial já estava em andamento e o placar foi arbitrariamente alterado para 25-20. Imaginem se algo semelhante acontece em um jogo decisivo da Olimpíada…

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Estaria Alekno escondendo o jogo como fez na Liga Mundial de 2012?

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Seleção cubana masculina

Mesmo sem contar com seus principais jogadores, a seleção masculina de Cuba chamou a atenção no começo do ano ao derrotar os donos da casa e ficar com a vaga destinada à Norceca no Pré-Olímpico do Canadá. O problema é que o bom voleibol deles aparentemente ficou esquecido em Edmonton, já que os caribenhos vem fazendo uma campanha decepcionante na segunda divisão da Liga Mundial, com apenas duas vitórias em seis jogos, ambas no tie-break. É pouco para um país com tanta tradição no vôlei

Seleção russa masculina

Embora esteja mesclando titulares e reservas, os atuais campeões olímpicos ainda não mostraram a que vieram nesta Liga Mundial, acumulando apenas duas vitórias em seis jogos – a Polônia tem campanha semelhante, mas conta com a “desculpa” de já estar classificada para a fase final do torneio como país-sede. Desde 2013 sem pódios nas principais competições do vôlei, essa seleção russa gera mais desconfianças do que a de 2012, quando enganou a todos com um 10º lugar na Liga antes de chegar ao ouro em Londres.


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