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Arquivo : Adenizia

Juciely desafia o tempo e segue como referência no esporte
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Sidrônio Henrique

Juciely conquistou mais uma Superliga este ano (foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

Com velocidade e tempo de bloqueio impressionantes, eficiente no ataque, Juciely Barreto é, aos 36 anos, referência entre as meios de rede brasileiras. Não se surpreenda se o técnico José Roberto Guimarães convocá-la para a seleção neste ciclo. Juciely desafia o tempo. Terá 39 anos em Tóquio 2020. Mesma idade que a também central americana Danielle Scott tinha em Londres 2012. “Eu penso nela, viu”, diz ao Saída de Rede a mineira da cidade de João Monlevade, admitindo que a estrangeira duas vezes vice-campeã olímpica é um exemplo. “Quando reflito sobre quanto chão teremos até lá, pergunto a mim mesma: ‘será que dá?’ Hoje em dia a resposta é ‘não sei’, mas até bem pouco tempo era ‘não’. Se o Zé Roberto me chamar, vamos conversar”.

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Quem acompanhou a decisão da Superliga 2016/2017, domingo passado, com a vitória do Rexona-Sesc por 3-2 sobre o Vôlei Nestlé, a viu fazer a diferença na reta final da partida. Só no tie break foram seis pontos, o último deles marcado quando sua equipe chegou a nove no placar e ela foi para o saque. Ao longo do torneio, a veterana esbanjou regularidade e muitas vezes foi o desafogo da levantadora Roberta Ratzke. “Eu peço bola mesmo, quero ajudar. Ali no tie break era a nossa temporada resumida em 15 pontos”, relembra.

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Jucy sabe que a renovação deve ser a tônica na seleção, mas sem deixar de lado a experiência de algumas peças, numa mescla que possa garantir sucesso. Contra si, além do tempo que ela insiste em desafiar, a exigência constante de esforço extra diante dos ataques e bloqueios mais altos no cenário internacional. Se a convocação não vier, segue a vida no clube. Já são sete temporadas no atual Rexona-Sesc – venceu seis Superligas com o time carioca (já havia ganhado uma com o Minas Tênis Clube) e deve permanecer. Parar não está em seus planos.

Vôlei entrou tarde em sua vida
Ser apontada como uma das principais centrais do País parece estranho para alguém com um minguado 1,84m e que descobriu o voleibol tão tarde. Tinha 18 anos quando, em 1999, começou no Usipa, clube de Ipatinga (MG), a pouco mais de 100 quilômetros de João Monlevade, onde vivia com os pais, que moram lá até hoje. “Eu brincava de vôlei na escola, gostava, mas não pensava em ser jogadora. Até que alguém me viu e fui parar no Usipa, achavam que eu tinha que ser central”, conta a atleta.

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Em 2000 foi para o Macaé. Chamou a atenção do Minas Tênis Clube e no ano seguinte seguiu para a tradicional equipe de Belo Horizonte – um timaço onde jogavam, entre outras, Fofão, Cristina Pirv, Ângela Moraes, Érika, Elisângela e Ana Maria Volponi, além das juvenis Fabiana e Sheilla, sob o comando do treinador Antônio Rizola. Ganharam a Superliga derrotando o BCN Osasco de José Roberto Guimarães na final.

Ângela Moraes lidera volta olímpica em 2002 no Mineirinho: ídolo de Juciely (foto: CBV)

Pouco experiente, estando apenas na sua terceira temporada na modalidade, treinava mais do que jogava. Encontrou naquele time, na época MRV Minas, seu grande ídolo no vôlei: a central Ângela Moraes, de 1,81m. “Eu parava só para ficar olhando ela treinar. A Ângela me influenciou de todas as formas, eu ficava tentando fazer tudo igualzinho a ela, que atacava uma china linda, incrível na velocidade de perna e de braço. Ela tinha também uma bola de dois tempos que era única: ela quicava no tempo frente e atacava uma chutada. Essa eu tentei fazer muitas vezes e nunca consegui”, conta Juciely.

Oposta?
No segundo ano no MRV Minas não jogou, apenas treinava. “Queriam me transformar em oposta, diziam que eu era baixa demais para ser meio de rede, mas eu não levava jeito para atacar na saída. Tenho todos os cacoetes de atacante de meio, tinha que ser central, apesar de pequena”. A baixa estatura é compensada com velocidade e impulsão. Aliás, a jogadora do Rexona-Sesc diz que não sabe o quanto salta. “Não sei qual é a minha impulsão ou o meu alcance, mas sei que salto bastante”. Os dados no site da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) estão longe da realidade.

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Passou uma temporada em Osasco, depois foram duas no Brasil Telecom, de Brasília. Voltou ao Minas para mais um ano. Então, no período seguinte, 2008/2009, novamente no Brasil Telecom, desta vez em Brusque (SC), ela acredita que explodiu de vez. “A partir daquela temporada em Brusque, comecei a jogar bem mesmo”. A equipe contava com jogadoras como Fabíola e Elisângela. Ao lado de Nati Martins, atualmente no Vôlei Nestlé, Juciely formava a dupla de centrais titulares.

Com o troféu da Superliga 2016/2017 (foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

Despertando o interesse de Bernardinho
O Brasil Telecom quase foi responsável por uma das maiores zebras da história da Superliga. Após eliminar o Pinheiros nas quartas de final, o time de Brusque encarou simplesmente na série melhor de três partidas da semifinal a equipe de Bernardinho, na época Rexona-Ades. O primeiro jogo, em Santa Catarina, foi vencido pelo Brasil Telecom por 3-2. No seguinte, em pleno Tijuca Tênis Clube, no Rio, a equipe visitante abriu 2-0, para desespero do técnico multicampeão. O Rexona viraria a partida e venceria o jogo seguinte, mas o adversário impôs respeito. Jucy chamou tanto a atenção que recebeu um convite de Bernardinho para jogar no Rio de Janeiro.

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“Minha pontuação no ranking das atletas não me ajudou e eu não me encaixava no Rexona. Fui jogar na temporada seguinte no São Caetano/Blausiegel, que tinha também a Fofão, a Sheilla, a Mari”, recorda a central.

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Porém, no período 2010/2011, finalmente pôde jogar no Rexona. “Aquele time patrocinado pela Blausiegel acabou e fomos Sheilla, Mari e eu jogar no Rio, treinadas pelo Bernardinho”. Começava para Juciely uma história que segue até hoje. Várias atletas entraram e saíram da equipe, mas a meio de rede mineira segue firme.

Recebendo prêmio de melhor central no GP 2015 (foto: FIVB)

Primeira convocação e cortes
Após sua temporada inicial no Rexona, veio também sua primeira convocação para a seleção adulta – jamais havia sido chamada nas categorias de base. “Com o Bernardo cresci a ponto de me tornar uma atleta da seleção brasileira. O Zé Roberto apontou muitos caminhos, me deu soluções quando comecei a disputar jogos internacionais, onde a realidade é completamente diferente. São grandes técnicos”, elogia Jucy, sem esquecer de afagar os dois.

Dos cortes sofridos na seleção, ela fala com resignação. “É algo doloroso, é um sonho que fica para trás, mas é um risco com o qual o atleta convive”.

Ficar fora da Olimpíada de Londres, em 2012, “doeu demais”, admite a atleta, que no entanto ressalta: “Apesar de ter sofrido, tinha consciência que a Adenízia estava melhor, ela vinha jogando muito bem”. O corte da lista de jogadoras que foi ao Mundial 2014 era esperado, pois Juciely sofria com uma lesão no joelho esquerdo.

Alegria e tristeza na Rio 2016
A participação na Rio 2016, apesar do desfecho triste, com a queda diante da China nas quartas de final, é lembrada com carinho por ser a única em Jogos Olímpicos. “Quando você entra na vila olímpica, percebe que aquele sonho se realizou”. A presença dos pais e dos amigos no Maracanãzinho foi extremamente importante para ela.

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Questionada se a chave muito tranquila da primeira fase na Olimpíada havia preparado suficientemente o time para o duelo nas quartas, ela rebate: “Tínhamos consciência de que o mata-mata seria muito difícil. A (ponteira) Ting Zhu saiu do passe no segundo set, a (técnica) Lang Ping fez umas mudanças e a gente não conseguiu mais acompanhar o ritmo delas”.

Juciely comemora um ponto durante a Rio 2016 (foto: FIVB)

Saque perdido
A central fica com a voz embargada quando relembra o saque desperdiçado no final do tie break diante da China. O Brasil perdia por 11-12 das orientais e Juciely, no serviço, buscou uma paralela, mas a bola foi para fora – a oposta Sheilla Castro erraria outro no rodízio seguinte.

“O meu erro ainda me revolta. Como pude errar aquele saque? Não dormi aquela noite, chorei muito. Nos dias seguintes, sempre que alguém me abordava, falando do jogo, eu caía no choro. Fui pro interior do Rio, um lugar onde ninguém me conhecia, depois fui pra Minas, ficar com meus pais. Nós todas (jogadoras) procuramos respostas para aquela derrota contra a China e não temos. As chinesas jogaram demais”, afirma Jucy.

Mundial de Clubes
O foco agora é o Mundial de Clubes, de 9 a 14 de maio, em Kobe, no Japão. A chave, com o VakifBank da Turquia e o Dínamo Moscou, é complicada, mas ela se mantém otimista, mesmo sabendo o quanto é difícil enfrentar bloqueios mais elevados ou tentar conter atacantes mais altas. “É outro nível, muito puxado, tenho que me desdobrar. No Grand Prix 2015 ganhei o prêmio de melhor central e fiquei me perguntando como poderia ter sido a melhor no meio de tanta mulher alta”. Às vezes não é preciso ser alta para ser grande.


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Do banco, Thaisa vê time campeão mundial levar virada incrível na Turquia
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João Batista Junior

Thaisa pouco pôde fazer na derrota do Eczacibasi VitrA para o VakifBank (foto: Eczacibasi VitrA)

Thaisa pouco pôde fazer na derrota do Eczacibasi VitrA para o VakifBank (foto: Eczacibasi VitrA)

O fim de semana dos brasileiros na Turquia teve atuação marcante de Joycinha e derrotas em tie break para duas das titulares da seleção brasileira – Thaisa e Natália. Na Itália, Adenizia foi bem, mas não conseguiu levar o time à vitória, enquanto time de Suelen lidera o campeonato, e Kadu, na superliga masculina, ajudou sua equipe a chegar ao G8.

Veja um resumo:

TURQUIA
Na revanche da semifinal do Mundial feminino de Clubes deste ano, o VakifBank se vingou da derrota sofrida para o Eczacibasi VitrA. E com requintes de crueldade! Sábado, pela liga turca feminina, depois de abrirem 2 sets a 0 e terem vantagem de 20-10 na terceira parcial, as atuais campeãs do mundo sofreram um revés inacreditável e perderam por 3 a 2 (27-29, 17-25, 25-22, 25-21, 15-10). A ponteira chinesa do Vakif, Ting Zhu, MVP na Rio 2016, marcou 28 pontos.

Por conta do regulamento na Turquia, que só permite que uma equipe tenha três estrangeiras em quadra por vez, a central Thaisa ficou no banco de reservas, só entrando esporadicamente na partida – quase sempre em alguma substituição dupla que envolvesse a saída da ponteira russa Kosheleva. A brasileira marcou apenas dois pontos.

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Natália (12) tenta bloquear o ataque de Mia Jerkov (Fenerbahçe)

Natália (12) tenta bloquear o ataque de Mia Jerkov (Fenerbahçe)

No domingo, o Fenerbahçe, da ponteira Natália, perdeu por 3 a 2 para o Çanakkale (22-25, 25-22, 25-18, 19-25, 15-6). Com atuação discreta, a atacante brasileira, que foi titular nos quatro primeiros sets e entrou no decorrer do tie break, marcou oito pontos na partida e teve apenas 25% de aproveitamento no ataque.

Quem foi, de fato, muito bem na rodada foi a oposta Joycinha. A atacante do Bursa Sehíd marcou 31 pontos na vitória de sua equipe por 3 a 1 sobre o Nílüfer (25-21, 25-16, 18-25, 25-18), e teve um ótimo aproveitamento de 71% no ataque.

O Bursa aparece na terceira colocação na liga turca feminina, atrás do líder VakifBank e do Eczacibasi VitrA. O Fenerbahçe é apenas o quinto colocado.

Na liga masculina, Lipe foi o maior pontuador do Halkbank no 3 a 1 aplicado sobre o Zíraat Bankasi (18-25, 25-21, 29-27, 25-22). O ponteiro brasileiro obteve três pontos de bloqueio, três aces e 61% de aproveitamento no ataque. Seu time ocupa a quarta posição do campeonato.

Já o líder da liga turca masculina, o Arkas Spor, dos ponteiros brasileiros Maurício Borges e João Paulo Bravo, bateu o Tokat Belediye Plevne também por 3 sets a 1 (41-43, 25-22, 25-22, 25-16). Campeão olímpico este ano, Borges começou como titular, mas terminou zerado no primeiro set – nenhum ponto assinalado em seis tentativas no ataque – e foi substituído por J. P. Bravo, que marcou 13 pontos.

Vibo Valentia comemora vitória sobre Ravenna (Reprodução: Facebook/Vibo Valentia)

Vibo Valentia comemora vitória sobre Ravenna (Reprodução: Facebook/Vibo Valentia)

ITÁLIA
Depois de um mau início no campeonato, o time “mais brasileiro” da Superliga Italiana masculina de Vôlei entrou na zona de classificação para os playoffs. Pela 12ª rodada da competição, o Tonno Calippo Calabria Vibo Valentia bateu o Bunge Ravenna por 3 a 1 (25-22, 28-26, 20-25, 28-26) e tomou a oitava posição do rival.

Titular, o ponteiro Kadu assinalou 15 pontos e foi o segundo pontuador do Vibo Valentia. O também ponteiro Thiago Alves, que marcou oito pontos, entrou em quadra a partir do segundo set. O central Deivid, titular na última parcial, obteve quatro acertos, todos no ataque.

Já o Exprivia Molfetta, do ponteiro João Rafael e do levantador Thiaguinho, não foi páreo contra o líder Cucine Lube Civitanova e perdeu por 3 a 1 (25-15, 22-25, 25-20, 25-17). Os dois brasileiros foram titulares: o atacante terminou a partida com 12 anotações e o armador, duas. O Molfetta é apenas o 12º colocado entre 14 times participantes na superliga.

Ele ainda não ganhou nenhum jogo, mas é destaque na Superliga

Suelen em ação contra Monza (Filippo Rubin/LVF)

Suelen em ação contra Monza (Filippo Rubin/LVF)

Pelo feminino, o Foppapedretti Bergamo, da líbero Suelen, venceu o Saugella Team Monza por 3 sets a 1 (25-10, 20-25, 25-22, 31-29), com 25 pontos da oposta polonesa Skowronska. O resultado manteve a equipe na liderança da competição com 18 pontos e seis vitórias em sete jogos, um ponto a mais que o Pomì Casalmaggiore.

Quarto colocado, o Savino Del Bene Scandicci, da central Adenizia, perdeu para o Busto Arsizio de virada por 3 a 2 (20-25, 18-25, 25-22, 25-20, 15-11). A meio de rede brasileira marcou 18 pontos, sendo cinco de bloqueio, mas seu time não conseguiu parar Valentina Diouf, que assinalou 30 pontos para levar sua equipe ao terceiro lugar da tabela.

Sesi e Brasília: opostos na tabela e na grade de programação

OUTRAS LIGAS
Na rotina de vitórias na liga feminina da Suíça, o Volero Zürich, da levantadora Fabíola e da ponta Mari Paraíba, venceu o Köniz, no domingo, por 3 a 0 (25-10, 25-14, 25-12). O time lidera com 26 pontos e invicto, após nove rodadas.

Na PlusLiga, a liga masculina de vôlei da Polônia, o oposto brasileiro Rafael Araújo marcou nove vezes no placar na vitória do MKS Bedzin por 3 a 0 sobre o lanterna Bielsko-Biala (25-12, 25-19, 25-13). Sua equipe ocupa a décima posição do campeonato.


Adenízia comemora bom início no voleibol italiano: “Me sinto em casa”
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Carolina Canossa

Ainda em adaptação, Adenízia tem pontuado bastante na Itália (Foto: Rubin/ LVF)

Ainda em adaptação, Adenízia tem pontuado bastante na Itália (Fotos: Rubin/ LVF)

Toda uma carreira vivida em um só clube, o Vôlei Nestlé, poderia significar dificuldades de adaptação quando Adenízia decidisse defender outro clube. Em maio, a central da seleção brasileira resolveu encarar o desafio: após 15 anos no time de Osasco, ela aceitou o convite do Savino del Bene Scandicci para jogar sua primeira temporada fora do Brasil.

O início na Europa tem se mostrado promissor. Apesar de ser um time novo, criado apenas em 2012, o Savino del Bene conseguiu quatro vitórias nos primeiros cinco jogos que disputou e atualmente ocupa a terceira posição no Campeonato Italiano. Adenízia, por sua vez, vem se destacando individualmente e é a segunda meio de rede que mais pontuou em toda a competição, com 67 pontos, dois atrás da holandesa Robin De Kruijf.

Fim de semana dos brasileiros na Europa tem vitória sobre campeão italiano

Antigos rivais, Vôlei Nestlé e Sesi agora têm abismo entre si

Em entrevista exclusiva ao Saída de Rede, a jogadora comentou a boa fase. “Meu técnico (Mauro Chiappafreddo) e minha levantadora (Giulia Rondon) têm me passado muita confiança e isso é extremamente importante para o início que fiz. Estou extremamente à vontade dentro de quadra, pois vejo que eles não me cobram para ser a maior pontuadora, querem me ver feliz”, afirmou a atleta. “Isso é fundamental para minha adaptação em um campeonato diferente, então me sinto em casa”, complementou.

Brasileira disse estar adorando primeira experiência no exterior

Brasileira disse estar adorando primeira experiência no exterior

Apesar do pouco tempo no país, Adenízia conta que já sentiu a variação entre o estilo de jogo praticado na Itália e o jogado no Brasil. “O que mais tenho notado e sentido dificuldade é a velocidade da bola. Aqui, as jogadoras costumam ser de bolas altas e isso tem dificultado um pouco. Estou me adaptando. É o que o meu técnico fala: eu tenho uma característica totalmente diferente das jogadoras italianas”, destacou.

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Fora de quadra, Adenízia também tem vivido um processo de adaptação. Mesmo estudando italiano, ela sente dificuldades com o novo idioma, mas tem a certeza que tomou a decisão certa na carreira. “Cada dia é uma experiência nova, um conhecimento diferente. Estou me apaixonando cada vez por esse país. As pessoas daqui são maravilhosas e tem me acolhido muito bem. Não tenho do que reclamar”, garantiu.

O próximo jogo de Adenízia pelo Campeonato Italiano será neste sábado (19), às 14h30 (horário de Brasília), pelo Club Italia fora de casa.


Fim de semana dos brasileiros na Europa tem vitória sobre campeão italiano
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João Batista Junior

João Rafael (camisa 7) fez 13 pontos contra Modena (foto: Modena Volley)

João Rafael (camisa 7) fez 13 pontos contra Modena (foto: Modena Volley)

O fim de semana da Superliga masculina da Itália foi dos mais positivos para os jogadores brasileiros. Depois de um início fraco de campeonato, o Exprivia Molfetta, do ponta João Rafael e do levantador Thiaguinho, e o Tonno Callipo Calabria Vibo Valentia, dos ponteiros Kadu e Thiago Alves e do central Deivid, começam a esboçar uma reação na tabela: no domingo, pela décima rodada da fase classificatória, as duas equipes tiveram vitórias das mais inesperadas.

Em seus domínios, o Exprivia Molfetta bateu ninguém menos que o atual campeão italiano Azimut Modena por 3 sets a 1 (25-27, 25-21, 25-20, 26-24) e foi para o décimo lugar na classificação. João Rafael anotou 13 pontos e foi um dos destaques do Molfetta, que contou com 14 pontos do romeno Bogdan Olteanu (ex-jogador do Brasil Kirin) e 32 acertos do oposto Giulio Sabbi. Pelo Modena, terceiro no campeonato, o craque Earvin N’gapeth, entrando no primeiro e no segundo sets, marcou apenas dois pontos.

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Adenizia comemora contra Saugella Monza (Savino Del Bene Scandicci)

Adenizia comemora contra Saugella Monza (Savino Del Bene Scandicci)

Fora de casa, contra o quinto colocado Calzedonia Verona, o Vibo Valentia não se importou com os 25 pontos assinalados pelo ponta sérvio Uros Kovacevic e venceu por 3 a 2 (25-23, 23-25, 25-23, 19-25, 15-12). Com 17 pontos no total e 50% de aproveitamento no ataque, o brasileiro Kadu, campeão sul-americano com a seleção brasileira no ano passado, foi o maior anotador de sua equipe. Deivid, titular nos dois últimos sets, obteve oito acertos. Thiago Alves, que entrou apenas no decorrer do primeiro set, não pontuou. O time ocupa a nona posição do campeonato.

Pela Superliga feminina, o Bergamo, da líbero brasileira Suelen, conheceu sua primeira derrota na competição. Em casa, o time caiu para o vice-líder Busto Arsizio por 3 a 1 (21-25, 25-19, 25-18, 25-20) e está na quarta posição. Já o Savino Del Bene Scandicci, da central Adenízia, venceu o Saugella Team Monza por 3 a 1 (25-17 19-25, 25-15, 29-27) e está na terceira colocação.

Na Turquia e na Suíça, o fim de semana foi vitorioso para brasileiras e brasileiros do vôlei.

TURQUIA
O Eczacibasi VitrA, atual campeão mundial, deixou craques fora do confronto contra o Çanakkale, mas venceu por 3 a 1 (22-25, 25-23, 25-16, 25-9. Sem a meio de rede brasileira Thaisa e sem as sérvias Boskovic (oposta) e Ognjenovic (levantadora), o time contou com 22 pontos de ponteira russa Tatiana Kosheleva e atuação destacada da norte-americana Rachael Adams, com cinco pontos de bloqueio. O time ocupa a terceira posição do campeonato, com três vitórias e uma derrota, logo atrás dos invictos VakifBank e Bursa Sehir.

Joycinha, com 21 pontos, foi mais uma vez a principal pontuadora da partida, na vitória do Bursa sobre o Seramiksan, também por 3 a 1 (25-13, 17-25, 28-26, 25-18). A oposta brasileira marcou 15 pontos no ataque e seis bloqueio.

Arkas Spor, de Mauricio Borges (camisa 5), lidera na Turquia (Arkas Spor Kulübü)

Arkas Spor, de Mauricio Borges (camisa 5), lidera na Turquia (Arkas Spor Kulübü)

Em quarto lugar na Liga Turca, perdendo para o Eczacibasi no desempate, aparece o Fenerbahçe, da ponteira Natália. A equipe venceu, no domingo, o Idman Ocagi por 3 a 0 (25-15, 25-19, 25-20), sem contar com a sul-coreana Kim Yeon Koung, poupada, mas com 13 anotações da brasileira – que só não marcou mais pontos do que a oposta Uslupehlivan, com 15.

Pela liga masculina, o Arkas Spor, dos ponteiros brasileiros Mauricio Borges e João Paulo Bravo, venceu o Inegöl por 3 sets a 1, com parciais de 23-25, 27-25, 25-9, 25-18. Maurício assinalou 12 pontos, enquanto Bravo, que só atuou em parte do terceiro set, saiu de quadra zerado. O time lidera o campeonato.

O Halkbank também venceu na rodada e passou à quinta posição. A equipe precisou do tie break para vencer o Maliye Piyango, com parciais de 28-30, 25-17, 25-27, 25-17, 15-13. Titular apenas nas duas últimas parciais, Lipe foi o principal nome do Halkbank na partida, com quatro pontos de bloqueio, 69% de aproveitamento no ataque e 18 pontos no total.

Mari Paraíba em ação pelo Volero Zürich (Volero Zürich)

Mari Paraíba em ação pelo Volero Zürich (Volero Zürich)

SUÍÇA
O Volero Zürich,
da levantadora Fabíola e da ponteira Mari Paraíba, disputou três partidas – uma delas havia sido adiada – e passou sem maiores problemas pela sequência de jogos.

Na quarta-feira, o Volero encarou o Viteos NUC I, em jogo ainda da segunda rodada da Liga Suíça, e venceu por 3 sets a 0 (25-13, 25-17, 25-12). Na sexta-feira, pela sexta rodada, bateu o Düdingen também por 3 a 0 (25-19, 25-17, 25-15). Para completar a odisseia voleibolística, no sábado, já pela sétima rodada do nacional, também não concedeu nenhum set ao Kanti Schaffhausen (25-21, 25-17, 25-19).

O time tem seis vitórias em seis jogos e está na segunda posição, dois pontos atrás do líder Aesch Pfeffingen, mas com um jogo a menos.


Joycinha é destaque em boa rodada dos brasileiros no exterior
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Carolina Canossa

Joycinha (camisa 11) tem jogado muito pelo pelo invicto Bursa (Foto: Instagram)

Joycinha (camisa 11) tem jogado muito pelo pelo invicto Bursa (Foto: Instagram)

Seis jogos, seis vitórias. As mais recentes partidas dos principais atletas brasileiros que atualmente estão jogando no exterior foram bastante positivas em termos de resultados. O destaque individual ficou por conta de Joycinha, que marcou 14 pontos na vitória de 3 a 0 do Bursa sobre o Idman Ocagi, em partida válida pela terceira rodada do Campeonato Turco.

Com o resultado, a equipe da oposta brasileira chegou aos nove pontos de nove possíveis. Devido aos critérios de desempate, porém, o Bursa ocupa a quarta posição na tabela, atrás de Vakifbank, Halkbank e Çanakkale. O Fenerbahce e o Eczacibasi, onde jogam respectivamente Natália e Thaísa, possuem um jogo a menos e, por isso, aparecem logo na sequência. Os dois times, aliás, se enfrentam nesta quarta (9), pelo encerramento da rodada.

Gangorra da Superliga tem favoritos em alta e público carioca em baixa

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O adiamento de um dos jogos mais esperados do atual Campeonato Turco se deu porque o Eczacibasi teve um compromisso no sábado (5) na “pré-Liga dos Campeões”. Lutando para garantir um lugar na fase de grupos, as campeãs mundiais bateram o Maritza Plovdiv (Bulgária) por 3 a 0 (25-16, 25-15 e 25-19), mesmo placar do jogo de ida – em quadra nos dois primeiros sets, Thaísa marcou seis pontos. Para ter um lugar nas chaves da principal competição europeia de clubes, a equipe turca precisa superar agora o Minchanka Minsk, da Bielorússia, em dois duelos cujas datas ainda não foram divulgadas.

Falando em Turquia, o ponteiro Lipe fez sua primeira partida defendendo o Halkbank Ancara pelo Nacional local e contribuiu com oito pontos na vitória por 3 a 2 sobre o Belediye Plevne. Com três vitórias em quatro jogos, o time é o terceiro colocado na tabela, imediatamente atrás do Arkas Spor Izmir, do também campeão olímpico Maurício Borges, que marcou 3 a 0 sobre o Fenerbahce no fim de semama – o brasileiro marcou três pontos.

Já na Itália, Adenízia conseguiu oito pontos na vitória por 3 a 1 do Savino Del Bene sobre o Metalleghe Montichiari (17-25, 25-20, 25-19 e 25-19). “Foi uma semana difícil, porque eu não treinei devido a dores no joelho. Fiz muito tratamento para estar nesse jogo. Não joguei bem, mas fico muito feliz com a vitória e mais ainda vendo minhas companheiras bem. Isso mostra a força da nossa equipe”, afirmou a central da seleção brasileira. O Savino está em quarto na tabela, com um ponto a menos que o líder Pomi Casalmaggiore.

Por fim, na Suíça, o Volero Zurich, de Fabíola e Mari Paraíba, conquistou mais uma vitória no campeonato local ao bater o Smaesch Pfeffingen (25-15, 25-10, 17-25, 19-25 e 15-7). Soberano regionalmente, o time segue invicto na competição.


Começo da temporada de brasileiras no exterior já teve até título
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Carolina Canossa

Fabíola foi eleita a melhor levantadora da Yeltsin Cup (Foto: Divulgação)

Fabíola foi eleita a melhor levantadora da Yeltsin Cup (Foto: Divulgação)

Passado o descanso pós-Olimpíada, é hora de as jogadoras de vôlei começarem a se dedicar aos clubes. E, mesmo com o pouco tempo de trabalho, cinco brasileiras já iniciaram bem a temporada 2016/2017. Já teve, inclusive, quem levantasse uma taça de campeão.

Foi o caso da levantadora Fabíola e da ponteira Mari Paraíba. Atletas do Volero Zurich, as duas se sagraram, na semana passada, vencedoras da Yeltsin Cup, um torneio amistoso disputado na Rússia. Diante de duas equipes russas, o Uralochka e o Dinamo Krasnodar, além da seleção sub-23 da Turquia, o time suíço venceu todos os três jogos que fez por 3 a 0. Fabíola ainda foi eleita a melhor levantadora da competição.

Rivalidade? Thaísa e a russa Kosheleva viraram amigas na Turquia (Foto: Instagram)

Rivalidade? Thaísa e a russa Kosheleva viraram amigas na Turquia (Foto: Instagram)

Na Turquia, Thaísa é quem tem se dado melhor. Ao lado de outras estrelas do voleibol em uma verdadeira “seleção do mundo” chamada Eczacibasi, a central venceu dois amistosos: 3 a 1 (21-25, 25-15, 25-19 e 25-15) no Galatasaray e 3 a 1 (25-18, 25-14, 22-25 e 25-17) no Fenerbahce, de Natália – nesse último caso, com direito a ser a maior pontuadora em quadra, com 19 pontos. Contra o Vakifbank, da holandesa Sloetjes e da chinesa Zhu Ting, derrota por 23-25, 25-20, 25-22, 20-25 e 15-10.

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Apesar do mau resultado contra o rival local, Natália também sentiu o gostinho da vitória com sua nova camisa: 3 a 1 (25-20, 16-25, 25-16 e 25-22) diante de um Vakifbank que não contou com suas atletas estrangeiras. Vale destacar também que, nos dois jogos citados, o Fenerbahce também não pôde contar com sua principal estrela, a sul-coreana Kim Yeon-Koung, poupada.

Já Adenízia saiu derrotada de quadra, mas teve uma excelente atuação individual nos 3 a 1 (23-25, 25-18, 25-23 e 25-23) que seu time, o Savino Del Bene Volley tomou do campeão europeu Pomi Casalmaggiore, marcando 22 pontos. Antes, a equipe havia batido o Mycicero Pesaro com parciais de 25-14, 25-22, 25-17 e 10-15 em outro amistoso, com a central brasileira colocando 11 bolas no chão.

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Entre os dias 18 e 23 de outubro, o Volero, o Eczacibasi, o Vakifbank e o Casalmaggiore estarão na disputa do Mundial de clubes, disputa que também contará com a participação do Rexona-Sesc, do Rio de Janeiro. O torneio será realizado nas Filipinas.


WhatsApp e conselhos unem meios de rede da seleção a promessa do vôlei
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Carolina Canossa

Saraelen passou por Pinheiros e São Caetano antes de chegar ao Vôlei Nestlé (Foto: João Pires/Fotojump)

Saraelen passou por Pinheiros e São Caetano antes de chegar ao Vôlei Nestlé (Foto: João Pires/Fotojump)

“Ah, pra que Gamova? A Saraelen é quem manda nessa p…a!”. Quem frequentou o ginásio José Liberatti, em Osasco, na última temporada provavelmente ouviu os fãs do Vôlei Nestlé cantarem a bem humorada rima que compara uma jovem a um dos maiores nomes da história do vôlei. Aos 22 anos, a central Saraelen Leandro Ferreira Lima sequer joga na mesma posição da gigante russa, recém-aposentada, mas já virou xodó da torcida graças às boas atuações no período em que substituiu Thaísa, operada dos dois joelhos, no time. E é justamente os passos da compatriota que ela sonha em seguir.

“Da compatriota”, não. Para falar de Saraelen, é melhor usar o plural: “das compatriotas”. Prestes a iniciar sua segunda temporada na equipe da Grande São Paulo, Saraelen fala com o carinho de uma irmã mais nova quando o assunto é Thaísa, Adenízia e Juciely, três jogadoras que vão defender a seleção brasileira na Olimpíada do Rio a partir de sábado (6). Trata-se de gratidão por uma série de conselhos que ganhou delas nos últimos meses, dentro e fora das quadras.

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“Quando vim pra cá, a Thaísa tinha recém-operado e me deu muita força. Eu saía do treino e ela vinha me perguntar se tinha treinado bem, me dava dicas. Tudo o que eu joguei no Paulista e na Superliga foi graças a ela”, comenta Saraelen, que conversou com o Saída de Rede antes de um treino visando a Copa São Paulo, primeiro torneio da temporada de clubes brasileiros. “A Adenízia também me ajudou muito. Ela me falava dentro de quadra: ‘Olha, se você não fechar pra cá, não vai me bloquear’ ou ‘Se você não fizer assim, os outros vão montar em cima de você’. Foi onde eu pude crescer muito. Elas fazem isso por amor ao esporte, para ajudar quem está vindo”, destaca.

Com o início da preparação para a Rio 2016, o contato passou a ser feito por WhatsApp. E foi justamente através do aplicativo que Saraelen estreitou os laços com Juciely, amiga que defende o rival Rexona-Sesc e que também vai tentar o ouro olímpico. “Ela já me disse: ‘Você vai conquistar muita coisa e tem que ser muito forte porque, a cada degrau que subir, dez mil vão atirar pedra pra te fazer voltar'”, conta a novata, que em 2015 foi um dos destaques da campanha que levou o Brasil ao título mundial sub-23. Na ocasião, ela marcou 16 pontos na final, que foi acompanhada ao vivo pelas atletas da seleção principal graças à internet.

Saraelen marcou 16 pontos na final do Mundial sub-23, vencida pelo Brasil (Foto: Divulgação/FIVB)

Saraelen marcou 16 pontos na final do Mundial sub-23, vencida pelo Brasil (Foto: Divulgação/FIVB)

Com a transferência de Thaísa e Adenízia para times do exterior, Saraelen provavelmente terá ainda mais chances de jogar ao longo dos próximos meses em um dos principais times do país, algo que até pouco tempo atrás nem passava pela cabeça de uma menina que só começou a jogar vôlei aos 15 anos após ser escolhida em uma peneira para a qual foi, inicialmente, apenas acompanhar uma amiga. Hoje, com a carreira já engatilhada, diz “se cobrar demais”, mas nem por isso se considera uma substituta das recém-saídas centrais da seleção. “A Natália e a Bia, que são as outras centrais que estão aqui, são extremamente competentes e já atuaram de titulares na Superliga. Será uma briga de igual pra igual e a vaga está aí para quem estiver melhor”, analisa.

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E a musiquinha da torcida? Com um sorriso no rosto, Saraelen lembra que precisou se concentrar quando ouviu o canto pela primeira vez, durante uma partida. Alvo de brincadeiras das próprias colegas de equipe, naquele dia teve que colocar a mão no rosto para não correr o risco de rir na frente das adversárias e ser mal- interpretada. “No começo eu não entendi nada do que cantavam. Depois quando eu entendi, eu falava: ‘Gente, mas não faz sentido!’. Deve ser por causa da rima…”, despista.
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Sob efeito da carga pesada de treinos, Brasil vence mesmo errando muito
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Sidrônio Henrique

Zé Roberto: preocupação com o cumprimento da programação (fotos: FIVB)

Em uma partida que nada valia pelo Grand Prix, com o Brasil já classificado para as finais (veja abaixo) e a renovada Turquia eliminada, o que prevaleceu em Ancara neste domingo (26) foi um jogo de baixo nível técnico, cuja utilidade foi dar ritmo à seleção brasileira, que venceu por 3-0 (25-14, 25-21, 25-19). A quantidade de erros de execução, que se sobrepôs às falhas que resultaram em pontos das donas da casa (16) e que ocorreram até mesmo em ralis vencidos pelo Brasil, além da evidente lentidão, demonstram que o time comandado por José Roberto Guimarães sente os efeitos da carga pesada de treinos, confirmada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) ao Saída de Rede.

A atividade muscular intensa torna o atleta mais lento e menos coordenado, mas melhora o condicionamento físico no médio prazo, ou seja, a seleção estaria, em tese, na forma ideal em agosto. À medida que se aproxima a Olimpíada (faltam 41 dias para a estreia da equipe contra Camarões), os treinos na academia vão sendo gradativamente reduzidos e o time vai se soltando. Isso explica, em parte, o desempenho irregular da seleção brasileira, longe de uma atuação convincente até aqui no GP. Mas como o foco são os Jogos Olímpicos e a seleção, com uma média de idade alta, precisa estar bem fisicamente, vale a pena dar crédito à comissão técnica, liderada por Zé Roberto, tricampeão olímpico.

Várias atletas brasileiras irão disputar sua terceira Olimpíada – a quarta no caso da central Fabiana Claudino. Foi a superioridade física que permitiu a um Brasil mais jovem atropelar seus adversários há oito anos em Pequim, quando perdeu apenas um set em oito partidas. Já em Londres, a preparação mais atribulada ao longo do ciclo cobrou a fatura e o bicampeonato olímpico quase escapou. No início deste ano, Zé Roberto comentou durante uma entrevista que a seleção chegou a Londres tendo cumprido apenas 70% da carga programada de treinamento, isso numa comparação com o planejamento executado para Pequim. Diante da média de idade elevada da equipe e da velocidade e força dos principais adversários, principalmente EUA e China, o condicionamento físico cresce ainda mais em importância.

A central Adenizia foi testada contra a Turquia

O jogo deste domingo
Na partida contra as turcas, destaque para a ponta Natália, que foi a maior pontuadora, marcou 14 vezes. A também ponteira Gabi atuou pela primeira vez em um jogo inteiro e fez 10 pontos. A oposta Sheilla fez sete pontos, sendo cinco de ataque em 13 tentativas, aproveitamento de 38,5%. A central Adenizia, que disputa a vaga de terceira central com Juciely, também esteve em quadra o tempo todo e marcou oito vezes, ainda que metade tenha vindo de bolas de xeque. Chamou a atenção o número excessivo de erros de passe da seleção brasileira, um problema que vem se repetindo ao longo do torneio.

Finais
A classificação para as finais já havia sido garantida ontem, na vitória de 3-1 sobre a Bélgica. As finais do GP 2016 serão disputadas de 6 a 10 de julho, em Bangcoc, na Tailândia. Além do Brasil e da anfitriã, estarão lá as seleções da China, dos EUA, da Rússia e da Holanda. Os classificados foram divididos em duas chaves de três times, com os dois primeiros avançando às semifinais. O Brasil está no mesmo grupo de Tailândia e Rússia. A equipe de Zé Roberto estreia às 8h (horário de Brasília) do dia 6 contra as donas da casa e joga no dia seguinte, no mesmo horário, contra as russas. O SporTV transmite as finais.

Segundo a CBV informou ao blog, a seleção deixa Ancara nesta segunda-feira e segue para Istambul, onde treina até sexta-feira. No sábado (2), o time embarca para Bangcoc. O Brasil tenta seu 11º título do Grand Prix, mas a prioridade, obviamente, é a preparação para os Jogos Olímpicos.

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