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Arquivo : Anne Buijs

Rexona x Vôlei Nestlé: o que pode decidir a “final de sempre” da Superliga?
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Carolina Canossa

Rexona e Vôlei Nestlé se encontram na final pela 11ª vez (Fotos: Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV e João Pires/Fotojump)

Rio e Osasco, Osasco e Rio. Sob o nome de Rexona-Sesc e Vôlei Nestlé, dois dos projetos mais longevos e vitoriosos da história do voleibol brasileiro estarão frente a frente neste domingo (23), às 10 horas, para decidir o título da Superliga pela 11ª vez. Líder da fase classificatória, a equipe carioca quer aumentar seu recorde de taças da disputa para 12 na despedida de seu patrocinador de 20 anos, a Unilever, enquanto as paulistas pretendem dar um fim a um histórico recente de derrotas em decisão para as maiores rivais.

Antes de qualquer coisa, é preciso ressaltar um ponto: por mais que a final deste domingo seja “repetida”, neste caso específico não dá para culpar o polêmico ranking de atletas. Isso porque os dois eliminados da semi, Dentil/Praia Clube e Camponesa/Minas, conseguiram investir tanto ou até mais que ambos os finalistas. Frise-se, portanto, a competência dos técnicos Bernardinho e Luizomar de Moura nesta temporada.

Dito isto, quais serão os pontos-chave que determinarão se a taça permanece no Rio ou volta a Osasco após quatro temporadas? Jogadora a jogadora, ambos os elencos praticamente se equivalem, mas considero dois fatores fundamentais nesta decisão:

1) Tandara – Candidata a MVP (melhor jogadora da competição), a ponteira do Vôlei Nestlé mostrou ao longo da temporada um altíssimo nível técnico. Em excelente forma física, soube transformar a frustração por não ter ido à Rio 2016 em motivação e se transformou na bola de segurança de Dani Lins, ao mesmo tempo em que alcançou um nível de recepção razoável – apesar de a função ser majoritariamente dividida entre a segunda ponteira (a sérvia Tijana Malesevic ou Gabi) e a líbero Camila Brait, é Tandara quem os adversários miram na hora de sacar. Certamente o Rexona preparou uma marcação especial para cima de brasiliense, mas, se ela mantiver a eficiência na virada de bola, a equipe paulista terá dado um passo razoável rumo ao título contra um rival que se destaca pelo volume de jogo.

Tandara é a principal opção ofensiva de Dani Lins (Foto: João Pires/Fotojump)

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2) Saque – Nem Rexona e nem Vôlei Nestlé se mostraram especialmente confiáveis no primeiro toque nesta Superliga. Justamente por isso, sacar bem será uma arma importantíssima na Jeunesse Arena não só para fazer pontos diretos, mas também para aproveitar a efetividade as centrais, em especial Bia e Juciely, no bloqueio. Teoricamente, a equipe de Luizomar de Moura leva vantagem neste aspecto, sendo esta a melhor forma de impedir que a levantadora Roberta use o maior número de opções ofensivas disponível no time carioca.

Como sempre, o discurso de ambos os lados é de cautela.

“Osasco chega com muita confiança, passou pela semifinal jogando muito bem. É difícil dizer quem estará melhor. Nós estamos com mais ritmo, mas elas estão mais descansadas, então vai ser jogo duro e de muito equilíbrio. Não vejo vantagem para nenhum lado. É um time que cresceu muito durante a temporada, em vários aspectos. Mas é uma final, que se tornou um clássico do vôlei brasileiro. Claro que gera uma tensão pela importância da partida, mas nós estamos focados em jogar bem e fazer o nosso melhor”, comentou o técnico Bernardinho.

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A levantadora Dani Lins acredita que controlar o aspecto emocional terá enorme importância. “Sabemos que em uma final tem ansiedade e nervosismo. Logicamente que temos que entrar com vontade de ganhar, mas é importante também saber que em etapas do jogo, dependendo de como estiver o placar, é fundamental ter lucidez, paciência e tranquilidade de fazer nosso melhor, evitando os erros. O excesso de vontade pode atrapalhar e às vezes é difícil encontrar esse equilíbrio. Sinto o Vôlei Nestlé bem consciente quanto a isso”, comentou a atleta, que cogita tirar um período sabático após a final para tentar ter o primeiro filho.

Drussyla foi essencial pra virada do Rexona na semifinal (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

Olho nela – Alçada à posição de titular no quarto jogo da intensa série semifinal contra o Minas, a ponteira Drussyla, 20 anos, reequilibrou o Rexona e terá a chance de brilhar novamente ao longo da final. Vale a pena ver se ela conseguirá suportar a pressão no jogo que pode dar o 12º título de Superliga ao Rio e colocá-la em um novo patamar na carreira. No banco, a holandesa Anne Buijs, quarta colocada na Rio 2016, estará de olho na vaga para deixar uma boa impressão no último jogo da temporada nacional.

A grande final da Superliga feminina será disputada em jogo único às 10 horas deste domingo (23), na Jeunesse Arena (Rio de Janeiro), com transmissão ao vivo de TV Globo, site da RedeTV! e SporTv. Nós aqui do Saída de Rede estaremos de olho em tudo para trazermos análises e informações para vocês, inclusive com uma live no Facebook no início da noite.

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Curiosidades em números:

– Enquanto o Rexona possui 11 títulos, o Vôlei Nestlé tem cinco – se o time paulista, porém, contar as conquistas do patrocinador atual nos anos 90 como Leite Moça, este número sobe para oito;
– Como até a temporada 2007/2008 a final da Superliga era disputada em cinco partidas, Rio e Osasco já se enfrentaram 24 vezes em partidas válidas pela decisão do torneio. O retrospecto é favorável ao Rexona: 14 a 10;
– Ao todo, as duas equipes já se enfrentaram 82 vezes pela Superliga, com 47 vitórias das comandadas pelo técnico Bernardinho e 35 das paulistas.
– Na atual temporada, os clubes se encontraram apenas duas vezes, com uma vitória para cada lado. No José Liberatti, a equipe comandada por Luizomar venceu por 3 sets a 2 (23-25, 26-24, 20-25, 25-23 e 15-13), enquanto no returno, na mesma Jeunesse Arena da final, o Rio deu o troco com um 3 a 1 (25-20, 21-25, 25-21 e 25-15);
– O Rexona terminou a fase classificatória em primeiro lugar, com apenas uma derrota em 22 jogos. Nos playoffs, porém, o time caiu duas vezes em sete partidas
– Já o Vôlei Nestlé ficou em segundo (17 vitórias e cinco derrotas) antes da definição dos playoffs, mas passou invicto pelas cinco partidas que fez pelo mata-mata

Para você, quem será o campeão? Deixe seu palpite na caixa de comentários!


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Desinteresse dos líderes dá a tônica da reta final da Superliga
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João Batista Junior

Rexona: vitória sobre Praia, mesmo com desfalques (fotos: Alexandre Arruda/Rexona-Sesc)

As últimas semanas da fase classificatória da Superliga foram das mais insossas. A ideia de evitar duelos entre os grandes nas primeiras rodadas e concentrá-los nas últimas teve um efeito diferente do esperado: depois de uma temporada que começou em marcha lenta, com os favoritos tendo pouco trabalho contra os médios e pequenos (o blog chegou a falar sobre isso – relembre), a reta final da competição pouco acrescentou à briga por vagas nos playoffs e teve o agravante de o primeiro colocado de cada naipe já estar disparado na ponta.

Resultado: tanto o Sada Cruzeiro quanto o Rexona-Sesc chegaram às vésperas das quartas de final preocupados em poupar titulares e vendo sem interesse uma disputa cada vez mais esvaziada pelas posições do G8.

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Se o Cruzeiro descansou dois titulares para bater o Sesi, sábado passado, e perdeu para a Funvic/Taubaté, na última quarta-feira, com um time quase todo reserva, o Rexona tirou Monique de combate e pôs Drussyla no lugar de Gabi para enfrentar o Dentil/Praia Clube, na noite da sexta-feira, no Rio. E, ainda assim, pela 23ª vez em 23 tentativas, o time de Uberlândia saiu de quadra batido pelas cariocas.

PREJUÍZO DO PRAIA
Para o sexteto comandado pelo técnico Bernardinho, a vitória por 3 sets a 2 (15-25, 25-21, 22-25, 25-22, 16-14) não alterou nada na programação. O time já sabia que ia terminar a fase classificatória em primeiro e, como se desenhava há algumas semanas, vai mesmo pegar o Pinheiros, vice-campeão paulista, na série melhor de três da próxima fase.

(A diferença do time do Rio para a concorrência? Enquanto as cariocas perderam apenas cinco dos pontos possíveis no campeonato, seus perseguidores mais próximos – Praia e Vôlei Nestlé – perderam cinco jogos.)

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Para as vice-campeãs do ano passado, no entanto, a derrota pode ter sido bem cara. Se vencesse, o Dentil/Praia Clube ia garantir o segundo lugar e, por conseguinte, vantagem nos playoffs – só dependeria do fator casa para chegar à final da Superliga. Isso ainda é possível, mas só se o time do Osasco não vencer o Genter Vôlei Bauru, fora de casa, na tarde deste sábado.

MVP do jogo, Buijs investe contra bloqueio praiano

Além do preço que a tabela de classificação ainda pode cobrar, Fabiana também deixou o torcedor do Praia preocupado. A meio de rede se lesionou durante o tie break e deixou a quadra chorando – de acordo com o SporTV, ela sentiu um estiramento na planta do pé.

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Outra preocupação pelo lado praiano – esta, recorrente – é que ficou claro que o lado emocional bloqueou a equipe mais uma vez. O time levou vantagem em todos os fundamentos de pontuação, teve a oposta Ramirez sendo a maior anotadora da partida, com 26 acertos, encontrou um rival desfalcado das duas maiores pontuadoras, mas cometeu erros em momentos importantes (como numa bola de xeque que Alix Klineman mandou para fora, quando as visitantes venciam o quinto set por 11 a 9) e permitiu que o Rexona, num dia em que o resultado pouco lhe importava, pegasse carona na boa atuação de Anne Buijs (eleita a melhor em quadra) e mantivesse o tabu.


Rexona confirma favoritismo e conquista quarto título sul-americano
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João Batista Junior

Num jogo de muitos erros, prevaleceu a experiência do Rexona (foto: Tulio Calegari/Dentil Praia)

A vitória do Rexona-Sesc sobre o Dentil/Praia Clube, por 3 a 1 (25-19, 20-25, 25-19, 25-10), neste sábado, em Uberlândia, na final do Campeonato Sul-Americano feminino de Clubes 2017, premiou tanto o componente técnico quanto emocional da equipe carioca. Contou muito a experiência do time dirigido pelo técnico Bernardinho, que, mesmo depois de uma parcial muito ruim, como a segunda, conseguiu manter-se no jogo, aguardando a vez de as adversárias oscilarem.

Foi o terceiro título sul-americano seguido para o clube do Rio de Janeiro, que já venceu a competição quatro vezes e garantiu vaga na disputa do Mundial feminino de Clubes, em maio, no Japão. E foi também a 22ª vitória carioca em 22 jogos nesse confronto, um tabu incômodo para que tanto tem investido na formação de um elenco, como o Praia tem feito.

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O JOGO
Os erros foram uma constante na partida. No set de abertura, o diferencial a favor do time visitante é que ficou mais evidenciada a dificuldade do Praia no passe e de Claudinha para armar contra-ataques. O Rexona, por outro lado, com uma partida correta de Monique e bons momentos da ponteira Anne Buijs, ajustou-se no fim da primeira parcial e saiu em vantagem no marcador.

A situação mudou no segundo set, quando Fabiana cresceu na partida e o bloqueio praiano subiu junto ela, ora efetuando pontos diretos, ora colaborando com o sistema defensivo amortecendo bolas. Enquanto Roberta, pelo lado carioca, ficou sem opções para o levantamento, com Carol bem marcada no meio e as ponteiras pressionadas, as anfitriãs tinham Alix Klineman para atacar bolas altas com eficiência e empatar a partida.

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Com o jogo empatado e o terceiro set indefinido, o lado emocional do Praia foi testado: a arbitragem deixou passar um lance de dois toques de Carol e, de quebra, a reclamação exacerbada das praianas ainda rendeu mais um ponto ao Rexona. Seria injusto, no entanto, colocar na conta do apito a vitória das cariocas nessa parcial, já que o time da casa retomou o equilíbrio no placar e até foi beneficiado por um erro dos árbitros, que não perceberam um desvio no bloqueio de Claudinha num ataque que se perdeu pela linha de fundo.

O mais correto é atribuir a vitória no set que desempatou a partida à melhora na qualidade do saque e da defesa do Rexona. As cariocas tanto diminuíram a velocidade da armação de jogadas do time de Uberlândia, quanto obrigaram as adversárias a atacarem sempre uma bola a mais. Foi desse modo, num momento crucial, que Gabi pontuou num contra-ataque improvável e que Fabiana, na bola seguinte, cometeu um erro numa bola rápida.

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Uma passagem de Anne Buijs no saque, no quarto set, que foi para o serviço com 3-3 no marcador e deixou em placar em 9-3, mostrou para que estante iria o troféu. Enquanto Fabi parecia multiplicar-se na defesa, Gabi e Monique conseguiam sucesso nas largadas atrás do forte bloqueio praiano. Do outro lado da rede, a equipe da casa estava grogue, nas cordas, vacilante na defesa e sem ataque para responder, e acabou nocauteada pelo melhor time do voleibol feminino do Brasil.


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Carolina Canossa

Selfie da líbero Fabi já virou tradição no Rexona (William Lucas/Inovafoto/CBV)

Selfie coletiva comandada pela líbero Fabi já virou tradição no Rexona (Fotos: William Lucas/Inovafoto/CBV)

Sinônimo de tradição no voleibol brasileiro, o Minas tem investido alto para voltar a ocupar uma posição de protagonista no esporte. A parceria com o Leites Camponesa, por exemplo, levou a Belo Horizonte duas grandes jogadoras do cenário internacional: a oposta americana Destinee Hooker e a ponteira brasileira Jaqueline Carvalho, que recentemente se uniram a um elenco promissor, que conta com Carol Gattaz, Léia, Rosamaria, Naiane e Pri Daroit. No comando está Paulo Coco, profissional experiente que foi duas vezes campeão olímpico como assistente de José Roberto Guimarães na seleção brasileira.

Os resultados não tardaram a acontecer: na noite deste sábado (28), o Minas voltou a disputar um título de relevância nacional, a Copa Brasil. A empolgante vitória sobre o Vôlei Nestlé animou os fãs de esporte a ponto de alguns torcedores do Rexona-Sesc, adversário da final, dizerem no Facebook do Saída de Rede que nem ficariam tristes em caso de derrota…

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Só que contra um papa-títulos como a equipe carioca é preciso ter muito mais que vontade: tem que jogar próximo do 100% o tempo inteiro. E não foi desta vez que o Minas conseguiu. Na verdade, quem fez uma apresentação de excelente nível foi justamente o Rexona, com poucos erros, linearidade nas ações e eficiência na virada de bolas de todas as atacantes. Uma performance com o selo Bernardinho de qualidade, coroada por um 3 a 0 (25-15, 25-21 e 25-20) no placar.

Sem conseguir incomodar as rivais no saque, o Minas permitiu que a levantadora Roberta acionasse à vontade a oposta Monique e as ponteiras Anne Buijs e Gabi – exceto no começo do terceiro set, as três ignoraram o bloqueio mineiro, que é o melhor da Superliga e foi decisivo na vitória contra Osasco. O serviço do Rexona, por outro lado, fez estragos na linha de passe do Minas, infernizando Pri Daroit. Nem a líbero Léia escapou do sofrimento, especialmente com os rasantes direcionados para o seu lado direito.

Bloqueio do Minas, que é o melhor da Superliga, foi praticamente ignorado pelas atacantes do time carioca

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Paulo Coco apelou ao banco para tentar mudar os rumos da partida, substituindo a levantadora Naiane pela experiente Karine e Rosamaria por Jaqueline. Com elas em quadra, o Minas melhorou, mas não o suficiente para anular outra característica do Rexona: é raro que as jogadoras da equipe carioca sofram uma queda brusca na performance, ainda que  errem, sejam pressionadas pelo adversário ou se envolvam em alguma polêmica com a arbitragem. É como se elas se esquecessem rapidamente o que passou e voltassem a se concentrar no que está dando certo, uma característica que foge ao padrão do voleibol feminino.

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Apesar da decepção da derrota em sets diretos, os torcedores do Minas não devem desanimar: a Copa Brasil provou que o time pode sim ir longe na Superliga. Só para ficar nas contratações mais badaladas, Hooker tem mostrado que talento não se esquece e Jaqueline que pode contribuir demais no volume de jogo – aliás, não entendi o porquê de Coco praticamente ter ignorado a formação com ela e Rosamaria em quadra ao mesmo tempo. Desde que as estrelas chegaram, o Minas só perdeu duas vezes, ambas justamente para o Rexona, que, por atuações como a deste sábado, segue como o time a ser batido no Brasil.

O espaço abaixo é para você, leitor: o que achou da final em Campinas?


Holandesa do Rexona quer aproveitar Superliga para ser “jogadora completa”
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Sidrônio Henrique

Anne Buijs: “Substituir a Natália é uma honra para mim” (foto: Alexandre Loureiro/CBV)

A ponteira holandesa Anne Buijs queria muito jogar no Brasil, ser treinada por Bernardinho, como o Saída de Rede contou para você em maio do ano passado, semanas antes que o Rexona-Sesc anunciasse a contratação da jogadora. O sonho se realizou e agora a atacante de 25 anos, 1,91m, que tem oscilado na Superliga, quer se aperfeiçoar. “O vôlei brasileiro é mais técnico do que o europeu, com mais defesas, ralis mais longos. Está sendo muito interessante jogar aqui, é diferente. Quero aprender cada vez mais e me tornar uma jogadora completa”, disse Buijs ao SdR, ela que aponta o passe e a defesa como suas maiores deficiências.

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“Vão sofrer até ganhar maturidade”, diz Paula sobre renovação na seleção

“Fiquei muito orgulhosa quando soube que o Rexona me queria. Substituir uma jogadora do nível da Natália é uma grande responsabilidade e ao mesmo tempo uma honra para mim”, afirmou. Antes mesmo de chegar ao Brasil, ela tratou de conhecer a história do clube, onze vezes campeão da Superliga. “Eu quero evoluir, mas isso não basta, pretendo ganhar a Superliga também”, avisou Buijs.

Ela queria ser treinada por Bernardinho (foto: Marcelo Piu/Sesc)

Conhecendo Bernardinho
Para a ponteira holandesa, que em maio de 2016 apontava Bernardinho como um dos melhores técnicos do mundo ao dizer que gostaria de trabalhar com ele, as expectativas quanto ao treinamento têm sido atendidas. “Bernardinho é exigente e isso é importante para mim, pois só assim posso melhorar”. O curioso é que, apesar de toda a vontade de ser treinada pelo técnico multicampeão, ela só veio a conhecê-lo no dia do seu primeiro treino com a equipe, no início de outubro.

A adaptação ao ritmo carioca não tem sido problema. “Fui muito bem recebida pelas colegas de time. Nem todo mundo fala inglês, mas mesmo quem não fala, tenta. Eu também tenho tentado aprender português. O estilo de vida que tenho aqui no Brasil é muito bom, a atmosfera do Rio é relaxada, algo muito gostoso”, comentou.

Colega de Sheilla na Europa e destaque na seleção
No período 2015/2016 ela foi campeã da liga turca e vice da Champions League (Liga dos Campeões da Europa) com o VakifBank, era colega de time da oposta brasileira Sheilla Castro. A ponteira acabou dispensada ao final da temporada. Antes de jogar na Turquia, havia passado pelo Lokomotiv Baku, do Azerbaijão, e o Busto Arsizio, da Itália, entre outros clubes europeus.

Anne Buijs é titular da seleção holandesa (fotos: FIVB)

Anne Buijs fez sua estreia na seleção holandesa adulta muito jovem, com apenas 16 anos, mas ficou de fora em várias temporadas desde então por causa de contusões. Foi titular no Mundial 2014, embora tenha ficado a maior parte do tempo entre as reservas na derrota por 3-1 para o Brasil. Em 2015, foi escolhida a melhor ponteira do Montreux Volley Masters e também do Campeonato Europeu. Na Rio 2016, a ponta destacou-se na honrosa campanha da Holanda, que ficou na quarta colocação. Ela terminou a competição no Maracanãzinho como a quinta maior pontuadora, a oitava mais eficiente no ataque e ainda como terceira melhor sacadora.

Surpresa em dose dupla com a Holanda em 2016
Buijs se disse surpresa não apenas com o quarto lugar na Rio 2016, mas até mesmo com a classificação para os Jogos Olímpicos. “Foi demais para a gente, pois fazia 20 anos que a Holanda não participava do torneio de vôlei feminino numa Olimpíada. Isso foi surpreendente, uma conquista. Depois tivemos outra surpresa quando ficamos em quarto no Brasil”.

Buijs consola Schoot após a derrota para os EUA na disputa do bronze na Rio 2016

A derrota na semifinal para a China e depois outra para os Estados Unidos na disputa da medalha de bronze já foram superadas. “Inicialmente nós ficamos devastadas em não conquistar uma medalha, porém mais tarde vimos como foi importante a quarta colocação e temos orgulho da nossa campanha no Rio”, afirmou.

Apesar de destacar o resultado da equipe, Anne Buijs acredita que poderiam ter ido mais longe. “Havíamos ganhado das chinesas e perdido numa partida de cinco sets contra os EUA na primeira fase. Na semifinal, contra a China, fomos derrotadas por 3-1, mas o jogo foi equilibrado”.

Guidetti e a jornada interrompida
Ela definiu a recente saída de Giovanni Guidetti do cargo de técnico da seleção holandesa (ele assinou logo em seguida com a Turquia) como “uma jornada interrompida”, mas ponderou que isso não vai atrapalhar o time. “Foi um choque, eu não imaginava que ele fosse sair. Fiquei triste porque tínhamos um relacionamento muito bom com o Guidetti, crescemos como conjunto, melhoramos, demos passos importantes. Agora a federação tem que encontrar um novo treinador e nós vamos seguir em frente”, disse Anne Buijs.


Técnico que levou Holanda à semifinal da Rio 2016 assina com a Turquia
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Sidrônio Henrique

Guidetti se tornou mais conhecido dos brasileiros ao deixar Sheilla no banco no VakifBank (fotos: FIVB)

O mundo do vôlei tomou um susto nesta segunda-feira (26) pós-natalina. O italiano Giovanni Guidetti, 44, anunciou que deixava o comando da seleção feminina da Holanda, com a qual tinha contrato até Tóquio 2020. Houve lamentos, atletas desapontadas, mas no final do dia, outra surpresa: ele vai treinar a seleção feminina da Turquia, cujo técnico, Ferhat Akbas, foi comunicado da sua demissão na semana passada – a saída dele foi oficializada hoje. Guidetti é também técnico do clube turco VakifBank.

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Recentemente, na Rio 2016, Giovanni Guidetti levou as holandesas a um honroso quarto lugar, derrotando as eventuais campeãs chinesas e as vice-campeãs sérvias na primeira fase, oferecendo resistência à China na semifinal, perdendo o bronze para os EUA.

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As informações sobre o pedido de demissão de Guidetti, que alegou precisar de mais tempo para a família, foram veiculadas na mídia holandesa e publicadas mais tarde pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB). “Esta foi a decisão mais difícil que já tive de tomar”, afirmou. A própria FIVB já dizia em seu site que o italiano estaria prestes a fechar na sequência com a federação turca, notícia confirmada mais tarde por sites locais.

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O treinador é casado com a central turca Bahar Toksoy. A primeira filha do casal, Alisonnasceu em setembro deste ano. No comando da seleção da Turquia, Guidetti poderá ficar perto da mulher e da filha durante o período de concentração da equipe, a exemplo do que ocorre no VakifBank, antes das viagens para a disputa de competições. A família vive em Istambul, cidade do seu clube e também do centro de treinamento da seleção.

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Polêmica
Técnico do VakifBank desde 2008, Giovanni Guidetti viu seu nome se tornar mais conhecido pelos torcedores brasileiros na temporada passada ao escalar a oposta holandesa Lonneke Slöetjes como titular, deixando a bicampeã olímpica Sheilla Castro no banco. Em que pese as atuações consistentes de Slöetjes, fãs e parte da imprensa especializada do Brasil viram na escolha dele um possível favorecimento à holandesa, que joga pela seleção do seu país. Entre outros prêmios individuais, Slöetjes foi a melhor oposta do Campeonato Europeu 2015, da liga turca 2015/2016, além de ter sido a maior pontuadora e ter o melhor aproveitamento no ataque no Pré-Olímpico Mundial. Na Rio 2016, ela foi a segunda maior pontuadora e teve o terceiro melhor aproveitamento no ataque.

Guidetti iniciou sua carreira de treinador nos anos 1990, mas ganhou notoriedade na década seguinte, quando assumiu a seleção feminina da Alemanha, em 2006, que sob seu comando conseguiu um quarto lugar (2009) e dois vice-campeonatos (2011 e 2013) europeus, além de bronze no Grand Prix 2009. No ano passado, ele deixou de treinar as alemãs e passou ser o técnico das holandesas, que foram vice-campeãs da Europa e repetiram a dose no Pré-Olímpico continental, classificando-se para o qualificatório mundial, onde novamente terminaram na segunda colocação, conquistando a vaga para a Rio 2016, após vinte anos de ausência das Olimpíadas. A Holanda foi ainda bronze no GP 2016.

Slöetjes (ao lado de Buijs): “Fiquei chocada e desapontada”

Atletas lamentam
O site europeu World of Volley reproduziu a reação de duas das principais jogadoras holandesas à decisão de Giovanni Guidetti, antes da notícia de que ele assumiria a seleção da Turquia.

“Eu fui uma das poucas pessoas a quem ele contou sobre seu pedido de demissão. Agora ele tem uma família, e sua família vem em primeiro lugar. Ele quer passar mais tempo com a família em Istambul, especialmente no verão. Não tenho filhos, então não posso avaliar sua decisão. Eu respeito, mas ainda assim fiquei chocada e também desapontada”, disse Lonneke Slöetjes, que segue sendo treinada por ele no VakifBank.

“Não percebi nada, não houve nenhum sinal. Estou chocada e desapontada. Poderia ter sido uma bela jornada (com a seleção). Eu entendo sua opção por ficar com a família. Desejo a ele muito amor e felicidade”, afirmou a ponteira Anne Buijs, atualmente no Rexona-Sesc.


Rexona sobra e atropela diante da desorganização do Praia Clube
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Sidrônio Henrique

Atletas do Rexona comemoram ponto: time sufocou o adversário (foto: Divulgação / Dentil/Praia Clube)

A última rodada do primeiro turno da Superliga feminina 2016/2017 reservou a reedição da final da edição passada para os fãs de voleibol. Mas quem esperava um jogo equilibrado entre Rexona-Sesc e Dentil/Praia Clube se decepcionou. O atual campeão, Rexona, que na temporada anterior chegou ao seu décimo primeiro título, simplesmente atropelou um desorganizado Praia Clube, fazendo 3-0 (25-20, 25-11, 25-21), na noite desta quarta-feira (21), em Uberlândia. Foi a 18ª vitória da equipe comandada por Bernardinho em dezoito confrontos com o rival mineiro na história da competição.

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O vice-campeão da Superliga 2015/2016, que para esta temporada ampliou o poderio do seu já forte elenco com a contratação da central bicampeã olímpica Fabiana Claudino e que no papel poderia quebrar a hegemonia do time carioca, demonstrou apatia e jamais ameaçou o adversário, mesmo quando este se acomodava, como no final da terceira parcial.

Sincronia na relação bloqueio-defesa
Ressalte-se a boa atuação do Rexona, que sacou com eficiência e exibiu um bem estruturado sistema defensivo, com sincronia na relação bloqueio-defesa, resultando em diversos contra-ataques, quase sempre bem aproveitados. O Praia Clube não conseguiu se organizar, cometendo erros infantis, vários deles com a levantadora titular, Claudinha, e também com sua reserva, Ju Carrijo. O ataque mineiro foi presa fácil do bloqueio, tendo sido parado 15 vezes em apenas três sets, além de ter sido amortecido em diversas ocasiões – as estatísticas disponibilizadas pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) oferecem informações limitadas, não fornecendo números para certos aspectos do jogo.

A equipe carioca marcou 15 pontos de bloqueio, quatro deles com Juciely (foto: Divulgação / Dentil/Praia Clube)

O time carioca fechou o primeiro turno na liderança, após 11 rodadas, com 31 pontos em 33 possíveis, somando 10 vitórias e apenas uma derrota – por 2-3, como visitante, para o arquirrival Vôlei Nestlé. Já a equipe de Uberlândia, independentemente do resultado do confronto desta quinta-feira (22) entre Vôlei Nestlé e Genter Vôlei Bauru, terminará a primeira etapa em quinto lugar, com oito vitórias e três derrotas. O Praia Clube, comandado pelo técnico Ricardo Picinin, montou um time para brigar pela liderança e está, ainda que momentaneamente, fora do G4.

Ausências
Não cabe justificar a derrota pela ausência da ponta americana Alix Klineman, que sofreu uma luxação no dedo anelar da mão direita e está fora desde a sexta rodada, ainda em recuperação – a jogadora recebeu autorização da comissão técnica para antecipar seu recesso de fim de ano e está com a família nos Estados Unidos. Mesmo sem Alix, maior pontuadora da edição anterior da Superliga, o Praia Clube deveria ter apresentado um voleibol mais consistente.

Pelo Rexona, a central Carol, embora recuperada de uma infecção urinária que atingiu seus rins e a obrigou a ficar internada por três dias, não entrou em quadra devido à falta de ritmo. Ela não joga desde a nona rodada.

Monique ganhou o troféu Viva Vôlei (foto: CBV)

Maiores pontuadoras
A ponteira Gabi, do Rexona, foi a principal pontuadora da partida, marcou 13 vezes, oito no ataque e cinco no bloqueio. O troféu Viva Vôlei, dado à melhor da partida por meio de votação na internet, ficou com a oposta Monique, que fez 12 pontos, sendo oito de ataque.

A ponta holandesa Anne Buijs, quinta maior pontuadora da Rio 2016 e oitavo melhor aproveitamento entre as atacantes na Olimpíada, ainda se adapta ao voleibol brasileiro, mas teve boa atuação diante do Praia Clube. Ela marcou 11 pontos, nove no ataque.

Pelo lado mineiro, a central Fabiana foi quem liderou na pontuação, com 10. Bastante marcada, ela foi acionada 20 vezes por Claudinha ou Ju Carrijo, mas só converteu oito, sendo parada ou amortecida com frequência pelo bloqueio. A também central Walewska anotou oito vezes, sendo seis no ataque.

Dificuldade com bolas altas
Que as meios de rede tenham sido as maiores pontuadoras do Praia Clube em um confronto em que a equipe ficou a dever é um sinal de alerta para as atacantes de bolas altas. Entre estas, quem marcou mais vezes foi a ponteira Michelle, com seis pontos em 23 tentativas. Um aproveitamento baixo, ainda que o passe ruim do time a tenha obrigado a atacar contra um bloqueio quase sempre bem montado.

O Dentil/Praia Clube volta à quadra para a primeira rodada do returno no dia 6 de janeiro, às 19h30 (horário de Brasília), em casa, contra o lanterna Renata Valinhos/Country. Três dias depois, no ginásio do Tijuca Tênis Clube, o Rexona-Sesc começa a segunda etapa, às 19h30, diante do Fluminense, oitavo colocado.


Embalado por Tandara, Vôlei Nestlé tira invencibilidade de Rexona-Sesc
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João Batista Junior

Vitória do Osasco evitou disparada do Rexona na ponta (fotos: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

Vitória do Osasco evitou disparada do Rexona na ponta (fotos: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

O termo “clássico” é bastante desgastado no esporte de um modo geral. Basta que uma equipe em ascensão enfrente um adversário com algum renome para que logo tachem o duelo como tal. No entanto, quando o time de Osasco e o do Rio de Janeiro estão em quadra, a tradição, a rivalidade e as salas de troféus fazem por merecer a denominação. Não importa que posição ocupem na tabela, seu confronto é um campeonato apartado. Pois o jogo da noite de terça-feira, entre Vôlei Nestlé e Rexona-Sesc, pela nona rodada da Superliga feminina, além dos ingredientes de sempre, foi em quadra o Clássico do Voleibol Brasileiro.

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Se a partida não foi tecnicamente primorosa, valeu pela emoção, pelas reviravoltas no placar e, até, pela graça que trouxe ao campeonato nacional. Com a vitória osasquense por 3 sets a 2 (23-25, 26-24, 20-25, 25-23, 15-13), o Rexona, último a perder a invencibilidade na competição feminina, viu diminuir sua distância em relação à concorrência.

As cariocas lideram com 25 pontos, quatro acima do segundo colocado – o Terracap/BRB/Brasília. Contudo, a diferença para o quinto colocado, o Genter Vôlei Bauru, caiu para apenas cinco pontos. O Vôlei Nestlé empata na pontuação com as brasilienses (21), mas perdem no set average e são as terceiras colocadas. Note-se, ainda, que só um ponto separa vice-líderes e quintas colocadas. Convenhamos, era difícil acreditar que a Superliga feminina parecesse tão embolada, a duas rodadas do encerramento dos jogos de ida da fase classificatória, ainda mais pelo fato de o Rexona-Sesc quase ter aberto seis pontos de vantagem.

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Antes de falar propriamente do jogo, é necessário fazer uma ressalva quanto à transmissão do SporTV na partida. É claro que a comoção com o acidente aéreo da Chapecoense, há duas semanas, é imensa, alcançou escala planetária, rompeu, inclusive, as barreiras do futebol, do esporte. É claro, também, que o sentimento universal de solidariedade – o qual nós, do Saída de Rede, compartilhamos – é extensivo aos 71 mortos no voo e também aos seis sobreviventes. O Vôlei, mesmo, também prestou homenagens à Chape. Mas questão é: em termos jornalísticos, era realmente relevante mostrar ao vivo a chegada do avião que conduzia dois dos feridos para Santa Catarina?

A transmissão da partida foi várias vezes interrompida nos dois primeiros sets para mostrar o avião chegando à pista e a porta aberta da aeronave à espera da saída do radialista Rafael Renzel e do lateral Alan Ruschel.

Anne Buijs foi substituída no terceiro set

Anne Buijs foi substituída no terceiro set

Uma dessas interrupções chegou a ser abreviada para mostrar um incêndio que, embora rapidamente controlado, deixou esfumaçada parte da arquibancada José Liberatti – segundo o SporTV, o susto foi causado papelões que pegaram fogo do lado de fora do ginásio. Noutra ocasião, na reta final do segundo set, o time de Osasco vencia por 22 a 18, quando a emissora mostrou a chegada da ambulância para transportá-los ao hospital da cidade. Quando ao vôlei voltou à cena, porém, eis que o time da casa estava salvando um set point.

O JOGO

O nervosismo das equipes e uma certa irregularidade no padrão do vôlei apresentado ficaram evidentes em erros na armação de contra-ataques e na profusão de sequências de pontos para um lado ou para outro. Redes encalharam com certa frequência e esse aspecto, se é negativo de um modo geral, trouxe imprevisibilidade ao clássico.

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O primeiro set parecia tranquilamente encaminhado para a equipe comandada pelo técnico Bernardinho, quando uma reação do time da casa, que perdia por 24 a 19, deu ares de thriller à parcial – que terminou 25 a 23. No segundo set, como já mencionado, o Rexona-Sesc fez seis pontos seguidos para virar de 22 a 18 para 24 a 22, mas aí sofreu quatro pontos em sequência. Já na terceira parcial, o Vôlei Nestlé abriu 9 a 3 para levar o empate e perder as rivais de vista.

O time do Rio, já no decorrer desse terceiro set, tinha em quadra a levantadora Camila Adão, a oposta Helô e a ponteira Drussyla, que estavam, respectivamente, no lugar de Roberta, Monique e Anne Buijs – esta, com cinco pontos anotados.

A princípio, as mudanças no Rexona surtiram efeito. Com 50% de eficiência nas cortadas, Helô foi um bom desafogo para o ataque de sua equipe, que pôde diminuir a sobrecarga dos ombros de Gabi – que marcou 19 pontos e foi a principal anotadora entre as visitantes, mesmo com obrigações na linha de passe.

As cariocas chegaram perto da vitória ainda na quarta parcial, quando lideraram o marcador por 21 a 18. No tie break, quando igualaram o placar logo após estarem perdendo por 9 a 5, elas mostraram que estavam aptas a seguir na luta. Contudo, não conseguiram parar um time empurrado pela torcida e embalado por Tandara.

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Tandara enfrenta bloqueio do Rexona-Sesc

Tandara enfrenta bloqueio do Rexona-Sesc

Entre iluminada e endiabrada, Tandara foi decisiva. Sem aliviar nas cortadas pelo meio fundo ou pela entrada de rede, a ponteira colocava a bola no chão da quadra contrária e anotou 32 pontos. Com 29 acertos no ataque, ela chegou a 53,7% de aproveitamento nesse quesito. O troféu VivaVôlei que levou para casa premiou uma das grandes atuações individuais até aqui na Superliga feminina.

Muito por conta dela foi que o Vôlei Nestlé, mesmo concedendo 29 pontos em erros contra 19 do Rexona, dominou no ataque (70 a 61) e chegou à virada. Ressalte-se também a boa partida da meio de rede Bia, que fez 17 pontos, sendo a maior bloqueadora do duelo, com cinco acertos no fundamento.

As duas equipes já voltam à quadra nesta sexta-feira. Em Osasco, o Vôlei Nestlé recebe o lanterna Renata Valinhos/Country, às 19h30, pelo horário de Brasília. Já o Rexona-Sesc, às 20h, tem pela frente o Camponesa/Minas, em Belo Horizonte.

Na vitória sobre o Praia, Jaqueline se apresentou à torcida do Minas (Orlando Bento/MTC)

Na vitória sobre o Praia, Jaqueline se apresentou à torcida do Minas (Orlando Bento/MTC)

OUTROS JOGOS

Noutra partida que despertava bastante interesse na rodada, nesta terça-feira, o Camponesa/Minas venceu o Dentil/Praia Clube por 3 sets a 1 (18-25, 25-17, 25-22, 25-21). No intervalo entre o segundo e o terceiro sets, a recém-contratada Jaqueline foi apresentada à torcida da casa. A oposta norte-americana Destinee Hooker, do Minas, anotou 17 pontos e empatou com a ponteira Pri Daroit como segunda pontuadora de sua equipe. Rosamaria, com 22 acertos, foi a maior anotadora do jogo empatada com a cubana Daymi Ramirez, do Praia – ainda desfalcado de Alix Klineman.

Fora de casa, diante do Rio do Sul, o Genter Vôlei Bauru emplacou a sexta vitória consecutiva – atualmente, por conta do revés sofrido pelo Rexona, a maior sequência da Superliga feminina. A equipe paulista venceu por 3 sets a 0 (25-19, 25-21, 28-26) e é quinta colocada, atrás do Praia Clube apenas pelos pontos average.

No Distrito Federal, o Terracap/BRB/Brasília recuperou a vice-liderança da Superliga batendo o Renata Valinhos/Country por 3 a 0 (25-15, 25-20, 25-23), com 15 pontos da central Larissa, eleita a melhor em quadra.

Nas duas outras partidas da noite, que não interferiram na posição das equipes dianteiras, o Fluminense venceu o Pinheiros, em São Paulo, por 3 a 1 (25-21, 16-25, 25-22, 25-21), e, em Santo André, o São Cristóvão Saúde/São Caetano passou pelo Sesi em cinco sets (25-22, 25-14, 21-25, 21-25, 15-12).


Casalmaggiore vai mal e Rexona-Sesc ganha força para “decisão”
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João Batista Junior

Carol (15) foi a principal bloqueadora da rodada de abertura do Mundial (fotos: FIVB)

Carol (15) foi a principal bloqueadora da rodada de abertura do Mundial (fotos: FIVB)

A primeira rodada do Campeonato Mundial feminino de Clubes, nesta terça-feira, em Manila (Filipinas), mostrou que o Rexona-Sesc, se chegou bastante desacreditado para a competição, pode de fato sonhar com um lugar nas semifinais. Não se trata de dizer que a equipe carioca jogou um voleibol irretocável diante do PSL F2 Logistics Manila, mas de perceber que o Pomì Casalmaggiore, adversário das brasileiras na quarta-feira (às 9h30, pelo horário de Brasília), não está tão acima das sul-americanas como o título europeu fazia supor.

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O Rexona-Sesc venceu o time da casa por 3 sets a 0, com parciais de 25-15, 25-13, 25-20, diante de um público de 3 mil espectadores. Depois de dois sets tranquilos para as visitantes, o PSL abriu 14 a 7 na terceira parcial, mas o susto se desfez rapidamente e logo o placar marcava 15 a 15. A partir daí, as cariocas marcharam para o 3 a 0.

O destaque da partida (e um dos destaques de toda a rodada) foi a central Carol, que obteve nada menos do que dez pontos no bloqueio! No total, ela marcou 13 pontos e empatou com a ponta Anne Buijs como maior anotadora da equipe na partida – a ponteira Stephanie Niemer, do PSL, também assinalou 13 pontos.

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Ressalte-se que, nesse jogo de estreia, os números mostram que as ponteiras Buijs e Gabi dividiram as obrigações no passe – enquanto a brasileira recepcionou 19 saques adversários, a holandesa, 15. Além disso, ambas foram mais acionadas no ataque por Roberta do que a oposta Monique (Gabi recebeu 24 levantamentos, Buijs atacou 17 vezes e Monique, 16).

Boskovic comandou a vitória do Eczacibasi sobre o Casalmaggiore

Boskovic comandou a vitória do Eczacibasi sobre o Casalmaggiore

É claro que não seria apenas uma vitória contra o time filipino que daria ao Rexona motivo para crer na classificação à próxima fase. A razão se deve também ao outro jogo do grupo A na rodada. Porque, se o Eczacibasi VitrA justificou, no duelo europeu, seu favoritismo ao título, o Pomì Casalmaggiore mostrou que ainda está longe do bom voleibol neste início de temporada.

Semana passada, o campeão europeu sofreu para vencer na estreia da superliga italiana o Club Italia, uma equipe formada por jogadoras com idade para jogar na base. Já nesta terça, o time foi abalroado pelo Eczacibasi VitrA. Registre-se: foi atropelado por um timaço, mas que ainda busca entrosamento.

Para fazer 3 a 0 (25-17 25-18, 25-15), a equipe turca nem teve de dispor de todo o poderio ofensivo que possui: a meio de rede Thaisa marcou nove pontos, a ponteira Kosheleva, oito, as norte-americanas Rachael Adams e Jordan Larson, sete. O time só precisou, mesmo, do brilho da oposta Tijana Boskovic, que assinalou 18 pontos.

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No Casalmaggiore, a maior pontuadora foi a oposta croata Samanta Fabris, com apenas sete pontos (mesmo número obtido por Boskovic na soma de seus pontos de bloqueio e de saque na partida). O time foi superado pelas rivais em todos os fundamentos de pontuação, sendo gritante a diferença no bloqueio (12 a 3).

As japonesas não conseguiram parar o VakifBank

As japonesas não conseguiram parar o VakifBank

Grupo B
Na outra chave, dois confrontos entre Europa e Ásia, duas vitórias das europeias e um show da MVP dos Jogos Olímpicos.

Com 28 pontos, sendo nove só em bloqueios, a recém-contratada ponteira Ting Zhu comandou a vitória do VakifBank sobre o Hisamitsu Springs Kobe por 3 a 1 (25-15, 25-15, 29-31, 25-18). Vacilo no terceiro set à parte, quando desperdiçou match points e permitiu que o jogo se prolongasse por mais um set, a partida mostrou que o Vakif de Zhu pode ser bem diferente do que foi na temporada passada.

Tendo a norte-americana Kimberly Hill e a chinesa Zhu na entrada de rede, a oposta Lonneke Slöetjes foi consideravelmente menos acionada por Naz Aydemir: enquanto cada uma das passadoras recebeu 41 levantamentos, a holandesa recebeu 29. A título de comparação, na semifinal e na final da Liga dos Campeões, em abril deste ano, a jogadora da saída de rede foi quem mais bolas recebeu para atacar pelo VakifBank.

Rykhliuk em ação contra o Bangkok Glass

Rykhliuk em ação contra o Bangkok Glass

No outro jogo da rodada, o Volero Zürich, das brasileiras Fabíola (levantadora) e Mari Paraíba (ponteira) venceu o Bangkok Glass por 3 sets a 0 (25-21, 25-19, 25-23), com 20 pontos anotados para a oposta ucraniana Olesia Rykhliuk.

Fabíola atuou como titular da equipe e Mari Paraíba, com passagens no segundo e terceiro sets, anotou dois pontos.

Duas partidas movimentam a quarta-feira do Mundial feminino de Clubes. Veja a programação, com horário de Brasília:

6h30 – grupo B – Volero Zürich x Hisamitsu Springs Kobe (transmissão pelo canal da FIVB no YouTube)
9h30 – grupo A – Rexona-Sesc x Pomì Casalmaggiore (transmissão pelo SporTV)