Blog Saída de Rede http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br Reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Wed, 28 Jun 2017 09:00:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Em ritmo de treino, com set adicional, Brasil é pouco exigido em amistoso às vésperas do GP http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/28/em-ritmo-de-treino-com-set-adicional-brasil-e-pouco-exigido-em-amistoso-as-vesperas-do-gp/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/28/em-ritmo-de-treino-com-set-adicional-brasil-e-pouco-exigido-em-amistoso-as-vesperas-do-gp/#respond Wed, 28 Jun 2017 09:00:22 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=7938

Seleção feminina venceu a Polônia diante de 4,5 mil torcedores no Mineirinho (fotos: Pedro Vilela/MPIX/CBV)

Preocupado com a falta de ritmo da seleção feminina, que voltou a dar ênfase à preparação física após a conquista do torneio de Montreux, na primeira quinzena de junho, o técnico José Roberto Guimarães apostou nos dois amistosos contra a Polônia para aumentar o entrosamento antes do Grand Prix, que começa no dia 7 de julho. O adversário é que não ajudou muito. Sem que as europeias oferecessem muita resistência no primeiro confronto, o Brasil passeou em quadra e marcou 3-0 (25-16, 25-12, 25-23). A partida foi realizada na noite desta terça-feira (27), no ginásio Mineirinho, em Belo Horizonte. Teve até set adicional, também vencido pelas brasileiras, por 25-14. As duas seleções voltam a se enfrentar nesta quinta-feira (29), no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, às 21h30, com transmissão do SporTV e da RedeTV.

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Do ponto de vista técnico, o jogo valeu pouco. O time polonês, que já é inferior ao brasileiro, sentiu o desgaste da viagem da Europa até Belo Horizonte. Espera-se que seja mais aguerrido em São Paulo. O Brasil exibiu pequenas falhas na transição da defesa para o contra-ataque. Gradativamente, à medida que diminui a intensidade da carga na musculação, a seleção brasileira deverá apresentar um voleibol mais ágil. Isso deve ocorrer provavelmente a partir da terceira semana do GP.

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O Brasil jogará a primeira semana do Grand Prix em Ancara, na Turquia, e enfrentará, respectivamente, Bélgica, Sérvia e as anfitriãs, nos dias 7, 8 e 9 de julho. A Polônia, que mais uma vez falhou na tentativa de se classificar para uma edição do Campeonato Mundial e sequer disputará a repescagem, está na segunda divisão do GP e segue para a Argentina, onde enfrentará Croácia, Canadá e o time da casa, na cidade de Neuquén.

As duas equipes se cumprimentam na rede depois da partida

Titulares
Zé Roberto colocou em quadra um time parecido com o que jogou as finais do Montreux Volley Masters. Apenas trocando a central Adenizia, que sentiu dores na coxa direita após o treino da manhã, por Bia, que fez sua estreia na seleção principal. Além dela, começaram a partida a central Carol, a oposta Tandara, a levantadora Roberta, as ponteiras Natália e Rosamaria, com Suelen de líbero. Entraram ao longo do jogo a levantadora Macris, a oposta Edinara, a central Mara e as pontas Amanda e Drussyla. A seleção brasileira jogou o set adicional com Macris, Fernanda Tomé (na saída de rede), Amanda, Drussyla, Bia, Mara e Gabi (líbero).

Natália e Tandara foram os destaques do Brasil – ambas jogaram as três primeiras parciais. Natália foi a maior pontuadora da seleção, marcando 15 vezes (nove no ataque e seis no bloqueio), com aproveitamento de 53% na parte ofensiva. Tandara fez 13 pontos (11 de ataque e dois no bloqueio), virando 52% das bolas que recebeu. Rosamaria marcou dez vezes, todas no ataque, com índice de 40% de aproveitamento. As centrais Bia e Carol fizeram dez e sete pontos, respectivamente. A ponteira polonesa Malwina Smarzek foi a maior pontuadora da partida, com 17.

Amanda recebe um saque enquanto Zé Roberto a observa

Smarzek foi a única ameaça do apático time do leste europeu, completamente desorganizado, com bons momentos apenas em algumas passagens no bloqueio. O placar de 25-23 no terceiro set, por exemplo, deveu-se mais à acomodação e aos erros das brasileiras do que propriamente méritos das polonesas. A ponta Natalia Medrzyk, que havia sido o principal destaque contra o Brasil na competição amistosa disputada recentemente na Suíça, não entrou em quadra nesta terça-feira – em Montreux, o time de Zé Roberto venceu por 3-1. De volta à equipe, mas ainda sem ritmo, a oposta Berenika Tomsia, principal atacante da Polônia, foi pouco efetiva, teve breve passagem na primeira parcial e marcou somente um ponto.

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Biografia de Serginho revela briga com Bernardinho às vésperas da Rio-2016 e furúnculo em final de Mundial http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/27/biografia-de-serginho-revela-briga-com-bernardinho-as-vesperas-da-rio-2016-e-furunculo-em-final-de-mundial/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/27/biografia-de-serginho-revela-briga-com-bernardinho-as-vesperas-da-rio-2016-e-furunculo-em-final-de-mundial/#respond Tue, 27 Jun 2017 09:00:45 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=7916

Livro que conta a vida do líbero já está à venda (Foto: Divulgação)

Talentoso, maloqueiro, campeão e corintiano com orgulho das raízes de Pirituba, bairro pobre da zona norte de São Paulo. A história do líbero Serginho (Escadinha para os mais antigos) é bem conhecida por qualquer fã de vôlei que se preze. Será que é possível descobrir novas faces e histórias diferentes de um dos principais expoentes da incrível geração que marcou o esporte mundial no começo deste século? O jornalista Daniel Bortoletto provou que sim em Degrau por degrau – a trajetória de Serginho, de Pirituba ao Olimpo.

O Saída de Rede teve acesso ao livro antes mesmo de ele ser publicado e te antecipa alguns dos principais pontos da obra escrita pelo colunista de vôlei e atual editor-executivo do jornal Lance! Com prefácio escrito pelo técnico Bernardinho, a biografia autorizada de Serginho pertence ao catálogo da editora Planeta, tem 256 páginas e já está à venda por R$ 41,90 nas principais livrarias do país.

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Abaixo, cinco das boas histórias que compõem o livro:

1.Sérgio, não: Valdeci

Nascido em uma casa simples em uma fazenda do interior do Paraná, o bicampeão olímpico seria batizado com o nome de Valdeci. A mãe, porém, mudou de ideia depois do nascimento do menino. “Ele não tinha cara de Valdeci. Então resolvi mudar”, justificou dona Didi. A inspiração para o novo nome veio de um dos apresentadores do Jornal Nacional à época, Sérgio Chapelin.

2. Vestindo a camisa do Palmeiras

Corintiano fanático, ironicamente Serginho teve que vestir muito a camisa do arquirrival Palmeiras. E não foi por sacanagem dos amigos ou por apostas futebolísticas perdidas: é que, considerado baixinho para o vôlei, o jogador recebeu muitos “nãos” antes de ganhar sua primeira oportunidade profissional justamente no Verdão. Como à época a função de líbero ainda não existia, ele se tornou o terceiro levantador do time

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3. Raiva por ir ao Faustão

O frenesi causado pela conquista da medalha de ouro em Atenas se converteu em fama e bons contratos, mas também teve um lado incômodo: o assédio insistente da imprensa. Ao voltar da Grécia, o defensor só queria ficar com a família e os amigos de Pirituba, mas acabou obrigado a ir ao “Domingão do Faustão”. “Arrumei uma briga com a CBV, os clubes, pois não queria ir. Ia perder meu domingo (…) Me chamavam de louco. Briguei com um monte de gente, mas não teve jeito. Os caras me levaram, fui quase arrastado. Fiquei com uma raiva”.

Quinze anos depois da estreia, Serginho deixou a seleção brasileira em 2016 (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)


4. Furúnculo na virilha quase tira o líbero de final do Mundial

A conquista do Mundial de 2002, na Argentina, está até hoje guardada na memória dos torcedores brasileiros por conta do saque na linha de Giovane, que encerrou o tie-break contra a Rússia 15 a 13. Mas o que quase ninguém sabe é que o líbero quase não esteve em quadra por um motivo inusitado: o repentino aparecimento de um furúnculo na virilha que, além de dolorido, prejudicava seus movimentos. “Não dava tempo de levá-lo ao hospital. Se fôssemos fazer isso ele estaria fora da decisão. Então, resolvemos drenar o furúnculo a seco. Ele aguentou a dor e fizemos o procedimento”, afirmou Alvaro Chamecki, médico da seleção.

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5. Brigas e revolta com Bernardinho às vésperas da Rio 2016

Serginho fala abertamente de diversas brigas ocorridas com outros jogadores e o técnico Bernardinho ao longo da trajetória de ambos na seleção. Inclusive, dá sua versão para o polêmico corte de Ricardinho em 2007. No livro, o jogador revelou ainda que também ficou revoltado com a decisão do treinador em escalar Tiago Brendle na final da Liga Mundial de 2016, último torneio antes da Olimpíada do Rio de Janeiro.

“O Bernardinho veio me pedir desculpas, explicando que precisava testar o Tiago. Eu vi que ele estava mal com aquela situação. Mas eu também estava e me alterei um pouco, respondi em voz alta. ‘Você me tirou da final. E o fato é que perdemos’. Tabach e Rubinho (assistentes da seleção masculina) vieram me acalmar. Eu misturava nervosismo com frustração”, comentou o líbero.

Serviço:

Degrau por degrau – a trajetória de Serginho, de Pirituba ao Olimpo
Daniel Bortoletto
256 páginas
R$ 41,90

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Zé Roberto lamenta desunião de clubes femininos: “Só olham para o próprio umbigo” http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/26/ze-roberto-lamenta-desuniao-de-clubes-femininos-so-olham-para-o-proprio-umbigo/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/26/ze-roberto-lamenta-desuniao-de-clubes-femininos-so-olham-para-o-proprio-umbigo/#respond Mon, 26 Jun 2017 09:00:11 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=7906

Dois anos após o fim do Vôlei Amil, Zé Roberto começou o projeto do Hinode Barueri do zero e agora parte para a Superliga (Foto: William Lucas/Inovafoto/CBV)

O nome de José Roberto Guimarães está extremamente associado com a seleção brasileira, mas o técnico vai além disto. Mesmo com todas as obrigações à frente da equipe nacional, o treinador não deixa de se envolver com o voleibol de clubes: só na última década, por exemplo, ele também trabalhou no Scavolini Pesaro (Itália), no Fenerbahce (Turquia), no Vôlei Amil (Campinas) e, desde o segundo semestre de 2016, liderou o projeto do Hinode Barueri, equipe que se prepara para a disputa da primeira Superliga. São dois lados que, volta e meia, entram em conflito, mas a vivência em ambos deles faz com que Zé Roberto tenha fincada suas opiniões sobre temas polêmicos.

Um deles é o ranking da Superliga, que limita as contratações de cada equipe sob a justificativa de impedir que as diferenças financeiras causem um desequilíbrio técnico excessivo no torneio. Zé Roberto é um dos poucos treinadores que se posicionam abertamente pelo fim da restrição, odiada pelos atletas e só mantida por decisão dos próprios clubes. “Entre as mulheres, a gente ainda só pensa no próprio umbigo, no campeonato nacional e aí o time vai jogar o Mundial de clubes não tem como competir”, reclamou o treinador.

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Nem mesmo o claro crescimento de equipes que, até poucos anos atrás, eram atropeladas pelos tradicionais Sesc-RJ (antigo Rexona) e Vôlei Nestlé Osasco, convence Zé Roberto da legitimidade do ranking. “Eu, quando estava na Amil, senti uma dificuldade enorme de montar o time, você não faz ideia”, afirmou o treinador. Ele segue em busca de respostas de seus colegas sobre a questão: “Nenhum clube que vota a favor consegue me explicar (o porquê)”.

Nesta segunda parte da entrevista com Zé Roberto (clique aqui para ler a primeira), ele também comentou sobre o impacto das críticas oriundas das redes sociais (“Tem aqueles que  gostam de criticar e, a essas pessoas, eu não dou credibilidade”), a possibilidade de uma Superliga gerida pelos clubes e, claro, o time de Barueri, que está perto de fechar com a oposta polonesa Skowronska: “O ideal seria ter duas estrangeiras e isso poderia acontecer com um copatrocinador. Mas está difícil conseguir um”.

Técnico alfineta pessoas que só criticam as atletas: “Fico triste, mas não dou credibilidade” (Foto: Divulgação/Montreux Volley Masters)

Confira abaixo:

SdR – Hoje, por conta das redes sociais, as críticas chegam às jogadoras de uma forma direta. Como você lida com isso?

Zé Roberto – Eu não leio, mas quando me falam dessas críticas agressivas, fico muito triste. Sei o que elas estão trabalhando e jogar nesse nível é difícil. (Uma má atuação) Pode ser por conta do momento, do que está acontecendo na vida dela, da maturidade que ela ainda tem que conseguir… São muitas variáveis no feminino, onde há uma alternância de escolas, diferente do masculino onde todos jogam no mesmo padrão. É preciso uma adaptação rápida e, como sempre tivemos bons resultados, essa cobrança é muito grande. O brasileiro não admite que uma jogadora possa atuar mal.

SdR – Você costuma dar alguma orientação nesse sentido?

Zé Roberto – Costumo. Digo para elas não lerem e pensar no esforço que elas estão fazendo porque tem gente maldosa, que quer jogar tudo para baixo e essas pessoas não constroem absolutamente nada. Uma coisa é fazer uma crítica construtiva, dizendo que fulana não está jogando bem, que está com um defeito no fundamento, que o aproveitamento está ruim. Essas devem ser aceitas. Agora, quando você xinga e tenta colocar a jogadora pra baixo, é algo que eu sou contra. E alguns dos críticos são pessoas que depois do jogo vão pedir autógrafo. Não entendo. Só nós sabemos o que treinamos para jogar contra as melhores seleções do mundo e o quanto é difícil conseguir resultados. Há várias equipes que foram ouro na Olimpíada e depois nem se classificaram para os Jogos seguintes. Mas o masculino e o feminino do Brasil estão se mantendo entre os melhores do mundo. Muita gente valoriza isso, mas sempre tem aqueles que  só gostam de criticar e, a essas pessoas, eu não dou credibilidade.

SdR – Você é um notório defensor do fim do ranking da Superliga, mas há uma oposição grande a isso por parte dos clubes e ele continua em vigor. Por que você acha que existe tanta resistência?

Zé Roberto – Eu gostaria de saber, não tenho uma explicação plausível. E nenhum clube que vota a favor consegue me explicar. A pergunta que eu faço é a seguinte: se o ranking foi feito para equilibrar forças, por que a mesma final costuma se repetir?

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SdR – Mas você não acha que, ao menos recentemente, o fato de Rexona-Sesc e Vôlei Nestlé terem chegado não foi uma coincidência? Este ano, por exemplo, o Camponesa/Minas quase foi pra final, o Dentil/Praia também tinha elenco pra ir…

Zé Roberto – Mas é sempre quase! Eu, quando estava na Amil, senti uma dificuldade enorme de montar o time, você não faz ideia. As levantadoras mais experientes já estavam contratadas, as melhores líberos já estavam encaixadas… quem monta um time, sai sempre atrás.

SdR – Então não seria uma questão de orçamento à disposição?

Zé Roberto – Na época, era possível ter 43 pontos e havia alguns fatores de benefício, como jogadora repatriada, ser da base… Tudo bem isso, mas dá um limite, como anos após a repatriação (para a jogadora seguir zerada). Não se pode deixar ad aeternum, senão essa atleta nunca vai querer mudar de time. Agora que pontuaram só as jogadoras de sete pontos, ficou mais acessível. Ainda não é o ideal, que seria acabar com o ranking, mas o masculino, por exemplo, está muito na frente do feminino. Entre as mulheres, a gente ainda só pensa no próprio umbigo, no campeonato nacional e aí o time vai jogar o Mundial de clubes não tem como competir. Agora, por que o Sada vai e ganha o Mundial masculino?

SdR – Porque consegue manter o elenco.

Zé Roberto – Além de também ter três jogadores de nível sete pontos. Eles têm um a mais pra ajudar no caso de campeonatos internacionais. Mas no feminino a gente ainda olha pro próprio umbigo. Esse ano o Rio ainda quase chegou ao título, mas foi a primeira vez. Quando eu estava no Fenerbahce, em 2010, Osasco tomou duas cacetadas, uma no grupo e outra na final. Quando eles ganharam, em 2012, o elenco era praticamente a seleção brasileira e esse time só foi montado por essa coisa de exceções no ranking que eu falei. Também houve trabalho, mas o que quero dizer é o seguinte: faz pelo menos igual no masculino, com três jogadores de sete pontos que já é um grande passo dado.

Em clubes, melhor resultado da carreira de Zé Roberto foi o título mundial de 2010 com o Fenerbahce (Foto: Divulgação/FIVB)

SdR – No masculino os clubes também estão mais organizados também na questão geral, inclusive ameaçando se desvincular da CBV e comandar uma liga própria. Como você vê a possibilidade de a Superliga ser gerida pelos clubes?

Zé Roberto – Nessa coisa de uma liga própria, eu não sou a favor de uma coisa e nem de outra. Sou a favor do bom senso. No que a Confederação pode ajudar os clubes? No que os clubes podem ajudar a Confederação? A CBV fica no meio da seleção e dos clubes. Conciliar essas duas coisas é muito diferente. O vôlei brasileiro não é o que é só pelos clubes. A seleção tem uma grande parte desta qualidade e uma coisa não pode viver sem a outra. Quando na nossa última reunião foram propostas algumas mudanças, inclusive de extensão de calendário dos clubes, eu fui a favor. Também acho que poderiam haver jogos de clubes no meio da temporada de seleções, porque aí você teria voleibol de clubes o ano inteiro. Por exemplo, uma Superliga de junho a abril, bem espaçada, com a seleção jogando em alguns intervalos do torneio. Dá pra conversar e se adaptar.

SdR – Você conseguiu montar um elenco bom, mas jovem, pro Hinode Barueri. Está satisfeito?

Zé Roberto – Eu estou satisfeito com o projeto. Retomamos a base perdida, o que é extremamente importante para mim como realização pessoal. Time sem base não agrega. A base é muito importante pro futuro do vôlei brasileiro, aproveitar atletas de lá no time… Vamos disputar a Copa São Paulo e algumas dessas meninas estarão lá. Agora, o que está sendo muito difícil é arrumar um copatrocinador pra melhorar o nível da equipe. O ideal seria ter duas estrangeiras e isso poderia acontecer com um copatrocinador. Mas estou feliz: há algumas remanescentes de qualidade da Série B, atletas experientes, como a Érika e a Suelle, e ao mesmo tempo jovens promessas como a Tainara, da seleção sub-20, a Edinara… Vai ser legal disputar a Superliga com esse grupo. Teremos muito trabalho, mas isso que é o gostoso.

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Zé Roberto: “Ainda não vejo minha vida sem a seleção” http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/25/ze-roberto-ainda-nao-vejo-minha-vida-sem-a-selecao/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/25/ze-roberto-ainda-nao-vejo-minha-vida-sem-a-selecao/#respond Sun, 25 Jun 2017 09:00:35 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=7873

Para o técnico tricampeão olímpico, maior vantagem do Brasil perante os rivais é o conjunto (Foto: Michael Dantas/Inovafoto/CBV)

Prestes a completar 14 anos à frente da seleção brasileira feminina de vôlei – assumiu o cargo em 29 de julho de 2003 –, José Roberto Guimarães poderia ter deixado o time após a Olimpíada do Rio 2016. Com duas medalhas olímpicas de ouro, três medalhas em Mundiais (duas pratas e um bronze) e oito títulos de Grand Prix no período, o treinador não deve satisfações a ninguém acerca de sua competência. Poderia curtir mais tempo com a família, se dedicar à paixão por cavalos ou mesmo ao projeto do Hinode Barueri, que iniciou do zero no ano passado e prepara para a disputa da primeira Superliga.

Mas quem disse que Zé Roberto está cansado?Minha mãe dizia uma frase que me marcou a vida inteira: ‘Quem corre por gosto não cansa’. Pra mim, estar na quadra não é um sacrifício”, afirma o treinador, deixando claro que, no que depender dele, ainda permanecerá um bom tempo no cargo. A família também não faz pressão alguma para Zé mudar de ideia. “Pelo contrário: elas (a mulher Alcione e as filhas Maria Fernanda e Anna Carolina) compartilham comigo esses momentos no vôlei”.

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O maior desafio do técnico nesta nova fase é promover uma renovação na seleção brasileira, que viu dois de seus pilares, a central Fabiana e a oposta Sheilla, se aposentarem da equipe, unindo-se à líbero Fabi, que deixou o time em 2014.  Nomes importantes como Dani Lins, Fernanda Garay e Jaqueline também preferiram tirar um período sabático, enquanto Thaisa recupera-se de um problema no joelho. Como resultado, a seleção deste ano está repleta de caras novas e lideranças diferentes, algo que não se via há muitos anos.

Na primeira parte desta entrevista exclusiva ao Saída de Rede, Zé Roberto falou sobre o novo momento, assim como analisou a precoce eliminação na Olimpíada. O futuro e a evolução do vôlei nas últimas décadas também foram pautas. “A especialização precoce trouxe um mal. Pra ganhar campeonatos na base, muitos treinadores aceleram o processo de formação de atletas, que deveria estar focado em trabalhar na versatilidade e no gesto técnico”, analisou o técnico, deixando claro que vai acentuar o trabalho de flexibilidade de funções de suas comandadas na seleção. “Talvez o Brasil seja o time que mais trabalhe todos os fundamentos com as jogadoras”, comentou.

Leia a entrevista abaixo e não perca a segunda parte da conversa, que será publicada nesta segunda-feira (26):

Saída de Rede – A seleção está vivendo este ano a maior mudança em termos de renovação de atletas desde Atenas 2004. Que semelhanças e diferenças você vê entre o período de agora e o que vivemos há 13 anos?

Zé Roberto – É mais ou menos igual. Visualizando o futuro, a gente já estava colocando algumas dessas jogadoras para disputar alguns campeonatos: se não podíamos jogar Montreux, ia a seleção sub-23, em 2015 havia dois campeonatos juntos (Pan e Grand Prix), então dividimos o grupo após convocar 30 atletas… Muitas delas estão aqui nessa renovação. É algo que a gente esperava, até porque em ano pós-olímpico algumas jogadoras escolhem fazer um ano sabático, caso da Dani Lins, que quer engravidar. Quem se manifestou que encerraria o ciclo com a seleção foram a Sheilla e a Fabiana, mas as outras deixaram em aberto. A Fernanda Garay me ligou avisando que ia casar em 2017 e queria ficar fora, a Jucy está fora porque operou… ela tem 37 anos e não sei se vai estar na Olimpíada de Tóquio, mas enquanto estiver na atual forma, em que jogou muito na final da Superliga e no Mundial terá espaço… Hoje a gente está vendo no futebol e no vôlei uma longevidade maior e ela é uma jogadora que se cuida muito, gosta de treinar, concentrada. Não sei qual é o limite da Juciely. Não é porque tem 37 anos que está fora, nem ela e nem ninguém. Já a Gabi está com uma tendinite bastante significativa no joelho e está em tratamento pra tentar não operar, mas é uma jogadora com a qual a gente conta.

SdR – Com a Gabi é muito aquilo que você já comentou: há jogadoras, caso também da Natália, que já estão há tanto tempo na seleção que parecem ser mais velhas do que realmente são…

Zé Roberto – É. A Natália está desde os 16, a Gabi desde os 18 pra 19, então parece que estão há mais tempo do que realmente estão. A própria Bia: ela sempre esteve no pensamento da comissão técnica pra ser convocada, mas encontramos alguns problemas. E esse ano é o que ela está vindo inteira para participar. A Suelen jogou Montreux em 2013. Sempre procuramos trazer uma ou outra para participar do grupo, como é o caso da Edinara, da Fernanda Tomé e da Drussyla agora.

SdR – E no vôlei de uma maneira em geral, o que você acha que mudou nos últimos anos?

Zé Roberto – A gente procura se aproximar cada vez mais de características do vôlei masculino, como maior velocidade, mais ataques do fundo e bloqueios mais agressivos. O que ainda não conseguimos igualar no feminino é o saque: hoje, 98% dos atletas homens sacam viagem e entre as mulheres é uma ou outra. Pra fazer isso, a jogadora precisa treinar muito e ter regularidade, senão não adianta. Tem atletas no masculino que mais erram do que acertam o viagem, então vale a pena sacar assim? Isso não é uma crítica, é uma constatação.

Edinara (à esq) é uma das novatas no ciclo olímpico, enquanto Gabi já é uma “veterana” apesar da pouca idade (Foto: Divulgação/CBV)

SdR – Hoje o vôlei feminino também está mais físico do que na década passada? Há, por exemplo, uma carência mundial de boas passadoras, enquanto muitas atletas atacam bem…

Zé Roberto – Tudo isso é o mal que a especialização precoce trouxe. Pra ganhar campeonatos na base, muitos treinadores aceleram esse processo, que deveria estar focado em trabalhar na versatilidade e no gesto técnico. O problema é que isso demanda tempo e muitas vezes não ganha campeonato. Antigamente, mesmo as centrais passavam. Hoje, não tem: 99,9% das líberos entram no lugar da central. Eu mesmo tento não perder essa característica: não treino passes com as centrais, mas todas as nossas opostas treinam passe, caso da Monique, da Tandara, da Sheilla… a Sheilla, depois de uma certa idade, a gente passou a tirar deste exercício até para não desgastar muito, mas é importante você treinar, pois pode precisar em algum momento. Se uma oposta é nota 6, 7 no passe, ela já pode ajudar na linha de recepção.

SdR – E isso é algo que você pretende acentuar nesse ciclo olímpico?

Zé Roberto – Sim, nos nossos treinamentos a gente busca muito isso. Procuramos trabalhar o toque das meios para elas fazerem um bom levantamento quando a levantadora defende e a líbero está fora do jogo… Talvez o Brasil seja o time que mais trabalhe todos os fundamentos com as jogadoras. A Edinara, por exemplo, é uma atleta que temos que trabalhar o passe, pois ela se mostrou uma atleta de personalidade, de atitude e foi bem. Não é alta e tem algumas dificuldades, mas a Mari também tinha no passe. E nunca podemos nos esquecer que ganhamos a Olimpíada de 2008 com Mari e Paula Pequeno de pontas, formando uma linha de passe teoricamente mais vulnerável. Mas elas também estavam muito bem nas bolas altas, que a gente treinou muito para caso o passe não saísse como deveria.

SdR – Apostar na versatilidade é uma maneira de compensar o fato de historicamente as jogadoras do Brasil não serem tão altas como as estrangeiras?

Zé Roberto – Claro. Elas precisam ter mais habilidade e saber se virar melhor em situações difíceis.

Técnico preza pela versatilidade e capricho nos fundamentos em seus treinos (Foto: Leandro Martins/MPIX/CBV)

SdR – Você está iniciando um novo ciclo olímpico na seleção, o que significa mais trabalho e pressão. O que te motiva a seguir?

Zé Roberto – É uma missão. Eu gosto e ainda não vejo minha vida sem a seleção. Defender o meu país, ensinar, passar experiência para as jogadoras, fazê-las jogar pelo mundo contra algumas das melhores me motiva. É tentar também ganhar torneios que ainda não conseguimos, caso do Mundial, que me atrai muito, bem como a Olimpíada de 2020.

SdR – Mas é um custo pessoal muito grande, ainda mais agora que você também está tocando o projeto do Hinode Barueri.

Zé Roberto – Minha mãe dizia uma frase que me marcou a vida inteira: “Quem corre por gosto não cansa”. Pra mim, estar na quadra não é um sacrifício. Ontem mesmo (a entrevista foi concedida na terça, 20 de junho), eu dei três treinos: de manhã e à noite com a seleção e à tarde para as meninas do Barueri. Eu venho pra cá feliz.

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SdR – A família não pede pra diminuir o ritmo?

Zé Roberto – Ao contrário, a família adora e compartilha comigo esses momentos. O que é legal é que eu consegui trazer a minha família junto pro vôlei, elas (a mulher e as filhas) participam ativamente, estão sempre antenadas, vão aos torneios… eu me sinto seguro.

SdR – China e Sérvia chegaram à final olímpica no Rio com elencos jovens. São os times a serem batidos neste ciclo?

Zé Roberto – Também, pois são dois elencos muito fortes. Na Sérvia, acho que vai depender muito do que acontecer com a Ognjenovic (levantadora), que por um lado mostrou interesse em parar com a seleção, mas por outro quer estar no Mundial. Algumas jogadoras são chave nesses times e é o caso da Ognjenovic pra Sérvia: construir uma levantadora como ela não é fácil. Na China, depende do que vai acontecer com a Zhu. Ela é um ponto de referência ali: a China é uma com e outra sem ela, que recebe a maioria das bolas decisivas. Eu gosto muito também da oposta Gong, que é excepcional e faz a diferença. No Brasil, o ponto forte sempre foi o conjunto: saía uma jogadora, entrava outra e a adaptação era mais fácil. Por exemplo: a Fofão saiu e demos mais rodagem pra Dani Lins e pra Fabíola, que responderam bem às expectativas. E olha que substituir uma Fofão é complicado…

SdR – Essa adaptação mais fácil tem a ver com o fato de geralmente o Brasil ir com força máxima pros torneios? A China, por exemplo, chegou a jogar finais de Grand Prix com o elenco completamente modificado.

Zé Roberto – A Lang Ping fez isso algumas vezes no último ciclo olímpico, mas não era uma característica dela quando dirigiu os Estados Unidos. Ela tentou não expor o elenco, mas correu um risco muito grande porque o que acabou ressuscitando a China na Olimpíada foi o jogo contra a gente. Antes, vinha muito mal. Não sei se vai repetir isso agora. O Brasil mesmo fez menos jogos completo no quadriênio da Fofão do que no seguinte, com Dani Lins e Fabíola.

SdR – Ainda assim, o Brasil costuma manter uma espinha dorsal. Os Estados Unidos também variam muito, a ponto de o Karch Kiraly ter chegado para o Rio com três levantadoras no elenco…

Zé Roberto – Isso aconteceu porque ele acreditava muito naquela levantadora que jogou aqui, a Courtney Thompson. Ele acreditou que isso daria resultado…

SdR – Ele também jogou a Olimpíada com duas opostas de características semelhantes

Zé Roberto – Isso foi uma escolha dele, de achar que aquelas duas eram as ideais.

SdR – Mas não falo nem quem estava melhor ou não, é de variação de jogo mesmo.
Zé Roberto –
É, eu acho que se a gente ficar mudando muito, vira uma situação comprometedora. O time não cria um conjunto, um sincronismo. As jogadoras precisam se conhecer, se entender, ter uma situação de familiaridade. Cada levantadora tem um timing, um gesto diferente… Apesar que ainda temos algumas levantadoras pra jogar, como a Juma, do sub-23, a Dani que ainda não encerrou o ciclo na seleção e a própria Fabíola. Temos feito uma progressão nesse quesito. O que temos carência é em algumas posições: conhecendo a base do Brasil, vejo uma falta maior em opostas e em ponteiras passadoras com altura. Por outro lado, há quatro centrais acima de 1,90 m na seleção sub-20, o que é muito bom. Nossa busca agora também é pela altura e não tem aparecido tantas ponteiras e opostas grandes como nos países europeus e nos Estados Unidos.

SdR – Você nunca escondeu sua admiração pela Kim. Ela ainda é a melhor do mundo, na sua opinião?

Zé Roberto – Ela e a Zhu são hoje as duas protagonistas do voleibol mundial.

Derrota nas quartas do Rio doeu, mas Zé diz não se martirizar por isso (Foto: Divulgação/FIVB)

SdR – A China foi campeã olímpica com a Lang Ping, sendo um caso raro de técnica mulher no vôlei de alto rendimento. Por que você acha que tão poucas mulheres viram treinadoras bem sucedidas?

Zé Roberto – É uma pergunta que eu também me faço e fiz em um curso técnico no qual dei uma aula recentemente. Eram duas mulheres entre 31 pessoas. Talvez elas se preocupem mais com a formação do que com o alto rendimento. Isso, inclusive, também acontece com muitos homens. A cobrança do alto rendimento é muito complicada de lidar.

SdR – E agora a Fofão está fazendo cursos de formação…

Zé Roberto – Acho que é o caminho, pois ela fez o nível 2 recentemente, inclusive com um de nossos treinadores aqui. Acredito que, no futuro, ela vai aceitar o desafio. Ela quer ver primeiro, mas acho que leva jeito. É o que sempre digo: começa na formação, um passo de cada vez, para depois sentir se o alto nível é aquilo que ela quer realmente fazer.

Na opinião do treinador, Zhu é a grande protagonista do vôlei hoje ao lado de coreana Kim

SdR – A Rio 2016 ainda te martela a cabeça de vez em quando?

Zé Roberto – A Rio 2016 era uma situação que me preocupava antes. Eu tenho uma certa experiência em Olimpíadas e sei que o mais importante neste torneio é cair em um grupo forte, pois ou você passa ou você sucumbe e fica pelo caminho. Se consegue passar, o ritmo que adquiriu te dá uma base diferente. Quando, nessa trajetória, você perde um ou outro jogo, tal derrota também te mostra coisas importantes, onde seu time precisa evoluir. O duro é o que aconteceu com a gente: pegamos um grupo que, quatro anos antes, seria muito forte: Coreia e Japão foram semifinalistas em Londres, a Rússia foi um jogo pesadíssimo… só que, no quadriênio, nenhuma dessas equipes se apresentou bem. Quando vi que a gente iria cair nesse grupo, convidei Sérvia e China, que acabariam sendo as finalistas, para fazer amistosos. O grande problema é que não fomos exigidos na fase de grupos, ganhamos todos os jogos por 3 a 0. E aí, nas quartas, pegamos uma China vinda de uma situação difícil, mas que ia se classificar porque havia dois adversários mais fáceis na chave, não era como os nossos quando vivemos a mesma situação em Londres 2012, onde precisamos ganhar de Sérvia e China nas últimas rodadas. É uma situação diferente. Nas quartas, elas perderam o primeiro set, mas quando viram que podiam jogar de igual pra igual com o Brasil e ganharam o segundo set, criaram mais força no jogo até ganhar da gente no tie-break por dois pontos. Eu queria ter caído em um grupo mais difícil correndo todos os riscos do mundo. Mas não é algo que me martiriza.

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SdR – Há algo que estava sob o seu controle que você mudaria? O chaveamento dos grupos não dependia somente do Brasil.

Zé Roberto – É o dia. E naquele dia aconteceu o que? A Zhu fez uma partida formidável. Já nos amistosos contra elas, quando a número 10 (Liu Xiaotong)  entrou e arrumou o passe chinês, eu vi que, se isso acontecesse no jogo, ia complicar a nossa vida. Eu já sabia o que poderia acontecer. Como, de fato, aconteceu. Não conseguimos parar a Zhu em momento algum e mesmo assim perdemos no tie-break por 15 a 13. Foi um pecado. A Lang Ping e a China tiveram méritos, tanto que ganharam a Olimpíada depois, mas foi um time que começou muito mal.

SdR – E por que você não usou a Fabíola neste jogo contra a China?

Zé Roberto – Porque eu não achei que tivesse a necessidade de usá-la. Não era algo primordial. As coisas estavam equilibradas e o time estava bem em ataques pelo fundo… você usa a inversão quando há necessidade, a rede não casa ou precisa de um bloqueio mais pesado. Não era uma situação assim.

SdR – Apesar da derrota, tive a sensação que as pessoas aceitaram melhor a eliminação. Houve críticas, claro, mas não no nível que se esperaria antigamente. Você também sentiu isso?

Zé Roberto – As pessoas entenderam o esforço e a dedicação do time. Se esse jogo tivesse acontecido na fase de classificação, tudo poderia mudar. É tudo “se”, como aconteceu em Londres e como não aconteceu em Pequim. A seleção feminina é um time que tem o respeito dos brasileiros pelo resultado que alcançou e cair em uma quartas de final com luta é entendido. Muita gente chorou e sentiu essa derrota.

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Polonês Bartman a caminho da Argentina http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/24/polones-bartman-a-caminho-da-argentina/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/24/polones-bartman-a-caminho-da-argentina/#respond Sat, 24 Jun 2017 09:00:33 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=7875

O atacante Zbigniew Bartman viveu seu auge na seleção polonesa de 2011 a 2013 (fotos: FIVB)

Um dos jogadores mais populares desta década, ainda que não atue pela seleção de seu país desde 2013, o ponta/oposto polonês Zbigniew Bartman, 30 anos, 1,98m, está prestes a vir jogar aqui do lado. O atacante deve assinar com o UPCN, da Argentina, segundo a mídia do país vizinho, informação confirmada pelo Saída de Rede com jornalistas poloneses. Ele iria para jogar na entrada de rede.

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Bartman estava no Galatasaray, da Turquia, na temporada 2016/2017. Foi sua segunda passagem nessa liga, ele que jogou pelo Halkbank no período 2007/2008. O atleta atuou também, além da liga polonesa, na Itália, Rússia, China, França e Qatar.

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Ponteiro de origem, com passagem pelo vôlei de praia nos tempos de juvenil, Zbigniew Bartman foi convocado pela primeira vez para a seleção adulta aos 22 anos, em 2009, época em que a equipe era treinada pelo argentino Daniel Castellani – agora novo treinador do Funvic Taubaté. Mas foi somente em 2011, quando o italiano Andrea Anastasi assumiu o cargo de técnico da Polônia, que Bartman ganhou mais espaço. De ponta reserva com pouca participação, ele foi deslocado para a saída de rede e virou titular. Sua popularidade disparou.

Desolado após a eliminação em Londres 2012, Bartman sentado ao lado do líbero Ignaczak

Alvo de críticas
Seu desempenho nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, foi considerado medíocre. A equipe, que chegou a capital inglesa com status de favorita, após conquistar a esvaziada Liga Mundial daquele ano, perdeu para a Bulgária e até para a Austrália na fase de grupos, o que lhe fez cruzar com a Rússia nas quartas de final, sendo eliminada em sets diretos. Bartman, que nunca havia sido unanimidade na entrada ou na saída de rede entre os comentaristas da modalidade, foi um dos principais alvos das críticas da imprensa polonesa – na Olimpíada ele foi oposto.

Como Anastasi seguiu no comando da seleção no ano seguinte, Zbigniew Bartman foi convocado mais uma vez. No entanto, depois da chegada do técnico francês Stephane Antiga em 2014, o atacante não teve mais chances. Com seu voleibol em decadência, já era esperado que não fosse considerado pelo novo treinador da Polônia, o italiano Ferdinando Di Giorgi, que assumiu o cargo este ano – o nome de Bartman não constou nem mesmo numa pré-lista com 62 atletas.

No auge da popularidade, quando era titular da seleção polonesa, de 2011 a 2013, ia constantemente a programas de TV e estrelava diversas campanhas publicitárias em seu país – de óculos a cerveja. Atualmente, com menos prestígio, ainda é convidado para talk shows.

O atleta polonês de 30 anos segue participando de programas de entrevistas (Reprodução/YouTube)

Mais estrangeiros na Argentina
A liga argentina vem tentando atrair mais estrangeiros. A partir da próxima temporada, o limite por equipe passa de dois para três jogadores nascidos fora do país. O UPCN soma seis títulos na competição, conquistados consecutivamente, de 2011 a 2016, mas perdeu a edição mais recente para o arquirrival Bolívar. O destaque do UPCN é justamente um estrangeiro, o oposto búlgaro Nikolay Uchikov, que joga pelo clube desde 2014. Outro que vem de fora é o central brasileiro Pedrão, que foi das categorias de base do Sada Cruzeiro e teve passagem pelo Montes Claros. Ele estava novamente no Sada na temporada encerrada em maio.

O Bolívar, que perdeu o oposto australiano Thomas Edgar, MVP da liga 2016/2017, para o voleibol japonês, o substituiu pelo brasileiro Théo (ex-Sesi e que jogou no UPCN no período 2013/2014). O ponta brasileiro Piá, outro que deixou o time, foi substituído pelo sérvio Milos Nikic, campeão europeu em 2011 e da Liga Mundial em 2016. O clube chegou a anunciar também a contratação do ponta francês Julien Lyneel, mas antes de assinar o contrato o jogador decidiu trocar o campeonato argentino pela curta, porém mais rica, liga chinesa.

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Skowronska está “praticamente fechada” com Barueri, diz Zé Roberto http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/23/skowronska-esta-praticamente-fechada-com-barueri-diz-ze-roberto/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/23/skowronska-esta-praticamente-fechada-com-barueri-diz-ze-roberto/#respond Fri, 23 Jun 2017 17:00:10 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=7855

Zé Roberto já treinou a estrela polonesa no Pesaro e no Fenerbahçe (fotos: Cinara Piccolo/Photo&Grafia e FIVB)

A oposta polonesa Kasia Skowronska-Dolata está “praticamente fechada” com o Hinode/Barueri. A informação é do técnico José Roberto Guimarães, que conversou na manhã desta sexta-feira (23) com o Saída de Rede. Skowronska, que completa 34 anos na próxima sexta (30) e tem 1,89m, desembarca neste sábado (24) em São Paulo e segue para Barueri, na região metropolitana, para uma reunião com Zé Roberto.

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“Ela vem amanhã para conhecer o projeto e acertarmos a permanência dela”, disse o treinador tricampeão olímpico, que já foi técnico da atleta no Pesaro, da Itália, e no Fenerbahçe, da Turquia. Ele tentou trazê-la para jogar no Brasil quando era técnico do Amil, em Campinas, mas não foi possível. “Trazer uma jogadora top da Europa não é fácil por causa do câmbio”, ponderou.

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O Hinode/Barueri, que este ano venceu a Superliga B e ascendeu à primeira divisão, ainda tenta conseguir um co-patrocinador, mas já tem recursos para bancar a vinda da polonesa, que começou a carreira como central e jogou também como ponteira. Skowronska é, ao lado da atacante Malgorzata Glinka, já aposentada, o maior nome do voleibol feminino polonês nas últimas décadas.

Cirurgia
O fato de Kasia Skowronska estar se recuperando de uma cirurgia para reconstrução do ligamento cruzado anterior do joelho direito não preocupa Zé Roberto. “Ela está se recuperando bem, é muito determinada e acho que não terá nenhum tipo de problema”, comentou o treinador.

A oposta, que estava na Itália na temporada passada, jogando pelo Bergamo, se machucou no dia 21 de janeiro, durante uma partida contra o Scandicci. Era a maior pontuadora do seu clube e uma das cinco maiores da liga italiana. Ela voltou imediatamente à Polônia para se submeter a uma cirurgia, está em recuperação e só deve treinar a partir de agosto.

Com a seleção do seu país, Skowronska foi bicampeã europeia (2003 e 2005), conquista inédita para o voleibol polonês – os homens só ganhariam seu primeiro e único título em 2009. Ela teve apenas uma participação nos Jogos Olímpicos, em Pequim 2008 – mesmo contando com Skowronska e Glinka, a equipe não passou da primeira fase.

Reforços do Barueri
Com o objetivo de chegar pelo menos à semifinal da Superliga 2017/2018, o Hinode/Barueri contratou como reforços, entre outras, a levantadora Naiane, a ponta Edinara, as centrais Saraelen e Fran – as duas primeiras foram convocadas para a seleção. Outra titular do time deve ser a ponteira Suelle, que participou da conquista da Superliga B.

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Estrela do Sada Cruzeiro, central cubano Simon quer jogar pela seleção do Canadá http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/23/estrela-do-sada-cruzeiro-central-cubano-simon-quer-jogar-pela-selecao-do-canada/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/23/estrela-do-sada-cruzeiro-central-cubano-simon-quer-jogar-pela-selecao-do-canada/#respond Fri, 23 Jun 2017 09:00:48 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=7826

O meio de rede Simon foi campeão mundial, sul-americano e brasileiro com o Sada Cruzeiro (fotos: FIVB)

Um dos maiores centrais de todos os tempos, o cubano Robertlandy Simon pode ganhar nova cidadania na busca por um antigo sonho: disputar os Jogos Olímpicos. A escolha do meio de rede de 30 anos e 2,08m, atleta do pentacampeão brasileiro Sada Cruzeiro, recaiu sobre o Canadá, um dos países que mais recebe imigrantes em todo o mundo.

A informação foi veiculada na quarta-feira (21), mas classificada como rumor, pelo site americano Volleywood. O Saída de Rede procurou a Volleyball Canada (VC), organização que administra a modalidade naquele país, e recebeu a confirmação do interesse de Simon em jogar pela seleção canadense.

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“É verdade que ele está interessado em jogar pelo Canadá, demonstrou vontade de conhecer o nosso centro de treinamento, mas não há meio de acelerar o processo de naturalização. Ele teria que se submeter aos mesmos trâmites que qualquer outro estrangeiro que tenha essa intenção”, explicou a VC ao SdR, por meio da sua assessoria de imprensa.

Processo longo
Para obter a cidadania canadense, Robertlandy Simon teria primeiro que se tornar residente permanente, em um processo que pode levar mais de um ano e avalia uma série de itens, incluindo a fluência em inglês ou em francês, as duas línguas oficiais do país. Uma vez residente, seria necessário somar três anos para obter a cidadania. Qualquer tempo fora do país é descontado, a menos que a pessoa esteja a serviço de uma empresa ou órgão do Canadá, ou seja, o tempo que estiver jogando pelo Sada Cruzeiro não contaria.

A Volleyball Canada informou que ele não receberia nenhuma vantagem. Desta forma, a chance de competir em Tóquio 2020, caso a seleção canadense se classifique, é praticamente nula. Simon terá 33 anos na próxima Olimpíada. Durante os Jogos de 2024, ainda sem sede definida, ele terá 37, idade em que poucos atletas apresentam boa forma.

Atacante foi ao Canadá
Atualmente em férias com a família em Cuba, o central esteve no Canadá na primeira quinzena de junho, passeando pelas cidades de Montreal e Ottawa – nesta última está localizada a sede da VC e o centro de treinamento da equipe masculina fica na vizinha Gatineau.

Robertlandy Simon por pouco não foi aos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, pela seleção cubana. Inexperiente, a equipe perdeu a vaga no pré-olímpico para a Alemanha – no jogo decisivo Cuba abriu dois sets a zero, mas foi derrotada de virada, com 13-15 no tie break. O meio de rede jogou pela seleção até 2010, aos 23 anos, quando foi vice-campeão mundial, perdendo na final para o Brasil.

O ponta canadense Fred Winters encaminhou Simon para a organização que administra o vôlei em seu país

Ajuda de ex-atleta do Sada Cruzeiro
O ponta canadense Fred Winters, que jogou pela seleção do seu país por 13 anos e foi do Sada Cruzeiro de 2014 a 2016, também confirmou o interesse do central cubano. Embora nunca tenham jogado juntos, Simon, que chegou ao time mineiro no ano passado depois que Winters saiu, tem amigos em comum com o norte-americano. O ponteiro cubano naturalizado brasileiro Yoandry Leal, outra estrela do multicampeão Sada, estabeleceu a ponte entre os dois.

“Ele me procurou, falou dos planos dele e eu o encaminhei para a VC”, contou Fred Winters ao Saída de Rede. “Mas não é nosso estilo utilizar jogadores de outros países”, completou o ponteiro, que despediu-se da seleção após a Rio 2016 – sua equipe foi eliminada nas quartas de final pela Rússia.

Este ano, o Canadá conseguiu se classificar para as finais da Liga Mundial depois de quatro temporadas – o time terminou em quinto lugar na edição de 2013.

Final do Mundial 2010: Simon (13) e Leal (4) bloqueiam com outro colega de time, enquanto León (1) observa

Brasil seria primeira opção, mas Leal chegou antes
Um dirigente da VC, que pediu anonimato, demonstrou animação com a intenção do meio de rede cubano e disse ainda que a intenção de Simon era jogar pelo Brasil, mas isso não seria possível porque seu amigo Leal já está cotado para a seleção brasileira. A Federação Internacional de Vôlei (FIVB) permite a inscrição de apenas um atleta naturalizado que tenha jogado por outra seleção. De qualquer forma, também não haveria tempo hábil para que ele pudesse jogar em Tóquio 2020, em razão dos trâmites burocráticos, além de não ter com o país os mesmos laços que Leal tem.

O ponta Yoandry Leal passou a viver no Brasil em 2012, jogando desde então pelo Sada Cruzeiro. Naturalizou-se em dezembro de 2015. Em maio deste ano, a FIVB o autorizou a defender a seleção brasileira a partir de março de 2019. Os dois anos de carência são uma exigência da entidade que rege o voleibol mundial para jogadores naturalizados. Em janeiro, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) enviou à Norceca (Confederação Norte, Centro-Americana e do Caribe de Vôlei) um pedido de transferência de federação para Leal. A solicitação foi então repassada à Federação Cubana, que deu seu aval, e devolvida à Norceca, que a encaminhou à FIVB em março – por isso o período de carência conta a partir daquele mês.

Robertlandy Simon comemora ponto durante o Mundial 2010, com Wilfredo León ao seu lado

León na Polônia
Outro astro daquela geração cubana, o ponteiro Wilfredo León naturalizou-se polonês em julho de 2015, em um processo que chegou a contar com a interferência do então presidente da República, Bronislaw Komorowski, para que fosse acelerado. León, que desde 2014 defende o clube russo Zenit Kazan, sequer morava no país e ainda hoje passa a maior parte do tempo fora dele. Uma das justificativas para a concessão da cidadania é que ele teria a intenção de representar a Polônia, além de ter uma noiva polonesa à época, com quem já se casou. León ainda não foi transferido da Federação Cubana para a Polonesa porque esta última não havia enviado a documentação necessária para a Norceca até o mês passado. Quando for liberado, terá de esperar dois anos para jogar pela seleção do seu novo país.

Juantorena na Itália
Ainda no capítulo dos grandes atletas cubanos naturalizados está o ponteiro Osmany Juantorena, que mudou-se para a Itália em 2008 e se naturalizou em 2010. Embora estivesse livre para jogar pela seleção italiana a partir de 2013, depois da liberação da Federação Cubana e do cumprimento do prazo de carência da FIVB, ele só foi convocado em 2015, ganhando uma medalha de prata na Copa do Mundo e uma de bronze no Europeu naquele ano, além da prata na Rio 2016.

No feminino, a cubana Taismary Agüero vestiu a camisa da Azzurra. Bicampeã olímpica, mundial e da Copa do Mundo pelo seu país de origem, ela representou a Itália em Pequim 2008, quando foi eliminada nas quartas de final. Ainda pela seleção italiana, ela sagrou-se campeã da Copa do Mundo mais uma vez, além de ser bicampeã europeia.

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Por seleção brasileira, líbero Suelen faz cirurgia bariátrica e perde 32 kg http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/22/por-selecao-brasileira-libero-suelen-faz-cirurgia-bariatrica-e-perde-32-kg/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/22/por-selecao-brasileira-libero-suelen-faz-cirurgia-bariatrica-e-perde-32-kg/#respond Thu, 22 Jun 2017 09:00:25 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=7817

Líbero perdeu 32 kg desde que reduziu a capacidade do estômago (Fotos: Divulgação)

Não importa o quão boas fossem as atuações ou as conquistas que Suelen Pinto acumulava ao longo da carreira: sempre rondando os 100 kg, a líbero de 1,69m volta e meia precisava lidar com comentários maldosos ou questionamentos sobre o fato de estar acima do peso considerado ideal para uma atleta de alto nível. Não faltaram esforço e nem força de vontade, mas fatores genéticos minavam o sucesso das tentativas de emagrecimento da jogadora.

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Foi então que Suelen tomou uma atitude radical: submeter-se a uma cirurgia bariátrica, popularmente conhecida como redução de estômago, cujo objetivo é reduzir o peso de pessoas consideradas obesas. Ainda que os exames médicos não apontassem nenhum problema de saúde, Suelen decidiu fazer o procedimento porque julgou que, assim, teria mais chances de integrar a seleção brasileira – apesar de ter sido convocada algumas vezes ao longo dos últimos anos, ela nunca conseguiu se manter no grupo comandado pelo técnico José Roberto Guimarães nas principais competições do mundo.

Suelen (de casaco amarelo) voltou à seleção depois de boa temporada na Itália

Deu certo: 32 kg mais magra, a líbero fez uma excelente temporada na Itália pela equipe do Foppapedretti Bergamo e se tornou uma das principais apostas de Zé Roberto no início deste ciclo olímpico visando Tóquio 2020. Há 12 dias, foi titular na equipe que conquistou o Montreux Volley Masters, torneio amistoso disputado na Suíça, e agora se prepara para o Grand Prix, o Sul-americano e a Copa dos Campeões.

“Com o passar dos anos, você ganha um pouco mais de consciência e uma coisa que eu sempre quis foi seleção. Depois do ciclo do Rio, eu pensei que poderia ser a minha vez. Foi quando eu tentei focar pra ver se as coisas melhoravam”, comentou a atleta, em entrevista exclusiva ao Saída de Rede. O processo acabou sendo tão natural que ela nem se lembra se passou pela bariátrica em 2015 ou 2016. “Fui perdendo peso aos pouquinhos, porque a minha cirurgia não foi aquela versão invasiva que você perde tudo de uma vez. Fiz com um dos melhores médicos de São Paulo que me explicou que não seria fácil, mas minha recuperação acabou sendo bem tranquila”, destacou.

Os efeitos colaterais da cirurgia foram poucos e não atrapalharam a carreira de Suelen. “Acho que a gente que é atleta aguenta muito mais que uma pessoa normal”, opinou a jogadora.

Mesmo acima do peso, jogadora era ágil e não tinha problemas de saúde

Volta inesperada

Além da questão física, Suelen precisou lidar com outros problemas no caminho de volta à seleção brasileira. No fim da temporada passada, por exemplo, ela vinha desgastada por uma temporada ruim no Sesi, que, apesar do alto investimento na ocasião, com jogadoras como Fabiana e Jaqueline, correu risco de sequer ir aos playoffs da Superliga e acabou eliminado nas quartas de final. Com consequência, a verba da equipe foi drasticamente diminuída e a participação no torneio na edição de 2016/2017 limitou-se a uma equipe formada por jovens atletas.

“Não imaginava que agora já estaria na seleção de novo, pois eu não saí do Sesi em uma fase muito boa. Houve várias coisas lá que não vem ao caso e não sabia como seria jogar no exterior, se seria difícil ou bom. Foi um contrato difícil. Teoricamente, cheguei ao Bergamo para ser a segunda líbero (ao lado da experiente Paola Cardullo), mas nos treinamentos comecei a ganhar meu espacinho e valeu muito a pena. Abriu as portas pra mim na seleção de novo”, comemorou.

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Para ela, a principal evolução obtida na Europa foi em termos de comunicação com as companheiras. “Como eu conheço a maioria das jogadoras aqui, você sabe o que elas estão pensando em quadra só de olhar. Mas lá eu tive que me comunicar melhor, então estou muito mais falante agora”, avaliou.

Para a próxima temporada de clubes, a ex-levantadora já fechou contrato com o Dentil/Praia Clube, de Uberlândia. O acordo representa uma volta à Minas Gerais natal onde também iniciou carreira e aprendeu a dar um dos toques mais bonitos do voleibol na atualidade. “Acho que é muito treino. A escola de vôlei em Minas prioriza muito os fundamentos. Eu ficava duas horas tocando e dando manchete na parede. Tudo isso ajuda”, sorri Suelen.

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Criticado, mas fundamental: entenda a importância de Maurício Borges para a seleção http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/21/criticado-mas-fundamental-entenda-a-importancia-de-mauricio-borges-para-a-selecao/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2017/06/21/criticado-mas-fundamental-entenda-a-importancia-de-mauricio-borges-para-a-selecao/#respond Wed, 21 Jun 2017 09:00:46 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=7781

Borges foi o melhor passador e o terceiro melhor defensor na fase classificatória da Liga Mundial (fotos: FIVB)

Elogiado por treinadores, mas criticado constantemente pela torcida, que não deixa de manifestar sua insatisfação com ele nas redes sociais, o ponteiro campeão olímpico Maurício Borges, 28 anos, 1,99m, vem demonstrando que é uma peça fundamental na seleção. O Saída de Rede conversou com o jogador, dois técnicos, um colega com quem divide a responsabilidade na linha de passe e um ex-atleta que foi referência na função, para mostrar que a equipe precisa dele.

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“O Maurício Borges é um jogador muito importante para o nosso sistema defensivo e para a linha de passe. Um atleta que erra pouco e ajuda muito na construção e equilíbrio do jogo”, disse o técnico da seleção masculina, Renan Dal Zotto, ao SdR. Ao lado do líbero, função hoje dividida entre Thales e Tiago Brendle, o ponta assume o peso de entregar a bola após o saque adversário na melhor condição possível ao levantador Bruno Rezende.

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Terminada a fase classificatória da Liga Mundial 2017, esse alagoano, que jogou as duas últimas temporadas na Turquia e na próxima voltará ao Brasil pelo Sesc RJ, liderou o ranking de recepção, com índice de 65,8% – resultado de uma ponderação entre passes excelentes, bolas colocadas em jogo e eventuais erros. Para chegar a esse percentual, o índice de passes A, aqueles irretocáveis, teve que ser superior a 70%.

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A marca impressiona na era dos saques que constantemente ultrapassam os 100 km/h, sem esquecer aqueles carregados de efeito ou ainda os chapados. Em determinados rodízios, é Maurício Borges quem fica mais exposto entre os passadores, muitas vezes recebendo em deslocamento. É bom que se diga que, no caso de um saque devastador, um passe B, aquele que não é ideal mas não exige grande deslocamento do levantador, é perfeitamente aceitável.

Borges recebe um saque durante partida da Liga Mundial, enquanto é observado por Lucarelli, Thales e Evandro

Carregador de piano
“O papel do Maurício Borges é fundamental, não só na seleção brasileira, mas em qualquer equipe. Ele representa o cara que passa nas seis posições. Agora, no novo ciclo da seleção brasileira, na ausência do Murilo, que tinha esse papel, do Nalbert anteriormente, ele tem essa função de servir ao time, servir ao levantador, para que as melhores opções ofensivas sejam possíveis. Na minha opinião, ele é um carregador de piano, que talvez não vá aparecer tanto em um primeiro momento, mas na verificação de como funciona o sistema ofensivo, se percebe o quanto ele é importante”, explicou ao Saída de Rede o treinador Marcelo Fronckowiak, assistente técnico de Renan.

Não bastasse a excelência no passe, comprovada nos números e atestada por seus treinadores, Borges ainda se destaca na defesa. Foi o terceiro melhor defensor da fase classificatória da Liga Mundial. “Ele se posiciona muito bem, toca quase sempre na bola, é muito atento na cobertura”, comentou Dal Zotto.

Foco no passe
Maurício Borges é também um bom sacador e bloqueador. O leitor talvez se pergunte: e o ataque? Com a palavra, um dos maiores ponteiros-passadores que o mundo já viu. “Posso falar disso de camarote porque era minha função, eu era um ponteiro-passador. Na seleção eu tinha esse papel de segurar o passe ao lado do líbero. Minha principal função era essa, o ataque era algo complementar. O Maurício tem um grande potencial de ataque, ele pode ser um jogador decisivo, mas a função número um dele é a recepção, é o volume de jogo”, afirmou ao blog Nalbert Bitencourt, único atleta da modalidade a se sagrar campeão de todos os títulos possíveis entre seleções em qualquer categoria, do infantojuvenil ao adulto, peça-chave do timaço que foi ouro na Olimpíada de Atenas, em 2004.

Nas nove partidas até aqui da Liga Mundial 2017, Borges tem 41% de aproveitamento no ataque, não muito distante dos 47% de Lucarelli, o outro ponteiro titular, responsável por uma área menor no passe. O oposto Wallace, que fica livre somente para atacar, como ocorre com quem joga na saída de rede, teve 54% de aproveitamento nos três jogos que disputou.

Nalbert faz uma ressalva. “Acho que as pessoas pegam no pé dele porque é um jogador que realmente oscila em alguns momentos. Ele é capaz de jogadas maravilhosas e de erros bobos. Isso é uma coisa que ele tem que trabalhar, manter a concentração o jogo inteiro, pois tem todas as condições técnicas e físicas para ser um top de linha, um dos melhores ponteiros do mundo. Se ainda não atingiu esse nível, então ele precisa trabalhar a concentração”.

O ponteiro entrando em quadra para enfrentar a seleção italiana na primeira semana da Liga Mundial 2017

Lidando com as críticas
O que será que o próprio Borges tem a dizer sobre as críticas que recebe? “Eu leio os comentários e procuro absorver as críticas boas. As ruins passam sem que eu dê muita importância. Acho que é a melhor maneira de lidar com isso, cada um tem a sua opinião”, disse ao SdR.

Ciente da responsabilidade que carrega, o ponta fala com tranquilidade sobre seu novo papel. “Com a saída do Serginho da seleção, meu espaço aumentou no sentido de ajudar ainda mais na linha de passe, de dar um apoio maior aos jogadores mais novos, até mesmo o Lucarelli, com quem venho jogando há mais tempo”.

O líbero Thales, em sua primeira temporada na seleção principal, destaca a importância do colega. “Para mim, o Maurício Borges é fundamental. É um jogador que eu conheço desde as categorias de base, quando jogamos juntos, e é um craque. Talvez não seja o cara que vá rodar as bolas mais difíceis, e para isso nós temos outros jogadores, mas para a linha de passe é essencial. Ajuda a mim e a qualquer líbero. Seja lá qual for o time, ele vai ser o passador”, ressaltou ao Saída de Rede.

Mauricio Borges no ataque: o ponta teve aproveitamento de 41% no fundamento na fase classificatória

Destaque desde o juvenil
Quando ganhou o prêmio de melhor jogador do Mundial Juvenil 2009, Maurício Borges era uma das grandes promessas do voleibol brasileiro. Foi o último título do Brasil na categoria, derrotando Cuba na final, time que contava com jogadores do quilate dos ponteiros Yoandry Leal e Wilfredo León, ambos atuando também pela equipe adulta do seu país à época. Inúmeras contusões atrapalharam a carreira de Borges, inclusive duas cirurgias no pé esquerdo, mas ascender de coadjuvante a protagonista na seleção era questão de tempo.

De segundo líbero na conquista do último título brasileiro na Liga Mundial 2010, passando pela titularidade na campanha do ouro na secundária Copa dos Campeões 2013, um papel mais discreto no time que ficou com a prata no Mundial 2014, até ter destaque na Liga Mundial 2016 e na Olimpíada do Rio, Maurício Borges esteve na seleção a maior parte do tempo ao longo desta década. Às vezes no time B, como nas edições 2011 e 2015 dos Jogos Pan-Americanos, quando o Brasil ganhou o ouro e a prata, respectivamente.

Melhor momento
“Estou feliz de participar em mais um ano com a seleção brasileira, estou mais à vontade no início deste novo ciclo, tentando ajudar esses garotos que estão chegando agora. Considero que estou no melhor momento da minha carreira e tento colaborar da melhor maneira possível”, contou o ponta.

Questionado sobre como se sente por estar entre os melhores do mundo no passe e na defesa, Maurício Borges mantém os pés no chão. “Treino todos os dias para estar nesta posição, mas muito mais para ajudar a equipe do que por qualquer outro motivo. Não fico olhando muito as estatísticas, não sou de ficar buscando essas informações, mas não podemos deixar de pensar que estar bem nesse quesito significa contribuir com o trabalho da seleção brasileira”.

*Colaborou Carolina Canossa

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Brasil e Canadá abrem a semana decisiva da Liga Mundial em Curitiba (fotos: FIVB)

A fase classificatória da primeira Liga Mundial deste ciclo olímpico terminou no domingo, dia 18, e só na última rodada é que Rússia, Canadá e EUA carimbaram o passaporte para Curitiba, juntando-se a Brasil, França e Sérvia. Entre as seis seleções, apenas a canadense nunca levantou o título da competição.

O Brasil deve abrir a semana de jogos encarando a seleção do Canadá, no próximo dia 4, terça-feira, às 15h05. Na quinta-feira, no mesmo horário, o time verde-amarelo enfrenta os russos. Franceses, sérvios e norte-americanos, os três últimos vencedores do torneio, estão no outro grupo.

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Wallace em ação contra Sérvia

Com a missão de levantar o título da competição pela décima vez, o Brasil terminou como a segunda melhor campanha da fase inicial – seis vitórias, três derrotas, 19 pontos na conta. O técnico Renan Dal Zotto promoveu um revezamento entre os líberos Tiago Brendle e Thales, acionou os levantadores Murilo Radke e Raphael, o central Otávio, o oposto Renan Buiatti e o ponta Rodriguinho, mas jogou, mesmo, com base da seleção campeã olímpica.

Titulares na entrada de rede, Lucarelli, com 47,1% de aproveitamento no ataque, e Maurício Borges, com 41,6%, são os dois únicos da equipe ranqueados entre os melhores atacantes, ainda que em posições relativamente modestas – Lucarelli foi o 11º mais eficiente e Borges, o 22º. Nesse quesito, o aproveitamento de Wallace, embora ele não figure no ranking da FIVB, foi superior: o oposto só disputou as três últimas partidas da fase e pontuou em 54% das tentativas efetuadas no ataque.

O rendimento discreto de Borges nas cortadas é compensado pelo trabalho de fundo de quadra: o ponta foi o terceiro jogador melhor na defesa e o melhor da fase classificatória na recepção.

Outro fundamento em que jogadores da seleção aparecem entre os melhores é – curiosamente – o saque: se a equipe tem encontrado dificuldade para impor seu ritmo de jogo a partir do serviço, Mauricio Souza e Lucarelli foram, respectivamente, terceiro e quarto colocados no ranking desse quesito. O detalhe é que Souza, com seu flutuante, é um dos raros jogadores na competição com mais aces (14) do que erros de saque (dez).

Como ponto negativo ficou o bloqueio da equipe: Mauricio Souza, com média de 0,44 pontos por set, foi o melhor do time nesse fundamento e o 15º no geral. Lucão, o outro central titular, foi apenas o quatro maior pontuador do Brasil nesse quesito e o 39º entre todos os jogadores inscritos.

Numa chave contra renovadas equipes da Rússia e do Canadá, é pouco provável que o Brasil não alcance as semifinais da competição. Isso não quer dizer, contudo, que não ofereçam risco à seleção.

Sem título na competição, Canadá é franco-atirador nas finais da Liga

O Canadá, a quem o Brasil venceu por 3 a 1 na segunda semana do torneio, foi quinto colocado na classificação (cinco vitórias e quatro derrotas). Com vitórias sobre rivais de expressão, como os EUA (3 a 2) e a eliminada Itália (3 a 1), os canadenses voltaram às finais da Liga Mundial depois de quatro anos.

Sem o oposto Gavin Schmitt, aposentado da seleção, a força ofensiva do time está na entrada de rede. O técnico francês Stéphane Antiga, que faz nesta Liga Mundial sua estreia pelo Canadá, tem tido nos ponteiros Stephen Maar e Gord Perrin os atacantes mais efetivos: ambos estão entre os dez melhores da competição neste fundamento, à frente, portanto, da dupla de pontas brasileiros.

Além disso, os centrais Daniel Jansen VanDoorn e Grahan Vigrass foram, respectivamente, quarto e quinto melhores bloqueadores da primeira fase do torneio.

Rússia: força no bloqueio

A Rússia é a única equipe desse grupo que já começou a Liga Mundial com ritmo de jogo, já que, uma semana antes da estreia, estava disputando um hexagonal que lhe valeu vaga no mundial do ano que vem.

Depois de dois anos em que caiu na primeira fase – lanterna em 2015 e o sexto lugar em 2016, quando teve de ceder lugar à Polônia, que era sede das finais –, a equipe russa se classificou para Curitiba mesmo não tendo em quadra o oposto Mikhaylov e o levantador Grankin (que devem voltar ao time para jogar o Campeonato Europeu, em agosto), nem o central Muserskiy, em atrito com a federação de seu país.

Na primeira fase da Liga Mundial, a Rússia perdeu quatro dos cinco primeiros jogos que disputou e precisou vencer os quatro últimos compromissos para conquistar uma vaga em Curitiba – na última semana do torneio, jogando na Polônia, além do 3-0 aplicado sobre o Irão, bateu o time da casa em sets diretos e superou os EUA no tie break.

O oposto Maxim Zhigalov é o sexto maior anotador da competição, com 128 acertos, mas seu percentual de aproveitamento no ataque é apenas o 17º mais alto.

Os maiores destaques da equipe em termos estatísticos foram os centrais Ilyas Kurkaev, de 23 anos de idade, e Ilia Vlasov, que completa 22 no mês que vem: eles foram, respectivamente, segundo e oitavo melhores jogadores do torneio no bloqueio.

Além deles, ressalte-se a boa participação do ponta Dmitry Volkov, segundo melhor sacador dessa fase e atacante mais eficiente da equipe.

Na outra chave, parecem estar os mais fortes concorrentes da seleção brasileira ao troféu na Arena da Baixada.

EUA: suada classificação para as finais

Com a tradição de sempre se sobressair contra o Brasil em jogos decisivos (as semifinais de Barcelona 1992 e de Atenas 2004 foram exceção a essa regra), os EUA claudicaram um bocado na fase classificatória: avançaram às finais com mais derrotas do que vitórias (4-5), depois de vencerem a Polônia por 3-1 em Lodz e torcerem pelo triunfo da Argentina sobre a Bulgária.

Os senões da campanha, diga-se, são bastante aceitáveis, já que o técnico John Speraw tem usado a competição para preparar o time para o ciclo olímpico e deu oportunidade a atletas como o oposto Benjamin Patch, que completa 23 nesta sexta e ainda joga na liga universitária dos Estados Unidos. (Nesse caso, a aposta do treinador deu certo, já que Patch acabou sendo o terceiro atacante mais eficiente da fase classificatória.)

O destaque do time, como se podia esperar, foi o ponta Talyor Sander (MVP da competição em 2014), que foi ranqueado pela FIVB como top 10 em cinco quesitos – segundo maior pontuador do certame, quinto atacante mais eficiente, sétimo melhor sacador, décimo no passe e quinto melhor na defesa.

Os favoritos deste grupo, porém, são França e Sérvia.

Destaque da França, Boyer investe contra block italiano

Dona da melhor campanha na competição, com oito vitórias e uma derrota (3-2 contra a Itália, quando até poupou o levantador Benjamin Toniutti nas quatro últimas parciais), a França parece firme no caminho rumo ao segundo troféu na Liga Mundial, o segundo no Brasil.

Sem o ponteiro Earvin N’Gapeth, que passou a competição se recuperando de uma lesão abdominal sofrida no mês passado e só entrou para fazer fundo de quadra diante da Bélgica, no domingo, o sexteto dirigido por Laurent Tillie encontrou equilíbrio nos pontas Trevor Clevenot e Julien Lyneel, e eficiência no oposto Stephen Boyer, de 21 anos.

Com a responsabilidade de substituir Antonin Rouzier, aposentado da seleção depois da Rio 2016, Boyer foi o maior pontuador da fase classificatória, segundo atacante mais eficiente e melhor sacador do torneio.

Sérvios vão a Curitiba tentar defender o título do ano passado

Já a Sérvia, terceira colocada na classificação, com seis vitórias, três derrotas e com um ponto a menos que o Brasil, não sabe se contará com Aleksandar Atanasijevic em Curitiba. Depois de jogar no primeiro fim de semana da Liga (na cidade sérvia de Novi Sad), o oposto, como ele próprio explicou nas redes sociais, fez um acordo com o técnico Nikola Grbic e entrou de férias, deixando em aberto a possibilidade de disputar as finais. Mas vale lembrar que, no ano passado, contundido, ele desfalcou a seleção na fase decisiva e isso não impediu os sérvios de se sagrarem campeões.

Na falta de Atanasijevic, a força do ataque sérvio está na entrada de rede: o ponta Marko Ivovic, MVP do torneio em 2016 e que vai jogar na Funvic/Taubaté na próxima temporada, foi o atacante mais eficiente da competição e Uros Kovacevic, o nono.

O veterano central Marko Podrascanin e o levantador Nikola Jovovic também figuram entre os melhores nas estatísticas da FIVB.

Enquanto Podrascanin é o sexto melhor bloqueador no ranking, Jovovic parece disputar com Bruno, nos números da federação internacional, o posto de melhor levantador do torneio: o sérvio é o segundo mais eficiente em levantamentos (o campeão olímpico é o primeiro) e o sexto melhor defensor do campeonato (o brasileiro vem logo em seguida, em sétimo).

As semifinais da Liga Mundial serão disputadas na sexta-feira, 7, em jogos às 15h05 e 17h10. No sábado, será a vez das disputas por medalha: às 20h, a partida que define o bronze e às 23h05, a final.

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